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Plano de saúde deve cobrir intercorrências em cirurgias plásticas, decide STJ

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o plano de saúde deve cobrir obrigatoriamente os imprevistos de cirurgias plásticas, mesmo quando o procedimento ocorre em hospital particular. A decisão surgiu ao analisar uma ação que uma paciente moveu contra o hospital e o plano de saúde.

Após o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) negar a apelação da defesa da paciente, o recurso chegou ao STJ. O TJDFT entendeu que não seria possível reconhecer o atendimento como emergência, o que impediria a cobertura pelo plano de saúde nesse caso.

Entretanto, a paciente argumenta que precisou pagar, de forma indevida, os custos dos procedimentos de emergência, realizados durante uma cirurgia plástica eletiva. Por isso, ela pediu para ser isentada do pagamento da conta hospitalar referente a esses procedimentos, e ainda solicitou uma indenização por danos morais.

Fundamentação legal

A relatora do caso na Terceira Turma do STJ, ministra Nancy Andrighi, afirmou que a paciente enfrentou uma complicação que exigiu atendimento imediato para proteger sua integridade física. Diante disso, reconheceu que a situação caracteriza uma emergência médica, conforme estabelece a Lei 9.656/1998, que obriga os planos de saúde a garantir cobertura nesses casos.

A ministra avaliou que, embora as intercorrências tenham ocorrido durante uma cirurgia plástica com finalidade estética, procedimento não previsto na cobertura contratual, isso não afasta a obrigação da operadora de arcar com o atendimento emergencial. Ela destacou, ainda, que essa responsabilidade se mantém principalmente porque o hospital onde a cirurgia foi realizada é credenciado pelo plano de saúde da paciente.

“A obrigação de custear o hemograma e a transfusão de sangue, realizados em virtude das complicações havidas durante a cirurgia de lipoescultura e mastopexia com prótese, não é da paciente, mas da operadora do plano de saúde”, finalizou a ministra.

Estados Unidos afirmam novas sanções contra o Brasil em resposta à condenação de Bolsonaro

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Marco Rubio, Donald Trump, Estados Unidos, EUA
Foto: Chip Somodevilla/Getty Images

Em entrevista ao canal de televisão Fox News, o secretário de Estados dos Estados Unidos Marco Rubio afirmou que os EUA anunciarão novas sanções contra o Brasil como retaliação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O anúncio deve ocorrer na próxima semana.

Rubio classificou o julgamento como parte de uma “campanha crescente de opressão judicial” e acusou juízes brasileiros, especialmente o ministro Alexandre de Moraes, de “perseguição política” e de “ameaças” a cidadãos americanos.

Se confirmadas, as novas sanções acontecerão enquanto o governo brasileiro estará nos EUA, para participar da Assembleia Geral da ONU, onde o Brasil tradicionalmente faz o discurso de abertura. O presidente Lula (PT) e seus principais ministros devem estar no país.

Possíveis medidas

As sanções do governo Donald Trump podem incluir aumento das tarifas de importação, suspensão de vistos para ministros do STF, ações contra familiares de Alexandre de Moraes e até mesmo a ruptura das relações diplomáticas.

O tarifaço, anunciado por Trump em julho, acabou sendo assinado com diversas exceções a produtos não produzidos dentro dos Estados Unidos, e diversas outras isenções foram anunciadas nas últimas semanas, tornando-o bastante desidratado frente ao anúncio original.

“Você tem esses juízes ativistas — um em particular — que não só perseguiu Bolsonaro, aliás, como tentou — ele tentou fazer reivindicações extraterritoriais contra cidadãos americanos ou contra alguém que postou online de dentro dos Estados Unidos, e chegou a ameaçar ir ainda mais longe nesse sentido [..] Portanto, haverá uma resposta dos EUA a isso, e faremos alguns anúncios na próxima semana sobre as medidas adicionais que pretendemos tomar”, alegou Rubio. Trata-se da primeira declaração do secretário para a imprensa após a condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado.

Lula, em artigo publicado no jornal New York Times neste domingo (14), declarou que respeita a independência dos Três Poderes, e afirmou que não negociará nem a soberania e nem a democracia brasileira

Exportações brasileiras de café solúvel aos EUA despencam quase 60% em agosto

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café solúvel
Foto: Reprodução

A entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelo governo Donald Trump ao café solúvel brasileiro exportado para os Estados Unidos provocou uma forte retração nos embarques do produto em agosto. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), as vendas para o mercado norte-americano somaram apenas 26.460 sacas de 60 quilos no mês, queda de 59,9% em relação a agosto de 2024 e de 50,1% frente a julho deste ano.

“Essa queda brusca é muito preocupante e frustra a expectativa de quebrar um novo recorde nas exportações em 2025, superando as 4,093 milhões de sacas do ano passado”, afirmou o diretor-executivo da Abics, Aguinaldo Lima.

Diante do impacto imediato, a entidade articula ações em conjunto com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). O objetivo é buscar soluções com autoridades brasileiras e clientes nos Estados Unidos para mitigar os efeitos do tarifaço. “Essa taxação inviabiliza o comércio. Precisamos restabelecer um fluxo de negócios justo na relação cafeeira entre Brasil e EUA”, ressaltou Lima.

O executivo lembrou ainda que os cafés solúveis brasileiros enfrentam barreiras tarifárias em outros mercados, o que aumenta a pressão sobre o setor. “O Brasil é um país com poucos acordos comerciais, e isso dificulta nossa competitividade. É fundamental que o governo seja mais agressivo nas negociações para garantir a liderança do segmento e ampliar a geração de receitas”, disse.

Desempenho acumulado

Entre janeiro e agosto de 2025, as exportações brasileiras de café solúvel alcançaram 2,508 milhões de sacas, queda de 3,9% frente ao mesmo período do ano anterior. Os EUA seguem como o maior destino, com 443.179 sacas (-3,7%), seguidos por Argentina (236.454 sacas, +88,3%) e Rússia (188.041 sacas, +16,8%).

No mercado interno, o consumo de café solúvel também apresentou avanço. De janeiro a agosto, os brasileiros consumiram 17,623 mil toneladas (equivalente a 763.645 sacas), alta de 4,7% na comparação anual. O destaque foi para o café freeze dried (liofilizado), que cresceu 11,3%, enquanto o spray dried (em pó) registrou alta de 3,9%. O consumo de café solúvel importado também aumentou, com expansão de 30,7% no período.

Biofábrica de mosquitos é inaugurada no DF para combater dengue, zika e chikungunya

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Brasília (DF), 09/09/2025 - Mosquitos aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia são soltos por agente da secretaria de Meio Ambiente do DF. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, inaugurou a biofábrica de Wolbachia de Brasília, no Núcleo de Controle Químico e Biológico (NCQB). Os dengue
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No início deste mês, o Ministério da Saúde inaugurou a biofábrica do método Wolbachia na região administrativa do Guará, cidade-satélite do Distrito Federal. A produção semanal da unidade pode chegar a 6 milhões de mosquitos Aedes aegypti contaminados com a bactéria Wolbachia, que impede a replicação dos vírus causadores da dengue, zika e chikungunya no mosquito, reduzindo assim a transmissão delas para humanos.

Liberação e abrangência

Os mosquitos tratados, apelidados de “Wolbito”, foram soltos no Distrito Federal e nos municípios goianos de Valparaíso de Goiás e Luziânia, beneficiando cerca de 750 mil pessoas. A estratégia prevê a distribuição semanal em 20 mil potes, com o apoio de 26 viaturas e 52 servidores para operacionalizar a soltura dos insetos.

“Hoje, os Aedes aegypti que estão circulando têm a capacidade de transmitir várias doenças: zika, dengue e os vários tipos de dengue. Mas o Wolbito, a partir do momento que ele entra nesse mosquito, ele impede a replicação desses vírus. Então, obviamente, você reduz drasticamente a possibilidade desse vírus de transmitir essa doença”, explicou o secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante Lacerda.

A técnica consiste em levar os wolbitos, que cresceram em ambiente controlado, para a natureza, onde se reproduzem entre si e com os mosquitos que carregam os vírus, gerando assim gerações que são imunes a transportar as doenças para os humanos. A bactéria também não é transmitida para seres humanos e outros animais domésticos, como gatos e cachorros.

“O procedimento é totalmente seguro. Trata-se de um processo autossustentável, que também evita o uso de produtos químicos, como venenos, no combate à dengue”, reforçou Juracy.

Resultados

No primeiro semestre de 2025, houve redução de 75% nos casos de dengue e de 73% nas mortes causadas pela doença em todo o Brasil. O uso da tecnologia é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e já foi implementado em 16 cidades brasileiras, com resultados expressivos como uma queda de 88% nos casos em Niterói (RJ).

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT) afirmou que a população precisa continuar mantendo práticas como as de observar pontos de água parada, parta auxiliar no controle das doenças:

“É muito importante que todas as ações já conhecidas continuem no cuidado em casa, na rua onde mora, nas igrejas e mobilizando as comunidades. Teremos ainda um Dia D nacional de mobilização para chamar a atenção da população para não abaixar a guarda no controle da dengue nesse momento”, pontuou.

A expectativa é ampliar o uso do método até o fim de 2025 para outras cidades, como Natal (RN), Uberlândia (MG) e Presidente Prudente (SP), fortalecendo as ações contra as arboviroses urbanas.

Proprietários rurais ganham mais cinco anos para ratificar imóveis na fronteira

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Tabatinga (AM), 03/03/2023 - Região de fronteira entre os municípios de Tabatinga (Brasil) e Letícia (Colômbia).
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Lula (PT) sancionou, nesta segunda-feira (15), a Lei 15.206, publicada no Diário Oficial da União. Com a nova legislação, os proprietários rurais ganham mais cinco anos para solicitar a ratificação dos registros de imóveis localizados em faixas de fronteira.

Essa nova norma tem origem no Projeto de Lei 1.532/2025, apresentado pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS). Em julho, o Plenário do Senado aprovou a proposta com parecer favorável da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Em seguida, no mês de agosto, a matéria passou pela Câmara dos Deputados.

O governo já prorrogou o prazo duas vezes. O primeiro venceu em 2019, e o segundo se encerraria em outubro deste ano.

Fronteira

A faixa de fronteira corresponde a uma área de até 150 quilômetros de largura ao longo das divisas terrestres do Brasil com países vizinhos. Nessa região, a legislação exige a regularização de propriedades com área superior a 15 módulos fiscais, desde que os registros derivem de títulos de alienação ou concessão de terras devolutas emitidos pelos estados. Além disso, é importante destacar que o tamanho do módulo fiscal varia conforme o município.

Para garantir a ratificação dos registros, o proprietário deve solicitar a certificação do georreferenciamento do imóvel e atualizar a inscrição do terreno no Sistema Nacional de Cadastro Rural. Dessa forma, o objetivo da ratificação é impedir que as propriedades retornem à União por falta de regularização.

Desaprovação de Lula segue preponderante na maioria das faixas de renda e regiões

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Brasília (DF) 13/09/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Dia E "Ebserh em Ação – Agora Tem Especialistas", no Hospital Universitário de Brasília (HUB)
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A segmentação da mais recente pesquisa Datafolha por faixas de renda e regiões aponta que a desaprovação do presidente Lula (PT) segue dominante em setores expressivos do eleitorado.
Neste momento, a aprovação de Lula supera a desaprovação apenas entre quem possui renda mensal de até dois salários (57% a 39%) e os habitantes da região Nordeste (65% a 33%). A faixa de renda de até dois salários e o Nordeste são pilares do lulismo.
No entanto, com exceção do segmento com renda mensal de até dois salários, nas demais faixas de renda, a desaprovação ao presidente é majoritária: mais de 2 a 5 salários (56% a 40%); mais de 5 a 10 salários (63% a 36%); e mais de 10 salários (62% a 38%).
Por regiões, com a exceção do Nordeste, a desaprovação a Lula também é majoritária nas demais: Sudeste (52% a 43%); Sul (59% a 38%); e Centro-Oeste (52% a 45%).
A análise da avaliação de Lula por faixas de renda e regiões sugere que o aumento da popularidade do presidente tem relação com a redução do preço dos alimentos, ficando restrita a nichos do eleitorado tradicional lulista.
Embora essa recuperação seja importante para o presidente, o cenário para Lula segue adversário na opinião pública, já que em três das quatro faixas de renda sua desaprovação varia de 56% a 63%.
Números similares são encontrados quando analisamos a popularidade do presidente por regiões. Com exceção do Nordeste, a desaprovação de Lula varia de 52% a 59% em três das quatro regiões do país.

Em artigo ao New York Times, Lula diz que soberania e democracia são inegociáveis

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Brasília (DF) 13/09/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Dia E "Ebserh em Ação – Agora Tem Especialistas", no Hospital Universitário de Brasília (HUB)
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Em artigo publicado no jornal The New York Times neste domingo (14), o presidente Lula (PT) contestou os argumentos do presidente Donald Trump para a aplicação das tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. Lula destacou que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 410 bilhões na relação comercial com o Brasil.

Ele também defendeu que mais de 75% das exportações americanas ao Brasil são isentas de impostos, e que a decisão de taxar os produtos brasileiros é política e não técnica.

“Ao longo de décadas de negociação, primeiro como líder sindical e depois como presidente, aprendi a ouvir todos os lados e a levar em conta todos os interesses em jogo”, disse, pontuando que o artigo seria direcionado a Trump.

Defesa da democracia e soberania do Judiciário

No artigo intitulado “A democracia e a soberania brasileiras são inegociáveis”, Lula buscou reforçar o papel independente do Judiciário, respondendo às críticas americanas sobre a condenação de Jair Bolsonaro (PL) pelo STF.

“Não se tratou de uma ‘caça às bruxas’. A decisão foi resultado de procedimentos conduzidos em conformidade com a Constituição Brasileira de 1988, promulgada após duas décadas de luta contra uma ditadura militar. A decisão foi resultado de meses de investigações que revelaram planos para assassinar a mim, ao vice-presidente e a um ministro do STF”, reforçou.

O presidente sustenta que apenas a Justiça brasileira tem competência para lidar com crimes contra a democracia, que é independente dos outros Poderes e que não aceitará ingerências ou ameaças externas.

Pix e Amazônia

Lula também destacou avanços brasileiros como a implementação do Pix e a redução pela metade do desmatamento na Amazônia nos últimos dois anos.

“Ao contrário de ser injusto com os operadores financeiros dos EUA, o sistema de pagamento digital brasileiro, conhecido como PIX, possibilitou a inclusão financeira de milhões de cidadãos e empresas. Não podemos ser penalizados por criar um mecanismo rápido, gratuito e seguro que facilita as transações e estimula a economia”, afirmou.

O presidente também menciona a apreensão de recursos ilícitos destinados a crimes ambientais, rebatendo alegações de que o Brasil não estaria trabalhando contra o desmatamento, e pontua que “a Amazônia ainda estará em perigo se outros países não fizerem a sua parte na redução das emissões de gases de efeito estufa. O aumento das temperaturas globais pode transformar a floresta tropical em uma savana, interrompendo os padrões de precipitação em todo o hemisfério, incluindo o Centro-Oeste americano.”

Defesa de negociações

No texto, Lula buscou deixar claro que o Brasil está disposto a negociar as tarifas, mas alertou que diferenças ideológicas não podem prejudicar a histórica parceria entre os países.

“Quando os Estados Unidos viram as costas para uma relação de mais de 200 anos, como a que mantêm com o Brasil, todos perdem. Não há diferenças ideológicas que impeçam dois governos de trabalharem juntos em áreas nas quais têm objetivos comuns.”

Análise: O passo a passo jurídico após a condenação de Jair Bolsonaro

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Mesmo com a conclusão do julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e dos outros sete réus do chamado “núcleo crucial” da trama golpista pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente tem poucas chances de ser preso logo. Primeiro, porque a pena só começa a ser cumprida após o trânsito em julgado, ou seja, quando o julgamento for dado como finalizado por não haver mais possibilidade de recursos nem de pedidos de esclarecimento, o que ainda não é o caso. Como os ministros, na quinta-feira (11), já definiram a dosimetria das penas, ainda é preciso efetivar a publicação do acórdão, documento que oficializa a decisão do colegiado.

Pelo regimento do STF, o prazo para a publicação do acórdão é de 60 dias, mas, por ser caso de ampla repercussão política, é provável que ocorra antes disso. Em seguida, abre-se espaço para a apresentação de recursos, espaço que os advogados devem tentar usar ao máximo para adiar a execução da pena.

Embargos de declaração

Nos cinco dias após a publicação da decisão, os advogados podem alegar omissão, obscuridade ou contradição na decisão. Essa etapa garante a clareza da decisão judicial, com respostas a todos os questionamentos da defesa. Os embargos de declaração não podem, no entanto, alterar o mérito do que foi decidido, ou seja, se um réu é considerado culpado. Vale dizer que o uso dos embargos tendo em vista apenas atrasar o trâmite pode levar à multa por litigância de má-fé.

Embargos infringentes

Após a decisão sobre os embargos de declaração, dá-se um prazo de 15 dias para a apresentação de embargos infringentes. Eles são possíveis, caso haja divergência em pelo menos um dos crimes julgados, gerando a possiblidade de uma revisão parcial da decisão. Depois, há novo prazo de 15 dias para a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Há, porém, divergência entre juristas se esse recurso cabe em julgamento de tentativa de golpe de Estado. A regra no plenário é de possibilidade caso quatro dos 11 ministros votem de forma divergente. Mas o regimento não deixa claro quantos precisariam divergir para que esse embargo possa ser usado nas Turmas, como é o caso. Em 2018, foi estabelecido precedente numa ação contra o ex-deputado Paulo Maluf: a existência de dois votos divergentes no mérito. Contudo, como a regra não foi oficializada no regimento, é incerto se o entendimento será o mesmo agora.

De qualquer forma, se o embargo for aceito, o plenário precisaria revisar as sentenças, mas somente em relação aos crimes sobre os quais houve discordância. Assim, a condenação de Mauro Cid e Braga Netto por abolição violenta do Estado democrático de direito não seria passível de recurso, já que houve unanimidade. A depender do entendimento do STF, do timing da defesa e da rapidez da análise, a prisão de Bolsonaro pode acontecer entre outubro e novembro.

Conselho será instalado e discutirá política para minerais críticos, diz ministro

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Brasìlia (DF), 16/10/2024 - Ministro Alexandre Silveira (Minas Energia), durante entrevista para falar sobre os apagões em São Paulo e a volta ou não do horário de verão
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) será instalado nos próximos dias e, da pauta de sua primeira reunião, já deve constar uma deliberação sobre a política nacional a ser adotada em relação aos minerais críticos.

O objetivo é que tal política tenha “visão estratégica”, afirmou, na quarta-feira passada (10), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, já que “a questão dos minerais críticos é extremamente estratégica para o Brasil”.

O ministro explicou que o governo quer avançar com decretos sobre a política para esses minerais, o que pode ser feito de forma infralegal. Ao mesmo tempo, vai buscar consenso no Congresso Nacional para a definição da política nacional.

A instalação do CNPM é promessa feita pelo presidente Lula (PT) nas últimas semanas, diante do aumento do interesse dos Estados Unidos nas reservas brasileiras. De acordo com o ministro, Lula quer o Conselho ligado à Presidência e com a tarefa de mapear os produtos no solo e no subsolo do país.

Alexandre Silveira disse que o governo pediu ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que o Parlamento discuta um projeto comum em torno do tema que possa avançar o mais rapidamente possível.

A definição de um marco legal para os minerais críticos encontra-se em tramitação na Câmara. O assunto é tratado no Projeto de Lei nº 2.780/24, de autoria do deputado Zé Silva (SD-MG), tendo como relator o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP).

Pedidos de pesquisa

Durante audiência no Senado na quinta-feira passada (11), o representante da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mariano de Oliveira, informou que a autarquia registrou, no ano passado, um aumento de 400% no número de autorizações de pesquisas para identificação de elementos de terras-raras no Brasil.

O salto foi de 350 autorizações, em 2023, para 1.361, em 2024. “Quando eu digo 1.361 em 2024, não significa que haja essa mesma quantidade de empresas. Há muitas empresas que requerem várias áreas simultaneamente”, explicou Mariano de Oliveira.

De acordo com a ANM, os estados que mais encaminharam pedidos de pesquisa em 2024 foram Bahia (604 pedidos), Minas Gerais (321) e Goiás (231). Apesar do grande volume de pedidos de pesquisa, não houve portarias de lavras para o início da exploração de terras-raras nos últimos anos. Segundo Mariano de Oliveira, as últimas portarias para lavra foram assinadas em 2020, no total de sete, em favor da única mina em produção no país, a de Serra Verde, em Minaçu (GO).

Exportações de produtos afetados pelo tarifaço caíram 22,4% em agosto

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Foto: José Paulo Lacerda /CNI

O Monitor de Comércio Brasil-EUA, boletim elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) apontou que, em agosto, as exportações de produtos afetados pelo tarifaço americano caíram 22,4% em relação ao mesmo mês de 2024. Em contrapartida, as vendas de itens não sujeitos às tarifas adicionais recuaram 7,1%.

Além disso, a análise da Amcham se baseia em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que já havia mostrado uma queda de 18,5% nas exportações brasileiras para os Estados Unidos em agosto, comparado ao mesmo período de 2024.

Exportações tiveram queda expressiva

De acordo com a Amcham, os dados do mês passado indicam que as sobretaxas impostas pelos EUA provocaram uma queda expressiva nas exportações brasileiras. Além disso, essas taxas vêm contribuindo para a desaceleração das importações.

Por outro lado, a Amcham avalia que a queda de 7,1% nas vendas de produtos não taxados ocorreu principalmente devido a fatores de mercado, como a menor demanda dos EUA por petróleo e derivados.

Tarifaço

O governo dos Estados Unidos passou a aplicar tarifas de até 50% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, medida que ficou conhecida como “tarifaço”. O presidente Donald Trump justificou a decisão alegando que os EUA enfrentam um déficit comercial com o Brasil, ou seja, importam mais do que exportam. No entanto, dados oficiais de ambos os países contradizem essa afirmação.

Segundo o MDIC, essas tarifas mais elevadas afetam aproximadamente um terço (35,9%) das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano.

EUA Compram mais do que vendem para o Brasil

Os dados contradizem diretamente a justificativa apresentada por Trump. Ao contrário do que ele afirma, os Estados Unidos vendem mais ao Brasil do que compram. Apenas em agosto, o Brasil registrou um déficit comercial de US$ 1,2 bilhão em relação aos EUA, um aumento de 188% em comparação com o mesmo mês de 2024.

No acumulado de janeiro a agosto, esse déficit brasileiro já soma US$ 3,4 bilhões.

Além disso, o levantamento da Amcham mostra que, entre janeiro e julho, os Estados Unidos acumularam um déficit comercial global de US$ 809,3 bilhões, o que representa uma alta de 22,4% em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, o Brasil segue na contramão dessa tendência e aparece como o quinto país com o maior superávit comercial em favor dos EUA, atrás apenas dos Países Baixos, Hong Kong, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos.