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Lula sanciona com 63 vetos lei que muda regras de licenciamento ambiental

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Nesta quinta-feira (7), o presidente Lula (PT) sancionou a nova lei do licenciamento ambiental, com 63 vetos. Entre os principais pontos vetados estão dispositivos que restringiam a consulta a órgãos como a Funai e a Fundação Palmares, sobretudo em casos envolvendo terras indígenas ou quilombolas.

O texto aprovado anteriormente no Congresso contemplava consulta apenas se as áreas estivessem homologadas por decreto presidencial, mas o veto presidencial restabeleceu a necessidade de consulta sempre que a Funai ou a Fundação Palmares reconheçam essas comunidades.

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Licença Ambiental Especial

O governo assinou uma Medida Provisória para garantir a vigência imediata da Licença Ambiental Especial (LAE), criada para projetos estratégicos. Contudo, foi vetada a obrigatoriedade do processo monofásico, que liberaria todas as licenças simultaneamente. A decisão visa evitar que empreendedores tenham que antecipar grandes despesas antes da comprovação da viabilidade ambiental.

Os projetos prioritários terão um processo ágil e direcionado, com equipes específicas para acelerar o licenciamento, semelhante ao modelo usado nas obras do PAC.

“O conselho passará a ser acionado no caso de processos prioritários, mas isso não permitirá licenciamentos monofásico, todas as fases devem ser mantidas integralmente”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede).

Licença Ambiental por Adesão e Compromisso

A Licença Ambiental por Adesão e Compromisso (LAC), que já é utilizada para empreendimentos de baixo potencial poluidor, será mantida, mas o governo propõe que sua aplicação seja limitada. A LAC não poderá ser usada caso o empreendimento provoque impactos socioambientais não previstos, como o deslocamento de populações, reforçando o rigor nos casos com mudanças não registradas previamente.

Dispensa e simplificação com restrições

Foi vetado o dispositivo que dispensava licenciamento para obras de duplicação de rodovias pavimentadas, porém o governo prepara um novo projeto para manter essa dispensa com exigência de existência de licença ambiental anterior para esses empreendimentos. Em saneamento, o veto eliminou a dispensa de licenciamento para sistemas e estações de tratamento de água e esgoto, devido ao risco de impactos significativos, embora mantenha-se a previsão de rito simplificado para obras de expansão, excluindo aquelas relacionadas à segurança energética.

Os 63 vetos devem ser analisados pelo Congresso Nacional, que pode mantê-los ou derrubá-los.

Governo já ressarciu 98,5% dos aposentados e pensionistas afetados por descontos

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Brasília (DF), 03/11/2023, Prédio do Instituto Nacional do Seguro Social. Edfício sede do INSS. Fachada do INSS. Setor de autarquia sul
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A maior parte dos 1,66 milhão de aposentados e pensionistas prejudicados por descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já recebeu o ressarcimento, após aderir ao acordo de reparação firmado com o Governo Federal.

De acordo com o INSS, até esta quinta-feira (7), 98,5% do público afetado, ou seja, mais de 1,64 milhão de pessoas, já teve o valor devolvido diretamente na conta em que recebem o benefício.

68,6% dos beneficiários já formalizaram a solicitação

Mais de 2,43 milhões de beneficiários podem aderir ao acordo de ressarcimento. Até o momento, 68,6% desse total já formalizaram a solicitação, e, praticamente todos, já receberam os valores.

O pagamento ocorre de forma segura e ágil, sem que o beneficiário precise apresentar documentos ou informar dados bancários.

Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller, cerca de 700 mil pessoas ainda podem aderir.

“Quem ainda não fez isso, não deixe o valor para trás. Após a assinatura do acordo, o dinheiro cai na conta do benefício em até três dias. O valor é integral, corrigido pela inflação e garantido”, destaca.

Quem tem direito ao acordo

Podem aderir ao acordo são os beneficiários que contestaram descontos indevidos e não receberam resposta das entidades associativas em até 15 dias úteis. Além disso, o acordo abrange os descontos realizados entre março de 2020 e março de 2025.

Vale destacar que não é necessário entrar com ação na Justiça para receber os valores. Por fim, quem já entrou com processo judicial pode aderir, desde que ainda não tenha sido ressarcido.

Os beneficiários podem aderir de forma simples e gratuita, tanto pelo aplicativo Meu INSS quanto em mais de 5 mil agências dos Correios.

Contestação dos descontos

Os beneficiários podem contestar os descontos até, pelo menos, 14 de novembro de 2025. Mesmo após essa data, o acordo continuará disponível.

Até agora, aposentados e pensionistas já registraram 5,1 milhões de contestações por não reconhecerem os descontos. A maior parte foi feita por canais digitais, sendo o aplicativo Meu INSS responsável por 59% das solicitações (3.093.545 registros).

Além disso, os Correios desempenharam papel fundamental, com 28,8% dos atendimentos (1.512.117 registros), graças à estratégia de garantir acesso presencial a quem enfrenta dificuldades com tecnologia. Já a Central 135 respondeu por 7,3% das contestações (384.925).

Por fim, o INSS também abriu 254.270 contestações de ofício, como forma de proteger automaticamente beneficiários em situação de maior vulnerabilidade. Essa medida atendeu, por exemplo, idosos com mais de 80 anos que começaram a sofrer descontos após março de 2024, bem como indígenas e quilombolas

Senador alerta para risco de nova tarifa dos Estados Unidos e instala comissão

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Comissão Temporária Externa para interlocução sobre as relações econômicas bilaterais com os EUA (CTEUA) realiza reunião para instalação da comissão, criada nos termos do RQS 556/2025, para tratar sobre as relações econômicas bilaterais entre Brasil e Estados Unidos da América. À mesa, presidente da CTEUA, senador Nelsinho Trad (PSD-MS).
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Após uma expressa preocupação do senador Nelsinho Trad (PSD-MS) sobre risco de nova tarifa imposta pelos Estados Unidos, o parlamentar decidiu instalar a Comissão Temporária Externa para interlocução sobre as relações econômicas bilaterais com os EUA (CTEUA), presidida por ele mesmo e com relatoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS).

De acordo com Nelsinho, a iniciativa, proposta pela Comissão de Relações Exteriores (CRE), reforça o uso da diplomacia parlamentar para mitigar os impactos da crise comercial com os Estados Unidos. No fim do mês passado, o presidente Donald Trump, assinou um decreto que impõe uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, elevando o total para 50%. Porém, a medida, que começou a valer essa semana, prevê uma longa lista de exceções como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e peças, fertilizantes e produtos energéticos.

Reunião com Estados Unidos

O senador Nelsinho Trad, para tratar sobre o tema, reuniu-se com o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar. De acordo com o parlamentar, a conversa foi restrita para tratar do impacto econômico das tarifas e de temas da agenda comercial bilateral.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) também se reuniu com o senador e pediu a continuidade do trabalho da comissão como forma de apoio aos empresários. “Esse jogo ainda perdura muito tempo”, afirmou o presidente da entidade, Abrão Neto.

Petrobras decide voltar à distribuição de gás de cozinha

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em comunicado aos investidores publicado na noite desta quinta-feira (7), a Petrobras anunciou que o Conselho de Administração aprovou o retorno da empresa ao mercado de distribuição de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), conhecido popularmente como gás de cozinha. Pela decisão, o Plano Estratégico da companhia passa a incluir a possibilidade de atuação em distribuição em “negócios rentáveis e de parcerias nas atividades de distribuição, observadas as disposições contratuais vigentes”.

Assim, haverá atuação na distribuição de GLP, com integração com demais negócios da companhia. Essa diretriz também terá como base a busca por soluções de baixo carbono, diz o comunicado.

A estatal havia saído desse mercado durante o governo Jair Bolsonaro (PL), vendendo em 2020 a Liquigás para grupos privados. Apesar da aprovação, a empresa ainda não detalhou como será feita essa retomada, especialmente se incluirá a venda direta para consumidores residenciais.

Preocupação do governo

A decisão ocorre em um momento de forte preocupação do governo federal, principal acionista da Petrobras, com os altos preços do botijão de gás para as famílias brasileiras. O presidente Lula (PT) vem criticando publicamente a disparidade entre o preço praticado pela Petrobras, em torno de R$ 37, e o valor final para o consumidor, que pode chegar a R$ 110, R$120 ou até R$ 140 em algumas regiões, destacando que essa diferença é injusta, mesmo considerando os custos de transporte.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), que representa os trabalhadores do setor, declarou apoio à decisão, considerando-a uma vitória histórica da categoria. A entidade destaca que as reduções de preços promovidas pela Petrobras nas refinarias não são totalmente repassadas ao consumidor, o que motiva a retomada da distribuição para aumentar a competitividade.

Venda de gasolina

O retorno à distribuição de GLP não inclui o segmento de venda direta de gasolina em postos, que segue sob controle de empresas privadas como a Vibra Energia após a venda da BR Distribuidora em 2020. A Petrobras mantém contrato de licença para uso da marca BR até 2029, mas já manifestou intenção de não renovar o acordo.

A aprovação da volta ao mercado de gás coincide com o anúncio do balanço do segundo trimestre de 2025, que registrou lucro líquido de R$ 26,7 bilhões para a Petrobras. Esse resultado representa uma recuperação importante em relação ao prejuízo registrado no mesmo período de 2024.

A empresa também anunciou a distribuição de R$ 8,66 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio para os acionistas, dos quais o governo federal deve receber cerca de 29% e o BNDES, 8%.

STF aprova orçamento de R$ 1 bi para 2026 com aumento nas despesas de segurança

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Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal - STF
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou orçamento de R$ 1 bilhão para o ano de 2026, representando aumento em relação aos R$ 953 milhões de 2025. O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, justificou o crescimento principalmente pelo aumento das despesas com segurança, que saltaram de R$ 40 milhões em 2020 para R$ 72 milhões previstos para 2026. Barroso atribuiu esse aumento a fatores externos, destacando o crescimento das hostilidades contra o tribunal, que exige investimentos em infraestrutura, tecnologia, equipamentos e contratação de pessoal.

“O risco à segurança aumentou a necessidade de investir em infraestrutura, tecnologia e equipamentos e aumento de pessoal (servidores e terceirizados), com severo impacto no orçamento, mas inevitável”, justificou Barroso.

Apesar do impacto severo no orçamento, Barroso ressaltou que os gastos permanecem dentro dos limites fiscais estabelecidos. A proposta inclui despesas obrigatórias e discricionárias com recursos do Tesouro, além de receitas próprias do STF. A maior parte dos gastos está direcionada a pessoal, com aproximadamente R$ 678 milhões previstos.

“Como mencionado no relatório, ao montante de despesas primárias com receitas do Tesouro (obrigatórias e discricionárias), foi acrescido o campo de despesas discricionárias com receitas próprias do tribunal”, completou.

Próximos passos

A proposta orçamentária será enviada ao Ministério do Planejamento e Orçamento para compor a proposta da União para 2026, que passará por análise e aprovação do Congresso Nacional.

Senado aprova isenção do Imposto de Renda até R$ 3036

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Brasília (DF), 20/03/2025 - Quem precisa declarar o Imposto de Renda isenção
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (7) o Projeto de Lei 2.692/2025, que isenta do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) todos os contribuintes com renda mensal de até dois salários mínimos — o equivalente a R$ 3.036. A medida segue agora para sanção presidencial.

A proposta, apresentada pelo líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), reproduz o conteúdo da Medida Provisória 1.294/2025, que perderia a validade na próxima segunda-feira (11). O relator no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), também líder do governo na Casa, construiu um acordo para aprovar o texto sem alterações, garantindo que a mudança entrasse em vigor imediatamente, sem risco de caducar.

Estratégia legislativa

A decisão de Jaques Wagner de rejeitar emendas — incluindo uma que previa a isenção para quem ganha até R$ 7,3 mil — foi estratégica. Qualquer modificação obrigaria o retorno da matéria à Câmara dos Deputados, inviabilizando a aprovação antes do prazo final da MP.

Wagner lembrou que a ampliação da faixa de isenção já está prevista no Projeto de Lei 1.087/2025, de autoria do próprio governo, que tramita na Câmara sob relatoria do presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL). O texto isenta rendas de até R$ 5 mil a partir de 2026 e amplia o limite para redução parcial do IR de R$ 7 mil para R$ 7.350. Segundo o senador, a expectativa é que o PL seja votado já na próxima semana, compondo uma segunda fase da reformulação da tabela do IRPF.

“Se eu aceitasse agora as emendas, inviabilizaria a aprovação antes do fim do prazo da MP e, com isso, as pessoas deixariam de ser beneficiadas. Essa tabela é a primeira parte do pacote, e creio que semana que vem a Câmara deve votar esse projeto” afirmou Jaques Wagner no plenário.

Debate e resistências

Durante a discussão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) defendeu que o acordo costurado incluísse já nesta votação os contribuintes com renda acima de R$ 5 mil. Após ouvir os argumentos de Wagner sobre o risco de inviabilizar a medida, recuou da emenda, mas deixou claro que acompanhará de perto a tramitação do PL 1.087/2025, para evitar que a ampliação da faixa de isenção resulte em compensações fiscais que aumentem outros impostos.

A preocupação com o impacto fiscal foi destacada por Wagner, que lembrou a exigência de compensação prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para qualquer renúncia de receita. A ampliação para além de R$ 5 mil, portanto, depende de ajustes orçamentários que evitem desequilíbrios nas contas públicas.

Movimento em duas etapas

A aprovação do PL 2.692/2025 funciona como uma antecipação parcial da reforma da tabela do IRPF, uma demanda antiga e politicamente sensível. Ao limitar a primeira fase à faixa de dois salários mínimos, o governo garante um alívio imediato para milhões de trabalhadores de menor renda, ao mesmo tempo em que preserva espaço fiscal para uma ampliação futura.

A segunda fase, embutida no PL 1.087/2025, será mais ampla e politicamente disputada. Ao aumentar a faixa de isenção e ampliar o teto para descontos parciais, o governo atende demandas da classe média, mas precisará mostrar de onde virão os recursos para compensar a perda de arrecadação. Essa é a etapa em que embates com a oposição e ajustes de última hora são mais prováveis.

Repercussões

A condução da votação no Senado mostra a capacidade de articulação da base governista e a sintonia com a presidência da Câmara, que deverá ser crucial para a aprovação da segunda etapa. O recuo de senadores da oposição diante do risco de atrasar o benefício sinaliza que a pauta tem apelo transversal, mas não significa consenso sobre os próximos passos.

Para o governo, o resultado de hoje oferece um ganho político imediato: entrega de uma promessa de campanha, impacto positivo para milhões de contribuintes e um gesto concreto de atenção à renda do trabalhador. Já para o Congresso, o desafio será equilibrar a pressão por alívio tributário com a necessidade de manter a saúde fiscal do país.

Ocupação no comércio formal atinge 10,5 milhões

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Segundo a Pesquisa Anual de Comércio (PAC), divulgada hoje (7) pelo IBGE, o número de pessoas ocupadas no comércio formal brasileiro cresceu pelo terceiro ano consecutivo e atingiu 10,5 milhões em 2023. O avanço representa um aumento de 2,6% em relação a 2022, com a criação de 267 mil novos postos de trabalho.

Esse é o segundo maior contingente de trabalhadores registrados desde o início da série histórica, em 2007. Em comparação com o período pré-pandemia (2019), o total de ocupados cresceu 3,5%. No entanto, frente a 2014, ainda há uma queda acumulada de 0,8%, equivalente a 88 mil pessoas a menos.

Em 2023, o país contava com 1,5 milhão de empresas comerciais, que operavam em 1,7 milhão de unidades locais e foram responsáveis pela geração de R$ 352,7 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. A receita operacional líquida dessas empresas chegou a R$ 7,1 trilhões.

Empregos no comércio

De acordo com o IBGE, o setor varejista concentrou 7,7 milhões de trabalhadores em 2023, o que representa 72,7% dos empregos no comércio formal. A liderança ficou com hiper e supermercados, que empregaram a maior proporção dentro do varejo: 15,1% do total. Entre 2014 e 2023, esse segmento ampliou sua força de trabalho em 30,6%, com a criação de 372,3 mil novos postos.

Além disso, o comércio de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos, registrou alta de 21,3% na ocupação em dez anos, o que equivale a mais 162,2 mil trabalhadores.

Por outro lado, o setor atacadista alcançou em 2023 o maior número de ocupados desde 2007, com 2 milhões de trabalhadores. Já o comércio de veículos, peças e motocicletas empregou quase 903 mil pessoas, mantendo-se como um importante segmento do comércio.

Segundo Marcelo Miranda, gerente de análise estrutural do IBGE, o tipo de operação dos hiper e supermercados ajuda a explicar a demanda por mão de obra.

“Eles exigem grande força de trabalho para atender às diferentes etapas do negócio, desde a logística e distribuição até o atendimento ao cliente”, afirma.

Remuneração de funcionários

Apesar de concentrar a maior parte dos empregos no comércio, o varejo registrou os menores salários médios em 2023. Segundo o IBGE, a média salarial geral do setor comercial foi de dois salários mínimos, repetindo o resultado de 2022 e mantendo o maior valor da série histórica iniciada em 2007.

O setor atacadista se destacou com a maior média salarial, alcançando 2,9 salários mínimos. Em seguida, vieram o comércio de veículos, peças e motocicletas, com 2,1 salários mínimos, e o varejo, com 1,7.

Na comparação com 2014, apenas o segmento de veículos, peças e motocicletas apresentou queda na média salarial, de 0,3 salário mínimo. Os demais setores mantiveram os valores estáveis ao longo do período.

Por outro lado, as menores remunerações foram registradas nas atividades de representantes e agentes do comércio no atacado, com média de 1,2 salário mínimo. No varejo, os salários mais baixos ficaram com os segmentos de alimentos, bebidas e fumo, com média de 1,3, e de tecidos, vestuário, calçados e armarinho, com 1,6 salários mínimos.

Resistência de Alcolumbre ao impeachment de Moraes gera questionamentos

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Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa extraordinária. Ordem do dia. Na pauta, projeto que assegura a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até dois salários mínimos. Mesa: presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP); secretário-geral da Mesa do Senado Federal, Danilo Augusto Barboza de Aguiar.
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A declaração do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), dada ontem (7), de que não colocaria em pauta o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes “nem com 81 assinaturas” tem gerado desconforto entre parlamentares e questionamentos sobre sua liderança na Casa.

A oposição anunciou ter conseguido as 41 assinaturas necessárias para aprovar a admissibilidade do processo de impedimento de Moraes, caso o presidente da Casa decidisse dar andamento ao pedido. No entanto, a postura categórica de Alcolumbre em barrar qualquer movimento nesse sentido tem levantado indagações sobre suas motivações.

Senadores, que preferem não serem identificados, apontam que a resistência de Alcolumbre pode estar relacionada a uma suposta proximidade pessoal com o ministro do STF. Segundo essas fontes, Alcolumbre e Moraes mantêm uma relação de amizade íntima, o que estaria influenciando a decisão política do presidente do Senado.
A situação tem potencial para enfraquecer a liderança de Alcolumbre na Casa, uma vez que muitos senadores questionam se suas decisões estão sendo pautadas pelo interesse institucional ou por motivações pessoais. A percepção de que critérios subjetivos podem estar prevalecendo sobre o cumprimento do regimento interno gera inquietação entre parlamentares.

O episódio reacende o debate sobre os limites entre as relações pessoais e o exercício de funções institucionais no alto escalão da política brasileira.

Fim de extensão automática de patentes reduz preços de remédios contra câncer em 20%

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O Comércio influenciou no crescimento do PIB em 2024, com destaque para as Farmácias - remédio, medicamento
Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, em 2021, extinguiu a extensão automática do prazo de patentes no Brasil resultou em queda média de 20% nos preços mínimos regulados de medicamentos oncológicos de alto custo. O dado é de pesquisa do Instituto Esfera de Estudos e Inovação, em parceria com a farmacêutica EMS, divulgada nesta quarta-feira (6) em Brasília.

O levantamento analisou dados da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e concluiu que a entrada antecipada de concorrentes no mercado, provocada pela redução do período de exclusividade, foi o principal fator para a queda de preços, e não apenas a regulação de preços-teto.

Impacto desigual

Segundo o estudo, mercados de maior porte e com mais competidores registraram reduções acima de 35%, enquanto a presença de medicamentos genéricos esteve associada a quedas adicionais de cerca de 12,5%. Em segmentos menores e menos concorrenciais, a diminuição foi menos expressiva e, em alguns casos, não afetou a média dos preços.

A pesquisa utilizou metodologia econométrica de diferenças em diferenças para estimar o impacto da medida e validou o efeito causal como decorrente direta da decisão judicial.

Custos e previsibilidade

O fim da extensão automática das patentes foi visto como marco para a política de propriedade intelectual na saúde, ao reduzir custos para o Sistema Único de Saúde (SUS) e aumentar a previsibilidade regulatória. No entanto, o estudo alerta que a insegurança jurídica persiste, agora deslocada para ações judiciais nas quais empresas pedem prorrogação individual de patentes como compensação por atrasos no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Entre as recomendações, estão que o Judiciário considere os impactos econômicos de prorrogações e que Executivo e Legislativo adotem medidas para acelerar a análise de pedidos pelo INPI, reduzindo litígios e garantindo estabilidade regulatória.

Análise: A nova Estratégia Nacional de Cibersegurança

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Foto: Reprodução

No dia 4 de agosto de 2025, o Governo Federal publicou o Decreto nº 12.573, instituindo oficialmente a nova Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber). Estruturada em quatro eixos principais — proteção do cidadão e da sociedade, resiliência de serviços essenciais e infraestruturas críticas, cooperação entre instituições e promoção da soberania nacional — a nova estratégia representa um marco regulatório importante para o enfrentamento dos riscos no domínio cibernético. Contudo, uma análise crítica e comparativa evidencia avanços relevantes, mas também fragilidades que podem comprometer sua efetividade.

Entre os pontos positivos, destaca-se a abrangência temática e conceitual da E-Ciber. O decreto apresenta uma taxonomia moderna e clara, com definições como “ciberofensa”, “ciberefeito” e “ciberativos” que conferem precisão jurídica e técnica ao texto. Além disso, a estratégia demonstra sensibilidade social ao priorizar a proteção de grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas neurodivergentes — um diferencial em relação a muitas estratégias estrangeiras que costumam negligenciar esse aspecto. Também merece destaque a ênfase na integração entre os setores público, privado e acadêmico, com estímulo à criação de equipes de resposta a incidentes, centros de compartilhamento de informações e laboratórios especializados, em linha com modelos adotados por países como Estados Unidos (por meio da CISA) e Reino Unido (com o NCSC).

Outro ponto forte é a preocupação com a soberania tecnológica nacional. A estratégia valoriza a produção de soluções de cibersegurança no Brasil e incentiva a capacitação técnica e científica em larga escala, o que pode reduzir a dependência externa e fomentar a inovação no setor. A promoção de produtos, serviços e tecnologias nacionais é uma iniciativa coerente com os esforços de países como Israel, que alinham segurança digital à política industrial e à inovação.

Apesar desses avanços, a E-Ciber apresenta fragilidades significativas. A primeira delas é a ausência de metas quantificáveis, cronogramas claros e indicadores de desempenho. Diferente de países como Estônia ou Israel, que estabelecem marcos temporais e metas de maturidade cibernética, o decreto brasileiro se limita a diretrizes genéricas, o que dificulta o monitoramento e a avaliação dos resultados. Além disso, embora o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) tenha a responsabilidade de coordenar a política, não está claro se esse órgão possui autoridade prática para liderar ações integradas entre os diversos ministérios e agências envolvidas.

Outro ponto crítico é a ausência de previsão orçamentária. O texto não menciona fontes de financiamento, volume de recursos ou mecanismos de incentivo para garantir a execução das ações previstas. Sem garantias financeiras, há o risco real de que a E-Ciber se torne mais uma política ambiciosa no papel, mas esvaziada na prática. A subestimação do setor privado também chama atenção: embora haja menções pontuais a startups e pequenas empresas, não há políticas concretas de fomento, como incentivos fiscais, linhas de crédito ou estímulo a parcerias público-privadas — elementos presentes em estratégias da União Europeia e dos Estados Unidos.

Adicionalmente, a E-Ciber omite questões críticas no contexto atual da cibersegurança, como a proteção dos sistemas eleitorais e o combate à desinformação. Países como EUA, França e Alemanha já incorporaram esses temas como prioridades estratégicas, dada sua relevância para a estabilidade democrática. Ignorar essas ameaças, especialmente em um contexto de crescente polarização e uso político das redes, representa uma vulnerabilidade que deveria ser abordada com urgência.

Em comparação com iniciativas internacionais, é possível observar que países como Israel integram defesa e inovação sob uma mesma estrutura institucional, com forte sinergia entre forças armadas, universidades e o setor privado. Já os Estados Unidos, por meio da CISA, combinam ações técnicas com campanhas educativas, protocolos de gestão de crise e proteção de infraestruturas críticas com recursos robustos e autoridade interagencial. A Estônia, por sua vez, mantém uma abordagem descentralizada, com foco em interoperabilidade, confiança digital e cidadania eletrônica.

Em conclusão, a nova Estratégia Nacional de Cibersegurança do Brasil representa um avanço normativo importante e necessário. Seu desenho está alinhado com as melhores práticas internacionais e aborda diversos aspectos relevantes do ecossistema digital. No entanto, sua efetividade dependerá de três fatores-chave: liderança política com autoridade operacional, governança interinstitucional bem definida e recursos financeiros compatíveis com a ambição do projeto. Sem esses elementos, há o risco de repetir um padrão recorrente no Brasil — o de boas ideias engavetadas por falta de execução.