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Moraes dá 48h para Bolsonaro explicar pedido de asilo encontrado pela PF

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Sessão plenária do STF. 04/11/2021 Ministro Alexandre de Moraes durante sessão plenária do STF. Print
Foto: Reprodução/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 48 horas para a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestar esclarecimentos sobre um documento de 33 páginas com pedido de asilo político encontrado pela Polícia Federal (PF) em seu celular.

Segundo o relatório da PF, o material estava salvo desde 2024, sem assinatura ou data definida, e cogitava solicitar proteção ao presidente da Argentina, Javier Milei.

Descumprimento de medidas

O relatório de indiciamento indica que Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), teriam tentado burlar medidas cautelares impostas no âmbito da investigação da tentativa de golpe de Estado. Entre os pontos citados estão mensagens e contatos para orientar publicações em redes sociais e a interlocução com o general Braga Netto, mesmo após determinação que impedia tal comunicação.

Moraes afirmou que há evidências de “reiterados descumprimentos das cautelares impostas” e destacou o “risco de fuga comprovado”. Por isso, determinou que a defesa do ex-presidente se manifeste oficialmente em dois dias.

“Diante do exposto. Intime-se a defesa de Jair Bolsonaro para que, no prazo de 48 horas, preste esclarecimentos sobre os reiterados descumprimentos das medidas cautelares impostas, a reiteração das condutas ilícitas e a existência de comprovado risco de fuga”, decidiu.

Com o recebimento do relatório da PF, o ministro enviou o caso para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá avaliar se apresenta denúncia formal contra Bolsonaro e seu filho Eduardo no STF.

Governo entrega para Motta lista de projetos prioritários ao comércio exterior

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Geraldo Alckmin, Hugo Motta
Foto: Reprodução/X

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) entregou nesta quarta-feira (20) ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), uma lista de 18 projetos considerados prioritários para o setor exportador. A iniciativa ocorre no contexto do Plano Brasil Soberano, programa lançado pelo governo para mitigar os impactos do tarifaço de 50% aplicado pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

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Itens em foco

Na lista estão projetos já em tramitação no Congresso e novos textos enviados pelo Executivo. Segundo Alckmin, a ideia é acelerar tanto medidas provisórias (MPs) quanto projetos de lei complementar (PLPs) que tratam de financiamento, incentivos fiscais e simplificação de normas relacionadas ao comércio exterior.

Apoio no Legislativo

De acordo com o vice-presidente, Hugo Motta garantiu que a Câmara dará prioridade à MP e ao PLP apresentados na semana passada, além de se articular com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para destravar proposições que estão na Casa Alta.

O governo espera que a agenda legislativa voltada ao comércio exterior ofereça um sinal político rápido ao mercado, enquanto busca estratégias de negociação internacional contra as sobretaxas impostas por Washington.

CPMI do INSS é instalada no Congresso Nacional

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Brasília (DF), 20/08/2025 - A Comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) sobre fraudes no INSS foi instalada com a eleição do presidente, senador, Carlos Viana (Podemos-MG) e o relator o deputado bolsonarista Alfredo Gaspar (União Brasil-AL).
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O Congresso Nacional instalou nesta quarta-feira (20) a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, destinada a investigar as fraudes relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

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Comando definido

A presidência da CPMI ficará a cargo do senador Carlos Viana (Podemos-MG). Já a relatoria será conduzida pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

A oposição no Congresso conseguiu derrotar a indicação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que também tinha o apoio do governo Lula (PT). Alcolumbre havia indicado o senador Omar Aziz (PSD-AM).

Carlos Viana foi eleito por 17 votos a 14.

Eleito presidente da CPMI, Viana então rejeitou a indicação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) foi preterido por Gaspar.

Contexto das investigações

O colegiado foi criado após denúncias de que milhões de aposentados e pensionistas tiveram valores descontados sem autorização, supostamente para pagamentos a associações e entidades diversas. De acordo com auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), 97,7% dos atingidos nunca autorizaram os débitos.

Parlamentares afirmam que a comissão terá como objetivos identificar os responsáveis, apurar eventuais falhas de fiscalização do Estado e propor ajustes legais para impedir que novos casos ocorram.

Coalizões e democracia são tema de debate com Fachin em curso do IBMEC

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Edson Fachin
Foto: Nathalia Kuhl/Política Brasileira

Durante uma das aulas do curso Master em Políticas Públicas e Governo, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) em parceria com a Escola de Governo de Brasília (EGB), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin refletiu sobre os desafios da governabilidade no Brasil e a natureza das coalizões políticas.

O curso é coordenado por Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice e sócio fundador da MDA Advogados.

Desafios de governabilidade

Ao ser questionado por Murillo de Aragão sobre a possibilidade de emendas parlamentares serem executadas sem se tornarem moeda de troca política, Fachin apontou que o ideal seria a formação de coalizões baseadas em afinidades ideológicas ou programáticas. Segundo a pergunta feita, a execução técnica das emendas poderia, em tese, fortalecer a democracia ao obrigar o presidente a formar alianças duradouras e coerentes com projetos de governo, e não coalizões casuísticas, centradas em temas do momento.

Na resposta, Fachin ponderou que essa lógica, embora desejável, está distante. Segundo ele, muitas vezes há uma desconexão entre o que os partidos afirmam em seus programas e o que os candidatos defendem na prática. Para o ministro, não é raro que parlamentares apresentem posições opostas às diretrizes partidárias, justificando suas posturas como “interpretações atualizadas” do programa, ainda que contraditórias.

Fachin também apontou que, embora seja possível haver aproximações ideológicas pontuais especialmente em temas econômicos, onde diferentes grupos podem convergir em torno de agendas liberais, essas afinidades não são suficientes para sustentar uma coalizão sólida. Em sua avaliação, é preciso distinguir o tipo de coalizão que se busca formar: se voltada ao interesse público e à melhoria de indicadores sociais, é algo que merece ser valorizado; se guiada por interesses locais ou paroquiais, que não contribuem para políticas públicas abrangentes, trata-se de uma distorção.

O ministro também destacou que o presidencialismo de coalizão, embora alvo de críticas, teve um papel importante na estabilidade institucional do país desde a redemocratização.

CCJ do Senado aprova novo Código Eleitoral

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Eleições 2018 - Primeiro turno Domingo, 07 de outubro de 2018, dia de votação em primeiro turno das eleições no Brasil. O brasileiro escolherá candidatos para os cargos de deputado federal, deputado estadual (distrital), senador (duas vagas), governador e presidente. Para não esquecer os números dos seus candidatos no momento da votação, a Justiça Eleitoral disponibiliza a chamada “cola eleitoral”, que pode ser levada à cabina de votação. É importante digitar o número de cada candidato com atenção e conferir a foto do político escolhido antes de apertar a tecla “Confirma”. Caso ocorra algum erro, o eleitor pode apertar a tecla “Corrige” antes de finalizar o processo e digitar o número novamente. Centro de Ensino Fundamental (CEF) 14 - Taguatinga Norte/DF. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado urna eletrônica, eleições, votação
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Após sucessivos adiamentos, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (20) o PLP 112/2021, que cria um novo Código Eleitoral, com quase 900 artigos. A proposta unifica sete leis em vigor e promove mudanças em pontos sensíveis do processo eleitoral.

Como o texto foi alterado, deverá passar novamente pela Câmara dos Deputados antes da sanção presidencial. Para valer já em 2026, precisa ser aprovado até outubro de 2025.

Participação feminina

A bancada feminina conseguiu manter a regra atual que obriga os partidos a registrarem pelo menos 30% de candidaturas de mulheres, após destaque ser aprovado por 18 votos a 5.

O relator, senador Marcelo Castro (MDB-PI), defendia derrubar a exigência e substituí-la por uma cota de cadeiras: 20% de vagas nos parlamentos federal, estaduais e municipais para mulheres, válida por 20 anos.

Fake news

O parecer aprovado reduziu as punições para a divulgação de notícias falsas contra candidatos ou partidos. A pena fixada será de dois meses a um ano de prisão, ou multa, em casos de divulgação de fatos sabidamente inverídicos capazes de influenciar o eleitorado.

Foi retirada a punição para quem divulgar mentiras destinadas a deslegitimar o sistema eleitoral.

“Não constitui crime a mera crítica ao processo de votação”, defendeu Castro.

Voto impresso

Por 14 votos a 12, a CCJ aprovou destaque da oposição que reintroduz a obrigatoriedade do voto impresso, medida considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O texto prevê que a urna eletrônica emita um registro impresso do voto, sem contato manual do eleitor, que seria depositado em compartimento lacrado. O novo modelo deveria ser implementado já na eleição seguinte à aprovação do Código.

Autofinanciamento de campanhas

Outro destaque aprovado autoriza candidatos a usar recursos próprios até o teto de gastos de campanha definido para o cargo em disputa. Hoje, o limite de autofinanciamento é de 10% do teto. O relator defendia ampliar para 20%, mas foi vencido. Para ele, a liberação total favorece candidatos ricos e desequilibra a disputa.

Outros pontos

O novo Código Eleitoral também disciplina temas como:

  • quarentena de agentes públicos que pretendem concorrer (reduzida de 2 para 1 ano para juízes, procuradores, policiais e militares, a partir de 2028);

  • inelegibilidade limitada a 8 anos, em linha com a Lei da Ficha Limpa;

  • proibição de disparos em massa de mensagens nas redes sociais;

  • uso da inteligência artificial, vedando manipulações para simular vozes e imagens;

  • regras de pesquisas eleitorais, permitindo inclusive divulgação na véspera do pleito;

  • propaganda eleitoral na internet com limites de impulsionamento.

Frentes Produtivas pedem derrubada de veto ao licenciamento ambiental e manutenção do veto das bagagens

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Fachada do Congresso Nacional, a sede das duas Casas do Poder Legislativo brasileiro. As cúpulas abrigam os plenários da Câmara dos Deputados (côncava) e do Senado Federal (convexa), enquanto que nas duas torres - as mais altas de Brasília, com 100 metros - funcionam as áreas administrativas e técnicas que dão suporte ao trabalho legislativo diário das duas instituições.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A Coalizão das Frentes Produtivas divulgou um documento, nesta quarta-feira (20), que orienta a derrubada do veto do licenciamento ambiental, e pede para manter os vetos das bagagens. A orientação foi divulgada durante almoço.

Ainda não há data prevista para a análise dos vetos no Congresso Nacional.

Licenciamento Ambiental

Um ponto muito abordado, na ocasião, foi a Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025). Agora, o Congresso Nacional deve analisar os 63 vetos do Poder Executivo ao texto da lei sancionada no dia 8 de agosto.

É importante lembrar que a temática carrega dois pontos considerados centrais: O veto ao procedimento simplificado no caso da Licença Ambiental Especial (LAE), prevista para empreendimentos estratégicos; e a ampliação da LAC, a Licença por Adesão e Compromisso, aos projetos com médio potencial poluidor.

Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, defende a permissão da LAC só aos empreendimentos de pequeno potencial poluidor, mas critica a manutenção da licença especial. Os trechos suprimidos na proposta aprovada pelo Congresso poderão ser mantidos ou derrubados pelos parlamentares.

Bagagens

Na última sessão de vetos, o governo federal conseguiu adiar a análise do veto ao despacho gratuito de bagagem em voos domésticos e internacionais. Com a medida, as companhias aéreas poderão continuar cobrando pelas malas que forem despachadas por passageiros.

A votação em questão se arrasta desde 2022. O veto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) trata de um artigo no Código de Defesa do Consumidor que proíbe a cobrança do despacho de bagagens em viagens de avião.

Expectativa da indústria para exportações cai pela primeira vez em 21 meses

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Foto: Miguel Ângelo/CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quarta-feira (20) a Sondagem Industrial. Em agosto, o índice de expectativa de exportações da indústria para os próximos seis meses recua 5,1 pontos, chegando a 46,6. Como resultado, ao ficar abaixo da linha de 50 pontos, o indicador mostra que os empresários preveem queda na quantidade exportada, situação que não se registrava há 21 meses, desde novembro de 2023.

Desde o início de agosto, quase metade das exportações brasileiras para os Estados Unidos passou a enfrentar a tarifa combinada de 50% aplicada pelos americanos. Em 2024, esses produtos geraram US$ 17,5 bilhões em vendas, segundo levantamento da CNI.

Segundo Isabella Bianchi, analista de Políticas e Indústria da CNI:

“A piora das expectativas de exportações da indústria está fortemente ligada às incertezas do cenário externo, principalmente devido à nova política comercial americana”, avalia.

Produção cresce, mas emprego cai na indústria

Em agosto, o índice de expectativa para o número de empregados caiu 2 pontos, chegando a 49,3, o que mostra que os empresários não preveem aumento nos postos de trabalho do setor nos próximos seis meses.

Por outro lado, em julho, a produção industrial cresceu, conforme indica o índice de evolução da produção, que alcançou 52,6 pontos, acima da linha de 50, sinalizando expansão em relação a junho. No mesmo período, o índice de evolução do número de empregados permaneceu em 49,3 pontos, sugerindo redução da força de trabalho.

Estoques

O levantamento mostra que o índice de evolução do nível de estoques atingiu 50,1 pontos, sugerindo leve expansão. Ao mesmo tempo, o índice que compara o estoque efetivo ao planejado ficou em 49,9 pontos, o que indica que os empresários conseguem manter os estoques próximos das metas estabelecidas.

Para a sondagem industrial, a CNI consultou 1.500 empresas entre os dias 1° e 12 de agosto de 2025.

Projeto do túnel submarino Santos-Guarujá recebe licença ambiental prévia

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de Lançamento do Edital de Concessão do Túnel Submerso Santos-Guarujá. Parque Valongo, Armazém 4, Santos - SP.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

O projeto do túnel submarino Santos-Guarujá avançou mais uma etapa, com a concessão da Licença Ambiental Prévia pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A autorização é requisito fundamental para a realização do leilão de concessão, previsto para este semestre. 

Assegura aos investidores a viabilidade ambiental e jurídica da obra, estimada em R$ 6,8 bilhões. A licença confirma que o projeto atende às exigências ambientais, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos. Com isso, fica permitindo que o projeto avance para a próxima etapa.  

“O túnel Santos-Guarujá é uma das obras mais importantes do Brasil e vai integrar de forma definitiva as duas cidades, melhorando a mobilidade, reduzindo o tempo de travessia e fortalecendo a economia da região”, afirmou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. 

O túnel terá 1,5 km de extensão, dos quais 870 metros serão imersos, com três faixas de rolamento por sentido, sendo uma exclusiva para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de acessos para pedestres e ciclistas. 

Dragagem em Natal

O ministro Silvio Costa Filho anunciou na semana passada, em Natal/RN, investimentos de R$ 140 milhões para modernizar a infraestrutura portuária do Rio Grande do Norte. Estão previstas obras de dragagem de manutenção do canal de acesso ao Porto de Natal. 

A dragagem vai garantir profundidade de 12,5 metros. Poderão atracar no local navios de até 237 metros de comprimento. Em 2024, o porto movimentou 131.537 toneladas. Para este e o próximo ano, a projeção é de 300 mil toneladas, consolidando o porto como protagonista no comércio exterior de frutas. 

Leilão de terminal

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aprovou na semana passada a publicação do edital de arrendamento do terminal RDJ07, localizado no Porto do Rio de Janeiro. 

A área, de 56.832 m², é destinada à movimentação de carga de apoio logístico offshore (como exploração de petróleo). A estimativa de investimentos ao longo dos 25 anos do contrato é de R$ 101,7 milhões. O leilão terá como critério maior valor de outorga. 

Câmara aprova urgência de projeto que suspende parlamentares que impedirem funcionamento da Casa

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Brasília (DF), 05/08/2025 - Deputado Sóstenes Cavalcante e parlamentares de oposição fazem ato tampando a boca com esparadrapo durante sessão da Câmara dos Deputados. oposição, PL, Bolsonaro
Foto: José Cruz/Agência Brasil

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (19) a urgência para análise do Projeto de Resolução 63/25, que estabelece a suspensão temporária — por até seis meses — de parlamentares que agredirem fisicamente colegas ou que, por meio de atos de força, impeçam o funcionamento da Casa.

A proposta foi apresentada pela Mesa Diretora da Câmara após episódios ocorridos no início do mês, quando deputados e senadores da oposição ocuparam as mesas diretoras da Câmara e do Senado em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que paralisou sessões e votações por dois dias.

Argumentos da Mesa Diretora

Na justificativa, a Mesa afirmou que confrontos físicos entre parlamentares ferem a dignidade do mandato e comprometem os fundamentos do Estado Democrático de Direito:
“Esses atos não apenas paralisam a atividade legislativa, mas também erodem a imagem e a autoridade desta Casa perante a sociedade”, diz o texto.

Outro ponto citado é a lentidão do trâmite por quebra de decoro, que exige análise da Corregedoria e aval da própria Mesa — o que, segundo a proposta, inviabilizaria punições imediatas em casos mais graves.

Apoio da Presidência da Câmara

O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu a medida como forma de coibir novos tumultos e reforçar a autoridade da instituição.

“É uma demonstração de que devemos ser enérgicos com esse tipo de atitude. Só vamos conseguir controlar se tivermos condições de punir e sermos pedagógicos com quem não cumprir o Regimento Interno”, afirmou.

Com a urgência aprovada, o projeto pode ser votado diretamente em plenário nos próximos dias.

EUA aceita consulta do Brasil na OMC, mas alegam “segurança nacional”

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Foto: Reprodução/WTO

Os Estados Unidos aceitaram o pedido de consulta do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC). No entanto, argumentaram que algumas das alegações brasileiras envolvem questões de “segurança nacional”, as quais a entidade não pode revisar.

“[…] a solicitação do Brasil diz respeito, em parte, a certas ações dos Estados Unidos relacionadas à segurança nacional, que não são suscetíveis de revisão ou capazes de resolução pela solução de controvérsias da OMC”, em tradução livre.

Organização Mundial do Comércio

No pedido de consultas, o Brasil levou à OMC acusações contra os Estados Unidos por violarem regras do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT, organismo precursor da OMC) e do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU). Segundo o governo brasileiro, a ação se concentra em quatro pontos principais:

  • Violação do princípio da igualdade: os EUA tratam de forma desigual os membros da OMC, ao isentar alguns parceiros comerciais e punir o Brasil;
  • Tarifas acima do limite: a alíquota de 50% supera os níveis acordados pelos próprios Estados Unidos na OMC;
  • Tratamento discriminatório: a sobretaxa impõe condições menos favoráveis ao Brasil em relação às previstas na lista oficial de concessões comerciais dos Estados Unidos;
  • Descumprimento das regras de solução de controvérsias: segundo o Brasil, as punições unilaterais dos EUA violam procedimentos previstos nos acordos multilaterais.

Além disso, o Brasil destaca que essas medidas comprometem o funcionamento do sistema multilateral de comércio, reforçando a necessidade de intervenção da OMC.

Em resposta, os Estados Unidos destacam que aplicam as sobretaxas e conduzem a investigação porque essas medidas são “necessárias para proteger interesses estratégicos”, já que os “grandes e persistentes déficits anuais de mercadorias dos EUA com parceiros comerciais” ameaçam “a segurança nacional e a economia dos Estados Unidos”.

Disputa comercial

A consulta marca o início formal de uma disputa comercial, na qual a OMC busca intermediar o diálogo entre as partes em busca de um acordo.

Se não houver entendimento em até 60 dias, o Brasil poderá solicitar a abertura de um painel de julgamento. No entanto, como a OMC enfrenta um processo de esvaziamento de seu mecanismo de solução de controvérsias, a disputa comercial tende a ter, na prática, mais efeito político e simbólico do que jurídico.

O Itamaraty informou que incluirá novos elementos e acusações ao longo do processo, caso a disputa avance para o painel.