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Análise: Os movimentos de Tarcísio pró-anistia

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Tarcísio de Freitas
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Enquanto, na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciava o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus acusados de tentativa de golpe de Estado em 2022, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), articulava com líderes dos partidos do Centrão a aprovação de um projeto de lei de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. A partir das movimentações de Tarcísio, o tema da anistia voltou a esquentar.

O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, chegou a anunciar que a matéria já contaria com o apoio de PSD, PP, PL, Republicanos, União Brasil e Novo. Juntas, essas legendas somam 292 votos, número mais do que suficiente para a anistia ser aprovada.

As articulações de Tarcísio merecem algumas considerações. Em primeiro lugar, sinalizam pré-disposição e simpatia dos partidos do Centrão em relação a uma eventual candidatura de Tarcísio ao Palácio do Planalto em 2026. Os partidos do bloco sabem que aliados de Bolsonaro cobram ações mais consistentes do governador para apoiá-lo como candidato presidencial, ainda que o ex-presidente esteja inelegível.

Segundo: o movimento de Tarcísio pode reduzir, no curto prazo, resistências de parte da família do ex-presidente ao nome de Tarcísio. Vale lembrar que o governador foi alvo recente de críticas do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ).

Justamente para quebrar resistências a seu nome e demonstrar lealdade ao ex-presidente, além da defesa da anistia Tarcísio declarou recentemente que se fosse eleito presidente da República seu primeiro ato seria dar indulto a Bolsonaro.

Por outro lado, o envolvimento direto de Tarcísio de Freitas na defesa da anistia pode aumentar sua rejeição entre eleitores de centro. De acordo com pesquisa AtlasIntel (14 agosto), 51,2% são contrários à anistia, 46,9% são favoráveis e 1,9% está indeciso. Segundo o Datafolha (01/08), esses números são 55%, 35% e 11%, respectivamente.

Em entrevista recente, o governador de São Paulo disse que não poderia confiar na Justiça. Tal declaração foi muito explorada por governistas e criticada por setores do centro.

No momento, a direita tem várias alternativas a Jair Bolsonaro: Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União), Ratinho Júnior (PSD). Mas, nas últimas semanas, o nome de Tarcísio se fortaleceu bastante. De forma reservada, integrantes do PL falam que o governador seria a escolha de Bolsonaro, mas somente após o aval formal de Bolsonaro irão admitir.

IPCA registra inflação de -0,11% em agosto, divulga IBGE

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta quarta-feira (10), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou deflação de 0,11% em agosto. Esse resultado representa uma queda de 0,37 ponto percentual (p.p.) em relação à taxa de 0,26% observada em julho.

Além disso, agosto marcou o primeiro mês com resultado negativo desde agosto de 2024, quando o índice caiu 0,02%. Também foi a deflação mais intensa desde setembro de 2022, mês em que o IPCA recuou 0,29%.

No acumulado do ano, o índice já subiu 3,15%. Já no recorte dos últimos 12 meses, o IPCA alcançou 5,13%, o que representa uma leve desaceleração em comparação aos 5,23% registrados nos 12 meses anteriores.

Habitação apresentou impacto negativo mais intenso

O grupo Habitação apresentou a variação negativa mais intensa em agosto, com queda de -0,90% e impacto de -0,14 ponto percentual (p.p.) no IPCA. Esse resultado foi puxado principalmente pela redução de 4,21% na energia elétrica residencial, subitem que exerceu o maior impacto individual no índice do mês (-0,17 p.p.).

Além disso, outros dois grupos importantes também registraram recuos:

  • Alimentação e bebidas: Variação de -0,46%, com impacto de -0,10 p.p.;
  • Transportes: Queda de -0,27%, com impacto de -0,06 p.p..

Esses três grupos, possuem os maiores pesos no IPCA e, juntos, contribuíram com -0,30 p.p. no resultado geral de agosto.

Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA:

“[…] sem a influência desses três grupos, o índice de agosto teria ficado em 0,43%”, em vez da deflação de -0,11%.

Índice Nacional de Preços ao Consumidor

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou uma queda de 0,21% em agosto, aprofundando a deflação observada no mesmo mês de 2024, quando a taxa havia sido de -0,14%.

Com esse resultado, o índice acumula uma alta de 3,08% no ano. Já nos últimos 12 meses, o INPC atingiu 5,05%, ligeiramente abaixo dos 5,13% verificados no período anterior.

Em relação aos grupos de produtos, o comportamento foi distinto:

  • Os alimentos intensificaram a queda, ao passarem de -0,38% em julho para -0,54% em agosto;
  • Os itens não alimentícios, por sua vez, cairam de 0,41% para -0,10% no mesmo período.

As variações regionais do INPC apresentaram contrastes significativos. Em Vitória, o índice subiu 0,31%, principalmente devido aos aumentos na energia elétrica residencial (7,11%) e na taxa de água e esgoto (4,64%). Por outro lado, o Rio de Janeiro registrou a maior queda regional, de -0,53%, porque a forte redução na energia elétrica residencial (-6,08%) e no café moído (-4,93%) pressionou o índice para baixo.

O IBGE divulgará o próximo resultado do IPCA, referente a setembro, no dia 9 de outubro.

Congresso formaliza criação de frente parlamentar sobre terras-raras

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mineração, pesquisa, terras raras, mineral
Foto: Divulgação/Mineração Serra Verde

Foi oficializada, na quarta-feira passada (3), a criação da Frente Parlamentar em Defesa das Terras-Raras Brasileiras, em ato promovido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A frente tem como tarefa debater o tema com o governo, a comunidade científica e as empresas em geral. Ao fim dos trabalhos, deve apresentar proposta de criação de um marco legal com normas para o setor.

As terras-raras são compostas pelos 17 elementos químicos usados na fabricação de componentes eletrônicos, turbinas e motores elétricos que são fundamentais para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras-raras, atrás apenas da China, mas enfrenta dificuldades para obter o melhor aproveitamento dos estoques existentes.

Ainda não existe um marco legal com normas sobre a pesquisa e a exploração desses materiais no país. Por isso a frente vai propor medidas legislativas que incentivem a cadeia produtiva completa das terras-raras no Brasil, incluindo extração, beneficiamento, industrialização e exportação de produtos de alto valor agregado.

Tais medidas funcionarão como a base para a criação de um plano nacional, sugerindo ao Poder Executivo a elaboração de um plano estratégico de curto, médio e longo prazos com diretrizes para o desenvolvimento sustentável da cadeia das terras-raras.

Goiás sai na frente

Enquanto o tema engatinha em Brasília, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), firmou parceria com o governo do Japão para a exploração e o processamento de terras-raras no estado, criou a Autoridade Estadual de Minerais Críticos do Estado de Goiás e instituiu o Fundo Estadual de Desenvolvimento dos Minerais Críticos.

Na quinta-feira passada (4), Caiado recebeu uma comitiva da Embaixada do Japão, com a presença do embaixador Teiji Hayashi, para discutir uma parceria estratégica para a exploração de Óxidos de Terras-Raras (OTRs) em Goiás. Segundo o governo, as reservas goianas representam 25% da disponibilidade mundial desse tipo de minério.

No encontro com a delegação japonesa, Caiado frisou que o estado é capaz de entregar um licenciamento ágil: “Posso garantir que, no máximo em três meses, nós autorizamos o início de qualquer pesquisa ou instalação em Goiás.”

Entraves

Em reunião na quarta-feira passada (3) com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, representantes de empresas privadas do setor mineral apresentaram os principais entraves enfrentados por projetos para novos investimentos no país.

Entre as demandas, constam: necessidade de incentivos ao financiamento de projetos minerários; agilidade nos pedidos de licenciamento; prioridade na criação de marcos legais; políticas que deem suporte às garantias, especialmente às médias e pequenas empresas, que dependem de apoios e de interlocutores fortes para viabilizar empreendimentos.

No encontro, o ministro destacou que a disponibilidade e a contribuição dos empresários são indispensáveis para o crescimento do setor no país.

Congresso Nacional promulga PEC dos precatórios municipais

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Fachada do Congresso Nacional, a sede das duas Casas do Poder Legislativo brasileiro. As cúpulas abrigam os plenários da Câmara dos Deputados (côncava) e do Senado Federal (convexa), enquanto que nas duas torres - as mais altas de Brasília - funcionam as áreas administrativas e técnicas que dão suporte ao trabalho legislativo diário das duas instituições. Obra do arquiteto Oscar Niemeyer.
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

O Congresso Nacional promulgou, nesta terça-feira (9), a Emenda Constitucional nº 136/2025, referente à PEC dos precatórios municipais (PEC 66/23). Entre outras medidas, o texto inclui os créditos suplementares liberados neste ano no cálculo da meta de gastos do governo federal em 2026.

Com isso, deve ser aberto um espaço extra para gastos de até R$ 12,4 bilhões no próximo ano.

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Além disso, a emenda prorroga, por 10 anos, a retirada dos precatórios da União do arcabouço fiscal. A regra estabelece a incorporação gradual dessas despesas na apuração do resultado primário a partir de 2027, em, no mínimo, 10% por ano. Atualmente, por decisão do STF, há um sub-teto para os precatórios na regra do arcabouço, mas que vale somente até 2026.

Estados e Municípios

Além disso, o texto limita o pagamento de precatórios por Estados, Distrito Federal e Municípios. Os percentuais do limitador variam de 1% a 5% da Receita Corrente Líquida (RCL), dependendo do nível de comprometimento dos recursos com as dívidas judiciais.

Em relação à proposta original, o texto aprovado amplia a abrangência da regra de limitação do pagamento de precatórios. Se inicialmente só teriam o benefício cidades com comprometimento de até 30% da RCL, agora o benefício vale para todas as cidades.

Além disso, os estados também terão a limitação que libera espaço para gastos.

Parcelamento previdenciário

A emenda autoriza aos estados e municípios parcelar dívidas com seus regimes de Previdência Social em até 300 prestações mensais. O parcelamento é condicionado à adesão a um Programa de Regularidade Previdenciária junto ao Ministério da Previdência Social e à alteração da legislação do RPPS em até 15 meses.

Fux diverge de Moraes e defende que julgamento da tentativa de golpe não caberia ao STF

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Julgamentos da Ação Penal 2668 - Núcleo 1 (Manhã) - 10/09/2025 Ministro Luiz Fux. Julgamentos da Ação Penal 2668 - Núcleo 1 (Manhã). Bolsonaro
Foto: Gustavo Moreno/STF

Na análise das questões preliminares, o ministro Luiz Fux defendeu que os oito réus do “núcleo crucial” da ação penal que trata de uma suposta tentativa de golpe, não deveriam ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Ele argumentou que o papel do STF é avaliar a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de normas, e os réus não possuem prerrogativa de foro por já terem deixado os cargos públicos quando do início do julgamento.

Assim, ele pediu a anulação de todas as decisões no âmbito da ação penal.

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Julgamento no Plenário

Fux também argumentou que, uma vez no STF, o julgamento deveria ser remetido ao Plenário para a análise dos 11 ministros, e não na Primeira Turma, onde é julgado atualmente. Para Fux, o julgamento na Primeira Turma impede a atuação dos demais ministros.

Além disso, ele lembrou que o primeiro julgamento de réus do 8 de janeiro aconteceu no Plenário, abrindo um precedente sobre o local de julgamento do restante da ação penal.

Itamaraty condena fala dos EUA sobre uso de força contra o Brasil

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Palácio do Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores
Foto: Marcello Camargo/Agência Brasil

Em comunicado divulgado na noite desta terça-feira (9), o Itamaraty condenou as ameaças dos Estados Unidos de aplicar sanções econômicas ou usar força militar contra a democracia brasileira, motivadas pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros réus pela suposta tentativa de golpe de Estado.

“O primeiro passo para proteger a liberdade de expressão é justamente defender a democracia e respeitar a vontade popular expressa nas urnas. É esse o dever dos três Poderes da República, que não se intimidarão por qualquer forma de atentado à nossa soberania”, afirmou, em nota, o Ministério das Relações Exteriores.

Declarações norte-americanas

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente Donald Trump não hesitaria em usar o poder econômico e militar para “proteger a liberdade de expressão”.

“Não tenho nenhuma ação adicional [contra o Brasil] para apresentar a vocês hoje. Mas posso dizer que esta é uma prioridade para o governo. E o presidente [Trump] não tem medo de usar o poderio econômico e militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão em todo o mundo”, disse Leavitt.

Em resposta, o governo brasileiro afirmou que “repudia a tentativa de forças antidemocráticas de instrumentalizar governos estrangeiros para coagir as instituições nacionais”.

Reações

O presidente Lula (PT), em discurso em Manaus, criticou a “conspiração da família Bolsonaro” ao buscar apoio internacional contra o país.

“Ele sabe que cometeu as burrices que cometeu (…) Esses caras tiveram a pachorra de mandar gente para os Estados Unidos para falar mal do Brasil e para condenar o Brasil”, criticou.

Já a ministra das Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT) apontou, em publicação nas redes sociais, que as ameaças de sanções e uma suposta invasão para livrar Bolsonaro da cadeia representam um ataque inaceitável à soberania nacional.

“Não bastam as tarifas contra nossas exportações, as sanções ilegais contra ministros do governo, do STF e suas famílias, agora ameaçam invadir o Brasil para livrar Jair Bolsonaro da cadeia. Isso é totalmente inadmissível'”, disse a ministra.

PL da IA gera divergências sobre remuneração de direitos autorais

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02/09/2025 - Comissão Especial sobre inteligência Artificial PL 2338/23 Audiência Pública - IA Generativa e Direitos Autorais. Dep. Aguinaldo Ribeiro (PP - PB) e Dep. Luísa Canziani (PSD - PR)
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Nesta terça-feira (9), a Comissão Especial destinada ao projeto que trata do uso de Inteligência Artificial (IA) (PL 2.338/23) discutiu sobre como remunerar autores e artistas quando suas obras são usadas para treinar sistemas de IA. O debate trouxe luz entre pontos de vista diferentes, como um modelo que paga pelo uso prévio das obras e o que propõe a compensação apenas quando o conteúdo gerado pela IA compete com criações humanas.

De um lado, entidades de classes artísticas defenderam que todo uso de obra protegida no treinamento de IA deve ser licenciado e remunerado, tal como ocorre hoje com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD) na música. O argumento é que a IA não cria do zero, apenas emula obras existentes, e que a falta de pagamento esvai a cadeia criativa. Em contrapartida, representantes do setor empresarial sustentaram que tecnologicamente é impossível rastrear a contribuição de cada obra num oceano de dados, e que a obrigação de licenciamento prévio inviabilizaria o desenvolvimento de IA no Brasil, onerando principalmente startups e pequenas empresas.

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Propostas intermediárias

Foram levantadas alternativas para tentar criar um consenso em torno do texto, como a criação de um fundo setorial, financiado por uma taxa sobre o faturamento de grandes empresas de IA generativa, que distribuiria valores aos criadores através de entidades de gestão coletiva.

Entretanto, representantes alertaram que qualquer modelo deve garantir que a remuneração chegue de fato ao autor pessoa física, e não apenas a grandes detentores de direitos como estúdios e editoras.

Possíveis mudanças

O relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e a presidente da comissão, deputada Luísa Canziani (PSD-PR), avaliaram que o caminho mais equilibrado parece ser regular fortemente o conteúdo gerado pela IA , garantindo remuneração quando houver violação de direitos autorais ou concorrência desleal.

Além disso, uma possibilidade é liberar o treinamento com base em um mecanismo de transparência e opt-out – onde autores possam excluir suas obras do banco de dados da IA.

Como está o texto atual

O substitutivo aprovado pelo Senado no fim de 2024 estabelece que conteúdos protegidos por direitos autorais poderão ser utilizados em processos de “mineração de textos” para o desenvolvimento de sistemas de IA por instituições de pesquisa, de jornalismo, museus, arquivos, bibliotecas e organizações educacionais. No entanto, o material precisa ser obtido de forma legítima e sem fins comerciais.

Além disso, o objetivo principal da atividade não pode ser a reprodução, exibição ou disseminação da obra usada, e a sua utilização deve se limitar ao necessário para alcançar a finalidade proposta. Ademais, os titulares dos direitos não podem ter seus interesses econômicos prejudicados injustificadamente. O detentor dos direitos autorais poderá proibir o uso de conteúdos de sua propriedade em outras hipóteses.

O texto também prevê que o uso de conteúdos protegidos por direitos autorais em processos de mineração, treinamento e desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial disponibilizados comercialmente dará direito de remuneração aos titulares dos respectivos direitos.

Leilão da nova concessão da BR-381 (MG-SP) será no dia 11 de dezembro

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BR-381 MG SP, rodovia
Foto: Divulgação/Arteris

A diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou, na terça-feira passada (2), o processo para o novo leilão de concessão da BR-381/MG-SP, trecho de 569 quilômetros entre Belo Horizonte e Guarulhos (SP). O governo prevê mais de R$ 15 bilhões em investimentos na rodovia com essa concessão.

O contrato, repactuado com a atual concessionária, Arteris, no âmbito da Secretaria de Consenso (Secex-Consenso) do Tribunal de Contas da União (TCU), será disputado por empresas interessadas em leilão previsto para o dia 11 de dezembro. A própria concessionária poderá participar do certame.

O processo foi relatado pelo diretor-geral da agência, Guilherme Sampaio, que há duas semanas teve seu nome confirmado pelo Senado Federal para permanecer no posto. A posse da nova diretoria da ANTT foi marcada para as 10 horas de terça-feira (09), na sede da própria agência.

O edital da concessão repactuada foi publicado no Diário Oficial de quarta-feira passada (3). Desde o dia anterior o termo já se encontrava disponível no portal da ANTT, estabelecendo o cronograma para a apresentação de propostas, pedidos de esclarecimento, diligência prévia e realização do leilão.

ViaBahia

A diretoria da ANTT também aprovou o relatório das contribuições públicas à minuta do edital de concessão da chamada Rota 2 de Julho, que compreende as BRs-324/116/BA, anteriormente sob a administração da concessionária ViaBahia.

O plano de outorga da nova concessão será enviado para a avaliação do Ministério dos Transportes e, em seguida, remetido para a análise do TCU, antes da publicação do edital com as regras do novo leilão.

O relator da proposta, diretor Lucas Asfor, afirmou que a modelagem foi “substancialmente aprimorada”, com a inclusão de novas intervenções, como passarelas, e a “otimização” de investimentos voltados para a ampliação da capacidade dos dois trechos rodoviários. E que foram feitos ajustes no cronograma de execução, com três frentes de trabalho simultâneas para antecipar obras relevantes.

Lucas Asfor destacou ainda que o contrato passa a exigir que a futura concessionária elabore o chamado “Plano de 100 dias”, para identificar e resolver rapidamente os pontos mais críticos da via, incluindo consertos no pavimento, sinalização e limpeza.

Senado tenta simplificar autorização ferroviárias, após modelo não vingar

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Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) realiza primeira audiência pública para avaliação do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). Raio X do PNRA - diagnóstico, análises e propostas de melhoria. À bancada, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA). ferrovia
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado aprovou nesta terça-feira (9) o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 203/2025 que susta artigo da Portaria nº 689/2024 do Ministério dos Transportes. O dispositivo eliminava a obrigatoriedade de licença ambiental prévia para que ferrovias privadas fossem enquadradas como projetos prioritários, condição essencial para emissão de debêntures incentivadas para financiamento.

O autor do projeto, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), argumentou que a exigência cria discriminação entre ferrovias públicas e privadas, viola o princípio da legalidade e a Lei  14.273/2021, que institui o regime de autorização ferroviária. O parlamentar também afirma que a regra dificultava a atração de investimentos privados, pois a obtenção da licença é um processo complexo e demorado.

Relator defende igualdade regulatória

O relator Esperidião Amin (PP-SC) destacou que a suspensão da licença prévia como condição inicial promove isonomia regulatória, proporciona segurança jurídica e facilita a captação de recursos. Segundo ele, o avanço da malha ferroviária privada ampliará a competitividade do transporte no país, gerando benefícios ambientais e logísticos.

“Quero dizer que tenho absoluta certeza da correção do PDL. A portaria estabelece dois pesos e duas medidas, com um tratamento para ferrovias concedidas e outro, mais restritivo, para as autorizadas, ao exigir licenças ambientais antes mesmo da emissão de debêntures”, pontua.

O PDL 203/2025 segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Recursos públicos

O atual cenário do setor ferroviário é marcado por anúncios de projetos, mas com poucas obras em andamento. A principal inovação do marco regulatório de 2021, o regime de autorizações, enfrenta dificuldades para sair do papel.

A iniciativa permite que empresas apresentem projetos e se responsabilizem por todas as etapas: licenciamentos, engenharia, estudos de viabilidade socioambiental e busca por financiamento para construir e explorar novos trechos.

Desde 2021, quando o Programa de Autorizações Ferroviárias (Pró-Trilhos) foi lançado, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recebeu 106 requerimentos, que resultaram em 45 contratos de autorização. Juntos, os projetos preveem R$ 241,14 bilhões em investimentos para a construção de 12.546 km de trilhos. No entanto, apenas dois contratos iniciaram obras, o que levou os projetos a serem apelidados de “ferrovias de papel”.

Diante da baixa execução dos projetos, o Marco Legal das Ferrovias pode passar por alterações até o final do ano para viabilizar os investimentos. O governo estuda permitir o aporte de recursos públicos no regime de autorizações, que hoje é exclusivo para o capital privado.

Flávio Dino acompanha Moraes e vota pela condenação de Bolsonaro e mais sete

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Julgamentos da Ação Penal 2668 - Núcleo 1 (Tarde) - 09/09/2025 Ministro Flávio Dino. Julgamentos da Ação Penal 2668 - Núcleo 1 (Tarde). Foto: Gustavo Moreno/STF Bolsonaro
Foto: Gustavo Moreno/STF

Segundo a votar no julgamento do “núcleo crucial” na ação penal da tentativa de golpe, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino acompanhou o relator, Alexandre de Moraes. Assim, defendeu a condenação de Jair Bolsonaro (PL) e dos outros 7 réus por todos os crimes indicados pela PGR.

O próximo a votar será Luiz Fux, em sessão que se inicia amanhã (10), às 9h.

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Penas

Dino concordou, inclusive, com a punição separada dos crimes de “golpe de Estado” e de “Abolição violenta do Estado Democrático de Direito”. Com os dois crimes gerando penas individualmente, o tempo de prisão final tende a ser mais longo.

Dino também defendeu a validade da delação premiada de Mauro Cid e disse que Bolsonaro mereceria maior punição pelo suposto papel de liderança exercido.

Por outro lado, Dino votou para que Alexandre Ramagem, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira recebam penas menores por “participação de menor importância”.

Anistia

Em seu voto, Flávio Dino também enviou recados ao Congresso. Ele resgatou votos anteriores dos demais ministros do STF em que defenderam a impossibilidade de indulto ou anistia em caso de crimes contra o Estado Democrático.

Ele leu, inclusive, um trecho de decisão de Luiz Fux, que tende a abrir divergências no julgamento de Bolsonaro e dos outros 7 réus. No trecho lido por Dino, Fux se posiciona contrário ao indulto em crimes contra a democracia, que é defendida por cláusula pétrea da Constituição.