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Governo de SP relança programa para renegociação de dívidas tributárias

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Tarcísio de Freitas em lançamento do Novo Edital do Acordo Paulista. São Paulo, SP
Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

O Governo de São Paulo, por meio da Procuradoria Geral do Estado (PGE/SP), lançou nesta segunda-feira (8) uma nova fase do programa Acordo Paulista. A iniciativa permite que pessoas físicas e jurídicas renegociem débitos de ICMS, IPVA, ITCMD e multas do Procon-SP que estejam inscritos em dívida ativa, oferecendo condições vantajosas para a regularização fiscal.

O novo edital, que vigora de 8 de setembro de 2025 a 27 de fevereiro de 2026, tem a meta de renegociar R$ 15 bilhões. Segundo o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a medida é fundamental para a saúde financeira do estado e para o fomento de políticas públicas.

“Estamos lançando mais um edital do Acordo Paulista com meta de fechar R$ 15 bilhões em acordos, mas com potencial de chegar a muito mais. Isso vai virar prestação de serviço para o cidadão com saúde, educação e segurança na ponta e financiar programas sociais”, afirmou o governador.

O programa se consolida como um dos principais instrumentos de conciliação fiscal do estado. A principal inovação desta edição é a revisão do grau de recuperabilidade das dívidas, o que amplia o número de contribuintes que podem aderir ao programa e obter descontos significativos.

A adesão deve ser realizada exclusivamente pelo site oficial da iniciativa: www.acordopaulista.sp.gov.br.

Para a procuradora-geral do Estado, Inês Coimbra, a iniciativa reflete uma mudança cultural na PGE/SP. “A transação tributária não é uma imposição; é um acordo. Por isso, temos mantido as portas da PGE constantemente abertas, porque acreditamos que justiça fiscal também se faz com empatia, respeito e construção conjunta”, destacou.

Renegociação de dívidas: Benefícios e condições

O programa oferece uma série de vantagens para os contribuintes que desejam quitar seus débitos com o Estado, facilitando a retomada de suas atividades e a regularização de sua situação fiscal.

Um dos principais atrativos são os descontos, que podem chegar a 75% sobre o valor de juros e multas, aliviando consideravelmente o peso total da dívida para o contribuinte.

Os débitos poderão ser parcelados em até 120 meses, sem a necessidade de pagamento de entrada. Além disso, o edital prevê a possibilidade de dispensa de garantias em determinadas situações.

A nova fase do Acordo Paulista também permite a utilização de créditos em precatórios e créditos acumulados de ICMS para abater ou liquidar os valores devidos. O subprocurador-geral do Contencioso Tributário-Fiscal, Danilo Barth Pires, reforça que a iniciativa cria um ambiente de conformidade fiscal onde todos ganham. “Os contribuintes podem retomar suas atividades regulares, o Estado arrecada novas receitas, e toda a população é beneficiada”, afirmou.

Acordo Paulista: Resultados de 2024

Lançado no início de 2024, o programa foi bem avaliado pelo governo nas edições anteriores. Apenas no último ano, os três editais lançados viabilizaram a renegociação de R$ 57,6 bilhões em dívidas.

Inicialmente focado em débitos de ICMS, o programa foi expandido para atender pessoas físicas com dívidas de menor valor, como o IPVA, alcançando mais de 21 mil cidadãos. Uma terceira fase, voltada para empresas em recuperação judicial, resultou na renegociação de R$ 8,2 bilhões.

O Acordo Paulista é uma das frentes do plano “São Paulo na Direção Certa”, que busca modernizar a administração pública, otimizar os gastos e fortalecer os investimentos. A iniciativa demonstra como uma gestão fiscal responsável, aliada ao diálogo com o contribuinte, pode gerar resultados concretos e sustentáveis para toda a sociedade.

Com o novo edital, o governo paulista reafirma seu compromisso com a justiça tributária e o incentivo à regularização fiscal voluntária, transformando dívidas antigas em recursos para financiar serviços essenciais à população.

Brasil sedia encontro para discutir combate à gripe aviária

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A partir desta terça-feira (9), autoridades sanitárias, especialistas e representantes do setor privado se reúnem, em Foz do Iguaçu (PR), para um encontro com o objetivo de definir estratégias mais eficazes de prevenção e controle da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), conhecida como gripe aviária.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), desde 2022, os países das Américas registraram quase 2,5 mil surtos da doença. Desse total, o Brasil respondeu por 185 casos, o que reforça a urgência de ações coordenadas e preventivas.

Além disso, o evento tem como objetivo fortalecer as ações de vigilância e controle da doença, que representa uma ameaça à saúde animal e à avicultura na região.

Primeiro caso da gripe aviária

Em maio deste ano, o Brasil registrou o primeiro foco da gripe aviária em uma granja comercial, localizada em Montenegro, no Rio Grande do Sul. Como resultado, as autoridades sanitárias realizaram o abate de 17 mil aves para conter a propagação do vírus. Com isso, em menos de um mês, o foco foi controlado, e o país recuperou o status de livre da doença.

Apesar da resposta rápida, o episódio evidencia os impactos sanitários e econômicos causados pela gripe aviária. Altamente infecciosa entre aves, a doença também pode atingir outras espécies. Embora os casos em humanos sejam raros, o risco de morte é considerado alto.

Nova estratégia global para prevenção e controle

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) realiza o evento que marcará o lançamento da nova Estratégia Global 2024–2033 para a Prevenção e o Controle da IAAP (Influenza Aviária de Alta Patogenicidade). A FAO elaborou o plano em parceria com a Organização Mundial da Saúde Animal, por meio de grupos de trabalho especializados.

O principal objetivo da estratégia é orientar países e regiões na criação e implementação de planos de ação eficazes, além de reduzir o risco de a doença ultrapassar fronteiras e evoluir para uma possível pandemia global.

De acordo com Jorge Meza, representante da FAO no Brasil, a comunicação desempenha um papel central no sucesso dessas ações.

“O aspecto principal de um sistema de segurança e defesa é garantir que todos tenham um nível adequado de informação e capacitação para atuar. Tanto o grande produtor quanto o pequeno precisam estar informados, capacitados e preparados para agir adequadamente diante de uma situação”, destaca Meza.

Jorge Meza, adianta que o evento vai destacar a importância de respeitar as boas práticas de produção, que são essenciais para prevenir e controlar surtos de gripe aviária. Além disso, ele ressalta que as autoridades precisam cadastrar os produtores, pois só assim será possível capacitar todos, desde os grandes até os pequenos criadores.

Moraes vota pela condenação de Bolsonaro e mais sete réus por tentativa de golpe

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Julgamentos da Ação Penal 2668 - Núcleo 1 (Manhã) - 09/09/2025 Ministro Alexandre de Moraes. Julgamentos da Ação Penal 2668 - Núcleo 1 (Manhã). Bolsonaro
Foto: Gustavo Moreno/STF
Relator da ação penal sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes votou nesta terça-feira (9) pela condenação dos 8 réus do chamado “núcleo crucial”.
Além do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), são julgados o tenente-coronel Mauro Cid; o ex-diretor da Abin, deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ); o ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier; o ex-ministro da Justiça Anderson Torres; o ex-chefe do GSI, general Augusto Heleno; o ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira ;e o ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, general da reserva Walter Braga Netto.
Após o relator, o próximo a votar é Flávio Dino. Em seguida votarão Luiz Fux, Carmen Lúcia e, por último, o presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin.

Crimes

Para Moraes, os réus são responsáveis de todos os crimes que constam na denúncia da PGR: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Apenas Alexandre Ramagem responde por três dos cinco crimes, devido à prerrogativa de função parlamentar. O deputado foi então responsável pelos crimes de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Argumentação

Moraes fez uma revisão da cronologia dos fatos usados como prova. Ele citou, por exemplo, a reunião em que Bolsonaro desacreditou as urnas eletrônicas a embaixadores, as entrevistas em que Bolsonaro apresentou supostos laudos sobre as urnas e as ações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no dia da eleição como elementos que comprovariam a intenção de se interferir no processo democrático.
Além disso, ele citou o documento impresso no Palácio do Planalto com um suposto plano de assassinato do então presidente eleito Lula (PT), do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin, e dele próprio.  Assim, ele considerou não haver dúvidas da existência da trama golpista, com Bolsonaro na liderança.

Questões preliminares

Na análise das questões preliminares, Moraes defendeu a validade da delação premiada de Mauro Cid. O ministro Luiz Fux já anunciou no início da sessão que vai divergir do ministro Alexandre de Moraes nas questões preliminares.

ANP monitora descontinuidade dos óleos diesel S-500 e S-1800 no Brasil

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Foto: Arquivo/Agência Brasil

A Diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou na sexta-feira (5) a implementação de ações para monitorar e avaliar o mercado diante da descontinuidade dos óleos diesel S-500 e S-1800 no Brasil. A decisão resultou de um estudo técnico conduzido por um grupo de trabalho multidisciplinar da agência, que analisou o andamento da substituição desses produtos por alternativas menos poluentes.

Como o diesel S10, com baixo teor de enxofre, já vem substituindo gradualmente os produtos anteriores, o grupo avaliou se a ANP deveria adotar medidas regulatórias adicionais para acelerar esse processo. Com isso, a agência busca antecipar possíveis desafios, promover uma transição eficiente e reforçar seu compromisso com a melhoria da qualidade ambiental.

Diesel S10 é maioria

De acordo com o estudo da agência, o diesel S10, introduzido em 2012 na matriz veicular nacional, já representa quase 70% do consumo no país. Por outro lado, o diesel S500 ainda responde por aproximadamente 30%, com maior presença na região Norte e em áreas remotas. Já o diesel S1800, por sua vez, tem participação residual, inferior a 0,2%.

Essa substituição gradual do S500 pelo S10 ocorre de forma natural, principalmente devido à renovação da frota de caminhões e ônibus, que passam a contar com tecnologias mais modernas. Além disso, os investimentos no refino nacional têm ampliado a oferta de diesel com menor teor de enxofre, o que contribui diretamente para acelerar essa transição.

Diesel e poluição

A análise ocorreu em um contexto de transição energética e de políticas públicas voltadas para a redução de emissões, alinhadas a programas como o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) e a Lei do Combustível do Futuro. Isso porque o diesel com menor teor de enxofre reduz significativamente as emissões de dióxido de enxofre, poluente diretamente associado à chuva ácida.

Além disso, o estudo está relacionado à Resolução ANP nº 968, de 2024, que estabelece as especificações dos óleos diesel S10 e S500 e determinou que a Agência elaborasse, em conjunto com os agentes econômicos afetados, um plano e cronograma para a descontinuidade dos diesel S500 e S1800.

Para isso, a ANP realizou levantamentos de dados e promoveu reuniões com representantes de diversos elos da cadeia de consumo, incluindo refinarias, produtores privados, distribuidores, revendedores de combustíveis líquidos e fabricantes de motores.

Conclusões

O estudo revelou que a descontinuidade do diesel S500 por meio de um cronograma poderia acelerar os ganhos ambientais. Contudo, também apontou desafios econômicos e logísticos, que podem elevar o preço final do combustível e aumentar a dependência de importações.

Assim, diante das alternativas analisadas, a ANP decidiu implementar ações de monitoramento para permitir que a transição continue ocorrendo naturalmente, já que os dados indicam uma substituição consistente do S500 pelo S10 nos últimos anos. Para assegurar esse avanço, a agência acompanhará continuamente o mercado, avaliando indicadores regionais. Além disso, como a participação do diesel S1800 é muito baixa, sua eliminação tende a acontecer de forma ainda mais rápida e natural.

Senado adia análise de projeto que cria espaço fiscal para medidas contra tarifaço

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Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) realiza reunião deliberativa com 6 itens. Entre eles, o PLP 168/2025, que dispõe sobre procedimentos excepcionais para despesas e renúncias fiscais associadas à mitigação dos impactos sociais e econômicos causados pela imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras aos Estados Unidos da América. Mesa: presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL); relator do PL 4.802/2023, senador Laércio Oliveira (PP-SE). tarifaço
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Após um pedido de vista, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado adiou a análise do projeto que cria espaço fiscal para as medidas emergenciais do governo federal contra os impactos da taxação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros (PLP 168/2025).
A matéria retira dos limites do arcabouço fiscal, até o final de 2026, os R$ 30 bilhões para empréstimos e renúncias fiscais anunciados pelo governo no âmbito da MP 1.309/2025. Com o pedido, a matéria deve retornar à pauta na próxima semana.

Parlamento francês derruba Bayrou, e Macron inicia busca por novo primeiro-ministro

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São Paulo (SP), 27.03.2024 - Presidente da França, Emmanuel Macon, participa do FForum Economico Brasil-França, na FIESP. Vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin e o ministro Haddad participam do evento.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O primeiro-ministro da França François Bayrou foi destituído nesta segunda-feira (8), após perder votação de confiança no Parlamento francês por 364 votos a 194. Bayrou entregará oficialmente sua renúncia a Emmanuel Macron nesta terça-feira (9), iniciando a busca do presidente por seu quinto chefe de governo em menos de dois anos.

Desafio de governabilidade

O sucessor de Bayrou terá a difícil missão de unificar o Parlamento e aprovar o orçamento de 2026, enfrentando a pressão para reduzir o déficit público, que está quase no dobro do limite de 3% da União Europeia. A dívida da França chega a 114% do PIB.

“Nosso país trabalha, pensa que está ficando mais rico, mas, em vez disso, a cada ano fica mais pobre. É uma hemorragia silenciosa, enterrada, invisível e insuportável”, disse Bayrou em seu discurso no Parlamento. O agora ex-primeiro-ministro afirmou também que a juventude francesa será a principal vítima da “escravidão” da dívida.

Sucessão

O ministro da Defesa, Sebastien Lecornu, figura entre os nomes considerados para a sucessão. Macron pode optar também por um líder de centro-esquerda ou um tecnocrata, de acordo com avaliações. Enquanto isso, o Partido Socialista reivindica espaço no governo, e a extrema-direita liderada por Marine Le Pen pede eleições parlamentares antecipadas, rejeitadas por Macron até o momento. Le Pen afirma que a derrubada de Bayrou marcaria “o fim da agonia de um governo fantasma”.

Não há regras que determinem quem o presidente deve escolher, nem quando, mas o gabinete de Macron informou que o nome do próximo primeiro-ministro será divulgado nos próximos dias.

Existe ainda a possibilidade de Macron convocar eleições antecipadas, mas essa alternativa é avaliada como hostil pelo Parlamento. O presidente também pode renunciar ao cargo e convocar uma nova eleição presidencial, mas essa opção tem sido descartada por Macron.

Repercussão

A instabilidade política preocupa o setor empresarial, principalmente o tecnológico, que já vê redução em investimentos e contratações. O país se prepara para protestos antigovernamentais marcados para quarta-feira (10), que podem remeter às manifestações massivas de 2018-2019 contra Macron.

A decisão da agência Fitch sobre a classificação soberana da França, prevista para sexta-feira, é outro ponto de atenção.

Análise: Anistia é incerta e possivelmente demorada

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Brasília (DF), 07/05/2025 - O ex presidente, Jair Bolsonaro (e) e pastor, Silas Malafaia (d), participam da manifestação em defesa da anistia aos condenados nos atos golpistas de 8 de Janeiro
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Na última semana, com o início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), a Câmara dos Deputados voltou a discutir a possibilidade de votação de uma anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Entretanto, o processo de articulação pela aprovação e o processo legislativo de tramitação da proposta não devem ser resolvidos tão rapidamente quanto a oposição deseja.

Primeiramente, uma eventual anistia seria concedida via projeto de lei. Vale ressaltar que há um projeto pronto para ser deliberado em plenário, de autoria do Major Vitor Hugo (PL-GO), o PL nº 2.858/22, mas a apresentação de um novo texto não está descartada. A partir daí, dois caminhos podem ser seguidos.

O primeiro caminho: caso o texto com urgência já aprovada seja aproveitado, um relator será designado para que se promovam as alterações acordadas. O projeto deve ser submetido ao plenário e obter, no mínimo, 257 votos favoráveis para ser aprovado.

O segundo caminho: apresentar uma nova proposta de anistia. A oposição já pede uma anistia mais ampla e irrestrita, considerando o período desde 2019, sem renunciar à inclusão do ex-presidente entre os beneficiados. Assim, o novo texto poderia ou ser apensado ao PL nº 2.858/22, ou seguir o caminho mais lento de passar por comissões específicas, ser aprovado nesses colegiados e aí, sim, ser discutido em plenário.

Concluído o processo na Câmara, a oposição terá pela frente um caminho ainda mais difícil no Senado, já que o presidente da Casa é mais resistente ao projeto. Caso o texto chegue à Casa Alta, existe a possibilidade de tramitação acelerada, sendo deliberado em poucas comissões e, em seguida, no plenário. Ou mais morosa, com o texto sendo retido pelas comissões presididas por senadores contrários à proposta, caso da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Ocorre que, mesmo na melhor das hipóteses de ser aprovado nas duas Casas, a maior probabilidade é que o presidente Lula (PT) promova veto ao texto, ou em alguns trechos. Assim, o veto teria de ser deliberado pelo Congresso, em sessão conjunta a ser marcada pelo presidente Davi Alcolumbre (União-AP). Há ainda a possibilidade de judicialização, com acionamento do STF para questionar a constitucionalidade da medida. Assim, o projeto pode ser derrubado por medida cautelar até a deliberação do tema pelos ministros da Corte.

Por outro lado, a oposição ainda tem a parte da articulação, já que não é fácil convencer o número necessário de deputados a se comprometer com uma pauta que ainda divide o eleitorado. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), se reuniu com o presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar do tema. Sóstenes afirmou que o presidente vai pautar o projeto de anistia aos presos do 8 de janeiro, mas ainda não há data para a votação. Na ocasião, Sóstenes disse que se reunirá com outros líderes de centro na semana que vem para fazer um mapeamento dos partidos que apoiariam a proposta. O relator também seria um nome do centro. A ideia é que o líder do PL faça já a contagem de possíveis votos favoráveis e de quantos parlamentares teriam de ser convencidos. O tema só deve começar a ter andamento após o fim do julgamento do ex-presidente, previsto para o dia 12 de setembro.

Já o caminho de articulação no Senado parece não ter avançado tanto. Segundo Sóstenes, Davi Alcolumbre comprometeu-se com os senadores da oposição a pautar o tema da anistia na época da ocupação do plenário da Casa, em agosto. Entretanto, segundo apuração da Arko com parlamentares próximos a Alcolumbre, nenhum deles foi informado sobre a participação do presidente no suposto acordo feito na Câmara de votar a anistia em troca da desocupação do plenário.

Na última semana, Alcolumbre afirmou que vai elaborar um texto alternativo para apresentar, mas indicou que não votará projetos que deem anistia geral e irrestrita. A ideia é restringir os beneficiados pela lei, deixando de fora os arquitetos da tentativa de golpe e seus financiadores. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), julgado como chefe da organização criminosa, não seria, portanto, contemplado. Os outros sete réus do chamado “núcleo crucial” também não seriam atingidos por essa “anistia alternativa”.

Já a proposta da oposição na Câmara, segundo uma possível minuta do projeto à qual a Arko teve acesso, refere-se à anistia daqueles que, desde 2019, estão sendo investigados ou foram condenados pelos seguintes crimes: ofensa ou ataque a instituições públicas ou seus integrantes; descrédito ao processo eleitoral ou aos Poderes da República; reforço à polarização política; e geração de animosidade na sociedade brasileira. Em relação a essas condutas, o texto menciona que os que prestaram apoio administrativo, logístico ou financeiro também seriam anistiados. Inquéritos abertos seriam arquivados. Danos contra o patrimônio da União, apologia ao crime, organização ou associação criminosa e constituição de milícia privada também receberiam o perdão político.

É nítida a mudança de estratégia da oposição, que deixou o enfretamento visto no reinício dos trabalhos do segundo semestre e agora busca uma conciliação em torno da anistia. Sobre a inelegibilidade do ex-presidente, a oposição contará com a presidência do ministro Nunes Marques à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2026 para tentar habilitar Bolsonaro a concorrer no próximo pleito. Um personagem que pode ajudar nessa empreitada é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que, além de conquistar o eleitorado bolsonarista, se coloca como a figura conciliadora tão buscada pelo Centrão.

Pré-sal Petróleo prorroga prazo para leilão dos campos de Mero, Tupi e Atapu

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Foto: Andre Ribeiro/Petrobras

A Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) prorrogou, até as 23h59 desta quarta-feira (10), o prazo para o envio de manifestações ao pré-edital do Leilão de Áreas Não Contratadas das Jazidas Compartilhadas de Mero, Tupi e Atapu.

Essas áreas estão localizadas na Bacia de Santos, ao longo do litoral dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Inicialmente, a PPSA havia publicado o pré-edital no dia 25 de agosto, estabelecendo como data-limite para contribuições a última segunda-feira (8). No entanto, a empresa optou por estender o prazo a fim de ampliar a participação dos interessados e permitir uma análise mais aprofundada do documento.

Nova data

O leilão acontecerá no dia 4 de dezembro de 2025, na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. Na ocasião, a PPSA oferecerá ao mercado a totalidade da participação da União nas jazidas compartilhadas de Mero, Tupi e Atapu. Atualmente, essa participação corresponde a 3,500% em Mero, 0,551% em Tupi e 0,950% em Atapu.

A partir desta terça-feira (9), a PPSA começará a disponibilizar o pacote de dados sobre as jazidas às empresas que cumprirem os requisitos de acesso. As interessadas que se manifestarem dentro do prazo receberão os dados em formato virtual e, além disso, poderão agendar uma reunião técnica presencial para esclarecimentos adicionais.

Antes disso, no dia 1º de setembro, a PPSA promoveu um seminário com o objetivo de apresentar a oportunidade ao mercado. Como resultado, as apresentações realizadas e toda a documentação relacionada ao certame já estão disponíveis no site da empresa para consulta pública.

Lula lidera cenários de 2026, mas disputa está em aberto

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Foto: Reprodução

A pesquisa divulgada pelo CNT/MDA em 8 de setembro aponta que o presidente Lula (PT) lidera os cenários estimulados de primeiro e segundo turno sobre a sucessão de 2026. Nas simulações de primeiro turno, Lula aparece em vantagem contra todos os possíveis adversários de direita. Mesmo estando inelegível, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi incluído nas simulações.

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Apesar da vantagem de Lula, quando somamos as intenções de voto de Jair Bolsonaro (PL); Tarcísio de Freitas (Republicanos); Eduardo Bolsonaro (PL); Ratinho Júnior (PSD); Ronaldo Caiado (União Brasil); e Romeu Zema (Novo), vemos uma disputa equilibrada. No primeiro cenário, o espectro da direita contabiliza 41,4% contra 36,2% de Lula. No segundo cenário, Lula fica numericamente à frente das alternativas de direita: 35,8% a 34,9%. No terceiro cenário, Lula registra 37,1% contra 34,2% da direita. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

CENÁRIOS DE INTENÇÃO DE VOTO – 1º TURNO

Candidatos Cenário 1 (%) Cenário 2 (%) Cenário 3 (%)
Lula (PT) 36,2 35,8 37,1
Jair Bolsonaro (PL) 29,7
Tarcísio de Freitas (Republicanos) 17,1
Eduardo Bolsonaro (PL) 14,6
Ciro Gomes (PDT) 9,6 11,6 12,3
Ratinho Júnior (PSD) 6,9 10,0 10,9
Ronaldo Caiado (União Brasil) 2,8 4,2 4,5
Romeu Zema (Novo) 2,0 3,6 4,2
Branco/Nulo 9,5 12,4 11,8
Indecisos 3,3 5,3 4,6

Fonte: CNT/MDA (03 a 06/09)

Nas simulações de segundo turno, Lula venceria todos os possíveis adversários. No entanto, a vantagem do presidente é pequena neste momento, variando de 6,3 a 14,4 pontos percentuais. O adversário mais difícil de Lula neste momento é Tarcísio de Freitas. Apesar da vantagem de Lula, temos um elevado percentual de eleitores “sem candidato” (brancos, nulos e indecisos), que vão de 16% a mais de 20%, o que indica muitos votos em disputa.

CENÁRIOS DE INTENÇÃO DE VOTO – 2º TURNO

Candidatos Cenário 1 Cenário 2 Cenário 3 Cenário 4 Cenário 5 Cenário 6
Lula (PT) 45,7 43,9 39,4 43,4 45,0 44,8
Jair Bolsonaro (PL) 37,7
Tarcísio de Freitas (Republicanos) 37,6
Ciro Gomes (PDT) 36,0
Ratinho Júnior (PSD) 36,7
Romeu Zema (Novo) 30,7
Ronaldo Caiado (União Brasil) 30,4
Branco/Nulo 14,5 14,8 20,0 16,1 19,2 20,2
Indecisos 2,1 3,7 4,6 3,8 5,1 4,6

Fonte: CNT/MDA (03 a 06/09)

De acordo com a CNT/MDA, Jair Bolsonaro é o nome mais rejeitado: 57,5%. Na sequência aparecem Lula (49,8%); Ciro Gomes (39,7%); Tarcísio de Freitas (33,6%); e Ratinho Júnior (33,1%).

Outro aspecto a ser observado diz respeito à avaliação do governo Lula (PT). Apesar da avaliação ter ficado estável em relação à pesquisa de junho, o saldo de popularidade de Lula segue negativo em nove pontos percentuais (diferença entre ruim/péssimo e ótimo/bom). De acordo com o levantamento, 49,3% desaprovam Lula. Outros 44% aprovam.

AVALIAÇÃO DO GOVERNO LULA

Avaliação Mai/24 Nov/24 Fev/25 Jun/25 Set/25
Ruim/Péssimo 30 31 44 40 40
Ótimo/Bom 37 35 29 29 31
Regular 31 32 29 30 28

Fonte: CNT/MDA (03 a 06/09)

Apesar da vantagem de Lula hoje, a sucessão de 2026 está em aberto. Além do presidente realizar um governo em que a avaliação negativa supera a positiva, a maioria dos entrevistados desaprova Lula. Outro aspecto a ser observado é que, com exceção de Jair Bolsonaro que não será candidato, o presidente é o nome mais rejeitado.

A liderança de Lula hoje é consequência da ausência de um candidato natural no campo da direita. Neste momento, a fragmentação da oposição beneficia o presidente. No entanto, no último domingo (8), na manifestação bolsonarista realizada na Avenida Paulista, Tarcísio vestiu o figurino de candidato. O impacto desse evento deverá ser medido nos próximos levantamentos. O aceno de Tarcísio à base social bolsonarista pode ajudá-lo a crescer nesse público, mas sua rejeição também pode aumentar.

Lula, por sua vez, segue com sua narrativa ancorada na defesa da soberania e da democracia, que, como indicam as pesquisas, podem ter chegado no limite.

Comissão de Infraestrutura vota projeto do Plano Rios Livres da Amazônia

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado se reúne nesta terça-feira (9), às 9h, para votar quatro propostas. Entre elas, destaca-se o Projeto de Lei 4.199/2024, que cria o Plano Rios Livres da Amazônia.

O senador Sérgio Petecão (PSD-AC) apresentou a proposta com o objetivo de conciliar o desenvolvimento socioeconômico da Amazônia Legal com a preservação dos seus recursos hídricos. Nesse contexto, o projeto prevê ações concretas para conservar os rios da região e garantir sua navegabilidade.

Além disso, a proposta reconhece que os rios amazônicos exercem papel essencial na mobilidade das comunidades locais e no funcionamento da economia regional. Portanto, o plano busca promover o uso sustentável desses recursos naturais, sem comprometer seu equilíbrio ambiental.

O plano inclui ações como:

  • dragagem;
  • manejo integrado;
  • sinalização das vias navegáveis interiores.

Além disso, estabelece diretrizes que promovem a cooperação federativa entre União, estados e municípios, visam à redução da poluição dos rios e incentivam tanto a educação ambiental quanto a pesquisa tecnológica voltada para soluções inovadoras no transporte hidroviário.

Segundo o projeto, a governança será exercida de forma descentralizada, por meio de comitês gestores, comitês de bacias hidrográficas e órgãos públicos das esferas federal, estadual e municipal. Atualmente, o senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) atua como relator da matéria e apresentou parecer favorável à aprovação do projeto, sem propor alterações.

Rodovias e ferrovias

Os senadores devem votar o PDL 203/2025, apresentado pelo senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), que propõe suspender um trecho da portaria do Ministério dos Transportes. Essa portaria impõe restrições extras aos projetos de ferrovias privadas, incluindo a exigência de licença ambiental prévia para classificá-los como prioritários.

Além disso, Zequinha argumenta que essa exigência fere o princípio da legalidade, discrimina as ferrovias privadas e, consequentemente, desestimula investimentos no setor. Ele alerta que a medida pode gerar entraves burocráticos e prejudicar a captação de recursos para a infraestrutura ferroviária, que é estratégica para o país.

O senador Esperidião Amin (PP-SC), relator da matéria, deu parecer favorável à aprovação.

Navegação brasileira

Também está prevista a votação do Projeto de Resolução do Senado (PRS) 4/2025, que cria a Frente Parlamentar para o Desenvolvimento da Navegação Brasileira. O presidente da Comissão de Infraestrutura, senador Marcos Rogério (PL-RO), apresentou essa iniciativa.

De acordo com o autor, o grupo tem como finalidades principais estimular a preservação e a melhoria das condições de navegabilidade das hidrovias e do transporte multimodal. Além disso, a frente busca manter o intercâmbio e a cooperação com entidades relacionadas à navegação.

Ainda, o grupo pretende acompanhar, fiscalizar e contribuir com políticas de navegação, segurança e desenvolvimento do setor. Para isso, vai promover a articulação entre órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e acompanhar o processo legislativo no Congresso Nacional em temas ligados ao setor.

O senador Jaime Bagattoli (PL-RO) apresentou parecer favorável à aprovação do projeto.

Privatização do saneamento em Rondônia

Os senadores também podem votar o requerimento REQ 67/2025 – CI, apresentado pelo senador Marcos Rogério, que propõe a realização de audiência pública sobre a privatização dos serviços de água e esgoto em Rondônia. Atualmente, esses serviços são prestados pela Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd).