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Aprovado edital de concessão de dois trechos das BRs 153 e 262/GO-MG

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Foto: Divulgação/ANTT

O Ministério dos Transportes aprovou o edital de concessão de trechos das BRs 153 e 262, entre Minas Gerais e Goiás, marcando para 6 de novembro o leilão na Bolsa de Valores (B3). Denominado Rota Sertaneja, esse eixo é considerado fundamental para a integração entre os dois estados.

A concessão prevê a transferência de 530,6 quilômetros de rodovias anteriormente explorados pela concessionária Concebra (Grupo Triunfo), que devolveu o ativo. Os trechos contemplados incluem:

  • BR-153/GO: de Hidrolândia (GO) até Itumbiara (GO), na divisa com Minas Gerais;
  • BR-153/MG: de Araporã (MG) até Fronteira (MG), na divisa com São Paulo; e
  • BR-262/MG: de Uberaba (MG) até Comendador Gomes (MG).

O futuro concessionário deverá arcar com R$ 10 bilhões em investimentos. A modelagem contempla: a duplicação de mais de 42 quilômetros de pistas; a implantação de 31,8 quilômetros de faixas adicionais; quatro quilômetros de contornos; mais de quatro quilômetros de vias marginais.

Também está prevista a construção de seis passarelas (pedestres), cinco passagens de fauna, 132 acessos e 146 pontos de ônibus. O certame integra a 5ª etapa do Programa de Otimização de Contratos de Concessão Rodoviária.

A proposta da concessão foi estruturada com base em estudos técnicos atualizados e participação social (audiência pública), além da análise e da aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU).

Contrato assinado

Na semana passada, o Ministério dos Transportes assinou o contrato de concessão para a exploração do trecho de 686 quilômetros da BR-364 que corta Rondônia, entre as divisas com Mato Grosso e Acre.

Denominado Rota do Agro Norte, o trecho foi arrematado pelo Consórcio 4UM/Opportunity em leilão realizado na B3 no dia 27 de fevereiro. O projeto prevê investimentos de R$ 10,2 bilhões em obras de duplicação, melhorias e manutenção, visando aumentar a segurança e a eficiência do transporte na via.

Pela BR-364 transitam cargas de produtos agrícolas de parte de Mato Grosso e Rondônia em direção a Porto Velho, onde são embarcadas na hidrovia do rio Madeira em direção a portos do chamado Arco Norte.

O ministério e a bancada federal de Rondônia no Congresso Nacional buscam articular aporte de até R$ 3 bilhões para a concessão da via. Tal aporte poderia ser usado para reduzir a tarifa de pedágio ou para a execução de novas obras, além daquelas previstas no contrato de concessão.

Indústria propõe medidas para proteger empresas de tarifaço

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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou nesta quarta-feira (30) ao governo federal uma lista com oito medidas emergenciais para mitigar os efeitos do aumento para 50% na tarifa de importação aplicada pelos Estados Unidos a centenas de produtos brasileiros. O pacote foi entregue ao ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSB), e abrange propostas em áreas como financiamento, tributos, manutenção do emprego e comércio exterior.

Entre as sugestões estão a criação de uma linha emergencial de crédito do BNDES com juros reduzidos, adiamento de tributos federais por 120 dias e a reativação do Programa Seguro-Emprego (PSE). A entidade também propõe ampliar o Reintegra e agilizar compensações tributárias já homologadas.

“Nossas propostas buscam mitigar os efeitos econômicos adversos, preservar a capacidade exportadora das empresas brasileiras e garantir a continuidade das operações internacionais em um cenário de alta imprevisibilidade”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

 

 

Linha de crédito: Criar linha de financiamento emergencial do BNDES, com juros de 1% a 4% a.a., específicas para capital de giro para empresas que tiverem exportações afetadas e suas cadeias produtivas.

Financiamento pós-embarque: Ampliar, de 750 dias para 1.500 dias, o prazo máximo entre a contratação e a liquidação do contrato de câmbio de exportação nas modalidades ACC (Antecipação de Contrato de Câmbio) e ACE (Adiantamento sobre Cambiais Entregues), especialmente aqueles que estão em andamento, realizados por bancos públicos e desenvolvimento, após o embarque da mercadoria ou após a prestação do serviço.

Veja as medidas:

  • Prazos de pagamento: Prorrogar o prazo e/ou carência para pagamento de financiamentos direcionados ao comércio exterior, como PROEX e BNDES-Exim;
  • Dumping: Aplicar direito provisório de dumping e reforçar os recursos humanos e tecnológicos para resposta rápida a desvios de comércio;
  • Adiamento de tributos: Adiar, por 120 dias, o pagamento de todos os tributos federais, incluindo as contribuições previdenciárias, e parcelar, em pelo menos seis parcelas mensais e sem incidência de multas e juros, o pagamento dos valores dos tributos que tiveram o recolhimento adiado;
  • Créditos tributários: Realizar o pagamento imediato dos pedidos de ressarcimento de saldos credores de tributos federais (PIS/Cofins e IPI) já homologados pela Receita Federal do Brasil e garantir compensações mais ágeis e previsíveis;
  • Ampliação do Reintegra: elevação para 3% da alíquota de ressarcimento de tributos residuais nas exportações;
  • Retomar programas: Reativar o PSE (Programa Seguro-Emprego) com aperfeiçoamentos.

Missão aos EUA e defesa do diálogo

Para ampliar os canais de interlocução, a CNI também organizará uma missão empresarial aos Estados Unidos com o objetivo de sensibilizar empresas e autoridades sobre os impactos negativos da medida. A entidade reforçou que não vê espaço para retaliação e defende a negociação como caminho preferencial.

“Seguimos defendendo a negociação como forma de convencer o governo americano de que essa medida é prejudicial para ambos os países”, afirmou Alban.

Setores tributados sentirão impacto direto

Embora o decreto norte-americano preveja exceções para cerca de 700 produtos brasileiros, como insumos da aviação civil e itens da agroindústria e eletroeletrônicos, segmentos relevantes da pauta exportadora ficaram de fora. Entre eles estão proteína animal, café, etanol, máquinas e equipamentos e outros manufaturados.

A tarifa de 50% representa um acréscimo de 40 pontos percentuais em relação à alíquota anterior, de 10%, estabelecida em abril com base no International Emergency Economic Powers Act (IEEPA). Produtos já cobertos por tarifas da Seção 232, como aço, alumínio e automóveis, não serão afetados pelo novo aumento.

Relação estratégica entre Brasil e Estados Unidos

Os Estados Unidos são o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira e o terceiro maior parceiro comercial do país. Em 2024, cada R$ 1 bilhão exportado para os EUA gerou 24,3 mil empregos e R$ 3,2 bilhões em produção nacional.

A integração econômica é reforçada pela presença de 3.662 empresas americanas no Brasil e 2.962 empresas brasileiras nos EUA, além dos 142 projetos brasileiros de investimento produtivo no território americano entre 2013 e 2023.

STF tem o menor número de processos acumulados dos últimos 33 anos

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STF
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) validou o balanço do primeiro semestre de 2025, marcando uma redução de 9,6% no acervo de processos, em relação ao final de 2024. O estoque baixou para 18.760 processos — o menor número registrado pelo Tribunal em 33 anos.

Segundo destacou o presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, a queda simboliza o aprimoramento da eficiência e sinaliza esforço institucional para consolidar o STF como corte predominantemente constitucional.

Baixa supera ingresso de processos

O Tribunal recebeu 41.084 processos no semestre, alta de 6,1% na comparação anual. O destaque ficou com os processos originários (15.192), cujo aumento de 23% é puxado sobretudo pelo crescimento expressivo das Reclamações (+37,9%).

As classes criminais, formadas principalmente por Habeas Corpus (HC) e Recursos Ordinários em Habeas Corpus (RHC), concentraram 51% do recebimento — as ações de controle concentrado de constitucionalidade representaram apenas 1% do total.

Apesar do fluxo elevado, o número de processos baixados — isto é, encerrados definitivamente — superou o ingresso: foram 42.089 casos baixados, 1.005 a mais do que os recebidos. O índice de produtividade ultrapassou 102%, contribuindo para a queda do acervo.

Julgamentos e decisões

O plenário julgou 3.233 processos em 36 sessões presenciais e 27 virtuais. Nas turmas, foram 4.111 julgamentos na Primeira e 3.941 na Segunda, mostrando um ritmo intenso de atuação.

Entre temas de repercussão geral, 26 tiveram o mérito decidido, destravando mais de 82,7 mil processos que aguardavam definição em instâncias inferiores; outros 44 temas foram incluídos na sistemática, totalizando ao fim de junho desse ano 137 temas pendentes desse rito especial.

Decisões colegiadas crescem 13,1%; monocráticas, 5,3%

Houve avanço significativo nas decisões colegiadas, com alta de 13,1% no semestre, reflexo da intensificação do julgamento coletivo em Plenário e nas Turmas.

Decisões monocráticas — aquelas que são feitas individualmente por cada ministro — também subiram 5,3%, e seguem passíveis de questionamento por recursos internos.

Nova mistura B15 deve impulsionar o mercado de soja e proteínas

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Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

A partir desta sexta-feira (1º), entra em vigor a nova mistura obrigatória de 15% de biodiesel no diesel comercializado no país, a chamada B15, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Com isso, a elevação do percentual de biodiesel de 14% para 15% deve impulsionar a cadeia de soja e do setor de proteínas. Além disso, a medida busca, reduzir a dependência do Brasil em relação as importações e estimular a produção nacional.

A ampliação da mistura de biodiesel de B14 para B15 deve impactar diretamente o processamento de soja no Brasil. Com previsão de um novo recorde no esmagamento em 2025, a projeção é que o volume atinja 57,8 milhões de toneladas, alta de 3,56% em comparação com 2024, impulsionada, sobretudo, pela maior demanda interna por farelo e óleo

A demanda por óleo de soja, principal insumo do biodiesel, deve crescer e com isso, estimular um aumento na oferta, o que tende a pressionar os preços para baixo. Após meses de estabilidade em torno de R$ 7,20 por litro, a expectativa é que os produtos ampliem a produção em 2,35%.

Efeitos da mistura obrigatória

De modo geral, os efeitos da nova mistura obrigatória se espalham por toda cadeia do agronegócio, com projeção na alta de 3,59% nos empregos do setor, impulsionada pela maior atividade industrial e agrícola.

No mercado externo, por sua vez, a substituição do diesel fóssil por biodiesel pode reduzir em até 300 milhões de litros as importações já em 2025. Essa diminuição representa uma economia de aproximadamente US$ 150 milhões, considerando o valor médio de US$ 500 por metro cúbico.

Empresas são contra retaliação à tarifaço dos EUA

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Foto: Diego Baravelli/MInfra

A maior parte das empresas brasileiras e multinacionais é contrária a uma retaliação imediata às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) com 162 companhias indica que 88% defendem a via diplomática como melhor alternativa, sem adoção de medidas de reciprocidade. Segundo o estudo, 86% avaliam que uma retaliação agravaria as tensões com os EUA e reduziria o espaço para diálogo. Apenas 10% apoiam ações imediatas.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), confirmou nesta sexta-feira (1º) que o governo federal descarta qualquer medida de retaliação e afirmou que o pacote de apoio aos setores mais afetados será compatível com a meta fiscal de déficit zero. “Nós entendemos que conseguimos operar dentro do marco fiscal sem nenhum tipo de alteração”, disse.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também descartou a retaliação e manifestou “grande preocupação” com o impacto das tarifas nas cadeias produtivas, na produção, no emprego, em investimentos e contratos de longo prazo. A entidade reforçou a necessidade de manter a unidade nacional e ampliar os canais de diálogo com os Estados Unidos.

Impacto direto nas exportações e setores mais afetados

Entre as empresas exportadoras, 59% preveem queda acentuada ou interrupção total das vendas aos EUA caso a sobretaxa entre em vigor. A Amcham estima que 694 produtos brasileiros foram incluídos em uma lista de exceções anunciada em 30 de julho, o que representa US$ 18,4 bilhões em exportações — 43,4% do total exportado aos EUA em 2024.

A indústria é o setor mais afetado (53%), seguida por serviços (17%), agroindústria (12%) e energia e infraestrutura (9%).

Maiores preocupações

As companhias consultadas também expressaram preocupações com os efeitos mais amplos das tarifas e de uma eventual retaliação. A maioria teme o agravamento das tensões bilaterais e a redução do espaço para negociação. Outras preocupações incluem o impacto sobre setores que dependem de insumos e tecnologias americanas, o prejuízo à imagem do Brasil como destino de investimentos e o aumento da insegurança jurídica no ambiente de negócios.

Segundo a Amcham, mais da metade das empresas estão em monitoramento da situação, sem ações definidas até o momento. Outras 54% atuam por meio de associações empresariais. Há também iniciativas pontuais: 25% das companhias engajam clientes e parceiros nos Estados Unidos para interlocução com autoridades americanas, enquanto 16% mantêm diálogo direto com autoridades brasileiras.

Para o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, os dados da pesquisa deixam claros os potenciais impactos das tarifas elevadas sobre os negócios, desde a interrupção de exportações até a revisão de investimentos e o redirecionamento de projetos globais. Ele defendeu o aprofundamento dos esforços para preservar os ganhos econômicos e sociais da relação entre Brasil e Estados Unidos.

Governo cancela licenças de mais de 7 mil pescadores profissionais falecidos

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Bragança (PA), 13/06/2025 – Vila dos Pescadores de Ajuruteua, na área da Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu. pesca
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O governo federal cancelou as licenças de mais de 7 mil pescadores falecidos. Com o cancelamento, os nomes excluídos perdem automaticamente os direitos vinculados ao Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), incluindo o exercício legal da atividade e o acesso a benefícios sociais específicos da categoria, como assistência financeira e sociais atrelados ao setor.

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A medida busca garantir maior controle, transparência e eficiência na gestão do setor, evitando, por exemplo, fraudes relacionadas ao uso indevido de licenças de profissionais falecidos.

Recentemente o Uol divulgou que o programa de assistência a trabalhadores da pesca era utilizado de forma fraudulenta em diversos municípios da região Norte, com pagamentos milionários direcionados a pessoas que não exercem a atividade. Um exemplo que a reportagem trouxe foi em Mocajubam no Pará, em que quase toda a população adulta foi registrada como pescadora em 2024, número incompatível com a realidade local.

Situações não previstas pela portaria poderão ser avaliadas e decididas diretamente pelo Ministério da Pesca e Aquicultura. A lista completa com os registros cancelados, organizados por unidade da federação, está disponível no site oficial do ministério, na seção dedicada aos pescadores profissionais.

Análise: Como fica a direita após as medidas cautelares impostas a Bolsonaro?

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Jair Bolsonaro
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

As medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), impedindo-o de utilizar as redes sociais e obrigando-o a estar em casa após as 19 horas, impactam a estratégia da direita para as eleições de 2026.

Embora o ministro Alexandre de Moraes, do STF, tenha dito que Bolsonaro não está impedido de conceder entrevistas, elas não podem ser reproduzidas nas mídias digitais, o que cria uma série de obstáculos para o ex-presidente. Como o que circula na televisão é compartilhado nas redes sociais – e vice-versa – o risco de Bolsonaro ser preso se conceder uma entrevista se torna considerável.

Mesmo que o bolsonarismo esteja organizando atos em defesa de Jair Bolsonaro e contra o Supremo para o dia 3 de agosto, um domingo, a presença de Bolsonaro no debate público tende a se reduzir.

Inicialmente, a direita deve seguir dividida. Sem um candidato natural alternativo a Jair Bolsonaro, devem continuar movimentando-se como presidenciáveis os seguintes governadores: Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP); Romeu Zema (Novo-MG); Ronaldo Caiado (União Brasil-GO); e Ratinho Júnior (PSD-PR). Na família Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também são opções. O PSD, além de Ratinho, tem como alternativa o governador Eduardo Leite (PSD-RS), caso prefira optar por alguém mais ao centro.

Apesar de a direita contar com várias opções, a construção de um entendimento desafiará a oposição. Na última quinta-feira (24), Eduardo Bolsonaro voltou a criticar Tarcísio, cobrando o fato de o governador paulista ter como seu líder na Assembleia Legislativa o deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil), um crítico do ex-presidente. A postura de Eduardo prejudica a direita, já que estimula a divisão da oposição.

Desde o anúncio do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump ao Brasil, parte do “Centrão” e do setor produtivo estão mais distantes do bolsonarismo. Ainda que simpatize com Tarcísio de Freitas, essa parcela da direita e do centro sabe que o governador de São Paulo depende do apoio de Bolsonaro se quiser disputar o Palácio do Planalto.

Apesar de Jair Bolsonaro estar com sua atuação política limitada, a narrativa de que ele sofre perseguição política deverá ser utilizada para que Bolsonaro possa esticar ao máximo o prazo de definição de seu sucessor, mantendo, até lá, o controle da direita. No entanto, quando sua condenação se tornar fato consumado, o ex-presidente poderá ter dificuldades, já que então estará mais isolado na opinião pública, no mundo político e entre os setores econômicos. Seu capital político continuará, porém, tendo peso em 2026.

STF repudia sanções dos Estados Unidos e pressão de plataformas digitais

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Foto: Reprodução

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se manifestaram, nesta sexta-feira (1º), sobre as sanções dos EUA contra o ministro Alexandre de Moraes. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, afirmou em pronunciamento na primeira sessão no plenário da Corte que é necessário “respeitar as regras do jogo” e ainda defendeu que o Brasil vive uma Democracia Constitucional, fato que não deve ser negociado. Por sua vez, o ministro Gilmar Mendes caracterizou ação os EUA como uma hostilidade unilateral.

Gilmar Mendes atribuiu as medidas impostas por Donald Trump a Moraes aos interesses de grandes empresas de tecnologia. Segundo ele, haveria insatisfação com a decisão do Supremo que responsabiliza as plataformas por crimes graves praticados por usuários nas redes sociais.

“A mera perspectiva de que elas possam vir a ter deveres triviais, os mesmos que já são exigidos de todas as empresas que operam no Brasil, despertou lobbies poderosos. Esses agentes reagem agora, para tentar, em vão, dobrar o Tribunal e o governo brasileiro aos seus caprichos e aos seus interesses econômicos”, avaliou.

A declaração acontece após o governo de Donald Trump, ter sancionado, na última quarta-feira (30), o ministro do STF Alexandre de Moraes com a lei Magnistky, que é utilizada para punir estrangeiros. No comunicado, Trump garante todos os bens de Alexandre de Moraes nos EUA estão bloqueados, assim como qualquer empresa eventualmente ligada a ele. Cidadãos americanos não podem fazer eventuais negócios com o ministro.

Não há registros de que Moraes possua bens no país.

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Oito de janeiro

Durante o discurso, Barroso afirmou que todos os réus serão julgados com base em provas e “sem qualquer interferência”, “venha de onde vier”. O presidente do STF também fez uma série de comentários relembrando episódios da história brasileira que ocorreram uma “queda da Democracia”.

Por fim, ressaltou que o Supremo tem o dever de impedir que o país passe novamente por períodos de ruptura institucional, golpes de Estado e governos autoritários.

Anistia e impeachment

Alexandre de Moraes apontou que os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e Davi Alcolumbre (União-AP) sofrem ameaças para avançar com a anistia aos presos do 8 de janeiro. Moraes diz que a ameaça que sofreu dos Estados Unidos se estende aos presidentes do Legislativo, com o objetivo também de avançar com propostas de impeachment contra ministros do STF.

O ministro também disse que vai ignorar a sanção imposta a ele pelos EUA, e vai seguir normalmente com as ações que avaliam a existência de uma tentativa de golpe de Estado. Ele ainda reiterou que o processo seguiu de forma aberta, com transmissão dos interrogatórios e participação ampla dos advogados de defesa.

Com a volta das atividades parlamentares, a oposição já prepara uma força-tarefa para pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta, a pautar a anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro, inclusive, para o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Novo projeto de ferrovia entre MT e PA vai seguir ao lado da BR-163

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Foto: Divulgação

O projeto da estrada de ferro que vai ligar Mato Grosso ao Pará, conhecida como Ferrogrão (EF-170), teve seu projeto alterado depois da pressão de ambientalistas e entidades ligadas aos povos indígenas. Pela nova proposta, o trajeto da ferrovia seguirá pela faixa de domínio do trecho da BR-163 que une os dois estados e não passará por terras indígenas nem pelo Parque Nacional do Jamanxim (PA).

O trajeto sempre foi alvo de questionamentos judiciais, a ponto de paralisar o empreendimento por mais de dez anos. A nova proposta do traçado foi apresentada em Sinop (MT), na terça-feira da semana passada, pelo empresário Guilherme Quintela, presidente da empresa Estação da Luz, idealizadora do projeto.

Sinop é o ponto de partida da ferrovia, que se estende por 933 quilômetros até o porto fluvial de Miritituba, no rio Tapajós, já no Pará. Nos dois pontos está prevista a construção de terminais para embarque e desembarque de carga.

O empresário afirmou que o Ministério dos Transportes articula a emissão da licença ambiental, etapa anterior ao lançamento do edital de concessão, previsto para até março do ano que vem. A expectativa é de que as obras comecem no próximo ano, com conclusão em uma década.

Roadshow

O Ministério dos Transportes realizou roadshow para investidores canadenses com o objetivo de levantar US$ 40 bilhões com mais 15 leilões (rodovias e ferrovias), todos programados para até o fim de 2026, quando termina o mandato do presidente Lula (PT). A visita de quatro dias foi organizada pelo BNDES a Toronto e Montreal, quando ministério apresentou sua carteira de projetos para fundos de pensão.

Em publicação no LinkedIn, a secretária nacional de Transportes Rodoviários, Viviane Esse, afirmou que “é a primeira vez que o governo brasileiro, nesse setor, realiza um roadshow aqui. Viemos com um objetivo muito claro: abrir portas, ampliar o diálogo com investidores e mostrar que temos uma carteira sólida, com bons projetos, governança e segurança jurídica”.

Atrativos oferecidos pelo Brasil aos investidores incluem melhoria regulatória e contratual, além de modelagens econômicas e da matriz de risco, medidas que deixam as concessões mais flexíveis. O governo também busca resolver desequilíbrios contratuais e repactuações de contratos em vigor.

Montadoras apoiam antecipação de alíquota sobre veículos importados

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal decidiu antecipar para janeiro de 2027 a aplicação da alíquota de 35% na importação de veículos elétricos e híbridos desmontados (CKD/SKD), atendendo parcialmente a reivindicação das montadoras automotivas tradicionais e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

A medida visa proteger a cadeia produtiva nacional e garantir previsibilidade aos investidores, além de responder às demandas de players já instalados e de novas entrantes como a chinesa BYD, em rápida expansão no Brasil.

Com isso, a decisão influencia diretamente a disputa pelo mercado brasileiro de eletrificados. De um lado, está a BYD, líder no segmento de carros elétricos, do outro, montadoras como Toyota, General Motors, Volkswagen e Stellantis, que vinham pressionando o governo por limites de importações.

Anfavea solicita antecipação no cronograma

A Anfavea solicitou ao governo que antecipasse de julho de 2028 para julho de 2026 o prazo final de transição para a alíquota de 35% na importação de veículos desmontados.

O governo, no entanto, decidiu nesta quarta-feira (30) atender parcialmente o pedido. A nova regra estabelece que alíquota será elevada a partir de janeiro de 2027, ou seja, um ano antes do previsto inicialmente.

Apesar disso, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, agradeceu os ministérios envolvidos. Em comunicado, afirmou: “Essa mudança é o máximo aceitável sem colocar em risco os investimentos atuais e futuros da cadeia automotiva nacional. Nós esperamos que essa discussão esteja definitivamente encerrada, sem qualquer possibilidade de renovação”.

Montadoras tradicionais x BYD

Nesta semana, as montadoras Toyota, General Motors, Volkswagen e Stellantis divulgaram uma carta enviada em junho ao presidente Lula. No documento, as empresa afirmavam que o pedido da BYD colocaria em risco os investimentos e os empregos no setor, além de representar uma concorrência desleal.

Em resposta, a BYD acusou as montados de tentarem chantagear o governo para manter o mercado fechado a novas concorrentes.

“Agora, chega uma empresa chinesa que acelera fábrica, baixa preço e coloca carro elétrico na garagem da classe média, e os dinossauros surtam”, afirmou a empresa, em nota.

Após a decisão da Gecex-Camex, o presidente da Anfavea declarou que novos competidores são bem-vindos, desde que entrem no mercado “de forma justa e competitiva”. Ele também ressaltou o esforço coletivo em torno da medida.

“Temos a certeza de que esse movimento que fizemos, junto com parlamentares, governadores dos estados, com os trabalhadores, com o sindicato que representa a indústria de autopeças nacionais, com a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva(AEA), serviu para demonstrar a força da indústria Automotiva nacional”, concluiu.

Regra de transição

Para incentivar a instalação de fábricas no país, o governo criou uma regra de transição que prevê o aumento anual das tarifas até atingir 35% em 2028. Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Geraldo Alckimin (PSB), a política já apresenta resultados positivos.

“Você tem inúmeras empresas abrindo fábricas no Brasil. Você tem a chinesa GWM, em Indianópolis (SP), que comprou a fábrica que estava fechada na Mercedes-Benz. Teve a BYD em Camaçari (BA), que adquiriu a fábrica que era da Ford”, afirmou Alckmin, em coletiva no início da semana.