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Receita Federal iguala regras de fintechs e bancos para combater lavagem de dinheiro

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Superintendência da Receita Federal, em Brasília.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Receita Federal publicou nesta sexta-feira (29) a Instrução Normativa RFB nº 2.278/2025, equiparando fintechs e empresas de pagamento às instituições financeiras tradicionais no cumprimento de obrigações de transparência e fornecimento de informações.

Pela nova regra, essas empresas passam a ser obrigadas a apresentar a e-Financeira, declaração sobre movimentações financeiras de alto valor, medida que visa reforçar o combate à lavagem de dinheiro e à ocultação de patrimônio, ampliando a fiscalização sobre o setor financeiro.

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Combate à fraude e lavagem de dinheiro

A publicação ocorre no rastro das operações Carbono Oculto, Quasar e Tank, que revelaram o uso de fintechs e fundos de investimento para movimentar recursos ilícitos ligados a facções criminosas. Segundo a Receita, fintechs têm sido usadas para lavar dinheiro, aproveitando um vácuo regulatório já que, até então, não estavam totalmente submetidas às exigências de transparência impostas aos bancos.

O objetivo é garantir que, a partir de agora, todas as contas de pagamento passem a ser rastreadas e informadas ao Fisco.

Segundo a norma, as instituições de pagamento e participantes de arranjos de pagamento obedecerão às mesmas obrigações acessórias aplicáveis ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) e Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).

O detalhamento obedece à Lei nº 12.865/2013. O texto, com apenas quatro artigos, esclarece o objetivo central de combater crimes tributários e garantir que informações sobre movimentações suspeitas sejam comunicadas às autoridades competentes.

Reação a fake news

A Receita Federal reforçou que a nova instrução não visa criar novas taxações – como a incidência de impostos sobre o Pix –, mas simplesmente igualar as regras já existentes, visando evitar desinformação como a registrada no início do ano.

O comunicado destacou que a ausência de obrigação de prestação de informações fomentava a atuação de organizações criminosas, o que exige agora uma fiscalização mais rigorosa do setor.

Brasil inaugura rota marítima direta com a China a partir do Amapá

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Porto de Santana, no Amapá
Foto: Divulgação/CDSA

A partir deste sábado (28), o comércio entre Brasil e China ganha um novo impulso com a inauguração da rota marítima entre o Porto de Santana, no Amapá, e o de Zhuhai, na região da Grande Baía chinesa.

O anúncio foi feito pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes (PDT), durante o programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

“Tenho uma boa notícia: no sábado, agora, chega o primeiro navio dessa rota Zhuhai-Santana, no Amapá. Agora o Arco Norte tem mais essa alternativa de rota marítima”, anunciou Góes.

Redução de custos e tempo de viagem

Segundo Góes, a nova rota vai proporcionar ganhos logísticos significativos, especialmente para produtos do Centro-Oeste e da Amazônia. O ministro destacou que a saída pelo Arco Norte já diminui em média US$ 7,8 por tonelada o custo de exportação para a China, em comparação com o Porto de Santos.

Quando o destino é a Europa, a economia pode chegar a US$ 14 por tonelada.

“Isso, sem falar do além do tempo de viagem, que diminui”, acrescentou.

Potencial para a bioeconomia da Amazônia

A nova ligação marítima atende a uma demanda estratégica: valorizar os bioprodutos amazônicos e ampliar a participação da região no comércio exterior. Góes ressaltou que itens como açaí, cacau, café, castanha e pescado podem conquistar maior espaço no mercado chinês. Produtos farmacêuticos com base na biodiversidade regional também são apontados como setores de grande potencial.

“Daí para frente, vai da nossa capacidade. Da capacidade da Região Amazônica de articular produtos de interesse da China”, concluiu.

China como parceira estratégica

Com mais de 1,4 bilhão de habitantes, a China segue como um dos maiores parceiros comerciais do Brasil. O ministro citou o exemplo do café, cujo consumo per capita ainda é baixo no país asiático.

“Para você ter uma ideia, o café, que já entra muito forte na China, tem um consumo per capita de um café por mês. Imagina se dobrarmos isso, e passar a ser de dois cafés por mês. Isso vale para o café, para a soja e para o agro de modo geral. Eles têm muito interesse por mel, açaí, chocolate, Cacau”, detalhou.

Para Góes, a ampliação da demanda por alimentos e produtos da bioeconomia brasileira tende a consolidar a rota do Amapá como um eixo central desse intercâmbio.

Receita da indústria de máquinas cresce 13,9% em 2025, mas exportações caem

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Foto: José Paulo Lacerda/CNI

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) divulgou que a receita do setor alcançou R$ 174,5 bilhões de janeiro a julho de 2025, um aumento de 13,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da desaceleração da taxa de crescimento, que passou de 15,1% em junho para 13,9% em julho, o desempenho foi beneficiado pelo aumento dos investimentos na agricultura e na construção civil.

Exportações tiveram retração

De janeiro a julho, a receita das vendas internas do setor alcançou R$ 133,8 bilhões, resultado 18,2% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Em contraste, as exportações somaram US$ 7,05 bilhões, o que representa uma queda de 4,4% em relação a 2024.

No recorte de julho, antes do início do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, o setor exportou US$ 1,2 bilhão, valor que indica retração de 4,8% frente ao desempenho de julho de 2024.

“Apesar da queda, houve incremento nas vendas de máquinas agrícolas e de bens de consumo não duráveis”, disse a Abimaq.

Além disso, o maior crescimento foi registrado nas exportações para a América do Sul, especialmente Argentina, Chile e Peru.

Principais destinos das exportações brasileiras

Segundo a Abimaq, no acumulado de 2025, os principais destinos das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos apresentaram mudanças significativas. As vendas para a América do Norte caíram 11,6%, enquanto as exportações para a Europa e a América do Sul cresceram 10,7% e 15,9%, respectivamente.

Na América do Sul, a Argentina se destacou, com aumento de 52,4% nas exportações, impulsionado pela expansão das vendas de máquinas para agricultura (+104%) e construção civil (+87%). Por sua vez, para os Estados Unidos, que representam 26,1% das exportações do setor em 2025, houve queda de 10,6%, principalmente devido à retração na demanda por máquinas para construção civil (-21%).

Governo Lula destaca operação contra esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis

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Brasília (DF), 28/08/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião bilateral com o Presidente da República do Panamá, José Raúl Mulino, no Palácio do Planalto. operação
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O presidente Lula (PT) classificou como “a maior resposta do Estado ao crime organizado de nossa história até aqui” a operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) contra um esquema criminoso bilionário no setor de combustíveis, comandado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ação contou com cerca de 1.400 agentes das polícias estaduais e federal, atuando simultaneamente em oito estados: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Esquema de fraude e lavagem de dinheiro

Mais de 350 pessoas e empresas foram alvos de mandados de prisão e de busca e apreensão. As investigações indicaram que o grupo sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos e que pelo menos 300 postos em São Paulo venderam combustíveis adulterados, com estimativa de que 30% dos postos no estado tenham sido afetados.

“A população em todo o país assistiu hoje à maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado de nossa história até aqui. Em atuações coordenadas que envolveram Polícia Federal, Receita Federal e Ministérios Públicos estaduais, foram deflagradas três operações simultâneas nos setores financeiro e de combustíveis, envolvendo 10 estados”, pontuou Lula, em suas redes sociais.

O PCC controlava 40 fundos de investimento com patrimônio superior a R$ 30 bilhões, utilizados para lavar dinheiro oriundo do narcotráfico.

Haddad aponta combate ao “andar de cima” do crime

Em coletiva, o ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) afirmou que a operação conseguiu atingir o “andar de cima” do crime organizado, destacando que R$ 52 bilhões foram movimentados por organizações criminosas através de fintechs nos últimos quatro anos. O sequestro desses recursos é visto pelo governo como um passo decisivo no combate ao crime no país.

“A fiscalização da Receita Federal tem que ser colocada à disposição dos órgãos de combate ao crime organizado, porque a sofisticação do crime organizado hoje, ela exige da parte da Receita que nós consigamos decifrar o caminho do dinheiro, que é muito sofisticado”, reforçou.

Cooperação necessária

Para o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, o fenômeno da migração das organizações criminosas da ilegalidade para a legalidade exige atuação conjunta dos órgãos governamentais, especialmente a Receita Federal, para decifrar os complexos caminhos do dinheiro ilícito.

“Para combater esse fenômeno, não basta mais apenas uma operação, ou várias operações de natureza policial. É preciso uma atividade integrada de todos os órgãos governamentais, e nesse caso os órgãos fazendários, da Receita Federal, são imprescindíveis nessa tarefa”, acrescentou.

Iniciativas legislativas

O combate às facções é prioridade do Ministério da Justiça, que apresentou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o projeto de lei conhecido como “Plano Real da Segurança”.

A PEC busca reforçar a competência da União e ampliar a atuação da Polícia Federal e guardas municipais, enquanto o projeto de lei propõe aumento das penas para membros e chefes de organizações criminosas, facções e milícias.

Brasil e México reforçam laços comerciais, destaca Tebet

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Simone Tebet, México
Foto: MPO

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), encerrou nesta quarta-feira (27) o Encontro Empresarial Brasil–México, na capital mexicana, com uma mensagem enfática ao setor produtivo: as duas maiores economias da América Latina deixaram para trás a lógica da concorrência e agora operam sob o princípio da complementaridade.

“Hoje nós vemos que as nossas economias não são concorrentes, elas são complementares. O Brasil tem o que o México precisa, o México tem o que o Brasil precisa”, declarou a ministra durante seu discurso, reforçando a mudança de paradigma nas relações bilaterais.

Tebet destacou que o foco atual da parceria entre os países está no fortalecimento do comércio, do investimento e da produtividade, com um olhar atento à promoção da justiça social. Segundo ela, o crescimento sustentável depende da força de setores como agronegócio, pecuária, agricultura familiar, comércio e indústria.

Cultura compartilhada e superação de barreiras

Apesar da barreira linguística, a ministra enfatizou a afinidade cultural entre brasileiros e mexicanos, unificados por um espírito latino comum. Tebet relembrou os caminhos distintos trilhados por Brasil e México no passado e ressaltou que, hoje, os dois países têm uma agenda conjunta voltada para o desenvolvimento mútuo.

Em um cenário global marcado por incertezas e disputas geopolíticas, a ministra fez um apelo por estabilidade institucional e cooperação. “Que possamos deixar de lado a polarização que assola o mundo, deixar os extremos e o fascismo de lado”, disse, em referência aos desafios impostos pelo ambiente internacional cada vez mais hostil.

Convite ao empresariado e foco em infraestrutura

Simone Tebet conclamou empresários brasileiros e mexicanos a expandirem sua atuação mútua, destacando o potencial de parcerias estratégicas em setores como logística e integração produtiva.

“Venham para o México, brasileiros. Empresários mexicanos, vão para o Brasil. Vocês serão bem recebidos”, afirmou.

Segundo a ministra, reformas econômicas, cooperação técnica e integração de cadeias produtivas formam um terreno fértil para novos projetos. Um dos exemplos mais destacados foi a área de biocombustíveis. O Brasil, referência em etanol, está transferindo sua tecnologia ao México como parte de um dos memorandos de entendimento assinados entre os países.

“Quando falamos em produção de açúcar, não temos como competir com o México. Mas o México precisa da tecnologia do etanol brasileiro. Isso é parceria”, disse Tebet.

Alimentos e oportunidades de complementaridade

A ministra também apontou para oportunidades no setor de alimentos, destacando que, embora o Brasil seja um dos maiores produtores de soja e milho, depende de produtos que não consegue cultivar em grande escala, como pêssego, aspargos e atum. “Há espaço claro para complementar produção e consumo”, concluiu.

O Encontro Empresarial Brasil–México reuniu autoridades, empresários e representantes de diversos setores produtivos com o objetivo de estreitar relações econômicas entre os dois países, em um momento em que a América Latina busca fortalecer sua presença no comércio global com base na integração regional.

Agência de saneamento prorroga prazo para comprovação de Normas de Referência

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Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
Foto: Raylton Alves/Banco de Imagens ANA

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) prorrogou para o dia 9 do mês que vem o prazo para que as Entidades Reguladoras Infranacionais (ERIs) – agências municipais, intermunicipais, estaduais e distrital – enviem informações comprovando o atendimento de quatro Normas de Referência (NRs) criadas para a regulamentação do setor.

A informação foi publicada no Diário Oficial de quarta-feira passada (20). Essas comprovações deverão ser endereçadas à ANA pelo Sistema de Acompanhamento da Regulação do Saneamento Básico (SASB), disponível em www.ana.gov.br/sasb.

As quatro Normas de Referência (NRs) são as seguintes:

  • A NR nº 03/23, que trata da metodologia de indenização de investimentos realizados e ainda não amortizados ou depreciados dos contratos de prestação de serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
  • A NR nº 06/24, que define os modelos de regulação tarifária dos serviços públicos de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
  • A NR nº 07/24, que estabelece as condições gerais para a prestação direta ou mediante a concessão dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos urbanos.
  • A NR nº 08/24, que aborda metas progressivas de universalização do abastecimento de água e do esgotamento sanitário, dos indicadores de acesso e do sistema de avaliação.

Com o Marco Legal do Saneamento Básico, Lei nº 14.026/20, a ANA recebeu a atribuição regulatória de editar as Normas de Referência para a regulação dos serviços públicos de saneamento básico no Brasil.

Esses serviços incluem: abastecimento de água potável; esgotamento sanitário; limpeza urbana; manejo de resíduos sólidos; e drenagem e manejo de águas pluviais urbanas. Desde 2020, a agência publicou 12 NRs, entre as quais 11 estão vigentes.

Segue para sanção presidencial projeto que amplia prazo para regularização fundiária em áreas de fronteira

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Entrevistas - Senador Nelsinho Trad (PSD-MS) Senador Nelsinho Trad (PSD-MS) concede entrevista.
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Foi aprovado na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1.532/2025, de autoria do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que amplia em cinco anos o prazo para que proprietários de imóveis rurais na faixa de fronteira possam solicitar a ratificação de seus registros imobiliários. Agora, o projeto vai à sanção presidencial, para que entre em vigor.

O texto, relatado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) no Senado, tem como objetivo permitir que os produtores tenham mais tempo para organizar a documentação necessária, trazendo segurança jurídica ao campo.

Mais tempo para regularizar imóveis rurais

A medida, já aprovada anteriormente pelo Senado, busca proteger produtores que ocupam essas terras há décadas, facilitando a regularização fundiária e evitando que propriedades retornem à União por falta de documentação.

É importante lembrar que durante a tramitação, foi retirada do texto a dispensa do georreferenciamento, o que garantiu acordo com o governo e a aprovação no Congresso.

Em nota enviada aos jornalistas, o senador Nelsinho Trad comemorou a aprovação: “É um alívio imediato para os produtores. Fizemos um entendimento com o líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner, e conseguimos aprovar a urgência. O georreferenciamento, que foi retirado agora, continuará sendo discutido. O presidente Davi anunciou que, neste segundo semestre, o Senado deve debater uma outra proposta já aprovada na Câmara, o Projeto de Lei 4.497/2024, que visa a enfrentar de forma definitiva a insegurança jurídica nas regiões de fronteira.”.

Maioria desaprova o governo; recuperação da popularidade de Lula é interrompida e Tarcísio mostra competitividade para 2026

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Lula, Tarcísio de Freitas
Foto: Ricardo Stuckert/PR

A nova rodada da pesquisa Latam Pulse Brasil divulgada em 28 de agosto aponta que a recuperação da popularidade do presidente Lula (PT), verificada nos levantamentos de junho e julho, foi interrompida. No levantamento realizado em agosto, a desaprovação do presidente cresceu 1,3 ponto percentual enquanto a aprovação caiu 2,3 pontos. Neste momento, Lula tem um saldo negativo de popularidade de 3,1 pontos. No levantamento anterior, o saldo de popularidade era ligeiramente favorável ao presidente em 0,5 ponto percentual. A margem de erro da pesquisa é de um ponto percentual para mais ou para menos.

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A piora na avaliação de Lula pode ser atribuída ao fato do tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra o Brasil ter deixado de ser uma novidade para a opinião pública. Embora o governo tenha se beneficiado da narrativa da defesa da soberania, alterando o slogan de “União e Reconstrução” para “Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro”, a falta de ações concretas limita uma recuperação mais expressiva.

Apesar do desgaste do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ajudar Lula, a percepção negativa em relação à economia também representa um obstáculo à recuperação do capital político do presidente.

AVALIAÇÃO DO PRESIDENTE LULA

Avaliação Jan (%) Fev (%) Mar (%) Abr (%) Mai (%) Jun (%) Jul (%) Ago (%)
Desaprova 51,4 53,0 53,6 50,1 53,7 51,8 49,7 51,0
Aprova 45,9 45,7 44,9 46,1 45,4 47,3 50,2 47,9
Fonte: Latam Pulse Brasil/Atlas Bloomberg (20 a 25/08)
A avaliação negativa (ruim/péssima) supera a positiva (ótimo/bom) em 7,5 pontos percentuais. Em relação a julho, a avaliação negativa cresceu 3 pontos enquanto a avaliação positiva caiu 2,9 pontos.
AVALIAÇÃO DO GOVERNO LULA
Avaliação Jan (%) Fev (%) Mar (%) Abr (%) Mai (%) Jun (%) Jul (%) Ago (%)
Ruim/Péssimo 46,5 50,8 49,6 47,7 52,1 51,2 48,2 51,2
Ótimo/Bom 37,8 37,6 37,4 40,2 41,9 41,6 46,6 43,7
Regular 15,6 11,3 12,5 9,6 6,0 7,2 5,1 5,1

Fonte: Latam Pulse Brasil/Atlas Bloomberg (20 a 25/08)

Quanto à economia, 53% dos entrevistados entendem que a situação é ruim. 29% entendem que é boa. Outros 18% consideram normal. Esses números indicam que os resultados celebrados pelo governo em relação ao emprego e a inflação têm uma percepção distinta na opinião pública.

Os números da avaliação de Lula e do governo indicam que o país continua polarizado. Lula segue como um candidato forte para 2026. No entanto, o fato da desaprovação do presidente e de seu governo superarem a aprovação sinaliza dificuldades pela frente.

Conforme veremos a seguir, mesmo que Lula lidere os cenários estimulados de primeiro turno e vença a maioria das simulações de segundo turno, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que vem angariando apoios importantes para ser o sucessor de Jair Bolsonaro desde que o ex-presidente está em prisão domiciliar, já figura numericamente à frente de Lula no cenário estimulado de segundo turno.

Tarcísio mostra força e aparece numericamente à frente de Lula em um eventual segundo turno

As simulações de primeiro e segundo turno para 2026 realizadas pela pesquisa Latam Pulse Brasil/Atlas Bloomberg apontam que o presidente Lula (PT) lidera os cenários de primeiro turno e seis das sete simulações de segundo turno. No entanto, Lula aparece numericamente atrás do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Na primeira simulação, que espelha o cenário de 2022, Jair Bolsonaro e Lula aparecem tecnicamente empatados. Vale destacar que, em relação à pesquisa de julho, Bolsonaro cresceu de 44,2% para 45,4% enquanto Lula caiu de 47,8% para 44,6%.

CENÁRIO DE INTENÇÃO DE VOTO – 1º TURNO

Candidatos Intenção de voto (%)
Jair Bolsonaro (PL) 45,4
Lula (PT) 44,6
Ciro Gomes (PDT) 3,7
Simone Tebet (MDB) 1,8
Branco/Nulo 1,9
Indecisos 1,0

Fonte: Latam Pulse Brasil/Atlas Bloomberg (20 a 25/08)

Nos demais cenários estimulados, Lula, apesar de liderar as simulações, é superado quando somamos intenções de voto dos possíveis candidatos da centro-direita nas duas simulações em que o presidente aparece como o candidato do PT.

No cenário 1, a direita superaria Lula (44% a 34,8%) contra o presidente. No cenário 2, Lula teria 44,2% contra 49,2% dos demais candidatos de oposição – Michelle Bolsonaro (PL); Caiado; Marçal; Ratinho; Leite e Zema.

É interessante observar que a intenção de voto em Lula – cerca de 44 – é um pouco mais baixa que sua aprovação (47,9%) e muito parecida com a avaliação positiva do governo (43,7%). Por outro lado, a soma dos percentuais da oposição, que varia de 48% a 49%, é similar à desaprovação de Lula (51%) e do governo (51,2%).

Sem Lula na disputa e o PT sendo representado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), teríamos um quadro de empate técnico entre ele e Tarcísio. Nesse hipotético cenário, a oposição também leva vantagem, pois a soma das intenções de voto de seus candidatos atinge 48,2% contra 36,2% de Haddad.

CENÁRIOS DE INTENÇÃO DE VOTO – 1º TURNO

Candidatos Cenário 1 (%) Cenário 2 (%) Cenário 3 (%)
Lula (PT) 44 44,2
Fernando Haddad (PT) 36,2
Tarcísio de Freitas (Republicanos) 31,8 32,2
Michelle Bolsonaro (PL) 29,7
Romeu Zema (Novo) 4,4 7,1 4,1
Ratinho Júnior (PSD) 4,0 5,2 4,3
Ronaldo Caiado (União Brasil) 3,2 4,3 3,1
Ciro Gomes (PDT) 3,4 4,5 7,5
Pablo Marçal (PRTB) 3,6 1,8 3,0
Eduardo Leite (PSD) 1,4 1,1 1,5
Branco/Nulo/Indecisos 4,2 2,2 8,1

Fonte: Latam Pulse Brasil/Atlas Bloomberg (20 a 25/08)

O acirramento da disputa entre Lula e as alternativas de oposição também é observado nas simulações de segundo turno. Embora o presidente apareça em vantagem na maioria dos cenários estimulados, ele já figura numericamente atrás de Tarcísio de Freitas, que nos últimos dias ganhou força como pré-candidato ao Palácio do Planalto. Hoje, Tarcísio está 1,8 ponto percentual à frente de Lula.

O presidente aparece tecnicamente empatado com Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. Contra Zema, Caiado e Ratinho, Lula aparece na liderança, com vantagem pequena, variando de 5 a 7 pontos percentuais. Apenas contra Eduardo Leite é que Lula possui uma vantagem mais expressiva em um hipotético segundo turno.

CENÁRIOS DE INTENÇÃO DE VOTO – 2º TURNO

Candidatos Cenário 1 (%) Cenário 2 (%) Cenário 3 (%) Cenário 4 (%) Cenário 5 (%) Cenário 6 (%) Cenário 7 (%)
Lula (PT) 46,6 48,8 48,3 47,1 46,7 46,9 47,2
Jair Bolsonaro (PL) 48,3
Tarcísio de Freitas (Republicanos) 48,4
Michelle Bolsonaro (PL) 47,9
Ratinho Júnior (PSD) 41,1
Romeu Zema (Novo) 40,9
Ronaldo Caiado (União Brasil) 40,3
Eduardo Leite (PSD) 24,9
Branco/Nulo/Indecisos 5,0 3,3 3,4 12,0 13,0 11,9 27,9

Fonte: Latam Pulse Brasil/Atlas Bloomberg (20 a 25/08)

Embora o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, o desgaste do bolsonarismo e a divisão da direita ajudem Lula, o presidente figura em situação de empate técnico com Jair Bolsonaro, Tarcísio e Michelle.

Como a narrativa em defesa da soberania enfrenta limites diante da falta de ações concretas por parte do Brasil, Lula, mesmo demonstrando força para 2026, terá uma campanha de reeleição difícil. Não por acaso, Tarcísio de Freitas já apresenta uma vantagem numérica contra Lula num eventual segundo turno. Durante a reunião ministerial desta semana, Tarcísio virou alvo de Lula e seus ministros.

Apesar de Tarcísio demonstrar competitividade e ganhar apoios, a relação com o bolsonarismo segue desafiando o governador paulista, pois para viabilizar seu projeto nacional, depende do apoio a Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, precisa construir uma estratégia para atrair o voto bolsonarista e não ser atingido pela rejeição do ex-presidente.

Faltando mais de um ano para a sucessão, o governo e oposição têm desafios importantes pela frente. Embora o antibolsonarismo ajude Lula, o fato de sua desaprovação superar a aprovação, a percepção da economia ser negativa e Tarcísio mostrar-se competitivo indicam uma eleição difícil para o governo. A oposição, por sua vez, além de construir seu candidato – neste momento, Tarcísio é a alternativa mais competitiva – e não se dividir, tem o desafio de encontrar uma narrativa que supere os limites do discurso tradicional bolsonarista, ancorado essencialmente no antipetismo.

Alckmin lidera missão ao México e firma acordos em agro e biocombustíveis

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Foto: Nurivan Mendoza Memije/ MDIC

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), cumpre agenda oficial na Cidade do México até esta quinta-feira (28), com o objetivo de fortalecer relações políticas e ampliar os laços comerciais e de investimentos entre as duas maiores economias da América Latina.

Logo no primeiro dia da missão, a comitiva liderada por Alckmin, formada por mais de 100 empresários e integrantes do governo, celebrou parcerias com o México. As iniciativas visam aprofundar a cooperação nos setores da agropecuária e de biocombustíveis, além de fortalecer o comércio bilateral e atrair novos investimentos.

Durante a assinatura de memorandos, o vice-presidente destacou os impactos econômicos e sociais dos acordos. Ele afirmou que os entendimentos representam geração de empregos, renda e oportunidades, além de promover crescimento econômico e avanços científicos e tecnológicos para a descarbonização, sem deixar de lado a preservação ambiental.

Cooperação em biocombustíveis

O memorando sobre biocombustíveis estabelece a base para futuras ações de cooperação, visando impulsionar o crescimento do setor no México e aproveitar a experiência do Brasil na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. A parceria inclui:

  • intercâmbio de tecnologia;
  • equipamentos e metodologias, acelerando o desenvolvimento da indústria de matérias-primas e biocombustíveis, além de estimular a captura;
  • armazenamento de carbono a partir da bioenergia.

Com isso, abre-se caminho para a expansão ordenada e sustentável da produção de etanol, SAF e combustíveis marítimos sustentáveis. A cooperação faz parte da estratégia do Brasil de fortalecer parcerias em setores estratégicos, gerando benefícios mútuos para as duas maiores economias e democracias da América Latina.

Cooperação na agropecuária

Na sede da chancelaria mexicana, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD) e o secretário mexicano Julio Sacristán assinaram um Memorando de Entendimento, reforçando a cooperação em produção agrícola e pecuária. O acordo prevê acompanhamento técnico de pequenos e médios produtores, promoção de pesquisa e inovação tecnológica, financiamento, seguro rural e instrumentos para facilitar a comercialização de produtos agrícolas.

Além disso, os dois países concordaram em ajustar a legislação sobre rastreabilidade da carne bovina, garantindo que as exportações brasileiras para o México não sejam prejudicadas.

Novos mercados e oportunidades

Com o objetivo de impulsionar o comércio e abrir novas oportunidades, a ApexBrasil e a Secretaria de Economia do México assinaram um memorando de entendimento para promover o intercâmbio de bens, serviços e investimentos. Essa cooperação integra duas importantes políticas de desenvolvimento:

  • Nova Indústria Brasil, que fortalece inovação, sustentabilidade e produtividade;
  • Plano México, estratégia de longo prazo do país.

Além disso, a parceria vai promover exportações e investimentos, fortalecer capacidades institucionais e empresariais e desenvolver cadeias produtivas. Ela também busca estimular a inovação e facilitar a entrada em novos mercados, identificando oportunidades que aumentem a competitividade e o posicionamento internacional das empresas de ambos os países.

Exportações crescem

Em 2024, Brasil e México registraram uma corrente de comércio de US$ 13,6 bilhões. Nesse contexto, as exportações brasileiras somaram US$ 7,8 bilhões, destacando-se:

  • veículos de passageiros (US$ 715,4 milhões);
  • carnes de aves e miúdos (US$ 563,7 milhões);
  • veículos de carga (US$ 507 milhões).

Pix é o maior ponto de embate dentro da PEC do BC, diz relator

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Senador Plínio Valério (PSDB-AM). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Em entrevista à Arko Advice, o relator da PEC do BC, senador Plínio Valério (PSDB-AM), avaliou que o Pix está sendo o principal ponto de divergência no texto. Para o parlamentar, a medida é essencial para modernizar a instituição e garantir, por exemplo, a segurança do sistema de pagamento instantâneo Pix, porém o governo “dificulta a pauta”.

Veja a entrevista completa: 

Gostaria de saber do senhor, como relator da PEC nº 65/23, como ficam os servidores do Banco Central com a autonomia do banco. Haverá alguma mudança em relação às contratações, ao regime CLT ou às demissões?

Minha principal preocupação é com os inativos, pensionistas e aposentados. Eles não serão prejudicados. Continuarão com os mesmos direitos e terão os reajustes salariais garantidos, com base na paridade com os servidores da ativa, por muitos e muitos anos. Ou seja, sempre que houver aumento para um servidor em atividade, o aposentado também será contemplado. Sobre o regime CLT, ele poderá ser implementado com a regulamentação que está por vir. No entanto, ninguém será exonerado ou demitido, exceto em casos de decisão judicial ou de denúncias devidamente apuradas. Fora isso, não há risco de demissão. Claro, se o servidor quiser sair por conta própria, é outra situação. Mas não haverá demissão em massa nem desligamentos arbitrários. Também existe a possibilidade de novos concursos públicos serem abertos.

Que tipo de entidade pública o Banco Central se torna com a autonomia? Inicialmente, falava-se em um modelo de autarquia com independência total, administrativa e financeira. Isso será mantido? O Banco Central poderá, por exemplo, encaminhar a própria proposta orçamentária?

Com a aprovação da PEC, o Banco Central passará a ter um regime jurídico próprio, com natureza especial. O que isso significa? Ele continuará sendo uma entidade do setor público, mas poderá exercer atividades com características do setor privado. O orçamento ainda é um ponto de divergência com o governo. A ideia é que o orçamento seja aprovado pelo Conselho Monetário Nacional e, depois, encaminhado ao Senado apenas para referendo. Ou seja, caberá ao Senado analisar e, normalmente, aprovar a proposta, por isso usamos o termo “referendar”.

Além desse impasse, como estão as tratativas com o governo? Quais os outros pontos de divergência?

Primeiramente, quero deixar claro que estou cumprindo o meu dever. Estou fazendo o que considero melhor para o país. O Banco Central, hoje, é como um Boeing operando com orçamento de teco-teco. Faltam recursos. Tudo o que o BC precisa tem de ser solicitado ao governo. Não há concurso há anos, e o Banco vem perdendo servidores constantemente. Estamos defendendo o banco, principalmente por causa do Pix, que tem enorme apelo popular. Todo mundo usa, e o sistema está constantemente ameaçado, inclusive por fraudes. Faltam equipamentos adequados e pessoal suficiente para administrar o Pix de forma segura. Esse é um dos grandes impasses. A meu ver – e é só uma percepção –, o Pix é o ponto de maior divergência com o governo. De tempos em tempos, surgem discussões sobre taxar o Pix. Nós temos sido firmes em dizer: o Pix não pode ser taxado para pessoas físicas. O governo pouco contribuiu. Quando perceberam que não havia mais alternativa, vieram me entregar um documento de última hora, na véspera.

Como está o alinhamento com o Banco Central?

Estamos bem alinhados com o Banco Central. Conversei muitas vezes com o Gabriel Galípolo [presidente da instituição]. Chegou um momento em que eu disse a ele que já sabia o que o BC queria e o que estava sendo negociado. Então, propus: vamos para o voto. Meu relacionamento com o Banco Central é muito bom. Me agradecem, mas não precisam. Não faço nada por vaidade. Sou republicano. Estou aqui para ajudar. Não sou herói, nem salvador. Sou independente. Apenas cumpro o meu papel. E, acredite, essa geração, que já é a geração do Pix, será beneficiada com a manutenção de um serviço gratuito e eficiente.

Senador, o tema foi adiado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado. Quanto tempo o senhor acha que esse cabo de guerra deve durar?

Não vai demorar. Eles vão pedir vista, como de praxe. Inicialmente, eram contra a proposta apenas por ela estar ligada ao nome de Roberto Campos Neto [ex-presidente do Banco Central]. Chegamos a estar prontos para votar em determinado momento. Agora, não podemos perder essa oportunidade. Precisamos votar. O Parlamento é o lugar do voto. O que o Parlamento não pode fazer é fugir da sua obrigação. Pode discutir, pode questionar, mas não pode evitar o voto. Então, vamos em frente. É hora de decidir.