A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje (18) aponta uma estabilidade na aprovação do governo Lula (PT). Os índices de aprovação e desaprovação são os mesmos de agosto. Além do saldo de popularidade de Lula ser negativo em cinco pontos percentuais, a melhora na aprovação do presidente, que havia iniciado em julho, cessou. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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APROVAÇÃO DO GOVERNO LULA
| Avaliação |
Jan (%) |
Mar (%) |
Mai (%) |
Jul (%) |
Ago (%) |
Set (%) |
| Desaprova |
49 |
56 |
57 |
53 |
51 |
51 |
| Aprova |
47 |
41 |
40 |
43 |
46 |
46 |
Fonte: Genial/Quaest (12 a 14/09)
A estabilidade na aprovação do governo indica que a narrativa em defesa da soberania e da democracia, embora tenham se convertido em dois pilares de Lula, pode ter chegado no limite. Outro aspecto a ser observado é que mesmo com indicadores positivos no emprego e a redução na inflação de alimentos, a popularidade de Lula está com saldo negativo.
Segundo a Quaest, 58% dos entrevistados entendem que o Brasil está na “direção errada”. 36% acreditam que o país está na “direção certa”. 61% dizem que Lula perdeu a conexão com o povo. 35% avaliam que não. Para 67%, o presidente não está conseguindo cumprir as promessas de campanha. 30% dizem que sim.
Quanto aos programas sociais, 65% entendem que eles são um direito. 29% entendem que não. De acordo com a pesquisa, 69% dizem não ter medo de perder os programas sociais. 28% afirmam que sim.
Outro aspecto a ser observado é que a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não provocou mudanças na aprovação de Lula. Vale observar que, de acordo com a pesquisa, 49% dos entrevistados consideram que a pena imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de 27 anos em regime fechado a Jair Bolsonaro é considerada exagerada. 35% avaliam que a pena é adequada. 12% entendem que é insuficiente.
Em relação à trama golpista, 54% consideram que Bolsonaro participou da tentativa de golpe. 34% acreditam que não. Questionados sobre o processo judicial, 47% dizem que houve perseguição a Bolsonaro. 42% afirmam que o processo foi imparcial.
Na divisão por regiões, a desaprovação supera a aprovação no Sudeste (55% a 42%); no Sul (60% a 39%) e no Centro-Oeste/Norte (52% a 45%). A aprovação supera a aprovação somente no Nordeste (60% a 37%).
No recorte por faixas de rendas, a aprovação do governo supera a desaprovação entre quem ganha até 2 salários mínimos (55% a 41%). Nas demais faixas renda, a desaprovação prevalece sobre a aprovação: mais de 2 a 5 salários (52% a 46%) e mais de 5 salários (60% a 37%).
Quanto à avaliação do governo Lula, o saldo também permanece negativo para o presidente. A avaliação negativa (ruim/péssimo) é 8 pontos percentuais maior que a avaliação positiva (ótimo/bom). Assim como ocorre em relação a aprovação do governo, a melhora na avaliação foi interrompida.
AVALIAÇÃO DO GOVERNO LULA
| Avaliação |
Jan (%) |
Mar (%) |
Mai (%) |
Jul (%) |
Ago (%) |
Set (%) |
| Ruim/Péssimo |
37 |
41 |
43 |
40 |
39 |
38 |
| Ótimo/Bom |
31 |
27 |
26 |
28 |
31 |
31 |
| Regular |
29 |
29 |
28 |
28 |
27 |
28 |
Fonte: Genial/Quaest (12 a 14/09)
A estabilidade dos números de avaliação do governo Lula mostra que o país continua polarizado. Não por acaso, a diferença entre a aprovação e desaprovação do presidente e do governo é pequena, ficando em torno de cinco a oito pontos percentuais.
Embora a defesa da soberania tenha ajudado Lula a melhorar sua popularidade nos levantamentos anteriores – vale registrar que, de acordo com a Quaest, 64% dos brasileiros avaliam que o governo está certo em defender a soberania – essa narrativa mostra sinais de esgotamento, já que o governo não tem conseguido avançar em ações concretas.
Os indicadores de emprego e redução da inflação propagados pela propaganda oficial também encontram limites, já que a popularidade de Lula ficou estável. Esse aspecto sugere que a percepção dos brasileiros em relação à economia é diferente do otimismo propagado pelo Palácio do Planalto.
Também há limites para a narrativa do antibolsonarismo. Mesmo que Jair Bolsonaro tenha se desgastado, a maioria dos entrevistados considera que a pena imposta ao ex-presidente é exagerada. Além disso, a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, bandeira defendida pelo bolsonarismo, divide a opinião pública – 41% são contrários, enquanto 36% são favoráveis.
Apesar da estabilidade na avaliação do governo, a pesquisa pode ser considerada adversa para Lula. Além do saldo de popularidade permanecer negativo, a campanha publicitária do governo intitulada “Brasil Soberano” trouxe tímidos resultados. Mesmo com o desgaste do bolsonarismo, há um ambiente contrário ao governo na opinião pública.
Mesmo que os entrevistados percebam uma melhora na economia e aprovem os programas sociais do governo, a maioria entende que o Brasil está na “direção errada”; que Lula perdeu a conexão com o povo; e que o presidente não cumpre as promessas de campanha.