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Análise: O recuo estratégico de Tarcísio

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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Após movimentar-se no cenário nacional em favor da anistia, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), realizou um recuo estratégico. O primeiro sinal nesse sentido foi o anúncio da desistência de ir a Brasília para participar das articulações da votação da urgência do projeto.

A decisão do governador foi tomada após receber críticas por conta de sua inflexão em direção ao bolsonarismo raiz no 7 de Setembro. Embora aquele gesto de Tarcísio tenha reforçado sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a pesquisa divulgada pelo instituto AtlasIntel na semana passada trouxe números que merecem atenção por parte do governador.

Segundo o AtlasIntel, a rejeição a Tarcísio cresceu 4 pontos, de 46% para 50%, nos últimos 30 dias. Além disso, as críticas feitas por ele ao Supremo Tribunal Federal (STF) foram desaprovadas por 49,1%, embora aprovadas por 43,5%. Ao serem questionados se a postura mais à direita de Tarcísio for mantida nas eleições de 2026, 54,5% dos entrevistados disseram que não votariam nele, enquanto 31,8% afirmaram que votariam.

Outro fato que motivou Tarcísio a concentrar sua agenda em São Paulo foi o assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes – um dos pioneiros no Brasil no combate ao crime organizado – na Praia Grande (SP), em uma emboscada.

O crime, atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC), pressiona o Palácio dos Bandeirantes a dar uma resposta forte em uma área que é a principal demanda dos eleitores: a segurança. Segundo o instituto Quaest, 28% dos entrevistados consideram a violência o maior problema do país.

Outro aspecto a ser observado é que, com o recuo estratégico, Tarcísio também busca se preservar de ataques por parte do Palácio do Planalto. Pelos sinais emitidos por Tarcísio, sua prioridade será a gestão como governador. Aliás, ao ser novamente questionado sobre as eleições de 2026, ele declarou com clareza que não será candidato a presidente e que disputará a reeleição como governador.

Mesmo que diga que será candidato à reeleição, Tarcísio permanece no jogo nacional. Isso porque as pesquisas de intenção de voto o têm colocado com o melhor desempenho entre as alternativas de direita em um eventual confronto com o presidente Lula (PT), com uma desvantagem que varia de apenas 5 a 8 pontos percentuais.

Para viabilizar uma eventual candidatura à Presidência, Tarcísio precisa: manter sua popularidade elevada em São Paulo; ser o escolhido por Jair Bolsonaro; construir em São Paulo um candidato a governador que consiga manter sua base unida, não apenas para a disputa estadual, mas também no pleito nacional.

Apesar desses desafios, Tarcísio segue como o nome mais competitivo da direita no plano nacional para 2026.

Confiança do empresário industrial recua em 12 setores em setembro

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Foto: Miguel Ângelo/CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quinta-feira (25). que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) Setorial caiu em 12 dos 29 setores industriais em setembro. Consequentemente, o número de segmentos pessimistas aumentou, passando de 25 em agosto para 27 em setembro. Entretanto, apenas as empresas farmoquímicas, farmacêuticas e as fabricantes de produtos diversos continuam otimistas.

A CNI atribui a perda de ritmo da indústria principalmente às taxas de juros elevadas. Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, explica:

“Os juros altos reduziram a demanda por produtos cujas compras costumam ser parceladas pelos consumidores. Como a indústria é bastante encadeada e uma empresa depende da outra, esse efeito se espalhou entre os setores.”

Centro-oeste demonstra confiança

O Centro-Oeste registrou o maior aumento do ICEI em setembro, subindo 3,1 pontos, de 47,7 para 50,8 pontos. Com essa alta, a região saiu do estado de falta de confiança para um estado de confiança. No Nordeste, o índice também cresceu, aumentando 0,7 ponto e atingindo 51,5 pontos.

Além disso, o ICEI subiu 0,8 ponto no Sudeste e 0,2 ponto no Sul em setembro. Contudo, apesar dessas altas, os empresários dessas regiões ainda demonstram pessimismo, já que o índice permanece abaixo da linha divisória.

• Sul – 43,5 pontos
• Sudeste – 45,3 pontos

Empresas

Confira abaixo como o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) se comportou entre as pequenas, médias e grandes indústrias:

  • Médias indústrias: subiu 0,9 ponto, passando de 46 para 46,9 pontos, indicando uma leve melhora na confiança.
  • Grandes indústrias: aumentou 0,6 ponto, de 46,6 para 47,2 pontos, sinalizando uma leve recuperação.
  • Pequenas indústrias: recuou 0,6 ponto, caindo de 46,3 para 45,7 pontos, mostrando queda na confiança.

Apesar dessas mudanças, o índice permanece abaixo dos 50 pontos em todos os portes analisados, indicando que a falta de confiança continua entre os empresários do setor.

Mais de 60 países solicitam apoio para replicar programa Gás do Povo

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gás de cozinha, botijão, Gás do Povo
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), anunciou nesta quarta-feira (24), durante a abertura da Liquid Gas Week 2025, no Rio de Janeiro, que mais de 60 países em desenvolvimento já solicitaram apoio da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para criar programas inspirados no Gás do Povo.

Segundo o ministro, o programa representa um “exemplo para o mundo” e tem potencial para impulsionar a inclusão social e energética em escala global.

Lançado neste mês, o Gás do Povo é uma iniciativa do governo federal que planeja oferecer gás de cozinha gratuitamente a 17 milhões de famílias em situação de vulnerabilidade até 2026.

Empresa de Pesquisa Energética

Silveira destacou que o Brasil está compartilhando a expertise da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para levar o modelo do Gás do Povo a países em desenvolvimento, especialmente nas nações africanas. Além disso, segundo ele, a iniciativa contribui diretamente para o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 7 da ONU, que trata do acesso universal à energia limpa e acessível.

“Que a gente possa ajudar a cumprir o compromisso do ODS 7 da ONU, o que vai ao encontro do que o presidente Lula disse ao mundo, que é só dialogando que vamos poder resolver problemas que são transversais a todos”, afirmou o ministro.

Programa Gás do Povo

O programa Gás do Povo vai beneficiar diretamente 15,5 milhões de famílias que recebem até meio salário mínimo por mês. O benefício atual, de R$ 108, não cobre o preço do botijão em várias regiões, já que em alguns locais ele chega a custar R$ 160.

Para resolver o problema, o governo vai garantir o botijão de 13 kg. As famílias inscritas no CadÚnico apresentarão um vale na distribuidora de gás e, em seguida, retirarão o produto já pago pelo governo.

Além disso, o programa oferecerá diferentes modalidades de retirada para facilitar o acesso ao benefício. As famílias poderão utilizar um aplicativo gerido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, um cartão próprio do programa, um vale impresso disponível em lotéricas e agências da Caixa, ou ainda o cartão do Bolsa Família.

Governo instala Conselho Federal para gestão do Novo Acordo da Bacia do Rio Doce

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Brasília (DF), 26/09/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia de posse do Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Norte Capixaba (CFPS Rio Doce), e anúncios relacionados à área da saúde no âmbito do Novo Acordo do Rio Doce.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo oficializou, nesta sexta-feira (26), a execução do Novo Acordo da Bacia do Rio Doce, com a instalação e posse do Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Norte Capixaba (CFPS Rio Doce). O evento ocorreu no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Lula (PT).

Como parte do processo de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de minérios em Mariana (MG), ocorrido há quase 10 anos, o novo acordo adota um modelo de governança mais participativo.

Nesse sentido, institui um colegiado responsável por administrar os recursos destinados à recuperação da região. Além disso, busca ampliar a transparência e garantir a participação social nas decisões.

Monitoramento

O Conselho será o responsável por monitorar a aplicação dos recursos nas áreas definidas pelo Acordo. Composto por 36 membros, o colegiado assegura paridade entre representantes do governo e da sociedade civil, o que fortalece a participação democrática no processo de reconstrução.

Além disso, os recursos poderão ser destinados a oito eixos prioritários:

  • economia popular e solidária;
  • segurança alimentar e nutricional;
  • educação popular;
  • tecnologias sociais e ambientais;
  • promoção do esporte e do lazer;
  • culturas e mídias locais;
  • e defesa da terra e do território.

Durante entrevista ao programa A Voz do Brasil, nesta quinta-feira (25), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo (PT), detalhou o funcionamento do Conselho:

“Esses eixos serão discutidos e aprovados neste conselho e a operacionalização dos recursos será realizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).”

Com isso, o governo busca garantir que os recursos cheguem de forma mais eficaz às comunidades atingidas e que a reparação ocorra com ampla participação social.

Barragem de Mariana

A Samarco operava a barragem que se rompeu em 5 de novembro de 2015, dentro de um complexo minerário. Naquele dia, aproximadamente 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos escoaram pela Bacia do Rio Doce. Como resultado, dezenove pessoas perderam a vida, e as populações de dezenas de municípios sofreram impactos diretos, até a foz do rio, no Espírito Santo.

Logo após a tragédia, o processo de reparação passou a ser conduzido com base em um acordo firmado em março de 2016. O documento reuniu a Samarco, suas acionistas Vale e BHP Billiton, a União e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Esse acordo, conhecido como Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC), definiu uma série de ações reparatórias. Por meio dele, os responsáveis comprometeram-se a executar medidas em diversas frentes. Entre elas, destacam-se:

  • o pagamento de indenizações individuais;
  • a reconstrução de comunidades destruídas;
  • a recuperação ambiental;
  • o apoio aos produtores rurais afetados.

Além disso, as mineradoras assumiram o compromisso de pagar, conforme um cronograma que se estende por 20 anos, um total de R$ 100 bilhões. Esses recursos serão aplicados em diversas ações, geridas de forma descentralizada, com cada signatário assumindo uma parcela das responsabilidades.

Celso Sabino fica no Ministério do Turismo pelo menos até próxima quinta-feira (2)

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Brasília (DF) 19/08/2025 - O ministro do Turismo, Celso Sabino, participa do programa Bom Dia, Ministro
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro do Turismo, Celso Sabino (União-PA), entregou sua carta de demissão ao presidente Lula (PT) nesta sexta-feira (26). Ele anunciou a decisão em fala à imprensa no Palácio do Planalto e afirmou que deve continuar no cargo pelo menos até a próxima quinta-feira (2), quando participará com o presidente Lula de uma visita às obras da COP 30 em Belém (PA).

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Base governista

A saída de Sabino ocorre após o União Brasil, juntamente ao Progressistas, ter decidido deixar a base governista. Na quinta-feira da semana passada (18), o partido deu um ultimato para que Sabino deixasse o cargo em 24 horas, sob risco de sofrer punições. O partido justificou a posição com o fato da Polícia Federal ter aberto investigação contra o presidente do União, Antônio Rueda, na operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do crime organizado nos setores financeiro e de combustíveis.

Além de Sabino, o União foi responsável pela indicação dos ministros Frederico Siqueira (Comunicações) e Waldez Góes (Integração Nacional). Apesar de apadrinhados por Davi Alcolumbre (União-AP), eles não foram cobrados para que deixem os cargos, já que não são filiados ao União.

Em agosto, “Tesouro Selic” representou 53,1% dos aportes no Tesouro Direto

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Fachada do Ministério da Fazenda, atualmente liderado pelo ministro Fernando Haddad. Propag é regulamentado
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Os investimentos no Tesouro Direto atrelados à Selic, em agosto, representaram 53,1% de todas as vendas do programa no período. O movimento reflete uma estratégia dos investidores devido ao atual patamar da taxa básica de juros. Durante o período, essa categoria somou R$ 3,4 bilhões em investimentos.

No último mês, o Tesouro Direto registrou um volume total de investimentos de R$ 6,39 bilhões, distribuídos em 861.853 operações. Desse montante, a emissão líquida — diferença entre aplicações e resgates — foi de R$ 2,93 bilhões.

Os títulos indexados à inflação (Tesouro IPCA+, RendA+ e Educa+) também tiveram uma participação relevante, com vendas de R$ 2,3 bilhões (36,3% do total). Já os títulos prefixados corresponderam a 10,6% das vendas, somando R$ 0,7 bilhão.

Vale ressaltar que a preferência pelo Tesouro Selic também se estendeu aos resgates. Dos R$ 3,45 bilhões resgatados no mês, 66,8% (R$ 2,2 bilhões) foram de títulos indexados à Selic, o que demonstra a alta liquidez e o uso desse papel como reserva de emergência.

Crescimento do estoque do Tesouro Direto

Ainda segundo dados do Tesouro Nacional, 56,8% das operações de investimento foram de até R$ 1 mil, demonstrando o acesso de pequenos investidores ao mercado de títulos públicos. Entretanto, o valor médio por operação no mês foi de R$ 7.409,19.

O estoque total do Tesouro Direto também apresentou alta, alcançando R$ 190,2 bilhões em agosto. Isso rpresenta um aumento de 2,4% em relação a julho e um salto de 34,4% em comparação com agosto do ano anterior. Apesar da alta demanda mensal pelo Tesouro Selic, os títulos atrelados à inflação ainda são os mais representativos no estoque acumulado, com R$ 96,9 bilhões (51,0%), seguidos pelos títulos Selic, com R$ 69,4 bilhões (36,5%).

O número de investidores ativos no programa também cresceu, atingindo a marca de 3.149.407 pessoas, um acréscimo de mais de 50 mil novos investidores apenas em agosto. Em 12 meses, o aumento foi de 18,2%.

Haddad anuncia criação de delegacia para combate crimes financeiros

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), anunciou a criação de uma delegacia especializada no combate a crimes contra o sistema financeiro. A declaração ocorreu no mesmo dia da Operação Spare, um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga uma organização criminosa envolvida com lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis, fintechs e jogos de azar.

Durante o anúncio, Haddad explicou que a nova delegacia terá como foco enfrentar de forma estruturada o crime organizado e, sobretudo, a conexão entre essas atividades ilícitas e a economia real.

Proposta formal

Além disso, o ministro adiantou que, nas próximas semanas, enviará ao Ministério da Gestão e Inovação (MGI) a proposta formal para a criação da unidade. A delegacia funcionará dentro da estrutura da Receita Federal, reforçando a atuação do órgão no combate a práticas financeiras ilícitas.

De acordo com Haddad, a operação desta quinta-feira (25) foi a quarta ação coordenada nesse contexto, resultado das suspeitas sobre movimentações financeiras atípicas das empresas investigadas. As análises revelaram que essas empresas movimentaram aproximadamente R$ 4,5 bilhões, mas pagaram tributos sobre apenas 0,1% desse total.

“Isso chamou a atenção da Receita”, concluiu o ministro.

Operação Spare

A Operação Spare cumpriu 25 mandados de busca e apreensão, resultado da atuação conjunta entre a Receita Federal, o Ministério Público e as forças de segurança. De acordo com o comandante do Policiamento de Choque, coronel Valmor Racorti, as equipes apreenderam quase R$ 1 milhão em espécie, além de 20 celulares, computadores e uma arma de fogo.

Segundo o promotor de Justiça do Gaeco, Silvio Loubeh, as investigações tiveram início a partir de suspeitas relacionadas a casas de jogos na Baixada Santista, especialmente envolvendo máquinas de crédito e débito utilizadas para movimentações financeiras ilícitas.

Além disso, as autoridades ressaltaram a mudança de perfil das facções criminosas. O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, destacou que essas organizações estão diversificando suas fontes de renda e ampliando sua presença em setores legais da economia e da política.

“As facções criminosas passaram muito tempo priorizando o tráfico de entorpecentes, mas novas estruturas têm possibilitado que elas atuem em outras frentes, inclusive na economia formal e no ambiente político”, afirmou o procurador-geral.

A Operação Spare mobilizou uma força-tarefa composta por 110 policiais militares do Comando de Choque de São Paulo e por unidades especializadas, que atuaram diretamente no cumprimento das ordens judiciais. Além disso, a ação contou com o apoio de agentes da Receita Federal, bem como de integrantes da Procuradoria-Geral do Estado e da Secretaria da Fazenda, o que reforçou a integração entre os órgãos de segurança, fiscalização e controle.

Análise: Encontro entre Lula e Trump tem alguns resultados possíveis

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Donald Trump, ONU, Estados Unidos, EUA
Foto: Reprodução

Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente Donald Trump chamou Lula (PT) de “boa pessoa” e disse estar disposto a conversar. Foi curto, quase banal, mas não por acaso. Cada palavra de Trump é sinal estratégico. Desta vez, abriu uma nova avenida especulativa entre Washington e Brasília. Entretanto, apesar da sinalização de um desfecho positivo, algumas variáveis devem influenciar o resultado desta conversa.

O presidente da Arko Internacional, Thiago de Aragão, analisou quais possíveis caminhos para negociações e até o que pode fazer todo o acordo desandar.

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Congelamento temporário das tarifas

O desfecho mais previsível no curto prazo seria um congelamento de 30 a 90 dias em algumas das tarifas já anunciadas. Trump poderia vender isso como gesto de boa vontade, enquanto Lula apresentaria como uma vitória para dar fôlego aos exportadores. Uma redução estrutural das tarifas continua improvável, mas uma pausa tática ajudaria a baixar a temperatura.

Gestos simbólicos

Washington poderia restaurar um número limitado de vistos que haviam sido cancelados. É um movimento de baixo custo político para Trump, mas de forte peso simbólico no Brasil. Para Lula, seria uma vitória rápida sem necessidade de grandes concessões.

Mecanismo de pré-conversa

Ambos os lados poderiam criar uma “conversa sobre conversas”: um canal formal sem compromissos imediatos, mas desenhado para preparar terreno para negociações futuras. Isso reduz o risco político e ao mesmo tempo sinaliza que há progresso.

Venezuela como moeda de troca

Trump deseja que o Brasil tenha papel ativo no cerco a Caracas. Lula só consideraria isso se viesse atrelado a flexibilizações comerciais ou algum alívio tarifário para setores exportadores estratégicos. Essa tensão pode virar o eixo central da negociação: pedidos geopolíticos dos EUA em troca de concessões econômicas para o Brasil.

Risco de um colapso nas conversas

A conversa pode simplesmente descarrilar. Se Trump exigir demais sem oferecer alívio tangível, Lula pode se afastar e usar o desgaste para fortalecer seu discurso contra pressões externas. O resultado seria paralisia, tarifas plenamente mantidas ou até ampliadas. Em vez de abertura, a tentativa de diálogo poderia cristalizar desconfiança e travar ainda mais a relação bilateral.

Não se deve esperar uma guinada histórica nem um acordo amplo. O que pode vir são congelamentos temporários, pequenos gestos como vistos e a criação de novos canais de diálogo. O tema da Venezuela pode virar o fiel da balança, capaz de destravar concessões ou implodir o processo. Se funcionar, Lula ganha margem de manobra. Se não, o encontro corre o risco de se tornar apenas mais uma cena no palco da ONU.

Gol e Azul anunciam fim das negociações para fusão e encerram acordo de codeshare

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Movimentação de aviões comerciais no aeroporto de Brasília. avião, aviação
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Grupo Abra, controlador da Gol, notificou a Azul nesta quinta-feira (25) sobre o encerramento das negociações para uma possível fusão entre as duas companhias aéreas. O comunicado inclui o fim do acordo de codeshare celebrado em maio de 2024, que integrava suas malhas aéreas no Brasil.

Segundo a Gol, apesar da disposição inicial para avançar nas conversas após o Memorando de Entendimentos assinado em janeiro de 2025, as partes não mantiveram discussões significativas. O cenário mudou desde então, especialmente pela recuperação judicial da Azul nos Estados Unidos, processo que motivou a decisão de encerrar as tratativas oficiais.

“Como resultado, por boa ordem e conforme o acordo de confidencialidade, através da presente, a Abra apresenta notificação por escrito à Azul de que a está encerrando as discussões com relação a uma possível transação”, informa a nota.

Continuidade do mercado aéreo

O Grupo Abra afirmou acreditar no mérito de uma futura combinação de negócios entre Gol e Azul, e sinalizou abertura para retomar diálogos com os stakeholders do setor.

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) destacou que o setor aéreo brasileiro continua crescendo, com aumento da demanda por voos nacionais e internacionais.

“A Gol concluiu recentemente seu processo de reestruturação internacional (Chapter 11) e segue em expansão. A Azul também está em fase de reorganização. O MPor acompanha a decisão e reforça que o país continuará contando com três grandes companhias aéreas (Gol, Azul e Latam), o que garante competitividade e mais opções para os passageiros”, declarou a pasta.

No que diz respeito ao codeshare, a Gol informou que honrará todos os bilhetes já emitidos sob o acordo anterior. A companhia também reafirmou seu foco na excelência do atendimento, operando 147 rotas domésticas e 42 internacionais.

Banco Central revisa projeção de crescimento do PIB para 2% em 2025 e prevê 1,5% em 2026

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira (25) novas projeções para o crescimento econômico. Segundo a instituição, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 1,5% em 2026. Além disso, o BC revisou para baixo a estimativa de crescimento para 2025, reduzindo-a de 2,1% para 2%.

Essas informações constam no Relatório de Política Monetária referente ao terceiro trimestre de 2025. No documento, o Comitê de Política Monetária (Copom) explica as diretrizes de suas decisões recentes e analisa tanto a evolução da economia quanto as perspectivas futuras, com destaque para as projeções de inflação.

Expectativa

O BC mantém a expectativa de que a atividade econômica continue moderada ao longo do segundo semestre de 2025. Além disso, a instituição prevê que essa tendência se estenda até 2026.

Com base nesse cenário, o BC revisou para baixo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2025. A estimativa, que era de 2,1% no relatório de junho, caiu para 2%. Essa revisão leva em conta tanto os efeitos ainda incertos do aumento das tarifas de importação pelos Estados Unidos quanto as perspectivas mais positivas para os setores agropecuário e extrativo.

Para 2026, o Banco Central projeta um desempenho econômico ainda mais moderado. A instituição destaca quatro fatores principais para essa desaceleração:

  • a manutenção da política monetária em campo restritivo
  • o baixo nível de ociosidade dos fatores de produção
  • a desaceleração da economia global
  • ausência do impulso agropecuário observado em 2025.

Diante disso, o BC estima que o PIB cresça apenas 1,5% em 2026, resultado inferior ao esperado para este ano.

Meta de inflação

A instituição projeta que a inflação só deve se aproximar do centro da meta no primeiro trimestre de 2027, ao alcançar 3,4%. Atualmente, a meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, entre 1,5% e 4,5%.

Enquanto isso, o BC reforça que a inflação permanece acima da meta. De acordo com a pesquisa Focus, esse desvio deve persistir tanto em 2025 quanto em 2026, com projeções de 4,8% e 4,3%, respectivamente.