A pesquisa Pulso Brasil/Ipespe realizada hoje (25) aponta que pela primeira vez neste ano a aprovação do presidente Lula (PT) está numericamente à frente da desaprovação (ver tabela abaixo).
Apesar da aprovação e desaprovação estarem em situação de empate técnico em função da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, desde julho está ocorrendo uma recuperação na aprovação do presidente. Vale registrar também que, de acordo com o Ipespe, Lula voltou a registrar um saldo positivo de popularidade.
Avaliação do Governo Lula
| Avaliação | Março (%) | Maio (%) | Julho (%) | Setembro (%) |
|---|---|---|---|---|
| Aprova | 41 | 40 | 43 | 50 |
| Desaprova | 54 | 54 | 51 | 48 |
| Não sabe | 5 | 6 | 5 | 2 |
| Saldo de Popularidade | -13 | -14 | -18 | +2 |
Fonte: Pulso Brasil/Ipespe (19 a 22/09)
A melhora na aprovação de Lula coincide com o tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra o Brasil, em julho. A partir desse evento, o governo conseguiu emplacar a narrativa da defesa da soberania. Como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teve uma ativa participação em favor do tarifaço, o bolsonarismo aumentou seu desgaste político na opinião pública.
Paralelamente ao tarifaço, também beneficiou Lula e fragilizou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sua condenação no julgamento da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). Com a condenação de Bolsonaro, a narrativa em defesa da democracia foi reativada pelo Palácio do Planalto.
Além desses eventos, também ajudam Lula os números positivos no emprego e a queda na inflação de alimentos, mesmo que a percepção majoritária em relação a economia continue desfavorável.
Outro aspecto a ser observado é a rejeição na opinião pública da PEC das Prerrogativas, que provocou mobilizações expressivas no último final de semana. O debate da anistia, embora divida a população, também é um foco de desgaste para o bolsonarismo. A pesquisa ainda não captou a repercussão positiva do discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU e os acenos feitos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Lula.
A pesquisa destaca que a aprovação de Lula é maior entre os eleitores de esquerda (95%) do que de centro (49%) e direita (10%). A desaprovação, por outro lado, é preponderante entre os eleitores de direita (88%). 45% dos eleitores de centro desaprovam Lula. Na esquerda, a desaprovação do presidente é de apenas 4%.
A popularidade de Lula é sustentada majoritariamente pelos mais pobres. Nesse público, que representa 40% da população, 52% aprovam o presidente e 45% desaprovam. Na classe média, que representa 55% dos brasileiros, a aprovação também supera a aprovação (51% a 46%). Entre os ricos, que representam somente 2% dos brasileiros, 84% desaprovam Lula e 16% aprovam.
O Pulso Brasil/Ipespe também apontou que 70% dos entrevistados desaprovam a atuação da Câmara dos Deputados. Em julho, o índice era de 63%. Apenas 18% aprovam – em julho, eram 24%.
Em relação ao Senado, os números são similares. 59% desaprovam a atuação da Casa – em julho, eram 61%. 26% aprovam, um ponto a mais que o verificado em julho.
Quanto ao STF, há uma divisão do país. 46% dos entrevistados aprovam a atuação do STF. 44% desaprovam. Em relação a julho, a aprovação cresceu três pontos enquanto a desaprovação caiu cinco pontos.
O desgaste do Congresso Nacional, que não representa uma novidade, parece ter sido impactado pela discussão da PEC das Prerrogativas e do PL da Anistia, ampliando a avaliação negativa do Poder Legislativo. O STF, por sua vez, melhorou sua avaliação positiva com o julgamento da trama golpista. No entanto, uma parcela importante dos brasileiros continua desaprovando a Suprema Corte.










