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Análise: Perspectivas para a Reforma Administrativa

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Fachada do Palácio do Congresso Nacional. O Palácio do Congresso Nacional é um dos pilares da arquitetura monumental de Niemeyer que dão forma à capital inaugurada em 1960. Construído em terreno elevado, é visto de longe como culminância da avenida Eixo Monumental, que abriga a Esplanada dos Ministérios e atravessa a cidade de norte a sul. Sede das duas Casas do Poder Legislativo e um dos mais famosos cartões postais do Brasil, o Palácio do Congresso Nacional é composto por duas cúpulas e duas torres de 28 andares, que abrigam a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Na última semana, o Grupo de Trabalho da Reforma Administrativa apresentou um pacote de medidas, com uma PEC, um PLP e um PL, que regulamenta o tema. Um dos principais pontos da proposta é implementar uma tabela remuneratória única para todos os agentes públicos. Essa não é, porém, a primeira tentativa de impedir supersalários no Congresso.

O tema é recorrente e acumula propostas sem acordo. O mais avançado dos textos (PL nº 2.721/21) foi protocolado há dez anos e aguarda deliberação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado desde 2023, sem perspectivas de avanço. Há também o projeto enviado pelo governo em julho, que ainda aguarda despacho. Entre tantas propostas, todas estão paradas.

Desde o início do mandato, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou que a Reforma Administrativa não só terá andamento em sua gestão como é prioridade. Esse apoio é importante, mas a tendência é que a tramitação não seja concluída este ano, devido ao longo processo. A PEC, por exemplo, precisa ser aprovada na CCJ para só depois seguir para Comissão Especial, onde tem prazo de 40 sessões para votar. Por fim, o texto deve ser aprovado em dois turnos no plenário das duas Casas para ser promulgado.

Também é baixa a possibilidade de a nova PEC ser apensada à PEC nº 32/20, que trata da Reforma Administrativa e se encontra em estágio avançado, dependendo apenas da apreciação dos plenários. O texto, enviado pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está parado desde 2021 e os deputados não pretendem retomá-lo. Assim, a tendência é que a nova PEC siga pela tramitação natural e mais longa. As demais matérias, PLP e PL, dependem da aprovação em comissões antes de irem a plenário, o que demandaria mais tempo.

Principais pontos das propostas

  • Unidades da Federação deverão implementar tabela remuneratória única para todos os agentes, variando entre salário mínimo e teto do funcionalismo. Para agentes com remuneração alta, auxílios não poderão ultrapassar 10% da remuneração total;
  • O texto veda férias acima de 30 dias e o pagamento de adicionais por tempo de serviço, licença-prêmio e licença-assiduidade. A licença para capacitação segue mantida;
  • As férias, as folgas e as licenças, quando não usadas, não poderão ser convertidas em benefícios financeiros. Da mesma forma, efeitos retroativos também serão impedidos;
  • Será possível instituir bônus de desempenho, exceto para servidores em mandato eletivo;
  • Magistrados e membros do Ministério Público infratores não serão sancionados com aposentadoria compulsória, podendo perder o cargo ou serem demitidos;
  • A partir de 2027, as despesas dos entes com servidores não poderão ultrapassar o gasto do ano anterior, atualizado pelo IPCA, se a receita não atingir o desempenho mínimo.

Primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu renuncia ao cargo

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Sebastien Lecornu, Emmanuel Macron, França
Foto: Reprodução

Sébastien Lecornu, o quinto primeiro-ministro do presidente da França Emmanuel Macron em dois anos, renunciou nesta segunda-feira (6), apenas 27 dias após assumir o cargo. A rápida saída ocorreu 14 horas depois do anúncio da nova composição ministerial sob sua liderança, diante de ameaças de derrubada do governo por parte de aliados e opositores.

Lecornu atribuiu sua renúncia à intransigência dos partidos políticos e aos “egos” que impediram acordos, afirmando: “Você deve sempre preferir seu país ao seu partido.”

“Não se pode ser primeiro-ministro quando as condições não são atendidas”, disse Lecornu, em declaração logo após sua renúncia.

Reações políticas

A crise política se aprofunda no segundo maior país da zona do euro, que enfrenta também um grave cenário econômico e alta dívida pública. A líder da extrema-direita Marine Le Pen pediu a dissolução do Parlamento e eleições legislativas antecipadas, o que poderia deixar o governo submisso ao partido dela, de acordo com pesquisas.

“Eu conclamo o presidente da República a dissolver a Assembleia Nacional (…) Chegamos ao fim da piada, a farsa já durou tempo demais”, afirmou.

Já o líder da extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon afirmou que pretende solicitar o impeachment do presidente Macron.

“Após a renúncia de Sébastien Lecornu, pedimos a consideração imediata da moção apresentada por 104 deputados para o impeachment de Emmanuel Macron”, escreveu, assim como outros líderes, nas redes sociais.

Macron terá de escolher entre nomear um novo primeiro-ministro, dissolver o Parlamento e convocar novas eleições legislativas ou, em uma hipótese rejeitada pelo próprio, renunciar ao cargo de presidente.

Agricultura familiar poderá faturar R$ 3,3 milhões com COP30

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Pará, Belém
Foto: TV Brasil

Os institutos Regenera e Fronteiras do Desenvolvimento mapearam fornecedores da região com o objetivo de comprovar a capacidade local de atender às demandas do edital publicado em agosto pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). Esse edital visa selecionar os operadores de alimentação para a conferência.

Como resultado, no estado do Pará, ao menos 80 grupos organizados, incluindo associações, cooperativas e redes produtivas, estão preparados para fornecer alimentos à 30ª edição da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-30), que ocorrerá em novembro, em Belém. Além disso, cerca de 8 mil famílias da agricultura familiar já se encontram aptas a participar do fornecimento.

Pela primeira vez, um edital determina que uma conferência do clima deverá incluir pelo menos 30% de ingredientes provenientes de três fontes principais:

  • agricultura familiar,
  • agroecologia e
  • produção de povos e comunidades tradicionais

O levantamento realizado pelos institutos aponta que a compra de insumos para a COP-30 poderá injetar R$ 3,3 milhões na economia local. Para efeito de comparação, esse valor representa quase 80% do orçamento anual do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) destinado ao município de Belém.

Produtores para a COP-30

Segundo o cofundador do Instituto Regenera, Maurício Alcântara, uma dúvida recorrente surge sempre que se discute o aumento da oferta de alimentos agroecológicos ou oriundos da agricultura familiar:

“Mas onde estão esses produtores? Existe produção suficiente?”

Para responder a essas questões, o mapeamento realizado comprova que sim, há produtores suficientes para atender à demanda da COP-30.

Alcântara explica que, para um produtor ser considerado apto no levantamento, foi necessário atender a critérios como:

  • possuir o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) regularizado,
  • estar habilitado para emitir notas fiscais,
  • e seguir os regulamentos sanitários específicos para cada tipo de alimento fornecido.

Além disso, ele destaca que o número real de produtores é ainda maior do que o identificado nesta primeira etapa.

“Existe muito mais produção além dessas 8 mil famílias. Este foi apenas o primeiro mapeamento, com o objetivo de mostrar que há uma produção significativa e diversa no estado do Pará.”

Alcântara também enfatiza a variedade da oferta:

“Há uma diversidade muito grande de produtos e de origens, vindos de diferentes regiões do estado, que podem abastecer o evento.”

Agricultura familiar em números

A agricultura familiar representa a base da produção agrícola no Brasil. Atualmente, o país conta com 3,9 milhões de propriedades familiares, o que corresponde a 77% de todos os estabelecimentos agrícolas. No entanto, essas propriedades ocupam 23% da área total, o equivalente a 80,8 milhões de hectares.

Apesar da menor extensão territorial, a agricultura familiar responde por 23% do valor bruto da produção agropecuária nacional e por 67% dos postos de trabalho no campo. Ao todo, são 10,1 milhões de pessoas ocupadas na atividade.

Do total de trabalhadores, a maioria, 46,6%, está concentrada na região Nordeste. Em seguida, vêm:

  • Sudeste (16,5%)
  • Sul (16%)
  • Norte (15,4%)
  • Centro-Oeste (5,5%).

Os dados são do Anuário Estatístico da Agricultura Familiar.

Mercado reduz previsão de inflação para 2025 pela segunda semana seguida

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banco central, bcb, bacen, bc
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central (BC), aponta que o mercado financeiro reduziu sua projeção para o IPCA de 2025 pela segunda semana consecutiva. A expectativa para o índice agora está em 4,80%.

Para o câmbio, a projeção para o dólar também foi reduzida, chegando a R$ 5,45. Para o PIB de 2025, o número se manteve em 2,16%, indicando uma manutenção de cenário de crescimento econômico moderado.

Próximos anos

Para os anos seguintes, as expectativas de inflação apresentaram estabilidade:

  • IPCA de 2026: 4,28% (estável)

  • IPCA de 2027: 3,90% (estável há 3 semanas)

  • IPCA de 2028: 3,70% (estável há 4 semanas)

No caso do IGP-M, principal referência para reajustes de contratos de aluguel:

  • 2025: 0,96% (era 1,02%)

  • 2026: 4,20% (estável)

  • 2027: 4,00% (estável há 38 semanas)

  • 2028: 3,98% (era 4,00%)

PIB e dólar

As expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tiveram reduções para 2026, mas leve alta em 2027:

  • 2025: 2,16% (estável há 4 semanas)

  • 2026: 1,80% (estável há 3 semanas)

  • 2027: 1,90% (estável há 3 semanas)

  • 2028: 2,00% (estável há 82 semanas)

Já com o dólar, leves alterações:

  • 2025: R$ 5,45 (era R$ 5,48)

  • 2026: R$ 5,53 (era R$ 5,58)

  • 2027: R$ 5,56 (estável)

  • 2028: R$ 5,56 (estável)

Taxa Selic

A projeção para a taxa básica de juros permanece inalterada, refletindo consenso sobre estabilidade no cenário de política monetária:

  • 2025: 15% (mesmo valor há 15 semanas)

  • 2026: 12,25% (mesmo valor há 2 semanas)

  • 2027: 10,50% (mesmo valor há 34 semanas)

  • 2028: 10,00% (mesmo valor há 41 semanas)

Termômetro das expectativas

Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central, e reúne projeções de economistas, analistas e operadores do mercado financeiro. Ele serve como um termômetro das expectativas econômicas, e influencia decisões de empresas, investidores e do próprio governo.

Como será a semana – 06/10 a 10/10

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Como será a semana, agenda

O Congresso tenta concluir a votação da MP 1303, que aumenta a tributação de bets e de
títulos isentos. O projeto do imposto de renda deve chegar ao Senado. A Câmara recebe o
projeto que trata do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), aprovado pelo
Senado.

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AGENDA POLÍTICA DA SEMANA

Próxima semana

  • O projeto de lei que trata da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais passa a tramitar no Senado.

  • O projeto de lei complementar que regulamenta o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (Reforma Tributária) deve chegar na Câmara dos Deputados.

Segunda-feira (06/10)

  • A CPMI do INSS ouve depoimento do empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, ex-sócio do advogado Nelson Wilians, a partir das 16h.

  • O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulga o resultado da balança comercial em setembro.

Terça-feira (07/10)

  • A Comissão Mista que discute a MP 1303/25, que trata da tributação de bets e títulos isentos, se reúne, a partir das 9h, para discutir a matéria. Se aprovada, segue para o plenário da Câmara.

  • A Comissão Mista que discute a MP 1309/25, que institui o Plano Brasil Soberano, de apoio às empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA, realiza audiência pública, às 14h30, com representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e outras entidades.

  • A Comissão Mista de Orçamento (CMO) vota o parecer do deputado Gervásio Maia (PSB-PB), às 10h, ao Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).

  • A Comissão de Viação e Transporte da Câmara realiza audiência pública, às 10h, sobre o Sistema de transporte aéreo brasileiro, com Daniel Longo, Secretário Nacional de Aviação Civil do Ministério de Portos e Aeroportos, Carlos Henrique Menezes Sobral, Secretário Nacional de Infraestrutura Turística, Crédito e Investimentos no Turismo, e outros.

  • A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara realiza audiência pública, às 16h30, sobre Infiltração do crime organizado no sistema financeiro e de combustível, com Julio Cesar Candia Nishida, Superintendente de Fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP.

  • A Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado, às 9h30, com Jader Barbalho Filho, Ministro das Cidades, sobre as prioridades da pasta.

  • A Confederação Nacional da Indústria divulga indicadores industriais.

Quarta-feira (08/10)

  • Prazo final de validade da MP 1303/25, que trata da tributação de bets e títulos isentos.

  • A Comissão de Agricultura da Câmara realiza audiência pública, às 14h30, sobre Impactos da operação padrão da Receita Federal do Brasil, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o Secretário Especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas.

  • A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado promove audiência pública, às 10h30, para discutir projeto de resolução que estabelece um limite global para o montante da dívida consolidada da União (PRS 8/2025), com Bruno Moretti, Secretário Especial de Análise Governamental da Casa Civil da Presidência da República, representante do Ministério da Fazenda, Felipe Scudeler Salto, Economista-chefe e sócio da Warren Renascença, e Marcos Pestana, Diretor-executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente).

Quinta-feira (09/10)

  • Prazo final para o presidente Lula sancionar Medida Provisória 1300/25, que amplia o alcance da Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE).

  • O IBGE divulga o IPCA de setembro.

Sexta-feira (10/10)

  • O Supremo Tribunal Federal pode concluir julgamento de ação que discute a incidência do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) nas transações de imóveis para integralização de capital de empresas do setor imobiliário.

CAE marca para quarta-feira (8) audiência para discutir projeto que limita dívida consolidada da União

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Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Período do expediente. Em discurso, à tribuna, senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado marcou para a próxima quarta-feira (8) a audiência pública para debater o projeto que limita a dívida consolidada da União (PRS 8/25).

Segundo informações, estão previstas as participações de representante da Casa Civil, da Instituição Fiscal Independente (IFI), além de economistas.

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O senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), relator da matéria, apresentou, nesta semana seu parecer ao projeto. O substitutivo proposto pelo relator determina que a dívida consolidada da União não poderá exceder 6,5 vezes a Receita Corrente Líquida (RCL), e 80% do PIB, adicionando um novo parâmetro.

Segundo o parecer, o cálculo deve usar a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), excluindo deste total as obrigações de estados e municípios, e as operações compromissadas do BC. Ainda segundo o relator, atualmente, a dívida da União, calculada por essa metodologia, está em aproximadamente 64,05% do PIB e 5,10 vezes a RCL.

Análise: Perspectivas do PL da Dosimetria

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Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

Agora apelidado de “PL da Dosimetria”, o projeto que reduz as penas dos condenados por tentativa de golpe de Estado encontra um ambiente mais positivo na Câmara do que há algumas semanas. A ideia de redução de penas conta com a oposição tanto do PL quanto do PT, por motivos diferentes, claro. O PT é contra qualquer benefício aos condenados, enquanto o PL diz só aceitar uma “anistia ampla e irrestrita”, ou seja, que libere o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Já os partidos de centro devem votar massivamente a favor do texto, com a promessa de virar a página e abrir espaço para outras pautas no Legislativo e no Brasil.

O debate tem amadurecido. Nas conversas com as bancadas partidárias, o relator firmou o entendimento de que o texto deve alterar o Código Penal para reduzir as punições previstas em alguns dos crimes imputados pelo STF. Após a publicação da nova lei, o Supremo poderia ser provocado para revisar as penas retroativamente.

O relator, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), também disse haver a preocupação de evitar que a revisão beneficie criminosos presos em outras ocasiões – o que poderia acontecer, se houver mudança na tipificação do crime de “organização criminosa”. Além disso, o projeto tende a beneficiar, mas não livrar Jair Bolsonaro da prisão.

Essa opção “moderada” atraiu a atenção de nomes que buscam se atrelar a esse mesmo adjetivo. Depois de anos de polarização tucano-petista, Aécio Neves (PSDB-MG) surgiu em busca de recuperar a imagem de um PSDB de centro. O ex-presidente Michel Temer (MDB) também reapareceu na cena política, reforçando sua imagem de articulador anticíclico em momentos de crise. Não há dúvida de que essas novas forças podem ajudar o texto a andar.

Contudo, alguns desafios ainda se impõem. Hoje, a principal dúvida diz respeito a como o Senado vai lidar com o tema. O relator tem dito que a falta de perspectiva para a votação no Senado pode impedir a votação na Câmara. A relação entre as duas Casas ficou estremecida depois que deputados aprovaram a chamada PEC das Prerrogativas, expondo-se frente à opinião pública, apenas para, em seguida, o Senado arquivar o texto. Os deputados querem evitar a repetição desse tipo de episódio. Para averiguar o clima na Câmara Alta, Paulinho da Força chegou a marcar uma reunião com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), mas o encontro foi desmarcado.

Esse obstáculo pode atrasar a votação, mas, na avaliação da Arko, o tema tende a ser superado no Legislativo ainda este ano.

BNDES e banco chinês CEXIM estruturam fundo de US$ 1 bilhão para investimentos no Brasil

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BNDES
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Export-Import Bank of China (CEXIM) estão estruturando um fundo de investimento com tamanho-alvo de até US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,7 bilhões).

Segundo o planejamento, o CEXIM deve investir US$ 600 milhões, enquanto o BNDES deverá aportar cerca de US$ 400 milhões. A expectativa é que o fundo entre em operação em 2026.

Objetivo do fundo

O fundo financiará projetos no Brasil por meio de fundos de investimento que adquirirão títulos de dívida ou participações societárias. O principal objetivo é promover o desenvolvimento sustentável bilateral entre Brasil e China.

Além disso, a iniciativa busca apoiar a transição energética ecológica e impulsionar o desenvolvimento verde. Entre os setores prioritários estão:

  • infraestrutura;
  • bioeconomia;
  • comércio;
  • mineração;
  • agricultura;
  • economia digital;
  • inteligência artificial, entre outros.

Termo de compromisso

No dia 17 de setembro, o BNDES e o Export-Import Bank of China (CEXIM) assinaram um Termo de Compromisso e uma Declaração de Intenção de Cooperação para estruturar o fundo.

“O acordo que assinamos prevê a criação de um fundo de até US$ 1 bilhão, estruturado para financiar investimentos no mercado de capitais no Brasil”, afirmou o de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa.

Segundo ele, o instrumento representa um marco, pois é o primeiro fundo bilateral firmado entre uma instituição brasileira e uma chinesa, com operações predominantemente em reais.

“Essa nova parceria entre as duas instituições fortalecerá a relação comercial e econômica entre Brasil e China”, completou.

Congresso prioriza votação do PLDO e apreciação de vetos fica para depois

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Fachada do Palácio do Congresso Nacional. O Palácio do Congresso Nacional é um dos pilares da arquitetura monumental de Niemeyer que dão forma à capital inaugurada em 1960. Construído em terreno elevado, é visto de longe como culminância da avenida Eixo Monumental, que abriga a Esplanada dos Ministérios e atravessa a cidade de norte a sul. Sede das duas Casas do Poder Legislativo e um dos mais famosos cartões postais do Brasil, o Palácio do Congresso Nacional é composto por duas cúpulas e duas torres de 28 andares, que abrigam a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Mesmo com uma série de vetos esperando votação, a perspectiva é que a próxima sessão conjunta do Congresso Nacional seja direcionada para votação da Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026. O texto está previsto para ser votado na CMO Comissão Mista de Orçamento (CMO) na próxima terça-feira (7).

Segundo apuração da Arko Advice, a prioridade no Congresso é dar andamento ao tema orçamentário em detrimento da deliberação dos vetos.

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Havia uma perspectiva de agilidade na votação dos vetos presidenciais devido à necessidade de conclusão do processo legislativo do projeto que aumenta número de deputados. O veto à matéria precisaria ser deliberado até este sábado (4), já que mudanças em regras eleitorais só valeriam nas próximas eleições se fossem implementadas até um ano antes do pleito. Com o prazo apertado, o STF deferiu o pedido de Alcolumbre e permitiu que o aumento de cadeiras entrasse em vigor somente nas eleições de 2030, dando mais tempo para a apreciação do veto.

Há também uma pressão do agronegócio para que os vetos ao projeto do licenciamento ambiental sejam apreciados e derrubados. O tema é negociado junto à Alcolumbre pela senadora Tereza Cristina (PP-MS). Eles devem se encontrar para tratar sobre o tema na próxima semana. A orientação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) é pela derrubada de todos os vetos sobre o tema. Eventuais trechos do PL que forem avaliados como positivos poderão ser tratados na MP do licenciamento (MP 1.308/25). Um caso é a redefinição das regras sobre o setor de saneamento.

Vetos “trancam” pauta

Vetos não apreciados após 30 dias do seu recebimento são incluídos automaticamente na pauta do Congresso Nacional, sobrestando as demais deliberações. No momento, há mais de 40 vetos que, regimentalmente, estão travando a pauta. A regra, porém, é frequentemente deixada de lado.

TCU aprova acordo de repactuação da Regis Bitencourt/São Paulo-Curitiba

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Foto: Divulgação/Arteris

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou no último dia 24 o acordo de solução consensual para repactuação do contrato da Autopista Régis Bittencourt (BR-116), com 383 km de extensão. A rodovia passa por 16 municípios, no trecho entre São Paulo e Curitiba/PR) e é operada pela concessionária Arteris.

O ministro Walton Alencar, relator do processo, listou quatro condicionantes, seguido pelos demais integrantes do plenário do tribunal. A primeira se refere à prévia apresentação pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) da memória de cálculo detalhada que fundamentou a Taxa Interna de Retorno (TIR), de 11,41%.

A segunda condicionante determina prévia análise e comprovação pela agência reguladora de que o aporte de capital previsto seja suficiente para assegurar a capacidade econômico-financeira do atual grupo controlador da Sociedade de Propósito Específico (SPE), para assumir as obrigações decorrentes do acordo de solução consensual.

A terceira condicionante estabelece prévia apresentação pela concessionária (Arteris) de estudo de soluções complementares para o trecho da Serra do Cafezal, a ser validado pela ANTT. O objetivo é identificar intervenções capazes de elevar o nível de serviço no local.

A quarta condicionante diz respeito à previa apresentação pela concessionária de relatório técnico de justificativas para prioridade de obras de correção de traçado, a ser validado pela agência.

O relatório deverá explicitar a metodologia de seleção e motivos pelos quais trechos da “mais alta sinistralidade” não foram incluídos no plano de obras. O relator determinou ainda que as condicionantes sejam incluídas na redação do termo de autocomposição como requisito para sua eficácia.

A repactuação levará a R$ 13 bilhões em investimentos no trecho da rodovia. “Fazer a otimização desses contratos não só garante mais investimentos, mas também permite modernizá-los, trazendo, por exemplo, a gestão por incentivos, em que o valor do pedágio só será alterado depois que as obras são entregues”, afirmou a secretária nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse.

A nova concessão, que terá contrato assinado no ano que vem, permitirá a realização de obras essenciais ao longo dos próximos 15 anos. Haverá mais de 90 quilômetros de iluminação em trechos considerados perigosos, especialmente em áreas de serras.