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Análise: Um novo Supremo X Antigos embates

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STF, Supremo Tribunal Federal
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Nesta segunda-feira (29), iniciou-se uma nova gestão no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Edson Fachin assume a presidência da Corte e o ministro Alexandre de Moraes, a vice. A mudança ocorre em meio à intensificação dos embates com o Legislativo e à pressão dos Estados Unidos por interferências no Judiciário brasileiro.

Indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e com dez anos de atuação na Corte, Fachin tem um perfil discreto e tende a valorizar decisões colegiadas, algo que pode ser bem-visto pelo Congresso, que critica a prerrogativa de decisões monocráticas no Supremo. Mas não há garantia de que haverá uma rápida melhora na relação entre Judiciário e Legislativo, tendo em vista que os movimentos de ambas as partes podem intensificar os embates entre os dois Poderes.

Ainda nesse sentido, o momento turbulento por que passa a Corte também envolve as sanções americanas a ministros brasileiros, por meio da Lei Magnitsky. A tendência é que Fachin defenda as prerrogativas e as decisões da Corte e a democracia. Como magistrado, ele está relacionado a teses em defesa dos direitos fundamentais, da reforma agrária e do combate às fake news. Como presidente da Corte, pode dar andamento a pautas que abordam essas temáticas.

Em outros momentos, Fachin votou contra a tese do marco temporal e contra a flexibilização da compra e do porte de armas. Relatou temas sociais relevantes e votou pela defesa da proteção dos povos indígenas, pela redução da letalidade policial e pela classificação da injúria racial e da homotransfobia como formas de racismo.

Vale lembrar que Fachin foi relator da Operação Lava Jato e defendeu o processo, mesmo votando pela anulação de todas as condenações impostas pela Justiça Federal do Paraná ao presidente Lula (PT). Além disso, relatou o julgamento em que o ex-presidente Fernando Collor foi condenado a mais de oito anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Fachin comandará a Corte pelos próximos dois anos. Nesse período, haverá a conclusão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por possível tentativa de golpe de Estado. Apesar de não ter votado durante o processo, Fachin votou pela condenação dos réus que participaram dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Há também inquéritos que investigam deputados e senadores por uso irregular das emendas parlamentares, além do inquérito contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

No Legislativo, caso os bolsonaristas consigam a aprovação de uma anistia ampla, manifestações do Supremo podem ser desencadeadas. Assim, a perspectiva é de que os embates entre os dois Poderes permaneçam aflorados.

CNPE aprova índices mínimos de conteúdo local para navios-tanque e embarcações de apoio marítimo

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Foto: Reproduçaõ/CNI

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, na quarta-feira (1°), duas resoluções que exigem pelo menos 60% de conteúdo local para empresas que queiram usufruir do benefício da depreciação acelerada na compra de navios novos. Esse benefício está previsto na Lei 14.871/2024, mas, para entrar em vigor, depende da publicação de um decreto presidencial.

Quando isso ocorrer, todas as aquisições realizadas entre a publicação do decreto e 31 de dezembro de 2026 terão direito ao benefício, desde que cumpram as regras de conteúdo local.

As novas regras abrangem os segmentos de navios-traque de grande porte, com mais de 15.000 toneladas de porte bruto, além de navios gaseiros de cabotagem e embarcações de apoio marítimo.

Depreciação acelerada

A depreciação acelerada funciona como um instrumento de política pública voltado para a aquisição de máquinas e equipamentos. Sempre que uma empresa compra um bem de capital, o empresário pode abater seu valor no IRPJ e na CSLL.

Em condições normais, esse abatimento ocorre de forma gradual e pode levar até 20 anos. No entanto, com a depreciação acelerada aplicada aos navios, o empresário realiza o abatimento em apenas dois anos.

Assim, o mecanismo estimula a renovação das máquinas e equipamentos do parque produtivo brasileiro, o que aumenta a produtividade e melhora a eficiência energética.

Regras para conteúdo local

Primeiramente, o CNPE exige que as embarcações de apoio marítimo atinjam, no mínimo, 60% de conteúdo local global e 50% em pelo menos dois dos três grupos de investimentos:

  • engenharia;
  • máquinas, equipamentos e materiais;
  • e construção e montagem.

Entretanto, o texto permite que embarcações inovadoras, como as com motorização híbrida plug-in ou tecnologias sustentáveis equivalentes, reduzam o índice mínimo global para 50%, com 40% em pelo menos dois dos grupos.

Além disso, o CNPE determina que navios-tanque de grande porte e navios gaseiros alcancem 50% de conteúdo local global, enquanto ainda define os detalhes dos grupos de investimentos.

A Nova Indústria Brasil (NIB) mede o conteúdo local pela proporção entre o valor dos bens produzidos e serviços prestados no Brasil em relação ao custo total da construção.

Fiscalização

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) assume a responsabilidade de medir e fiscalizar o cumprimento desses índices, garantindo transparência e previsibilidade para o setor. Em seguida, a ANP comunica os resultados ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No setor da indústria naval, é importante destacar que o Brasil desenvolveu um sistema setorial consolidado, com 19 estaleiros de grande porte distribuídos pelo litoral e pelo leito do rio Amazonas. Assim, o país consegue atender à maior parte da demanda nacional por embarcações.

Cármen Lúcia: “A democracia é um ambiente de participação permanente do povo”

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Cármen Lúcia
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, enfatizou durante a cerimônia de inauguração do Ciclo de Transparência Democrática – Eleições 2026, realizada nesta quinta-feira (2), que a democracia é um ambiente de participação permanente do povo.

“Por ser o principal protagonista das eleições, o povo deve ter pleno conhecimento do que se passa em todo o processo eleitoral”, ressaltou.

Além disso, a ministra destacou que, no dia 4 de outubro de 2026, o cidadão e a cidadã brasileiros votarão democraticamente naquilo que lhes pertence plenamente: a escolha dos seus representantes.

Códigos-fonte

Em seguida, durante o encerramento da sessão de julgamentos, a presidente do TSE ressaltou que a Justiça Eleitoral disponibiliza os códigos-fonte das urnas eletrônicas que usarão em 2026 para que o povo os inspecione, avalie e proponha melhorias.

“Ao povo o que é do povo. O sistema eleitoral pertence ao povo brasileiro, e a cidadania deve participar e acompanhar esse processo. O código-fonte está exposto de forma clara, objetiva e segura, com a Justiça Eleitoral esclarecendo qualquer dúvida”, afirmou.

Além disso, a magistrada destacou que todas as entidades fiscalizadoras habilitadas verificam a integridade do sistema eleitoral e sugerem aperfeiçoamentos.

Eleitores aptos

Atualmente, cerca de 155 milhões de eleitoras e eleitores estão aptos a votar no Brasil e no exterior. Nas Eleições de 2026, eles irão escolher presidente e vice-presidente da República, além de governadores e vice-governadores dos estados e do Distrito Federal. Além disso, elegerão deputados federais, estaduais ou distritais e dois senadores por unidade da Federação.

Por outro lado, os mais de 750 mil eleitores que moram no exterior votam apenas para o cargo de presidente da República.

Motta defende necessidade de acordo com Executivo sobre cronograma de pagamento de emendas

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Brasília (DF), 26/08/2025 - Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, durante reunião de líderes.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu a necessidade de um cronograma de execução das emendas parlamentares impositivas no Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026.

Em entrevista à GloboNews nesta sexta-feira (3), ele afirmou que pediu ao relator da matéria, deputado Gervásio Maia (PSB/PB), que alinhe o assunto com o governo e estabeleça um acordo sobre o tema.

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“Não é favor do governo pagar as emendas. O parlamento tem isso aprovado por Lei”, enfatizou.

Segundo ele, a importância do cronograma é evidenciada pela chegada das eleições de 2026. “Temos que nos submeter às regras eleitorais que geram impedimento, a partir de julho, para que custeios de saúde, por exemplo, sejam liberados. Então, nós temos que ter, nesse primeiro semestre de 2026, a garantia do pagamento das emendas para garantir a manutenção desse serviço nos estados e municípios”, explicou.

Comissão aprova ressarcimento a produtores rurais por falta de energia

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1940/24, que obriga a concessionária de energia elétrica a ressarcir os produtores rurais quando a falta de luz causar perda de produtos perecíveis.

Segundo a proposta, o produtor deve apresentar documentação técnica para comprovar que a interrupção no fornecimento de energia causou a perda. A concessionária calculará o ressarcimento com base no valor de mercado dos produtos na região.

Ressarcimento

O produtor deve enviar o pedido de ressarcimento à concessionária, que analisará o caso em até 30 dias. Se a empresa não cumprir esse prazo, aplicará uma multa e aumentará o valor do ressarcimento em 10%.

“Produtores rurais de todo o País têm amargado perdas significativas por causa das quedas recorrentes no fornecimento de energia elétrica e das oscilações na tensão da rede”, afirmou o deputado Marx Beltrão (PP-AL), autor da proposta.

O relator, deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), recomendou que a comissão aprove o texto.

“O Brasil define claramente a responsabilidade da concessionária do serviço público de distribuição de energia elétrica pelos danos que ela causa”, declarou.

Próximas etapas

O projeto tramita em caráter conclusivo e seguirá para análise das comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, além da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.

Depois, a Câmara e o Senado precisam aprovar a proposta para que ela se torne lei.

TSE aprova apoio de forças federais para eleição suplementar em Santa Quitéria (CE)

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Foto: Reprodução/TSE

Em sessão administrativa realizada nesta quinta-feira (2), o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a solicitação do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) para que as forças federais apoiem a votação e a apuração da eleição suplementar marcada para 26 de outubro no município de Santa Quitéria.

Em seguida, o TSE encaminhará o pedido ao presidente da República, responsável por autorizar a atuação das forças federais durante o pleito. O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), já manifestou apoio à solicitação feita pelo Tribunal Regional.

A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, apresentou o pedido do TRE durante a sessão administrativa e votou a favor da aprovação da requisição. Em seguida, o Plenário acompanhou sua decisão por unanimidade.

Em julho, a chapa do prefeito José Braga Barrozo (PSB), conhecido como Braguinha, e o vice-prefeito, Francisco Gardel Mesquita Ribeiro, foi cassada por abuso de poder político e econômico, além de terem recebido apoio de uma facção criminosa.

Justificativa

As autoridades do estado informaram à Justiça Eleitoral que o envio de forças federais é fundamental para garantir a normalidade da eleição suplementar no município, marcada para o final do mês. Isso acontece porque facções criminosas atuam na região. Além disso, elas ressaltaram que a presença das forças federais na eleição anterior assegurou o livre exercício do voto e a apuração dos resultados.

A ministra afirmou que, na justificativa da requisição, o TRE destacou que as autoridades do estado ressaltaram a importância fundamental de a Justiça Eleitoral, juntamente com o Ministério Público Eleitoral (MPE) e as forças de segurança pública local, regional e federal, protegerem a liberdade do voto.

“Fundamental que a Justiça Eleitoral zele pela liberdade do voto bem assim prezem para garantir o livre exercício da manifestação política na localidade”.

Força-tarefa apreende 1.200 garrafas de bebidas falsificadas em Diadema

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bebida, cerveja, álcool
Foto: Pablo Jacob/Governo de SP

A força-tarefa do Governo de São Paulo, mobilizada para combater a intoxicação por metanol relacionada a bebidas falsificadas, realizou uma grande apreensão nessa quinta-feira (2). Policiais civis flagraram 50 caixas de bebidas suspeitas em um caminhão no município de Diadema, que descarregava a mercadoria em um estabelecimento na Vila Santa Maria.

A desconfiança surgiu quando os agentes vistoriaram a carga e encontraram 1.200 garrafas de cerveja preenchidas com um líquido semelhante a cachaça, e com o rótulo aparentemente trocado. A nota fiscal indicou que a mercadoria vinha de uma distribuidora em São Bernardo do Campo.

Em diligências no local, a polícia constatou a existência de uma possível fábrica clandestina, identificando maquinário, reservatórios, destiladoras, tonéis e botijões de gás no terreno.

Cerca de 1.200 garrafas e o veículo de entrega foram apreendidos para perícia. O caso foi registrado no 4º Distrito Policial de Diadema como crime contra as relações de consumo, e um homem de 50 anos é investigado.

Gabinete de Crise intensifica fiscalizações

O Governo de São Paulo instaurou um gabinete de crise na terça-feira (30) para intensificar as ações preventivas e investigativas após os casos de contaminação por metanol.

As operações desta semana resultaram em um volume significativo de apreensões e interdições. Além do flagrante em Diadema, a polícia recolheu: 1.800 lacres falsos na capital; 162 garrafas de uísque e rótulos falsificados em Dobrada, na região de Araraquara; 17,7 mil unidades em uma fábrica clandestina em Americana, na terça (30); Um lote de 128 mil garrafas lacrado em Barueri, na quarta (1), por falta de documentação.

Em outra interdição na quinta-feira (2), em M’Boi Mirim, foram apreendidas 60 garrafas de vodka do mesmo lote suspeito de Barueri. O local ainda apresentava problemas sanitários graves, com presença de roedores e baratas, além de alimentos vencidos e carne sem controle de temperatura.

Em 2024, a polícia já havia recolhido mais de 50 mil garrafas em ações de combate à falsificação. As medidas anunciadas pelo governo incluem a interdição cautelar de estabelecimentos, a criação de mecanismos rápidos de denúncia, a estruturação do atendimento na rede de saúde e a intensificação das investigações.

Para equipe econômica, gratuidade no transporte público é plano para o longo prazo

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São Paulo (SP), 06/01/2025 - Tarifa dos onibus em São Paulo sofreram aumento .
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Em Brasília, setores do governo elaboram estudos para balizar uma proposta legislativa que poderia zerar as tarifas de ônibus nacionalmente. Porém, segundo fontes da equipe econômica ouvidas pela Arko Advice, esse não é um plano para o curto prazo.

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Isso porque um programa do tipo seria de grande complexidade, principalmente em relação às medidas compensatórias (corte de gastos e/ou aumento de receita). E ainda não está claro quanto de fato custaria tal medida.

Quando foi discutida anteriormente, no governo Dilma Rousseff (PT), a ideia seria sobretaxar combustíveis para zerar a tarifa de ônibus, o que seria mais complicado de se fazer em um contexto de preços já muito altos e luta contra a inflação.

Lula: “O preconceito foi vencido, a COP30 está garantida”

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente Lula (PT) cumpriu uma intensa agenda de inaugurações nesta quinta-feira (2), em Belém. A capital do Pará se prepara para sediar, em pouco mais de um mês, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30.

Durante a cerimônia de entrega do Parque Linear da Doca, uma das vitrines do evento, localizada na Avenida Visconde de Souza Franco, no centro da cidade, Lula reforçou o simbolismo da conferência:

“O preconceito foi vencido, a COP está garantida”, afirmou o presidente.

Em seguida, Lula destacou o caráter social das obras em andamento:

“A gente não está aqui fazendo luxo. A gente está aqui fazendo o necessário para os estados mais esquecidos, para os estados que receberam pouco investimento”, declarou.

Novo parque

O novo Parque Linear da Doca, localizado ao longo do canal da Doca, recebeu um investimento de R$ 312,2 milhões. Com 24 mil metros quadrados de área construída e requalificada, o espaço se estende por 1,2 quilômetro de canal.

A obra, financiada pela Itaipu Binacional, teve início em maio de 2024. Embora a previsão de entrega fosse fevereiro de 2026, a construção foi concluída com quatro meses de antecedência.

De acordo com o governo federal, o parque melhora o deslocamento urbano e a fluidez do trânsito, graças à implantação de uma via elevada projetada para priorizar o pedestre.

Implementação na área

O governo realizou obras de paisagismo e instalou equipamentos para lazer e esportes, como academia ao ar livre, quiosques, mirantes, parque infantil e canteiros arborizados. Também implantou infraestrutura para coletar e destinar corretamente o esgoto, antes despejado no canal.

Logo depois, o presidente ressaltou o impacto da obra e da COP30 para o Brasil:

“Nós vamos virar motivo de orgulho para o mundo a partir dessa COP. Ninguém vai mais duvidar que o Brasil não deve nada a nenhum país, que o Brasil é soberano na tomada de decisões”, afirmou Lula.

O governo finaliza obras de macrodrenagem em 18 canais, que somam mais de 13 quilômetros de extensão. Além disso, expande as redes de distribuição de água e implanta novas redes de esgoto, conforme informado pelo governo do estado.

Como destaque, inaugurou uma das obras de esgotamento sanitário em um ponto simbólico: o entorno do histórico Mercado Ver-o-Peso.

Análise: Isenção de LCAs e LCIs ajuda bastante, mas não garante aprovação de MP que tributa títulos isentos

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Carlos Zarattini
Foto: Câmara dos Deputados

O recuo do relator que decidiu não taxar LCAs e LCIs na MP 1.303/25 foi bem avaliado por outros membros da comissão mista que analisa o tema. Parlamentares ouvidos pela Arko Advice comemoraram a mudança, que era o principal pleito das frentes parlamentares ligadas aos setores econômicos afetados.

Esse recuo era negociado de forma intensa pelo menos desde terça-feira (30), quando a votação foi adiada para evitar a publicação de um manifesto do setor produtivo contra a MP.

Vale lembrar que, quando a MP foi enviada à Câmara, foi justamente esse ponto que foi apontado pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) como o centro das resistências.

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Porém, o cenário ainda pode apresentar algumas barreiras ao governo. Segundo os parlamentares, o recuo deriva de pressão, não de acordo. Isso significa que, mesmo que a mudança ajude o texto a avançar, não há garantia de votos favoráveis. O partido de Bolsonaro, o PL, tem se posicionado contra qualquer medida arrecadatória. Além disso, alguns outros temas sensíveis ainda mobilizam setores específicos do Congresso que podem apresentar resistência a pontos como a taxação de _fintechs_ e de ativos digitais.

Em segundo lugar, o próprio calendário é um desafio. Em um intervalo de dois dias, a MP precisa ser votada na comissão mista e nos Plenários da Câmara e do Senado. Caso contrário, a MP perde a validade. Assim, manobras de obstrução podem ser especialmente efetivas. Caberá ao governo, até lá, negociar uma tramitação tranquila para o texto.

Potencial de arrecadação segue alto

A taxação de fundos isentos é um trecho considerado importante para o governo, principalmente por seu valor regulatório. Porém, esse não é o elemento da MP com maior potencial arrecadatório (R$ 2,6 bi em 2026). A maior parte da arrecadação virá das novas regras de compensação de créditos tributários. A Receita Federal passará a considerar “não declarados” os pedidos de crédito quando não houver comprovação de pagamento do imposto.

A expectativa inicial era de elevação em R$ 10 bi na arrecadação em 2025 e outros R$ 10 bi em 2026.