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Projeto para modernizar falências segue travado no Senado

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Closeup of chained sliding grille door. portão fechado, cadeado, falência
Foto: Freepik

O Projeto de Lei 3/24, de autoria do Executivo e já aprovado na Câmara, continua travado para análise do Senado, mais de um ano após chegar à Casa. O projeto visa trazer mudanças profundas na Lei 11.101/05, esta em vigor desde 2005. O projeto faz parte da Agenda de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, divulgada no primeiro ano do atual governo Lula (PT), em 2023.

As alterações previstas no projeto buscam acelerar os procedimentos, ampliar a recuperação de créditos e democratizar o controle das decisões, no momento em que o Brasil enfrenta aumento expressivo de pedidos de falência, e precisa garantir segurança jurídica e ambiente mais competitivo para atração de investimentos.

Processo hoje é “pouco efetivo”, diz Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), justificou a medida na época em que era apresentada à Câmara, destacando que “o processo de falência no Brasil é hoje moroso e pouco efetivo”, fator que, na visão do governo, prejudica credores, desestimula o crédito e reduz a produtividade de toda a economia.

“Credores possuem pouca influência, e falta transparência – fatores que, de forma ampla, prejudicam a eficiência e a produtividade da economia”, avalia.

Gestor fiduciário e plano detalhado

Entre as principais mudanças propostas no projeto, está a eleição, pela assembleia geral dos credores, de um gestor fiduciário responsável pela condução da falência, liquidação dos ativos e pagamento aos interessados, substituindo o modelo pautado exclusivamente pelo administrador judicial. O gestor terá mandato de três anos e teto salarial, buscando alinhar interesses e evitar conflitos que, historicamente, travam e prolongam a solução desses processos.

O texto determina ainda a divulgação de um plano detalhado do processo de falência na internet, com informações acessíveis sobre etapas, recursos em caixa, venda de bens, andamento de ações judiciais, pagamentos de dívidas e contratação de especialistas, modernizando a governança e permitindo maior acompanhamento e controle por parte do mercado e sociedade. Caso a assembleia não eleja um gestor, o administrador judicial manterá suas funções.

Pagamento de credores

Um dos destaques do PL 3/24 é a exigência de que a venda de ativos seja realizada em até seis meses após a nomeação do gestor, acelerando o pagamento dos credores e reduzindo o tempo de liquidação da massa falida, que hoje pode se estender por anos ou mesmo décadas em determinados setores.

O projeto também centraliza todos os atos de execução contra o patrimônio do devedor no juízo da falência, incluindo o pedido de desconsideração da personalidade jurídica, tentativa de coibir decisões conflitantes e acelerar as providências em andamento.

Recepção

A proposta foi bem recebida por setores empresariais e fundos de investimento, que enxergam potencial para criar um mercado mais ativo de créditos falimentares e buscar alinhar o Brasil a práticas internacionais de insolvência. Especialistas apontam que alguns tópicos são bastante sensíveis na discussão: a limitação de atuação para administradores judiciais tradicionais, a importância de garantir fiscalização sobre os gestores escolhidos e a necessidade de ajustar regras de transição para processos já em curso.

O PL 3/2024 chegou ao Senado em abril de 2024, com regime de urgência, a qual foi cancelada na Casa. O projeto aguarda despacho do presidente Davi Alcolumbre (União-AP).

Nordeste propõe compras federais para mitigar efeitos de tarifas dos EUA

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Consórcio Nordeste
Foto: Consórcio Nordeste

Um grupo de governadores da região Nordeste se reuniu nesta terça-feira (5) com o presidente Lula (PT) para sugerir medidas coordenadas de resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Como proposta concreta, os gestores estaduais defenderam a utilização de compras governamentais federais para formação de estoques e minimizar os prejuízos dos setores exportadores.

A articulação foi liderada pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), presidente do Consórcio Nordeste.

“Havendo a possibilidade do Governo Federal fazer compras governamentais para fazer estoque desses produtos, os estados também poderão disponibilizar orçamento para compras do governo”, afirmou.

Ele também citou a possibilidade de ampliação do crédito estadual por meio do BADESPI, voltado especialmente a micro e pequenas empresas.

Setores afetados e ações estaduais

Os governadores demonstraram preocupação com setores como frutas, pescado, açúcar, mel, cereais vegetais, sal, pneus (no caso da Bahia) e minerais. No Rio Grande do Norte, destacam-se ainda os impactos sobre a produção de sal e caramelo.

Alguns estados já tomaram medidas locais. A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), anunciou a liberação de créditos de ICMS para empresas exportadoras e a ampliação dos benefícios do Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi). Decreto publicado pelo estado já autoriza crédito presumido proporcional ao volume exportado aos EUA.

Consórcio Nordeste articula apoio diplomático e emergencial

Durante a 5ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o chamado “Conselhão”, a comitiva nordestina manifestou apoio ao governo federal na busca por uma solução diplomática e defendeu ações emergenciais, caso as sobretaxas sejam mantidas.

“Esperamos que o tarifaço seja evitado com base na diplomacia. Mas, caso isso não aconteça, que possamos ter ações emergenciais para apoiar essas empresas exportadoras”, afirmou Rafael Fonteles. O governador também destacou que, embora o impacto financeiro possa ser menor em alguns produtos, o prejuízo social é elevado, devido à presença de pequenas empresas e número de famílias envolvidas na cadeia produtiva.

A comitiva foi formada pelos governadores Jerônimo Rodrigues (Bahia), Carlos Brandão (Maranhão), Raquel Lyra (Pernambuco), Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte) e os vice-governadores Jade Romero (Ceará) e Ronaldo Lessa (Alagoas).

Lula critica ingerência externa

Durante o evento, Lula reafirmou o compromisso com a soberania brasileira. “Proteger a nossa soberania é um objetivo que está acima de todos os partidos e de todas as tendências. O Governo não transigirá e não vacilará em seu dever de preservá-la”, disse.

Transpetro economiza até R$ 1 milhão com drones em inspeção de navios

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drone
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Com a ajuda de drones, a Transpetro, subsidiária na área de logística da Petrobras, executou uma vistoria em navios petroleiros, realizando a inspeção obrigatória em tanques de carga que transportam toneladas de óleo. Como resultado, as embarcações ficam menos tempo fora de operação, o que aumenta a produtividade e reduz gastos. O novo procedimento pode gerar economia de até R$ 1 milhão por operação.

O navio João Cândido foi o primeiro petroleiro da Transpetro a receber a certificação, após passar por uma vistoria estrutural com o uso de drones. O procedimento foi realizado no fim de julho na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. No último domingo (3), a embarcação obteve a certificação emitida pela American Bureau of Shipping (ABS), uma das principais classificadoras internacionais voltadas à segurança maritíma.

Nova metodologia

A nova metodologia de inspeção utiliza drones equipados com câmeras de alta resolução e tecnologia de ultrassom. Esses dispositivos acessam áreas de difícil alcance, como tanques, cascos, dutos e espaços confinados. Dessa forma, conseguem verificar a espessura do chapeamento dos tanques de carga e identificar a necessidade de manutenções preventivas ou corretivas, especialmente em casos de corrosão ou trincas.

Além disso, os drones armazenam e transmitem os dados em tempo real para a central de monitoramento, onde especialistas da Transpetro e da ABS acompanham a inspeção passo a passo.

Redução no tempo de vistoria

A tecnologia substitui métodos tradicionais que envolvem alpinistas industriais, andaimes e botes, e que costumam demandar cerca de uma semana de trabalho. Com o uso dos drones, o tempo de inatividade das embarcações cai para três ou quatro dias.

O diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, Jones Soares, destaca que essa certificação marca o início de uma nova era nas inspeções de navios no Brasil.

“O uso da tecnologia dispensa a necessidade de acesso humano aos espaços confinados durante a inspeção, contribuindo para um ambiente de trabalho ainda mais seguro. Além disso, temos também ganhos financeiros”, afirma.

Análise: Pressão da oposição na Câmara

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Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A oposição deve criar problemas para o avanço da agenda na Câmara dos Deputados a partir desta semana, com o retorno dos trabalhos legislativos. Diante tanto dos reveses sofridos até agora pelo grupo quanto dos reveses que se projetam no horizonte, os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tendem a forçar uma pauta reativa em detrimento das prioridades do governo e do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), ungido como o seu mais novo desafeto por conta de decisões recentemente tomadas.

Na esteira das medidas cautelares impostas a Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Motta foi tragado para o núcleo das insatisfações. Primeiramente, ele negou o retorno dos trabalhos legislativos na Câmara durante o “recesso branco”, embora não pudesse autorizar unilateralmente o funcionamento da Casa sem que o Senado fizesse o mesmo. E barrou a realização de reuniões de comissões convocadas por bolsonaristas que visavam adotar medidas de apoio ao ex-presidente. Para completar, Motta manifestou contrariedade à aplicação de sanções ao ministro Alexandre de Moraes pelo governo dos Estados Unidos.

Com a volta das atividades no Legislativo, Hugo Motta será muito pressionado. Além de cobranças pela votação do projeto de anistia a todos os envolvidos no processo sobre a tentativa de golpe de Estado, incluindo Bolsonaro, e também pela votação de propostas que mexem com prerrogativas de ministros do STF, o caso da deputada Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália em função de condenação pela Suprema Corte brasileira, deve manter Motta em rota de colisão com a oposição. Extraditada ou não, a deputada deverá perder o mandato sem que o tema passe pelo crivo dos colegas parlamentares. Seguindo a mesma linha de uma decisão tomada na última semana, quando trocou sete deputados em cumprimento a uma sentença dada pela mesma Corte, Motta deverá declarar a perda do mandato de Zambelli. Outro caso que deve lhe trazer incômodos é a situação do filho do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), refugiado nos EUA desde o início do ano para articular anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O desgaste do bolsonarismo pela defesa das tarifas comerciais impostas pelos EUA como instrumento de pressão no julgamento em curso no STF, as investidas contra o Tribunal e a iminente condenação do ex-presidente deverão aprofundar o distanciamento entre Hugo Motta e a oposição. Consequentemente, ele não deve dar andamento nem à pauta da anistia nem à das retaliações ao Supremo, o que tende a acirrar bastante a relação.

A previsão, portanto, é de que o ambiente na Câmara se torne tumultuado até o fim do ano, com tentativas de paralisação da agenda legislativa. Hugo Motta terá muito trabalho para conduzir a pauta prioritária, focada em matérias de cunho econômico-fiscal e, ao mesmo tempo, administrar a convivência com os deputados numa Casa sensivelmente conflagrada.

Governo vai à Justiça se Congresso derrubar vetos ao marco das eólicas offshore

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energia eólica
Foto: Reprodução/FGV

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o governo poderá recorrer à Justiça, caso o Congresso não aprove a Medida Provisória 1.304/25, que altera trechos de vetos derrubados pelo Legislativo no Marco Legal das Eólicas Offshore.

“Nós editamos uma medida provisória eliminando os pontos mais nevrálgicos que impactaram a conta de energia do consumidor. Caso essa medida provisória não avance, nós podemos naturalmente, dentro do jogo democrático, judicializar”, disse o ministro em entrevista à CNN Brasil. Alexandre Silveira afirmou que não se pode admitir “o acréscimo de custos adicionais que não respeitam o planejamento na conta de energia”.

A MP substitui a contratação obrigatória das usinas termelétricas da Lei de Privatização da Eletrobras Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), com contratação de 3 GW (gigawatts) de PCHs no ano que vem.

A MP ainda instituiu um teto para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que corresponderá ao orçamento do encargo previsto para 2026. Mas não trata de incentivos à geração termelétrica a carvão mineral no Sul e não editou a prorrogação por mais 20 anos das usinas do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (Proinfa).

Esses itens foram vetados pelo presidente Lula do Marco Legal das Eólicas Offshore.

Penas para furtos

O presidente Lula sancionou na semana passada, com vetos, a Lei nº 15.181/25, que amplia as penas para roubo e receptação de fios, cabos e equipamentos utilizados para fornecimento (distribuição e transmissão) de energia elétrica. A edição do Diário Oficial da União de terça-feira passada (29) publicou a íntegra da lei, que altera o Código Penal.

O furto desses equipamentos e sua receptação passam a ser crime qualificado, com pena de prisão de 2 a 8 anos. Para o roubo de equipamentos, a pena passa a ser de 6 a 12 anos, e para receptação qualificada, de 6 a 16 anos. Todos esses casos incluem multa.

Se o crime resultar na interrupção de serviços de fornecimento de energia, for cometido em situação de calamidade pública ou “mediante a subtração, dano ou destruição de equipamentos utilizados na prestação de serviços de telecomunicações”, a aplicação da punição será em dobro.

A medida visa a coibir esses crimes, que afetam a adequada prestação de serviço de energia elétrica. Os equipamentos relacionados a telecomunicações também estão incluídos na lei.

Entre os trechos vetados está o artigo art. 5º e o parágrafo único, que previa exclusão de responsabilidades das concessionárias caso o serviço de energia elétrica fosse prejudicado por furtos e roubos de equipamentos.

Fernando Haddad confirma que medidas sobre o tarifaço vão sair hoje

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Fernando Haddad
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que as medidas sobre o tarifaço serão apresentadas nesta quarta-feira (6). Segundo ele, o documento ainda está sendo consolidado, mas a última reunião de alinhamento já foi realizada.

Além disso, Haddad afirmou que haverá um plano mais detalhado para conseguir ajudar os “pequenos exportadores”. A partir de hoje, passa a valer a nova tarifa de importação dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, de 50%. A medida foi anunciada em 30 de julho pela Casa Branca.

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Reunião com o secretário de Tesouro dos Estados Unidos

Na próxima quarta-feira (13), Haddad confirmou que terá uma segunda reunião com o secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, para negociar o tarifaço do governo americano. O encontro acontecerá na próxima quarta-feira (13), de forma remota.

O chefe da pasta ressaltou ainda que deseja abrir o caminho para uma negociação e superar esse “desentendimento”. Haddad ainda disse, em conversa com jornalistas que uma taxação de até 10% é inadequada para o Brasil e para qualquer país da América do Sul. Por fim, o ministro pediu também a ajuda dos governadores e defendeu que esse é um momento de união e não de separação por questões políticas.

Municípios terão nova ferramenta para fiscalizar mineração

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Mineração.
Foto: Portal Brasil.gov.br / Ricardo Teles

A nova Plataforma Nacional de Gestão de Recursos Minerais, desenvolvida pela Agência Nacional de Mineração (ANM) em parceria com o Serpro, será oficialmente apresentada durante o VI Encontro Técnico Nacional dos Municípios Mineradores, nos dias 20 e 21 de agosto, em Belo Horizonte. Voltada à modernização da gestão pública da mineração no país, a solução digital permitirá o monitoramento em tempo real da produção mineral e deve ampliar a eficiência na fiscalização da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM).

A iniciativa é considerada estratégica para o setor. “A plataforma permite ao Estado enxergar em tempo real o caminho do minério, da origem ao destino final, ampliando o controle, a transparência e a confiança no setor”, afirmou o diretor-geral da ANM, Mauro Sousa. Em 2024, a CFEM alcançou R$ 7,4 bilhões, valor distribuído majoritariamente aos municípios.

Prefeituras terão acesso a painéis analíticos e projeções de receita

Um dos destaques do novo sistema é o módulo “Minera Brasil Visão Município”, que será apresentado no evento por Bruno Vilela, superintendente de negócios estratégicos do Serpro. Segundo ele, o painel online fornecerá às prefeituras dados oficiais da ANM sobre lavras, pesquisas, produção mineral e valores arrecadados com a CFEM, com alertas automáticos e projeções inteligentes de receita.

A plataforma funcionará por meio de assinatura mensal, com preços ajustados ao porte e volume de dados de cada cidade. “É uma revolução na forma de gerir os recursos da mineração”, avaliou Vilela. Além disso, o sistema poderá identificar em tempo real mineradoras inadimplentes ou irregulares, por meio da sincronização com notas fiscais eletrônicas e cruzamento com o banco de dados ANM-DATA.

Municípios poderão antecipar receitas e combater informalidade

Segundo técnicos do Serpro, um novo módulo em desenvolvimento deve permitir o repasse mais rápido dos valores arrecadados às prefeituras, reduzindo a espera que hoje pode se estender por meses. A previsão é concluir essa etapa até dezembro deste ano.

Além do impacto na arrecadação, o sistema também deve fortalecer o combate à informalidade no setor. “Com esta plataforma, a ANM finalmente recebe melhorias efetivas para exercer seu papel de fiscalização da atividade de mineração no Brasil”, disse Caio Seabra, diretor da agência.

Evento debaterá regulação municipal da mineração

O lançamento da plataforma integra o painel “CFEM: oportunidades de geração de receita a partir da mineração” e será uma das atrações do VI Encontro Técnico Nacional dos Municípios Mineradores, promovido pela Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil).

Tarifaço dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras começa a valer hoje

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Donald Trump, Estados Unidos, EUA
Foto: Divulgação/White House

Entraram em vigor nesta quarta-feira (6) as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras, conforme decisão assinada pelo presidente Donald Trump na semana passada. A medida atinge 35,9% das mercadorias enviadas ao mercado norte-americano — o equivalente a cerca de 4% do total das exportações brasileiras.

Quais produtos foram taxados — e quais ficaram de fora

Entre os setores mais impactados estão o café, frutas e carnes, que passam a pagar a sobretaxa. Por outro lado, aproximadamente 700 produtos foram excluídos do tarifaço, como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes, aeronaves civis (incluindo peças e motores), polpa de madeira, celulose, metais preciosos, energia e produtos energéticos. O governo estadunidense acabou por excluir das tarifas os itens que não possuem produção relevante em seu território.

A decisão reflete uma nova política comercial adotada por Trump para tentar proteger o setor industrial norte-americano frente à força crescente da China, elevando tarifas conforme o saldo da balança comercial de cada parceiro.

Para buscar justificar tais medidas, Trump usou para o Brasil argumentos que vão além do comércio, como ameaçar punir o Judiciário brasileiro por investigações e julgamentos que envolvam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu por supostamente liderar uma tentativa de golpe de Estado após sua derrota nas eleições de 2022, e empresas de tecnologia e redes sociais.

Plano de contingência

O presidente Lula afirmou que o Brasil não adotará retaliação imediata, mas também rejeita ser tratado como “republiqueta”. Lula declarou que o país não abre mão de buscar alternativas ao dólar nas trocas internacionais, mantendo sua posição no BRICS e defendendo a soberania nacional.

O governo prepara um plano de auxílio para os setores afetados, incluindo linhas de crédito especiais e a possibilidade de compras públicas federais para amenizar perdas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que medidas sobre o tarifaço serão apresentadas ainda hoje.

Haddad afirmou que minerais críticos e terras raras — insumos estratégicos para tecnologia e baterias, pouco presentes nos EUA — podem entrar como moeda de negociação, buscando flexibilizar as tarifas para produtos agrícolas. O setor do café, um dos mais prejudicados, aposta em acordo para ser retirado da lista de tarifas. Ao mesmo tempo, a China fortaleceu relações comerciais com o Brasil, ao autorizar 183 empresas brasileiras a exportarem café ao mercado chinês.

Tarifaço tem impacto praticamente nulo na Zona Franca, diz governo do Amazonas

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Zona Franca de Manaus, Amazonas
Foto: Divulgação/Suframa

O governo do Amazonas, disse em nota divulgada à Arko Advice, que o tarifaço tem baixo potencial de impacto na Zona Franca de Manaus (ZFM). “É o que afirmam técnicos do Governo do Amazonas, tendo em vista que as exportações do PIM (Polo Industrial de Manaus) para o mercado norte-americano não representam fatia expressiva do faturamento total do setor industrial”, relatou a nota.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Serafim Corrêa, afirmou que os efeitos da taxação anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, são mínimos ao PIM. “Claro que o aumento de tarifas nas exportações brasileiras para os Estados Unidos tem consequências para o país como um todo. Essa é uma questão que vem sendo tratada com a devida cautela pelo governo federal, com posturas firmes de uma nação independente e soberana. No entanto, quando falamos da Zona Franca de Manaus, o impacto é praticamente nulo. Neste momento, seguimos acompanhando os desdobramentos, mas reafirmo que, para a Zona Franca, o efeito é nulo”, destacou.

Balanço

Também foi divulgado que, atualmente, a ZFM manda para fora do Brasil somente 1,5% de seu faturamento, sendo que, deste percentual, menos de 10% têm como destino os Estados Unidos. Nesse sentido, apenas 0,15% do faturamento da Zona Franca de Manaus estaria sujeito às novas tarifas.

Os dados ainda apontam que no ano de 2025, as exportações para o país são ainda menos expressivas. Com participação de 8,74% na compra de produtos produzidos na ZFM, os EUA ficam atrás de Alemanha, China, Argentina e Colômbia que lideram a lista de principais exportadores do Amazonas.

O governo estadual ainda ressaltou que, mesmo com o baixo impacto sobre o setor industrial, técnicos do Governo do Amazonas reforçam o compromisso de realizar monitoramento constante e, eventualmente, medidas de mitigação a possíveis impactos negativos que possam surgir posteriormente.

Também foi alertado que a taxação pode causar a desvalorização do real frente ao dólar, o que pode encarecer insumos importados e aumentar custos de produção e impactar a competitividade das indústrias instaladas no estado.

Entidades científicas pedem aumento da isenção para importações de insumos de pesquisa

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Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), na Ilha do Fundão, zona norte da capital fluminense.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) enviaram uma nova carta à Casa Civil solicitando a ampliação da cota anual de isenção fiscal para importações voltadas à pesquisa. O valor atual, de US$ 229,2 milhões, já foi integralmente consumido, segundo as entidades, e é insuficiente para atender à demanda do setor científico.

A reivindicação foi formalizada em carta endereçada ao ministro Rui Costa,  e reforça uma preocupação que já havia sido expressa anteriormente, em outubro de 2024. As instituições pedem que o limite seja atualizado imediatamente para 2025 e que a cota de 2026 seja fixada em pelo menos US$ 500 milhões.

Corte compromete execução de programas estratégicos

De acordo com as entidades, o teto reduzido impede a aquisição de equipamentos e insumos essenciais à produção científica, inviabilizando o uso de recursos já disponíveis em programas como o Novo PAC, o PBIA, a Nova Indústria Brasil (NIB), e projetos como o Sirius e o Orion.

Em 2023, o limite era de US$ 400 milhões. Caiu para US$ 265 milhões em 2024 — esgotado ainda no primeiro semestre — e foi fixado em US$ 229 milhões para 2025 pela Portaria MF nº 2.076, de 27 de dezembro de 2024.

Segundo a carta, a manutenção do atual patamar compromete a efetividade dos investimentos públicos em ciência, tecnologia e inovação e leva pesquisadores a desperdiçarem tempo com burocracia, em vez de se dedicarem às atividades científicas.

Entidades defendem recomposição como prioridade nacional

As signatárias da carta argumentam que a eliminação do entrave é “condição elementar” para a continuidade e o impacto do ecossistema nacional de ciência e tecnologia. A recomposição da cota é tratada como medida urgente para evitar prejuízos “irreparáveis” ao desenvolvimento científico do país.

O mecanismo de isenção fiscal para importações de materiais científicos está previsto na Lei nº 8.010/1990 e é operado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A cota permite a entrada no país, sem a incidência de tributos, de equipamentos e materiais destinados a instituições e projetos de pesquisa.