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Motta apresenta prioridades do semestre, com reforma administrativa, reforma do IR e Lei dos Portos

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Reunião de Líderes. Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS - PB)
Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

Na reunião de líderes desta terça-feira (12), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apresentou uma lista de projetos que considera prioritários para apreciação ainda neste semestre legislativo.

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Entre os destaques estava a reforma administrativa, que foi discutida em grupo de trabalho. O coordenador, deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), ficou de apresentar as minutas dos projetos ainda neste mês de agosto, abrindo caminho para que o texto vá para votação do plenário ainda em 2025. A reforma busca reestruturar o funcionamento do serviço público e rever regras sobre carreiras, contratação e gestão administrativa.

Reforma eleitoral

A lista de projetos que Motta quer aprovar neste semestre conta ainda com a reforma eleitoral (PLP 112/21), a depender do texto que for aprovado no Senado.

O projeto enfrenta divergências sobre quarentena para militares que desejam concorrer a cargos políticos e sobre a regra de representação mínima feminina no Legislativo. A expectativa é que, superados os impasses, o texto retorne à Câmara para análise e possível aprovação.

Demais temas

Também está na pauta a votação do PLP 152/25, que pretende regulamentar o trabalho prestado por motoristas e entregadores que atuam por meio de plataformas digitais. O tema é debatido em comissão especial e envolve questões como direitos trabalhistas, remuneração mínima, seguro e previdência para os trabalhadores do setor.

A lista de prioridades inclui ainda o PL 733/25, que propõe atualizar a legislação que rege o setor portuário brasileiro. A meta do texto é atualizar regras, tornar os processos mais eficientes e atrair novos investimentos privados, ampliando a competitividade dos portos nacionais.

Ministério lança edital para atrair investimento para 19 aeroportos regionais

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Aeroporto Julio Belém, na cidade de Parintins, interior do AM • Reprodução/Prefeitura de Parintins
Foto: Reprodução/Prefeitura de Parintins

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, lançou na quarta-feira passada (6) o edital do Programa de Investimentos Privados em Aeroportos Regionais (Ampliar). A iniciativa, criada em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU), prevê a atração de investimentos privados e o aprimoramento da gestão de 19 aeroportos, na primeira etapa.

O anúncio ocorreu na sede do tribunal, com a presença do presidente do TCU, Vital do Rêgo, e do secretário nacional de Aviação Civil, Tomé Franca. “O Ampliar busca o fortalecimento da viação regional. São investimentos de mais de R$ 1 bilhão. Nesse primeiro edital que está sendo lançado, estão incluídos 19 aeroportos. A nossa meta é incluir, nos próximos cinco anos, mais de 100 aeroportos”, afirmou Costa Filho.

O programa colocará em oferta pública, desta vez, 19 aeroportos regionais localizados na Amazônia Legal e no Nordeste, regiões onde há déficit acentuado de infraestrutura aeroportuária. O objetivo é reformar esses aeroportos.

Por meio de processo competitivo simplificado, as concessionárias de grandes aeroportos, com contratos de concessão vigentes com a União, e que não estejam em fase de extinção, poderão disputar os aeroportos por meio do maior deságio em relação ao preço mínimo estabelecido pelo governo no Plano Aeroviário Nacional (PAN).

“Essa foi a maneira construída com o Tribunal de Contas da União, para que a gente pudesse estender o prazo de concessão e esse valor de extensão ser trocado em investimentos em aeroportos regionais deficitários, tirando do poder público a responsabilidade da gestão do aeroporto regional”, disse o ministro.

“A estratégia consiste em incorporar esses aeroportos a contratos de concessão federais vigentes, por meio de reequilíbrios econômico-financeiros nos termos legais. Assim, teremos condições de modernizar e expandir a infraestrutura aeroportuária regional, promovendo a integração nacional, a conectividade da malha aérea e o desenvolvimento do país”, afirmou o secretário de Aviação Civil, Tomé Franca.

A abertura das propostas está prevista para novembro. Os termos aditivos com as concessionárias vencedoras devem ser celebrados ainda neste ano. “O Ampliar apresenta potencial de investimentos iniciais em torno de R$ 1,25 bilhão, o que vai melhorar substancialmente a qualidade dos aeroportos, permitindo que nova rotas sejam ofertadas e mais brasileiros entrem no mercado da aviação”, ressalta o diretor de Outorgas e Políticas Regulatórias da Secretaria de Aviação Civil, Daniel Longo.

A avaliação do programa, por especialistas do mercado, foi positiva. A proposta foi siderada interessante e pode ter êxito, seja pelo apelo turístico de algumas localidades, seja pela sinergia com operações já existentes em grandes aeroportos, conforme avaliam os especialistas

Na primeira etapa do programa, foram colocados em oferta pública os aeroportos de:

Tarauacá (AC) Araguaína (TO)

 

Araripina (PE)

 

Barcelos (AM)

 

Porto Alegre do Norte (MT)

 

Garanhuns (PE)

 

Itacoatiara (AM)

 

Barreirinhas (MA)

 

Serra Talhada (PE)

 

Parintins (AM)

 

Guanambi (BA)

 

Jericoacoara (CE)

 

Itaituba (PA)

 

Lençóis (BA)

 

Canoa Quebrada (CE)

 

Cacoal (RO)

 

Paulo Afonso (BA)

 

Vilhena (RO)

 

São Raimundo Nonato (PI)

 

Recurso de debêntures

O Ministério de Portos e Aeroportos recebeu projetos que somam R$ 3,3 bilhões que usaram debêntures incentivadas de infraestrutura como forma de financiamento. Esse movimento ocorreu desde que houve a dispensa de autorização prévia para emissão.

A informação foi divulgada pelo jornal Valor na edição de sexta-feira (8), segundo informação do ministro Sílvio Costa Filho. Houve redução de seis meses para cinco dias no prazo para que os players tenham acesso ao mercado de capitais, para investimento nos setores portuário e aeroportuário.

A alteração foi estabelecida por portaria publicada em agosto de 2024.

Relator defende equilíbrio na regulamentação da Inteligência Artificial

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Aguinaldo Ribeiro, inteligência artificial
Foto: Felipe Ramos

A inteligência artificial (IA) já faz parte do cotidiano de muitos brasileiros. Com foco nessa questão, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), relator da regulamentação da Inteligência Artificial na Câmara, defende que a proposta em discussão deve unir equilíbrio regulatório e incentivo ao desenvolvimento tecnológico no Brasil.

“O novo sempre vem. Nosso desafio é saber usar bem esse novo, com equilíbrio e autorregulação, para que possamos colher resultados positivos para a sociedade”, argumenta.

A fala foi feita durante evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O texto foi aprovado no final do ano passado pelo Senado, e remetido em março para a Câmara. O projeto propõe diretrizes para o uso ético e seguro da IA, incluindo a proteção de dados, transparência e a criação de uma agência reguladora para o setor.

Durante a fala, o relator também defendeu que essa autorregulação deve ser acompanhada de uma “capacidade cultural” que permita um pensamento coletivo e a cobrança mútua sobre o uso responsável da tecnologia.

Governo Federal

Em diversas ocasiões, Aguinaldo reforçou que tem um bom diálogo e de forma constante com integrantes do governo para assegurar que o projeto contemple também o fomento necessário ao setor.

“Estamos conversando para construir um desenho que contemple o incentivo e a infraestrutura para a tecnologia, para que possamos cumprir as demandas reais desse novo momento. Isso é fundamental para que o Brasil não seja apenas um consumidor, mas também um produtor de soluções em IA,” disse.

Legislativo

Na Câmara dos Deputados, a comissão especial para tratar do tema foi instalada no dia 20 de maio, e tem como presidente a deputada Luisa Canziani (PSD-PR), enquanto o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) atua como relator.

Um dos objetivos do relator é que a iniciativa sirva como base para outros países: “Esse é um esforço coletivo que pode resultar em um modelo de regulação que seja referência para o mundo”.

Crianças nas redes: Motta decide dar mais tempo a projeto que regra plataformas

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Brasília (DF), 26/03/2025 - Alunos de escola no Itapuã, região administrativa do Distrito Federal. criança
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O colégio de líderes da Câmara decidiu dar mais 30 dias para a discussão do projeto de lei que obriga plataformas digitais a criar mecanismos contra a exposição de crianças e adolescentes (PL 2.628/22).

Nesta semana, deve ser realizada uma comissão-geral na Câmara, uma espécie de audiência pública ampliada feita no Plenário, com a participação de parlamentares, especialistas, representantes do setor de tecnologia e da sociedade. Outros mecanismos de discussão também são avaliados.

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Mobilização após vídeo

O tempo a mais atende a pedido da oposição que se diz preocupada com a possibilidade de que haja risco à liberdade de expressão. As obrigações estabelecidas no projeto e a possibilidade de punições às empresas que não conseguirem conter os conteúdos com crianças preocupa as big techs e reedita o embate entre governo e oposição no chamado “PL das Fake News”.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou que pretende colocar em votação projetos voltados à proteção de crianças e adolescentes nas redes digitais.

Motta destacou que o vídeo do influenciador Felca, que viralizou nos últimos dias. Na última quarta-feira (6), Felca publicou um vídeo em que denuncia casos de exploração de menores de idade, especialmente de forma sexualizada.

“Esse é um tema urgente, que toca no coração da nossa sociedade. Na Câmara, há uma série de projetos importantes sobre o assunto. Nesta semana, vamos pautar e enfrentar essa discussão”, disse Motta nas suas redes sociais.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), informou nesta terça-feira (12) que o governo Lula deve encaminhar ao Congresso um projeto de lei para regulamentar as grandes empresas de tecnologia no Brasil.

“O governo brasileiro defende a regulamentação e fiscalização dessas empresas, que acumulam lucros bilionários, muitas vezes às custas da integridade física e psicológica das pessoas”, disse Costa, em entrevista à Rádio Alvorada FM.

“MDIC está separando empresa por empresa”, diz Tebet sobre plano contra tarifaço

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Brasília (DF) - 08/07//2025 - A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, participar de audiência pública na Comissão Mista de Orçamento do Congresso.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A ministra do Planejamento e do Orçamento, Simone Tebet (MDB), alegou que a demora sobre a apresentação do Plano de contingência contra tarifaço se deve ao fato de que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços “[MDIC] está separando empresa por empresa”, disse.

A chefe da pasta ainda alegou que o governo federal está sendo criteriosos em relação aos pontos, “já que trata de dinheiro público”.

O governo federal trabalha na elaboração de um plano de contingência em resposta à tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O dia do anúncio ainda não foi divulgado, mas a expectativa é que seja anunciado pelo presidente Lula (PT) em breve. De acordo com Tebet, o que importa é não deixar nenhuma empresa de fora desse plano de contingência.

Impacto mínimo

Tebet ainda afirmou, durante conversas com jornalistas, que espera que seja “mínimo” o impacto do plano de socorro nas contas públicas: “Estamos absolutamente conscientes que o impacto dele vai ser mínimo. Vai ser única e exclusivamente no limite do necessário para não deixar nenhuma empresa para trás”.

Em um outro momento, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) frisou que o objetivo do governo não é fazer retaliação contra os Estados Unidos, e sim resolver a questão. Para o ministro do Desenvolvimento, a situação em diversos setores é preocupante, como no caso da carne, do café e da indústria de máquinas e motores.

Maioria acha que o tarifaço foi uma decisão política de Trump, aponta o Ipsos-Ipec

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Donald Trump
Foto: Carlos Barria

A pesquisa Ipsos-Ipec divulgada hoje (12) sobre o tarifaço aponta que 75% dos entrevistados acreditam que a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil foi uma questão política. 12% entendem que a decisão é comercial. 5% citaram ambas. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

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Antes do anúncio do tarifaço, Trump era avaliado positivamente (ótimo/bom) no Brasil por 48%. A avaliação negativa (ruim/péssima), por outro lado, era de 32%. O índice regular atingia 28%. Após a imposição do tarifaço, a imagem de Trump entre os brasileiros permaneceu a mesma para 51% dos entrevistados. 38% responderam que a imagem do presidente norte-americano mudou para pior. Apenas 6% responderam que a imagem de Trump melhorou.

De acordo com a pesquisa, 47% discordam totalmente/em parte em relação a frase “O Brasil deveria reavaliar sua parceria comercial e distanciar-se dos Estados Unidos”. Por outro lado, 36% concordam totalmente/em parte com a frase.

Para 49% concordam totalmente/em parte com a frase “O Brasil deve responder na mesma moeda, aplicando tarifas altas sobre os produtos americanos”. Por outro lado, 43% discordam totalmente/em parte com a frase.

A Ipsos-Ipec também mostrou que 68% concordam totalmente/em parte com a frase “O Brasil deveria priorizar acordos com outros parceiros comerciais como a China e a União Europeia”. 25% discordam totalmente/em parte da frase.

60% concordam totalmente/em parte da frase “A situação de embate com os Estados Unidos podem deixar o Brasil mais isolado no cenário internacional”. Por outro lado, 32% discordam totalmente/em parte da frase.

Ao serem questionados em relação a atitudes que será tomada caso o tarifaço prejudique a economia brasileira, 39% disseram que irão priorizar o consumo de produtos nacionais. 22% prometem deixar de comprar produtos americanos. 9% dizem que apoiarão políticos brasileiros que defendam o distanciamento dos Estados Unidos, buscando acordos com outros países. 5% prometem cancelar ou repensar planos de viagem para os Estados Unidos.

Os números da pesquisa Ipsos-Ipec sobre o tarifaço mostram uma divisão na opinião pública em relação às ações que o governo brasileiro deve tomar. Apesar do desgaste para Donald Trump e do fato da maioria dos entrevistados entenderem que o tarifaço envolve mais questões políticas que comerciais, a maioria dos entrevistados não mudou sua avaliação sobre o presidente norte-americano após o tarifaço. Além disso, entendem que o Brasil ficará mais isolado internacionalmente.

Há também uma divisão em relação a possível retaliação comercial do Brasil em relação aos Estados Unidos. No entanto, a maioria é favorável ao Brasil priorizar outros parceiros comerciais e também promete priorizar o consumo de produtos nacionais.

Lula e Xi Jinping conversam sobre cooperação estratégica em meio à tarifaço dos EUA

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13.05.2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, durante a cerimônia de assinatura de Atos, no Palácio do Povo. Pequim - China.


Foto: Ricardo Stuckert / PR

Na noite de segunda-feira (11), o presidente Lula (PT) conversou por cerca de uma hora com o presidente chinês Xi Jinping, reforçando a disposição mútua de ampliar os negócios bilaterais em um momento de tensões comerciais provocadas por tarifas dos Estados Unidos elevadas contra o Brasil e outros países.

Segundo a agência chinesa Xinhua, Xi defendeu a busca por “unidade e autossuficiência” entre as nações do Sul Global para construir um mundo mais justo e sustentável. Ele também conclamou oposição conjunta ao unilateralismo e protecionismo, destacando o papel do G20 e do BRICS na promoção do multilateralismo e da construção de consensos.

“Xi disse ainda que a China apoia o povo brasileiro na defesa de sua soberania nacional e apoia o Brasil na salvaguarda de seus direitos e interesses legítimos”, disse a agência.

Parceria estratégica

A China é o maior parceiro comercial do Brasil, e os dois países mantêm uma Parceria Estratégica Global, nível mais elevado de relações diplomáticas. Em nota, a Presidência brasileira informou que ambos os presidentes saudaram os avanços nas sinergias entre seus programas nacionais de desenvolvimento e se comprometeram a ampliar a cooperação em saúde, petróleo e gás, economia digital e tecnologia de satélites.

Em especial, Lula buscou intermediar a retomada das exportações brasileiras de carne de frango para a China, após o Brasil recuperar o status de país livre de gripe aviária, uma importante pauta para o maior mercado consumidor da proteína brasileira.

Tarifaço

Desde abril, os Estados Unidos impuseram tarifas sobre produtos brasileiros, que foram elevadas para 50% em julho, impactando cerca de 36% das exportações para aquele mercado, o que representa 4% do total exportado pelo Brasil.

O governo federal finaliza um plano de contingência para mitigar os efeitos dessas tarifas nas cadeias produtivas, incluindo medidas de crédito para setores afetados e aumento das compras públicas, enquanto expande esforços para acessar novos mercados.

Participação chinesa na COP30

Os presidentes também trocaram impressões sobre a conjuntura internacional e os esforços para a paz na guerra Rússia-Ucrânia. Lula destacou a importância da participação chinesa na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém, Pará, em novembro.

Xi afirmou que a China enviará “delegação de alto nível”, e trabalhará em conjunto com o Brasil para o sucesso do evento.

Inflação é de 0,26% em julho, segundo dados do IBGE

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Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou, pelo segundo mês seguido, queda no grupo alimentos e bebidas, que tem o maior peso no índice, com variação negativa de 0,27% entre junho e julho. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12).

Entretanto, a alta na conta de luz pressionou a inflação oficial em julho, levando o IPCA a fechar o mês em 0,26%, ligeiramente acima dos 0,24% registrados em maio.

O IBGE divulgou que o IPCA acumulou alta de 5,23% nos últimos 12 meses. Esse resultado ultrapassa o limite máximo da meta de inflação, que considera a meta central de 3%, acrescida da margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, totalizando 4,5%.

Desde setembro de 2024, a taxa de inflação permanece acima do teto da meta, quando marcou 4,42%. Em abril, atingiu o nível mais elevado, com 5,53%. Apesar disso, em julho, a inflação recuou para 5,23%, ficando abaixo dos 5,35% registrados no período encerrado em junho.

Em julho, a conta de energia elétrica residencial subiu 3,04%, exercendo o maior impacto individual no IPCA, equivalente a 0,12 ponto percentual. Essa elevação contribuiu para que o grupo Habitação avançasse 0,91%, com impacto total de 0,14 ponto percentual no índice geral.

Bandeira tarifária vermelha

A principal causa da alta na conta de luz é a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que o governo instituiu para custear as usinas termelétricas durante o período de baixos níveis nos reservatórios das hidrelétricas. Essa cobrança adicional de R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos começou em junho e foi mantida em julho.

Além disso, reajustes nas tarifas de energia em cidades como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro também pressionaram a conta de luz. Como o IPCA é calculado a nível nacional, esses aumentos regionais impactaram o índice geral.

Segundo o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, sem a influência do aumento na conta de luz, o IPCA teria fechado julho em 0,15%. De janeiro a julho, a energia elétrica residencial subiu 10,18%, bem acima do IPCA acumulado no mesmo período, que foi de 3,26%.

Alimentos e bebidas caem 0,27%

Em julho, o grupo alimentos e Bebidas apresentou recuo de 0,27%, contribuindo assim para aliviar o IPCA do mês em 0,06 ponto percentual. Essa foi a maior queda desde agosto de 2024, quando o grupo registrou variação negativa de 0,44%. Após nove meses seguidos de alta, portanto, o grupo voltou a cair nos meses de junho e julho.

Além disso, o principal responsável pela queda em julho foi a alimentação no domicílio, que caiu 0,69%. Entre os itens que mais influenciaram essa retração estão a batata-inglesa (-20,27%), a cebola (-13,26%) e o arroz (-2,89%). Vale destacar que, em junho, os alimentos já haviam recuado 0,18%.

Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa, explica que, se os preços dos alimentos não tivessem diminuído em média, o IPCA de julho teria fechado em 0,41%, e não em 0,26%.

ANTT prevê enviar estudos do novo projeto da Ferrogrão ao TCU até novembro

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Trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), ferrogrão
Foto: Ministério da Infraestrutura

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) pretende enviar ao Tribunal de Contas da União (TCU) os estudos complementares do projeto da EF-170, ferrovia que deverá conectar Sinop, em Mato Grosso, ao porto fluvial de Miritituba no rio Tapajós, no sul do Pará entre outubro e novembro.

Segundo o diretor-geral da agência Theo Sampaio os pontos mais sensíveis do projeto foram dirimidos. “Nossa expectativa é mandar esse material no último trimestre ao TCU e ter a realização do leilão no ano que vem”, disse.

O passo seguinte é aguardar a análise da corte, para posterior publicação do edital do projeto da ferrovia. A ideia desta malha ferroviária arrasta-se há mais de 15 anos, enfrentando resistência de entidades ambientais e de povos indígenas, cujas terras seriam cortadas pelos trilhos da ferrovia.

O traçado de 940 km proposto originalmente entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), corta áreas de alta sensibilidade socioambiental, como o Parque Nacional do Jamanxim, localizado no estado do Pará. Uma medida provisória editada durante o governo Michel Temer desmembrava parte do parque por onde passariam os trilhos.

O PSOL recorreu ao STF sob o argumento que o assunto não poderia ser resolvido via MP, mas por Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Ainda não houve, solução o caso. O conflito passa também pela consulta prévia aos povos indígenas que seriam potencialmente afetados.

Há um mês surgiu a proposta para que o traçado da ferrovia siga em paralelo ao trecho da BR-163, usando a faixa de domínio da rodovia. O projeto que a ANTT pretende enviar ao TCU entre outubro e novembro busca solucionar esta questão.

Esse trecho da BR-163 foi concedido em 2021, com um contrato de dez anos (tempo que foi considerado suficiente para a implantação da Ferrogrão). Como   projeto da ferrovia ainda não deslanchou, encontra-se em avaliação a renegociação do prazo do contrato da rodovia, com previsão de novas obras (como duplicação de segmentos com maior fluxo de caminhões).

Novos operadores

Durante evento sobre os desafios do transporte ferroviário, realizado na semana passada na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o superintendente de Transporte Ferroviário da ANTT, Alessandro Baumgartner, tratou do papel da regulação para reverter gargalos históricos do setor, especialmente relacionados aos trechos ociosos das atuais concessões.

“Esses contratos foram formulados há pelo menos 30 anos, com modelo de verticalização, sem obrigações e instrumentos eficazes. Isso vem evoluindo, mas é preciso corrigir as falhas herdadas”.

Citou ainda que mais de 40 propostas de trechos ociosos encontram-se em análise na agência. O primeiro chamamento público para exploração desses trechos está previsto ainda para este ano, no corredor Minas-Rio, com entrada de novos operadores ferroviários.

Disse que há avanços concretos na regulação e iniciativas voltadas a garantir maior participação dos “donos da carga” no planejamento, regulação e fiscalização do setor.

Análise: Cresce a instabilidade política

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL), decretada no último dia 4 pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), injetou mais um fato no cenário de instabilidade que o país atravessa. Com a prisão, os aliados do ex-presidente conseguiram impor a narrativa da “perseguição política”, sobretudo porque a decisão de Moraes decorreu do fato de Bolsonaro ter aparecido nas redes sociais de aliados durante a manifestação de apoio a ele realizada no dia 3 de agosto em várias cidades, o que, de acordo com as medidas cautelares, estava proibido.

Além de mobilizar o bolsonarismo em torno da narrativa da “perseguição”, líderes do centro, como o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), criticaram a prisão. Também partidos, como o União Brasil e o PP, aderiram à ocupação das presidências da Câmara e do Senado realizada por parte dos deputados mais fiéis ao bolsonarismo.

O bolsonarismo conseguiu ainda reunir 41 assinaturas de senadores com o objetivo de tentar viabilizar o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes. Além de pautar a agenda política, a mobilização bolsonarista teve êxito em deixar em plano secundário o impacto negativo da entrada em vigor do tarifaço imposto contra o Brasil pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fato que, nas semanas anteriores, havia servido de combustível para o presidente Lula (PT) se apropriar da pauta de defesa da soberania.

Embora a ofensiva do bolsonarismo tenha equilibrado o duelo de narrativas com o governo, também há desgastes para a oposição. Ao bloquear os trabalhos no Congresso com uma agenda que agrada essencialmente aos simpatizantes de Jair Bolsonaro, a oposição pode ser acusada de ter optado por uma ação radical que causa mais prejuízos ainda à imagem de aliados mais próximos do ex-presidente.

O governo Lula evitou comentar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, principalmente após a direita ter demonstrado capacidade de mobilização, mas há sinais de alerta para o Palácio do Planalto. Embora o bloqueio do Congresso tenha cessado, a possível prisão de Jair Bolsonaro em regime fechado – o que deve ocorrer se o ex-presidente for condenado no inquérito da tentativa de golpe de Estado – poderá provocar novos eventos como os da semana passada, causando prejuízos ao andamento da pauta econômica.

Mesmo sendo improvável que a agenda da anistia prospere no Congresso, bem como o impeachment de Moraes, o ambiente de instabilidade institucional é negativo para o governo, já que Lula necessita recuperar popularidade. A esses eventos somam-se eventuais novas sanções econômicas impostas por Donald Trump, aumentando a pressão sobre Lula. Na última sexta-feira (08), o Itamaraty convocou o encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA, Gabriel Escobar, após a representação americana no Brasil fazer ameaças aos ministros do STF.