Paes lidera cenários de 2026 no Rio, aponta o Instituto Paraná
Pix por aproximação exige criação de novas tecnologias
Atualmente, muitas pessoas compram por Pix apenas ao aproximar o celular da maquininha, sem precisar abrir o aplicativo do banco. No entanto, embora essa ação pareça simples, o Pix por aproximação, lançado em fevereiro, exigiu a criação de novas tecnologias.
Para funcionar, ele associa a conta do Pix à carteira virtual do celular e, consequentemente, promove uma troca segura de informações entre o comércio, os bancos e a administradora da máquina.
Da mesma forma, o conceito de compartilhamento de dados sustenta o open finance, que completou cinco anos na semana passada. Nesse sistema, o usuário autoriza o uso de suas informações pessoais por terceiros e, além disso, pode cancelar a permissão a qualquer momento. Tudo acontece sob a regulação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Open finance
O open finance está cada vez mais presente na vida dos correntistas. O sistema desempenhou papel decisivo no lançamento do Pix automático, em junho, que substituirá o boleto bancário. Nesse formato, o correntista acessa o aplicativo do banco apenas uma vez, autoriza a cobrança periódica e, assim, libera o uso de seus dados financeiros.
Além disso, o open finance possibilita consultar saldos de contas de diferentes instituições em uma única tela. Também amplia o acesso ao crédito, já que oferece taxas de juros mais baixas para bons pagadores e aumenta em até 30% a aprovação dos tomadores. Desde abril de 2023, as instituições financeiras compartilham ainda informações sobre:
- Investimentos;
- Câmbio;
- Seguros;
- Previdência privada;
- Capitalização;
- Credenciamento.
Open finance enfrenta obstáculos
Segundo a Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init), em entrevista para a Agência Brasil, a expansão do open finance ainda enfrenta obstáculos. O primeiro é elevar a taxa de conversão dos pagamentos. Atualmente, de 50% a 60% das operações realizadas por meio do open finance são concluídas sem erros, de acordo com a entidade.
Apesar das falhas ou das transações não finalizadas, Gustavo Lino, diretor executivo da associação, afirma que o open finance se mostra mais seguro do que as operações feitas com cartões bancários. Ele reforça:
“A segurança das transações no open finance é excelente. Os casos de fraude e golpes são ínfimos”.
Como exemplo, Lino destaca o Pix por aproximação. Nesse modelo, o cliente confere o valor digitado pelo comerciante diretamente na tela do celular antes de aproximar o aparelho. Já nos cartões de crédito e débito por aproximação, a conferência ocorre apenas na máquina do estabelecimento.
Além disso, as iniciadoras de pagamentos, empresas autorizadas pelo Banco Central, iniciam transações sem deter os recursos das contas envolvidas. Elas facilitam a comunicação entre instituições financeiras e permitem que os usuários realizem pagamentos e transferências sem acessar diretamente o aplicativo do banco.
Portabilidade de crédito
O Banco Central (BC) dará um novo passo no open finance ao lançar a portabilidade de crédito, permitindo que os correntistas compartilhem dados para transferir operações de crédito entre diferentes bancos. A previsão é que isso ocorra em fevereiro de 2026.
Além disso, caso não haja atrasos, a portabilidade será estendida ao crédito consignado. Atualmente, esse tipo de transferência é restrito a trabalhadores da iniciativa privada e só pode ser realizado pelo aplicativo do próprio banco. A partir de novembro, o recurso também estará disponível no aplicativo Carteira de Trabalho Digital. Com a chegada do open finance, entretanto, o processo poderá ser feito fora da plataforma Crédito do Trabalhador, tornando a transferência mais ágil e acessível.
Análise: Principais temas de setembro
Setembro será bem movimentado nos Três Poderes, tanto do ponto de vista jurídico-político quanto na área fiscal.
No campo jurídico, com fortes repercussões na esfera política, ocorre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete acusados no inquérito que investiga tentativa de golpe de Estado em 2022. O julgamento começa amanhã (dia 2, terça-feira) e a previsão é de que se encerre no dia 12. A partir da esperada condenação do ex-presidente, a oposição deve intensificar as mobilizações no Congresso e nas ruas.
O governo tem uma agenda robusta no Legislativo ao longo do mês, com impacto fiscal relevante. Um dos temas prioritários na Câmara é o que trata da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. O governo está preocupado com a possibilidade de parte das medidas compensatórias ser rejeitada. Sem elas, o impacto seria de R$ 100 bilhões.
O governo precisa também avançar na análise de algumas medidas provisórias. A MP nº 1.303/25, que trata de aumento de tributos (bets, aplicações financeiras etc.), tem prazo de validade até 8 de outubro. Assim, o relator, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), vai apresentar seu parecer na segunda quinzena de setembro. Em seguida, o texto será analisado pelo plenário da Câmara. O governo espera arrecadar R$ 10,5 bilhões com as mudanças, em 2025, e R$ 20,6 bilhões, em 2026.
A MP nº 1.300/25, que trata do setor elétrico, precisa ser votada até o dia 17, mas a Comissão Mista só foi instalada na semana passada.
No Senado Federal, espera-se avanço do projeto relacionado à regulamentação da Reforma Tributária (Comitê Gestor, PLP nº 108/22). A expectativa é de que no dia 17 seja votado o parecer do relator, Eduardo Braga (MDB-AM), na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
No dia 29 de setembro, o ministro Edson Fachin assume a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), em substituição a Luís Roberto Barroso, ficando à frente da Corte no biênio 2025-2027. Alexandre de Moraes será o vice-presidente. Há especulações sobre a saída de Barroso do Supremo, o que abriria caminho para o presidente Lula fazer mais uma indicação para o STF.
Lula participará este mês da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Seu discurso deve se centrar em críticas ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil.
Nos dias 16 e 17, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para decidir a taxa básica de juros, hoje em 15% ao ano.
STF inicia amanhã julgamento de Bolsonaro e aliados
O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (2), a partir das 9h, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete aliados acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de envolvimento na tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022.
Trata-se de um dos momentos mais emblemáticos desde a redemocratização do país, com possibilidade inédita de prisão de um ex-presidente e militares de alta patente por tentativa de golpe de Estado.
São os réus:
- Alexandre Ramagem (PL-RJ): ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e atual deputado federal;
- Almir Garnier: almirante e ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres: ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
- Augusto Heleno: general da reserva e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
- Jair Bolsonaro (PL): ex-presidente da República, atualmente em prisão domiciliar;
- Mauro Cid: tenente-coronel, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e delator do esquema;
- Paulo Sérgio Nogueira: general e ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto: general da reserva, ex-ministro da Casa Civil, ex-ministro da Defesa e candidato à vice na chapa de 2022 (PL), atualmente preso;
Segurança reforçada e grande interesse público
Para garantir tranquilidade e segurança, a Corte restringiu a circulação de pessoas nos edifícios, realizou varreduras com cães farejadores e reforçou o monitoramento com drones.
O julgamento terá ampla cobertura jornalística, atingindo 501 pedidos de credenciamento de profissionais de imprensa, além de 3.357 inscrições de interessados em acompanhar presencialmente, com apenas 1.200 contemplados devido à limitação de espaço.
De qualquer forma, o público contemplado só poderá acompanhar o julgamento por meio de um telão na Segunda Turma. O espaço da Primeira Turma está reservado aos réus e suas defesas, além dos profissionais de imprensa.
Rito do julgamento
A sessão será aberta pelo presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin, que dará a palavra ao relator Alexandre de Moraes para a leitura do relatório. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, terá até duas horas para apresentar sua sustentação e a acusação. Os advogados de defesa, por sua vez, terão até uma hora cada para suas manifestações.
O relator Alexandre de Moraes será o primeiro a votar, seguido por Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. A decisão dependerá do voto da maioria dos cinco ministros — três votos bastam para condenação ou absolvição.
Em caso de condenação, as prisões não são automáticas e só ocorrem após análise de eventuais recursos.
Crimes em julgamento
Bolsonaro, ex-ministros, generais e outros aliados respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado.
Apenas Alexandre Ramagem responde por três dos cinco crimes, devido à prerrogativa de função parlamentar. O deputado continua respondendo pelos crimes de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
A denúncia da PGR separou os 32 acusados em cinco núcleos de atuação, levando em conta a separação já feita pela investigação da Polícia Federal (PF). O julgamento que se inicia amanhã é composto pelo primeiro núcleo, chamado “núcleo crucial”, onde estão as pessoas em comando de toda a tentativa de golpe de Estado.
Brasil convoca setor privado a acelerar ação climática na COP30
A presidência brasileira da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), liderada pelo embaixador André Corrêa do Lago, divulgou nesta sexta-feira (28) uma nova carta direcionada à comunidade internacional. O comunicado convida o setor privado a integrar de forma mais efetiva a agenda de ação climática proposta pelo Brasil.
Segundo o documento, embora o setor privado já tenha desempenhado um papel importante no avanço da transição verde, é hora de “avançar de forma exponencial”. Corrêa do Lago destacou que a COP30, que será realizada em Belém (PA) em 2025, pode se tornar um marco para a definição de novas regras do mercado global, abrindo caminho para negócios transformadores com base em soluções sustentáveis.
A carta cita como exemplo a transição energética, que, de acordo com um relatório das Nações Unidas, movimentou mais de US$ 2 bilhões em investimentos globais em 2023 e gerou cerca de 35 milhões de empregos no mesmo período.
Investimento e monitoramento
Para a diretora executiva da COP30, Ana Toni, esses resultados são fruto da atuação de empresas pioneiras que já vêm liderando a transformação para uma economia de baixo carbono.
Como estratégia de engajamento, a presidência brasileira sugere que o setor privado oriente suas ações com base no primeiro Balanço Global (Global Stocktake – GST), mecanismo de avaliação do Acordo de Paris apresentado na COP28. O Brasil também anunciou o desenvolvimento de uma nova ferramenta de monitoramento de iniciativas privadas, com o objetivo de mapear e otimizar os projetos em andamento.
Essa ferramenta contará com a atuação de um “Grupo de Ativação”, responsável por reunir projetos pioneiros, escaláveis e com resultados reais em uma plataforma batizada de Celeiro de Soluções. Cada iniciativa será acompanhada de um Plano de Aceleração de Soluções, que incluirá propostas de ajustes regulatórios, estabelecimento de parcerias e mecanismos de financiamento.
“O que estamos propondo é um chamado à ação que vai além das negociações formais. É uma provocação ao secretariado da Convenção do Clima, no sentido de que é preciso acompanhar, incentivar e impulsionar as ações concretas, e não apenas cobrá-las”, afirmou Corrêa do Lago.
A expectativa da liderança brasileira é que a COP30 seja palco de um novo momento para a governança climática global, com o setor privado ocupando papel central na implementação de soluções sustentáveis em larga escala.
Mercado reduz previsão de inflação para 2025 pela 14ª semana seguida
O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Banco Central (BC), aponta que o mercado financeiro voltou a revisar para baixo, pela décima quarta semana consecutiva, a projeção para o IPCA de 2025. A expectativa para o índice recuou de 4,86% para 4,85%.
Já para o câmbio, a projeção para o dólar recuou, chegando em R$ 5,56. Para o PIB de 2025, o número subiu levemente, para 2,19%, indicando ainda uma manutenção de cenário de crescimento econômico moderado.
Próximos anos
Para os anos seguintes, as expectativas de inflação subiram levemente ou foram mantidas:
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IPCA de 2026: 4,31% (era 4,33% na semana passada)
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IPCA de 2027: 3,94% (era 3,97%)
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IPCA de 2028: 3,80% (estável há 6 semanas)
No caso do IGP-M, principal referência para reajustes de contratos de aluguel:
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2025: 1,14% (era 1,04%)
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2026: 4,23% (era 4,27%)
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2027: 4,00% (estável há 33 semanas)
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2028: 3,98% (estável)
PIB e dólar
As expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permanecem moderadas:
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2025: 2,19% (era 2,18%)
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2026: 1,87% (era 1,86%)
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2027: 1,89% (era 1,87%)
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2028: 2,00% (estável há 77 semanas)
Já com o dólar, leves alterações:
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2025: R$ 5,56 (era R$ 5,59)
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2026: R$ 5,62 (era R$ 5,64)
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2027: R$ 5,62 (era R$ 5,63)
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2028: R$ 5,60 (estável)
Taxa Selic
A projeção para a taxa básica de juros permanece inalterada há semanas, refletindo consenso sobre estabilidade no cenário de política monetária:
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2025: 15% (mesmo valor há 10 semanas)
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2026: 12,50% (mesmo valor há 31 semanas)
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2027: 10,50% (mesmo valor há 29 semanas)
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2028: 10,00% (mesmo valor há 36 semanas)
Termômetro das expectativas
O Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central, e reúne projeções de economistas, analistas e operadores do mercado financeiro. Ele serve como um termômetro das expectativas econômicas, e influencia decisões de empresas, investidores e do próprio governo.
Como será a semana – 01/9 a 07/9
O STF inicia o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus acusados de tentativa de golpe de Estado em 2022. O presidente Lula lança o programa Gás do Povo, reformulação do programa Gás para Todos. Na Câmara, o governo tenta avançar com o projeto que trata da isenção do imposto de renda. O IBGE divulgará o PIB do 2º trimestre do ano. União Brasil decide sobre a permanência no governo.
AGENDA POLÍTICA DA SEMANA
Próxima semana
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Equipe econômica e lideranças partidárias se reúnem para discutir o projeto de lei que trata da isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais.
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Projeto do Orçamento da União de 2026 inicia tramitação no Congresso Nacional.
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Pode ser instalada na Câmara Comissão Especial destinada a analisar a proposta de emenda à Constituição que trata da Segurança Pública.
Segunda-feira (01/09)
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A CPMI do INSS ouve o advogado Eli Cohen, apontado como responsável por reunir provas e conduzir investigações que revelaram o alcance do esquema de filiações forjadas e cobranças ilegais sobre benefícios do INSS.
Terça-feira (02/09)
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A Comissão Mista de Orçamento pode votar o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 (PLN 2/25).
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O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reúne com líderes partidários para discutir a pauta de votações da semana.
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Reunião, às 14h30, da Comissão Mista que discute a MP 1300/25, que trata do setor elétrico.
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A Comissão Especial da Câmara sobre regulamentação dos trabalhadores por aplicativo (PLP 152/25) realiza audiência pública com Aloysio Corrêa da Veiga, Presidente do Superior Tribunal do Trabalho – TST, e Luiz Marinho, Ministro do Trabalho e Emprego.
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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal inicia julgamento de Jair Bolsonaro e outras sete pessoas por tentativa de golpe de estado. Haverá sessões também nos dias 3, 9, 10 e 12 de setembro.
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O IBGE divulga o resultado do PIB do 2º trimestre do ano.
Quarta-feira (03/09)
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Reunião da cúpula do União Brasil para decidir sobre a permanência ou a entrega dos cargos que o partido ocupa na estrutura federal.
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A Câmara dos Deputados realiza comissão geral para discutir proposta de reforma administrativa.
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A Comissão Mista que discute a MP 1303/25, que trata da tributação de bets e aplicações financeiras, promove audiência pública para tratar de Debêntures incentivadas, LCIs, FIIs, LCAs e FIAGROS com Nelson Barbosa (BNDES), representante da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), entre outros.
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A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara realiza audiência pública, às 9h30, sobre os desafios e oportunidades dos data centers no Brasil e o PL 1.680/2025.
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A Comissão de Educação da Câmara discute, às 16h30, quitação de parcelas futuras do FIES (Financiamento Estudantil) para estudantes adimplentes.
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Missão empresarial liderada pela Confederação Nacional da Indústria visita Washington (EUA), nesta quarta e quinta, para discutir relação comercial entre os dois países.
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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) retoma análise do processo que apura a parceria entre a Azul e a Gol por meio de um acordo de codeshare.
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O IBGE divulga produção industrial em julho.
Quinta-feira (04/09)
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O presidente Lula lança, em Minas Gerais, o programa Gás do Povo, cuja estimativa é atingir 15,5 milhões de famílias.
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A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulga a balança comercial de agosto.
Sexta-feira (05/09)
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Arthur Watt toma posse como diretor-presidente da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), às 8h, na FGV. Pietro Mendes também toma posse como diretor da agência.
Domingo (07/09)
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O presidente Lula participa, em Brasília, da celebração do Dia da Independência do Brasil.
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Previstas manifestações de esquerda e de direita em várias cidades do país.
Transporte tem maior ciclo de investimento, com 16 leilões em menos de três anos
A infraestrutura de transportes vive seu maior ciclo de investimentos no Brasil. Somente o modal rodoviário recebeu, nos últimos dois anos e oito meses, R$ 176 bilhões em aportes realizados pelo setor privado em 16 leilões.
Ao participar de audiência pública na Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara, na quarta-feira (20), o ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que, mantido o ritmo atual, a previsão é de que o investimento privado atinja a marca anual de R$ 45 bilhões em 2030.
“Isso, isoladamente, deve gerar um crescimento anual de 0,3% do PIB. A previsão de investimentos privados para o período de sete anos é de R$ 218 bilhões, de 2023 até 2029”, disse o ministro. “Nosso desafio é acompanhar o crescimento da safra brasileira. Somente este ano, há previsão de 345 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 16% em relação à safra anterior”, acrescentou.
O ministro observou ainda que a tendência é que os portos que compõem o chamado Arco Norte continuem ampliando sua participação no escoamento para o mercado externo da produção gerada pelo agronegócio. A participação desses portos passou de 26% da exportação nacional, em 2017, para 38%, em 2024, contabilizou Renan Filho. Lembrou ainda que as atenções também se voltam para a melhoria da logística nesses portos.
Nesse sentido, a concessão da BR-364 em Mato Grosso e Rondônia, em fevereiro, vai dar mais segurança ao tráfego de caminhões em direção a Porto Velho, no rio Madeira. As negociações envolvendo o contrato do trecho da BR-163 entre Mato Grosso e o Pará terão o mesmo papel em relação ao porto de Miritituba (PA), na hidrovia do rio Tapajós.
Renovação da FCA
Durante a audiência na CVT, Renan Filho afirmou que o contrato de concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), operada pela VLI Logística, será o maior investimento ferroviário da história do país – em torno de R$ 30 bilhões, ao longo do termo aditivo do futuro contrato. O ministro disse que o TCU vai avaliar as possíveis vantagens de uma prorrogação de contrato, debatido desde 2015, e frisou que o debate é “técnico”.
Anac lança plataforma para facilitar serviços financeiros no setor aéreo
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) lançou o Anac Pay, uma nova plataforma digital que promete trazer mais agilidade, transparência e praticidade na gestão de informações financeiras e na realização de pagamentos relacionados aos serviços da Agência. A ferramenta é voltada a diversos públicos que atuam no setor aéreo, como gestores aeroportuários, profissionais da aviação civil, empresas aéreas, operadores e proprietários de aeronaves, além de organizações de instrução e manutenção aeronáutica.
Funcionalidades
Com interface simples e intuitiva, o Anac Pay unifica a visualização e o gerenciamento de obrigações financeiras com a Anac. Entre as funcionalidades já disponíveis estão a emissão da Certidão de Nada Consta, que comprova a inexistência de débitos com a Agência; a consulta de extratos de débitos, que incluem multas, contratos administrativos e taxas; e a geração de segunda via de boletos para pagamento de valores pendentes, desde que ainda não inscritos em Dívida Ativa da União.
A ferramenta é integrada ao sistema bancário, permitindo que os pagamentos feitos sejam automaticamente reconhecidos pela plataforma. Um exemplo prático é a integração com o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB): ao solicitar um serviço, o sistema gera automaticamente um boleto ou QR code. Após o pagamento, o registro da quitação aparece automaticamente no Anac Pay, permitindo o acompanhamento em tempo real.
Disponibilidade
Os serviços do Anac Pay estão disponíveis por meio da plataforma Santos Dumont e podem ser acessados com conta gov.br de nível prata ou ouro. Após o login, o usuário pode escolher entre acessar as informações como pessoa física ou jurídica neste último caso, é necessário estar cadastrado no sistema SEI como responsável legal da empresa ou possuir procuração eletrônica válida.
Em breve, novas funcionalidades serão incorporadas à plataforma, como a solicitação e o acompanhamento de parcelamento de dívidas com a Anac e a restituição de multas ou taxas (TFAC) pagas indevidamente.
Estratégia de transformação digital
O Anac Pay faz parte da estratégia de transformação digital da Agência para o período de 2024 a 2026, voltada à modernização dos serviços públicos com foco na experiência do cidadão. A iniciativa se soma a outras soluções digitais lançadas recentemente, como o Super App, que facilita o acesso de aspirantes a pilotos e outros profissionais da aviação às informações da Anac; o RAB Digital, que modernizou o registro de aeronaves e seus documentos; e o Sisant, voltado ao cadastro de drones.
Esses avanços colocaram a Anac entre os órgãos mais bem avaliados pelo público. Em agosto de 2025, a Agência conquistou a 9ª colocação no ranking de Avaliação de Satisfação de Usuários do Governo Federal, entre 128 instituições classificadas.
Análise: Superfederação nasce sem futuro definido
A federação União Progressista – UPB (União Brasil e Progressistas) foi lançada oficialmente na semana passada com discursos marcados por oposição ao governo Lula. Chamada de “superfederação”, a UPB será decisiva na próxima eleição, pois é hoje a maior força política do país. Embora não deva estar no palanque lulista em 2026, também não tem destino definido.
Conforme ocorreu com outras federações partidárias criadas em 2022, a UPB deve enfrentar desgastes internos. A convivência obrigatória entre legendas, mesmo com afinidade ideológica ou programática, inevitavelmente gera atritos. O único interesse comum gira em torno da conquista de espaço político, o que, naturalmente, provoca disputas entre os parceiros. No caso da UPB, esse processo tende a ser ainda mais complexo, uma vez que reúne duas siglas robustas, com grande diversidade interna e interesses locais frequentemente conflitantes.
No plano nacional, a federação nasce com visões distintas de três lideranças de peso. O presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira, articula apoio à candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com a intenção de ser vice em sua chapa. Tarcísio é hoje o nome com maior receptividade dentro do bloco. Já no União Brasil, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, lançou sua pré-candidatura, mas suas chances de ser abraçado pela federação são reduzidas. Paralelamente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), comanda uma ala minoritária que prefere manter laços com o presidente Lula (PT), embora em público o discurso seja de independência.
Diante dessa divisão, dificilmente a UPB chegará a um consenso antecipado sobre a eleição presidencial. O cenário deve se tornar ainda mais incerto se as pesquisas continuarem a apontar uma recuperação de Lula entre o eleitorado. Mesmo que haja apoio oficial a Tarcísio ou Caiado, não deverá ocorrer adesão integral. Também não se pode descartar a hipótese de a UPB liberar cada seção estadual para decidir suas alianças locais e sua posição em nível nacional.
Além disso, União Brasil e Progressistas enfrentarão dificuldades para obrigar filiados que ocupam espaços no governo a romper imediatamente com Lula. Qualquer tentativa de punição seria complexa e traumática. É inimaginável, por exemplo, aplicar sanções a Alcolumbre por manter controle sobre cargos na máquina federal. Assim, a tendência é que nada de concreto se defina antes do prazo final para a desincompatibilização de ministros, em 4 de abril de 2026.
Um mês antes, será aberta a janela partidária, período em que deputados federais e estaduais podem trocar de legenda livremente em busca de melhores condições eleitorais. Esse será o momento em que se poderá medir – pelo número de desfiliações nos dois partidos – o grau de insatisfação nos seus respectivos estados com a aliança.










