PSD mantém cautela e aguarda relatório do PL da Dosimetria para definição de posição
Análise: Temas da agenda de outubro
A agenda de outubro levará a definições importantes no campo legislativo e no político.
A Medida Provisória nº 1.303/25, que trata da tributação de bets e aplicações financeiras, perde validade no dia 8 de outubro. A MP, apresentada pelo governo em alternativa à elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), tem arrecadação projetada de R$ 10,5 bilhões, em 2025, e de R$ 21,8 bilhões, em 2026. O montante é fundamental para o governo conseguir fechar as contas.
O governo também espera concluir na Câmara dos Deputados a votação do projeto de lei que trata da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. O texto começa a tramitar no Senado Federal em outubro.
Outro tema que continuará movimentando o Congresso ao longo do próximo mês é o da anistia. O relator, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), está tentando construir um texto consensual voltado para a redução das penas dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado. O texto terá de passar também pelo Senado.
O Senado deve concluir a votação do texto da regulamentação da Reforma Tributária, que trata da criação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), nesta terça (30). Por conta das alterações feitas pelos senadores, o texto terá de retornar à Câmara, onde os deputados darão a palavra final sobre a matéria.
Pela regra eleitoral, termina no dia 6 de outubro o prazo para alterações na legislação com vistas às eleições de 2026. A Constituição determina que qualquer alteração nas regras eleitorais deve ser aprovada com um ano de antecedência.
O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou, no último dia 24, a ata do julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras sete pessoas por tentativa de golpe de Estado. Com isso abriu-se o prazo de 60 dias para os ministros publicarem seus votos por escrito. Só então o acórdão do julgamento, documento oficial da sentença, será publicado. Em seguida, as defesas dos réus podem apresentar embargos ao STF. A expectativa é de que o Supremo não use os 60 dias de praxe e o acórdão seja publicado no fim de outubro.
Vale ressaltar também a possibilidade de avanços nas negociações entre Brasil e Estados Unidos a partir de outubro, após a reunião entre o presidente Lula (PT) e o presidente Donald Trump.
Ministro Edson Fachin marca data para julgar Ferrogrão
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin marcou para esta quarta (1º) o julgamento do processo envolvendo a Ferrogrão (EF-170), projeto ferroviário que pretende conectar o centro de Mato Grosso (Sinop) ao porto fluvial de Miritituba, no rio Tapajós, no sul do Pará.
O projeto desta ferrovia encontra-se travado há quatro anos no Supremo, em razão de uma decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes, em ação impetrada pelo PSOL.
A controvérsia envolve a supressão de área do Parque Nacional do Jamanxim, unidade de conservação localizada no Pará. O Congresso aprovou uma medida provisória (756/16) do governo Michel Temer, alterando limites do parque. O argumento do PSOL foi que a decisão deveria ser tomada por Proposta de Emenda Constitucional (PEC), e não MP.
O julgamento desta ação encontra-se suspenso desde 2023 após determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), proposta pelo PSOL.
O traçado da Ferrogrão estende-se por 933 km. Houve atualização do projeto, apresentada em julho passado. A nova proposta define um traçado que não atravessa terras indígenas nem o Parque Nacional do Jamanxim, pontos que foram alvo de questionamentos judiciais e que paralisaram o empreendimento.
A emissão da licença ambiental – etapa final antes do lançamento do edital de concessão – está prevista para até março do próximo ano. Se os prazos forem cumpridos, a ferrovia poderá começar a ser construída ainda em 2026, com conclusão em 2035.
Segundo o estudo de viabilidade técnica, o traçado usaria a área de domínio do trecho da BR-163, em Mato Grosso e no Pará, sem necessidade de reassentamento de comunidades ou construção de túneis.
Pelo projeto revisto serão construídas 65 pontes ferroviárias (81 km); 04 viadutos ferroviários; 10 viadutos rodoviários e 48 pátios de cruzamento. A previsão é de que o projeto seja encaminhado ao TCU ainda neste ano.
Transnordestina
O ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou na semana passada que as obras da Ferrovia Transnordestina, em Pernambuco, serão retomadas.
O ministro informou a prefeitos que a estatal Infra S.A., ligada ao Ministério dos Transportes, vai lançar no mês que vem edital para continuidade das obras entre os municípios de Custódia e Arcoverde, totalizando 73 quilômetros. O investimento previsto é de R$ 200 milhões.
No trecho pernambucano da ferrovia, entre Salgueiro e Fortes, 179 quilômetros estão concluídos, representando 38% do projeto. Este segmento ferroviário completo (entre Salgueiro e o porto de Suape, com 550 km) é tocado com recursos da nova versão do Programa de Aceleração do crescimento (PAC), com previsão de entrar em operação em 2028.
Senado aprova texto-base da regulamentação do comitê gestor do IBS
O que diz o texto aprovado
STF forma maioria para manter deputados nas eleições de 2026
O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter o número atual de 513 deputados federais nas eleições de 2026, referendando a liminar do ministro Luiz Fux. A decisão suspende o aumento para 531 cadeiras, e garante que qualquer mudança na composição só valerá a partir de 2030.
Decisão
A decisão foi tomada em resposta a pedido do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), de que o Legislativo havia cumprido a determinação da Corte, de 2023, e avançado na discussão sobre a revisão no número de deputados.
Caso o Legislativo não cumprisse com a redistribuição proporcional, caberia ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a determinar o número de deputados de cada Estado e do Distrito Federal.
Em junho, o Congresso Nacional aprovou uma lei que fixou em 531 o total de deputados federais a serem eleitos em 2026, sem reduzir o total de representantes por estado. O texto foi vetado pelo presidente Lula (PT), e a análise do veto ainda não foi apreciada pela Congresso.
O voto do relator Luiz Fux já foi acompanhado por Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Nunes Marques, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Dias Toffoli. O julgamento no plenário virtual, aberto para referendar a decisão, encerra nesta quarta-feira (1º).
Os bastidores do adiamento da MP 1303
O adiamento da votação da MP 1.303/25 na comissão mista teve como objetivo barrar um movimento que se formava para enterrar a proposta. Fontes ouvidas pela Arko Advice contam que a bancada do agro se mobilizava dentro da “Coalizão da Frentes do Setor Produtivo” para lançar um manifesto fechando questão contra o texto do governo.
Em outros momentos uma mobilização do tipo conseguiu dar vazão à insatisfação do empresariado, tendo sucesso em barrar propostas do Executivo.
A elevação da taxação da LCA e da LCI, de 5 para 7,5%, no relatório mais recente, gerou grande descontentamento no setor produtivo. Segundo o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion (PP-PR), a ordem na bancada é votar contra a MP se a taxação sobre a LCA for mantida.
Em uma manhã de reuniões intensas, o governo preferiu adiar a votação como forma de segurar a publicação do manifesto e negociar uma redução sobre LCA e LCI. O tempo é necessário para que a Fazenda seja consultada sobre o impacto econômico e fiscal de uma provável revisão da alíquota.
Mas não vai ser fácil. Questionado pela Arko, Lupion disse que mesmo se o governo recuar, devolvendo a alíquota para 5%, a bancada deve manter seu posicionamento.
MP 1.303/25 limita compensação tributária e destina recursos ao Presiq
O relator do projeto da MP que tributa títulos isentos (MP 1.303/25), deputado Carlos Zarattini (PT-SP), afirmou que parte dos recursos obtidos com a medida serão destinados para a compensação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq). Assim, o andamento do projeto que institui o programa (PL 892/25) só ocorrerá após a aprovação da MP, prevista para ir ao plenário na semana que vem.
A matéria do Presiq teve a urgência aprovada em julho e está pronta para ser deliberada em plenário desde então. No entanto, o relator havia informado à Arko Advice que o principal impasse estava na fonte de compensação para a instalação do Programa. Isso porque o Presiq dá incentivos fiscais ao setor, o que gera uma renúncia de receita, e pela lei de responsabilidade fiscal, toda vez que se aprova determinada despesa não prevista no orçamento, é necessário informar a fonte de compensação.
Sobre o texto
O programa foi estruturado em dois blocos, sendo o primeiro para usufruir de créditos financeiros para aquisição de determinados insumos/matérias primas, limitados em até 5% do valor de aquisição de produtos químicos. E o segundo bloco, na modalidade investimento, para usufruir de créditos financeiros limitados em até 3% do valor do investimento, aplicável às centrais petroquímicas e às indústrias químicas mediante compromisso em ampliação da capacidade instalada ou apresentação de projeto que atenda à uma ou mais diretrizes do Programa.
O projeto propõe um limite global para o programa, mas a previsão é que entre 2027 e 2029, o valor disponível chegue a R$ 15 bilhões, considerando as duas modalidades de incentivo.
Relator confirma adiamento de votação de MP que taxa investimentos isentos
Conforme adiantou a Arko Advice, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) confirmou o adiamento da votação do projeto que taxa investimentos hoje isentos (MP 1.303/25).
Segundo relator da proposta na Comissão Mista, devido à falta de consenso em torno da tributação de LCI e LCA e a necessidade de dedicação à votação do Imposto de Renda (IR), o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) solicitou que as negociações prosseguissem.
Dessa forma, o texto deve ser deliberado na Comissão na quinta-feira (2) pela manhã. A expectativa é que a votação ocorra nos plenários da Câmara e do Senado na terça (7) e quarta-feira (8).
O relator afirmou ainda que há espaço para negociar a alíquota do IR sobre essas Letras de Crédito, que foi elevada de 5% para 7,5% no relatório. Segundo Zarattini, a arrecadação vinda dessa tributação tem impacto baixo, pois a perspectiva de arrecadação é pequena, abrindo margem para negociação.
O relator afirmou ainda que consideram voltar aos 5%, inclusive outros números abaixo desse percentual.
Governo planeja anunciar em outubro mudanças no Programa de Alimentação do Trabalhador
O ministro do Trabalho e Emprego (MTE), Luiz Marinho (PT), informou nesta segunda-feira (29) que o governo planeja anunciar em outubro as mudanças no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com essa proposta, o Executivo pretende limitar as taxas de desconto cobradas de bares, restaurantes e supermercados nas transações feitas com vale-refeição e vale-alimentação.
Embora o anúncio estivesse previsto para maio, o governo adiou a divulgação. Agora, a expectativa é que a definição ocorra na próxima semana. Ele e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), devem tomar a decisão em conjunto. Além disso, Marinho reforçou a urgência do cronograma:
“Precisamos fechar essa decisão em outubro, sem falta. Nosso foco é criar condições que evitem ações judiciais”, concluiu.
Merchant Discount Rate (MDR)
As operadoras de cartões cobram dos estabelecimentos uma taxa de desconto, conhecida como Merchant Discount Rate (MDR), sempre que aceitam vale-refeição ou vale-alimentação como forma de pagamento.
Além de reduzir essa taxa, o governo também pretende encurtar o prazo de repasse dos valores para bares, restaurantes e supermercados. Atualmente, essas empresas demoram cerca de 30 dias para transferir os recursos aos estabelecimentos.
Empregos formais
O Brasil fechou o mês de agosto com a criação de 147.358 empregos formais, conforme dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados nesta segunda-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
De acordo com o ministério, o resultado foi impulsionado por 2.239.895 contratações e 2.092.537 demissões registradas no período.
Na comparação com julho, o saldo de agosto mostrou crescimento, já que no mês anterior haviam sido geradas 134.251 vagas com carteira assinada. Apesar disso, o desempenho ficou abaixo do registrado em agosto de 2022, quando o país criou 239.069 empregos formais.
Agência aprova edital do leilão de transmissão de energia em 31 do mês que vem
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou na terça-feira passada (23) o edital do único leilão de transmissão de energia deste ano, a ser realizado no mês que vem. A decisão da diretoria da agência ocorreu após sinal verde dado pelo TCU, ao aprovar os estudos do certame, marcado para 31 de outubro.
Serão ofertados sete lotes com investimento estimado de R$ 5,53 bilhões e previsão de criação de mais de13 mil empregos diretos e indiretos durante as obras. O projeto prevê a construção e manutenção de 1.081 km em linhas de transmissão e seccionamentos e de 2.000 megawatts (MW) em capacidade de transformação.
A rede passará por doze estados: Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo. O prazo para conclusão das obras varia de 42 a 60 meses, dependendo da complexidade da construção.
O destaque em termos financeiros é o Lote 04, com investimento estimado em R$ 1,25 bilhão, relacionado à construção de aproximadamente 350 km em linhas de transmissão e da subestação 500/230 kV Vilhena 3, nos estados de Mato Grosso e Rondônia. As obras visam a ampliação da capacidade de transmissão do subsistema Acre-Rondônia.
O Lote 03, com empreendimentos no Rio Grande do Sul, retorna à licitação após ter sido retirado do Leilão nº 02 do ano passado, devido às enchentes ocorridas no estado. A localização das subestações e de outros equipamentos desse lote foi alterada visando a segurança na futura operação.
Por solicitação do Ministério de Minas e Energia foram retirados os lotes 1B, 07, 08, 09 e 10, que compunham o edital do leilão e transferidos para o primeiro leilão de transmissão de 2026.
Esses lotes se referem ao processo de caducidade dos contratos de cinco lotes arrematados durante leilões em 2020 e 2021 pela MEZ Energia. A agência reguladora recomendou a caducidade desses contratos, em 13 de maio, devido ao descumprimento dos prazos para implantação dos empreendimentos.
O Ministério de Minas e Energia solicitou ao TCU a abertura do processo de solução consensual desses contratos.
Sistemas isolados
O leilão de geração dos sistemas Isolados realizado na sexta-feira contratou 50 MW (megawatts) de potência para o atendimento no Pará e no Amazonas. Saíram vencedoras as empresas Energias do Acre e o consórcio formado pela IFX Engenharia e You.on, com deságios de 22% e 47%, respectivamente, sobre o preço inicial.
Foram contratados suprimentos por térmicas a diesel combinadas com usinas fotovoltaicas.










