A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje (08) aponta uma melhora na aprovação do governo Lula (PT). Em relação a setembro, a aprovação oscilou positivamente dois pontos percentuais, índice que está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A desaprovação, por outro lado, oscilou negativamente dois pontos.
Apesar da variação dentro da margem de erro, nos últimos seis meses, a aprovação de Lula cresceu oito pontos percentuais. Nesse mesmo período, a desaprovação caiu oito pontos. Com isso, o saldo negativo de popularidade do presidente, que era de 17 pontos em maio, caiu para apenas 1 ponto em outubro.
APROVAÇÃO DO GOVERNO LULA
| Mês | Jan | Mar | Mai | Jul | Ago | Set | Out |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Desaprova | 49 | 56 | 57 | 53 | 51 | 51 | 49 |
| Aprova | 47 | 41 | 40 | 43 | 46 | 46 | 48 |
Fonte: Genial/Quaest (02 a 05/10)
A melhora na aprovação do governo tem sido influenciada pela recuperação da popularidade de Lula entre os eleitores sem posicionamento político. Nesse público, a aprovação saltou 10 pontos (de 33% para 46%) desde maio. A desaprovação, por outro lado, caiu 13 pontos (de 61% para 48%) nesse mesmo período. Entre os “lulistas” e “esquerda não lulista”, a aprovação prevalece: 90% e 83%, respectivamente. Já entre a “direita não bolsonarista” e os “bolsonaristas”, prevalece a desaprovação ao governo: 89% nos dois segmentos.
Na divisão por regiões, a desaprovação supera a aprovação no Sudeste (52% a 44%); no Sul (56% a 41%) e no Centro-Oeste/Norte (55% a 44%). Embora a aprovação supere a desaprovação somente no Nordeste (62% a 36%), os índices cresceram no Sudeste (3 pontos) e também no Sul (41%). No Sudeste, a desaprovação caiu 3 pontos. No Sul, reduziu 4 pontos.
No recorte por faixas de rendas, a aprovação do governo supera a desaprovação entre quem ganha até 2 salários mínimos (54% a 43%). Nas demais faixas de renda, a desaprovação prevalece sobre a aprovação: mais de 2 a 5 salários (51% a 46%) e mais de 5 salários (52% a 45%). Merece destaque nesse segmento – mais de 5 salários – o fato da aprovação de Lula ter crescido 8 pontos em relação a setembro. A desaprovação, por outro lado, caiu 8 pontos. Esses números sugerem que a conversa entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Assembleia Geral da ONU, repercutiu positivamente.
A melhora na aprovação do governo pode ser atribuída a uma combinação de acontecimentos:
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a repercussão positiva da aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
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o projeto que isenta do pagamento do imposto de renda (IR) quem ganha até R$ 5 mil reais
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a rejeição a temas como a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, PL da Dosimetria, e a PEC da Blindagem.
Em relação ao encontro entre o presidente Lula (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Assembleia Geral da ONU, 49% dos entrevistados avaliam que Lula saiu politicamente mais forte do encontro. Apenas 27% acham que o presidente brasileiro saiu mais fraco. Também beneficiou Lula o fato de 52% terem considerado bom o discurso realizado por Lula na ONU.
Lula também está sendo beneficiado pelo apoio ao projeto que isenta do pagamento do IR quem ganha até R$ 5 mil reais. De acordo com a Quaest, 79% dos entrevistados são favoráveis à proposta. Apenas 17% se dizem contrários. Além disso, 64% concordam em aumentar o imposto dos mais ricos para compensar a isenção de quem recebe até R$ 5 mil. 29% discordam.
Temas políticos como a rejeição à anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, e o PL da Dosimetria, que busca redução de pena dos acusados de participação no processo de tentativa de golpe de Estado, e a PEC da Blindagem, também contribuíram para a melhora na aprovação do presidente.
Sobre a anistia, 47% são contrários. 35% afirmam que são favoráveis a uma anistia para todos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Quanto ao PL da Dosimetria, 52% são contrários, enquanto 37% se dizem favoráveis. Em relação à PEC da Blindagem, aprovada na Câmara e rejeitada pelo Senado, 63% são contrários e apenas 22% favoráveis.
Embora a percepção a relação à economia siga adversa ao governo, já que 42% acreditam que houve uma piora nos últimos 12 meses, esse índice caiu seis pontos em relação a setembro. O entendimento de que a economia ficou do mesmo jeito subiu seis pontos, atingindo 35%. Outros 21% dizem que melhorou, mesmo percentual do mês passado. Para 63%, o preço dos alimentos dos supermercados subiu, índice que está dois pontos acima do verificado em setembro. Apenas 15% enxergam uma redução no preço dos alimentos.
Por outro lado, o governo permanece com desafios pela frente. Além da desaprovação do governo permanecer elevada, o que indica uma desaprovação consistente a Lula, 56% dos entrevistados entendem que o Brasil está na “direção errada”. 36% acreditam que o país está na “direção certa”. Para 63%, Lula não está conseguindo cumprir as promessas de campanha. Outros 32% acreditam que sim.
Quanto à avaliação do governo Lula, também observamos, no limite da margem de erro, uma igualdade entre as avaliações negativa (ruim/péssimo) e positiva (ótimo/bom). No entanto, nesse momento, o saldo é negativo para o governo em 4 pontos percentuais. Em setembro, era de 8 pontos, indicando uma melhora na avaliação de Lula.
AVALIAÇÃO DO GOVERNO LULA
| Mês | Jan | Mar | Mai | Jul | Ago | Set | Out |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Ruim/Péssimo | 37 | 41 | 43 | 40 | 39 | 38 | 37 |
| Ótimo/Bom | 31 | 27 | 26 | 28 | 31 | 31 | 33 |
| Regular | 29 | 29 | 28 | 28 | 27 | 28 | 27 |
Fonte: Genial/Quaest (02 a 05/10)
Os números da pesquisa Genial/Quaest podem ser comemorados pelo Palácio do Planalto. Apesar do país continuar polarizado, Lula conseguiu, nos últimos seis meses, reverter a conjuntura adversa que enfrentava.
Mesmo que a percepção da economia e o rumo do país permaneçam ruins, a repercussão positiva do encontro com Donald Trump, a aprovação do projeto que isenta do pagamento do IR para quem ganha até R$ 5 mil e a rejeição da opinião pública ao projeto da anistia, ao PL da Dosimetria e à PEC da Blindagem, que foi derrubada pelo Senado após protestos, beneficiam Lula. Também merece destaque o fato de Lula ter melhorado consideravelmente sua popularidade entre os eleitores sem posicionamento político, segmento que deve ser decisivo em 2026.
Soma-se a isso as dificuldades encontradas pela oposição, que desde o tarifaço imposto contra o Brasil e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está mais dividida, com dificuldades de estabelecer um consenso interno quanto ao seu candidato para 2026, além de faltar agenda.










