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STF divulga minuta de proposta sobre a Lei do Marco Temporal

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Indígenas durante a sessão plenária do STF realizada no dia 12 de junho de 2024. Foto: Andressa Anholete SCOSTF.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator da proposta sobre a Lei do Marco Temporal, Gilmar Mendes, divulgou a primeira proposta de alteração do texto da Lei 14.701/2023, que trata da demarcação das terras indígenas.

A minuta estabelece que a demarcação não dependerá da comprovação de ocupação indígena em 5 de outubro de 1988 – tese conhecida como marco temporal – ou da configuração de renitente esbulho (disputa possessória em que indígenas teriam sido expulsos de suas terras).

O texto será analisado pela Comissão Especial em reuniões previstas para os dias 17 e 24 de fevereiro, podendo sofrer ajustes para conciliar os interesses do agronegócio e dos povos indígenas. Após essa etapa, o texto ainda precisará ser aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado Federal antes de sua implementação.

Terras ocupadas por não indígenas

A proposta define terras indígenas como aquelas:

  • Habitadas permanentemente pelas comunidades indígenas;
  • Utilizadas para atividades produtivas que garantam sua subsistência;
  • Essenciais para a preservação dos recursos ambientais necessários ao bem-estar dessas comunidades;
  • Necessárias à reprodução física e cultural dos povos indígenas, em conformidade com seus usos, costumes e tradições.

Se uma terra em processo de demarcação estiver sendo ocupada por não indígenas, será iniciado um processo de diálogo para discutir a aplicação de medidas compensatórias ou indenizatórias. Para que a compensação ocorra, será necessário comprovar a posse não indígena ininterrupta e anterior a 5 de outubro de 1988 – data da promulgação da Constituição Federal.

Processo de demarcação

A minuta prevê que o processo de demarcação será público e contará com ampla divulgação eletrônica em todas as fases.

As etapas incluem:

  1. Abertura do processo administrativo mediante solicitação formal do grupo indígena à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai);
  2. Formação de grupo técnico para realizar estudos e elaborar o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID);
  3. Análise do relatório pela Funai e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP);
  4. Homologação da demarcação por decreto do Presidente da República.

Exploração econômica

O documento também regulamenta a exploração econômica das terras indígenas. A decisão sobre quais áreas poderão ser exploradas será de responsabilidade do Presidente da República, com base em estudos técnicos e após consulta formal às comunidades indígenas afetadas.

Além disso, será necessária a autorização do Congresso Nacional, e as comunidades indígenas terão direito a participar do processo e receber compensações financeiras pela exploração de recursos minerais em suas terras.

Histórico da disputa

A disputa em torno do Marco Temporal ganhou força em 2023, quando o STF declarou a tese inconstitucional, por considerar que a restrição temporal violava os direitos originários dos povos indígenas.

Em resposta, o Congresso Nacional aprovou em sentido contrário a Lei 14.701/2023, que restabelecia o marco temporal, provocando novas ações judiciais para questionar sua validade.

Diante do impasse, o ministro Gilmar Mendes propôs a criação de uma mesa de conciliação, que já realizou 15 encontros entre representantes do governo, do agronegócio e dos povos indígenas para buscar uma solução equilibrada.

Análise: Ações descasadas com a realidade

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Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Na semana passada, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), entregou ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a agenda de prioridades do governo Lula para 2025-2026 (Agenda União e Reconstrução). A agenda é dividida em seis eixos: Agenda econômica para um Brasil mais justo; Estímulo ao empreendedorismo e ao investimento; Educação no centro do desenvolvimento; Protagonismo no enfrentamento das mudanças climáticas; Proteção às famílias e aos negócios no ambiente digital; e Justiça social e defesa da democracia.

Nesses eixos constam temas como reforma do Imposto de Renda, crédito consignado privado, piso nacional de educação, sanções a atividades lesivas ao meio ambiente e defesa cibernética. Ao todo, são 47 propostas. Há apenas dois projetos relacionados à segurança dentro do eixo “Justiça social e defesa da democracia”: a PEC da Segurança Pública e a Segurança nas Escolas.

Pesquisa divulgada pela AtlasIntel na semana passada apontou que o maior problema do Brasil, para 58,8% dos entrevistados, é a criminalidade e o tráfico de drogas. Vale ressaltar que essa foi a sondagem que, pela primeira vez na série histórica, mostrou que a avaliação negativa do governo (46,5%) ficou superior à positiva (37,8%), acima da margem de erro, que é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. No Datafolha, Lula apresentou seu pior desempenho histórico: 41% de “ruim/péssimo”; 32% de “regular”; e apenas 24% de “ótimo/bom”.

Também houve forte reação do governo quando a Transparência Internacional anunciou que o Brasil ficou na 107ª posição na edição de 2024 do Índice de Percepção da Corrupção (IPC). O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, contestou o resultado. Para ele, a metodologia da pesquisa se compara a uma “conversa de boteco”.

Fato é que na pesquisa AtlasIntel a corrupção ocupa o segundo lugar na lista de problemas do país (49,4%). Para se ter uma ideia, o item economia e inflação apareceu em terceiro lugar, citado por 29,1% (o entrevistado podia escolher até três problemas). O resultado do déficit nas estatais divulgado no fim de janeiro, de R$ 6,7 bilhões, ajudou a reforçar a percepção na sociedade quanto à corrupção.

O governo mudou o chefe da sua Comunicação Social para, ao que tudo indica, melhorar a batalha de narrativas pela internet. Mas o problema é mais profundo e o governo parece não ter entendido isso. Para melhorar a sua popularidade, o presidente Lula (PT) precisa também apresentar propostas mais alinhadas com o sentimento geral dos eleitores.

Como será a semana – 17/02 a 21/02

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Como será a semana, agenda

Prosseguem as negociações em torno da reforma ministerial. Na Câmara e no Senado, os líderes tentam acordo em torno das presidências das comissões permanentes, que devem ser instaladas após o Carnaval. O presidente Lula pode ter reunião com o Ibama para discutir exploração de petróleo na Margem Equatorial.

AGENDA POLÍTICA DA SEMANA

Segunda-feira (17/02)

  • O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa da Conferência de Al-Ula para
    Economias de Mercados Emergentes, organizada pelo Fundo Monetário Internacional
    (FMI) na Arábia Saudita. Das 11h20 às 12h20, o ministro participa do painel de
    encerramento do evento do FMI, “Um caminho para a resiliência dos Mercados
    Emergentes”.
  • O Banco Central divulga o IBC-Br (prévia do PIB) de dezembro.
  • Feriado nos EUA (Dia do Presidente).

Terça-feira (18/02)

  • A Câmara dos Deputados pode analisar projeto que permite o saque de recursos do FGTS em caso de nascimento ou adoção de filho (PL 6.980/17).
  • Termina o mandato de Eduardo Nery Machado Filho como diretor-geral da Agência
    Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
  • Terminam os mandatos de Rafael Vitale Rodrigues (diretor-geral) e Luciano Lourenço da
    Silva (diretor) da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
  • O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, participa do 9º
    Fórum CNT de Debates.
  • Reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) discute entrada do Brasil
    na Opep+ (grupo de países exportadores de petróleo).

Quarta-feira (19/02)

  • O Supremo Tribunal Federal julga Recurso Extraordinário (RE) 1133118, que versa sobre
    a constitucionalidade da nomeação de familiares para cargos políticos (nepotismo).
  • O ex-presidente Michel Temer faz palestra na Fundação Ulysses Guimarães, do MDB,
    sobre o semipresidencialismo em evento que será apresentado documento COM BISTAS A 2026: “O Brasil precisa pensar o Brasil”.
  • A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulga Sondagem Industrial.

Sexta-feira (21/02)

  • O Supremo Tribunal Federal (STF) pode concluir julgamento, por meio do plenário
    virtual, a ação que discute a incidência de PIS/Cofins sobre reservas técnicas de
    seguradoras, provisões obrigatórias que as empresas devem fazer para arcar com os
    compromissos firmados com os segurados.
  • O PT comemora, nesta sexta e sábado, os 45 anos do partido, no Rio de Janeiro, com a
    participação do presidente Lula.

Novo PAC Seleções prevê R$ 49 bi em investimentos para cidades

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Trabalhador da Construção Civil. Foto: CNI/Divulgação

O Governo Federal lançará o edital da segunda etapa do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Seleções no dia 24 de fevereiro. De acordo com o governo, a nova fase do programa focará em obras de saneamento básico e desenvolvimento urbano, com mais de R$ 49 bilhões investidos.

A nova etapa do programa prioriza projetos que ampliem o acesso a serviços de saneamento, mobilidade, obras e investimento na saúde e educação.

Detalhamento dos investimentos

Os valores disponibilizados serão repartidos da seguinte forma:

  • R$ 5,8 bilhões para novas obras de saúde
  • R$ 2,3 bilhões para educação
  • R$ 22,6 bilhões para infraestrutura e mobilidade urbana
  • R$ 300 milhões para o esporte
  • R$ 18,1 bilhões para as unidades do Minha Casa, Minha Vida

O lançamento do edital marca o início de um processo que deve envolver entes e a iniciativa privada, com o objetivo de acelerar obras e serviços essenciais. Os recursos devem começar a serem aplicados ainda em 2025, de acordo com a expectativa do governo, gerando empregos e impulsionando a economia local.

Veja abaixo o detalhamento de valores investidos e os programas disponíveis.

SAÚDE

Policlínicas | 45 unidades | R$ 1,35 bilhão

Nesta nova etapa, o Novo PAC Seleções investe na construção de 45 novas Policlínicas.

Novas Ambulâncias – SAMU | 1.500 unidades | R$ 530 milhões

O Novo PAC Seleções expande a frota de ambulâncias de serviços já existentes do SAMU 192 com 1.500 novos veículos.

Unidades Básicas de Saúde (UBS) | 800 unidades | R$ 1,84 bilhão

Nesta nova etapa do Novo PAC Seleções serão 800 Unidades Básicas de Saúde (UBS) para municípios com maior vulnerabilidade social e econômica, devido a necessidade de aumentar a oferta de serviços de Atenção Primária à Saúde em regiões com vazios assistenciais.

Unidades Odontológicas Móveis (UOM) | 400 unidades | R$ 160 milhões

O Novo PAC Seleções amplia também os serviços de saúde bucal com a aquisição de 400 novas Unidades Odontológicas Móveis. Os veículos são equipados com a finalidade de fornecer atendimento odontológico, dessa forma, alcançando prioritariamente áreas remotas ou de difícil acesso.

Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) | 100 unidades | R$ 230 milhões

O Novo PAC Seleções garante a construção de mais 100 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Kit de equipamentos para UBS | 10 mil unidades | R$ 1,58 bilhão

Serão 10 mil kits de equipamentos para modernizar e melhorar Unidades Básicas de Saúde – UBS de todo o Brasil. O combo é composto por equipamentos como Point of Care (COF), câmara fria exclusiva para vacinas, ultrassom diagnóstico portátil, retinógrafo telessaúde e espirômetro digital.

Kit Telessaúde | 7 mil unidades | R$ 100 milhões

Esta modalidade garante a aquisição de 7 mil kits multimídia com o objetivo de estruturação de salas de teleconsulta em Unidades Básicas de Saúde de todo o país.

EDUCAÇÃO

Creches | 500 unidades | R$ 1,75 bilhão

A partir desta etapa, o Novo PAC Seleções vai construir 500 novas creches, ampliando a oferta de vagas para crianças de 0 a 5 anos. Esta modalidade busca reduzir as desigualdades educacionais, de forma a ampliar a oferta de educação, com prioridade para os municípios com maior déficit, bem como sintonizar com as metas do Plano Nacional de Educação. Além disso, proriza o atendimento a municípios com baixa capacidade para realização de obras e equipamentos, de forma a fortalecer o efetivo direito à educação para todos.​

Transporte Escolar | 1 mil unidades | R$ 500 milhões

O investimento inclui a aquisição de 1.000 novos veículos do Programa Caminho da Escola, especialmente para alunos da zona rural. Os veículos possibilitam mais segurança e conforto, dessa maneira, contribuindo para a redução da evasão escolar das redes de Educação Básica brasileira. O Novo PAC Seleções prioriza o atendimento a municípios com pequena capacidade financeira para novos equipamentos e que apresentam déficit de cobertura, a fim de ampliar o efetivo direito à educação para todos.​

ESPORTE

Espaços Esportivos Comunitários | 260 unidades | R$ 300 milhões

O Novo PAC Seleções investe na construção de 260 novos Espaços Esportivos Comunitários.

CIDADES

Abastecimento de Água | R$ 2 bilhões

Para atender a municípios com maiores déficits com projetos para ampliar o acesso e melhorar a qualidade dos serviços de abastecimento de água em áreas urbanas. De acordo com o governo, os investimentos contribuem para o alcance da meta estipulada no Marco Legal do Saneamento: atender 99% da população brasileira com acesso à água potável de qualidade até 2033.

Gestão de Resíduos Sólidos | R$ 600 milhões

O objetivo é investir na implantação de infraestrutura conjugada de tratamento e disposição final de resíduos sólidos urbanos, de forma que melhore a qualidade dos serviços prestados à população.

Refrota | R$ 4,4 bilhões

Investimento previsto para a aquisição de ônibus e equipamentos para operação no transporte público das cidades.

Esgotamento Sanitário | R$ 4 bilhões

Disponível para municípios com maior déficit de esgotamento sanitário nas áreas urbanas que promovam a universalização do serviço na localidade, a fim de elevar a cobertura de água e esgoto nos municípios.

Prevenção a desastres: encostas e drenagem | R$ 6,8 bilhões

O recurso disponibilizado será para obras de drenagem urbana sustentáveis para o manejo de águas das chuvas e investimentos de contenção de encostas.

Periferia Viva | R$ 800 milhões

Esta modalidade disponibiliza recursos para melhorias das condições de vida nas periferias urbanas brasileiras, por meio da urbanização de favelas, palafitas, loteamentos informais.

Mobilidade Grandes e Médias Cidades | R$ 4 bilhões

O investimento prioriza propostas para transporte de alta e média capacidade e obras voltadas ao transporte coletivo, para atender grandes centros urbanos e regiões periféricas com população de baixa renda.

Minha Casa, Minha Vida (FAR) | R$ 18,1 bilhões

Esta etapa do Novo PAC Seleções inclui o programa Minha Casa, Minha Vida. São R$ 18,1 bilhões para construção de 110 mil unidades habitacionais, pois o objetivo é favorecer tanto grandes quanto médias e pequenas cidades.

Revisão da vida toda: Relator defende rejeição de recurso

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Ministro Nunes Marques participa da sessão plenária. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início nesta sexta-feira (14) ao julgamento de um recurso que busca permitir que aposentados alterem suas aposentadorias e optem pela regra mais vantajosa. O relator, ministro Nunes Marques, já apresentou o seu voto. Ele propôs a rejeição de recurso, argumentando que o embargo é inadequado por insistir em argumentos já respondidos, e que o novo questionamento busca protelar o julgamento definitivo da questão.

Em 2022, o STF chegou a reconhecer a revisão da vida toda. Assim, os aposentados que entraram na Justiça poderiam pedir o recálculo do benefício com base em todas as contribuições feitas ao longo da vida. Caberia ao beneficiário escolher a regra mais vantajosa. 

O impasse acontece porque há uma dúvida sobre a regra de transição feita pela Reforma da Previdência de 1999, que excluía as contribuições antecedentes a julho de 1994. Para uma parcela dos aposentados seria mais vantajoso que as contribuições anteriores a julho de 1994 fossem consideradas no cálculo. 

Porém, em 2024, uma nova decisão alterou o entendimento do STF e anulou a possibilidade de “revisão da vida toda”. Agora, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) questiona o recuo. A entidade alega que a decisão do STF desconsidera o direito adquirido e a coisa julgada, impactando os segurados que já recebem benefícios com a revisão.

Quem já ganhou ação segue com o benefício

Apesar de orientar pela rejeição do recurso, em seu voto, Nunes Marques garantiu que quem já ganhou na Justiça o direito, continue podendo optar pela revisão. Ele registrou no voto que o INSS não poderá cobrar os segurados ou seus sucessores, referentes a valores recebidos a maior até 5 de abril de 2024, em decorrência de decisões judiciais favoráveis à “Revisão da Vida Toda”.

Análise: Ficha Limpa em risco

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Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A Lei da Ficha Limpa representa um marco na legislação eleitoral brasileira ao estabelecer critérios mais rigorosos para a elegibilidade de candidatos. Seu objetivo principal é impedir a candidatura de indivíduos condenados por órgãos colegiados por crimes como corrupção, improbidade administrativa e outros delitos graves. No entanto, desde sua implementação, a legislação tem sido alvo de diversas tentativas de modificação, o que levanta preocupações sobre seus impactos na democracia brasileira. A origem da Lei da Ficha Limpa remonta a um movimento de iniciativa popular que coletou mais de 1,6 milhão de assinaturas para pressionar o Congresso a aprovar normas mais rigorosas sobre inelegibilidade. A lei foi sancionada em 2010 e considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2012. Desde sua criação, tem sido um instrumento de depuração política, impedindo a candidatura de vários políticos com histórico de condenações. Seu impacto foi significativo ao longo dos anos, alterando a dinâmica das eleições e aumentando a percepção pública sobre a importância da moralidade na administração pública.

Diversas propostas legislativas e decisões judiciais têm buscado flexibilizar a aplicação da Lei da Ficha Limpa. Algumas das principais tentativas incluem a redução do período de inelegibilidade, atualmente de oito anos para aqueles condenados por órgãos colegiados, permitindo que políticos voltem a concorrer mais rapidamente. Outra proposta visa a alterar os critérios de condenação, restringindo a inelegibilidade apenas a condenações definitivas, ou seja, após o trânsito em julgado, o que na prática retardaria a aplicação da lei e possibilitaria que candidatos concorressem mesmo após condenação em segunda instância.

“A flexibilização traria impactos negativos para a democracia, como o retrocesso no combate à corrupção”

Um dos projetos de lei sobre o tema está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara e tem relatoria do deputado Filipe Barros (PL-­PR), propondo que o prazo de inelegibilidade seja reduzido para dois anos. A proposta ganhou força após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-­PB), sinalizar que considera oito anos um tempo excessivo para inelegibilidade. O tema não deve ser decidido sem um amplo debate. A flexibilização traria impactos negativos para a democracia brasileira, como o retrocesso no combate à corrupção, favorecendo a volta de políticos condenados e enfraquecendo a responsabilização. A percepção de que a legislação está sendo enfraquecida pode gerar desilusão no eleitorado, reduzindo o engajamento cívico e a credibilidade das instituições. Além disso, políticos condenados poderiam retornar mais rapidamente às disputas, comprometendo a competição justa e equitativa entre candidatos com histórico limpo e aqueles com problemas judiciais.

Considerando que, mesmo com a Lei da Ficha Limpa, ainda não foi possível eliminar a presença de políticos com histórico de irregularidades, reduzir o período de inelegibilidade para apenas dois anos enfraqueceria ainda mais os mecanismos de depuração política. Pode-se, evidentemente, discutir se o prazo e as exceções existentes na legislação atual são adequados. No entanto, a redução desse prazo é incompatível com o desejo de construir uma democracia funcional e comprometida com a ética.

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/murillo-de-aragao/ficha-limpa-em-risco/

Desemprego cai para menor valor já registrado em 14 estados

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A taxa de desocupação no Brasil atingiu 6,6% em 2024, uma queda de 1,2 ponto percentual em relação ao ano anterior (7,8%), de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta sexta-feira (14) pelo IBGE. Essa redução foi observada em todas as regiões do país e na maioria das unidades da federação (22 estados). Em 14 delas, a redução bateu recorde na série histórica da pesquisa.

Destaques regionais do mercado de trabalho

Os estados com maiores taxas de desemprego foram Bahia (10,8%), Pernambuco (10,8%) e Distrito Federal (9,6%), enquanto os menores índices foram registrados em Mato Grosso (2,6%) e Santa Catarina (2,9%).

Além disso, 14 estados atingiram a menor taxa de desemprego da história da pesquisa. São eles:

  • Rio Grande do Norte (8,5%),
  • Amazonas (8,4%),
  • Amapá (8,3%),
  • Alagoas (7,6%),
  • Maranhão (7,1%),
  • Ceará (7,0%),
  • Acre (6,4%),
  • São Paulo (6,2%),
  • Tocantins (5,5%),
  • Minas Gerais (5,0%),
  • Espírito Santo (3,9%),
  • Mato Grosso do Sul (3,9%),
  • Santa Catarina (2,9%)
  • e Mato Grosso (2,6%)

Informalidade e subutilização ainda preocupam

Apesar da queda no desemprego, a taxa de informalidade permaneceu alta (39%), com destaque para Pará (58,1%) e Piauí (56,6%). A subutilização da força de trabalho ficou em 16,2%, sendo Piauí (32,7%) o estado com a maior taxa.

Desigualdade de gênero e tempo de busca por emprego

A taxa de desocupação das mulheres foi de 7,6%, significativamente maior que a dos homens (5,1%). Além disso, cerca de 1,4 milhão de pessoas buscavam trabalho há mais de dois anos, embora esse número tenha caído 8,6% em relação a 2023.

Renda cresce e desemprego no Sul tem maior queda

O rendimento médio subiu para R$ 3.315, com os maiores valores no Distrito Federal (R$ 5.043) e São Paulo (R$ 3.907).

No quarto trimestre de 2024, a taxa de desemprego caiu para 6,2%, sendo a Região Sul a única com queda significativa (de 4,1% para 3,6%).

Pesquisa

A PNAD Contínua é o principal instrumento para monitoramento da força de trabalho no país. A próxima divulgação da pesquisa, referente ao primeiro trimestre de 2025, está prevista para 16 de maio.

Lula defende solução equilibrada para exploração de petróleo na Margem Equatorial

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Foto: Embratur

O presidente Lula (PT) afirmou que seu governo busca por um equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental na exploração de petróleo na Margem Equatorial. Ele destacou que a Petrobras deve cumprir todas as exigências do Ibama, garantindo tempo suficiente para avaliar e mitigar possíveis impactos ambientais. A declaração foi dada em entrevista para a Rádio Clube do Pará, na manhã desta sexta-feira (14).

Investigação do potencial energético

Lula ressaltou que, apesar de o Brasil possuir uma matriz energética majoritariamente limpa, é essencial continuar investigando o potencial da Margem Equatorial. Ele citou os exemplos de Suriname e Guiana, onde descobertas significativas impulsionaram a economia. De acordo com o presidente, caso a riqueza estimada se confirme, os recursos podem trazer recursos para pesquisa, e assim financiar a transição energética no país.

“A gente quer mostrar para o Ibama, para a companheira Marina (Silva, ministra do Meio Ambiente)e para os especialistas que é plenamente possível fazer prospecção de petróleo. A gente não pode prescindir, porque se essa riqueza existir, ela vai ajudar a fazer a transição energética. […] Se tiver petróleo, vamos ter mais dinheiro para fazer mais educação, mais saúde, mais tecnologia, mais dinheiro para contratar gente para o Ibama, professor, médico, dinheiro para cuidar do Brasil”, disse.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), estaria conduzindo esforços para demonstrar a viabilidade técnica da exploração junto ao Ibama e especialistas.

Desafios e embates ambientais

A exploração de petróleo na Foz do Amazonas é um tema controverso dentro do governo e entre ambientalistas. O Ibama negou, em 2023, um pedido da Petrobras para perfuração na região, apontando riscos ambientais. No entanto, a estatal segue em busca de licenciamento para avançar nos estudos.

Nessa semana, a Associação Nacional dos Servidores do Meio Ambiente (Ascema Nacional) manifestou preocupação com possíveis pressões políticas sobre o Ibama. A entidade destacou que, desde 2012, há a possibilidade de realizar uma avaliação ambiental de área, mas o governo ainda não implementou esse estudo.

Fazenda projeta desaceleração da economia chinesa no próximo biênio

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China. Foto: iStock

Nesta quinta-feira (13), a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda (MF) apresentou as projeções do cenário externo em 2025. Os indicadores apontam para uma desaceleração mais acentuada da economia chinesa, com expectativa de redução do PIB do país de 4,5% em 2025, para 4,2% em 2026. 

Segundo a pasta, as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos (EUA) podem afetar de forma mais marcante as exportações chinesas e, consequentemente, reduzir a demanda de commodities do país. Para minimizar os impactos e evitar desaceleração, a China pode adotar medidas fiscais que geram mais efeito e estimulem a demanda interna, como as medidas de flexibilização monetária já implementadas em 2024. 

Em 2024, por exemplo, o crescimento das exportações de bens materiais e o estímulo da absorção interna — ou seja, da soma do consumo, dos investimentos e gastos do governo — proporcionaram um crescimento de 5% para a China. 

Os chineses são os principais parceiros comerciais do Brasil, seguido dos Estados Unidos. Segundo dados da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa (SCRI), no primeiro semestre de 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 28,44 bilhões em produtos agrícolas para a China. As principais commodities enviadas para o país são soja, milho, açúcar, celulose, algodão, carne bovina, de frango e suína.  

Comércio varejista cresce 4,7% em 2024, maior alta desde 2012

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Foto: Venilton Küchler/AEN-PR

O comércio varejista brasileiro fechou 2024 com crescimento de 4,7%, registrando sua maior alta desde 2012, quando o setor avançou 8,4%. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira (13) pelo IBGE.

Apesar do recuo de 0,1% em dezembro, na comparação com novembro, o resultado do ano confirma uma trajetória de expansão, com o varejo atingindo níveis recordes de volume de vendas ao longo de 2024.

Destaques do varejo em 2024

Setores que mais cresceram:

  • Artigos farmacêuticos, médicos e perfumaria: +14,2%
  • Veículos, motos, partes e peças: +11,7%
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico: +7,1%
  • Material de construção: +4,7%
  • Hiper e supermercados, produtos alimentícios e bebidas: +4,6%

Setores que registraram queda:

  • Combustíveis e lubrificantes: -1,5%
  • Atacado especializado em alimentos e bebidas: -7,1%
  • Livros, jornais e papelaria: -7,7%

Variação das vendas em dezembro

  • Comparação mensal: -0,1% (considerado sinal de estabilidade por estar entre +0,5% e -0,5%)
  • Comparação anual (dez/2024 vs. dez/2023): +2,0%

Os destaques positivos em comparação a dezembro de 2023 ficam por conta dos setores de móveis e eletrodomésticos, que registraram alta de 10,2%, e o designado a outros artigos de uso pessoal e doméstico, com um aumento de 9,7%. Ainda comparando ao último mês de 2023 tivemos uma maior queda nos setores de livros e papelaria, com -3,9%; e no de equipamentos de informática, com -2,2%.

Desempenho regional

Na passagem de novembro para dezembro de 2024, 20 estados registraram queda nas vendas. As maiores retrações ocorreram no Amapá (-9,3%), Espírito Santo (-6,2%) e Roraima (-5,5%). Já os sete estados restantes tiveram resultados positivos, com destaque para Distrito Federal (+4,5%), Rio de Janeiro (+2,9%) e Pernambuco (+1,4%).

Sobre a pesquisa

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) acompanha as variações no volume e na receita de vendas do varejo em todo o Brasil desde 1995. Os dados completos podem ser consultados no Sidra.

A próxima divulgação da PMC será em 14 de março, com os resultados de janeiro de 2025.