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Lula sobre Trump: O presidente dos EUA tem que cuidar dos EUA

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Lula
Foto: Reprodução/CanalGov

O presidente Lula (PT) defendeu que o presidente dos EUA, Donald Trump, “precisa tomar cuidado com o que fala”, tendo em vista que “ele foi eleito para governar os EUA e não o restante do mundo”. Lula ainda destacou que o Brasil não tem dependência comercial dos EUA, já que a balança comercial é bem equilibrada. “O que nós queremos é que o presidente Trump governe os EUA e pare com essa história de protecionismo”, reforçou, em entrevista à rádio Tupi FM nessa quinta-feira (20).

Relembre

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou à Casa Branca para o segundo mandato em 2025, e prometeu adotar uma política protecionista. Nas últimas semanas, foram implementadas tarifas sobre importações de aço e alumínio para os EUA, e o presidente também anunciou, nesta quinta-feira (20), que pretende taxar produtos como madeira, carros, semicondutores e farmacêuticos nos próximos meses.

O governo brasileiro declarou que apenas irá tomar medidas “com base em decisões concretas e não em anúncios que podem ser mal interpretados ou revistos”, conforme publicação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Análise: Uma no cravo, outra na ferradura

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Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A nova gestão da Câmara dos Deputados tem sinalizado mudanças nos procedimentos internos da Casa para tornar o processo legislativo mais democrático, transparente e previsível. A Mesa Diretora da Casa elaborou um Projeto de Resolução, que altera algumas regras regimentais, a ser levado à votação nos próximos dias. Entre outros pontos, a proposta racionaliza o uso do regime de urgência, de forma a privilegiar o trabalho das comissões da Casa.

Entretanto, uma das alterações sugere um retrocesso na definição do comando desses colegiados ao prever o fim da eleição para presidentes e vice-presidentes. No caso das comissões permanentes, esses cargos serão ocupados por indicação do líder do partido ao qual couber a presidência do colegiado, com a possibilidade de substituição dos indicados a qualquer momento. Já nas comissões temporárias (especiais, externas e CPIs), a escolha dos dirigentes ficará a cargo do próprio presidente da Casa, que também poderá destituí-los conforme sua conveniência. Ou seja, apenas nomes de confiança dos líderes partidários e do presidente da Câmara ocuparão essas funções.

Além de reduzir a legitimidade dos ocupantes dos cargos, ao retirar deles o respaldo do voto dos pares, a medida afasta a inviolabilidade e a autonomia das comissões. Porém, o principal aspecto da mudança envolve a perspectiva de continuidade das emendas de comissão (assunto em litígio no Supremo Tribunal Federal). A proposta dá aos líderes o controle da definição e execução dessas dotações orçamentárias.

Assim, enquanto algumas iniciativas indicam uma maior descentralização das decisões e compartilhamento de poder, essa proposta caminha na direção oposta, reforçando a concentração de influência em poucos atores. E, quando se trata do manejo das emendas orçamentárias — um terreno historicamente marcado por práticas pouco republicanas —, os efeitos dessa mudança merecem atenção redobrada.

PGR aponta uso da PRF para favorecer Bolsonaro em 2022

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) revelou, em denúncia apresentada nesta quarta-feira (19), que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi instrumentalizada em um plano para beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

De acordo com a denúncia, a PRF, sob o comando do então diretor-geral Silvinei Vasques, realizou blitz em cidades onde Lula (PT) teve votação expressiva, principalmente no Nordeste, para dificultar o deslocamento de eleitores no dia do pleito.

“A ferramenta [as blitz] figurava como elemento crucial na execução do plano de manutenção de Jair Bolsonaro no poder”, afirma a PGR no documento.

Blitz em áreas pró-Lula e desrespeito ao STF

A PGR destaca que as operações policiais foram executadas em desacato a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia proibido abordagens que pudessem dificultar o trânsito de eleitores no dia da votação.

Na véspera do segundo turno, Alexandre de Moraes determinou a suspensão das blitz após denúncias de que a PRF poderia estar atuando para prejudicar eleitores de Lula. Mesmo assim, as operações foram mantidas.

Naquele dia, Silvinei Vasques foi convocado a prestar esclarecimentos ao ministro, sob risco de prisão em flagrante por desobediência. Em agosto de 2023, ele foi preso preventivamente a pedido da Polícia Federal (PF), mas foi solto um ano depois.

Mapeamento de cidades pró-Lula partiu do Ministério da Justiça

Segundo a denúncia, o plano contou com o envolvimento de autoridades do Ministério da Justiça. A então diretora de Inteligência do ministério, a delegada Marília Ferreira de Alencar, solicitou um mapeamento das áreas onde Lula teve mais de 75% dos votos no primeiro turno.

O analista de inteligência encarregado da coleta de dados, Clebson Vieira, afirmou em depoimento que percebeu que as blitz foram executadas com base no levantamento que ele mesmo produziu.

“O declarante somente percebeu uma atuação da PRF nos locais onde o então candidato Lula vencia, não o tendo percebido nos locais onde o então candidato Bolsonaro vencia”, relatou Clebson, acrescentando que ficou incomodado com a situação, mas que não tinha a quem recorrer.

As investigações anexaram à denúncia uma planilha contendo a listagem das cidades-alvo, com uma aba destacando os locais onde Lula teve mais de 75% dos votos.

Mensagens reforçam a articulação política na PRF

A PGR também apresentou mensagens trocadas entre Marília Ferreira de Alencar e Fernando de Sousa Oliveira, então diretor de Operações do Ministério da Justiça, reforçando a intenção de usar a estrutura do Estado para influenciar as eleições.

Em uma mensagem enviada após o primeiro turno, Marília afirmou:

“Temos que pensar na ofensiva quanto a essas pesquisas.”

A declaração sugere uma estratégia coordenada para dificultar a votação em áreas favoráveis a Lula e, assim, tentar reverter o favoritismo do petista no segundo turno.

Próximos passos

Se aceito pelo STF, caso será analisado pela Primeira Turma do tribunal, formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Flávio Dino e Cristiano Zanin. A expectativa é de que o julgamento seja concluído até dezembro.

Lula sobre denúncia de golpe de Bolsonaro: “Se provarem inocência, ficarão livres”

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Presidente Lula
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se posicionou nesta quarta-feira (19) sobre a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas. O grupo é acusado de tramar um golpe de Estado para impedir a posse de Lula, após a derrota de Bolsonaro nas eleições.

Em declaração durante evento no Palácio do Planalto, Lula evitou comentar diretamente o mérito da acusação, mas defendeu o direito dos denunciados à ampla defesa. O presidente afirmou que, caso sejam considerados culpados, devem responder pelos erros.

“Se provarem que não tentaram dar golpe e que não tentaram matar o presidente, o vice e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ficarão livres e serão cidadãos que poderão transitar pelo Brasil inteiro”, disse Lula.

O presidente também ressaltou que o processo seguirá para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde os acusados terão todas as oportunidades para apresentar suas defesas.

Denúncia aponta plano golpista e tentativa de assassinato

A declaração de Lula faz menção a uma das acusações mais graves da denúncia: a alegação de que o plano golpista envolvia a possibilidade de assassinar o próprio Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes.

Segundo a PGR, a trama foi arquitetada dentro do Palácio do Planalto e tinha como objetivo impedir a posse de Lula após a vitória eleitoral em 2022. A acusação é baseada, em parte, na delação premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, cujo conteúdo foi tornado público pelo ministro Alexandre de Moraes também nesta quarta-feira (19).

Papel de Mauro Cid na investigação

A delação de Mauro Cid é um dos principais elementos que embasam a denúncia. Em seu depoimento à Polícia Federal (PF), Cid revelou detalhes sobre a organização do plano golpista, incluindo a elaboração de um decreto para anular as eleições e o envolvimento direto de Bolsonaro na tentativa de manter-se no poder de forma inconstitucional.

Segundo o delator, o ex-presidente participou ativamente das discussões e buscou apoio entre os comandantes militares para viabilizar a ruptura democrática.

Família de Bolsonaro se dividia em relação a golpe, delata Mauro Cid

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Foto: Reprodução/Redes Sociais

A delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, revelou uma divisão entre os filhos do ex-presidente sobre como reagir à derrota nas eleições de 2022, vencida pelo agora atual presidente Lula (PT). Segundo o depoimento, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendia aceitar o resultado e liderar a oposição, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) apoiava a ideia de um golpe de Estado para manter o pai no poder.

A delação, que estava sob sigilo, foi tornada pública nesta quarta-feira (19) por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Flávio contra, Eduardo e Michelle a favor

De acordo com Mauro Cid, o senador Flávio Bolsonaro integrava um grupo que aconselhava Bolsonaro a aceitar a derrota e se posicionar como líder da oposição. A estratégia visava preservar a imagem do ex-presidente e construir uma base política forte para as próximas eleições.

“[Mauro Cid diz] que tinha um grupo bem conservador, de linha bem política; que [o grupo] aconselhava o presidente [Bolsonaro] a mandar o povo para casa e a colocar-se como um grande líder da oposição”, afirma a delação.

Por outro lado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro fazia parte do grupo que, segundo Cid, era classificado como “radical” e se subdividia em duas alas:

  • Ala menos radical: buscava indícios de fraude nas urnas para justificar uma contestação do resultado;
  • Ala mais radical: defendia abertamente a ruptura democrática por meio de um decreto golpista

Mauro Cid afirmou que Eduardo estava alinhado com os mais radicais e acreditava que Bolsonaro teria apoio popular e de grupos armados, como os CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores), caso decidisse permanecer no poder.

Além de Eduardo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também fazia parte do grupo pró-golpe, segundo o ex-ajudante de ordens.

Carlos Bolsonaro no comando do “Gabinete do Ódio”

A delação de Mauro Cid também informa um papel central do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) no chamado “gabinete do ódio”, estrutura responsável por disseminar informações falsas e atacar adversários políticos durante o governo do pai.

De acordo com o ex-ajudante de ordens, o gabinete funcionava dentro da estrutura da Presidência da República e era comandado diretamente por Carlos Bolsonaro.

Mauro Cid revelou que o núcleo era formado por três assessores, identificados como Tércio Arnaud, José Mateus e Mateus. Cid não soube informar os nomes completos, mas relata que os três estavam formalmente nomeados na estrutura do governo desde 2019.

Em fevereiro do ano passado, foi cumprido um mandado de busca e apreensão contra o ex-assessor de Bolsonaro, Tércio Arnaud. Ele era tido na época como um dos pilares do “gabinete do ódio”, por sua experiência com páginas a favor do ex-presidente nas redes sociais.

Delação de Mauro Cid e o plano golpista

A colaboração de Mauro Cid foi peça-chave para a denúncia apresentada pela PGR contra Jair Bolsonaro e seu círculo mais próximo. Segundo as investigações, o plano golpista envolvia:

  • Disseminação de fake news para desacreditar o sistema eleitoral;
  • Pressão sobre as Forças Armadas para legitimar a intervenção;
  • Elaboração de uma minuta golpista para reverter o resultado das eleições;
  • Coordenação de atos que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023

A análise do caso será feita pela Primeira Turma do STF, que tem competência para julgar ações penais envolvendo autoridades com foro privilegiado.

Produção industrial cai em janeiro, mas recuo é menor do que em anos anteriores

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Foto: Agência CNI

A produção industrial brasileira caiu na passagem de dezembro de 2024 para janeiro, de acordo com a Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (19). O índice de evolução da produção ficou em 48,9 pontos, abaixo da linha de 50 pontos, o que indica retração no setor. O número foi considerado mais brando do que o observado em anos anteriores. Já o número de empregados apresentou estabilidade, enquanto o comum para essa época é de apresentar uma queda.

A pesquisa da CNI apresenta o desempenho das indústrias extrativa e de transformação, além de destacar as expectativas dos empresários desses setores para os próximos meses.

Desempenho por porte e região

A queda na produção foi registrada em pequenas e médias empresas, enquanto as grandes indústrias apresentaram crescimento. Regionalmente, houve retração nas indústrias do Centro-Oeste, Norte e Sudeste, enquanto o Nordeste e o Sul registraram aumento na atividade industrial.

Emprego industrial se mantém estável

O índice de evolução do número de empregados ficou em 49,6 pontos, indicando estabilidade no emprego industrial em janeiro. Assim como a produção, o emprego avançou nas grandes indústrias, mas caiu nas pequenas e médias.

Por região, o Centro-Oeste e o Sul registraram aumento no número de trabalhadores, enquanto as regiões Nordeste, Norte e Sudeste apresentaram redução no quadro de funcionários.

Capacidade instalada permanece elevada

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) subiu 1 ponto percentual em relação a dezembro, atingindo 69% em janeiro. Esse é o 11º mês consecutivo em que o índice permanece acima da média histórica.

  • A UCI cresceu nas grandes indústrias
  • Estabilizou-se nas médias
  • Caiu nas pequenas

Regionalmente, apenas as regiões Norte e Centro-Oeste não registraram aumento na capacidade produtiva.

Estoques ficam abaixo do planejado

Pelo terceiro mês consecutivo, o indicador de evolução do nível de estoques ficou abaixo de 50 pontos, mostrando que os estoques continuam em queda. Em janeiro, o índice se aproximou da linha divisória, indicando uma redução menos intensa em comparação a dezembro.

Entre os portes, os estoques ficaram abaixo do planejado em pequenas e médias empresas, enquanto as grandes indústrias apresentaram um nível de estoques acima do previsto.

Por região, somente o Norte e o Nordeste não apresentaram queda nos estoques.

Expectativas positivas para os próximos meses

Apesar da queda na produção, os indicadores de expectativa para os próximos seis meses mostraram crescimento em fevereiro. Todos os índices analisados pela CNI – demanda, quantidade exportada, compras de matérias-primas e número de empregados – ficaram acima de 50 pontos, reforçando o otimismo dos empresários.

O indicador de intenção de investimento também avançou em fevereiro, alcançando 58 pontos, o que representa um aumento de 0,3 ponto em relação a janeiro. O índice está 5,7 pontos acima da média histórica, indicando maior disposição dos industriais para ampliar seus negócios.

Amostra da pesquisa

A Sondagem Industrial ouviu 1.453 empresas entre os dias 3 e 12 de fevereiro de 2025, sendo:

  • 595 pequenas empresas
  • 514 médias empresas
  • 344 grandes empresas

Moraes retira sigilo de delação de Mauro Cid sobre golpe de Estado

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Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso que investiga o plano de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (19) a retirada do sigilo da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. A colaboração de Cid detalha a participação do ex-presidente, de generais e de ex-ministros na tentativa de manter Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições de 2022.

Decisão pela publicidade dos documentos

Em sua decisão, Moraes destacou que o interesse público justifica a divulgação completa da delação, já que a manutenção do sigilo não é mais necessária para proteger os direitos de Mauro Cid ou garantir o avanço das investigações.

“A manutenção geral do excepcional sigilo da colaboração premiada não mais se justifica na preservação ao interesse público, pois não é mais necessária, nem para preservar os direitos assegurados ao colaborador, nem para garantir o êxito das investigações”, afirmou Moraes em sua decisão.

A retirada do sigilo garante a ampla publicidade de todos os documentos e depoimentos que embasaram a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jair Bolsonaro e outros 33 investigados.

Notificação dos denunciados

Além de liberar o conteúdo da delação, Alexandre de Moraes determinou que os denunciados pela PGR sejam notificados e recebam:

  • Cópias da denúncia apresentada pela PGR;
  • Íntegra da delação premiada de Mauro Cid;
  • Decisão judicial sobre a retirada do sigilo.

Os investigados terão um prazo de 15 dias para apresentar suas respostas ao STF.

Delação de Mauro Cid e o plano golpista

A colaboração de Mauro Cid foi peça-chave para a denúncia apresentada pela PGR contra Jair Bolsonaro e seu círculo mais próximo. Segundo as investigações, o plano golpista envolvia:

  • Disseminação de fake news para desacreditar o sistema eleitoral;
  • Pressão sobre as Forças Armadas para legitimar a intervenção;
  • Elaboração de uma minuta golpista para reverter o resultado das eleições;
  • Coordenação de atos que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023

A análise do caso será feita pela Primeira Turma do STF, que tem competência para julgar ações penais envolvendo autoridades com foro privilegiado.

PGR apresenta denúncia contra Bolsonaro e mais 33 por tentativa de golpe

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Jair Bolsonaro
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nesta terça-feira (18) o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado em 2022. Também fazem parte da denúncia ex-ministros, militares de alta patente e assessores próximos ao ex-presidente.

Bolsonaro é acusado de cinco crimes: organização criminosa armada, abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Denúncia inédita contra um ex-presidente

Essa é a primeira vez na história que um ex-presidente da República é denunciado por tentativa de ruptura do Estado democrático de Direito. Segundo a PGR, Bolsonaro teria liderado uma organização criminosa com o objetivo de se manter no poder mesmo após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022.

A denúncia inclui figuras de alto escalão do governo Bolsonaro, como:

  • Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil)
  • Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa)
  • Anderson Torres (ex-ministro da Justiça)
  • Augusto Heleno (ex-ministro do GSI)
  • Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin)
  • Almir Garnier (ex-comandante da Marinha)

Estrutura hierárquica da organização criminosa

De acordo com a PGR, os denunciados agiram de forma coordenada e com divisão de tarefas para implementar a ruptura violenta da ordem democrática. Documentos e mensagens obtidos pela Polícia Federal indicam que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), sob comando de Alexandre Ramagem, assessorava Bolsonaro e disseminava fake news sobre o sistema eleitoral.

“A responsabilidade pelos atos lesivos à ordem democrática recai sobre organização criminosa liderada por Jair Messias Bolsonaro, baseada em projeto autoritário de poder. Enraizada na própria estrutura do Estado e com forte influência de setores militares, a organização se desenvolveu em ordem hierárquica e com divisão das tarefas preponderantes entre seus integrantes”, destaca um trecho da denúncia.

A PGR afirma que a tentativa de golpe teve início com os ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral em julho de 2021 e culminou nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas em Brasília.

Depoimentos de generais reforçam a acusação

Os ex-comandantes do Exército, Freire Gomes, e da Aeronáutica, Carlos Baptista Júnior, declararam em depoimentos à Polícia Federal que Bolsonaro discutiu com eles uma minuta golpista. Ambos se recusaram a participar do plano.

Em 28 de novembro de 2022, Bolsonaro se reuniu com o general Estevam Theóphilo, então comandante do Comando de Operações Terrestres (Coter), que teria aceitado participar do plano golpista, segundo a investigação.

“As ações progressivas e coordenadas da organização criminosa culminaram no dia 8 de janeiro de 2023, ato final voltado à deposição do governo eleito e à abolição das estruturas democráticas. Os denunciados programaram essa ação social violenta com o objetivo de forçar a intervenção das Forças Armadas e justificar um Estado de Exceção”, afirma a PGR.

General planejava assassinato de Lula e Moraes

A denúncia também menciona o general Mário Fernandes, que teria elaborado um plano detalhado para assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes. O material foi encontrado em um HD apreendido pela Polícia Federal (PF).

Em mensagens para Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Fernandes afirmou que o então presidente não considerava a diplomação de Lula um obstáculo e que “qualquer ação poderia acontecer até 31 de dezembro de 2022”.

Julgamento no STF

A denúncia será analisada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), composta por cinco ministros. Uma alteração no regimento interno do tribunal, em 2023, determinou que as ações penais sejam julgadas pelas Turmas. Como as Turmas são menores, existe a expectativa de maior agilidade na análise desse tipo de processo.

Se a denúncia for aceita, Bolsonaro e os demais acusados se tornarão réus e poderão responder criminalmente por suas ações.

Confira os 34 denunciados pela PGR

  1. Ailton Gonçalves Moraes Barros
  2. Alexandre Rodrigues Ramagem
  3. Almir Garnier Santos
  4. Anderson Gustavo Torres
  5. Ângelo Martins Denicoli
  6. Augusto Heleno Ribeiro Pereira
  7. Bernardo Romão Correa Netto
  8. Carlos Cesar Moretzsohn Rocha
  9. Cleverson Ney Magalhães
  10. Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira
  11. Fabrício Moreira de Bastos
  12. Filipe Garcia Martins Pereira
  13. Fernando de Sousa Oliveira
  14. Giancarlo Gomes Rodrigues
  15. Guilherme Marques de Almeida
  16. Hélio Ferrreira Lima
  17. Jair Messias Bolsonaro
  18. Marcelo Araújo Bormevet
  19. Marcelo Costa Câmara
  20. Márcio Nunes de Resende Júnior
  21. Mario Fernandes
  22. Marília Ferreira de Alencar
  23. Mauro César Barbosa Cid
  24. Nilton Diniz Rodrigues
  25. Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho
  26. Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira
  27. Rafael Martins de Oliveira
  28. Reginaldo Vieira de Abreu
  29. Rodrigo Bezerra de Azevedo
  30. Ronald Ferreira de Araújo Júnior
  31. Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros
  32. Silvinei Vasques
  33. Walter Souza Braga Netto
  34. Wladimir Matos Soares

Análise: Governo disputará agenda nacionalista com a oposição

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Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Desde meados de 2015, quando a direita retomou o protagonismo na política nacional, os símbolos nacionais foram hegemonizados pelo bolsonarismo. Além da bandeira brasileira, o discurso nacionalista faz parte da narrativa da direita. Nas campanhas presidenciais de 2018 e 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) explorou bastante o verde e o amarelo, além do slogan “a nossa bandeira jamais será vermelha”.

Enquanto isso, a esquerda vem cometendo o equívoco de não disputar nem a narrativa nem a estética dos símbolos nacionais. Mais do que isso: ao apostar no vermelho, tradicional cor da esquerda, o PT foi ficando isolado.

Com o publicitário Sidônio Palmeira agora à frente da Secretaria de Comunicação Social (Secom), o governo Lula esboça uma tentativa de reação. Recentemente, o governo foi eficiente ao lançar o slogan “O Brasil é dos brasileiros”, escrito em um boné de cor azul e utilizado por ministros e parlamentares governistas. Numa resposta a esse movimento, a oposição apostou na utilização de um boné com a frase “Comida barata novamente, Bolsonaro 2026”, explorando o desgaste que a elevada inflação no preço dos alimentos provoca na imagem de Lula.

A aposta no slogan “O Brasil é dos brasileiros” deve marcar uma inflexão na estratégia comunicacional do Planalto. Para celebrar os dois anos do governo Lula, Sidônio Palmeira pretende divulgar uma mensagem nacionalista, estimulando o orgulho da população pelo Brasil.

No curto prazo, o movimento realizado pelo Palácio do Planalto não deve trazer ganhos imediatos, já que os símbolos nacionais estão associados ao bolsonarismo e ao campo da direita. Entretanto, ao estabelecer uma disputa com o bolsonarismo em torno dessa narrativa, o governo indica que a pauta nacionalista fará parte de sua estratégia de comunicação.

Também é possível que o governo explore a simpatia dos bolsonaristas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está aplicando tarifas que afetam as exportações brasileiras. O objetivo seria apontar essa contradição da oposição.

Análise: Riscos e cenários 2025: incerteza, mediocridade e esperança

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O ano de 2024 foi marcado por uma persistente polarização política e pelo avanço da judicialização, com o Judiciário assumindo um protagonismo crescente na dinâmica política e intensificando os conflitos entre os poderes. A crise de relacionamento institucional atingiu um novo patamar, dificultando ainda mais a governabilidade. Embora os índices de homicídios tenham apresentado queda, a expansão do crime organizado gerou uma sensação generalizada de insegurança. Na economia, o país registrou um crescimento relevante e uma taxa de desemprego historicamente baixa, mas a incerteza fiscal comprometeu a confiança do mercado. O governo, ao falhar na condução da política fiscal e gerar instabilidade em temas como a isenção do Imposto de Renda e a controversa regulamentação do PIX, viu sua credibilidade se deteriorar no fim do ano. Assim, um ciclo que poderia ter sido marcado por avanços terminou envolto em confusão, obscurecendo as expectativas para 2025.

Diante desse quadro, o Brasil inicia o novo ano enfrentando múltiplas crises interligadas. A crise institucional, resultado da deterioração da relação entre os poderes, permanece como um fator de instabilidade política. A crise de credibilidade econômica, agravada por tropeços na gestão fiscal e hesitações no ajuste das contas públicas, aumenta a percepção de risco entre investidores. Além disso, a falta de um projeto claro de governo e de uma base de sustentação consolidada evidencia uma gestão que começa o segundo tempo do mandato sem estratégia definida, sem equipe qualificada e com um significativo desgaste de popularidade. O governo Lula 3 entra em 2025 com uma base política fragmentada, um Congresso cada vez mais autônomo e uma governabilidade que depende de negociações pontuais e de concessões crescentes ao Centrão.

Para tornar o cenário ainda mais complexo, trata-se de ano pré-eleitoral, no qual a dinâmica política será fortemente influenciada pela corrida presidencial de 2026. A reforma ministerial anunciada pelo presidente Lula (PT) será um dos primeiros testes críticos da administração, com três cenários possíveis: um redesenho ministerial que fortaleça a coalizão governista; uma reforma tímida, que mantenha o status quo; ou um rearranjo que distribua cargos sem consolidar uma base política estável.

Problemas sem solução

Independentemente do modelo adotado, dois problemas fundamentais continuarão sem solução: a desarticulação interna do governo e a ausência de uma comunicação eficiente, que vá além do aumento de gastos com publicidade. Ainda que a reforma amplie espaços para aliados não petistas, a instabilidade política tenderá a persistir, especialmente porque o presidente evita liderar pessoalmente a articulação política. Em paralelo, os partidos do centro buscam consolidar alternativas viáveis para 2026, o que torna ainda mais difícil a construção de um projeto de poder sólido para o atual governo.

O ano político começará, de fato, com as eleições para as presidências da Câmara e do Senado, nas quais o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) foram eleitos, o que terá impacto direto sobre a governabilidade e redistribuirá forças no Congresso, limitando ainda mais a margem de manobra do Executivo. O governo, contudo, parece relutar em aceitar essa realidade e insiste em uma visão ultrapassada de hiper presidencialismo que já não encontra espaço na atual dinâmica política.

Com um Legislativo cada vez mais independente, dominando a agenda econômica e o Orçamento, a gestão Lula precisará demonstrar uma habilidade política ainda não evidenciada para evitar derrotas sucessivas. A partir de julho, a sucessão presidencial passará a moldar ainda mais o cenário político, com pesquisas eleitorais frequentes que medirão a viabilidade de uma reeleição. O governo tem investido no reforço da Secretaria de Comunicação (Secom) tendo em vista 2026, mas há sinais de que a estratégia adotada está excessivamente focada na base militante. Se essa abordagem for mantida, será um erro grave. Eleições não se ganham apenas com o apoio do núcleo ideológico, mas com o convencimento de um eleitorado mais amplo e moderado. Lula corre o risco de repetir o erro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que acreditou que sua base “raiz” seria suficiente para garantir a reeleição.

Paralelamente, os candidatos que despontarem nas pesquisas serão alvo de intensas articulações políticas e de estratégias de fortalecimento. No entanto, os grandes partidos – PP, PSD, MDB e até o PL – continuarão priorizando o fortalecimento de suas bancadas e investindo em alianças regionais para garantir o acesso a recursos partidários e eleitorais. A lógica das eleições proporcionais seguirá determinando o jogo político, com candidatos em busca de partidos e não o contrário. A direita e o centro entram em 2025 sem um nome natural para a sucessão, dado que Bolsonaro estará inelegível. Embora o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seja uma opção forte, sua candidatura presidencial está condicionada a fatores fora de seu controle, e a alternativa mais segura para ele pode ser disputar a reeleição no estado. Dessa forma, a fragmentação do campo oposicionista facilitaria o caminho para Lula, caso ele consiga consolidar sua posição até 2026.

No segundo semestre, à medida que a disputa por 2026 se intensifique, os desafios econômicos também devem aumentar. Se a economia não demonstrar sinais concretos de recuperação, crescerá a pressão por medidas populistas voltadas para a manutenção da base política do governo. O equilíbrio entre responsabilidade fiscal e política distributivista se tornará cada vez mais frágil, e a gestão Lula precisará de um plano eficiente para evitar um desgaste maior. A condução da política fiscal será determinante para definir os rumos do país, e a falta de clareza em torno do plano econômico poderá aprofundar a crise de confiança. A trajetória de 2025 será decisiva não apenas para o futuro imediato do governo, mas também para as condições gerais da eleição presidencial. O Brasil, mais uma vez, caminha para um ano de escolhas difíceis, em que a ausência de um caminho predefinido pode custar caro.

O cenário global adiciona camadas extras de incerteza à equação. A escalada das tensões entre Estados Unidos e China impacta diretamente as exportações brasileiras, enquanto medidas protecionistas de grandes economias pressionam os preços das commodities. No plano interno, a perda de credibilidade fiscal já se reflete na desvalorização cambial, que opera acima de R$ 6,00, alimentando a inflação e dificultando o financiamento de investimentos públicos e privados. A ausência de uma política externa pragmática e a falta de clareza nas diretrizes econômicas tornam o Brasil menos previsível e aumentam a cautela dos investidores internacionais.

Diante desses desafios, o governo entra em 2025 sem rumo explícito, sem agenda estabelecida, sem unidade política e sem uma narrativa capaz de resgatar sua credibilidade. Além disso, enfrenta restrições fiscais severas e uma baixa capacidade de governar sem amplos recursos orçamentários, o que explica o conflito aberto com o Congresso pelo controle das verbas discricionárias. A economia mostra sinais de retração, o Tesouro Nacional paga juros elevados, as projeções do mercado são pessimistas e o governo parece incapaz de reverter as expectativas negativas. Mesmo que alguns fatores melhorem ao longo do ano, a desconfiança que marcou a virada de 2024 para 2025 já afetou as projeções e pode comprometer os resultados do período.

Ainda assim, algumas oportunidades podem mitigar os impactos da crise e criar condições para uma recuperação econômica. A possibilidade de ajustes fiscais adicionais pode melhorar a credibilidade do país, restaurando a confiança dos investidores e imprimindo maior previsibilidade ao mercado. A valorização do dólar, por sua vez, favorece setores estratégicos como o agronegócio e a mineração, tornando os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional e impulsionando o superávit comercial. Esses fatores, se bem aproveitados, podem amenizar os efeitos negativos do ambiente macroeconômico e contribuir para um crescimento mais sustentável.

Outro elemento favorável é o dinamismo da construção civil, que segue em expansão e gera empregos diretos e indiretos, estimulando o consumo interno. O avanço da maturação das concessões de infraestrutura também representa uma oportunidade relevante, fortalecendo setores, como transporte e logística, modernizando a malha viária e aumentando a eficiência dos comércios interno e externo. Essas iniciativas, quando combinadas com um ambiente regulatório mais previsível e uma maior coordenação entre os setores público e privado, podem garantir investimentos de longo prazo e melhorar a competitividade do Brasil.

Se bem exploradas, tais oportunidades podem permitir que a economia brasileira sustente um crescimento próximo a 2% ao longo de 2025, apoiado pela resiliência do setor privado, que continua inovando e se adaptando às adversidades. O grande desafio do governo será aproveitar essas possibilidades sem comprometer a responsabilidade fiscal e sem recorrer a medidas paliativas que apenas adiem problemas estruturais. Fazer cenários prospectivos exige reconhecer que a incerteza é a única constante. No Brasil, onde a política e a economia frequentemente desafiam previsões lógicas, a imprevisibilidade se torna ainda mais evidente. Como bem pontuou Delfim Netto, o país tem a capacidade de caminhar até a beira do abismo, olhar para baixo e dar alguns passos atrás para evitar a queda. Essa resiliência, no entanto, não significa que a travessia será indolor. Diante das atuais circunstâncias, uma recuperação substancial parece depender de uma deterioração ainda mais expressiva das perspectivas antes que ocorra alguma inflexão positiva.

A realidade impõe limites severos à capacidade de transformação do governo. A fragmentação política, a ausência de um projeto estruturado e a fragilidade da base de apoio no Congresso reduzem drasticamente a possibilidade de reformas profundas. A disputa constante pelo controle do Orçamento, a necessidade de equilibrar interesses conflitantes e a falta de uma estratégia límpida tornam improvável qualquer avanço sólido. Nesse contexto, o Brasil parece condenado a um cenário de mediocridade gerencial e reformismo de baixo impacto. Pequenos ajustes podem ocorrer, mas dificilmente serão suficientes para inverter a trajetória de estagnação econômica e degradação institucional que se desenha para os próximos anos.

Assim, o mais provável é que o país continue oscilando entre momentos de alívio e novas crises, sem mudanças estruturais capazes de romper o ciclo de crescimento anêmico e de instabilidade política. O governo seguirá administrando crises, evitando colapsos imediatos, mas sem construir as bases para um desenvolvimento sustentável de longo prazo. A recuperação, quando vier, será mais fruto das circunstâncias do que de um plano bem executado. O Brasil, como tantas vezes em sua história, seguirá em frente mais pela força de sua sociedade e do setor privado do que pela competência de seus governantes.