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Análise: O labirinto da oposição

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Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O julgamento e a provável condenação de Jair Bolsonaro colocam a oposição em um estado de suspense e indecisão. O ex-presidente, que ainda exerce forte influência sobre a direita brasileira, encontra-se numa encruzilhada jurídica e política que pode redefinir os rumos da eleição de 2026. Sua inelegibilidade não apenas altera o tabuleiro, mas impõe desafios estratégicos àqueles que buscam herdar o seu capital político.

Diante da iminência de uma condenação, a estratégia de Bolsonaro parece voltada para a politização do julgamento. Ao recorrer e prolongar o processo, ele mantém sua candidatura como uma variável em aberto, o que lhe permite negociar com maior peso sua eventual retirada da disputa. A movimentação visa a maximizar seu poder de influência sobre a escolha de um sucessor e garantir que sua liderança na direita continue incontestável.

Tarcísio de Freitas desponta como o candidato natural da oposição. Governador de São Paulo e tecnocrata com bom trânsito entre setores empresariais, ele tem potencial para consolidar-se como uma alternativa viável para além do bolsonarismo. Ele não pode ser apenas “o candidato de Bolsonaro”, mas sim o líder de uma ampla coalizão que una centro e direita. Isso exige articulações políticas que vão além da bênção do ex-presidente. Além disso, com uma gestão bem avaliada em São Paulo, há um dilema a ser enfrentado: permanecer no cargo para buscar a reeleição ou aventurar-se na disputa presidencial, que exige uma coligação robusta e heterogênea.

Outros nomes surgem no horizonte, não necessariamente como alternativas viáveis, mas como postulantes que buscam projeção nacional. Ronaldo Caiado e Ratinho Junior são exemplos. No caso do governador do Paraná, uma candidatura presidencial, mesmo que resulte em derrota, pode elevá-lo à elite da política nacional, preparando-o para futuras eleições. O fato é que a ausência de Bolsonaro e a eventual desistência de Tarcísio criariam um vácuo que pode levar à fragmentação do campo oposicionista, com múltiplos candidatos disputando a herança do ex-presidente.

A oposição, portanto, enfrenta um dilema complexo. Com Bolsonaro inelegível, há um vácuo de liderança a ser preenchido. Apesar de seu peso político, a influência do ex-presidente não é suficiente para garantir a eleição de um sucessor. O eleitorado de centro, que será decisivo em 2026, não se mobiliza exclusivamente pelo bolsonarismo. O desafio da direita é encontrar uma saída para esse labirinto sem ficar refém da incerteza jurídica e política que ainda envolve Bolsonaro. A reconstrução da oposição exige a ampliação de seu espectro e um diálogo que vá além da base fiel do ex-presidente.

É certo que as expectativas negativas para o final da gestão Lula — impulsionadas por fatores como inflação e possível desaquecimento econômico — animam a oposição. Contudo, contar apenas com o fracasso do governo não é suficiente para garantir uma vitória. É preciso se consolidar como alternativa viável, baseada na unidade de propósitos e em um projeto político claro para o país. Assim, a oposição não apenas enfrenta um cenário incerto em relação à inelegibilidade de Bolsonaro, mas também precisa superar a sua própria desorganização e falta de coesão política.

“Ainda Estou Aqui” e Fernanda Torres representam o Brasil no Oscar

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Foto: Divulgação

No próximo domingo (2), o cinema brasileiro alcança um momento histórico com a participação do filme Ainda Estou Aqui na mais prestigiada premiação da indústria cinematográfica mundial, o Oscar 2025. Dirigido por Walter Salles Júnior, o longa-metragem concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres. A indicação representa um marco para a cinematografia nacional, que até hoje não conquistou a cobiçada estatueta.

Desde que Fernanda Torres venceu o Globo de Ouro em janeiro, parlamentares têm celebrado a conquista e prestado homenagens à equipe responsável pelo filme. O reconhecimento internacional da produção reforça a importância da história retratada: a luta de Eunice Paiva para obter do Estado brasileiro o reconhecimento da tortura e assassinato de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, durante a ditadura militar.

Homenagem no Senado

Em reconhecimento ao impacto histórico e cultural do filme, o Senado aprovou um requerimento (RQS 37/2025), apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) e outros parlamentares, para a realização de uma sessão especial no dia 31 de março. O evento homenageará a família Paiva, a equipe do filme Ainda Estou Aqui e a atriz Fernanda Torres, que interpreta Eunice.

No documento, Randolfe ressalta a importância de manter viva a memória dos perseguidos pelo regime militar e destaca a trajetória de Eunice Paiva como símbolo de resistência. Segundo ele, o reconhecimento internacional do filme reforça o compromisso com a verdade histórica e a necessidade de preservar a memória para evitar que episódios semelhantes se repitam.

Diploma Bertha Lutz e outras honrarias

Fernanda Torres também pode ser agraciada pelo Senado com o Diploma Bertha Lutz, premiação concedida anualmente a personalidades que se destacam na defesa dos direitos das mulheres e das questões de gênero no Brasil. A indicação foi feita pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que ressaltou a “relevante contribuição” da atriz ao longo de sua carreira, especialmente por dar visibilidade à luta de Eunice Paiva.

— Eunice, mesmo diante do desaparecimento do marido, manteve sua família de pé, demonstrando a força e a resiliência que só nós, mulheres, temos diante das adversidades. Fernanda Torres mostrou ao mundo essa história — afirmou a senadora em mensagem enviada à Bancada Feminina.

A iniciativa recebeu apoio das senadoras lideradas por Leila Barros (PDT-DF), que propôs, além do diploma, um voto de aplauso do Senado à atriz pela conquista do Globo de Ouro. O prêmio, inédito para o Brasil na categoria de Melhor Atriz em um Filme de Drama, reforçou o impacto da produção no cenário internacional.

A trajetória do Brasil no Oscar

Ainda Estou Aqui fez história ao se tornar o primeiro filme brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Filme. A cerimônia acontece no domingo (2), a partir das 21h (horário de Brasília), e será acompanhada com grande expectativa pelos brasileiros.

O Brasil já recebeu 13 indicações ao Oscar, entre produções nacionais e coproduções internacionais, mas nunca conquistou a estatueta. Na categoria de Melhor Filme Internacional, foram quatro indicações, incluindo Central do Brasil (1999), que também rendeu à atriz Fernanda Montenegro — mãe de Fernanda Torres — uma indicação ao prêmio de Melhor Atriz.

Criado em 1927, o Oscar é a premiação mais tradicional do cinema mundial. Sua primeira cerimônia foi realizada em 1929, no Hotel Roosevelt, em Hollywood, e a transmissão televisiva começou em 1953. No Brasil, a premiação passou a ser exibida ao vivo em 1970, consolidando-se como um dos eventos culturais mais aguardados do ano.

A estatueta, símbolo do prêmio, mede 35 cm de altura, pesa quase quatro quilos e é feita de estanho folheado a ouro de 14 quilates. Agora, resta saber se, em 2025, essa icônica premiação finalmente reconhecerá o cinema brasileiro com a tão sonhada vitória.

COP30: Brasil avança na regulação ambiental, mas precisará expor contradições

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Queimda e vista em meio a area de floresta proximo a capital Porto Velho. desmatamento
Foto: Bruno Kelly/Amazonia Real.

Em 2024, o poder público brasileiro promoveu uma verdadeira corrida para aprovar projetos de proteção ao meio ambiente e de transição para uma matriz energética mais renovável e limpa, ao mesmo tempo que lidava com embates políticos em busca do ponto de equilíbrio entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental. Em 2025, os embates continuarão, mas agora sob as lentes da comunidade internacional. Assim, com o objetivo de assumir uma posição de vanguarda em temas ambientais, o Brasil sediará em Belém a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).

Nos próximos meses, o governo Lula enfrentará um duplo desafio: intensificar os esforços diplomáticos em um cenário externo desfavorável à pauta ambiental e arrumar a própria casa para que a COP30 não se transforme em propaganda negativa. A realização do evento em uma cidade amazônica imprime ao Brasil um capital simbólico relevante, mas que precisa ser bem administrado.

Dinheiro para mitigação climática

Um dos principais desafios do Brasil na questão ambiental será dar contornos reais ao acordo firmado em 2024 em torno da Nova Meta Coletiva Quantificada (NCQG), que prevê maior repasse de recursos de países desenvolvidos para nações em desenvolvimento com o objetivo de reduzir emissões e compensá-las por perdas e danos climáticos. A meta estabelecida foi de US$ 300 bilhões até 2035, valor considerado insuficiente pelos países em desenvolvimento afetados pelas mudanças climáticas.

Mesmo sendo um valor definido abaixo do esperado, a proposta precisa de forte sustentação institucional para se tornar plausível, já que a meta estabelecida em 2015 no Acordo de Paris – chegar a US$ 100 bilhões anuais até 2020 – foi cumprida com atraso de dois anos.

A maior dificuldade será indicar de onde virá o dinheiro. É esperado que o Brasil tenha de mediar a questão sobre incluir ou não na lista dos que devem fazer aportes os países que tiveram grande crescimento econômico nas últimas décadas, caso da China. Além disso, gera preocupação fiscal nos governos a origem da verba, que tende a sair dos orçamentos nacionais.

A definição de como o fundo deverá ser operacionalizado está prevista para 2025, mas pouco se avançou até agora. Há a possibilidade de envolvimento de bancos multilaterais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), além do setor privado.

Combustíveis na pauta da COP

Durante a COP30, o uso de combustíveis fósseis também deverá demandar um posicionamento sólido por parte do Brasil. Em sua vitrine, o governo Lula deve dar destaque à aprovação do projeto Combustível do Futuro, com metas para maior uso de etanol, biodiesel, combustível sustentável para aviação (SAF) e biometano. Outro destaque deve ser o Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten), de financiamento a projetos de combustíveis renováveis e de baixo carbono, energia solar, biomassa e biogás.

Tais avanços regulatórios serão analisados tendo como paradigma as metas estabelecidas há dois anos na COP28, que previam triplicar o uso de renováveis, duplicar a eficiência energética e fazer a transição para o fim do uso do combustível fóssil. Contudo, o dilema sobre a extração ou não de petróleo na foz do rio Amazonas pode trazer impasses de comunicação para o Brasil, a depender do que acontecer em 2025. A pressão política local pela liberação é grande, uma vez que alguns estados deverão colher fartos royalties com o projeto, como o Amapá.

Congresso Nacional tem lista de projetos complexos para votar neste ano

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Cúpulas da Câmara e do Senado. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Depois que conseguir destravar a pauta, elegendo os presidentes das comissões da Câmara e regulamentando as emendas parlamentares, o Congresso Nacional terá uma lista de projetos relevantes, mas altamente complexos, para analisar. Na pauta legislativa, embora em 2024 o governo tenha avançado de forma consistente na agenda da transição energética e da sustentabilidade – e também na pauta econômica e fiscal, ainda há matérias pendentes de grande importância.

É o caso da última proposta do pacote de gastos públicos, o Projeto de Lei (PL) n° 4.920/2024, que altera regras na passagem dos militares para a reserva. O texto foi encaminhado pelo governo no fim do ano que passou e ainda não começou a tramitar na Câmara.

Temas econômicos

Entre os temas prioritários para o Executivo que devem ser examinados está o projeto a ser enviado que isenta de Imposto de Renda as pessoas físicas que recebem até R$ 5 mil. O texto também deve prever a tributação de lucros e dividendos de sócios e acionistas de empresas com determinado nível de faturamento. Outro é o projeto que cria o novo programa de auxílio-gás (PL n° 3.335/2024), cuja discussão foi preterida em 2024 em razão do ajuste fiscal, mas deve ser retomada este ano. Embora o Executivo não deva encabeçar a discussão pelo fim da chamada “escala 6×1”, a redução da jornada de trabalho é vista com simpatia pelo governo. Esse é um assunto que deverá constar dos debates no parlamento ao longo do ano.

O Projeto de Lei Complementar n° 281/2019, que trata dos regimes de resolução bancária, é uma das propostas que podem ser votadas já no retorno dos trabalhos, em fevereiro. Ainda relacionado ao sistema financeiro, há o PL n° 2.926/2023, sobre as infraestruturas do mercado financeiro no âmbito do Sistema de Pagamentos Brasileiro.

O combate à sonegação tributária, o chamado devedor contumaz, é um tema em análise nas duas Casas. Na Câmara, o assunto é tratado no PL n° 15/2024; no Senado, pelo PLP n° 125/2024. Trata-se de matéria complexa, mas será empreendido um esforço para se avançar com a análise das propostas. O PLP n° 124/2022, sobre prevenção de litígios tributários, já aprovado no Senado, será agora deliberado pela Câmara. Também aprovado pelos senadores, o PL n° 1.874/2022, que institui a Política Nacional de Economia Circular, é outra proposta a ser analisada este ano.

Projetos com impacto eleitoral

Dois temas a serem apreciados possuem impacto direto no processo eleitoral. Um deles é o marco legal da ferramenta Inteligência Artificial (PL n° 2.338/2023), cuja regulação é fundamental para que se evite a propagação de conteúdos falsos nas eleições. A proposta já foi aprovada no Senado, mas os senadores ainda precisam votar a reforma do Código Eleitoral (PLP nº 112/2021). Como se trata de regras eleitorais, elas têm de ser convertidas em lei um ano antes do pleito. Portanto, a aprovação da proposta precisa ocorrer antes de setembro.

Cassinos e jogos de aposta

Mais um assunto remanescente na pauta do Senado é o PL n° 2.234/2022, que legaliza e disciplina a exploração de bingos e cassinos, os chamados “jogos de azar”. Devido à polêmica dos últimos meses envolvendo o setor de apostas esportivas on-line (bets), não houve clima para a votação do projeto no fim do ano que passou. Mas a perspectiva é de que o debate seja retomado. Outro é a autonomia financeira e orçamentária do Banco Central (PEC n° 65/2023). Contudo, com a troca de comando no Banco, a proposta perde apoio institucional e terá dificuldades para retornar à pauta.

Posse de Padilha no Ministério da Saúde é adiada para 10 de março

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Foto: Gil Ferreira/Ascom-SRI

A cerimônia de posse do novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi adiada para o dia 10 de março. Inicialmente prevista para o dia 6, a data foi alterada para evitar o esvaziamento do evento, já que iria acontecer logo após o feriado de Carnaval.

O anúncio da mudança no comando da pasta foi feito nesta quarta-feira (26). Padilha assumirá o cargo no lugar de Nísia Trindade, que esteve à frente do ministério por dois anos. Nísia foi exonerada nesta quarta-feira (27), após decisão do presidente Lula. Em nota oficial, o presidente agradeceu à ministra pelo trabalho e dedicação ao longo de sua gestão. Segundo Nísia, a decisão foi motivada pelo desejo do presidente de promover uma mudança de perfil na condução da pasta.

Histórico

Alexandre Padilha (PT) é médico e tem uma trajetória consolidada na saúde pública. Foi ministro da Saúde entre 2011 e 2014, além de ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais de 2009 a 2010. Também exerceu mandato como deputado federal por São Paulo. Durante sua gestão no Ministério da Saúde, teve atuação destacada na implementação do programa Mais Médicos.

Até o momento, Padilha ocupava o cargo de ministro das Relações Institucionais. Para o posto, foi anunciada hoje a escolha da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR)

 

Gleisi Hoffmann é anunciada como nova ministra da Secretaria de Relações Institucionais

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Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O presidente Lula (PT) anunciou nesta sexta-feira (28) a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) como a nova ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), pasta responsável pela articulação política entre o governo federal e os demais poderes, principalmente o Congresso Nacional. A posse está prevista para o dia 10 de março, após o feriado de Carnaval.

A parlamentar assume o cargo em substituição a Alexandre Padilha, que foi indicado para o Ministério da Saúde, como parte da reforma ministerial em andamento no governo Lula.

Secretaria de Relações Institucionais

A SRI desempenha um papel estratégico na construção de alianças e na tramitação de projetos de interesse do Executivo no Congresso. A nomeação de Gleisi ocorre em um momento em que o governo busca maior agilidade para aprovar pautas como a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil — uma das principais promessas de campanha do presidente.

“Vem para somar na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, na interlocução do Executivo com o Legislativo e demais entes federados”, afirmou Lula nas redes sociais.

Reforma ministerial

A indicação de Gleisi Hoffmann é parte da estratégia do governo para fortalecer a base aliada e melhorar a relação com o Congresso, após críticas sobre a atuação de Alexandre Padilha na articulação política. A deputada assume o cargo em um momento delicado, com o presidente enfrentando queda nas pesquisas de aprovação, e buscando apoio para aprovar projetos econômicos e sociais.

A expectativa é que Gleisi utilize sua experiência como presidente nacional do PT e ex-ministra da Casa Civil para construir pontes entre o governo e o Parlamento, especialmente com partidos do chamado Centrão.

Congresso Nacional

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou que deseja “muito sucesso nessa importante missão de dialogar com o Parlamento. Em nome do Congresso Nacional, reafirmo nosso compromisso em trabalhar sempre em defesa do Brasil”.

Já o presidente da Câmara afirmou: “Sempre tive boa relação com ela no parlamento. Desejo pleno êxito na nova função e continuaremos o diálogo permanente a favor do Brasil”.

STF aprova plano do Congresso para transparência no pagamento de emendas

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Ministro Flávio Dino na sessão plenária do STF.
Foto: Rosinei Coutinho/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta sexta-feira (28), por maioria, validar o plano de trabalho elaborado entre o Congresso e o governo federal, com o objetivo de assegurar a execução das emendas parlamentares. Em sessão online, a medida recebeu o apoio do relator, ministro Flávio Dino, e dos ministros Roberto Barroso, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Edson Fachin.

A intenção é aumentar a transparência e a rastreabilidade dos repasses das emendas, e também a identificação dos parlamentares responsáveis pela solicitação e apoio das propostas. A decisão, que foi tomada no plenário virtual, ainda permite que os votos sejam apresentados até o dia 5 de março.

A validação do plano também garante a implementação das emendas no Orçamento de 2025, além das referentes a exercícios anteriores. Com a homologação, não há mais obstáculos legais para a execução dessas emendas.

Transparência e fiscalização

O plano prevê a identificação obrigatória dos parlamentares responsáveis pela solicitação e apoio das emendas, além de exigir o registro em atas das reuniões de comissões e bancadas. As medidas atendem a uma demanda por mais controle sobre o destino dos recursos públicos, após denúncias de falta de transparência no uso das verbas.

Entre as principais mudanças, está a proibição de transferências especiais — conhecidas como emendas PIX — sem a apresentação e aprovação do plano de trabalho correspondente. Também ficam vetados repasses sem a devida documentação e casos em que houver auditorias em andamento pela CGU ou determinações do próprio STF.

Implementação e Orçamento de 2025

Com a homologação, o plano de execução das emendas passa a valer para o Orçamento de 2025, além de recursos de exercícios anteriores que estavam bloqueados. O modelo permite maior compartilhamento de dados entre os órgãos de controle e torna as informações acessíveis ao público.

O ministro Alexandre de Moraes destacou que a criação das ferramentas de controle representa uma evolução institucional, alinhando a gestão pública à Constituição e às necessidades de fiscalização.

União bate recorde na comercialização de gás natural em janeiro de 2025

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Plataforma de extração de gás natural. Foto: Sadagus/Getty Images

A União iniciou 2025 com recorde histórico de comercialização de gás natural. Apenas em janeiro, 436 mil metros cúbicos foram vendidos por dia. A medida representa quase três vezes a média anual registrada em 2024, de 157 mil metros cúbicos diários.

Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o crescimento resulta de dois pontos. Tanto o aumento da participação da União na produção do gás no campo de Sépia como o início das operações do gasoduto Rota 3 interferem positivamente. Isso porque a infraestrutura liga o pré-sal da Bacia de Santos ao antigo Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, local da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN Rota 3).

Nesse sentido, o novo gasoduto permite a ampliação da capacidade de exploração do gás natural na Bacia de Santos, tendo em vista que viabiliza uma nova rota de escoamento do produto. De acordo com dados da Petrobras, a vazão é de aproximadamente 18 milhões de metro cúbicos de gás por dia.

Além disso, outra razão que garante melhores condições de venda do gás natural está na autorização, concedida pelo MME a PPSA. Ela permite a comercialização do produto na saída do Sistema Integrado de Escoamento (SIE), o que amplia a competitividade do setor e a eficiência do mercado, por ser mais atrativo para novos investidores.

Gás natural

O gás natural é um combustível extraído do pré-sal e composto por uma ampla mistura de hidrocarbonetos. Ele permite alta produtividade com baixas emissões de poluentes, algo atrativo para a transição energética, que busca combustíveis alternativos mais sustentáveis. Assim, a exploração desse produto cresceu muito no Brasil nos últimos anos, mesmo sendo não renovável, ou seja, limitado na natureza.

Análise: O desgaste de Lula é definitivo?

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Lula
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os desafios enfrentados pelo presidente Lula (PT) na economia, principalmente o aumento da inflação, em especial dos alimentos, indicam dificuldades tanto em 2025 quanto em 2026, ano da sucessão presidencial. Não por acaso, Lula registra a mais baixa popularidade de seus três governos. Sua rejeição cresce na classe média e, além disso, 62% dos brasileiros entendem, de acordo com o Ipec, que ele não deve concorrer à reeleição.

A conjuntura adversa que cerca o governo cria um sentimento de mudança na opinião pública, gerando demanda por renovação, o que é negativo para quem representa o continuísmo. Observadores do cenário político chegam a projetar derrota de Lula, caso ele, de fato, concorra à reeleição em 2026.

Apesar do quadro de dificuldades que se apresenta para o governo, não devemos esquecer que a trajetória política de Lula foi marcada por metamorfoses. Após as derrotas de 1989, 1994 e 1998, ele alterou sua estratégia em 2002, quando venceu sua primeira eleição presidencial, tendo o empresário José Alencar como vice.

Com a crise do mensalão, em 2005, diante da perda de eleitores na classe média, reconstruiu sua base social de apoio, que passou a se ancorar nos segmentos de menor renda. Com a prisão, em 2018, sua carreira política foi dada como encerrada. Entretanto, após ter sua condenação anulada, concorreu em 2022 e elegeu-se presidente, tendo Geraldo Alckmin (PSB) como vice.

Agora, Lula precisará passar por uma nova metamorfose. O presidente necessita criar uma marca para seu terceiro governo, responder aos desafios no campo econômico e reconstruir a frente ampla que o elegeu em 2022.

Mesmo que o presidente tenha tempo para isso, os sinais emitidos pelo governo têm sido ruins. A desconexão em relação à realidade permanece como uma característica do governo Lula 3. Na semana passada, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, aliado do presidente, chegou a divulgar uma carta criticando o isolamento de Lula e sua ausência da política, bem como o fato de, no seu entendimento, o presidente estar “preso à memória do passado”.

Conforme ocorre desde 2023, são os erros do bolsonarismo que têm criado as melhores oportunidades para Lula, como a narrativa da defesa da democracia. O presidente, porém, não tem conseguido avançar além disso.

Saiba como funciona o Pix por aproximação, que começou a valer nesta sexta (28)

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Marcello Casal jr/Agência Brasil

A partir desta sexta-feira (28), o Pix por aproximação começa a funcionar como nova modalidade de pagamento digital no Brasil. A tecnologia promete tornar ainda mais simples a vida dos consumidores, permitindo realizar transferências apenas ao aproximar o celular da maquininha, sem necessidade de leitura de QR Code ou uso da função Copia e Cola.

A novidade, que funciona por meio da tecnologia Near Field Communication (NFC), será obrigatória para as instituições financeiras e estará disponível, neste primeiro momento, apenas para celulares com o sistema operacional Android.

Como funciona?

O processo é semelhante ao pagamento por aproximação já utilizado com cartões de débito e crédito. Basta o consumidor encostar o celular na maquininha e autorizar a transação pelo aplicativo do banco ou carteira digital.

Além de facilitar compras presenciais, o novo Pix também poderá ser usado em compras online. Nesse caso, o pagamento será concluído com apenas um clique dentro do próprio site da empresa vendedora.

Inicialmente, o valor máximo por transação será de 500 reais, como medida de segurança. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) apontam que, em setembro de 2023, 65% dos pagamentos presenciais no país já eram feitos por aproximação.