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Prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman morre aos 77 anos

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Foto: Rodrigo Clemente/PBH

O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), faleceu nesta quarta-feira (26), aos 77 anos. No exercício de seu segundo mandato consecutivo como prefeito da capital mineira, Noman sofreu uma parada cardiorrespiratória na noite de terça (25), ficando internado em estado grave. Quem assume o cargo é o vice Álvaro Damião (União).

Fuad Noman deixa a esposa, a primeira-dama Mônica Drummond, dois filhos e quatro netos.

Trajetória

Natural de Belo Horizonte, Fuad Noman era economista e famoso torcedor e conselheiro benemérito do Atlético Mineiro. Antes da política, trabalhou no serviço público como funcionário de carreira no Banco Central, e posteriormente no Tesouro Nacional.

Participou dos governos do presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador mineiro Antonio Anastasia. Em 2020 foi eleito vice-prefeito de Belo Horizonte, na chapa de Alexandre Kalil (Republicanos). Em 2022, com a renúncia do titular, assumiu a prefeitura belo-horizontina. Em 2024 foi reeleito ao cargo, agora como cabeça de chapa.

Confira a nota divulgada pela Prefeitura de Belo Horizonte:

NOTA À IMPRENSA

É com profundo pesar que a Prefeitura de Belo Horizonte informa o falecimento do prefeito Fuad Noman, ocorrido nesta data.

Fuad Noman dedicou décadas de sua vida ao serviço público, sempre pautado pelo compromisso com a ética, o diálogo e o bem-estar da população de Belo Horizonte. Economista por formação, com sólida trajetória na administração pública, Fuad ocupou importantes cargos no Governo Federal, Governo de Minas Gerais e na Prefeitura de Belo Horizonte, sempre deixando marcas de competência, responsabilidade e sensibilidade social.

Em 2022, assumiu o cargo de prefeito da capital mineira, e desde então conduziu a cidade com serenidade, firmeza e espírito público.

Fuad era conhecido por seu trato gentil, sua capacidade de escuta e seu amor por Belo Horizonte. Um homem público íntegro, cuja história se confunde com o desenvolvimento da nossa cidade.

Neste momento de dor, nos solidarizamos com os familiares, amigos e todos os cidadãos belo-horizontinos que perdem não apenas um líder, mas um exemplo de ser humano. A cidade se despede com gratidão e reverência.

Informações sobre o velório e homenagens serão divulgadas em breve.

Prefeitura de Belo Horizonte

Por unanimidade, STF torna Bolsonaro e sete aliados réus por tentativa de golpe de Estado

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Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, e decidiu nesta quarta-feira (26) que o ex-presidente Jair Bolsonaro será réu na acusação de tentativa de golpe de Estado após sua derrota nas eleições de 2022. Outros sete também serão julgados, dos 34 acusados na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

De acordo com a denúncia, esse é o núcleo central da organização criminosa, de onde partiam as principais decisões para a trama golpista. Os outros 26 denunciados foram divididos em mais 4 núcleos, com julgamentos marcados a partir de abril.

A Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino, decidiu, por cinco votos favoráveis e nenhum contrário, pela aceitação da denúncia.

Quem são?

A pena máxima para todos os crimes pode ultrapassar os 40 anos. Os oito réus são acusados pelos crimes de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. São eles:

  • Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e atualmente deputado federal (PL-RJ);
  • Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional e general da reserva do Exército;
  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa, ex-ministro da Casa Civil e general da reserva do Exército, candidato a vice de Bolsonaro na chapa derrotada em 2022;
  • Mauro Cid; ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e tenente-coronel do Exército;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e ex-comandante do Exército

Núcleos do inquérito

Os 34 denunciados foram divididos em 5 núcleos que, juntos, formariam uma “organização criminosa estruturada para impedir que o resultado da vontade popular fosse cumprida”, de acordo com a PGR.

Na prática, explica a denúncia, todos agiam em conjunto, visando manter Bolsonaro no poder, contrariando o resultado das eleições de 2022, que elegeram Lula (PT) presidente.

São os núcleos:

  • 1 – “Crucial”: São os principais líderes da suposta organização criminosa, que se tornaram réus hoje. Fazem parte do núcleo 8 acusados, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.
  • 2 – Gerenciamento de ações: Com ex-assessores de Bolsonaro e ex-integrantes da PRF, são acusados de gerenciar ações ilegais para manter Bolsonaro no poder. Se destacam os nomes do ex-diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, e do ex-assessor especial de Assuntos Internacionais, Filipe Martins.
  • 3 – Ações táticas: Militares da ativa ou reserva, incluindo os “kids pretos”, especialistas em operações especiais. Seriam os responsáveis pela operação “Punhal Verde e Amarelo”, com o objetivo de assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
  • 4 – Desinformação: Acusados de criar e disseminar notícias falsas, buscando descredibilizar o sistema eleitoral brasileiro e as urnas eletrônicas. Além de também ter militares, possui os nomes do policial federal e ex-membro da ABIN, Marcelo Araújo Bormevet, e do presidente do Instituto Voto Legal, Carlos César Moretzsohn Rocha.
  • 5 – Desdobramento da desinformação: Composto apenas por Paulo Figueiredo Filho, blogueiro e neto do último governante da ditadura militar (1964-1985), João Batista Figueiredo. De acordo com a Polícia Federal, Figueiredo atuou para a “propagação de desinformação golpista e antidemocrática”. O ex-comentarista da Jovem Pan atualmente está morando nos Estados Unidos.

 

Mais da metade dos brasileiros foi vítima de fraude em 2024, aponta Serasa Experian

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Metade dos brasileiros (51%) foi vítima de alguma fraude no ano passado. Desses, 54,2% tiveram prejuízo financeiro. Os dados fazem parte do Relatório de Identidade e Fraude 2025, divulgado nesta terça-feira (25) pela Serasa Experian ─ empresa de tecnologia de dados que atua também na análise de crédito, autenticação e prevenção à fraude. Foram entrevistadas 877 pessoas entre 18 e 65 anos, nas cinco regiões do país. A margem de erro é de 3,4% para mais ou para menos.

O levantamento apontou que, dentro do universo de brasileiros que perderam dinheiro com fraude, a maior parte teve prejuízo entre R$ 100 e R$ 1 mil. Os principais tipos de golpe aplicados são:

  • Uso indevido de cartões de crédito (47,9%)
  • Pagamento de boletos falsos ou transações fraudulentas via Pix (32,8%)
  • Phishing, emails ou mensagens fraudulentas que induzem ao roubo de dados (21,6%).

Prejuízos

Entre os homens, 52,5% informaram ter sofrido fraude. Entre as mulheres, o índice se reduz para 49,3%.

O estudo mostrou que, quanto maior a idade, maior a proporção de vítimas de golpes. Na faixa etária de 18 a 29 anos, 40,8% dos entrevistados mencionaram terem sido vítimas. De 30 a 49 anos, o percentual sobe para 51,9%. No grupo de pessoas com mais de 50 anos, 57,8% foram alvos dos criminosos.

  • Até R$ 100: 17%
  • Mais de R$ 100 a R$ 500: 35,5%
  • Mais de R$ 500 a R$ 1 mil: 12,9%
  • Mais de R$ 1 mil a R$ 5 mil: 19,5%
  • Mais de R$ 5 mil a R$ 20 mil: 3,7%
  • Mais de R$ 20 mil: 3,7%
  • Não responderam: 7,9%

Tecnologia

A pesquisa da Serasa Experian identificou que a tecnologia é usada tanto para oferecer mais segurança em transações quanto para deixar as fraudes mais sofisticadas. Por exemplo, o uso da biometria facial como método de autenticação cresceu de 59% para 67% na passagem de 2023 para 2024. Entre os entrevistados, 71,8% afirmam se sentir mais protegidos ao utilizá-la.

Por outro lado, os pesquisadores identificaram o uso de inteligência artificial (IA) generativa “para a criação de perfis falsos altamente realistas, projetados para burlar verificações de identidade com dados sintéticos, além de tornar os ataques de phishing mais sofisticados, com links e mensagens fraudulentas que imitam comunicações legítimas”.

Uma ferramenta dos criminosos são as chamadas deepfakes ─ imagens criadas com o uso de tecnologias de IA que permitem a sobreposição de rostos e vozes em vídeos, com o intuito de criar imagens falsas de pessoas em vídeos.

Uso de documentos

De acordo com o levantamento da Serasa Experian, o extravio de dados é uma das formas de se iniciar fraudes. Em 2024, 16,3% dos entrevistados informaram terem os documentos roubados ou perdidos.

A pesquisa identificou ainda que 19% dos entrevistados admitiram já ter compartilhado os dados pessoais com terceiros, “expondo-se a riscos ainda maiores”.

As razões para o compartilhamento de dados mais citadas foram compras online (73,7%), abertura de contas bancárias (20,4%) e a obtenção de empréstimos (15,2%).

O estudo constatou que, apesar de ser o meio em que mais fraudes são cometidas, o cartão de crédito é o método de pagamento considerado mais seguro pelos entrevistados, superando a marca de 2023.

Meio de pagamento em que os consumidores mais confiam:

Meio de pagamento Confiança em 2023 Confiança em 2024
Cartão de crédito 46,3% 59,5%
Pix 32% 22,2%
Boleto bancário 6,7% 5,5%
Carteiras digitais 5,6% 4,9%
Cartão de débito 3,9% 3,1%
Nenhum 5,5% 4,8%

Fonte: Serasa Experian

Haddad defende reavaliar benefícios fiscais da reforma tributária

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Nesta terça-feira (25), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que, apesar dos setores trabalharem pela ampliação de benefícios tributários até 2032, há possibilidade do governo reavaliar e diminuir o número de exceções fiscais da reforma tributária. O comentário aconteceu durante evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Benefícios fiscais

Haddad classificou o excesso de benefícios como o principal “defeito” da proposta de reforma tributária em discussão. Segundo ele, quanto mais exceções forem mantidas, maior será a alíquota padrão do IVA, o que acaba penalizando setores não contemplados com incentivos.

“Isso nos distanciaria dos melhores sistemas tributários do mundo”, alertou o ministro.

De acordo com dados preliminares, a alíquota média estimada é de 21,22%. No entanto, com as exceções previstas, a alíquota padrão pode subir para 27,84%. Esse aumento ocorre porque os setores beneficiados pagam menos e o restante da economia precisa compensar a arrecadação, elevando sua carga tributária.

Pressão de setores

Haddad reconheceu que diversos setores econômicos estão pressionando pela manutenção ou ampliação dos benefícios fiscais até 2032. Entretanto, reforçou que o governo estuda limitar essas exceções para garantir uma alíquota mais equilibrada e próxima da média internacional.

Segundo o ministro, manter o número de exceções como está poderá comprometer a competitividade do Brasil e o objetivo da reforma, que é simplificar o sistema e distribuir melhor a carga tributária.

Análise: Cobertor curto no Orçamento exigirá habilidade do governo

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O Congresso Nacional aprovou, na quinta-feira (20), a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025. A matéria sofreu alterações expressivas no Parlamento, passando de uma previsão de superávit primário de R$ 3,7 bilhões para R$ 15 bilhões nas contas públicas. Segundo o relator do texto, senador Angelo Coronel (PSD-BA), em razão das regras do arcabouço fiscal, o excesso de arrecadação estimado pelo Relatório da Receita, após a repartição tributária com os entes federativos e a complementação da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), contribui para melhorar a projeção do resultado. A peça aponta ainda intervalo de tolerância de R$ 31 bilhões para o cumprimento da meta, para mais ou para menos. Vale pontuar que a previsão de superávit só foi possível porque o montante de R$ 44,1 bilhões, que ultrapassa o teto de precatórios, não é contabilizado para fins de cumprimento da meta fiscal.

Apesar de parecer um Orçamento mais favorável ao governo do que os dos últimos anos, a margem de manobra é curta, mesmo levando em consideração a ampliação que o governo obteve no montante que poderá manejar ao longo do exercício via suplementação de crédito. Inicialmente, o texto indicava que para a suplementação orçamentária poderiam ser utilizados recursos de anulação de verbas, com limitação a 10% do valor a ser anulado. Entretanto, a regra limitaria de forma significativa os remanejamentos do governo ao longo do exercício. Após negociações, o texto aprovado permite o cancelamento entre 25% e 30% do valor, a depender do tipo de despesa.

A situação orçamentária pode ficar mais delicada devido a despesas que batem à porta. É o caso dos recursos do programa Pé-de-Meia, que tem apenas R$ 1 bilhão previsto no seu orçamento, com o governo tendo de desembolsar cerca de R$ 11 bilhões adicionais ao longo deste ano. Para além de gastos já contratados, há discussões políticas e jurídicas (no Judiciário) que podem gerar despesas inesperadas. As compensações fiscais para o fim gradual da desoneração da folha de pagamentos estão novamente em pauta. A Advocacia-Geral da União (AGU) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que as medidas aprovadas no ano passado não estão sendo suficientes para cobrir a renúncia fiscal.

O ministro relator do caso, Cristiano Zanin, proferiu decisão no dia 17 de março dando um prazo de dez dias úteis para que o Congresso se manifeste. No fim de fevereiro, a AGU informou ao STF que a insuficiência das medidas pode gerar prejuízo de R$ 20,23 bilhões aos cofres públicos este ano. Em 2024, o custo total da desoneração foi de R$ 30,5 bilhões, enquanto as medidas arrecadatórias totalizaram R$ 9,38 bilhões, gerando um prejuízo de R$ 21,12 bilhões, segundo a AGU. Assim, o governo deve começar uma nova batalha no Congresso para negociar medidas arrecadatórias.

No Orçamento enviado inicialmente, o Executivo ressaltava que, caso as compensações ficassem frustradas, a alternativa seria a sobretaxação do Imposto de Renda (IR) sobre os Juros sobre Capital Próprio (JCP) e o aumento da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O projeto foi enviado no ano passado, mas não prosperou e ainda aguarda despacho do presidente da Câmara dos Deputados. Isso indica que a equipe econômica terá de pensar em alternativas.

Outra questão mais recente pode se tornar mais um empecilho futuramente para o governo: o impacto da ampliação da isenção no IR até R$ 5 mil nas contas de estados e municípios. A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) se manifestou contra a medida, argumentando que a ampliação deverá causar uma perda de arrecadação própria dos municípios de quase R$ 5 bilhões apenas em 2026. Em nota, a CNM ressaltou que vai atuar “fortemente junto ao Congresso Nacional, a fim de estabelecer no texto da lei um mecanismo para garantir que seja posteriormente mensurado o resultado das mudanças sobre a partilha federativa e compensada qualquer perda sofrida pelos entes subnacionais”.

É necessário mencionar também todas as dificuldades estruturais do Orçamento público. Segundo o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Marcus Pestana, cerca de 80% dos recursos estão engessados em gastos como Previdência, folha de salários, Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), auxílio-desemprego e abono salarial. As previsões para o crescimento este ano são de desaceleração, por conta da possibilidade de um cenário internacional adverso com as guerras tarifárias e do efeito da taxa básica de juros alta. Para Pestana, há ainda um desafio adicional: a arrecadação. Ele aponta que, no primeiro bimestre, a receita cresceu 3% acima da inflação e o cumprimento da meta fiscal está associado ao sucesso na arrecadação. E que, além disso, é preciso dar sequência aos ajustes fiscais iniciados no ano passado.

STF retoma hoje o julgamento de Bolsonaro e outros sete denunciados por tentativa de golpe

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Bolsonaro, STF
Foto: Antonio Augusto/STF

A Primeira Turma do STF irá retomar, nesta quarta-feira (26), o julgamento sobre a aceitação da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete por tentativa de golpe de Estado.

Nesta terça-feira (25), o tribunal começou a analisar a denúncia oferecida pela PGR. Nesta manhã, houve a leitura da denúncia da PGR e as sustentações orais das defesas. Após uma pausa para o almoço, o julgamento foi retomado às 14h, quando houve a leitura do relatório e os ministros começam a votar sobre as questões preliminares, como a competência da 1ª turma para analisar o caso e a validade da delação de Mauro Cid, mas foram rejeitadas.

A expectativa é de que o julgamento seja concluído nesta quarta-feira, quando o colegiado decidirá se o caso deve avançar e ser transformado em uma ação penal.

Além de Bolsonaro, foram denunciados:

  • Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha do Brasil;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal;
  • General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência;
  • Mauro Cid, ex-chefe da ajudante de ordem da presidência;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
  • e Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.

Próximos passos

Se a denúncia for aceita, o ex-presidente Jair Bolsonaro se tornará réu por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa. Caso a denúncia seja rejeitada, a acusação será arquivada.

A Primeira Turma da Suprema Corte, responsável pela análise do caso, é formada pelos ministros Cristiano Zanin (presidente), Alexandre de Moraes (relator), Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux. Nesta terça-feira, o ministro Luiz Fux divergiu dos colegas ao afirmar que a denúncia apresentada pela PGR deveria ser analisada pelo plenário da Corte, e não por uma das turmas.

Presidente da FPA vê Ministério da Agricultura enfraquecido, mas acredita em avanço da pauta neste ano

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Deputado Pedro Lupion (PP-PR).
Foto: João Paulo Véras/AgênciaFPA

Em meio às especulações de que o Ministério da Agricultura entraria na Reforma Ministerial de Lula (PT), o presidente da bancada do agronegócio avalia que a pasta tem sido enfraquecida neste governo. De acordo com Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o ministério foi esvaziado e perdeu a capacidade de defender a pauta do setor. Em entrevista exclusiva para o Cenários Políticos, publicado pela Arko Advice, Lupion analisa a perspectiva de avanço dessa pauta em 2025. Afirma também que vê chance de o chamado “pacote anti-invasão” avançar e revela que a bancada tem uma carta na manga, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) derrube a Lei do Marco Temporal dos povos indígenas.

O Cenários Políticos foi publicado primeiro para assinantes do Arko Alerta. Para saber mais sobre o produto e receber os materiais em primeira mão, CLIQUE AQUI.


Qual a maior vitória política do agro em 2024?

Aprovamos muita coisa. Não posso falar que a Reforma Tributária foi uma vitória do agro, mas posso dizer que o que nós fizemos com a Reforma Tributária foi uma vitória para o setor. Mas os avanços mais importantes em temas transversais, acredito, foram a defesa do setor na reforma, o autocontrole das atividades agropecuárias, o licenciamento ambiental e a regularização fundiária. Temos também duas leis do agro que trataram do financiamento do setor. Isso tudo são sequências de trabalho que foram resultando em coisas positivas. Também fizemos avanços importantes em torno do direito de propriedade, com a Lei do Marco Temporal. Mas temos coisas que não se aprovam em um só ano. Tem muita coisa que se aprova aqui na Câmara, vai para o Senado, ou vice-versa. 

E quais desafios o senhor vislumbra para este ano? O Marco Temporal, por exemplo, tem uma Proposta de Emenda à Constituição tramitando. Precisa dessa PEC para a tese valer?

Não, não precisa de PEC. A gente aprovou a lei, que é muito clara. Mas temos no Supremo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade sobre essa lei. Estamos participando de uma audiência de conciliação. Se perdermos no STF, vamos seguir com a PEC para tratar desse assunto. Mas a nossa prioridade é conseguir a respeitabilidade necessária para o setor. Precisamos vencer essa batalha ideológica de narrativas do próprio governo em relação ao setor agropecuário. Em termos de projetos e de iniciativas, temos várias iniciativas superimportantes, por exemplo, a questão das áreas de faixa de fronteira que precisam ser regulamentadas até outubro, a questão do novo seguro agrícola, que está correndo lá no Senado com a Teresa Cristina [PP-MS], e defendemos também a reciprocidade em relação aos países que nos atacam. São temas com os quais a gente tem de tomar todo o cuidado, principalmente com essa questão do financiamento do setor. Precisamos rever essa questão toda do Plano Safra para garantir espaço fiscal. Defendemos também uma ampla revisão administrativa do governo para diminuir gasto público, reduzir o déficit. Isso tudo afeta diretamente o setor. 

“Se perdermos no STF, vamos seguir com a PEC para tratar desse assunto [marco temporal]”

Parte das prioridades do agro chegou a avançar no ano passado, mas travou. Temos o próprio licenciamento ambiental, a pauta anti-invasão. O que houve?

O avanço dessas pautas depende muito do momento político. Agora vai ter o Abril Vermelho e vai andar tudo de novo. O Congresso funciona por ação e reação. O assunto, estando em voga, anda. Essa questão da reciprocidade comercial, por exemplo, estava se arrastando, a gente brigando para andar… E agora, com as ações dos Estados Unidos e da União Europeia, todo mundo está querendo correr com o projeto. É assim que funciona. Nossa responsabilidade é estar com tudo pronto para quando for necessário.

“Agora vai ter o Abril Vermelho e vai andar tudo de novo. O Congresso funciona por ação e reação”

Além do trabalho no Congresso, existem leis já sancionadas que dependem de regulamentação. Como está o diálogo com o Executivo sobre isso?

O governo tem interesse nessas regulamentações também. Até a questão do autocontrole o governo vem enrolando para caramba para resolver, mas tem a responsabilidade de resolver também. O governo tem que ter a iniciativa de fazer também. O Ministério da Agricultura sabe das prioridades, dos gargalos. Não precisa ficar cobrando o tempo inteiro.

Há quem interprete essa demora como uma dificuldade do governo de se entender com o setor.

Isso, politicamente, não significa nada para o governo. O governo é favorável à lei dos insumos, ao autocontrole. Tanto que apoiou, ajudou.

Mas na lei dos defensivos houve uma dificuldade…

Tem uma briga ali dentro do governo entre Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura. É uma dificuldade de interpretação. Por isso os vetos estão pendentes de votação até hoje. Na próxima sessão a gente derruba o veto. Tem que ter a sessão do Congresso para derrubar o veto. O governo sabe que é derrotado nos vetos.

Como anda a relação do setor com o Ministério da Agricultura?

É uma situação política. Somos todos políticos, temos cada um o próprio entendimento em relação a questões ideológicas e político-partidárias. Eu tenho um posicionamento muito claro e sempre tive. Se tiver problema para o meu setor, vou brigar com quem tiver que brigar. Seja meu amigo, seja meu inimigo, seja meu partido, seja contra. É necessário ter maturidade para enfrentar isso como um embate político, não pessoal. Toda vez que o produtor rural for prejudicado, nós vamos lutar. Essa é a obrigação e é o único motivo para existir a bancada, a FPA. 

A relação seria mais favorável em outro governo?

Outro governo não atacaria o setor do jeito que esse ataca. A gente não teria que se defender e reagir o tempo todo. Não teria que enfrentar situações com outro viés ideológico. Por exemplo: não adianta o governo querer diálogo com a gente em um dia se, no dia seguinte, o presidente da República vai ao assentamento do MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra] e fala que vai desapropriar todo mundo. Qual é o recado que isso passa? Eles estão a cada dia mais voltados só para a bolha, só para o mundo deles, só para o tamanho deles.

Quando o governo escolheu o ministro da Agricultura, a ideia era colocar alguém que tivesse diálogo com o agro. O senhor interpreta toda essa dificuldade no governo como um problema com o Ministério da Agricultura ou como uma dificuldade do próprio ministro de obter apoio dentro do governo?

Acho que há um enfraquecimento muito claro do Ministério da Agricultura e isso, obviamente, faz com que o ministério não tenha força suficiente para fazer os enfrentamentos dentro do governo quando o setor sofre ataques. E todo mundo acaba na mesma parada, vai governo, vai ministro, vai todo mundo.

“Há um enfraquecimento muito claro do Ministério da Agricultura”

Quando faltou recurso para o Plano Safra, parte da bancada pedia a saída do ministro. Depois, isso foi arrefecendo. Houve mudança de posição?

Primeiro, não cabe a nós indicar ministro neste governo. Não é papel de uma frente parlamentar. Segundo, o planejamento do Plano Safra vai muito do Ministério da Agricultura. Depende mais da economia, do Ministério da Fazenda, do que do Ministério da Agricultura. Nós temos diálogo com o ministro [Fernando] Haddad, nós temos diálogo com o [Geraldo] Alckmin, nós temos diálogo com a ministra Simone [Tebet], nós temos diálogo com a Casa Civil, eu sou da bancada do Paraná, ou seja, tenho diálogo com a ministra Gleisi [Hoffmann]. A gente continua tendo diálogos necessários.

A bancada defendia a votação dos vetos, como o do Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais, o Fiagro, antes da análise do Orçamento. Essa é a estratégia?

Não existe essa pressão. Na verdade, a gente nem consegue fazer para votar antes. Então, a gente não vai conseguir enfrentar essa questão dos vetos já. Mas nós vamos derrubar esses vetos do Fiagro. O veto é uma quebra de acordo, porque a Receita e a Fazenda participaram das negociações do Fiagro. O Fiagro é uma nova maneira, uma alternativa de financiamento do agronegócio que tira um pouco da pressão sobre o Plano Safra. 

O senhor defende que o Plano Safra seja previsto no Orçamento, com dotação própria?

Nós queremos o Plano Safra como política de Estado e não como coisa temporária, de governo. Para isso precisa estar no Orçamento. É uma batalha dificílima. Agora a gente precisa resolver questões como colocar o Plano Safra no começo do ano e não no meio do ano, buscar alternativa para encontrar dinheiro suficiente e espaço fiscal no planejamento anual. São questões que dependem de apoio político para acontecer, não dependem só de uma bancada de parlamentares, dependem também do governo. Estamos tentando incluir neste Orçamento. Se vamos conseguir, não sei, mas vamos pressionar.

Como o agro deve reagir às medidas do governo, que zerou o Imposto de Importação sobre produtos da Cesta Básica Nacional?

São medidas inócuas que não vão dar resultado imediato. Nós somos os maiores produtores mundiais na maioria dos produtos que eles “destarifaram” (sic). Seja no café, seja no açúcar, seja na carne, nós não temos de onde comprar porque somos nós que produzimos. A questão da sardinha, então, é algo surreal, porque as empresas são internacionais e tirar a taxação só vai fazer a sardinha chinesa chegar aqui e destruir a indústria nacional, não vai baixar o preço. Então, são questões que eu vejo apenas como tentativa do governo de dar algum tipo de satisfação ao público, até porque a safra está chegando e, com a safra os preços, obviamente, vão baixar. Depois vão dizer “viu, baixou o preço”. É oportunismo político.

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Análise: Relação difícil com o agro dificulta mudança na Agricultura

Acordo Mercosul-União Europeia terá carne brasileira como destaque

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Arquivo/Agência Brasil

Após 25 anos de intensas negociações, os blocos do Mercosul e da União Europeia (UE) anunciaram um acordo que visa alavancar o comércio bilateral. A carne brasileira se destaca como uma das maiores beneficiadas, com um potencial de expansão, mas também com novos desafios que podem impactar seus produtores.

Mesmo com a carne brasileira tendo aceitação global, a entrada do acordo poderá trazer novos rigorosos crivos de qualidade. É o que explica o embaixador José Alfredo Graça Lima, um dos primeiros negociadores do Brasil nas conversas entre o Mercosul e a UE.

Para o agronegócio, o embaixador sublinha, as vantagens do acordo não se resumem à ampliação das exportações para os europeus. Incluem também o reconhecimento da carne brasileira como produto de alto padrão, com excelência atestada por minuciosos testes sanitários. A isso o embaixador acrescenta que a rastreabilidade da carne brasileira, que antes era um ponto vulnerável, agora é um diferencial competitivo no mercado internacional.

Reconhecimento da carne brasileira

“Não que o Brasil precise disso, já que todos os outros importadores de carne brasileira estão bastante satisfeitos. No passado, a rastreabilidade era precária e houve crises, especialmente no comércio de carne bovina. Mas, agora, o Brasil tem o reconhecimento de que a sua carne passa pelos testes mais rigorosos de qualidade. A carne brasileira é de aceitação universal e, ao receber esse selo, o Brasil se coloca como um exemplo de confiança para os mercados internacionais”, disse o embaixador.

O anúncio de conclusão das negociações foi feito durante a LXV Cúpula do Mercosul, que foi realizada no Uruguai em dezembro e contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além dos outros líderes do bloco. Entre alguns pontos do acordo, se sobressaiu a redução de tarifas comerciais, e a facilitação de investimentos para o setor agrícola, com a expectativa de se fortalecer o comércio bilateral, em um contexto geopolítico cada vez mais polarizado por China e Estados Unidos. Tal fortalecimento se torna mais relevante, considerando a postura protecionista adotada pelos Estados Unidos após a posse do presidente Donald Trump, em janeiro, quando o país passou a adotar políticas mais fechadas ao comércio internacional.

A oposição francesa e a política interna

Mesmo com expectativas positivas, o acordo ainda sofre resistências, em especial por oposição de produtores agrícolas da França. A alegação é a de que o tratado colocaria em risco milhares de empregos, ao permitir a entrada no país de produtos agrícolas que não atenderiam aos padrões ambientais e sanitários exigidos pela legislação francesa.

No ano passado, o Carrefour, uma das maiores redes de supermercados da França, chegou a anunciar que deixaria de comprar carne do Mercosul. No entanto, após forte repercussão negativa, a empresa recuou, o que ilustra as tensões internas na França em torno do impacto de um possível acordo.

Implementação

Para que o acordo entre em vigor, é necessário que se completem várias etapas burocráticas e legais. Do lado do Mercosul, exige-se a aprovação dos Parlamentos de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A Bolívia, que entrou para o grupo em julho de 2024, ainda precisa concluir alguns quesitos para formalizar sua adesão.

Entretanto, o maior desafio reside na própria União Europeia, já que o acordo precisa do aval do Conselho de Ministros e do Parlamento Europeu, com sede em Bruxelas, na Bélgica. A França também tem trabalhado para barrar a aprovação no Conselho Europeu, tentando formar uma coalizão com países como Itália, Países Baixos e Áustria.

CNI defende redução de IRPJ em contrapartida pela taxação de lucros e dividendos

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Exposição 30 Anos de Agenda Legislativa da Indústria. Na Câmara dos Deputados. Foto: Iano Andrade/CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) deve defender no Congresso Nacional o projeto de lei que taxa lucros e dividendos das empresas em 15% e reduz a alíquota do IRPJ de 25% para 11%. A entidade defende a reforma do Imposto de Renda como forma de acelerar o crescimento econômico do Brasil, mas argumenta que a única forma razoável de tributar a distribuição de lucros e dividendos seria compensando com uma redução significativa da alíquota do IRPJ. Assim, o foco da CNI será em apoiar o PL 2015/2019, apresentado pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), mas estacionado desde 2023.

“A redução do IRPJ fomentaria novos investimentos no país, ao passo que as novas incidências tributárias a compensariam, evitando prejuízo aos cofres públicos”, diz o texto. A CNI defende, porém, que o texto seja ajustado para não haver dupla tributação econômica da renda entre a pessoa jurídica e o sócio ou o acionista. Para isso, defende a determinação de que o IRPJ e a CSLL correspondentes aos lucros e dividendos pagos sejam considerados antecipação do imposto devido pelo sócio ou acionista, assim como ocorre com o IRRF.

Pauta da indústria

A 30ª edição da Agenda Legislativa da Indústria será lançada nesta terça-feira (25) em evento no Congresso Nacional. O documento reúne 135 projetos de lei acompanhados e monitorados pela CNI, sendo 14 projetos destacados como parte da “Pauta Mínima da Indústria”. Entre essas estão a Licenciamento Ambiental (PL 2159/2021), a regulamentação da Inteligência Artificial (PL 2338/2023) e a Modernização do Setor Elétrico (PL 414/2021).

Em relações do trabalho, há apoio à desobrigação de contribuição adicional para aposentadoria especial com redução da exposição (PL 1363/2021) e a incentivos à empregabilidade pelo Bolsa Família (PL 2042/2024). Por fim, a modernização da legislação de comércio exterior de mercadorias (PL 4423/2024) também figura entre os temas.

Falta de tabela de preços específica encarece e atrasa obras ferroviárias no Brasil

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Foto: Beth Santos/Secretaria-Geral da PR

O governo federal enfrenta dificuldades crescentes para contratar empresas especializadas em construções de ferrovias. O principal entrave é a ausência de um sistema próprio de preços para o setor ferroviário, o que tem impactado diretamente o andamento das obras e os custos dos contratos.

Mesmo após 171 anos da inauguração da primeira ferrovia brasileira, a Estrada de Ferro Mauá, em 1854, o país ainda não conta com uma tabela de preços oficial que oriente as compras públicas em obras ferroviárias.

Sistema rodoviário é usado como referência

Na prática, o governo utiliza uma adaptação do Sistema de Custos Rodoviários (Sicro), referência obrigatória nas licitações de obras de infraestrutura do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O Tribunal de Contas da União (TCU) exige o uso do Sicro nas contratações públicas.

O problema é que os custos de uma ferrovia são muito diferentes dos de uma rodovia, o que gera distorções de preços, insegurança jurídica e riscos econômicos nos contratos.

Em ofício recente, a estatal Infra S.A., vinculada ao Ministério dos Transportes, detalhou as dificuldades provocadas por essa situação: “As considerações sobre produtividade e cotações de preços frequentemente divergem dos valores reais apurados em campo”, afirma a estatal.

Risco de falta de empresas nas licitações

A Infra S.A. demonstrou preocupação com o cenário para 2025: “Nossa preocupação reside na possibilidade de ausência de licitantes habilitados e nos riscos econômicos dos contratos, o que levaria a rescisões e necessidade de reestudo e relicitação das obras”, destaca o documento enviado à Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário (SNTF).

O principal ponto de tensão é a obrigatoriedade de seguir o Sicro, mesmo com suas limitações. Segundo a estatal, a adaptação da tabela de rodovias ao setor ferroviário exige estudos técnicos demorados e caros.

Pedido de urgência

A Infra S.A. pediu oficialmente que o Ministério dos Transportes acione o DNIT para viabilizar “com urgência” a criação de um sistema próprio de custos ferroviários. O objetivo é garantir orçamentos mais realistas e licitações bem-sucedidas.

“É fundamental que o DNIT evite distorções nos custos e composições referentes às obras ferroviárias, garantindo que os orçamentos reflitam as condições reais do mercado”, reforça a estatal. A modernização do sistema é vista como essencial para projetos como a Ferrovia Oeste-Leste (FIOL) e outras grandes obras em andamento.

Obras em andamento

A Infra S.A. administra atualmente trechos da FIOL, na Bahia, da Transnordestina, no Nordeste, e acompanha a Ferrovia Centro-Oeste (FICO), executada pela Vale em Mato Grosso.

O orçamento público previsto para as obras neste ano é de R$ 500,8 milhões, sendo que R$ 478,99 milhões serão destinados à FIOL 2, entre Caetité e Barreiras (BA). A meta é alcançar 76% de execução até o final de 2024.

Na Transnordestina, o trecho entre Salgueiro e Suape (PE) está em fase inicial de retomada, com previsão de R$ 19,04 milhões de investimento neste ano, além de licenciamento ambiental e desapropriações.

DNIT promete sistema ferroviário, mas só em 30 meses

Procurado, o DNIT informou que já iniciou um projeto para incluir custos ferroviários nas suas tabelas de referência. A base será o Sistema de Custos Referenciais Ferroviários (Sicfer), da ANTT, com apoio técnico da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O cronograma, no entanto, é de longo prazo: 30 meses até a conclusão dos estudos e a incorporação efetiva no Sicro.

O DNIT afirmou ainda que o Sicro já possui metodologias para os três modos de transporte sob sua responsabilidade — rodoviário, ferroviário e aquaviário — e que sua execução orçamentária tem superado 90% de realização nos últimos 15 anos.