18.5 C
Brasília
Home Blog Page 212

Análise: Licença de Eduardo Bolsonaro busca embate com o STF

0
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados Fonte: Agência Câmara de Notícias

A decisão de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de licenciar-se do mandato de deputado federal e permanecer nos Estados Unidos, onde já se encontra desde o fim de fevereiro, gera consequências no debate político.

Em um vídeo gravado nas redes sociais, Eduardo afirmou que se “licenciou do cargo para que possa se dedicar integralmente a buscar as devidas sanções aos violadores de direitos humanos”. De acordo com ele, nos Estados Unidos poderá “buscar as justas punições que Alexandre de Moraes e a Gestapo da Polícia Federal merecem”.

O discurso de Eduardo está alinhado com a narrativa da manifestação bolsonarista contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é fortalecer o discurso de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai, seria alvo de “perseguição política” por parte do Supremo, em especial por meio do ministro Alexandre de Moraes. Na manifestação realizada no Rio de Janeiro no último dia 16, Jair Bolsonaro afirmou que “eleição sem ele é negar a democracia”.

Com bom trânsito no governo Donald Trump e na “nova direita” no plano nacional, Eduardo já começou a buscar sanções contra Moraes nos Estados Unidos. Na última quinta-feira (20), as deputadas americanas Maria Elvira Salazar e Rich McCormick, do Partido Republicano, enviaram uma carta a Trump pedindo que Moraes seja punido com a Lei Magnitsky, que proíbe a entrada dos sancionados nos Estados Unidos e impede transações financeiras com empresas e cidadãos americanos.

Por meio de iniciativas como essa, Eduardo Bolsonaro trabalhará para internacionalizar os embates com o STF e Moraes e mobilizar a base social bolsonarista. A estratégia é estabelecer uma disputa de narrativas que repercuta no Brasil em meio ao debate que existente no Congresso Nacional sobre anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos ocorridos em Brasília em 8 de janeiro de 2023. Eduardo também continuará realizando lives e vídeos nas redes sociais direcionados aos seguidores do bolsonarismo para denunciar o que chama de “perseguição política”.

Na semana passada, Eduardo afirmou que poderá até mesmo permanecer nos Estados Unidos após o fim do prazo de quatro meses de sua licença. Entretanto, a possibilidade de ele voltar antes disso não deve ser descartada. Além de ter boas chances de se eleger senador por São Paulo em 2026, não devemos desconsiderar a possibilidade de Eduardo Bolsonaro concorrer ao Palácio do Planalto ou, eventualmente, compor uma chapa como vice-presidente no campo da direita.

ONU reconhece ampliação da fronteira marítima do Brasil em 360 mil km²

0
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Comissão de Limites da Plataforma Continental da Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu, nesta quarta-feira (26), a ampliação da fronteira marítima do Brasil no Atlântico. A nova área, chamada de Margem Equatorial, tem 360 mil quilômetros quadrados, o equivalente ao território da Alemanha. Apesar do mesmo nome, a área ampliada não é a mesma que a Petrobras busca autorização para fazer pesquisas de petróleo e gás.

Com essa decisão, o Brasil passa a ter direitos exclusivos sobre o solo e subsolo marinho nessa região, que se estende além das 200 milhas náuticas tradicionalmente reconhecidas, chegando, em alguns pontos, a 350 milhas náuticas ao largo do Amapá e do Pará.

Essa conquista faz parte de um pleito iniciado pelo Brasil em 2004, negado inicialmente, mas revisado em 2007 pela Marinha, com apoio da Petrobras.

Exploração de recursos na nova área

O vice-almirante Marco Antônio Linhares Soares, diretor de Hidrografia e Navegação da Marinha, destacou ao Valor Econômico que o Brasil poderá explorar riquezas como nódulos polimetálicos, petróleo e gás nessa nova fronteira marítima. “O Brasil passa a ter o direito de explorar riquezas do solo e do subsolo marinho numa área equivalente à do território da Alemanha”, pontua.

A área do embate entre Petrobras e Ibama está dentro das 200 milhas náuticas que já eram reconhecidas ao Brasil. No entanto, a petroleira pode futuramente identificar blocos que se estendam até essa nova área.

A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, celebrou a decisão:

“Além de fortalecer a soberania do país, permite o acesso aos recursos ali presentes. A parceria entre a Petrobras e a Marinha vem de longa data, e este é mais um resultado histórico desse trabalho conjunto.”

Atualmente, a Petrobras aguarda licenças do Ibama para iniciar pesquisas na Margem Equatorial dentro das 200 milhas náuticas, mas o projeto enfrenta críticas de ambientalistas devido ao risco de vazamento de óleo na foz do Amazonas.

Expansão contínua da fronteira

Essa não é a primeira vez que a ONU reconhece a ampliação da plataforma continental brasileira. Em 2019, um pedido semelhante garantiu ao país soberania sobre 170 mil quilômetros quadrados além das 200 milhas náuticas, na costa do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

O Brasil ainda aguarda análise de um novo pleito referente à Margem Oriental Meridional, que cobre 1,5 milhão de quilômetros quadrados entre São Paulo e Paraíba. Se aprovado, será a maior extensão já requerida pelo país.

Marco regulatório para o setor portuário está em análise na Câmara

0
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O novo marco regulatório para o setor portuário brasileiro, está em análise na Câmara dos Deputados. O projeto de lei 733/25 atualiza o que está em vigor desde 2013 (Lei 12.815/13). Com 151 artigos, o texto promove uma série de alterações na regulação, precificação dos serviços, contratação de mão de obra e licenciamento ambiental.

Entre as principais mudanças no texto está o licenciamento ambiental integrado dos portos públicos, isso vai dispensar as licenças individualizadas para a instalação de terminais portuários e de cruzeiros. 

Também estabelece que os preços a serem praticados pelos terminais dos portos serão negociados livremente, desde que respeitadas as normas concorrenciais. Atualmente, as tarifas portuárias são estabelecidas ou supervisionadas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Trabalhadores avulsos

O PL 733/25 também altera as regras para a contratação de trabalhadores portuários. Atualmente, a mão de obra é contratada exclusivamente por meio do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo). Com a nova proposta, qualquer trabalhador devidamente certificado poderá ser contratado diretamente pelos operadores privados.

Além disso, a legislação permitirá que trabalhadores atuem em qualquer porto do país, sem estarem vinculados a um terminal específico. A Antaq será responsável por manter um cadastro nacional desses profissionais, garantindo transparência e regulamentação.

O PL 733/25 traz ainda outras mudanças:

  • amplia os poderes da Antaq, para, por exemplo, conceder portos privados e regular os terminais retroportuários alfandegados (hoje à cargo da Receita Federal);
  • obriga a União à implantar e gerir a Janela Única Aquaviária, um sistema digital que simplifica os procedimentos de estadia dos navios nos portos;
  • prorroga todos contratos de arrendamento vigentes, de qualquer época, por até 70 anos;
  • amplia as atribuições dos conselhos de autoridade portuária, como sabatinar os indicados à diretoria da autoridade portuária;
  • permite à autoridade portuária celebrar contratos de transição para uso de área portuária até que sejam concluídos os procedimentos da outorga;
  • permite ainda a criação da uma câmara de autorregulação para solucionar disputas entre atores portuários.

Murillo de Aragão: Penalização de Bolsonaro mostra disfunção do sistema político

0
Foto: YouTube/CNN Brasil

A aceitação da denúncia da Procuradoria-Geral da República sobre o plano de golpe pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou réu Jair Bolsonaro (PL), levanta questões significativas sobre o cenário político brasileiro, de acordo com o cientista político Murillo de Aragão. Em participação no WW da CNN Brasil desta quarta-feira (26), Aragão, que também é CEO da consultoria Arko Advice, ofereceu uma análise detalhada das implicações deste evento.

Ele destacou um padrão preocupante na política brasileira: “Vamos ver aí o terceiro presidente, em sequência, que sofre penalizações graves da política, o que revela uma disfunção do sistema político brasileiro”. Esta observação sugere uma instabilidade recorrente nas mais altas esferas do poder executivo do país.

Comparação com o caso Lula

O cientista político fez uma comparação interessante entre os casos de Bolsonaro e Lula (PT), ressaltando uma diferença crucial: “O Lula, quando esticou a corda, ele não era uma figura política popular, ele não tinha a popularidade que o Bolsonaro tem”. Esta distinção, segundo Aragão, pode influenciar significativamente o desenrolar dos eventos políticos futuros.

Sobre o processo judicial em si, Aragão prevê que “a condenação parece inevitável”. No entanto, ele aponta que a grande discussão agora será em torno da dosimetria da pena, especialmente considerando a sentença de 14 anos já aplicada em um caso relacionado.

Estratégias políticas futuras

Aragão antecipa que Bolsonaro poderá usar a condenação para aumentar a pressão por uma anistia. Além disso, ele sugere que o ex-presidente pode transferir seu apoio eleitoral para um aliado que, se eleito, poderia propor um perdão presidencial ou buscar uma solução jurídica alternativa.

“O que vai acontecer é ele capitalizar a condenação para aumentar o peso da pressão pela anistia e eventualmente transferir esse apoio e juntando esse eleitorado que é bolsonarista a favor de um candidato que seja seu aliado”, explicou, delineando as possíveis estratégias políticas que podem emergir desta situação.


Publicado originalmente em CNN Brasil

Entenda a atual situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro

0
bolsonaro
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira (26), aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da União (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros 7 investigados. A partir disso, eles são réus perante a Corte, que irá julgar se são culpados ou não.

Bolsonaro vive, pela primeira vez, a possibilidade de ser condenado penalmente pelo STF. Em fevereiro de 2025, ele foi denunciado, juntamente com mais 33 pessoas, pela PGR pelos crimes de: formação de organização criminosa; atentado contra o Estado Democrático de Direito; tentativa de golpe de Estado; dano qualificado ao patrimônio público; e deterioração de patrimônio tombado.

Além disso, Bolsonaro é apontado como líder da organização criminosa que atuou para se manter no poder após as eleições de outubro de 2022, quando o atual presidente, Lula (PT), foi eleito.

Inelegibilidade

Atualmente, Jair Bolsonaro está impedido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de ser candidato. A defesa do ex-presidente apresentou recursos contra duas condenações ocorridas em 2023 – pelo ataque ao sistema eleitoral sem provas, em reunião com embaixadores estrangeiros, e por abuso de poder político, ao usar o evento de 7 de setembro de 2022 para campanha eleitoral. O TSE rejeitou os recursos, mas ainda há possibilidade de recorrer no STF.

Na opinião da advogada eleitoral Angela Cignachi, dificilmente a decisão será revertida, mas, caso isso ocorra, ela precisa acontecer antes do início do período eleitoral, em agosto de 2026.

Além disso, caso o STF condene Bolsonaro nesta nova acusação, ele estará inelegível novamente. Isso porque a Lei de Inelegibilidade (LC nº 64/90) define que ficam inelegíveis os considerados culpados por decisões judiciais colegiadas pelos crimes de danificação do patrimônio público e de formação de organização criminosa. A denúncia da PGR, em si, não interfere nesse quesito, mas a condenação pelos crimes acima citados, sim.

Tempo de julgamento previsto

A defesa de Bolsonaro pediu que o julgamento fosse realizado no plenário do STF, com a participação de todo o colegiado de ministros do STF. Ouvida pela Arko Advice, a advogada penal Karolyne Guimarães avaliou, porém, que a decisão na Primeira Turma seria mais interessante para o ex-presidente, tendo em vista que poderia ser recorrida ao plenário, onde Bolsonaro teria uma “segunda chance”.

No entanto, o julgamento na Primeira Turma é finalizado mais rápido do que em plenário, algo que, segundo a advogada, pode ser um dos motivos para a defesa não querer que aconteça lá. Se o julgamento fosse para o plenário, ele seria mais longo e haveria a possibilidade de Bolsonaro não ser condenado até as eleições. Assim, ele não estaria inelegível pelo STF, apenas pelo TSE.

De qualquer forma, a advogada informa que a maioria dos processos penais duram cerca de um ano, independentemente da quantidade de réus. Caso a tramitação seja prioritária, ela será mais rápida, o que tem sido a norma nos casos que envolvem os manifestantes do 8 de janeiro de 2023. Além disso, os ministros devem finalizar o julgamento antes do início do período eleitoral, para que o assunto não interfira na decisão final.

Bolsonaro tem chances de ser condenado pelo STF?

A denúncia da PGR tem um peso muito grande na investigação do STF. “Um réu denunciado é um réu condenado”, brinca a advogada Karolyne Guimarães. Mesmo que o posicionamento da defesa de Bolsonaro apresente pontos importantes, o STF vem atuando firmemente no caso dos atos de 8 de janeiro. Diversos acusados já foram condenados com penas que variam de 1 a 17 anos. No entanto, vale lembrar que a decisão final é resultado da análise dos lados envolvidos, e considera a decisão da maioria dos ministros.

Outras condenações e indiciamentos de Bolsonaro

Em 2023, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado duas vezes pelo TSE. A primeira ocorreu em junho, quando se decidiu por uma inelegibilidade de oito anos. Na ocasião, os ministros consideraram que o ex-presidente cometeu abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação em julho de 2022, quando atacou o sistema eleitoral, sem provas, em reunião com embaixadores estrangeiros.

Em outubro de 2023, o TSE novamente condenou Bolsonaro à inelegibilidade, agora devido a abuso de poder político e econômico por utilizar os desfiles em comemoração aos 200 anos de Independência do Brasil para fazer propaganda política de si mesmo, embora não fosse período eleitoral.

Além do indiciamento na Polícia Federal (PF) que virou denúncia da PGR e hoje está no STF, Bolsonaro tem outros dois indiciamentos. Um deles investiga a venda de joias sauditas presenteadas ao governo brasileiro. Segundo a PF, o ex-presidente cometeu associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos por ter negociado as joias nos Estados Unidos.

O outro indiciamento trata de fraude no registro das doses de vacina contra covid-19 em cartão de vacina. A PF afirma que Bolsonaro, nesse caso, cometeu os crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos. Assim, os dois indiciamentos foram encaminhados à PGR, mas ainda não há um parecer final da Procuradoria sobre os casos. Ademais, há outros inquéritos abertos contra o ex-presidente.

  • Em 2020, foi aberto o primeiro inquérito (Inquérito nº 4.831) contra Bolsonaro. A denúncia partiu do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, que declarou que o ex-presidente teria interferido politicamente na PF. O caso foi arquivado pela PGR, mas o STF pediu que a decisão fosse revista.
  • O ministro Alexandre de Moraes, do STF, incluiu Bolsonaro no Inquérito das Fake News (Inquérito nº 4.781), aberto há seis anos e que segue em sigilo. A investigação apura declarações falsas sobre membros do Supremo.
  • Em 2021, foi aberto um inquérito sobre a participação de Bolsonaro no vazamento de dados de uma investigação sigilosa da PF, que, no entanto, não indiciou o então presidente. Inicialmente, a investigação integrava o Inquérito das Fake News, mas depois recebeu um inquérito próprio (Inquérito nº 4.878).
  • A falsa associação da vacina contra covid-19 ao vírus HIV resultou na abertura de outro inquérito (Inquérito nº 4888) no STF, a pedido da CPI da Covid, conduzida no Senado Federal. A PF concluiu que o ex-presidente cometeu incitação ao crime nessas ações.

A história se repete

Mesmo diante da possível condenação pelo STF, Bolsonaro continua insistindo que será candidato em 2026. E esse cenário não é uma novidade. Em 2018, Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A sentença foi determinada por três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Mesmo assim, o petista lançou candidatura para as eleições daquele ano.

Pela Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135/2010), condenados criminalmente a partir da segunda instância da Justiça ficam inelegíveis e impedidos de obter o registro. Assim, Lula estaria inelegível naquela época. No entanto, a decisão coube ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que convocou uma sessão extraordinária para julgar a situação. Por fim, o tribunal rejeitou a candidatura.

Diante desse cenário, outros nomes da direita estão sendo cogitados para as 2026, porém sem um anúncio aberto, tendo em vista que o ato poderia ser visto como uma aceitação antecipada da inelegibilidade de Bolsonaro.

Entre os personagens ventilados, está Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, que nega a candidatura e declara apoio ao ex-presidente. No entanto, caso Bolsonaro seja condenado, Tarcísio é a principal cotado para substitui-lo no pleito. Até lá, Bolsonaro pretende levar a candidatura até onde for possível.

Entenda os caminhos possíveis a Bolsonaro em 2026, segundo a Lei Eleitoral (Lei Nº 9.504, de 30 de setembro de 1997)

  1. A escolha dos candidatos pelo partido acontece no período de 20 de julho a 5 de agosto de 2026.
  2. É facultado ao partido substituir o candidato que for considerado inelegível. Caso escolha a substituição, o registro deverá ser requerido até 10 dias depois da notificação da decisão judicial impedindo a candidatura. Vale ressaltar que a substituição só será efetivada se o novo pedido for apresentado até 20 dias antes do pleito das eleições.
  3. Além disso, até 20 dias antes da data das eleições, os Tribunais Regionais Eleitorais enviarão ao TSE a relação dos candidatos. Até essa mesma data, todos os pedidos de registro de candidatos devem estar julgados pelas instâncias ordinárias, com as decisões publicadas.
  4. Os processos de registro de candidaturas terão prioridade sobre quaisquer outros, devendo a Justiça Eleitoral adotar as providências necessárias para o cumprimento do prazo previsto, inclusive com a realização de sessões extraordinárias e a convocação dos juízes suplentes pelos Tribunais.
  5. O candidato cujo registro esteja sob julgamento poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver sob essa condição, ficando a validade dos votos a ele atribuídos condicionada ao deferimento de seu registro por instância superior.

Indústrias do Brasil e Japão pedem Acordo de Parceria Econômica

0
Foto: Ricardo Stuckert / PR

No encerramento do Fórum Econômico Brasil-Japão, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Keidanren, representante da indústria japonesa, assinaram nesta quarta-feira (26) uma declaração conjunta que pede aos líderes de Estado o Acordo de Parceria Econômica (EPA) Japão-Mercosul.

O presidente Lula (PT) destacou a estabilidade do cenário brasileiro para assegurar os investidores estrangeiros. “Quero convidar os japoneses a investirem no Brasil, pois somos um porto seguro”, disse, reforçando ainda a importância do comércio livre e do multilateralismo, com troca nas mais diversas áreas, “sem muros”.

O vice-presidente do Keidanren, Tatsuo Yasunaga, destacou a relevância da assinatura do acordo e afirmou que o encontro era uma oportunidade para que os empresários mandassem, juntos, uma mensagem aos líderes dos dois países sobre o tema.

Comércio

Dados da CNI apontam que os investimentos japoneses no Brasil aumentaram 31,6% entre 2014 e 2023, colocando o Japão em nono lugar entre os maiores investidores estrangeiros no país.

O comércio bilateral cresceu 13,3% na última década, com quase US$ 53 bilhões exportados pelo Brasil, puxados pelo aumento da participação da indústria de transformação, sobretudo alimentos. Já o Japão vendeu principalmente veículos e eletrônicos ao Brasil.

Acordo facilitará comércio bilateral

Para as representantes da indústria, o EPA Japão-Mercosul será um pilar institucional para o fortalecimento das relações Japão-Brasil no médio e longo prazo. “Uma parceria econômica fortalecida contribuirá para aprimorar a cooperação regional e internacional, reforçando a importância de mercados abertos, competitividade industrial e redes comerciais resilientes”, diz um trecho da carta entregue aos governos brasileiro e japonês.

Empresários se reuniram com Lula, ministros e presidentes do Senado e da Câmara

Durante o fórum, o presidente Lula – acompanhado de ministros e dos presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, respectivamente – recebeu 10 empresários de setores diversos como energia, aviação, alimentos e mineração. Os executivos tiveram a oportunidade de apresentar as principais demandas dos respectivos segmentos ao chefe do governo e demais autoridades.

 

Imposto de Renda: Comissão convida Haddad e Gleisi para explicar projeto

0
O ministro da fazenda, Fernando Haddad (d) e Gleisi Hoffmann (e), durante cerimônia de lançamento do programa “Crédito do Trabalhador” Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
O ministro da fazenda, Fernando Haddad (d) e Gleisi Hoffmann (e), durante cerimônia de lançamento do programa “Crédito do Trabalhador” Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados aprovou um convite aos ministros da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), para explicar o projeto da reforma do IR (PL 1087/25). O requerimento foi apresentado pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ). Ele se diz a favor do projeto, mas questiona sobre os efeitos da reforma sobre os cofres de estados e municípios.

“Metade do IR é distribuída para os fundos de participação dos estados e municípios, descontado os valores do IRRF que ficam como receita para os estados. Se há compensação para os cofres da União, porque estados e municípios não terão compensação?”, questiona o deputado.

Segundo cálculo da Confederação Nacional de Municípios (CNM), o impacto da medida nos cofres municipais pode chegar a R$ 7 bilhões. Já a Receita Federal estima perdas menos do que R$ 5 bilhões.

Conheça o projeto

O projeto de lei enviado pelo governo amplia para R$ 5 mil a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR). Segundo a proposta, trabalhadores que ganham até esse valor, estão isentos da declaração e do pagamento do imposto. O governo propôs ainda uma isenção parcial de forma escalonada para quem ganha até R$ 7 mil. A ideia é não gerar uma discrepância relevante entre a faixa de isenção e quem ganha pouco mais acima disso.

O projeto foi promessa de campanha do presidente Lula (PT) em 2022. A tabela do Imposto de Renda não sofre reajustes estruturais há mais de uma década, desde 2014. Apenas a faixa de isenção passou por mudanças anteriormente. A proposta foi anunciada inicialmente no fim do ano passado, juntamente com o pacote de ajuste fiscal. A forma da publicização das medidas e a falta de informações mexeu com o mercado, elevando o dólar e gerando incerteza sobre o rumo do fiscal.

Em contrapartida, o governo propõe a tributação mínima e progressiva para altas rendas. Na prática, serão mais tributados os ganhos acima de R$ 600 mil por ano, incluindo salário, aluguéis, dividendos e outros rendimentos. Seria estabelecida uma alíquota mínima de 10%, taxa que vai crescendo gradualmente até o ganhos de até R$ 1,2 milhão.

Lula firma 10 acordos com Japão e negocia exportação de carne bovina

0
Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula (PT) está em viagem de Estado ao Japão desde o início desta semana, e se reuniu com o primeiro-ministro do país, Shigeru Ishiba, na manhã desta quarta-feira (26). Foram firmados 10 acordos com o governo japonês, e 80 instrumentos de cooperação relacionados a comércio, indústria e meio ambiente. 

Existe ainda a expectativa de que a viagem ao continente asiático avance as negociações pela exportação de carne bovina in natura brasileira ao Japão. Segundo o primeiro-ministro japonês, o país está disposto a enviar especialistas sanitários para coletar informações e realizar a missão técnica sanitária para inspecionar as carnes bovinas brasileiras. 

Multilateralismo

O presidente Lula disse que espera lançar negociações de um acordo de livre-comércio com o Japão no âmbito do Mercosul no próximo semestre, quando o Brasil vai assumir a presidência do Bloco. O primeiro-ministro japonês também reforçou que deseja levar a relação com o Mercosul para patamares superiores.

Ambos os representantes defenderam o fortalecimento do multilateralismo, da paz, da liberdade e da democracia. Segundo o primeiro-ministro japonês, Brasil e Japão também vão trabalhar juntos no G4 — aliança entre Brasil, Alemanha, Índia e Japão —  pela reforma do Conselho de Segurança da ONU, compromisso firmado pelo G20 em 2024.

O Brasil também vai presidir a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) no final deste ano em Belém-PA. Diante disso, o presidente Lula aproveitou a viagem ao Japão para convocar o país a se unir ao Brasil neste evento, mas também na próxima Cúpula do G20, que acontece em Joanesburgo, na África do Sul.

Por fim, decidiu-se que os representantes dos dois países vão se reunir de dois em dois anos, para manter a relação positiva entre Japão e Brasil. Lula também afirmou que trabalharão juntos em medidas de mitigação e adaptação das mudanças climáticas, do desmatamento e de desastres nacionais. Ambos defenderam o caminho da descarbonização.

Embraer anuncia a venda de 20 jatos para o Japão

0
Foto: Ricardo Stuckert / PR

A empresa brasileira Embraer acertou a venda de 20 jatos para o Japão, com possibilidade de aquisição de mais cinco aeronaves. O valor estimado da negociação é de R$ 10 bilhões. O anúncio foi feito durante o encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Japão, nesta quarta-feira (26), em Tóquio.

O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou que a decisão reforça a qualidade dos aviões da empresa e abre portas para novas oportunidades no mercado internacional. “Essa escolha pelos aviões da Embraer endossa nosso produto e será importante para ampliarmos nossa presença em outras companhias aéreas pelo mundo”, disse.

Durante seu discurso aos empresários, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) brincou ao sugerir que as vendas poderiam ser ainda maiores. “A Embraer tornou-se a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo e tem um mercado importante aqui no Japão. Posso dizer ao primeiro-ministro Ishiba que os aviões da Embraer são de excelente qualidade. Quem compra 20 pode comprar mais alguns, e quem sabe todas as empresas japonesas possam voar com aeronaves da Embraer”, destacou.

Combustível sustentável

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), falou que a negociação também envolve esforços para que o setor de aviação japonês adote o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) em suas operações.

O SAF é uma alternativa ao querosene de aviação de origem fóssil, produzido a partir de matérias-primas e processos sustentáveis. Pode ser obtido a partir de resíduos agrícolas, óleo de cozinha usado, gorduras, cana-de-açúcar, milho, entre outros, e pode ser utilizado puro ou misturado ao combustível convencional, conforme especificações técnicas de segurança. O Brasil, que possui ampla expertise no setor, busca se consolidar como um dos principais exportadores desse tipo de combustível.

“Avançamos também em um convênio de cooperação para o SAF, que é o combustível do futuro, o combustível verde. As companhias aéreas japonesas demonstram total interesse em operar com esse combustível, e o Brasil tende a se tornar, no futuro, um grande fornecedor”, afirmou o ministro.

O que é a Embraer?

Criada em 1969 com apoio do Governo Federal, a Embraer hoje é uma gigante do setor aeroespacial. Atualmente, é a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo, e líder absoluta no segmento de aeronaves com até 130 assentos. A empresa já entregou mais de oito mil aeronaves, conta com cerca de 18 mil empregados e mantém unidades industriais, escritórios e centros de distribuição de peças e serviços nas Américas, África, Ásia e Europa, atendendo à demanda global.

Agro elege licenciamento ambiental e novas regras para concessões como prioridades em 2025

0
ançamento da Agenda Legislativa do Agro CNA 2025. Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, João Martins da Silva Júnior; Dep. Marussa Boldrin (MDB - GO) e Senadora, Tereza Cristina (PP - MS). Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) apresentou no Congresso Nacional nesta quarta-feira (26) a lista de projetos prioritários para o agro em 2025. A Agenda Legislativa do Agro CNA 2025 é dividida em eixos temáticos, cada um focando em uma área específica de interesse para o agronegócio. São listados projetos que têm o apoio total e parcial da CNA, mas também quais projetos devem ter a oposição do agro neste ano. Veja a lista completa clicando AQUI. Veja alguns dos principais projetos, por tema:

Tributação e Política Agrícola

A CNA defende a aprovação da regulamentação do Comitê Gestor do IBS (PLP 108/24), mas com ressalvas. O texto destaca que o projeto também trata dos critérios para que os estados e o Distrito Federal possam aplicar a cobrança do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCMD). A CNA também apoia o projeto de redução dos custos cartorários (PL 4334/20) e a subvenção ao seguro rural (PL 4720/16).

Meio Ambiente e Recursos Hídricos

A confederação orienta a favor do projeto do licenciamento ambiental (PL 2159/2021). Hoje, o projeto, originário da Câmara dos Deputados, tramita simultaneamente na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e na Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado, com duas relatorias distintas. Na CRA, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) é responsável pelo parecer, enquanto na CMA o senador Confúcio Moura (MDB-RO) lidera a análise. Essa divisão de relatorias reflete a complexidade do projeto e a diversidade de interesses políticos que o cercam.

Também estão na lista de prioridades o projeto de incentivo às obras de infraestrutura de irrigação (PL 2168/21), e a alteração da legislação que protege a vegetação de campos de altitude (PL 364/19).

Direito de Propriedade

Diversos projetos listados como prioritários tem como foco o direito à propriedade privada e o embate ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Resultado da CPI do MST, pretende estabelecer sanções rigorosas contra invasões de terra. Entre as medidas, está a caracterização das invasões como terrorismo (PL 149/03), a restrição de benefícios a invasores (PL 709/23). Há, porém, outros temas como aregularização fundiária em faixas de fronteira (PL 4497/24).

Presidente da FPA vê Ministério da Agricultura enfraquecido, mas acredita em avanço da pauta neste ano

Relações Trabalhistas

Aborda questões trabalhistas no meio rural, como os contratos safristas (PL 715/23), pausa para trabalhadores de frigoríficos (PL 2363/2011) e o contrato de parceria agrícola (PL 3097/2020).

Relações Internacionais

Trata de comércio exterior e acordos internacionais, como os projetos que definem a reciprocidade ambiental (PL 1406/2024, PL 2088/2023), restrição para café importado (PL 1712/15) e a validade mínima para leite em pó importado (PL 952/2019).

Infraestrutura e Logística

Aborda temas relacionados à infraestrutura para o agronegócio, exploração de hidrovias (PDL 53/2019), mobilidade rural (PL 1146/21), o marco legal das PPPs (PL 7063/17), o programa de armazenagem rural (PL 1070/24), e a outorga de concessões remuneradas nas faixas de domínio ao longo das rodovias (PL 1533/2023).

Produção Agropecuária

Foca em questões ligadas à produção, como o programa de desenvolvimento da indústria de fertilizantes (PL 699/23), alterações na Lei da Pesca (PL 4527/24) e a proibição de contingenciamento na defesa agropecuária (PLP 91/2023).

Educação

Aborda a temática da educação, com menção ao Plano Nacional de Educação (PL 2614/2024).