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Gabriel Galípolo vai à CPI para explicar atuação do BC sobre apostas esportivas

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O economista e diretor do BC durante sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos nesta terça. Foto: Roque de Sá/Agência Senado.

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, participa da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Bets, agendada para esta terça-feira (8), às 11h. A sessão pretende abordar o papel do BC na regulação e fiscalização das apostas esportivas eletrônicas, também conhecidas como “bets“, no Brasil.

Impacto das apostas

O próprio presidente da CPI, senador Dr. Hiran (PP-RR), requeriu a presença de Galípolo. Segundo o requerimento, ele será questionado sobre os seguintes temas:

  • A capacidade de rastreamento e analise dos fluxos financeiros relacionados às plataformas de apostas esportivas, para identificar possíveis irregularidades;
  • A supervisão das instituições de pagamento utilizadas pelas plataformas de bets;
  • Normas e procedimentos existentes para o controle de transações financeiras, estudando a possibilidade de implementação de medidas específicas para o setor das bets; e
  • A avaliação do impacto econômico das bets no sistema financeiro, destacando o volume de recursos movimentados.

CPI investiga impacto nas famílias e possível elo com crime organizado

Instalada em 12 de novembro de 2024, a Comissão Parlamentar de Inquérito das Apostas, conhecida como CPI das Bets, foi criada para apurar os efeitos das apostas on-line no orçamento das famílias brasileiras e possíveis conexões com organizações criminosas. A relatoria está sob responsabilidade da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS).

A investigação abrange os chamados jogos de “apostas de quota fixa” — categoria que inclui tanto as apostas esportivas (as chamadas bets) quanto jogos on-line semelhantes a cassinos, como o popular Fortune Tiger, conhecido como “Jogo do Tigrinho”. Nesse modelo, o apostador sabe previamente quanto pode ganhar em relação ao valor apostado, caso acerte o resultado.

Ao final dos trabalhos, a CPI poderá apresentar propostas de alteração legislativa e encaminhar as conclusões aos órgãos competentes para responsabilização criminal dos envolvidos, quando for o caso.

Delegação moçambicana visita Brasília para examinar sistema político

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bandeiras dos países de língua portuguesa
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Na semana passada, o professor Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, sócio fundador da MDA Law e diretor acadêmico do Instituto Escola de Governo de Brasília, recebeu a visita de uma importante delegação de Moçambique, composta pela Comissão de Reflexão sobre o Modelo de Governação Descentralizada (CREMOD).

Murillo de Aragão fez uma palestra detalhada sobre o sistema político brasileiro para os membros da delegação. O encontro proporcionou um importante intercâmbio de experiências e informações entre os representantes dos dois países. A delegação também foi recebida pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçando o caráter institucional e a relevância da visita ao Brasil.

Entre 31 de março e 9 de abril, a delegação moçambicana estará no Brasil com o objetivo de discutir temas relacionados à modernização e à reforma político-administrativa, especialmente no que diz respeito à reforma eleitoral, descentralização político-administrativa e políticas públicas em nível subnacional. Os debates incluem aspectos fiscais e tributários fundamentais para o fortalecimento das instituições locais.

A missão é composta por destacadas personalidades moçambicanas, lideradas por Aguiar Jonassane Mazula, ex-ministro de Estado. Integram ainda a delegação Augusto Paulino, advogado e professor universitário; Saimone Muhambi Macuiana, vice-líder da bancada da RENAMO na Assembleia da República; Latino Caetano Legonha, professor universitário e ex-comissário da Comissão Nacional de Eleições; Xadreque Titos Miambo, economista do Ministério da Economia e Finanças; e Leonildo Armando Malache, engenheiro informático do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos (MJACR).

Após esta fase inicial de estudos e discussões no Brasil, a delegação terá a responsabilidade de propor ao Legislativo de Moçambique um pacote de reformas institucionais visando o desenvolvimento político daquela nação.

Análise: Bolsonarismo mostra força, mas não altera situação de Jair Bolsonaro

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© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A manifestação realizada neste domingo (6) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), teve expressiva adesão. Estima-se que 50 mil pessoas compareceram ao ato político. A presença superou as 20 mil pessoas que participaram do ato bolsonarista realizado em 16 de março, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ). Mesmo com o momento político e jurídico adverso pelo qual Bolsonaro está passando, o bolsonarismo tem mostrado maior capacidade de mobilização que a esquerda. Vale recordar que o ato convocado pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) para 30 de março, ocorrido também na Avenida Paulista, contou com pouco mais de 5 mil pessoas.

Em seu discurso, Bolsonaro pediu anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Chamou ao trio elétrico a mãe e a irmã de Débora Rodrigues, a cabeleireira que ficou presa por dois anos por ter pichado a estátua da Justiça, localizada em frente ao prédio do Supremo Tribunal de Justiça, nos ataques de 8 de janeiro.

Bolsonaro acusou o Judiciário de beneficiar o hoje presidente Lula (PT) na campanha de 2022, chamando de “mão pesada”. Negou que tenha o objetivo de fugir do país. Afirmou que vai “defender minha pátria com o sacrifício da minha vida”. Explorou também a narrativa da vitimização, ao dizer: “O que os canalhas querem não é me prender de verdade, é me matar. Eu sou um espinho na garganta deles. Mostrei a eles que o Brasil tem jeito. Um caipira do Vale do Ribeira chegou à Presidência. Só Deus explica como.”

A manifestação bolsonarista teve forte adesão de governadores da direita. Estiveram presentes os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Jorginho Mello (PL-SC), Ronaldo Caiado (UB-GO), Ratinho Júnior (PSD-PR), Mauro Mendes (UB-MT) e Wilson Lima (UB-AM).

Desses sete governadores, quatro são pré-candidatos ao Palácio do Planalto pelo campo da direita: Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho. A presença deles no ato sugere um aceno político a Jair Bolsonaro, diante do cenário ruim para o eleitor da direita na sucessão de 2026.

A participação de Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho é uma forma de mostrar lealdade a Bolsonaro, todos de olho no capital político do ex-presidente, caso ele não seja candidato em 2026. Afinal de contas, o apoio de Bolsonaro será fundamental para definir o candidato da direita ao Palácio do Planalto no pleito do próximo ano.

A mais recente pesquisa Quaest mostrou que Jair Bolsonaro permanece como principal antagonista do presidente Lula. Com 40% das intenções de voto, Bolsonaro está tecnicamente empatado com Lula. É o único nome da direita com condições, neste momento, de derrotar o presidente.

Bolsonaro, porém, carrega uma elevada rejeição (55%), igual à de Lula. As demais alternativas eleitorais vinculadas à família Bolsonaro também carregam desgastes, além de terem menos densidade eleitoral que o ex-presidente. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tem um potencial de 30% e rejeição de 48%. O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) tem potencial de 23% e rejeição de 56%.

Os números mostram que o bolsonarismo tem um piso importante de intenção de votos. No entanto, a rejeição é um obstáculo. Apesar de Jair Bolsonaro demonstrar força – sobretudo capacidade de levar às ruas um grande contingente de pessoas mesmo em meio a forte desgaste –, a pauta da anistia tem apoio minoritário.

Segundo a pesquisa do instituto Quaest divulgada neste domingo, 56% dos entrevistados entendem que os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 devem continuar presos por mais tempo, cumprindo pena. Já 18% acreditam que eles devem ser soltos porque nem deveriam ter sido presos. E 16% avaliam que devem ser soltos porque já estão presos por tempo demais.

Para 49% dos entrevistados, Jair Bolsonaro participou do plano da tentativa de golpe em 2023. Em dezembro passado, esse índice era de 49%. Por outro lado, 35% consideram que Bolsonaro não participou daquele plano – em dezembro, o índice era de 34%.

A Quaest mostra também que 52% consideram justa a decisão do Supremo de tornar Jair Bolsonaro réu. Já 36% entendem que a decisão é injusta. De acordo com 46%, Jair Bolsonaro será preso, mas 43% acreditam que o ex-presidente não será preso.

Com a maioria dos brasileiros se revelando contra a anistia aos presos do 8 de janeiro e entendendo que Bolsonaro teria participado do plano, a pauta da anistia, apesar do número de apoios que possui e da pressão das ruas, não deve avançar no curto prazo no Congresso Nacional.

Hugo Motta defende revisão de incentivos fiscais e redução do IRPJ

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Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS - PB).
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu nesta segunda-feira (7) a revisão dos incentivos fiscais concedidos no Brasil, que hoje somam cerca de R$ 600 bilhões. A fala ocorreu durante encontro com a Associação Comercial de São Paulo, onde o parlamentar afirmou que os subsídios pesam sobre as contas públicas e precisam ser reavaliados com responsabilidade. “Não sei se o país suporta isso por muito mais tempo”, destacou.

Segundo Motta, é necessário abrir um diálogo com os setores beneficiados para reavaliar a real efetividade dos incentivos, principalmente diante dos desafios enfrentados pela saúde pública e outros serviços essenciais. A ideia, segundo ele, é alinhar as políticas fiscais aos objetivos de desenvolvimento sustentável e ao equilíbrio orçamentário.

O presidente da Câmara se comprometeu a procurar o deputado Domingos Sávio (PL-MG), um dos parlamentares que está envolvido no tema que, inclusive, propôs um projeto sobre o assunto, para entender melhor a situação.

Simples Nacional e redução do IRPJ

Durante o encontro, deputados também expressaram preocupação com o futuro do Simples Nacional, sistema de tributação simplificada para micro e pequenas empresas. Há receio de que a reforma tributária, em andamento, possa prejudicar a viabilidade do regime. Em resposta, Hugo Motta se comprometeu a dialogar com o deputado Domingos Sávio (PL-MG), que acompanha de perto o tema e apresentou proposta de preservação do Simples.

Ainda sobre a política fiscal, o presidente da Câmara sugeriu que o Congresso aproveite o envio do projeto de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para também discutir uma redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Para ele, uma diminuição da carga sobre empresas pode estimular investimentos e gerar crescimento econômico sustentável.

“Pode ser uma grande oportunidade para discutir a reforma da renda e também a redução do IRPJ, para que se estimule um pouco mais as empresas a investirem”, afirmou.

Carga tributária e cenário internacional

Hugo Motta alertou ainda para o risco de aumento da carga tributária total com a reforma que está em curso no Congresso. Segundo ele, se o sistema não for ajustado corretamente, o Brasil poderá ter uma das maiores cargas tributárias do mundo, o que compromete a competitividade e o ambiente de negócios.

O parlamentar também comentou as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, classificando-as como uma medida retrógrada. Para ele, esse cenário global incerto exige que o governo brasileiro tenha precisão na condução econômica, especialmente no momento em que o país enfrenta desafios fiscais e busca atrair investimentos.

Presidente da Câmara defende votação do voto distrital misto e avanço da reforma administrativa

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Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Nesta segunda-feira (7), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que pretende priorizar o debate e a votação do voto distrital misto ainda neste ano legislativo. Presente em reunião com a Associação Comercial de São Paulo, outros parlamentares no evento defenderam que a pauta avance até setembro.

Atualmente, o Brasil adota o sistema proporcional para eleições legislativas, em que os votos são convertidos em cadeiras conforme a votação dos partidos. Já o projeto em tramitação desde 2017 na Câmara propõe um modelo híbrido: metade das vagas continuariam proporcionais, enquanto a outra metade seria preenchida por um sistema majoritário distrital, em que cada distrito elege um representante diretamente.

Segundo os deputados Antônio Brito (PSD-BA) e Danilo Forte (União-CE), o modelo traria mais proximidade entre eleitores e representantes e permitiria melhor governança, além de contribuir para a redução da fragmentação partidária.

Reforma administrativa: foco em leis ordinárias

Além da reforma política, Hugo Motta também reiterou o compromisso com o avanço da reforma administrativa, que busca modernizar o serviço público, reduzir despesas e corrigir distorções salariais.

O presidente da Câmara descartou a necessidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para tratar do tema, indicando que normas infraconstitucionais — como leis ordinárias e complementares — podem viabilizar mudanças estruturais.

Motta criticou os chamados “supersalários” pagos a servidores públicos em diversas esferas do Estado, chamando-os de “indefensáveis”. Segundo ele, a máquina pública atual é arcaica e onerosa, e é preciso repensar sua estrutura para garantir um Estado mais eficiente e compatível com a realidade fiscal do país.

Governo estabelece diretrizes sobre atuação da primeira-dama

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal publicou, nesta segunda-feira (7), uma portaria que estabelece diretrizes para a atuação do cônjuge do presidente da República — seja a primeira-dama ou o primeiro-cavalheiro — em atividades de interesse público. O texto esclarece que o cônjuge do presidente tem caráter simbólico e representativo, abrangendo áreas como social, cultural, cerimonial, político e diplomático.

De acordo com a norma, a função é voluntária e não remunerada, sem atribuições formais de governo e sem poder para assinar compromissos oficiais em nome do Estado brasileiro. No entanto, o cônjuge pode representar o presidente da República em atividades simbólicas previamente reconhecidas.

Princípios da administração pública e transparência

Também é esclarecido que as atividades do cônjuge devem seguir os princípios da administração pública, como legalidade, impessoalidade e moralidade. Ainda é recomendável que a Presidência estabeleça um processo administrativo interno para formalizar as tarefas do cônjuge presidencial, assegurando legitimidade e recursos adequados. O apoio do Estado ao cônjuge do Presidente deve estar relacionado ao interesse público e baseado na legislação.

Nesse caso, ele também deve respeitar a transparência e publicidade, como prestar contas de despesas e viagens, divulgar sua agenda de compromissos públicos e disponibilizar informações no portal da transparência. Porém, pode haver restrições quanto ao acesso a informações por questões de segurança ou privacidade, que devem ser avaliadas caso a caso.

Críticas da oposição e viagens internacionais de Janja

A nova regulamentação surge em meio a críticas da oposição sobre os gastos públicos com viagens da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. Recentemente, ela viajou ao Japão antes da comitiva presidencial, e participou de eventos como as Olimpíadas de Paris e a Cúpula do G-20, representando o Brasil sem ocupar cargo oficial.

Segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo, a estadia da comitiva de Janja em Paris custou R$ 203,6 mil aos cofres públicos. Já em Roma, onde participou de um evento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrário (Fida) como colaboradora do Ministério do Desenvolvimento Social, a passagem em classe executiva da primeira-dama custou R$ 34,1 mil.

Mercados globais entram em novo dia de pânico com temor de recessão global

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Foto: Aria/Reprodução

Os mercados globais enfrentam mais um dia de forte turbulência nesta segunda-feira (7), refletindo o agravamento das tensões comerciais desencadeadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O temor de que a escalada tarifária promovida pela Casa Branca precipite uma recessão global provocou quedas generalizadas nas bolsas da Europa, Ásia e América Latina logo nas primeiras horas do pregão.

A expectativa dos investidores era de que, diante das perdas bilionárias registradas nos últimos dias, Trump recuasse das ameaças feitas contra a China e outros parceiros comerciais durante o fim de semana. No entanto, o presidente americano manteve o tom beligerante, sinalizando que novas rodadas de tarifas podem ser anunciadas nos próximos dias, caso Pequim não ceda às suas exigências em áreas como propriedade intelectual, acesso ao mercado e desequilíbrio na balança comercial.

Na semana passada, os mercados americanos já haviam sofrido um tombo histórico. Estima-se que, apenas nos últimos cinco dias úteis, as ações listadas em Wall Street tenham perdido aproximadamente US$ 5,4 trilhões em valor de mercado. Desde a posse de Trump, em 20 de janeiro, o saldo negativo acumulado já supera os US$ 10 trilhões, corroendo parte significativa da confiança conquistada com a recuperação econômica pós-crise de 2008.

O índice Dow Jones abriu o dia em queda de mais de 2%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq recuaram mais de 1,5%. Na Europa, o índice DAX de Frankfurt caiu 2,8%, o CAC 40 de Paris recuou 2,4%, e a bolsa de Londres operava em queda de 1,9%. Na Ásia, a bolsa de Xangai perdeu 3,1% e o índice Nikkei, em Tóquio, encerrou o pregão com queda de 2,7%.

Investidores e analistas alertam que o mundo pode estar à beira de uma nova crise econômica, desta vez provocada não por desajustes nos sistemas bancários, mas por decisões políticas que afetam diretamente as cadeias globais de valor. “Estamos diante de um cenário inédito: a maior economia do mundo decidiu, deliberadamente, desestabilizar as regras do comércio internacional. A reação dos mercados é um sinal claro de desconfiança generalizada”, afirmou Marcus Whitman, economista-chefe do Global Markets Institute, em Londres.

O clima de incerteza tem levado à fuga de capitais de mercados emergentes e fortalecido ativos considerados mais seguros, como o ouro e os títulos do Tesouro americano. O dólar segue em alta frente às principais moedas, ampliando a pressão sobre países com dívida externa elevada e tornando o cenário ainda mais desafiador para economias frágeis.

Enquanto isso, setores estratégicos nos Estados Unidos, como a indústria automobilística, agrícola e de tecnologia, já começam a sentir os efeitos do represamento de exportações e do encarecimento de insumos importados. Cresce, inclusive, a pressão sobre o Congresso americano, inclusive dentro do próprio Partido Republicano, para que Trump reveja sua estratégia de confronto tarifário.

A escalada da tensão comercial promete dominar a agenda dos próximos dias em fóruns internacionais e nas reuniões de cúpula do G20. A grande dúvida que paira sobre os mercados é até onde o presidente americano está disposto a ir – e qual será o custo para a economia global.

Senado defende transparência das “emendas de líderes” e nega volta do orçamento secreto

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Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A Advocacia do Senado enviou, na última quinta-feira (3), uma manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito das ações que questionam as regras para destinação de emendas parlamentares. O documento foi uma resposta ao relator, ministro Flávio Dino, após questionamentos do PSOL sobre a transparência das chamadas “emendas de líderes”.

Segundo o partido, a Resolução 1/2025 do Congresso Nacional, criada para atender decisão anterior do próprio ministro, não garante a identificação dos reais autores dessas indicações orçamentárias. Para o PSOL, o modelo permite a repetição de práticas similares ao antigo orçamento secreto, já que as verbas são atribuídas genericamente às bancadas partidárias, sem detalhamento de autoria.

Senado nega irregularidades

Em defesa da norma, o Senado alegou que não há decisões unilaterais dos líderes partidários. Conforme o documento enviado ao STF, as indicações das emendas são feitas por deliberação colegiada da bancada, com votos registrados em ata, que é encaminhada pelo líder para a comissão competente analisar.

Além disso, o Senado argumentou que o processo mantém o protagonismo das comissões, que têm a palavra final sobre a execução das emendas. A Casa também destacou que a atuação dos líderes respeita os limites impostos pelo STF e as exigências de transparência já determinadas pela Corte.

Rastreabilidade das emendas

A manifestação ainda ressaltou o compromisso assumido no plano de trabalho conjunto com a Câmara dos Deputados e o Poder Executivo, voltado a aumentar a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares.

Um dos destaques foi a ratificação das emendas relacionadas ao Orçamento de 2024, em andamento em diversas comissões, como Desenvolvimento Regional (CDR), Assuntos Sociais (CAS), Infraestrutura (CI) e Relações Exteriores (CRE). Esse processo permite a identificação individual dos parlamentares responsáveis pelas indicações, promovendo mais clareza e controle público.

Compromisso com a democracia

Na conclusão do documento, assinado pela advogada-geral do Senado, Gabrielle Tatith Pereira, e pelos advogados Carolina Guimarães Ayupe e Rodrigo Pena Costa e Costa, o Senado reafirmou que cumpre integralmente o plano de trabalho homologado pelo STF, reforçando o compromisso das Casas Legislativas com a transparência e a legitimidade democrática na execução do orçamento público.

Focus: Mercado prevê queda do câmbio em 2025 pela 4ª semana consecutiva

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Taxa de juros, banco central
Foto: Raphael Ribeiro/BCB

O mercado financeiro revisou para baixo a previsão do câmbio para 2025, projetando que o dólar deve encerrar em uma média de R$ 5,90. Os dados são do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (7) pelo Banco Central. Essa é a quarta semana consecutiva que os agentes do mercado reduzem a expectativa sobre o indicador, que foi de R$ 5,92 na última semana.

Inflação e crescimento econômico

As projeções para o PIB e para a inflação se mantiveram em 1,97% e 5,65%, respectivamente. No caso do IPCA, apesar de as expectativas estarem estáveis nas últimas semanas, o mercado ainda projeta o indíce fora da meta estabelecida. A projeção é que a inflação acumulada neste ano seja de 5,65%, acima do teto da meta contínua de 4,5%.

No caso do PIB, a projeção é que ele seja de 1,97% neste ano, frente a uma expectativa de crescimento de 2,3% por parte do governo. Essa é a primeira semana seguida com estabilidade na previsão do indicador, no boletim Focus.

Termômetro das expectativas

O Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central, e reúne projeções de economistas, analistas e operadores do mercado financeiro. Ele serve como um termômetro das expectativas econômicas, e influencia decisões de empresas, investidores e do próprio governo.

Governo mapeia 49 locais usados para tortura durante a ditadura militar

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Na semana em que o golpe militar de 1964 completa 61 anos, o Ministério dos Direitos Humanos (MDH) lançou a publicação “Lugares de Memória da Ditadura Militar”, que mapeia 49 locais usados para tortura, repressão e resistência política durante o regime militar no Brasil, entre 1964 e 1985. A iniciativa faz parte da seção Memória e Verdade do Observatório Nacional dos Direitos Humanos, plataforma que reúne dados e informações sobre os direitos humanos no país.

A publicação identifica locais distribuídos em todas as regiões do Brasil:

  • Sudeste: 17 locais
  • Nordeste: 15
  • Sul: 7
  • Norte: 6
  • Centro-Oeste: 4

Os estados com maior número de pontos mapeados são São Paulo (7), Pernambuco (6) e Rio de Janeiro (5). Os locais variam entre quartéis, prisões, hospitais, universidades, cemitérios, parques e centros de detenção clandestinos.

Entre a repressão e a resistência

Dentre os espaços destacados, está o Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo, um dos principais órgãos de repressão política do regime. Hoje, abriga o Memorial da Resistência, espaço de homenagem à luta contra a ditadura. Outro local emblemático é a Casa da Morte, em Petrópolis (RJ), usada como centro clandestino de tortura nos anos 1970. Apenas uma das cerca de 20 pessoas que passaram por lá sobreviveu: Inês Etienne Romeu, ex-dirigente da VAR-Palmares.

Em Recife (PE), o antigo prédio do Dops também foi mapeado, lembrado como um dos mais ativos centros de repressão do Nordeste. Já no rio Paraná, em Foz do Iguaçu (PR), houve registros de desaparecimentos forçados durante a Operação Condor, pacto entre ditaduras sul-americanas para perseguir opositores políticos entre fronteiras.

Memória como ferramenta de democracia

Segundo Paula Franco, coordenadora-geral de Políticas de Memória e Verdade do Ministério dos Direitos Humanos, o objetivo do mapeamento é preservar a memória coletiva do país e fortalecer os valores democráticos. “São locais que guardam memórias sensíveis, de feitos traumáticos e violentos, mas também de experiências resistentes”, afirmou.

A proposta inclui a transformação de alguns desses locais em memoriais, como é o caso da Casa da Morte, que será reconfigurada como espaço de valorização da democracia.