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Análise: Os desafios do governo e da oposição para 2026

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© Joédson Alves/Agência Brasil

Faltando cerca de um ano e meio para a sucessão de 2026, governo e oposição têm desafios pela frente. O presidente Lula (PT), que deverá concorrer à reeleição, ainda busca construir uma marca para o seu terceiro governo. Desde o “cansaço” da narrativa sobre os atos de 8 de janeiro de 2023, o governo tem se limitado a “requentar” a agenda social dos governos Lula 1 e 2, mantendo o social como foco.

Com o Brasil mais complexo, o efeito político dos programas sociais não é igual ao da década passada. A mais recente pesquisa da Quaest (02/04) apontou que 67% dos brasileiros apontam algum impacto positivo dos programas sociais em seu cotidiano, considerando: Bolsa Família (20%); Isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil (10%); Farmácia Popular (9%); Minha Casa, Minha Vida (9%); Pé-de-Meia (7%); Saque aniversário do FGTS (4%); Desenrola (3%); Acredita (2%); Crédito do Trabalhador (2%); e Gás para Todos (1%). No entanto, 70% afirmam não ter medo de perder esses benefícios sociais, caso Lula deixe de ser presidente.

Esse recorte da Quaest pode indicar que não há mais uma associação automática entre benefícios sociais e crédito político a Lula. Vale recordar que nas eleições de 2006, 2010 e 2014 o PT utilizava com frequência o discurso de que os programas sociais acabariam, caso o partido deixasse o comando do país. Paralelamente à redução do impacto desses programas sociais na imagem de Lula, temos o problema da inflação, que não deve ceder nos próximos meses.

Além do desafio de construir uma agenda de futuro e de reduzir a inflação, Lula necessita melhorar a avaliação do governo e convencer a opinião pública de que ele deve concorrer a um novo mandato. Isso porque, de acordo com a Quaest, 62% dos entrevistados avaliam que o presidente não deve disputar a reeleição em 2026.

Paradoxalmente, no entanto, Lula lidera os cenários de intenção de voto para a Presidência em 2026. Se, de um lado, o desgaste de Lula abre espaço para um ambiente de mudança – o que potencialmente beneficia a oposição –, de outro, a oposição não tem um candidato natural para a disputa eleitoral do próximo ano.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que hoje divide a liderança com Lula nas pesquisas, está inelegível e dificilmente conseguirá alterar sua situação jurídica. Bolsonaro, porém, tem sinalizado que continuará tentando viabilizar seu projeto presidencial em 2026. Esse desejo do ex-presidente trava, no curto prazo, o fortalecimento das alternativas da oposição, entre as quais se destacam quatro governadores: Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP); Romeu Zema (Novo-MG); Ratinho Júnior (PSD-PR); e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO).

No tabuleiro, há ainda: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL); o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP); e o empresário Pablo Marçal (PRTB). Conforme podemos observar, temos variações na direita que abrangem desde o chamado bolsonarismo raiz até a direita mais pragmática. Embora tenham o antipetismo como ponto de convergência, existem diferenças entre esses grupos.

A tendência neste momento é de que a definição do candidato da direita não ocorra no curto prazo. Diante do agravamento de sua situação jurídica, Jair Bolsonaro – que permanece como o grande cabo eleitoral da oposição – necessita manter sua base mobilizada e alimentar a narrativa de que será candidato em 2026. Com esse estratagema, as articulações no campo da direita se mantêm estagnadas.

Não por acaso o governador Tarcísio de Freitas, apontado como o nome da oposição com maior potencial eleitoral, tem optado por dizer que concorrerá à reeleição em São Paulo, repetindo sempre que Bolsonaro é seu candidato ao Palácio do Planalto. Buscando marcar posição e tornar-se mais conhecido, Ronaldo Caiado oficializou o lançamento de sua pré-candidatura na última sexta-feira (4).

Considerando que os governadores que despontam como pré-candidatos precisam nacionalizar seus nomes para se tornarem conhecidos, quanto mais demorar a definição do candidato da direita maiores serão os desafios da oposição. É a partir da escolha desse nome que se dará a construção da política de alianças e do programa de governo da oposição. Como a campanha oficial tem duração de apenas 45 dias, a demora na definição do candidato anti-Lula pode ser benéfica para o governo.

Tributação de super-ricos tem apoio de 76% dos brasileiros, aponta Datafolha

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Lula e Fernando Haddad
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Pesquisa do Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (9), aponta que 76% dos brasileiros apoiam a proposta do governo Lula de criar um Imposto de Renda mínimo de 10% para contribuintes com renda mensal acima de R$ 50 mil. A medida, idealizada pelo Ministério da Fazenda, visa equilibrar a redução do imposto para pessoas de baixa renda.

O percentual de apoio se manteve estável, semelhante ao registrado em dezembro de 2024, quando 77% se mostraram favoráveis.

Apesar do alto apoio popular, a aprovação no Congresso Nacional ainda divide opiniões: 49% acreditam que a proposta não será aprovada, enquanto 47% demonstram otimismo com sua tramitação.

A proposta prevê a cobrança progressiva de imposto para rendimentos acima de R$ 600 mil ao ano (50 mil reais por mês), chegando a 10% para quem ganha mais de R$ 1,2 milhão anuais. A medida afeta principalmente quem vive de lucros e dividendos, atualmente isentos de IR, o que permite que esses contribuintes paguem proporcionalmente menos tributos do que trabalhadores assalariados.

Isenção do IR até R$ 5 mil também recebe apoio majoritário

Outro ponto do projeto — a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais a partir de 2026 — tem apoio de 70% da população e rejeição de 26%. Neste caso, 50% acreditam que o Congresso aprovará a proposta, enquanto 45% têm dúvidas.

Essa medida beneficia diretamente quem ganha entre dois e cinco salários mínimos, com destaque para o grupo que hoje ainda paga IR, mas poderá ser isento se a proposta avançar. Curiosamente, o maior apoio à isenção está entre empresários (80%) e servidores públicos (81%), enquanto o menor está entre os assalariados sem registro (56%).

Conhecimento da proposta cresce entre os brasileiros

O Datafolha revela que 64% da população afirmam conhecer a proposta que combina isenção para baixa renda com tributação sobre os mais ricos. Desse grupo, 29% se dizem bem informados, 28% se consideram mais ou menos informados, e 6% mal informados. Outros 36% ainda desconhecem o projeto, embora o percentual de conhecimento tenha subido em relação a dezembro, quando era de 53%.

Apoio varia por faixa etária e ocupação

A proposta de taxar super-ricos tem maior aceitação entre os mais velhos, chegando a 80% entre pessoas com 45 anos ou mais, e menor entre empresários (54%) e jovens de 16 a 24 anos (65%). A isenção até R$ 5 mil, por sua vez, também é mais bem recebida entre idosos (75%) e pessoas com ensino superior (84%).

Entre os eleitores que avaliam o governo Lula como ótimo ou bom, apenas 10% são contra o imposto mínimo, mas 47% acham que o Congresso não aprovará. Já entre os que consideram o governo ruim ou péssimo, 32% se opõem à medida, e 46% preveem rejeição no Parlamento.

Congresso analisa propostas

Enquanto o governo Lula defende o pacote como um instrumento de justiça fiscal, o relator do projeto na Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), solicitou estudos sobre propostas alternativas, incluindo uma aprovada em 2021 que também taxava lucros e dividendos, mas reduzia o IRPJ.

O projeto original foi apresentado ao Congresso apenas em março de 2025, apesar de ter sido anunciado em novembro de 2024 como promessa de campanha de Lula e de seu adversário nas últimas eleições.

CNJ cria grupo de trabalho para reformar processo judicial tributário

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Foto: Luiz Silveira/Agência CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instituiu, por meio da Portaria nº 96, um grupo de trabalho responsável por propor ajustes no processo judicial tributário em razão das transformações geradas pela Emenda Constitucional 132/23, que reformula o sistema tributário brasileiro. A medida é coordenada pelo presidente do CNJ e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, e terá 45 dias para apresentar um anteprojeto de emenda constitucional com sugestões de mudanças.

A EC 132/23 criou dois novos tributos — a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) — que substituirão cinco tributos hoje em vigor: ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins. A unificação dos tributos, que pertencem a diferentes esferas federativas (União, Estados e Municípios), exige uma nova estrutura de competências judiciais para evitar conflitos e inseguranças jurídicas.

Objetivo é evitar sobreposição e garantir acesso à Justiça

Segundo o CNJ, manter o modelo atual pode criar barreiras ao acesso à Justiça por contribuintes e dificultar a uniformização da jurisprudência em torno da nova tributação. A intenção é propor uma estrutura que evite a sobreposição de competências entre a Justiça Federal e Estadual, garantindo maior eficiência e segurança jurídica.

Composição do grupo

Além do ministro Barroso, o grupo contará com os ministros Cristiano Zanin (STF) e Paulo Sérgio Domingues (STJ), além de representantes de diversas instituições jurídicas e do governo:

  • Rita Nolasco, procuradora da Fazenda Nacional indicada pela AGU;

  • Leonardo Alvim, assessor da AGU e integrante do Sejan;

  • Mônica Nobre, desembargadora federal e conselheira do CNJ;

  • Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado;

  • João Grognet, procurador-geral adjunto da Fazenda Nacional;

  • Frederico Mendes Júnior, presidente da AMB;

  • Caio Marinho, presidente da Ajufe;

  • Inês Coimbra, presidente do Colégio Nacional de Procuradores-Gerais dos Estados e do DF;

  • Lilian Azevedo, da Associação Nacional das Procuradoras e Procuradores Municipais;

  • Heleno Torres, advogado tributarista.

Expectativa do setor jurídico

A criação do grupo responde à demanda de especialistas em Direito Tributário, que já vinham alertando para a necessidade de ajustes processuais diante da unificação tributária. O novo modelo, com tributos compartilhados entre União, Estados e Municípios, torna essencial a redefinição das competências jurisdicionais para que o contencioso seja eficaz e desburocratizado.

Paulo Teixeira responsabiliza Trump por alta nos alimentos e discute crédito para agricultura familiar

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Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Durante audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado, nesta quarta-feira (9), o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT), abordou diversos temas centrais da sua gestão. Entre os destaques, ele responsabilizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela alta nos preços dos alimentos no Brasil, defendeu a reforma agrária e anunciou ações para ampliar o crédito ao pequeno produtor.

Efeito Trump

Para o ministro, a recente eleição de Donald Trump provocou instabilidade no câmbio, o que teria impactado diretamente o preço de alimentos como soja, milho e carne, commodities cotadas em dólar. “O aumento do preço se deveu a uma variação cambial e teve como razão a eleição de Donald Trump”, afirmou.

Ele lembrou ainda que insumos, defensivos agrícolas e embalagens são majoritariamente importados e, por isso, refletem o valor do dólar, encarecendo o custo da produção e afetando o consumidor final.

Crédito para pequenos agricultores

Teixeira também informou que o MDA está em diálogo com instituições financeiras para ampliar o acesso ao crédito rural. O Banco do Brasil já foi consultado, e reuniões com o Banco do Nordeste e o Banco da Amazônia estão sendo agendadas. A meta é fortalecer o financiamento de pequenos agricultores, o que pode ajudar a conter os preços e melhorar a produção interna.

Reforma agrária

Respondendo a questionamentos sobre as recentes invasões do Movimento Sem-Terra (MST) no chamado Abril Vermelho, o ministro defendeu a reforma agrária como política legítima: “É correta”, afirmou. Ele explicou que o movimento reivindica a intensificação da distribuição de terras, o que está nos planos do governo e previsto na Constituição.

Segundo Teixeira, o governo Lula tem como meta assentar 326 mil famílias até 2026 — com mais de 100 mil famílias previstas para 2025 e outras 99 mil em 2026. O ministro criticou a gestão anterior, alegando que o desmonte do ministério no governo Bolsonaro afetou o ritmo de reassentamentos, e atrasou a reestruturação da pasta.

STF mantém acordo de R$ 170 bilhões por desastre de Mariana

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Foto: José Cruz/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira (9), manter válido o acordo de R$ 170 bilhões destinado à reparação dos danos causados pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana (MG), em 2015. A tragédia é considerada o maior desastre ambiental da história do Brasil.

A decisão foi unânime entre os ministros, que julgaram cinco recursos apresentados por entidades não envolvidas diretamente no processo. Essas ações questionavam a legalidade da homologação do acordo, assinada em novembro de 2023, mas o STF concluiu que não há irregularidades no pacto.

Destinação dos recursos

O acordo, homologado pela Suprema Corte no fim do ano passado, foi assinado pelo governo federal, pelos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, e por municípios afetados pelos rejeitos. A barragem em Mariana era controlada pela Samarco, uma joint venture entre a brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton.

Do total de R$ 170 bilhões:

  • R$ 100 bilhões serão destinados à União, estados e municípios, com aplicação em projetos ambientais e programas de transferência de renda.

O restante será utilizado para:

  • Reassentamento de comunidades
  • Recuperação de áreas degradadas
  • Indenizações às famílias atingidas

A Justiça Federal de Minas Gerais será responsável pela fiscalização do cumprimento do acordo por parte das mineradoras.

Julgamento na Inglaterra

Ainda nesta quarta-feira, o Tribunal Superior de Londres marcou para os dias 2 e 3 de julho audiências que darão sequência ao julgamento contra a BHP, uma das responsáveis pela barragem de Mariana. Essa nova fase do processo vai analisar os danos causados e a possibilidade de novas indenizações às vítimas, caso a empresa seja condenada.

Trump eleva tarifa sobre importações da China para 125% e impõe redução para outros 75 países

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Donald Trump
Foto: Isac Nóbrega/PR

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (9) um novo e drástico aumento nas tarifas sobre produtos importados da China, elevando a taxa de 104% para 125%, com efeito imediato. A decisão foi comunicada por meio de sua rede social e representa um novo capítulo na crescente guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

“Com base na falta de respeito que a China demonstrou aos mercados mundiais, estou aumentando a tarifa cobrada da China pelos EUA para 125%. […] Os dias de exploração dos EUA e de outros países não são mais sustentáveis ou aceitáveis”, declarou Trump.

Alívio temporário para aliados

Enquanto eleva o tom contra a China, Trump anunciou também uma redução temporária das tarifas para 75 países, que serão taxados em 10% por um período de 90 dias. A medida visa abrir espaço para negociações com nações que, segundo o presidente, não retaliaram as ações dos EUA, mesmo sem terem sido as primeiras a imporem tais medidas.

“Esses países convocaram representantes dos EUA para negociar uma solução para os assuntos em discussão […] autorizei uma PAUSA de 90 dias e uma Tarifa Recíproca substancialmente reduzida”, afirmou.

Guerra comercial

Desde a posse de Donald Trump, os Estados Unidos têm adotado uma postura agressiva no comércio internacional, promovendo aumentos generalizados nas tarifas de importação, tentando conter o declínio da competitividade estadunidense das últimas décadas, especialmente contra as economias asiáticas.

A China retaliou, mais cedo, com elevação de suas tarifas para 84% sobre produtos americanos, classificando as ações de Washington como “unilateralismo, protecionismo e intimidação econômica”.

Em nota oficial, o Ministério das Finanças da China criticou duramente a medida:

“Ela infringe seriamente os direitos e interesses legítimos da China, prejudica o sistema de comércio multilateral e impacta negativamente a ordem econômica global.”

Análise: Em busca da popularidade perdida

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© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Lula (PT) continua perdendo capital político. Pesquisa Genial/Quaest (02/04) mostrou que a aprovação do governo voltou a cair e atingiu o pior patamar desde o início da gestão, em janeiro de 2023. O índice de desaprovação, que era de 49% em janeiro deste ano, passou para 56% em março. A aprovação, por sua vez, baixou de 47% para 41%. E Lula (PT) está perdendo apoio até mesmo em redutos eleitorais tradicionais. No Nordeste, por exemplo, a desaprovação cresceu 9 pontos nos últimos dois meses, atingindo 46%; a aprovação (52%), embora ainda supere a desaprovação, caiu 7 pontos no período.

Lula fez alguns movimentos nos últimos meses que ainda não se traduziram em resultado. Em fevereiro, por exemplo, Sidônio Palmeira, novo ministro-chefe da Comunicação Social, assinou a MP nº 1.290/25, disponibilizando cerca de R$ 12 bilhões do FGTS para cerca de 12,2 milhões de trabalhadores. Em março, publicou a MP nº 1.292/25, sobre crédito consignado para o setor privado. Durante viagem ao Japão, onde foi acompanhado dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), Lula prometeu manter mais diálogo com os aliados e retomar a Reforma Ministerial.

Na semana passada, participou de um evento em Brasília considerado praticamente um programa eleitoral ao vivo, chamado “O Brasil Dando A Volta Por Cima”. Mais iniciativas estão a caminho. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, apresentará nos próximos dias ao deputado Hugo Motta Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da segurança pública no país, tema que está entre as principais preocupações do eleitorado.

O fato é que a maior parte da população continua sentindo o impacto da alta dos preços. Ainda que o desemprego esteja baixo, a sensação é de que não há melhora significativa na vida das pessoas. Combinado a isso, Lula ainda carece de uma marca para seu terceiro mandato. Requentar programas antigos não tem sido suficiente.

Apesar de todos os problemas, a pesquisa Genial/Quaest indica que Lula continua bem posicionado nas pesquisas de opinião. O apoio cativo de cerca de 35% da população, o controle da máquina federal e a falta de espaço para o surgimento de uma terceira via na política o colocam, naturalmente, em uma posição muito competitiva em 2026. As chances de Lula podem aumentar ou diminuir, a depender também de quem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) irá apoiar como candidato presidencial no próximo ano. Algumas opções no cardápio unem mais o centro e a direita do que outras.

Flávio Bolsonaro: Texto da PEC da Segurança ainda está “muito tímido”

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Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Em conversa com a Arko Advice, na manhã desta quarta-feira (9), o presidente da Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), classificou que o texto da PEC da Segurança Pública ainda está “muito tímido”.

“Durante o processo legislativo, a gente vai ter que avaliar como os governadores vão recebê-la, porque, pelo texto apresentado, há margem para a interpretação de que pode haver alguma interferência na política dos estados e nas próprias instituições estaduais”, afirmou o senador.

Flávio falou com a Arko após o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, participar de audiência na comissão para falar sobre o combate ao crime organizado. Na ocasião, o chefe da pasta reconheceu que a PEC da Segurança Pública, apresentada ontem ao Congresso, por si só, não resolverá o problema de imediato, mas destacou que a proposta tem o mérito de trazer o tema à pauta:

“É um problema muito sério. Não é uma única ação que vai resolver isso. A PEC é o início da solução. Ela é apenas uma tentativa de começar a organizar o jogo”, afirmou Lewandowski.

PEC da Segurança Pública

Elaborada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a PEC da Segurança Pública tem como principal objetivo reforçar o papel da União na formulação da política nacional de segurança. A proposta também atualiza a legislação que rege as forças policiais federais.

Um dos pontos centrais da proposta é a elevação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), criado por lei ordinária em 2018, a um status constitucional. Com isso, o sistema se tornaria uma política de Estado, com maior estabilidade e força normativa.

Autonomia

A PEC também amplia a competência da União, que passará a ter o papel de definir diretrizes gerais sobre segurança pública e defesa social no país. A mudança visa fortalecer o governo federal na articulação e coordenação das ações entre os entes federativos.

Além disso, a proposta prevê a atualização das atribuições da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Eduardo Paes lidera disputa de 2026 no RJ, aponta o instituto Paraná

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O instituto Paraná divulgou na segunda-feira (7) uma pesquisa de intenção de voto sobre as eleições de 2026  a governador e senador no Rio de Janeiro (RJ). Na disputa pelo Palácio Guanabara, o primeiro cenário estimulado aponta que o prefeito do RJ, Eduardo Paes (PSD), que para poder ser candidato terá que se desincompatibilizar do cargo em abril do próximo ano, lidera com 48% das intenções de voto. O deputado federal Tarcísio Motta (PSOL) é o segundo colocado com 8,7%.

O ex-presidente do Flamengo Rodolfo Landim aparece com 8,5%. O presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), contabiliza 8,2%. O vice-governador Thiago Pampolha (MDB) registra 3,6%. O médico e empresário Italo Marsili aparece com 1%. Brancos, nulos e indecisos somam 21,2%. A margem de erro da pesquisa é de 2,4 pontos percentuais para mais ou para menos.

No segundo cenário, Paes lidera com 49,9%. O secretário estadual dos Transportes, Washington Reis (MDB), registra 9,5%. Na sequência aparecem Landim (8,9%), Tarcísio (8,9%) e Marsili (1,6%). Brancos, nulos e indecisos somam 21,1%.

Senado terá duas vagas em 2026

Na disputa pelo Senado, o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera com 41,7% das intenções de voto. Cláudio Castro é o segundo colocado com 31,1%. A deputada federal Benedita da Silva (PT) tem 27,1%. O ex-deputado Alessandro Molon (PSB) contabiliza 15,6%. A ministra Anielle Franco (PT) registra 15,2%. O deputado federal Pedro Paulo (PSD) atinge 12,6%. Brancos, nulos e indecisos somam 16,1%.

Avaliação do governador

De acordo com o instituto Paraná, a avaliação negativa (ruim/péssima) do governo Cláudio Castro (PL) é de 35,1%. A avaliação positiva (ótimo/bom), por outro lado, atinge 28,4%. O índice regular é de 35,1%. A aprovação de Castro é de 48,3%. A desaprovação soma 47,4%.

Decreto da TV 3.0 será assinado neste semestre, diz secretário

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Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Em conversa com a Arko Advice, o secretário de Comunicação Social Eletrônica (SECOE) do Ministério das Comunicações (MCom), Wilson Diniz Wellisch, afirmou que a assinatura do decreto que irá implementar a TV 3.0 pode ocorrer ainda neste semestre. O secretário demonstrou otimismo em relação à implementação, e avaliou que, além de uma melhoria da qualidade da imagem, também haverá uma aprimoração da cor, nitidez, contraste e um “som imersivo”.

Interatividade

O protagonismo do novo modelo ficará por conta da interatividade, feita por aplicativos. Wellisch explica: “Por exemplo, um varejista anuncia um produto em um programa de TV, novela, filme, neste momento o telespectador poderá acessar o site e comprar o produto ali na hora mesmo, sem a necessidade de abrir um QR Code”. Essa forma permitirá que os canais ofereçam, além do que já é transmitido ao vivo por sinal aberto, conteúdos adicionais sob demanda, como séries, jogos ou programas diversos. Não haverá mais canais numéricos, apenas aplicativos nos aparelhos.

Migração

De acordo com o governo, a migração será gradativa, com início nas grandes capitais. O usuário precisará inicialmente de um conversor para usufruir da TV 3.0, como ocorreu na migração do sinal de TV analógico para o digital. Porém, há uma expectativa que, futuramente, novos televisores já venham de fábrica com suporte. O governo federal ainda avalia a possibilidade de entregar os equipamentos gratuitamente para famílias de baixa renda.