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Hugo Motta indica que PL da Anistia pode ser discutido no Colégio de Líderes

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Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS - PB)
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Sem citar diretamente o Projeto de Lei da Anistia (PL 2858/22), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (15) em suas redes sociais: “Democracia é discutir com o Colégio de Líderes as pautas que devem avançar”. Ele reforçou que, em uma democracia, as decisões precisam ser coletivas: “Ninguém tem o direito de decidir nada sozinho”.

Motta também destacou a importância da responsabilidade no exercício do cargo: “É preciso ter responsabilidade com o cargo que ocupamos, pensando no que cada pauta representa para as instituições e para toda a população brasileira”, concluiu.

PL protocola urgência

Nesta segunda-feira (14), o líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), protocolou um requerimento de urgência para a votação do projeto de lei que prevê anistia a condenados pelos atos do 8 de janeiro. Antes disso, ele já havia tentado levar o tema ao colegiado, mas não obteve apoio dos líderes.

A lista divulgada ontem — até então mantida em sigilo — revelou o nome e o partido de 262 parlamentares que apoiaram o pedido de urgência. Entre os partidos com maior número de assinaturas estão o União Brasil (40), o PP (35) e o PSD (23), que compõem a base do governo.

O que é o PL da Anistia?

O PL 2858/2022 propõe anistia para envolvidos em crimes políticos e eleitorais cometidos após as eleições de 2022. O projeto então beneficiaria os envolvidos nos atos de destruição do 8 de janeiro de 2023 em Brasília, e pode também ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas eleições, hoje inelegível até 2030 e réu no STF por suposta tentativa de golpe de Estado.

O texto concede ainda anistia para quem ajudou no financiamento, organização ou apoio de qualquer natureza aos atos, além de quem fez publicações de endosso nas redes sociais.

Agro se impõe como setor com maiores vitórias na reforma tributária

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Plantação de Café
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Entre todos os setores da economia que pressionaram por alterações no projeto do governo de Reforma Tributária, o mais bem-sucedido foi o agronegócio. A maior parte de suas demandas foi atendida, o que deve resultar em redução de alíquotas sobre os bens usados e os produzidos pelo segmento. Além do debate em torno da própria Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que iniciou a reforma, a atuação do agro marcou fortemente a discussão sobre o principal projeto de regulamentação do novo sistema, transformado na Lei Complementar nº 214/2025. O ponto de virada foi a inclusão das proteínas animais, como carnes e peixe, na Cesta Básica Nacional, que terá zeradas as alíquotas dos novos impostos. Embora muitos produtos da nova Cesta Básica já contem com isenção por força de lei desde 2013, a definição na reforma é considerada um avanço para o setor.

Hoje eu tenho vários alimentos que estão na lista de Cesta Básica dos estados e da União, mas que, na prática, a alíquota aplicada não é zero. Isso porque não há devolução efetiva dos créditos. Com o novo sistema, se ele funcionar, eu vou devolver os créditos ao contribuinte de fato, avalia o advogado tributarista Eduardo Lourenço, que trabalhou ao lado da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ao longo da regulamentação.

Conforme explica, o efeito para o setor será positivo mesmo que algum item acabe tendo aumento de tributação. A partir do momento que eu tenho um sistema de débito e crédito com apuração integral dos créditos, melhora muito para o setor, pontua.

Outra batalha de gigantes em que o agronegócio saiu vitorioso foi em relação ao Imposto Seletivo (IS) sobre os carros elétricos. Ainda que as alíquotas não estejam definidas, a possibilidade incluída na lei complementar indica que os carros movidos a biocombustíveis (feitos de soja, no caso do biodiesel, e de cana-de-açúcar, no caso do etanol) podem acabar com uma vantagem competitiva.

Principais pleitos atendidos

  • Carnes na Cesta Básica Nacional

O agro conseguiu incluir na Cesta Básica Nacional, que terá isenção de impostos, as proteínas animais, como carnes e queijos. Em seu formato final, a lista de produtos é bem ampla, com a inclusão de arroz, feijão, farinhas, massas, pão francês, açúcar e peixes, entre outros. Produtos regionais também foram incluídos, como a erva-mate.

  • Imposto Seletivo sobre elétricos

O texto final da regulamentação da reforma estabeleceu a cobrança do Imposto Seletivo sobre veículos automotores, inclusive elétricos. A definição das alíquotas está pendente, mas os critérios de tributação estabelecidos podem beneficiar os biocombustíveis. O texto publicado tem “pegada de carbono” e “reciclabilidade” como critérios, o que pode pesar contra os elétricos.

  • Biocombustíveis

Foi garantido que os biocombustíveis e o hidrogênio de baixa emissão de carbono terão tributação inferior à dos combustíveis fósseis. Assim, as alíquotas de Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição Sobre Bens e Serviços (CBS) devem ser maiores que 40% e menores que 90% da alíquota que incide sobre combustíveis fósseis. A medida garante competitividade ao setor. E foi mantido o diferencial tributário entre etanol hidratado e gasolina C com, no mínimo, a diferença existente no período entre julho de 2023 e de 2024.

  • Produtos agropecuários in natura

O agro conseguiu expandir o conceito de produtos in natura, que terão redução de 60% na alíquota. Além dos produtos naturais, sem processamento, terão o benefício os produtos que, para manter a qualidade, precisam ser embalados ou receber conservantes.

  • Crédito tributário rural

O produtor poderá ser ressarcido pelo crédito acumulado. Além disso, o crédito presumido de produtores rurais não contribuintes (com receita anual inferior a R$ 3,6 milhões) poderá ser definido a partir do nível de receita anual e do tipo de produção rural. Para o setor, essa medida reduz custos na cadeia produtiva e evita que os créditos acumulados se tornem um ônus para os demais elos do segmento.

  • Atualização da lista de produtos considerados insumos agropecuários

Foi incluída na lista de insumos que terão redução de 60% da alíquota os serviços de veterinários para produção animal, serviços de mistura, vinhaça, serviços laboratoriais e de melhoramento genético de animais e plantas. Um dispositivo incluído pelo agro criou um mecanismo para que a lista possa ser ampliada sem necessidade de nova lei.

  • Imposto Seletivo sobre bebidas

Bebidas alcoólicas produzidas por pequenos produtores rurais terão alíquotas menores do que as alíquotas dos demais tipos de bebidas. Essa diferenciação deverá ser definida por lei ordinária.

  • Ampliação da lista de alimentos com redução de 60% na alíquota

Além da lista de produtos com alíquota zero, vários outros terão alíquota reduzida. O setor conseguiu a inclusão de farinhas, grumos, sêmolas, castanhas regionais, cereais, sementes, frutos oleaginosos, produtos hortícolas, água mineral e bolachas/biscoitos.

  • Maquinário agrícola

Terão alíquota zerada o fornecimento e a importação de tratores, máquinas e implementos agrícolas, destinados a produtor rural não contribuinte.

Próximas disputas: Fiagros e IS

Além de ter protagonizado os principais embates na regulamentação da Reforma Tributária, o agro está no centro da disputa em relação aos trechos da lei vetados pelo presidente Lula (PT). A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) se mobiliza para derrubar os vetos do presidente aos benefícios fiscais para os Fundos de Investimento Imobiliário e aos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros). “Para nós, do agro, são fundos extremamente importantes, onde se busca financiamento, novas maneiras de acessar crédito para o agro. O fundo tem dado muito certo”, argumentou o presidente da FPA, Pedro Lupion (PP-PR).

Pelo texto aprovado no Congresso, Fundos de investimento imobiliário (FII) e Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) não serão contribuintes do IBS e da CBS se mais de 95% de suas cotas forem detidas por outros FIIs ou Fiagro isentos, fundos destinados exclusivamente à Previdência complementar e seguros de pessoas, ou entidades de Previdência e fundos de pensão regulados no Brasil.

Segundo manifestação do Ministério da Fazenda e da Advocacia-Geral da União (AGU), esses benefícios fiscais não estão previstos na Constituição. Além disso, haveria descumprimento da regra que define que o novo sistema tributário não concederá benefícios fiscais a não ser para os regimes específicos, diferenciados ou favorecidos, definidos na Emenda Constitucional da Reforma Tributária (EC nº 132).

O governo chegou a propor um acordo com a apresentação de um projeto alternativo, mas a ideia é vista com desconfiança pela bancada ruralista. Não há certeza se o projeto do governo isentará a distribuição dos lucros e a negociação de bens imóveis pelo Fiagros. Ademais, um novo projeto sobre o Imposto Seletivo deve ser apresentado com o objetivo de definir as alíquotas. Assim, a disputa entre os representantes das montadoras de carros elétricos e os defensores dos biocombustíveis deve se reiniciar.

Fontes ouvidas pela Arko no Congresso avaliam que a pressão do setor de biocombustíveis e do agronegócio deverá ser intensa e que a tendência atual é que esses veículos tenham menos impostos do que aqueles totalmente elétricos. Por terem origem renovável, o etanol e o biodiesel poderiam ser privilegiados num momento em que a energia elétrica no Brasil tem tido cada vez mais participação das usinas movidas a gás ou a carvão, que são combustíveis fósseis. Além disso, o critério da “reciclabilidade veicular” e de “reciclabilidade de materiais” deve ser usado para privilegiar os carros movidos a biocombustível, uma vez que o processo de reciclagem das baterias dos elétricos ainda não está totalmente desenvolvido.

Critérios que serão utilizados para graduar os impostos sobre os veículos:

  • Potência do veículo

  • Eficiência energética

  • Desempenho estrutural e tecnologias assistivas à direção

  • Reciclabilidade de materiais

  • Pegada de carbono

  • Densidade tecnológica

  • Emissão de dióxido de carbono (eficiência energético-ambiental), considerado o ciclo do poço à roda

  • Reciclabilidade veicular

  • Realização de etapas fabris no País

  • Categoria do veículo

Líder do PL se diz contra cassação de Glauber Braga, mas que seguirá decisão do partido

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Deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, afirmou que é pessoalmente contra a cassação do mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ). Segundo ele, a punição aprovada pelo Conselho de Ética é desproporcional, e poderia ser substituída por uma suspensão temporária.

“Pessoalmente, acredito que cassação deveria ser para casos graves como corrupção ou o da Flordelis, por exemplo. Acredito que uma punição de seis meses de suspensão, no caso de Glauber Braga, estaria de bom tamanho”, disse Sóstenes ao portal Metrópoles.

Apesar disso, o parlamentar declarou que seguirá a posição da bancada do PL, que é favorável à cassação. “Como líder do PL, não posso destoar da posição da bancada do partido”, justificou.

Greve de fome

Logo após a decisão do Conselho, Glauber Braga iniciou uma greve de fome e afirmou que não sairá do Congresso até o desfecho do processo. Ele está dormindo no chão do plenário 5, o mesmo onde teve o parecer de cassação aprovado. A greve de fome chegou ao sexto dia nesta segunda-feira (14).

O parlamentar está sob acompanhamento médico, ingerindo apenas líquidos, e já perdeu dois quilos desde o início do protesto. Ele tem sido acompanhado por sua esposa, a também deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP).

Glauber tem recebido visitas de diversas personalidades, como as dos ministros Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Cida Gonçalves (Mulheres) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social), além do líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ) e o ator Marco Nanini.

Cassação depende do plenário

Na última quarta-feira (9), o Conselho de Ética da Câmara aprovou, por 13 votos a 5, o parecer que recomenda a cassação de Glauber Braga. O processo ainda pode ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e, se avançar, a decisão final caberá ao plenário da Câmara.

O plenário ainda aguarda o desenrolar do processo de Chiquinho Brazão (Sem partido-RJ). O deputado está preso, sob a acusação de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018.

O conselho, em 2021, levou em diante a cassação do mandato da ex-deputada Flordelis, sob a acusação de usar o cargo para obstruir investigações e ameaçar testemunhas. A pastora foi condenada na Justiça por ser a mandante do assassinato do marido, o também pastor Anderson do Carmo. Ela está atualmente cumprindo pena de 50 anos de prisão.

Em 2001, o deputado Paulo Magalhães (PSD-BA) agrediu um visitante da Câmara, o jornalista Maneca Muniz. O parlamentar é sobrinho do ex-governador baiano Antônio Carlos Magalhães (ACM), o qual era tema de um livro-denúncia escrito por Maneca. O jornal O Globo à época mencionou que Paulo agrediu o jornalista “a socos e pontapés”.

O caso não teve punição, e atualmente o parlamentar está no seu sétimo mandato na Câmara. Hoje ele é o relator do processo que pode cassar o mandato de Glauber Braga, apresentando voto favorável à perda de mandato.

Entenda o caso

O processo contra Glauber Braga foi aberto em 2024, após um episódio em que o deputado expulsou aos chutes o influencer Gabriel Costenaro, militante do Movimento Brasil Livre (MBL). Costenaro havia feito provocações a respeito de Saudade Braga, que era mãe de Glauber. A ex-prefeita de Nova Friburgo-RJ estava doente, e veio a falecer 22 dias após o incidente.

Durante todo o processo, Glauber acusou o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de favorecer o andamento das sessões contra ele, em detrimento a denúncias de outros parlamentares.

Análise: Movimentos sociais articulam plebiscito popular para pressionar Congresso e reforçar Lula

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Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Diante de um cenário político em que o presidente Lula (PT) enfrenta o momento mais crítico de seus três mandatos em termos de popularidade, movimentos sociais e centrais sindicais lançaram na última quinta-feira (10), em São Paulo, uma nova ofensiva: a realização de uma consulta nacional popular em setembro. Batizado de “plebiscito popular”, o processo pretende não apenas levantar a opinião da população sobre temas centrais da pauta progressista, mas também pavimentar o caminho para a mobilização eleitoral de 2026.

O movimento, que envolve diretamente partidos como PT, PSOL e PCdoB, é também uma tentativa de reacender o vínculo com a base social que garantiu a vitória de Lula em 2022. Os temas escolhidos para a consulta — redução da jornada de trabalho sem corte salarial, fim da escala 6×1, e taxação sobre rendas acima de R$ 50 mil para custear a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil — refletem bandeiras de longa data da esquerda. São também temas de amplo apoio popular, que a oposição tem tido dificuldades em se colocar contra.

Ferramenta de debate

Ainda que a consulta não tenha caráter vinculante, seus organizadores esperam que os resultados sirvam de termômetro social e instrumento de pressão sobre o Congresso e o Executivo, especialmente em um momento em que o governo enfrenta resistência parlamentar para avançar em reformas estruturais. A taxação dos super-ricos, por exemplo, enfrenta forte oposição de setores conservadores, mesmo com apoio expressivo da população — segundo o Datafolha, 76% dos brasileiros aprovam a proposta.

A iniciativa vem sendo articulada desde o fim de 2023 pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, que congregam centenas de organizações progressistas como o MST, UNE, CUT e MTST. O modelo de consulta remete a experiências anteriores, como o plebiscito informal realizado em 2002 sobre a entrada do Brasil na Área de Livre-Comércio das Américas (ALCA), que reuniu mais de 10 milhões de votantes, e rejeitou de forma massiva a proposta.

O tratado, proposto pelo então presidente George H. W. Bush em meados dos anos 1990, ofertava que produtores latino-americanos priorizassem a venda de matérias-primas ao EUA, recebendo em troca a possibilidade de ter algum espaço no mercado dos Estados Unidos. A falta de detalhamento na parte estadunidense fez com que a maioria dos países da América Latina recusasse a proposta.

Definição de rota

O lançamento do plebiscito na tradicional Faculdade de Direito da USP teve ares de rearticulação simbólica da esquerda. Presenças como a do ex-ministro José Dirceu e do deputado estadual Antonio Donato, líder do partido na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) indicam que, mais do que uma consulta informal, o plebiscito popular é também uma plataforma de reencontro das forças que sustentaram Lula até aqui — e que agora se preparam para o embate político que se avizinha. Unindo lideranças antigas e novas.

É um reposicionamento estratégico: se o governo enfrenta dificuldades em avançar institucionalmente, a rua pode voltar a ser um dos principais campos de disputa política. E a esquerda parece disposta a retomá-la, com os olhos voltados para 2026, e a futura sucessão de Lula que, aos 79 anos, precisa montar um forte apadrinhado político para manter seu legado — e no fim, de toda a esquerda atual.

Cenários para 2026

Fora das ruas, mas forte nas redes sociais, a oposição bolsonarista a Lula promete fazer uma eleição de tomada do Senado Federal. Setores conservadores, em especial os evangélicos, vêm se movimentando para colocar uma maioria de extrema-direita na Casa Alta, podendo assim pautar temas que lhes são essenciais, como por exemplo o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 2022, a esquerda conseguiu apenas cinco das 27 cadeiras ao Senado em disputa. Os candidatos da extrema-direita, 14. Para 2026, vão ser colocadas em disputa 12 das 17 vagas que a esquerda possui no Senado, sendo que sete delas ficam fora da região Nordeste.

Comércio entre Brasil e EUA bate recorde, apesar de tarifaço

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Tarifaço
Foto: ClaudioNeves

Apesar do tarifaço imposto aos produtos brasileiros, a corrente comercial entre Brasil e Estados Unidos atingiu US$ 20 bilhões no primeiro trimestre de 2025. O crescimento de 6,6% em relação ao mesmo trimestre de 2024 foi divulgado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) no Monitor do Comércio Brasil-EUA. É o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica. O número é alavancado pelas exportações industriais brasileiras e a alta nas importações de tecnologia e energia. Para a Amcham, os dados reforçam a solidez da parceria entre os dois países.

Porém, especialistas avaliam que o pico pode ter outro motivo. Como houve um tempo entre o anúncio do tarifaço imposto pelos EUA e a efetiva aplicação das taxas, os números podem indicar que os exportadores brasileiros correram para acelerar as exportações. Assim, conseguiram vender suas produções sem as tarifas.

A tarifa linear de 10% aos produtos brasileiros foi anunciada oficialmente em abril por Trump. Anteriormente, em fevereiro, Trump já havia imposto alíquota de 25% sobre a importação de aço e o alumínio pelos EUA. Como as taxas comerciais já faziam parte do discurso de Trump durante a campanha, o mercado pode ter se antecipado aos anúncios.

Exportações brasileiras em alta

As vendas da indústria nacional para os EUA alcançaram US$ 7,8 bilhões, recorde para um primeiro trimestre, consolidando o país como principal destino das exportações industriais brasileiras (18,1% do total exportado). Seis dos dez produtos mais exportados tiveram crescimento expressivo: sucos (+74,4%), óleos combustíveis (+42,1%), café não torrado (+34%), aeronaves (+14,9%) e semiacabados de ferro/aço (+14,5%). A carne bovina entrou no top 10, com alta de 111,8%.

Tarifaço e cenário futuro

Apesar do desempenho positivo, o relatório alerta para riscos com as novas tarifas impostas pelos EUA: 10% sobre exportações brasileiras em geral e 25% para aço, alumínio e autopeças. A Amcham defende a manutenção de um ambiente comercial estável.

“É fundamental preservar as condições para que o comércio continue gerando inovação, empregos e desenvolvimento para ambos os países”, afirma Abrão Neto, presidente da entidade.

O relatório ressalta que o diálogo entre setores público e privado será crucial para enfrentar desafios e sustentar o crescimento bilateral, que já é referência global em cooperação econômica.

Anvisa aprova vacina contra Chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan

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Brasília (DF) 09/04/2025 O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, vacina indígenas durante a plenária de saúde indígena no Acampamento Terra Livre
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Anvisa aprovou o registro da vacina IXCHIQ, uma vacina recombinante atenuada contra a Chikungunya, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante é de dose única e será indicado para adultos com 18 anos ou mais que estejam sob maior risco de exposição ao vírus.

A vacina é contraindicada para gestantes, pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas. A fabricação inicial será feita na Alemanha, pela empresa IDT Biologika GmbH, com produção futura prevista no Brasil pelo Instituto Butantan.

Eficácia e segurança da vacina

Estudos clínicos demonstraram que a IXCHIQ induz uma resposta robusta de anticorpos neutralizantes contra o vírus Chikungunya. Os ensaios envolveram adultos nos Estados Unidos e adolescentes no Brasil, e apontaram perfil de segurança aceitável para a aplicação em dose única.

A aprovação foi acompanhada de um Termo de Compromisso entre Anvisa e Butantan, que prevê:

  • Estudos adicionais de efetividade e segurança
  • Adoção de farmacovigilância ativa
  • Monitoramento contínuo do perfil de eficácia do imunizante

Processo de avaliação

A análise da Anvisa incluiu:

  • Documentação completa de produção e qualidade
  • Dados de estudos clínicos com eficácia e segurança
  • Participação no projeto OPEN da EMA, que permite avaliações colaborativas entre agências de diferentes países

Além disso, a decisão contou com o parecer de um grupo independente de especialistas em arboviroses, vinculado à Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme).

Entenda a Chikungunya

A Chikungunya é uma arbovirose transmitida por mosquitos do gênero Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, com epidemias acontecendo na América Central e no Caribe.

No Brasil, os primeiros casos confirmados surgiram em 2014, no Amapá e na Bahia. Atualmente, há transmissão em todos os estados brasileiros.

Nova tabela do Imposto de Renda entra em vigor com mudanças na faixa de isenção

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Imposto de Renda
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A nova tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) entra em vigor a partir de maio de 2025, mas seus efeitos só serão percebidos nas declarações feitas em 2026, referentes ao ano-base 2025. Com a atualização, brasileiros que recebem até R$ 3.036 por mês (dois salários mínimos) seguem isentos da tributação.

Para quem ultrapassar esse valor, a tributação será progressiva, com alíquotas que podem chegar a 27,5% sobre a parcela que exceder R$ 4.664,68 mensais.

Embora a faixa de isenção já contemplasse quem recebia até dois salários mínimos, a tabela precisou ser atualizada devido ao reajuste do mínimo para R$ 1.518, determinado pela Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025. Sancionada pelo presidente Lula em 10 de abril, a LOA prevê um aumento real de 2,5% em relação ao valor anterior, mantendo o compromisso do governo de reajustar o mínimo acima da inflação.

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Novas regras de obrigatoriedade

A declaração do Imposto de Renda de 2025 traz mudanças pontuais, com destaque para novos limites de rendimentos obrigatórios. Confira:

  • Rendimentos tributáveis anuais: de R$ 30.639,90 para R$ 33.888,00
  • Receita bruta da atividade rural: de R$ 153.999,50 para R$ 169.440,00
  • Obrigatoriedade de declarar: quem atualizou bens imóveis em dezembro de 2024 ou obteve rendimentos no exterior (como lucros e dividendos)

Outras exigências seguem inalteradas.

Declaração pré-preenchida e restituição via Pix

Desde 1º de abril, está disponível a declaração pré-preenchida, que pode ser acessada com conta gov.br de nível prata ou ouro. Além de facilitar o preenchimento, o uso da pré-preenchida aliado à opção de restituição via Pix garante prioridade no reembolso.

Três campos foram eliminados do formulário:

  • Título de eleitor
  • Consulado/embaixada (para residentes no exterior)
  • Número do recibo da declaração anterior (em declarações online)

Multa por atraso e cronograma das restituições

Quem perder o prazo da declaração do Imposto de Renda estará sujeito a multa de 1% ao mês sobre o imposto devido, com valor mínimo de R$ 165,74 ou máximo de 20% do total.

As restituições do ano-base 2024 serão pagas em cinco lotes, entre maio e setembro de 2025:

  1. 30 de maio
  2. 30 de junho
  3. 31 de julho
  4. 29 de agosto
  5. 30 de setembro

A prioridade seguirá esta ordem:

  • Idosos com 80 anos ou mais
  • Idosos a partir de 60 anos com deficiência ou doença grave
  • Professores (magistério como principal renda)
  • Quem usou a declaração pré-preenchida e Pix
  • Quem usou pré-preenchida ou Pix

Medida Provisória aguarda aprovação do Congresso

Foi editada a Medida Provisória nº 1.294 nesta segunda-feira (14) pelo presidente Lula (PT), que atualiza a tabela progressiva do Imposto de Renda. O Congresso Nacional tem agora 120 dias para analisá-la e convertê-la em lei.

STF suspende processos sobre legalidade da “pejotização” em todo o país

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Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal - STF
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão nacional de todos os processos judiciais que discutem a licitude da contratação de trabalhadores autônomos ou de pessoas jurídicas para prestação de serviços – prática conhecida como “pejotização”.

Essa modalidade de contratação é amplamente utilizada em diferentes segmentos, como representação comercial, corretagem imobiliária, advocacia associada, saúde, artes, tecnologia da informação e entregas feitas por motoboys, entre outros setores econômicos.

Na decisão divulgada nesta segunda-feira (14), Gilmar Mendes ressaltou que os inúmeros questionamentos judiciais sobre a validade desse modelo contratual vêm sobrecarregando o STF. Segundo ele, a multiplicação das reclamações ocorre principalmente devido ao fato de que muitos tribunais trabalhistas deixam de observar a jurisprudência já estabelecida pelo Supremo, gerando insegurança jurídica.

“O descumprimento sistemático da orientação do Supremo Tribunal Federal pela Justiça do Trabalho tem contribuído para um cenário de grande insegurança jurídica, resultando na multiplicação de demandas que chegam ao STF, transformando-o, na prática, em instância revisora de decisões trabalhistas”, afirmou o ministro.

No julgamento recente do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1.532.603, o Plenário reconheceu, por maioria, a repercussão geral da controvérsia, classificada como Tema 1389. A matéria envolve não só a validade desses contratos, mas também discute se cabe à Justiça do Trabalho julgar eventuais fraudes nessas relações e quem tem a obrigação de provar a existência ou não de vínculo empregatício: o trabalhador ou o contratante.

A suspensão dos processos permanecerá vigente até que o Plenário do STF defina o mérito da questão. A decisão que vier a ser tomada pela Corte será vinculante e deverá ser seguida por todos os tribunais brasileiros em casos semelhantes.

Caso concreto

O processo que motivou essa decisão trata especificamente da relação entre um corretor e uma seguradora, onde o Tribunal Superior do Trabalho (TST) havia afastado a existência de vínculo empregatício, reconhecendo a validade do contrato firmado entre as partes, classificado como contrato de franquia.

Entretanto, o ministro Gilmar Mendes enfatizou que, embora o caso específico envolva contratos de franquia, a repercussão geral reconhecida pelo STF não está limitada a essa modalidade contratual. “É fundamental abordar a controvérsia de maneira ampla, considerando todas as modalidades de contratação civil e comercial”, frisou o ministro em sua manifestação.

Entrevista: Embaixador José Alfredo Graça Lima avalia consequências do tarifaço

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Tânia Rêgo/Agência Brasil

O embaixador José Alfredo Graça Lima avaliou, em entrevista à Arko Advice, as consequências do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Graça Lima é um dos primeiros negociadores do Brasil nas conversas entre o Mercosul e a União Europeia (UE).

Veja a entrevista na integra:

Quais as consequências do tarifaço do presidente americano, Donald Trump, para o Brasil?

Alguns setores – aço e alumínio, caso a sobretaxa seja mantida, suco de laranja congelado e concentrado, carne bovina, etanol – perderão participação no mercado, o que terá impacto sobre a balança comercial. Mas o Brasil continuará superavitário em termos globais. E, na hipótese, improvável, de reduzir suas tarifas “erga omnes”, terá ganhos de produtividade e redução da inflação.

O tarifaço pode acelerar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia?

Não. Em matéria de acesso, o acordo não cria, desvia comércio. Sequer emergiu da etapa de “legal scrubbing”, e a França se opõe cada vez mais a ele. O acordo prevê para a UE preferências para produtos que outros parceiros fornecem ao Mercosul a custos mais reduzidos, e que, de resto continuarão pagando impostos internos elevados. Os produtos de interesse exportador dos países do Mercosul, por seu turno, continuam sendo restringidos por cotas muito reduzidas, e a nossa indústria, por mais aberto que seja o mercado europeu, não compete nem com os asiáticos nem com os Estados Unidos.

Qual a diferença entre o anúncio feito por Mercosul e União Europeia em 2019 e o anúncio feito em 2024?

Foram fortalecidas as cláusulas ambientais, para dar mais conforto aos que se opunham ao acordo por razões legítimas – desmatamento, em especial. Mas os franceses sempre estiveram mobilizados contrariamente ao simples aumento de cotas para commodities agrícolas (carne bovina, em particular) e seguem pressionando seu governo no sentido de derrubar o texto negociado pela Comissão.

Qual a importância estratégica do acordo?

A sua importância é de natureza institucional. Sinaliza positivamente aos investidores e “organiza” um Mercosul que pode vir a colapsar no curso da presidência argentina.

 

Focus: Mercado mantém projeção de inflação acima da meta para 2025

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Banco Central do Brasil publica o Boletim Focus nesta segunda (14)
Foto: Raphael Ribeiro/BCB

O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (14), traz uma estabilidade nas expectativas de inflação do mercado para 2025. Segundo o documento, os agentes de mercado mantiveram, pela terceira semana consecutiva, a expectativa de 5,65% para o ICPA neste ano. A estimativa é consideravelmente superior ao teto da meta de inflação, de 4,5%.

PIB segue estável, expectativa para câmbio recua

A projeção para o PIB brasileiro neste ano se manteve praticamente estável, passando de 1,97% na última semana, para 1,98% na consulta mais recente. A expectativa para o crescimento econômico do país em 2026 também cresceu marginalmente, passando de 1,60% para 1,61%.

Outro indicador que se manteve estável foi o câmbio, com projeção de finalizar o ano em R$ 5,90. Para 2026, os agentes projetaram a queda do câmbio, pela segunda semana seguida, para R$ 5,97, em relação ao projetado na consulta anterior.

Termômetro das expectativas

O Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central, e reúne projeções de economistas, analistas e operadores do mercado financeiro. Ele serve como um termômetro das expectativas econômicas, e influencia decisões de empresas, investidores e do próprio governo.