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Análise: Os entraves políticos da PEC da Segurança

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Governo entrega texto da PEC da segurança pública à Câmara.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, apresentou a deputados e senadores, na última semana, o texto da PEC da Segurança Pública. É uma tentativa de resposta do governo Lula a um dos temas mais sensíveis hoje para a população e que mais impactam a popularidade do presidente. O texto mira a integração das forças policiais por meio do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que seria constitucionalizado. Haveria também a integração de procedimentos e de bases de dados. O governo justifica a proposta exemplificando que os registros criminais dos indivíduos e os Boletins de Ocorrência hoje estão espalhados pelos sistemas das 27 Polícias Civis do Brasil, dificultando uma atuação coordenada.

No campo do policiamento, a PEC propõe transformar a Polícia Rodoviária Federal (PRF) na Polícia Viária Federal, que faria o policiamento ostensivo em rodovias, mas também em ferrovias e hidrovias. A Polícia Federal teria suas atribuições ampliadas para investigar crimes relacionados a danos ao meio ambiente e a milícias privadas, além de infrações com repercussão interestadual ou internacional. As Guardas Municipais subiriam de nível, passando a ser corresponsáveis pelo policiamento ostensivo e comunitário.

Os entraves: diante da dificuldade da esquerda de apresentar propostas concretas nessa área, a direita tenta manter o tema sob seu guarda-chuva, mas com um viés mais voltado para a punição dos criminosos, o que não consta na proposta de Lewandowski. Assim, a oposição já se declarou contrária ao texto, argumentando que o governo não conseguiria sequer garantir a integridade das fronteiras e que a segurança pública deveria ser uma atribuição exclusiva de estados e municípios.

O discurso no Congresso aponta para a maior dificuldade que o governo deve enfrentar nesse tema: as críticas dos governadores. Mesmo o governo federal tendo inserido na PEC a observação de que será mantida a subordinação das polícias aos estados, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), já manifestou publicamente sua divergência, alegando que a PEC fere a autonomia das Unidades da Federação.

Três elementos preocupam: a posse das informações pela União, a maior amplitude de atuação da PF e a “elevação” das Guardas Municipais, gerando grande preocupação na “bancada da bala”, que tem ex-membros das Polícias Militares estaduais em suas fileiras. Em versões anteriores da PEC, outros governadores, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, já haviam demonstrado resistência à proposta.

Pelo nível de atenção da população ao tema, não é impossível que algo avance. Mas a oposição vai atuar, seja se opondo ao texto, seja se apropriando do debate, seja alterando completamente o conteúdo, seja propondo ideias alternativas.

PEC propõe fim da aposentadoria como punição para juízes, promotores e militares

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Brasília (DF) 06/06/2023 Senadora e relatora da CPMI do golpe, Eliziane Gama, leu o seu plano de trabalho ao colegiado.
Foto Lula Marques/ Agência Brasil

Uma proposta de emenda à Constituição (PEC 3/2024), em tramitação no Senado Federal, pretende acabar com o uso da aposentadoria compulsória como punição para juízes, promotores, militares e outros agentes públicos. A ideia é substituir esse tipo de sanção, que permite ao servidor manter benefícios mesmo após condenações, por penalidades reais como demissão, exclusão ou licenciamento.

A proposta é de autoria do ex-senador e atual ministro do STF Flávio Dino. A relatoria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) está a cargo da senadora Eliziane Gama (PSD-MA).

Punições com aposentadoria são vistas como desvio de finalidade

A PEC defende que a aposentadoria é um direito trabalhista e não um instrumento disciplinar. Segundo o projeto, usá-la como punição em casos de corrupção ou má conduta subverte sua função original, que é garantir dignidade após o fim da vida laboral.

Atualmente, servidores públicos podem ser punidos com aposentadoria proporcional mesmo quando condenados por crimes graves. Isso gera uma situação de privilégio, segundo a proposta, que visa a isonomia entre as diferentes categorias do serviço público.

A PEC 3/2024 propõe a demissão como penalidade principal em caso de faltas graves, respeitando o devido processo legal. A expectativa é restaurar a confiança da população nas instituições públicas.

Aposentadoria compulsória já foi criticada em outras propostas

Além da PEC atual, já existe a PEC 53/2011, aprovada pelo Senado em 2013 e parada na Câmara dos Deputados. Essa proposta previa o fim da aposentadoria como punição apenas para juízes e promotores. Agora, a nova PEC amplia a regra para militares e demais agentes públicos.

Militares também entram na mira da PEC

O texto inclui ainda os militares das Forças Armadas, proibindo que sejam transferidos para a inatividade ou recebam benefícios como a “morte ficta” — recurso que garante pensão integral aos dependentes de militares afastados, inclusive por crimes como tráfico de drogas ou homicídio.

RG Animal: Governo lança cadastro nacional gratuito para cães e gatos

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Brasília (DF) 17/04/2025 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado da primeira-dama Janja Lula da Silva, e de suas cadelas Esperança e Resistência, lança o Sistema Nacional de Identificação de Cães e Gatos, SinPatinha. Assina também decreto que institui o Programa Nacional de Proteção e Manejo Populacional Ético de Cães e Gatos (ProPatinhas).
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O governo federal lançou nesta quinta-feira (17) o RG Animal, documento oficial para identificação de cães e gatos no Brasil. A iniciativa integra os programas Sinpatinhas (Sistema do Cadastro Nacional de Animais Domésticos) e ProPatinhas (Programa Nacional de Proteção e Manejo Populacional Ético de Cães e Gatos).

O objetivo é criar um banco de dados nacional gratuito, com registro único e intransferível para cada animal. O RG Animal acompanhará o pet durante toda sua vida e poderá ser usado para localização em caso de desaparecimento, além de facilitar o acesso a políticas públicas de bem-estar animal.

Acesso a serviços públicos de saúde animal

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede), destacou a importância da iniciativa para a formulação de políticas públicas voltadas aos animais:

“A gente só consegue proteger adequadamente aquilo que a gente conhece. Se não conhece, se não sabe a quantidade, a qualidade de vida a que esses animais estão submetidos, não tem como ter políticas públicas eficientes”, afirmou a ministra.

Uma vez cadastrados, os tutores poderão, além de facilitar a localização dos pets em caso de desaparecimento, receber informações sobre campanhas públicas de castração, vacinação e microchipagem em sua região. Isso contribui para ampliar o acesso a serviços de cuidado e bem-estar animal.

A carteira do RG Animal traz um QR Code com uma foto do animal, que pode ser colocado na coleira do pet. Vai conter a raça, a cor e o histórico de vacinas dos animais. Os interessados devem acessar o site Gov.br para realizar o cadastro.

A cerimônia de lançamento contou também com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da ministra das Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT) e da primeira-dama Janja da Silva.

Alexandre Silveira apresenta reforma do setor elétrico

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Ministério de Minas e Energia (MME).
Foto: Saulo Cruz/MME

O ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira (PSD), anunciou, nesta quarta-feira (16), a estrutura da reforma do setor elétrico. Segundo apresentação obtida pela Arko Advice, o projeto consiste em três eixos principais: Justiça tarifária; liberdade para o consumidor; e equilíbrio para o setor.

Justiça tarifária

O projeto propõe a expansão da Tarifa Social de energia elétrica, isentando todo o consumo inferior a 80 kWh/mês. Segundo o MME, serão beneficiadas famílias com renda mensal de até meio salário mínimo incluídas no CadÚnico, além de pessoas com deficiência e idosos do BPC.

Pelos cálculos do governo, o impacto fiscal dessa medida será de R$ 3,6 bilhões ao ano, custeados pela CDE (Conta de Desenvolvimento Energético). Assim, haveria um aumento médio de 0,9% para os demais consumidores regulados.

Além disso, para alcançar a Tarifa Social, haverá o Desconto Social de Energia Elétrica, que funcionará como uma tarifa de transição entre a Tarifa Normal atual e a Tarifa Social. A medida oferece isenção do pagamento da CDE no consumo mensal de até 120 kWh para famílias do CadÚnico com renda per capita entre meio e um salário mínimo. A medida geraria um aumento de 0,53% para os demais consumidores regulados.

Liberdade para o consumidor

Ainda segundo apresentação obtida pela Arko, uma parte do projeto permite a liberdade do consumidor no momento de escolha do fornecedor de energia elétrica. A indústria e o comércio farão as seleções a partir de 1° de março de 2027, enquanto os demais consumidores, a partir de 1° de março de 2028.

Segundo o ministério, a medida geraria um aumento de competitividade no mercado e, consequentemente, uma possível diminuição dos preços. Para isso, a reforma contará com medidas legais. São elas: Instituir encargo para pagar eventuais custos da sobrecontratação ou da exposição involuntárias das distribuidoras; induzir a modernização das tarifas; autorizar a criação do Supridor de Última Instância (SUI); e estabelecer a comercialização sem descontos no fio por aquisição de energia incentivada.

Equilíbrio para o setor

O projeto para o setor elétrico deve limitar os benefícios concedidos aos autoprodutores de energia – aqueles que tem participação em empreendimentos de geração e por isso tem isenção de encargos setoriais.

Para reduzir o impacto dessa modalidade, o governo propõe limitar os benefícios para consumidores com participações equivalentes à produção mínima de 30.000 kW e a 30% do capital social total do projeto de geração.

Para o governo, a alteração irá restabelecer os objetivos originais da autoprodução e promover a distribuição mais justa de encargos. Isso porque a existência do benefício teria se tornado uma forma de contornar facilmente os pagamentos, segundo o governo.

O projeto conta com três eixos principais:

  • Justiça tarifária;
  • Liberdade para o consumidor;
  • Equilíbrio para o setor.

Veja a minuta do projeto, obtida pela Arko Advice: https://arkopedia.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Minuta-Interna.pdf

Governo analisa aumento da alíquota de importação de carros elétricos e híbridos, diz Alckmin

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Mover: Governo Federal lança programa de Mobilidade Verde e Inovação. Foto: Foto: Divulgação/Planalto.
Foto: Divulgação/Planalto

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSD), afirmou nesta quarta-feira (16) que o governo estuda antecipar a aplicação da alíquota de 35% sobre a importação de carros elétricos e híbridos. A medida visa conter o avanço das importações — especialmente de veículos chineses — e fortalecer a indústria nacional.

Segundo o cronograma atual, esse percentual só entraria em vigor em julho de 2026. Até lá, o aumento da tarifa está previsto para ocorrer de forma gradual.

Setor automotivo pede proteção contra importações chinesas

O apelo por mudanças veio da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que solicitou ao governo a antecipação da alíquota de 35%. A entidade argumenta que a política atual favorece os veículos importados e compromete o futuro dos investimentos no setor automotivo nacional.

Desde julho de 2024, o imposto de importação está fixado da seguinte forma:

  • Carros elétricos: 18%
  • Híbridos plug-in (que combina motores elétrico e a combustão): 20%
  • Híbridos convencionais: 25%

A associação considera essas alíquotas insuficientes diante do avanço da indústria asiática, especialmente da China, que tem intensificado sua presença no mercado brasileiro.

Mover: programa vincula importações ao controle de carbono

O governo também definiu novas regras dentro do Programa Mover, que entrarão em vigor a partir de 2027. A medida prevê que pessoas físicas ou jurídicas que importarem veículos sem registro da pegada de carbono junto ao MDIC serão punidas com multas significativas:

  • 20% sobre o valor do veículo,

  • 20% sobre os tributos incidentes,

  • 20% sobre a margem de comercialização.

Além disso, o importador será obrigado a notificar o representante da marca no Brasil.

Indústria nacional receberá estímulo de R$ 19 bi até 2028

Como forma de incentivo à eficiência energética e à descarbonização da frota, o governo federal anunciou a concessão de créditos tributários ao setor automotivo:

  • R$ 3,8 bilhões em 2025

  • R$ 3,9 bilhões em 2026

  • R$ 19 bilhões até 2028

Segundo Alckmin, esse pacote de incentivos visa fortalecer a indústria nacional e estimular o desenvolvimento de tecnologias limpas, como veículos híbridos e elétricos fabricados no Brasil.

Queimadas no Brasil caem 70% no 1º trimestre de 2025

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Foto: Agência Santarém

O Monitor do Fogo, ferramenta do MapBiomas, revelou que as queimadas no Brasil caíram 70% no primeiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. De janeiro a março, foram 912,9 mil hectares atingidos pelo fogo, contra 2,1 milhões no ano anterior.

Desse total, 78% correspondem à vegetação nativa, e 43% do que foi queimado era formação campestre, especialmente em biomas como o Cerrado e a Amazônia.

Roraima lidera entre os estados mais atingidos

O estado de Roraima foi o mais afetado pelas queimadas, com 415,7 mil hectares destruídos, seguido por Pará (208,6 mil ha) e Maranhão (123,8 mil ha). Os municípios de Pacaraima (121,5 mil ha) e Normandia (119,1 mil ha), ambos em Roraima, foram os mais impactados.

Segundo Felipe Martenexen, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a estação seca no início do ano torna Roraima particularmente vulnerável. “A sazonalidade climática explica o estado despontar como foco principal do fogo neste período”, destaca.

Amazônia ainda lidera em extensão queimada

Apesar da queda de 72% nas queimadas em relação ao ano anterior, a Amazônia foi o bioma mais atingido em área, com 774 mil hectares destruídos, o que representa 78% do total nacional.

A diretora de Ciência do Ipam, que também coordena o Mapbiomas Fogo, alerta: “A estação seca que se aproxima ainda pode ser intensa, e isso pode reverter a tendência de queda observada neste início de ano”.

Cerrado apresenta aumento preocupante nas queimadas

O Cerrado teve alta de 12% nas queimadas entre janeiro e março de 2025, totalizando 91,7 mil hectares, número que representa 106% acima da média histórica desde 2019. A pesquisadora Vera Arruda, do MapBiomas Fogo, ressalta que o dado evidencia a necessidade de estratégias específicas de prevenção para o bioma.

Outros biomas:

  • Mata Atlântica: aumento de 7% em relação a 2024, com 18,8 mil hectares queimados

  • Pampa: alta de 1,4%, com 6,6 mil hectares

  • Pantanal: queda de 86%, com 10,9 mil hectares

  • Caatinga: redução de 8%, com 10 mil hectares queimados

Março de 2025 teve 86% menos área queimada que o ano anterior

Somente em março de 2025, o país teve 106,6 mil hectares queimados, o que representa 10% do total do trimestre. O número é 674,9 mil hectares menor do que em março de 2024 — uma redução de 86%.

Análise: Trump está entre os principais afetados pelo tarifaço

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Foto: Isac Nóbrega/PR

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), voltou para a Casa Branca no início deste ano determinado a retomar a agenda protecionista do país. Uma das promessas de campanha foi acabar com a inflação, que registrou a maior alta dos últimos 40 anos no governo do ex-presidente Joe Biden (Democrata). No entanto, as recentes medidas adotadas por Trump indicam que os preços podem seguir outro rumo.

No início do mandato, Trump anunciou tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio do país. Após dois meses, definiu novas tarifas recíprocas de importação para vários países. A princípio, o objetivo era reduzir as importações e dinamizar a indústria de base interna. Porém, são necessários tempo e investimento para que o mercado interno se desenvolva a ponto de compensar parte das importações. Portanto, quem sofrerá os primeiros impactos das novas tarifas será o cidadão americano, que terá de arcar com o aumento dos preços dos produtos.

Governos anteriores mostram que a inflação afeta diretamente a popularidade dos líderes. Um dos motivos, por exemplo, que levaram à derrota de Biden nas eleições de 2024 foi a alta da inflação. Da mesma forma, no Brasil, o presidente Lula (PT) vivencia a pior desaprovação de seus três mandatos justamente por conta do aumento do preço dos alimentos.

Segundo monitoramento da Nate Silver, a desaprovação do presidente atingiu 48,1% e a aprovação 47,9%. Foi a pior desde o início do mandato. Além disso, a ata do Federal Reserve apontou que a inflação pode ser impulsionada pelas novas tarifas. O banco também elevou a projeção da inflação e apontou incertezas na economia.

Assim, na semana passada, milhões de americanos protestaram contra o governo Trump. Com o lema “Tire suas mãos” estampado nos cartazes, os participantes criticaram várias medidas do governo, incluindo o “tarifaço”. As taxas impactaram diretamente os fundos de aposentadoria e de pensão nos Estados Unidos, com perdas na Bolsa de Valores estimadas em mais de US$ 100 bilhões.

Para além da população civil, o setor privado também está descontente. Líderes empresários que apoiaram a campanha eleitoral de Trump condenaram as novas tarifas. Além disso, no mercado financeiro, as ações derreteram. A falta de previsibilidade nas decisões de Trump afasta investidores e novas injeções de recursos no país, já que não se sabe qual será o próximo anúncio.

Diante desse cenário, o posicionamento de Trump teve de mudar. Ele se surpreendeu com as consequências no mercado de ações, com as retaliações anunciadas pela China e com a possibilidade de outros países também responderem à altura. A opção por recuar e pausar o “tarifaço” por 90 dias, exceto para a China, indica que o presidente tentou, mas não resistiu, por ora, às pressões interna e externa.

Boulos aciona MP contra Ricardo Nunes por morte de senegalês em operação policial

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Foto: Reprodução

Após a grande repercussão da morte do ambulante senegalês Ngange Mbaye, no último dia 11 no bairro do Brás, em São Paulo, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) acionou o Ministério Público de São Paulo (MPSP), para que investigue a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Segundo Boulos, a tragédia foi resultado direto da repressão exercida pela prefeitura por meio da Operação Delegada. “A morte de Mbaye é uma tragédia anunciada. Não podemos aceitar que a gestão Ricardo Nunes trate à bala quem está lutando para levar o pão pra casa. A prefeitura é responsável pela repressão aos trabalhadores na região do Brás, e deve responder por esse episódio estarrecedor”, disse o deputado federal.

R$ 1 milhão por dia: os gastos da Operação Delegada

No documento Boulos, chama atenção para uma fala pública do prefeito Ricardo Nunes, em que ele admite que a prefeitura gasta R$ 1 milhão por dia para manter a Operação Delegada. O valor total, em cinco meses, “valor superior ao orçamento anual da Subprefeitura da Sé, que em 2024 foi de R$ 126 milhões”, destaca nota de Boulos.

A Operação Delegada é um convênio entre a Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado, que permite que policiais militares atuem em escalas extras durante suas folgas, reforçando o policiamento ostensivo em áreas comerciais da capital. De acordo com a prefeitura, o trabalho é voluntário, com os policiais atuando de farda e com os equipamentos da PM.

Na última segunda-feira (14), o STF manteve suspensa a mudança de nome da Guarda Civil Metropolitana para Polícia Municipal. A decisão reforçou a liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que já havia barrado a nova lei aprovada pela prefeitura da capital paulista. A mudança poderia mexer em atribuições da GCM.

A morte de Ngange Mbaye

O senegalês Ngange Mbaye, que trabalhava como ambulante no bairro do Brás, em São Paulo, foi baleado no abdome por um policial militar da Operação Delegada, durante uma abordagem. Segundo relatos, ele foi atingido enquanto tentava proteger as mercadorias de um colega.

Por meio de um comunicado à imprensa, a ministra de Integração Africana e Negócios Estrangeiros do Senegal, Yassine Fall, comunicou que cobrará explicações do Brasil sobre a morte de Ngange Mbaye. “Foi com grande tristeza e consternação que fui informada da morte trágica do nosso compatriota Ngagne Mbaye em São Paulo”, declarou.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirmou que um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado, e que o policial militar teria sido afastado durante as investigações.

IFI prevê déficit primário de R$ 64,2 bilhões em 2025

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Foto: Reprodução/EBC

A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado divulgou, nesta quarta-feira (16), o seu Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de abril, com projeções atualizadas sobre as contas públicas brasileiras. Segundo o documento, o déficit primário do Governo Federal deve atingir R$ 64,2 bilhões em 2025.

Apesar disso, a meta de resultado primário zero poderá ser formalmente cumprida, uma vez que gastos com precatórios e outras despesas fora da meta não entram no cálculo.

Déficit pode chegar a R$ 128 bilhões sem medidas corretivas

A IFI destaca que, considerando todas as despesas, o déficit primário real pode atingir R$ 128 bilhões. Com isso, o governo precisaria cortar ao menos R$ 72 bilhões em despesas ou elevar receitas para alcançar, em 2026, a meta de superávit primário de 0,25% do PIB.

Projeção do PIB sobe para 2025, mas cai para 2026

A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi levemente ajustada:

  • 2025: De 1,9% para 2,0%;
  • 2026: De 2,3% para 1,6%

De acordo com a IFI, os impactos positivos ou negativos no Brasil da guerra comercial iniciada pelo governo do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos, ainda são difíceis de serem dimensionados, mas devem afetar o crescimento econômico brasileiro.

Inflação e dívida pública

Já a projeção para a inflação foi elevada de 4,4% para 5,5% em 2025 e de 3,6% para 4,4% em 2026. Essas mudanças decorrem de uma combinação de fatores, como o esperado enfraquecimento da atividade econômica no segundo semestre de 2025.

Já a dívida pública federal poderá atingir 79,8% do PIB em 2025 e chegar a 84% do PIB em 2026, com viés de alta tanto no curto quanto no médio prazo.

Minha Casa, Minha Vida amplia faixa de renda para até R$ 12 mil

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Viamão (RS), 30.06.2023 – Em Viamão, Rio Grande do Sul, presidente Lula entrega unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo federal anunciou nesta terça-feira (15) a criação de uma nova faixa de financiamento dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, voltada para famílias com renda mensal de até R$ 12 mil. A decisão foi confirmada pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

A nova modalidade prevê:

  • Financiamentos com prazo de até 420 meses (35 anos);
  • Juros nominais de 10% ao ano;
  • Imóveis com valor de até R$ 500 mil.

O presidente Lula já havia anunciado a medida no dia 3 de abril, durante o evento “O Brasil Dando a Volta por Cima”.

Reajuste nas faixas

Além da nova faixa, o governo também atualizou os limites de renda para as faixas já existentes do programa:

  • Faixa 1: Passa de R$ 2.640 para até R$ 2.850;

  • Faixa 2: Limite ampliado de R$ 4.400 para até R$ 4.700;

  • Faixa 3: Renda máxima sobe de R$ 8.000 para R$ 8.600 mensais, com juros entre 7,66% e 8,16% ao ano. A faixa também permite aquisição de imóveis de até R$ 350 mil.

A expectativa é de que 15 mil novas famílias sejam incluídas na Faixa 3 ainda em 2025.

Redução de juros

A medida prevê ainda redução nas taxas de juros para mais de 100 mil famílias, com cortes de até 1,16 ponto percentual. Com isso, cerca de 20 mil famílias passarão a ter acesso a subsídios do FGTS, ampliando o alcance social do programa.

R$ 30 bilhões em recursos para impulsionar o setor

A expansão do Minha Casa, Minha Vida contará com R$ 15 bilhões do FGTS, somados a mais R$ 15 bilhões de instituições financeiras habilitadas, totalizando R$ 30 bilhões disponíveis para financiamentos habitacionais. O foco da nova faixa é atender especialmente a classe média brasileira.

A previsão é de que as novas condições entrem em vigor até maio de 2025.