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Conclave: Entenda como será escolhido o novo papa

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APARECIDA DO NORTE, SP, BRASIL, 24-07-2013, 11h30: O Papa Francisco dá a benção a fiéis na Basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte.
Foto: Marcelo Camargo/ABr

A morte do Papa Francisco nesta segunda-feira (21) deu início a um dos mais importantes rituais da Igreja Católica: o conclave, cerimônia tradicional que define o novo pontífice. Com a expressão em latim cum clave – que significa “fechado à chave” –, o conclave é realizado na Capela Sistina, no Vaticano, e envolve votos secretos, rituais centenários e um momento simbólico: a fumaça branca anunciando ao mundo a eleição do novo papa.

Como funciona o conclave

Logo após o velório e o sepultamento do Papa Francisco, inicia-se o período de luto de nove dias, chamado de novendiali. Durante esse tempo, o Colégio Cardinalício, composto atualmente por 252 cardeais, é convocado ao Vaticano. Os cardeais se hospedam na Casa Santa Marta, onde também viveu Francisco, que recusou o tradicional e luxuoso Palácio Apostólico.

Antes da votação propriamente dita, ocorrem reuniões gerais (congregações) onde são debatidos os desafios da Igreja e do mundo atual. A partir dessas discussões, começam a se delinear os nomes com perfil adequado para assumir o papado.

Somente cardeais com menos de 80 anos têm direito a voto. Apesar do número máximo teórico ser 120, atualmente há 135 eleitores — e o Papa pode, em casos excepcionais, ampliar esse número.

No dia do conclave, após missa presidida pelo decano do Colégio Cardinalício, os cardeais seguem em procissão até a Capela Sistina. Lá, os votos são feitos em sigilo total, sem uso de aparelhos eletrônicos ou contato com o mundo externo. As votações acontecem até quatro vezes ao dia, sendo duas pela manhã e duas à tarde, até que um candidato obtenha pelo menos dois terços dos votos.

Se ninguém atinge essa maioria, as cédulas são queimadas com substâncias que produzem uma fumaça preta, saindo pela chaminé da Capela Sistina.

Quando há um eleito, a fumaça é branca. Em seguida, o novo papa é anunciado com a frase Habemus Papam – “temos um Papa” – e aparece na sacada da Basílica de São Pedro para dar sua primeira bênção.

Brasil no conclave

O Brasil tem oito cardeais no Colégio Cardinalício. Destes, sete têm direito a voto:

  • Dom João Braz de Aviz, 77 anos, arcebispo emérito de Brasília
  • Dom Odilo Scherer, 75 anos, arcebispo de São Paulo
  • Dom Leonardo Ulrich Steiner, 74 anos, arcebispo de Manaus
  • Dom Orani Tempesta, 74 anos, arcebispo do Rio de Janeiro
  • Dom Sérgio da Rocha, 65 anos, arcebispo de Salvador
  • Dom Jaime Spengler, 64 anos, arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB
  • Dom Paulo Cezar Costa, 57 anos, arcebispo de Brasília

O único cardeal brasileiro fora do processo de votação é Dom Raymundo Damasceno Assis, de 87 anos. Ele participou do conclave que elegeu Francisco em 2013 e agora atua como referência espiritual. Em coletiva de imprensa, ele reforçou o caráter espiritual da escolha, destacando que o conclave não é um processo político: “É uma obra de Deus, uma ação do Espírito Santo”.

Um colégio voltado às periferias

O atual carmelengo – responsável por conduzir o Vaticano durante a Sé Vacante, que é quando a Igreja está sem papa – é o irlandês Kevin Farrell, nomeado por Francisco. Ele também foi quem anunciou oficialmente a morte do pontífice.

O Colégio Cardinalício que elegerá o novo papa mostra o crescimento da diversidade geográfica, antes ainda mais dominada por europeus:

  • Europa: 114 cardeais, sendo 53 votantes
  • Ásia: 37 cardeais, sendo 23 votantes
  • África: 29 cardeais, sendo 18 votantes
  • América do Sul: 32 cardeais, sendo 17 votantes
  • América do Norte: 28 cardeais, sendo 16 votantes
  • América Central: 8 cardeais, sendo 4 votantes
  • Oceania: 4 cardeais, sendo que os 4 são votantes

O atual favorito para suceder Francisco, de acordo com projeções, é o cardeal filipino Luis Antonio Tagle, conhecido como “Francisco asiático” por seu alinhamento à visão de inclusão do hoje falecido papa.

Sempre em busca de manter a Itália com um Papa, o nome de Pietro Parolin também é cotado. O nome do italiano aparece como forte candidato por sua experiência diplomática no Vaticano.

Mercado reduz projeção da inflação para 2025, mas Selic deve subir para 15% até o fim do ano

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Brasília (DF), 26/10/2023, Prédio do Banco Central em Brasília.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (22) pelo Banco Central trouxe uma leve melhora na projeção da inflação oficial para 2025. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,65% para 5,57%, conforme estimativas do mercado financeiro. Ainda assim, o índice continua acima do teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Para os anos seguintes, o mercado manteve projeções mais estáveis: 4,5% para 2026, 4% para 2027 e 3,8% para 2028.

Inflação segue pressionada por alimentos, mas perde força em março

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação em março foi de 0,56%, puxada principalmente pelos alimentos. Apesar da alta, o número representa desaceleração em relação a fevereiro, quando o índice foi de 1,31%. No acumulado de 12 meses, o IPCA soma 5,48%.

Mercado prevê Selic a 15% até dezembro

Para conter a inflação, o Banco Central continua elevando a taxa Selic, principal instrumento de política monetária. Atualmente em 14,25% ao ano, a taxa teve seu quinto aumento consecutivo em março, com alta de um ponto percentual. A expectativa do mercado é que a Selic chegue a 15% até dezembro.

O Comitê de Política Monetária (Copom) já sinalizou que o aumento previsto para maio será de menor magnitude e evitou antecipar os próximos passos. Em comunicado, o BC destacou que os núcleos da inflação — que excluem itens voláteis como alimentos e energia — continuam elevados, assim como os preços dos serviços. O órgão também afirmou que continuará monitorando a política econômica do governo.

A trajetória futura da Selic aponta para uma queda gradual: 12,5% em 2026, 10,5% em 2027 e 10% em 2028, segundo o Focus.

PIB sobe para 2% em 2025; dólar deve fechar o ano em R$ 5,90

A previsão do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 também foi revisada positivamente: passou de 1,98% para 2%. Para 2026, o mercado agora espera crescimento de 1,7%, enquanto para 2027 e 2028 a estimativa é de 2% ao ano.

Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%, marcando o quarto ano consecutivo de expansão — o melhor desempenho desde 2021, quando o PIB avançou 4,8%.

Já a previsão do câmbio para o fim deste ano é de R$ 5,90 por dólar, subindo ligeiramente para R$ 5,96 até o final de 2026.

Termômetro das expectativas

O Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central, e reúne projeções de economistas, analistas e operadores do mercado financeiro. Ele serve como um termômetro das expectativas econômicas, e influencia decisões de empresas, investidores e do próprio governo.

Análise: Destino do União Brasil pode ser decisivo em 2026

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Reunião do colegiado de líderes. Dep. Pedro Lucas Fernandes (UNIÃO - MA). Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.

O União Brasil apresenta uma estrutura interna dividida, com grupos que apoiam o governo e grupos que apoiam a oposição. Ao ocupar espaço nos dois lados da polarização política, o partido se posiciona como um ator estratégico no cenário nacional. Sua bancada na Câmara dos Deputados é a terceira maior, e, embora conte com menos senadores, tem entre seus membros uma figura de peso: o senador Davi Alcolumbre (AP), presidente do Congresso. Além disso, o partido administra quatro governos estaduais, cinco capitais e várias cidades relevantes.

Com toda essa musculatura, o União Brasil vislumbra a possibilidade de lançar um projeto próprio para a eleição presidencial do próximo ano. Um passo inicial foi dado com o anúncio da pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, mas a iniciativa não conquistou amplo apoio entre os correligionários. O principal nome a apoiar o projeto até agora foi o do ex-prefeito de Salvador (BA) ACM Neto.

A proposta de lançar uma candidatura presidencial própria enfrenta resistência interna tanto por parte dos aliados do governo Lula quanto por parte dos que se alinham ao bolsonarismo. Disputado pelos dois campos, o partido ainda não consolidou uma maioria em torno de nenhuma das opções: lançar Caiado, apoiar a reeleição do presidente Lula (PT) ou se unir ao candidato bolsonarista.

A federação com o PP é outro ponto de tensão. Apesar de a aliança estar próxima de ser firmada, entraves regionais e a exigência de alinhamento nacional dificultam a consolidação do acordo. Caso a federação se concretize, qualquer decisão sobre a participação em uma coligação presidencial terá de contar com o aval de ambos os partidos – algo que parece improvável, seja para formar uma chapa própria, seja para apoiar outro candidato.

Esse cenário de divisão dificulta que o União Brasil feche questão em torno de um único nome, abrindo caminho para que cada ala apoie o candidato de sua preferência. Tal fragmentação, por sua vez, favorece os planos de reeleição de Lula, que busca manter o apoio da ala governista do partido. A substituição do ministro Juscelino Filho (MA) pelo deputado Pedro Lucas Fernandes, líder da bancada na Câmara e também do Maranhão, reforça essa estratégia, ao preservar o espaço da sigla no governo. Além dos três ministros do União na Esplanada, Davi Alcolumbre tem sido um grande aliado do governo, podendo desempenhar um papel relevante como articulador político pró-Lula.

Assim, qualquer que seja o caminho escolhido pelo União Brasil, a sigla terá peso significativo no resultado das eleições do próximo ano. Mais do que isso, o partido será peça essencial para a estabilidade política do futuro governo, dado o seu foco em manter uma presença robusta no Congresso.

PSDB deve anunciar fusão com Podemos até o fim de abril

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2018, Brasília - Senador Aécio Neves (PSDB-MG) fala à imprensa após o STF aceitar denúncia da PGR contra si, pelos crimes de corrupção e obstrução de Justiça
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O PSDB deve oficializar sua fusão com o Podemos até o fim de abril, com expectativa de anúncio no dia 29. A união representa uma tentativa de revitalizar as forças tucanas, que vêm enfrentando uma crise prolongada e perda de relevância nas últimas eleições.

Juntos, os dois partidos somam 25 cadeiras na Câmara dos Deputados — 13 do PSDB e 12 do Podemos. No Senado, o Podemos já supera os tucanos: tem quatro cadeiras, contra três do PSDB. Em termos de governos estaduais, o PSDB administra atualmente Mato Grosso do Sul (Eduardo Riedel) e Rio Grande do Sul (Eduardo Leite), enquanto Raquel Lyra, eleita em Pernambuco pelo partido, migrou para o PSD.

PSDB tenta renascer com nova aliança

A fusão é vista como a última cartada do PSDB para evitar sua derrocada. O partido, que já elegeu presidente da República, governadores em diversos estados e foi um dos principais protagonistas da política nacional por décadas, enfrenta um esvaziamento acelerado. Nas eleições de 2022, amargou o pior desempenho de sua história: não lançou candidato à presidência, perdeu o governo de São Paulo, não elegeu senadores e reduziu sua já reduzida bancada na Câmara pela metade.

Além disso, a federação com o Cidadania, firmada em 2022, fracassou. Os dois partidos encerraram oficialmente a união após insatisfações mútuas, especialmente pela falta de integração política e estratégica. O presidente do Cidadania, Comte Bittencourt, criticou a postura dos tucanos, afirmando que o PSDB foi pouco generoso com as pautas da legenda aliada.

Tentativa de segurar Eduardo Leite e outras lideranças

Internamente, a fusão também busca segurar lideranças ameaçadas de debandada. Um dos principais focos é Eduardo Leite. O governador do Rio Grande do Sul já manifestou interesse em migrar para o PSD, mas o presidente do PSDB, Marconi Perillo, tenta mantê-lo no partido com a promessa de lançá-lo como candidato à Presidência da República. Nas eleições de 2022, Leite também foi colocado como presidenciável, mas acabou concorrendo à reeleição no RS.

— Já comunicamos, tanto eu quanto Renata, que ele é o nosso candidato à Presidência. Terá todo o espaço e apoio nesse sentido — afirmou Perillo.

No entanto, o movimento ainda enfrenta resistência em pelo menos quatro estados: Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Goiás e Bahia. Em Pernambuco, o PSDB rompeu com a governadora Raquel Lyra, hoje no PSD, enquanto o Podemos segue aliado a ela. Na Bahia, o Podemos é governista, alinhado ao PT, enquanto o PSDB faz oposição.

Em Goiás, Marconi Perillo pretende disputar o governo estadual em 2026, mas enfrenta resistência dentro do próprio Podemos, cujo presidente estadual é aliado do atual governador Ronaldo Caiado, adversário histórico de Perillo. Já em Mato Grosso do Sul, a fusão pode levar à saída de Eduardo Riedel, atual governador tucano, que também está de malas prontas para o PSD.

Projeto de lei propõe imposto para produtos que são poluentes

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smoking factory during daytime

O deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) apresentou o Projeto de Lei Complementar 29/25, que propõe a cobrança de um imposto sobre poluição ambiental, para produtos e serviços que poluem o meio ambiente. A ideia é aplicar o imposto em atividades que liberam gases de efeito estufa, como o gás carbônico (CO₂), durante a produção ou venda.

Esse imposto já existe para produtos que fazem mal à saúde e ao meio ambiente, e agora poderá ser ampliado para incluir também as emissões de gases poluentes.

Como será calculado

O valor do imposto sobre poluição ambiental será baseado na quantidade de CO₂ equivalente emitida por mês. Essa é uma medida que compara o impacto de diferentes gases com o do dióxido de carbono (CO₂) no aquecimento global.

A alíquota (percentual cobrado) será definida em lei, levando em conta a quantidade de gases poluentes emitidos. A proposta também prevê um limite mínimo de emissões mensais — ou seja, quem poluir pouco pode ficar isento.

Quem pode ficar isento

A proposta permite que a lei isente ou cobre uma alíquota zero de pequenos produtores, como:

  • Agricultura familiar
  • Práticas agroecológicas
  • Pequenas empresas

Por que criar esse imposto?

Segundo o deputado Tatto, o imposto pode aumentar a competitividade dos produtos brasileiros, especialmente os agrícolas, no mercado internacional. Ele cita que a União Europeia já começou a cobrar taxas ambientais de importações e pretende colocar o sistema em prática completamente até 2034. Sem um sistema parecido no Brasil, nossos produtos podem sair perdendo no mercado externo.

Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), de 2022, citado por Tatto, afirma que é melhor cobrar diretamente pelas emissões de carbono do que criar um mercado de créditos de carbono, porque é mais simples e evita especulação.

O que vem agora

A proposta será discutida em três comissões da Câmara dos Deputados:

  • Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
  • Finanças e Tributação
  • Constituição e Justiça e de Cidadania

Se for aprovada nessas comissões, segue para votação no Plenário da Câmara e, depois, no Senado. A proposta busca inserir o Brasil no grupo de países que já adotam o imposto sobre poluição ambiental como ferramenta de proteção climática e competitividade econômica.

Primeiro papa latino-americano, Francisco morre aos 88 anos

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14.06.2024 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com Sua Santidade o Papa Francisco , no Hotel Borgo Egnazia. Puglia – Itália

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O Vaticano confirmou, nesta segunda-feira (21), a morte do papa Francisco, aos 88 anos, às 2h35 (horário de Brasília), logo após o domingo de Páscoa. Jorge Mario Bergoglio, que liderou a Igreja Católica por quase 12 anos, deixa um legado de reformas, acolhimento e defesa dos mais vulneráveis. “O Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai”, informou o comunicado oficial da Santa Sé.

Francisco foi o 266º papa da história e o primeiro latino-americano a assumir o posto máximo da Igreja. Nascido em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936, Bergoglio foi também o primeiro jesuíta a ocupar o trono de Pedro. Sua eleição, em 13 de março de 2013, ocorreu após a renúncia histórica de Bento XVI.

Complicações respiratórias

Francisco havia enfrentado um longo período de internação por problemas respiratórios. Inicialmente diagnosticado com bronquite, seu quadro evoluiu para uma infecção polimicrobiana e, posteriormente, uma pneumonia bilateral. Após 40 dias no hospital Agostino Gemelli, em Roma, ele recebeu alta, mas seu estado de saúde continuou instável.

Durante os momentos mais críticos, o papa chegou a ter dificuldades para discursar em audiências públicas e passou a contar com auxiliares para ler sermões. Apesar da fragilidade, manteve sua presença em atividades religiosas sempre que possível.

Pontificado moldado pela simplicidade e pelas reformas

Desde o início de seu papado, Francisco se destacou por sua postura humilde. Recusou luxos e optou por uma vida simples, próximo das pessoas. Ao escolher o nome Francisco, homenageou São Francisco de Assis, protetor dos pobres, símbolo da pobreza e do cuidado com os marginalizados.

Seu papado foi marcado por discursos firmes contra desigualdades sociais e econômicas. Ele criticou líderes de países que iniciaram guerras, como Vladimir Putin e Benjamin Netanyahu, e a União Europeia, durante a crise dos refugiados. Uma das imagens mais marcantes de sua liderança foi a oração solitária na até pouco antes lotada Praça de São Pedro, durante a pandemia da Covid-19, enquanto os fiéis estavam de quarentena.

Foto: Reprodução

Francisco era conhecido por se entregar ao papado, como recentemente, mesmo com complicações de saúde, aparecendo para milhares de pessoas na Praça de São Pedro no dia anterior à sua morte, o domingo de Páscoa, para dar sua bênção.

Combate à pobreza e reforma do Vaticano

A luta contra a pobreza foi um dos pilares de seu pontificado. Francisco reformou a Cúria Romana, estrutura administrativa da Igreja, e promoveu maior transparência nas finanças do Vaticano, encerrando contas suspeitas do banco da Santa Sé.

Seu lema, Miserando atque eligendo (“Olhou-o com misericórdia e o escolheu”), refletiu sua missão de misericórdia, compaixão e acolhimento — características que lhe renderam prestígio entre católicos, agnósticos e até não-crentes.

Francisco buscou aproximar a Igreja do mundo contemporâneo, promovendo debates sobre temas delicados como os direitos LGBTQIA+, o papel da mulher na Igreja e a inclusão social. Ele autorizou a bênção a casais do mesmo sexo, permitiu que mulheres votassem no Sínodo dos Bispos e ocupassem cargos de liderança no Vaticano.

De Buenos Aires ao Vaticano

Filho de imigrantes italianos, Jorge Mario Bergoglio era técnico químico e professor de literatura antes de ingressar no seminário jesuíta. Tornou-se sacerdote em 1969, liderou a Companhia de Jesus na Argentina, foi reitor da Faculdade de Filosofia e Teologia de San Miguel e, mais tarde, arcebispo de Buenos Aires. Conhecido pelo seu carisma, era torcedor assumido do San Lorenzo.

Em 2001, foi nomeado cardeal pelo papa João Paulo II. Sua eleição como papa, em 2013, aconteceu em meio a uma crise de confiança na Igreja. O então papa, Bento XVI, decidiu renunciar ao cargo, se tornando então papa emérito. O papa Bento XVI faleceu em 2022.

Bergoglio assumiu com a missão de restaurar a imagem da instituição. Era visto como um homem tímido e de poucas palavras, mas de grande prestígio entre os fiéis, conhecido por estar sempre disponível e por não ostentar luxos.

“Quando os votos chegaram aos dois terços, começaram a aplaudir, porque o papa tinha sido eleito. E ele [o cardeal brasileiro Dom Cláudio Hummes] me abraçou, me beijou e disse: ‘Não se esqueça dos pobres’”, lembrou o pontífice, em 2013, sobre sua eleição.

“Aquela palavra entrou na minha cabeça: os pobres. Pensei em Francisco de Assis. Depois pensei nas guerras, enquanto a apuração prosseguia. E Francisco é o homem da paz. E assim o nome saiu do meu coração: Francisco de Assis. Como eu queria uma Igreja pobre, para os pobres.”

Funeral e sucessão

Até o momento, o Vaticano ainda não divulgou os detalhes sobre o funeral do pontífice. O colégio de cardeais deverá se reunir nas próximas semanas para o conclave, que elegerá o novo papa. Francisco desejava que seu sucessor desse continuidade às reformas iniciadas durante seu pontificado.

Análise: Mais dúvidas que certezas na sucessão presidencial

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Técnicos do TRE-DF realizam a conferência e a lacração de urnas eletrônicas para o 1º turno das Eleições 2022. sucessão
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Existem muitas dúvidas sobre a sucessão presidencial de 2026. Uma delas é: quem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apoiará, caso não consiga reverter a condição de inelegibilidade (cenário mais provável)? Até agora, mesmo inelegível, ele diz que irá concorrer. Alguns nomes cotados são o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos filhos do próprio ex-presidente, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD).

Outra dúvida importante é se Lula vai recuperar sua popularidade ou se, diante de um cenário econômico mais turbulento, em especial no cenário internacional, sua imagem sofrerá ainda mais impactos negativos.

Como consequência, outra dúvida surge. Lula teria disposição de concorrer mesmo que a sua popularidade caísse a patamares perigosos, colocando em risco a chance de reeleição? Os questionamentos em relação à saúde do presidente também são frequentes, embora neste momento ele demonstre estar em plenas condições físicas de tentar um novo mandato.

E, caso Lula continue com desempenho ruim nas pesquisas, será que ele adotaria medidas populistas com impacto fiscal relevante apenas para garantir um novo mandato? E, se não concorrer, quem seria seu sucessor entre os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) e Camilo Santana (Educação)?

Apesar de todas as incertezas a cerca de 18 meses da eleição, algumas questões parecem bem claras. Uma delas é a de que o PT, com ou sem Lula, apresentará uma candidatura muito competitiva. Dificilmente Lula ou um candidato apoiado por ele obteria menos de 35% das intenções de voto numa corrida eleitoral. Outra certeza é a de que a liderança de Bolsonaro continuará muito forte. Ou seja, um candidato apoiado por ele, ainda que possa carregar uma rejeição alta, parte de um índice de intenção de voto bastante expressivo (superior a 25%).

Como resultado dessas duas constatações, o espaço para uma terceira via fica reduzido. Entre possíveis pré-candidatos fora dos campos petista e bolsonarista, nenhum empolgará o eleitor sem o apoio de uma das duas principais lideranças políticas do país. Em resumo: os governadores Eduardo Leite (PSDB-RS), Ronaldo Caiado (União-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Júnior (PSD) não ameaçam o rompimento da polarização que temos hoje no país.

Como será a semana – 21/4 a 25/4

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Como será a semana, agenda

Apesar do feriado de Tiradentes (21), espera-se uma semana agitada. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), discute com líderes da casa PL da Anistia. A bancada do União debate indicação do líder Pedro Lucas (MA) para o Ministério das Comunicações. Também pode ser instalada Comissão Especial para analisar PL que isenta de imposto de renda as pessoas físicas que recebem até R$ 5 mil mensais.

AGENDA POLÍTICA DA SEMANA

Próxima semana
• O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reúne com líderes partidários
para discutir o PL da Anistia.
• Prevista instalação da Comissão Especial destinada a analisar o projeto de lei que isenta
de imposto de renda as pessoas físicas que recebem até R$ 5 mil mensais.
• O líder do União na Câmara, Pedro Lucas (MA), se reúne com a bancada para discutir
convite do presidente Lula para assumir o comando do Ministério das Comunicações e sua
substituição no cargo de líder.

Segunda-feira (21/04)
• Feriado nacional (Dia de Tiradentes).
• Comitiva liderada pelo ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, inicia
viagem por países da Europa (Portugal, Holanda e Dinamarca) para apresentar a
investidores detalhes do projeto do túnel que ligará as cidades paulistas Santos e Guarujá.

Terça-feira (22/04)
• A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara realiza audiência pública, às 14h, sobre
aspectos econômicos e financeiros relacionados à COP30.
• Prevista instalação, às 15h, de Comissão Mista para analisar a MP 1291/25, que visa
modificar a lei que criou o Fundo Social, que utiliza recursos da exploração de petróleo e
gás para o desenvolvimento social e regional.
• Prevista instalação, às 15h10, de Comissão Mista para analisar a MP 1292/25, que trata
do crédito consignado privado.
• Prevista instalação, às 15h10, de Comissão Mista para analisar a MP 1293/25, que
reajusta em 9% o soldo das Forças Armadas.
• A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal julga, nesta terça e quarta, denúncia da
Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o Núcleo 2 (de acordo com a PGR,
responsável pela organização de ações para manter de forma ilegítima Jair Bolsonaro no
poder) por tentativa de golpe.
• A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado ouve, às 10h, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre as diretrizes, a implementação e as perspectivas da
política monetária.

Quarta-feira (23/04)
• A Comissão de Constituição e Justiça do (CCJ) Senado pode votar PEC 12/22, altera a
Constituição para determinar a inelegibilidade para o mesmo cargo dos chefes do Poder
Executivo no período subsequente e definir seus mandatos em cinco anos (regras
eleitorais).
• A CCJ do Senado também discute o plano de trabalho para o PLP 108/22, que trata do
Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (Regulamentação da Reforma
Tributária).
• A Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do
Consumidor promove audiência pública, às 15h, com o presidente do IBGE, Marcio
Pochmann, a fim de prestar informações sobre a crise na gestão do órgão.
• O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa, até sexta-feira, das reuniões
de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, nos Estados
Unidos.
• A Confederação Nacional da Indústria divulga Sondagem Industrial.

Quinta-feira (24/04)
• A Comissão de Constituição e Justiça do Senado realiza audiência pública sobre o Projeto
de Lei Complementar n° 112, de 2021, que dispõe sobre as normas eleitorais e as
normas processuais eleitorais brasileiras (Desincompatibilização, Inelegibilidades e
Crimes Eleitorais, Sistema Eletrônico de Votação).

Sexta-feira (25/04)
• Reuniões de Primavera de 2025 do Grupo Banco Mundial (GBM) e do Fundo Monetário
Internacional (FMI), em Washington. O evento vai até domingo (27).
• IBGE divulga IPCA-15 de abril.
• A Confederação Nacional da Indústria divulga os resultados setoriais do Índice de
Confiança do Empresário Industrial (ICEI).

Mudanças climáticas impactam o agronegócio e desafiam produtores

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Manaus (AM), 22/11/2023, Chão rachado devido ao nível baixo do rio Igarapé Tarumã-açu, na maior seca em 121 anos que Manaus vem sofrendo.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

As mudanças climáticas são um cenário cada vez mais presente no mundo, e os agricultores precisam se manter atualizados e preparados para lidar com essas questões. Em cada região do Brasil há um desafio diferente.

No Nordeste, a crescente escassez de água e a intensificação de períodos de seca comprometem a produção de culturas como a cana-de-açúcar e o feijão. O Semiárido Nordestino já é responsável por 10% da produção nacional de feijão, mas as mudanças climáticas têm acelerado a desertificação da região. A temperatura média no local aumentou 1,5°C nas últimas três décadas, e a expectativa é de que a escassez de água afete mais de 60% da área irrigada até 2050, aumentando a dependência de sistemas de irrigação caros e com menor eficiência.

No Sudeste a irrigação é mais comum, entretanto, o aumento da frequência de eventos climáticos extremos no estado de São Paulo, maior produtor de cana-de-açúcar do país, tem provocado perdas significativas. Em 2020, o estado enfrentou uma seca histórica, com uma redução de 25% dessa produção, gerando uma perda de mais de R$ 5 bilhões no setor. Enquanto isso, os produtores de café no sul de Minas Gerais têm tido de enfrentar a alteração nos padrões de chuva, o que afeta a produtividade. O estado é responsável por 70% da produção nacional de café e já enfrenta uma queda de 5% na produtividade devido ao aumento das temperaturas.

A soja, que representa 70% das exportações agrícolas do país, registrou uma redução de 10% na produtividade média na Região Sul nos últimos dez anos, devido à maior variabilidade climática. As projeções indicam que, até 2050, a redução de chuva e o aumento da temperatura podem diminuir a produtividade da soja em até 20%. Ainda no Sul, as altas temperaturas podem reduzir em 13% a produção de milho até 2030.

E, por fim, o Centro-Oeste, uma das regiões mais importantes para o agronegócio brasileiro, já vivencia uma diminuição de suas áreas agricultáveis, com aproximadamente 28% delas deixando de estar no padrão climático ideal para o cultivo, conforme estudo publicado na revista Nature Climate Change. Caso não sejam adotadas medidas sustentáveis, essa taxa pode chegar a 50%, até 2030, e até 74%, em 2060. A irregularidade das chuvas e o aumento das temperaturas têm alterado os ciclos produtivos, impactando a produtividade e a qualidade das colheitas. Tais mudanças podem exigir adaptações nos sistemas de irrigação e manejo do solo, além de investimentos em tecnologias que permitam minimizar os efeitos climáticos adversos e garantir a sustentabilidade da produção na região.

Dificuldades climáticas

A vulnerabilidade da produção agrícola, para ser superada, depende da capacidade de adaptação dos produtores, do acesso a tecnologias e de disponibilidade financeira para que se implementem soluções sustentáveis. Como explica o pesquisador Giampaolo Pellegrino, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), na área de Mudanças Climáticas Globais: “Culturas como soja, milho e café, que exigem condições climáticas mais estáveis, são especialmente afetadas, enquanto culturas como cana-de-açúcar e mandioca, mais resilientes, enfrentam menores impactos. No entanto, eventos climáticos extremos, como enchentes e ondas de calor, podem atrasar os ciclos de colheita e dificultar a safra subsequente, comprometendo a estabilidade da produção agrícola em todo o país.”

De acordo com Pellegrino, o aumento da temperatura, combinado com a escassez hídrica, é o principal desafio enfrentado pelo setor. “A planta precisa de mais água para o seu desenvolvimento, e a falta desse recurso compromete seus processos fisiológicos, causando perdas significativas na produção”, explica. Mudanças como secas prolongadas, chuvas extremas e temperaturas elevadas afetam diretamente o solo, o desenvolvimento das safras e a colheita, reduzindo a produtividade e colocando em risco a segurança alimentar.

Nesse cenário, produtores têm adotado estratégias para minimizar os impactos das mudanças climáticas. Entre as soluções, destacam-se o uso de sementes geneticamente modificadas, conhecidas como OGMs, que são Organismos Geneticamente Modificados a partir da técnica da transgenia. Essa alteração no seu DNA permite que mostrem uma característica que não tinham antes. No Brasil, foram plantados 40,3 milhões de hectares com sementes de soja, milho e algodão transgênicos em 2013, com um crescimento de 10% em relação ao ano anterior. Hoje, entre as culturas desenvolvidas no país com biotecnologia, 92% da soja, 90% do milho e 47% do algodão são geneticamente modificados.

Sustentabilidade

A modernização da agricultura exige investimentos na adoção de práticas sustentáveis, como a rotação de culturas e a incorporação de matéria orgânica no solo, o que pode aumentar os custos iniciais para os produtores. A necessidade de novos maquinários, como plantadeiras adaptadas e trituradores, e o uso de tecnologias avançadas, como sensores de umidade e drones, elevam os gastos. A pesquisa para identificar as melhores combinações de culturas e a capacitação da mão de obra também representa desafios financeiros. Essas técnicas melhoram a fertilidade do solo, reduzem a dependência de fertilizantes químicos, minimizam a necessidade de irrigação e favorecem o controle natural de pragas e doenças. Apesar do investimento inicial elevado, os ganhos a longo prazo garantem maior eficiência produtiva e resiliência diante das mudanças climáticas.

Outras técnicas são a criação de microclimas e o zoneamento de riscos climáticos, que também envolvem custos iniciais, como o investimento em infraestrutura para o plantio de árvores, a instalação de barreiras vegetais e a aplicação de cobertura morta, além da compra de tecnologias para monitoramento, como sensores e softwares de análise ambiental. A capacitação da mão de obra é igualmente necessária para o manejo adequado dessas práticas. Por outro lado, essas modernizações, que incluem o uso de tecnologias avançadas e o manejo sustentável, promovem uma agricultura mais eficiente, com menor dependência de insumos externos e maior resiliência às mudanças climáticas. Como já dito, embora os custos iniciais sejam altos, os benefícios a longo prazo, como a adaptação ao clima e a redução de perdas, justificam o investimento.

Análise: LAAD 2025 impulsiona indústria de Defesa brasileira e abre novas frentes de parcerias estratégicas

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A 15ª edição da LAAD Defense & Security, realizada entre 2 e 4 de abril de 2025 no Rio de Janeiro, consolidou-se como um marco para a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira. Com mais de 400 expositores, cerca de 200 delegações oficiais e representantes de 40 países, a feira não apenas firmou contratos expressivos, como também abriu novas frentes de colaboração com gigantes da indústria global. Em um ambiente internacional tensionado por conflitos e disputas geoestratégicas, o evento reafirmou o potencial do Brasil como fornecedor confiável de soluções de defesa e segurança.

A conjuntura internacional e seus reflexos na LAAD

O prolongamento da guerra na Ucrânia, a tensão no mar da China Meridional e o fortalecimento de blocos militares como a OTAN estão remodelando prioridades de defesa em todo o mundo. Essa realidade ficou evidente na LAAD 2025, onde delegações de diversos países demonstraram forte interesse em tecnologias relacionadas a guerra eletrônica, ciberdefesa, munições inteligentes, drones e sistemas de defesa antiaérea — capacidades que ganharam centralidade nos conflitos contemporâneos.

A busca por fornecedores alternativos, com alto grau de confiabilidade e menor dependência política, abriu oportunidades concretas para a indústria brasileira. O Brasil, por não estar diretamente envolvido em disputas entre grandes potências e manter uma política externa de caráter pragmático, passou a ser visto como um parceiro estratégico e confiável — sobretudo por países da África, América Latina, Sudeste Asiático e Oriente Médio.

Atuação institucional e diplomacia da defesa

O Ministério da Defesa do Brasil teve participação ativa no evento, com cerca de 60 reuniões bilaterais realizadas com representantes de 30 países. O foco esteve na promoção da BID, na identificação de sinergias tecnológicas e no estímulo à cooperação em áreas como cibersegurança, comunicações criptografadas e modernização de tropas.

Essa atuação diplomática reforçou a imagem do Brasil como ator relevante na nova arquitetura global de segurança, demonstrando disposição para fornecer soluções tanto para países com orçamento restrito quanto para nações que buscam diversificar fornecedores diante das incertezas geopolíticas.

Avanços concretos para a indústria nacional

A feira foi palco de importantes anúncios. A Embraer vendeu quatro aeronaves C-390 Millennium para a Suécia, ampliando sua penetração em mercados estratégicos. A Marinha do Brasil, por sua vez, firmou parceria com a empresa SIATT e com o conglomerado EDGE, dos Emirados Árabes, para o desenvolvimento do míssil antinavio MANSUP e de sua versão de longo alcance (MANSUP-ER). Também foi assinado um memorando com a Marinha Real Britânica para aquisição de dois navios da classe Albion, reforçando a interoperabilidade com parceiros europeus.

Essas iniciativas evidenciam a maturidade tecnológica da BID e sua capacidade de participar de cadeias produtivas globais, mesmo em um contexto de escassez de componentes e pressão por autonomia estratégica nos países compradores.

Diálogos promissores com grandes players internacionais

Durante o evento, empresas como BAE Systems, Rheinmetall, Hanwha e Leonardo participaram de encontros com o Exército Brasileiro, interessadas em integrar programas como o SISFRON, o Forças Blindadas e o Programa de Defesa Cibernética. A BAE Systems, em particular, sinalizou interesse em colaborar com o fornecimento de plataformas adaptadas às especificidades da Força Terrestre, com possibilidade de produção local e transferência de tecnologia.

Essas tratativas podem resultar em acordos estruturantes, nos quais o Brasil não apenas recebe equipamentos prontos, mas passa a integrar o ciclo de desenvolvimento, produção e manutenção — fator essencial em tempos de cadeias logísticas sob pressão e crescente regionalização das capacidades industriais de defesa.

Projeção internacional da BID

A demanda crescente por tecnologias de comando e controle, radares táticos, comunicações seguras, armamentos inteligentes e soluções não letais abriu espaço para empresas como AEL Sistemas, Avibras, Kryptus, CONDOR e IACIT. Países de diversas regiões buscaram informações sobre capacidades específicas da indústria brasileira, especialmente em áreas como guerra eletrônica, mísseis táticos, inteligência artificial embarcada e neutralização de drones hostis — todas tecnologias impulsionadas por aprendizados diretos do campo de batalha na Ucrânia.

A LAAD 2025 foi mais do que uma feira de exposição: foi um termômetro da nova geopolítica da defesa. Em um mundo onde a competição entre potências redefine alianças e onde a guerra volta a ser fator determinante nas decisões estratégicas, o Brasil se apresentou como um ator equilibrado, com indústria em processo de amadurecimento, política externa pragmática e capacidade de fornecer soluções sob medida.

Os contratos assinados, as dezenas de reuniões bilaterais e os acordos em negociação apontam para um novo ciclo de crescimento da BID brasileira.