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STF mantém prisão de Collor; Moraes analisa prisão domiciliar por razões médicas

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Ex-presidente e atual senador Fernando Collor
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta segunda-feira (28) um prazo de 48 horas para que a defesa do ex-presidente Fernando Collor de Mello (sem partido) apresente informações detalhadas sobre seu estado de saúde. O objetivo é analisar o pedido de prisão domiciliar feito após a decretação de sua detenção na última quinta-feira (25).

Collor foi condenado em 2023 a 8 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no contexto da Operação Lava Jato. Segundo a acusação aceita pelo STF, ele recebeu cerca de R$ 20 milhões em vantagens indevidas por meio de contratos com a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, durante o período em que atuava como dirigente do PTB, entre 2010 e 2014.

A defesa do ex-presidente alega que ele tem 75 anos e sofre de diversas comorbidades, incluindo doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar. Em função dessas condições, os advogados solicitaram a conversão da pena em prisão domiciliar. Moraes também determinou sigilo sobre os documentos médicos apresentados.

O Partido da Renovação Democrática (PRD) anunciou na semana passada a expulsão de Collor dos quadros do partido. Segundo a sigla, a decisão se deu pelo “compromisso com todos os preceitos basilares da democracia brasileira, com a verdade, boa administração e honestidade”.

STF forma maioria para manter Collor preso

Enquanto isso, o plenário virtual do STF formou maioria para manter a prisão do ex-presidente. O placar terminou em 6 votos a 4, com o ministro Cristiano Zanin se declarando impedido, como geralmente faz em processos relacionados à Lava Jato, em que atuou na defesa de acusados.

Para André Mendonça, a defesa ainda teria direito de apresentar embargos divergentes, o que invalidaria a tese de que os recursos são apenas protelatórios. “O recurso em exame não se afigura meramente protelatório, mas integrante legítimo de seu direito à ampla defesa”, julgou o ministro.

Apesar disso, a maioria dos ministros entendeu que os recursos da defesa têm caráter protelatório, ou seja, que têm o intuito de atrasar decisões da Justiça, o que então justificaria o início imediato do cumprimento da pena.

Mauro Vieira defende atuação do BRICS pela paz e reforma da ONU

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Rio de Janeiro (RJ), 28/04/2025 – O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, abre a Reunião de Chanceleres da presidência brasileira do BRICS, no Palácio do Itamaraty.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Durante a abertura do encontro de ministros de Relações Exteriores do BRICS, realizado nesta segunda-feira (28) no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, o chanceler brasileiro Mauro Vieira pediu que o grupo atue de forma mais incisiva para buscar soluções diplomáticas para conflitos regionais e guerras em curso, como na Ucrânia e na Faixa de Gaza.

No discurso, Vieira evitou mencionar diretamente a Rússia — representada no evento pelo ministro Sergey Lavrov — mas destacou que o conflito ucraniano “continua a causar pesado impacto humanitário”, e reforçou a necessidade de uma solução baseada nos princípios da Carta das Nações Unidas.

Vieira lembrou ainda os esforços do Brasil junto à China na criação do Grupo de Amigos da Paz, formado em setembro passado em Nova Iorque, e reiterou o compromisso brasileiro com a busca de soluções políticas e diplomáticas para crises internacionais.

Defesa do multilateralismo e reforma da governança global

O ministro ressaltou que o encontro acontece em um momento de erosão do multilateralismo, marcado por emergências humanitárias, conflitos armados e instabilidade política. Para Vieira, o BRICS, agora com 11 países membros, representa uma força única por reunir quase metade da população mundial e grande diversidade cultural e geográfica.

Ele defendeu que o BRICS deve atuar como uma “coalizão de cooperação” e não de confronto, promovendo um mundo multipolar onde a segurança seja um direito de todos. Vieira reiterou a prioridade da presidência brasileira no BRICS em buscar a reforma do Conselho de Segurança da ONU, para que a governança global reflita “as realidades geopolíticas contemporâneas”.

Conflitos também são pauta

Vieira condenou veementemente a retomada dos bombardeios israelenses em Gaza e a obstrução de ajuda humanitária, reafirmando o apoio do Brasil à solução de dois Estados, com a Palestina independente nas fronteiras de 1967 e Jerusalém Oriental como capital.

O chanceler também citou a situação crítica no Haiti, as tensões no Sudão, na região dos Grandes Lagos e no Chifre da África, defendendo acesso humanitário incondicional e imparcial. Segundo ele, “o sofrimento humano jamais deve ser instrumentalizado”.

Entenda o BRICS

Fundado em 2006, o BRICS inicialmente reunia Brasil, Rússia, Índia e China, recebendo a África do Sul em 2011. Em 2023, o bloco passou por uma ampliação, com a entrada de Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, enquanto alguns outros processos de adesão de países ainda estejam em formalização.

Hoje, o grupo responde por 39% da economia global, 48,5% da população mundial e concentra 72% das reservas de terras raras do planeta. O Brasil será sede da próxima cúpula do bloco, em 6 e 7 de julho, também no Rio de Janeiro.

Lucas de Aragão avalia os cenários políticos para 2026

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Lucas de Aragão fala sobre as eleições de 2026
Foto: Reprodução

Durante o evento Safra Macro Day, nesta segunda-feira (28), um dos participantes do painel sobre o cenário eleitoral brasileiro, o sócio da Arko Advice Lucas de Aragão, avaliou que há riscos importantes para o governo nas próximas eleições já que apesar dessa pesquisa indicaram uma queda na popularidade de Lula (PT). “Para mim, é um cenário em que o governo chega em situação competitiva, mas com um altíssimo risco em 2026. A pesquisa mostra o que já indicava antes: uma oposição extremamente competitiva. O problema da oposição é se organizar”, afirmou.

Em relação às pesquisas, Lucas comentou: “Eu não vejo Brasília, o mundo político, os atores políticos se movimentando em torno de cada pesquisa que sai”. Ele destacou ainda o afastamento do Centrão em relação ao governo, mencionando a negativa do líder do União Brasil, Pedro Lucas (MA), em assumir o Ministério das Comunicações. “Cada vez mais percebemos um distanciamento do Centrão. Hoje, participar desse governo está pouco atrativo”, avaliou. Sobre a federação entre União Brasil e PP, Lucas afirmou que a aliança “já nasce dividida” e que, provavelmente em 2026, estará distante do governo.

Movimentações para 2026

Quanto aos fatores que podem influenciar as eleições de 2026, Lucas de Aragão apontou que o cenário dependerá de diversas variáveis, como a saúde de Jair Bolsonaro, uma possível prisão do ex-presidente e a movimentação dos partidos. “Se Tarcisio de Freitas se viabilizar, ele já nasce com o apoio de quatro das principais siglas do Centrão”, disse.

Ele também destacou a importância da desincompatibilização prevista para abril de 2026, que poderá alterar o quadro de alianças. “O tempo da política é o primeiro semestre de 2026. Para os presidentes dos partidos, pouco importa se Lula ou Bolsonaro vão ganhar; o que eles querem saber é o quanto suas bancadas terão de força no Congresso.”

Sobre a configuração do Congresso a partir de 2027, Lucas prevê um Senado mais conservador: “Dois terços do Senado serão renovados. Podemos ter um Senado totalmente de centro-direita em 2027, muito diferente do atual. À direita é melhor para produzir pautas. A diferença entre a Câmara e o Senado ficará ainda mais clara.”

Haddad viaja aos EUA para avançar com política de data centers

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), viajará para os Estados Unidos neste fim de semana para avançar com a Política Nacional de Data Centers. A matéria prevê incentivos fiscais sobre equipamentos usados na fase de implantação dos centros de processamento de dados. Outras agendas de tecnologia também integram as discussões da viagem que inicia nesta sexta-feira (2), e termina na quinta-feira (8).

Itinerário

Assim, Haddad parte de São Paulo nesta sexta-feira (2), às 20h, com destino a Los Angeles, na Califórnia. No domingo (4), ele participa de um jantar privado oferecido pelo Milken Institute, com a presença de investidores internacionais. Nesse encontro inicial, para se contextualizar, o ministro receberá informações sobre a atual situação da economia norte-americana.

Na segunda-feira (5), Haddad realiza uma reunião bilateral com o diretor financeiro da Google para discutir inteligência artificial. Depois, participa de dois painéis promovidos pelo Milken Institute, onde abordará o cenário econômico brasileiro — incluindo G20 e financiamento climático — para investidores interessados em direcionar recursos ao Brasil.

À tarde, o ministro viaja para San José, onde se reúne com a CEO da NVIDIA e visita as instalações da empresa. Na terça-feira (6), participa de um café da manhã com players globais e se reúne com executivos da Amazon para discutir amplamente a política de data centers. À noite, Haddad aterrissa na Cidade do México.

Com o objetivo de aprofundar as relações bilaterais com o México, na quarta (7), Haddad se reúne com atores econômicos brasileiros que atuam no país, como também, com o Secretário da Fazenda e Crédito Público mexicano. A previsão é que o ministro chegue em Brasília na madrugada da quinta-feira (8).

Governo espera alavancar R$ 10 bilhões em novo leilão do programa Eco Invest Brasil

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Brasília (DF), 11/10/2023, Prédio do Ministério da Fazenda, na Esplanada dos MInistérios em Brasília.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (28), o segundo leilão do programa Eco Invest, que busca movimentar R$ 10 bilhões em financiamentos para projetos sustentáveis. Assim, este novo pregão tem como foco recuperar terras degradadas. Os interessados podem enviar as propostas até 13 de junho deste ano.

O leilão mescla capital público e privado, subsidiando linhas de crédito para estimular iniciativas sustentáveis, reduzindo ainda a exposição ao risco cambial. Conforme anunciado, o projeto visa recuperar 1 milhão de hectares de terras degradadas, nos biomas da Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal.

O Ministério da Fazenda afirmou que avaliará cada lance pelo nível de alavancagem e pelo volume de hectares a serem recuperados, com valor mínimo de R$ 100 milhões. Também permitirá a criação de Fundos do Agronegócio (Fiagros) e Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) para estruturar as operações, viabilizando novos veículos financeiros dedicados ao tema. Essa medida busca atrair mais capital para o programa, assim, fortalecendo o financiamento de projetos de recuperação de terras degradadas.

Destinação dos recursos do leilão

O leilão do Eco Invest destinará os recursos mobilizados a produtores rurais, cooperativas agropecuárias e empresas ligadas às cadeias produtivas do agronegócio, bem como fabricantes de bioinsumos, empresas de tecnologia agrícola, frigoríficos, processadoras de alimentos, usinas de biocombustíveis e traders.

Os projetos financiados deverão ainda cumprir critérios ambientais rigorosos. O monitoramento contínuo do impacto ambiental é uma das exigências, incluindo a medição das emissões de GEE. Também são necessárias análises periódicas da qualidade do solo e a ampliação da cobertura vegetal permanente. As instituições participantes devem destinar pelo menos 50% de sua carteira de investimentos para a produção de alimentos. Dentro desse percentual, devem priorizar a proteína animal e as lavouras.

No primeiro leilão do programa, feito no ano passado, o resultado foi de um investimento público de R$ 6,8, alavancando R$ 37,8 bilhões, o que representa uma alavancagem média de 6,5.

Rodolfo Nogueira critica entraves burocráticos e alta do diesel

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Deputado Rodolfo Nogueira, presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados
Foto: Claudio Reis/Câmara dos Deputados

 

O presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara, deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), avaliou em entrevista exclusiva à Arko Advice que, além de temas como demarcação de Terras Indígenas e licenciamento ambiental, a comissão também está atenta ao crescente endividamento dos produtores rurais. Veja a entrevista na íntegra: 

 

O que a Comissão de Agricultura espera do Programa de Alimentação do Trabalhador [PAT]? O senhor já conversou com o ministro da Fazenda sobre o tema? Há previsão para essa conversa?

A Comissão de Agricultura acompanha com atenção qualquer mudança no Programa de Alimentação do Trabalhador. Nós esperamos que o PAT continue cumprindo seu objetivo principal, que é garantir alimentação digna ao trabalhador brasileiro, sem criar distorções nem aumentar custos para quem produz. Ainda não tivemos uma conversa direta com o ministro da Fazenda sobre isso. Queremos entender a proposta em detalhes e garantir que nenhuma medida penalize o setor produtivo nem aumente a burocracia. O campo já carrega uma carga pesada e não aceitaremos mais entraves.

Quais os desafios da comissão este ano? Temas como demarcação de Terras Indígenas e licenciamento ambiental estão entre eles?

Com certeza. Esses são temas centrais, mas não os únicos. A Comissão de Agricultura tem pela frente uma série de desafios estruturais. A insegurança jurídica causada por demarcações arbitrárias de Terras Indígenas e por um licenciamento ambiental cada vez mais ideologizado continua sendo uma preocupação séria. Mas também estamos atentos ao crescente endividamento dos produtores rurais, o que vem sufocando principalmente os pequenos e médios. A ampliação do crédito rural, com condições justas e acessíveis, será uma de nossas prioridades. Outro ponto fundamental é o escoamento da safra. Não adianta produzir se não há infraestrutura para transportar. Precisamos de investimentos em estradas, ferrovias e portos, além da desburocratização da logística. E, acima de tudo, vamos continuar lutando pela defesa da segurança jurídica no campo. Sem garantia ao direito de propriedade, o Brasil não terá paz no campo nem segurança alimentar nas cidades. Nossa comissão estará vigilante e atuante em todas essas frentes.

Qual a sua análise, como presidente da comissão, sobre os preços dos alimentos? Há alguma movimentação na Câmara sobre o assunto?

A alta nos preços dos alimentos é reflexo direto da falta de incentivo e da dificuldade que o setor produtivo enfrenta no Brasil. O produtor rural está sendo pressionado por todos os lados: custo elevado dos insumos, crédito escasso, insegurança jurídica e, principalmente, o preço do diesel, que impacta diretamente o transporte da produção. A comissão está, sim, atenta a isso. Encaminhamos um ofício ao Ministério da Fazenda solicitando a adoção de medidas para reduzir o preço do diesel no país. Isso não é só uma pauta do agro – é uma medida urgente para aliviar o bolso do consumidor, já que o custo do frete influencia diretamente o preço final dos alimentos. Esperamos que o ministro [Fernando] Haddad receba essa proposta com responsabilidade e sensibilidade, porque não se faz segurança alimentar com combustíveis a preço de luxo.

Além disso, estamos debatendo iniciativas para desonerar a cadeia produtiva e ampliar o acesso ao crédito. O Brasil precisa entender, de uma vez por todas, que só haverá comida barata na mesa quando o campo for valorizado, e não criminalizado.

Como estão as tratativas em torno do PL nº 4.740/24, que estabelece regras para o reconhecimento da nacionalidade brasileira a indígenas, de autoria do deputado Pedro Lupion [PP-PR]?

Embora esse projeto não passe diretamente pela Comissão de Agricultura, estamos acompanhando-o com atenção. Trata-se de um tema que impacta diretamente os conflitos no campo, sobretudo em regiões em que há disputas fundiárias envolvendo comunidades indígenas e produtores rurais. A questão da nacionalidade não pode ser usada como instrumento para fragilizar a soberania nacional nem para alimentar disputas políticas que só aumentam a insegurança jurídica no meio rural. Como presidente da comissão, apresentei o PL nº 1.749/25, que visa proibir que indígenas estrangeiros – que adquirem certidões de nascimento administrativas brasileiras via Funai – recebam benefícios sociais custeados pelos cofres públicos do Brasil.

Não se trata de negar direitos, mas de proteger o sistema de assistência social do país e coibir abusos. O Brasil tem o dever de proteger suas fronteiras e garantir que seus recursos atendam primeiro aos brasileiros, em especial os que vivem do campo e enfrentam diariamente os desafios de produzir. A Comissão de Agricultura vai continuar atenta a qualquer iniciativa que interfira na estabilidade do setor produtivo, mesmo que o tema esteja em tramitação em outras comissões. O produtor rural pode ter certeza: estamos vigilantes.

 

Comissão especial do IR será instalada na semana que vem, diz Motta

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Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS - PB)
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que a comissão especial do projeto de isenção do Imposto de Renda (PL 1.087/25) será instalada na próxima semana, quando o calendário de apreciação da matéria será apresentado. Segundo ele, devido ao número de sessões e o período do recesso parlamentar, o tema será votado apenas no segundo semestre.

Perguntado sobre as formas de compensação para a isenção do imposto no evento J. Safra Macro Day, realizado nesta segunda-feira (28), Motta afirmou que não há, atualmente, uma sinalização clara sobre qual será a forma escolhida. Segundo a proposta enviada pelo governo, a compensação seria por meio da tributação dos super ricos e de dividendos. No entanto, a ideia não foi bem recebida no mercado e no Congresso Nacional. “Achar que o Congresso não mexerá na proposta é completamente fora do que é a realidade política da Câmara”, enfatizou.

Isenção de imposto de renda é prioridade

O texto enviado ao Congresso é uma das maiores prioridades do governo Lula (PT) e propõe a isenção do Imposto de Renda para aqueles que recebem até R$ 5 mil mensais. Com relatoria do ex-presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), a matéria vai para uma comissão especial, presidida pelo deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA).

Mercado reduz previsão de inflação para 2025, mas expectativa ainda supera meta

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Banco Central
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Os economistas do mercado financeiro reduziram pela segunda semana consecutiva a projeção de inflação para 2025, segundo dados do relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central (BC). A expectativa passou de 5,57% para 5,55%, mas continua bem acima do teto da meta, que é de 4,5%.

Para os anos seguintes, o relatório também atualizou os números:

  • Inflação em 2026: subiu de 4,50% para 4,51%;
  • Inflação em 2027: permaneceu estável em 4%;
  • Inflação em 2028: recuou de 3,80% para 3,78%

Com a adoção do novo sistema de meta contínua de inflação a partir de 2025, o objetivo central será de 3%, considerado cumprido se os índices ficarem entre 1,5% e 4,5%. Se a inflação sair desse intervalo por seis meses consecutivos, o BC terá que explicar o descumprimento em uma carta pública ao ministro da Fazenda.

Recentemente, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, já enviou uma carta ao ministro Fernando Haddad justificando o estouro da meta de 2024, atribuindo o cenário a fatores como forte atividade econômica, desvalorização do real e extremos climáticos. O BC também admitiu que pode haver novo descumprimento da meta até junho deste ano.

PIB, juros e dólar

Além da inflação, o Focus trouxe atualizações para outros indicadores econômicos:

  • PIB 2025: previsão mantida em 2% de crescimento.

  • PIB 2026: projeção estável em 1,70%.

  • Taxa Selic 2025: estimada em 15% ao ano.

  • Taxa Selic 2026: projetada em 12,50% ao ano.

  • Taxa Selic 2027: mantida em 10,50% ao ano.

A taxa Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. Como seus efeitos demoram entre 6 a 18 meses para serem sentidos, o BC toma decisões mirando o comportamento da economia no futuro.

  • Câmbio 2025: dólar esperado a R$ 5,90.

  • Câmbio 2026: dólar ajustado para R$ 5,95 (antes era R$ 5,96).

  • Balança comercial 2025: superávit projetado de US$ 75 bilhões.

  • Balança comercial 2026: superávit de US$ 79,4 bilhões (ligeira alta).

  • Investimento estrangeiro direto: previsão de US$ 70 bilhões tanto para 2025 quanto para 2026.

Esses dados mostram que, apesar das pressões inflacionárias, o mercado ainda aposta em um cenário de crescimento econômico moderado e entrada constante de investimentos no Brasil.

Termômetro das expectativas

Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central, e reúne projeções de economistas, analistas e operadores do mercado financeiro. Ele serve como um termômetro das expectativas econômicas, e influencia decisões de empresas, investidores e do próprio governo.

Análise: Contra pressão sobre anistia, Motta deve focar em agenda robusta

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Discussão e votação de propostas legislativas. Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS - PB).
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tornou-se refém do debate em torno da proposta de anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A ausência de uma agenda legislativa mais complexa neste início de gestão abriu espaço para que o tema ganhasse protagonismo na Casa.

A situação se agravou com a apresentação do requerimento de urgência para o projeto, subscrito por 264 deputados, o que colocou Motta em uma posição delicada. Mas aliados do presidente da Câmara avaliam que, apesar do expressivo apoio ao pedido, a oposição não teria adesão suficiente para sustentar um processo de obstrução que pudesse paralisar os trabalhos na Câmara. Além disso, apostam que, nos próximos dias, a pauta será substituída por outros temas, o que daria tempo a Hugo Motta para definir o encaminhamento da anistia.

Motta autorizou, recentemente, a criação de diversas Comissões Especiais encarregadas de analisar matérias de relevância. Esses colegiados devem começar a funcionar já esta semana. A primeira e mais aguardada é a Comissão que analisará o projeto da reforma do Imposto de Renda (PL nº 1.087/25). O texto, a ser relatado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), propõe isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais e estabelece a tributação de altas rendas.

Paralelamente, está prevista a instalação da Comissão que examinará o PL nº 2.338/23, que trata da regulamentação do uso da Inteligência Artificial no Brasil. O texto, que chegou do Senado, terá como relator o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

Outros colegiados também estão programados para deliberar sobre importantes matérias, entre elas:

  • PEC nº 66/23 – Estabelece limites para o pagamento de precatórios municipais e redefine prazos para o parcelamento de dívidas previdenciárias dos municípios. Relator: deputado Baleia Rossi (MDB-SP);
  • PL nº 2.614/24 – Institui o Plano Nacional de Educação para o decênio 2024-2034.
Relator: deputado Moses Rodrigues (União-CE);
  • PEC nº 14/22 – Reduz pela metade as contribuições sociais devidas pelos municípios.
Relator: a ser definido;
  • PLP nº 234/24 – Cria a Lei de Incentivo ao Esporte.
Relator: deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).

Além dessas, Hugo Motta pretende criar, em momento oportuno, mais uma Comissão Especial para analisar a PEC da Segurança Pública – declarada prioritária por ele. Contudo, antes de ser analisado por Comissão Especial, o texto precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A expectativa é de que o debate sobre segurança pública mobilize intensamente a oposição, já que o tema é central para a pauta do grupo.

Conclave para eleger novo papa se inicia em 7 de maio

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Vaticano, 26/04/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Missa Exequial em intenção de Sua Santidade o Papa Francisco. Átrio da Basílica de São Pedro, Praça de São Pedro.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Colégio Cardinalício definiu que o conclave para eleger o novo papa terá início na próxima quarta-feira, 7 de maio, segundo informações divulgadas pelo Vaticano nesta segunda-feira (28). A decisão foi tomada durante a quinta congregação geral, encontro que reúne cardeais de todo o mundo para discutir os rumos da Igreja após a morte do papa Francisco.

Com a definição da data, a Capela Sistina, tradicional local das votações, foi fechada para turistas nesta segunda-feira, iniciando os preparativos para o importante processo de escolha do novo pontífice.

Um conclave diferente dos anteriores

Diferente dos conclaves de 2005 e 2013, que duraram apenas dois dias, a expectativa é de que desta vez o processo seja mais demorado. De acordo com o cardeal sueco Anders Arborelius, muitos dos 135 cardeais aptos a votar foram nomeados por Francisco e nunca se encontraram pessoalmente, o que pode tornar as discussões mais longas e complexas.

Francisco foi responsável pela nomeação de cerca de 80% dos atuais cardeais eleitores, priorizando representantes de regiões em expansão da fé católica, como América Latina, África e Ásia. Com essa diversidade, novas questões culturais e pastorais também devem ser trazidas à tona durante o conclave.

Perfil do próximo papa: reforma ou conservadorismo?

Após o funeral de Francisco, que atraiu mais de 400 mil fiéis pelas ruas de Roma, ficou evidente a popularidade do pontífice e de sua postura reformista. O cardeal alemão Walter Kasper afirmou ao jornal La Repubblica que o próximo papa deveria seguir nos passos de Francisco, em um caminho de abertura e diálogo.

Francisco permitiu avanços importantes em temas delicados, como a possibilidade de ordenar mulheres, além de se aproximar da comunidade LGBTQIA+. No entanto, há resistência: blocos de cardeais conservadores defendem um retorno a práticas mais tradicionais.

Entre os favoritos com perfil mais conservador estão o arcebispo de Kinshasa, Fridolin Ambongo, que se opôs à bênção de casais homossexuais, e o cardeal guineense Robert Sarah, conhecido por críticas a iniciativas progressistas dentro da Igreja.

Já os favoritos, de modo geral, são mesmo os mais alinhados à visão de Francisco, se destacando o cardeal filipino Luis Antonio Tagle, conhecido como “Francisco asiático” por seu alinhamento à visão de inclusão do hoje falecido papa.

Sempre em busca de manter a Itália com um Papa, o nome de Pietro Parolin também vem sendo cotado. O nome do italiano aparece como forte candidato por sua experiência diplomática no Vaticano.