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Safra 2024/2025 de cana-de-açúcar é a segunda maior da história, mas sofre com clima e queimadas

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conab
Foto: Divulgação/Sindsep-DF

A safra 2024/2025 de cana-de-açúcar no Brasil chegou à marca de 676,96 milhões de toneladas, tornando-se a segunda maior da história, segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O número representa uma queda de 5,1% em relação ao recorde registrado no ciclo 2023/2024.

A redução foi causada principalmente por condições climáticas adversas, com destaque para os baixos índices de chuvas, altas temperaturas e queimadas, especialmente na Região Centro-Sul, que responde por 91% da produção nacional. A produtividade média caiu para 77.223 kg por hectare.

Sudeste e Centro-Oeste lideram a produção, mas também enfrentam queda na produtividade

  • Sudeste: colheu 439,6 milhões de toneladas (queda de 6,3%), apesar do aumento de 7,5% na área plantada. A produtividade recuou 12,8%.

  • Centro-Oeste: manteve produção estável com 145,3 milhões de toneladas (+0,2%). A área cresceu 4%, mas a produtividade caiu 3,7%.

Nordeste, Sul e Norte apresentam contrastes regionais

  • Nordeste: produção estimada em 54,4 milhões de toneladas (-3,7%), impactada por restrição hídrica. A área cresceu 1,6%.

  • Sul: colheu 33,6 milhões de toneladas (-13,2%) com redução de área e produtividade.

  • Norte: única região com crescimento em área (+1,4%) e produtividade (+1,1%), alcançando 4 milhões de toneladas.

Queda na produção de açúcar

A produção de açúcar caiu 3,4%, chegando a 44,1 milhões de toneladas. Apesar da redução, esse volume é o segundo maior da série histórica da Conab. O bom desempenho se deve à maior destinação da cana ao adoçante, impulsionada por um mercado mais favorável.

As exportações de açúcar se mantiveram em 35,1 milhões de toneladas, estáveis em volume, mas com queda de 8,2% na receita, que fechou em US$ 16,7 bilhões, devido à retração dos preços internacionais.

Etanol: alta na produção graças ao milho

Mesmo com a menor moagem de cana, a produção total de etanol subiu 4,4%, totalizando 37,2 bilhões de litros. A alta se deve ao avanço do etanol de milho, que respondeu por 7,84 bilhões de litros, um aumento de 32,4% em relação à safra anterior.

Já as exportações de etanol recuaram 31%, com 1,75 bilhão de litros embarcados.

Câmara aprova projeto que amplia número de deputados federais

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Brasília (DF) 03/02/2025 Abertura dos trabalhos legislativos de 2025 no plenário da Câmara dos Deputados.
Foto Lula Marques/ Agência Brasil

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (6) o Projeto de Lei Complementar 177/2023, que prevê o aumento do número total de deputados federais dos atuais 513 para 531 a partir da legislatura seguinte às eleições de 2026. A proposta agora segue para análise no Senado Federal.

A mudança é baseada em dados demográficos mais recentes e busca corrigir a defasagem no número de representantes de cada estado na Câmara, já que a última atualização significativa ocorreu em 1986. Segundo a Constituição, o número de deputados por estado deve ser proporcional à sua população.

Estados que ganharão cadeiras

De acordo com o relatório aprovado, os seguintes estados seriam beneficiados com novas cadeiras:

  • Santa Catarina: +4

  • Pará: +4

  • Amazonas: +2

  • Mato Grosso: +2

  • Rio Grande do Norte: +2

  • Goiás: +1

  • Paraná: +1

  • Ceará: +1

  • Minas Gerais: +1

Importante destacar que nenhum estado perderá cadeiras, inclusive o Distrito Federal, o que resulta em um aumento líquido de 18 deputados federais.

Custo e impacto orçamentário

Segundo informações da Direção-Geral da Câmara, o acréscimo de 18 parlamentares deverá gerar um impacto financeiro de aproximadamente R$ 64,6 milhões por ano, valor que inclui salários, benefícios e estrutura administrativa.

Cálculo populacional e atualização periódica

O projeto estabelece que a quantidade de deputados por estado será atualizada a cada quatro anos, com base no censo demográfico mais recente. Caso o Congresso não faça os ajustes necessários, a responsabilidade de calcular a nova distribuição ficará com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além disso, tanto os partidos políticos quanto o Tribunal de Contas da União (TCU) poderão questionar os números atribuídos às bancadas estaduais.

Análise: Principais temas de maio

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Congresso Nacional
Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

Após uma sequência articulações políticas e de feriados travando a agenda do Congresso Nacional, o ano legislativo deve, finalmente, começar. Na Câmara, o destaque é o projeto de lei que trata da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. A Comissão Especial destinada a analisar a matéria será instalada e, a partir daí, uma série de audiências públicas serão realizadas para ajustar o texto apresentado pelo Executivo. Pelo seu lado, a oposição continuará insistindo com a votação do Projeto de Lei da Anistia, mas é pouco provável que esse PL tenha andamento na Câmara.

No Senado, ganharão destaque as discussões em torno do projeto de lei que regulamenta a Reforma Tributária (PLP nº 108/24), que trata do Comitê Gestor. De acordo com o calendário do relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), as audiências públicas serão realizadas até o dia 27 de maio. Depois, ele apresentará seu parecer.

Outro ponto importante é a possibilidade de análise de indicados para as agências reguladoras. Desde dezembro, uma série de indicações de diretoria aguarda a análise dos senadores. Após entendimentos entre o presidente Lula (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), essas indicações podem, afinal, ser destravadas, mas alguns nomes devem ser substituídos. Outros mandatos se encerram ao longo do mês. No dia 24, termina o mandato do diretor Ricardo Lavorato Tili na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), enquanto no dia 25 encerra o de Alexandre Fioranelli na Agência Nacional de Saúde (ANS).

Também deve movimentar as atividades no Congresso a instalação de Comissão Mista para investigar desvio de recursos de aposentados do INSS. De acordo com as investigações, foram desviados mais de R$ 6 bilhões. Por conta do episódio, Carlos Lupi deixou o cargo. Pesquisas de opinião já apontam desgaste na imagem do governo e do presidente Lula.

Lula tem viagem internacional prevista. Na quinta-feira (08), viaja para a Rússia (8) e para a China.

Neste mês, o Supremo julga mais dois núcleos acusados de envolvimento na tentativa de golpe de Estado. Nos dias 6 e 7, a Primeira Turma analisa denúncia contra o chamado “núcleo quatro”, que reúne os acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de disseminar informações falsas sobre as urnas eletrônicas com para descredibilizar o processo eleitoral brasileiro. Já nos dias 20 e 21, os ministros decidem se aceitam a denúncia contra o “núcleo três”, que reúne os acusados de planejar “ações táticas” para efetivar a tentativa de golpe.

Senado avalia limitação de pagamentos de dívidas de municípios à União

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Senadores Rogério Carvalho (PT-SE) e Esperidião Amin (PP-SC).
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Em uma tentativa de liberar o orçamento dos municípios para outros gastos, o Senado Federal analisa um projeto de lei que estabelece um limite para os pagamentos de dívidas de municípios ao governo federal (PLP 224/2019). Pelo texto, os gastos ficariam limitados a 30% da receita corrente líquida (RCL) para cidades com mais de 100 mil habitantes. O tema está em análise na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

A proposta estava na pauta desta terça-feira (6), mas a análise foi adiada por pedido de vistas. O projeto foi adiado após pedido de vista do governo, que quer consultar a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e o Ministério da Fazenda sobre possíveis impactos do projeto. Após a deliberação na CAE, o texto ainda precisará ser apreciado no Plenário do Senado.

Pequenos municípios seriam mais beneficiados

O projeto define que municípios menores teriam os pagamentos à União ainda mais limitados. Cidades com até 10 mil habitantes poderiam comprometer no máximo 10% da RCL com esse tipo de gasto. Para municípios com população entre 10 mil e 100 mil habitantes, o teto seria de 20%. A justificativa do relator, senador Esperidião Amin (PP-SC), é que a situação financeira desses municípios menores e mais pobres é particularmente grave, e que a redução do limite não deve afetar significativamente a arrecadação da União, dada a baixa participação dessas cidades no endividamento total.

Dívidas previdenciárias

O governo se posicionou contra o projeto, por receio de que a medida prejudique o orçamento do INSS. No entanto, o relatório de Amin prevê uma exceção à regra: o limite poderá ser relativizado para a quitação de dívidas previdenciárias, já que a Constituição estabelece um teto de 60 meses para o parcelamento da seguridade social.

Contrapartidas dos municípios

Caso um município opte por se beneficiar da limitação de pagamentos à União, ficará proibido de aumentar despesas com pessoal, criar despesa obrigatória, conceder incentivos ou benefícios tributários, ou contrair empréstimos, salvo para quitação de dívidas mobiliárias.

Comissão para debater isenção do Imposto de Renda é instalada na Câmara

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Brasília (DF), 06/05/2025 - A comissão especial que vai debater a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil (PL 1.087/25) foi instalada. Deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA) o presidente do colegiado e o deputado Arthur Lira (PP-AL), o relator.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A Câmara dos Deputados instalou nesta terça-feira (6) a comissão especial que vai analisar a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais, e na aplicação de progressividade até R$ 7 mil.

Com a retirada da urgência do texto pelo governo, a comissão terá inicialmente 10 sessões do plenário para concluir seus trabalhos, com possibilidade de prorrogação. O projeto é o PL 1087/25, enviado pelo governo Lula para cumprir uma das suas promessas de campanha.

Lideranças e cronograma

Conforme era esperado, o deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA) foi eleito presidente da comissão, enquanto a relatoria ficou com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Lira afirmou que pretende entregar o relatório até 27 de junho, com votação marcada para 16 de julho.

“Vamos nos empenhar em construir um texto justo, com base no diálogo, garantindo a isenção até R$ 5 mil e a progressividade até R$ 7 mil, além da tributação mais adequada para os mais ricos”, declarou Lira.

Segundo o plano de trabalho, as audiências públicas ocorrerão até 20 de junho, com reuniões semanais às terças-feiras e encontros itinerantes nos estados.

Aumento da alíquota para super-ricos

A proposta do governo também aumenta o IR para quem ganha a partir de R$ 50 mil mensais (R$ 600 mil por ano) e institui uma alíquota mínima de 10% para quem recebe acima de R$ 100 mil por mês (R$ 1,2 milhão anuais).

Atualmente, cerca de 141 mil pessoas com esse perfil pagam apenas 2% de alíquota efetiva. A ideia é compensar a renúncia fiscal com maior tributação sobre os mais ricos, sem aumentar a carga para a classe média.

“Precisamos alinhar a reforma ao compromisso de não elevar a carga tributária, mas sim redistribuí-la com justiça fiscal e equilíbrio”, reforçou Lira.

Medidas já em vigor

Lira destacou que a tramitação do projeto deve estar alinhada com a Medida Provisória (MP) 1.294/25, que já aumentou a faixa de isenção do IR de R$ 2.259,20 para R$ 2.428,80 em abril.

A comissão deve ouvir representantes do Ministério da Fazenda, como Marcos Barbosa Pinto, secretário de Reformas Econômicas, e Robinson Barreirinhas, chefe da Receita Federal, além de entidades empresariais e municipais como CNI, CNC, CNM, Comsefaz, Abrasf e Abrasca.

Câmara discute entraves da energia solar e eólica no sistema elétrico nacional

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Energia solar
Foto: José Cruz/Agência Brasil

A Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) da Câmara dos Deputados promoveu, nesta terça-feira (6), uma audiência pública para discutir os impactos da geração distribuída de energia, especialmente a partir de fontes solar e eólica, no sistema elétrico brasileiro. O encontro foi solicitado pelo deputado Lafayette de Andrada (Republicanos-MG).

O foco do debate foi o impasse entre consumidores e distribuidoras. De um lado, usuários da geração distribuída denunciam que empresas estão negando novas conexões, alegando riscos técnicos relacionados ao chamado fluxo reverso — a injeção de energia excedente na rede elétrica. Por outro lado, as distribuidoras afirmam que recusas são preventivas, com o objetivo de evitar sobrecargas e instabilidade no sistema.

Falta de comprovação técnica e posicionamento da Aneel

Durante a audiência, o deputado Lafayette criticou a ausência de estudos técnicos consistentes que comprovem os riscos associados à geração distribuída.

“Não foi apresentado qualquer estudo técnico que comprove a existência ou extensão do fenômeno”, afirmou o parlamentar.

O presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Pedro Lombardi, reconheceu que o tema é global e que reguladores de outros países já adotam medidas intervencionistas para lidar com o avanço da geração distribuída, especialmente nos sistemas elétricos mais frágeis.

O Ministério de Minas e Energia (MME) também participou da discussão, representado por Frederico Teles, diretor do Departamento de Políticas Setoriais. Ele destacou que o governo está atento ao conflito e que ações conjuntas com a Aneel estão em curso para analisar e propor soluções.

Marco legal e regulação tarifária

A geração distribuída teve grande impulso no Brasil após a aprovação do Marco Legal da Microgeração e Minigeração Distribuída (MMGD), em 2022. A legislação permite que consumidores instalem painéis solares ou turbinas eólicas para gerar sua própria energia e compensem créditos na conta de luz.

Em 2023, a Aneel publicou uma resolução normativa com novas regras tarifárias para o setor, o que reacendeu o debate sobre sustentabilidade financeira das distribuidoras frente ao crescimento da geração própria.

Lafayette concluiu a audiência reforçando que os entraves devem ser enfrentados com base em critérios técnicos e regulatórios, e que o objetivo final deve ser garantir energia limpa, barata e acessível para todos os brasileiros.

Conclave para eleger novo papa começa nesta quarta-feira com diversidade histórica

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Cardeal chega para o conclave, que deve definir o próximo papa
Foto: Angelo Carconi/ANSA

Os cardeais da Igreja Católica começaram nesta terça-feira (6) a se hospedar em dois hotéis dentro do Vaticano, onde ficarão totalmente isolados do mundo exterior até que escolham o novo papa. O conclave começa oficialmente nesta quarta-feira (7), com uma cerimônia na Capela Sistina, onde será realizada a votação secreta.

O processo reúne 133 cardeais com menos de 80 anos de idade, aptos a votar, e marca um momento decisivo para os 1,4 bilhão de fiéis católicos espalhados pelo mundo. A sucessão ocorre após a morte do papa Francisco, no mês passado, deixando a Igreja diante de uma decisão que pode moldar seus rumos por décadas.

Sem favoritos

Diferente de conclaves anteriores, não há um favorito claro entre os cardeais. Alguns nomes são mencionados nos bastidores, mas o clima é de incerteza. O cardeal Robert McElroy, arcebispo de Washington, declarou a fiéis em Roma:

“Não tenho nenhum palpite. O processo é profundo e misterioso. Não posso dizer quem está à frente.”

Divisão entre continuidade e tradição

A votação reflete uma divisão entre os que desejam dar continuidade ao legado progressista de Francisco, com foco em transparência, acolhimento e descentralização da Igreja, e os que preferem um retorno a posturas mais conservadoras, voltadas à rigidez doutrinária e moral.

O conclave ocorre em segredo absoluto, com os cardeais proibidos de manter contato com o mundo exterior. A eleição exige uma maioria de dois terços dos votos. As votações acontecem até que um nome alcance esse número, o que pode levar dias.

O conclave mais diverso da história

O conclave de 2025 será o mais geograficamente diverso da história da Igreja Católica, com cardeais de 70 países. Francisco havia priorizado a nomeação de cardeais de regiões até então pouco representadas, como Haiti, Sudão do Sul e Mianmar, com o objetivo de tornar a Igreja mais global.

A Ásia terá 23 cardeais votantes, e há sinais de que votarão em bloco. O cardeal japonês Tarcisius Isao Kikuchi revelou ao jornal La Repubblica que o grupo asiático tende a apoiar “um ou dois candidatos” de forma unificada.

“Nós, asiáticos, provavelmente somos mais unânimes (…) veremos qual nome sairá como principal candidato”, disse Kikuchi.

Enquanto isso, os 53 cardeais da Europa são conhecidos por votarem de maneira fragmentada, com base em preferências nacionais ou individuais, o que pode diluir sua influência no processo.

INSS vai ressarcir vítimas de fraude diretamente no benefício e alerta para novos golpes

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Gilberto Waller Júnior, presidente do INSS
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O novo presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, afirmou nesta terça-feira (6) que o ressarcimento de aposentados e pensionistas vítimas de descontos indevidos será feito exclusivamente via folha suplementar, na mesma conta bancária onde o benefício é depositado atualmente.

“Será feito via benefício, via conta do benefício. Nada de Pix, nada de depósito em conta e nada de sacar em banco”, declarou Waller em entrevista à Rádio CBN.

O objetivo da medida é garantir segurança no processo de devolução e evitar que vítimas da fraude sejam novamente enganadas por criminosos. Segundo o presidente, os valores serão pagos em folha suplementar, uma forma de pagamento adicional à folha principal.

Alerta contra novos golpes

Diante da repercussão do caso, criminosos estão tentando aplicar novos golpes, se passando por funcionários do INSS em ligações telefônicas e mensagens de WhatsApp. Eles prometem a devolução do dinheiro e solicitam dados ou ações dos aposentados, como cliques em links e transferências bancárias.

“Peço para todos: não caiam em outros golpes, não assinem nada, não abram links e não acreditem em quem oferece facilidade”, alertou Waller.

Investigação revela fraude bilionária

A investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) identificou um esquema de propina envolvendo entidades sindicais e servidores públicos. As entidades cadastravam beneficiários sem autorização e aplicavam descontos mensais indevidos nos pagamentos previdenciários.

Segundo estimativas do INSS, cerca de 4,1 milhões de beneficiários foram afetados, com prejuízo potencial de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

Foram encontrados casos em que o aposentado era filiado a mais de uma entidade no mesmo dia, e também liberações de descontos em lote sem autorização individual dos segurados — um fator que impulsionou o aumento das fraudes.

Mudança no comando do INSS

No dia 24 de abril, após a divulgação do escândalo, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi demitido por ordem do presidente Lula. A Justiça já havia determinado o afastamento do gestor, que foi indicado pelo até então ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT).

Para substituí-lo, Lula nomeou Gilberto Waller Júnior, procurador federal com longa trajetória no próprio INSS. Waller é especialista em combate à corrupção e lavagem de dinheiro, e já ocupou os cargos de corregedor-geral e subprocurador-geral da autarquia.

Ele afirmou que o plano de ressarcimento está em fase final e deverá ser entregue na próxima semana, mas ainda não há data oficial para o início dos pagamentos.

IDH do Brasil sobe, mas desigualdade atrapalha desempenho geral

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São Paulo (SP) 03/09/2024 Movimento no comércio de São Paulo na rua 25 de Março, após o anúncio do aumento do PIB. povo, população, IDH
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Brasil subiu para a 84ª colocação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2023, divulgado nesta terça-feira (6) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O país atingiu um índice de 0,786, considerado de desenvolvimento alto, em uma escala que vai de 0 a 1. Em relação ao ranking anterior, o país subiu cinco posições (ou duas, dependendo da base de comparação adotada pela ONU).

O relatório do Pnud, lançado no Rio de Janeiro, considera dados de expectativa de vida, escolaridade e PIB per capita. A edição deste ano também traz como destaque o impacto da inteligência artificial no desenvolvimento humano.

Desigualdade social prejudica o Brasil

Apesar da melhora no ranking geral, o Brasil cai para a 105ª posição quando o IDH é ajustado com base na desigualdade social, chegando a 0,594, o que o coloca na faixa de desenvolvimento médio. Isso demonstra que os avanços em saúde, educação e renda não são distribuídos de forma equitativa entre a população.

Para efeito de comparação, a Islândia, primeira colocada no ranking geral (com 0,972), tem seu IDH ajustado para apenas 0,923. O IDH médio global ajustado pela desigualdade é de 0,590 — valor semelhante ao do Brasil nesse recorte.

IDH da América Latina

Na América Latina e Caribe, o Chile lidera a região com 0,878 pontos (45ª posição). O Brasil faz parte do grupo de países com desenvolvimento alto, ao lado de outras nações como Argentina, Uruguai e Costa Rica.

A média regional subiu de 0,778 (2022) para 0,783 (2023), refletindo uma alta de 0,64%.

Avanço lento e desigual

Segundo Pedro Conceição, coordenador do relatório, embora o mundo tenha atingido seu maior patamar de desenvolvimento humano, o ritmo de progresso é o mais lento da história recente, excluindo o período da pandemia.

“Se mantivéssemos o ritmo pré-2020, atingiríamos um nível de IDH muito alto até 2030. Agora, esse marco foi adiado por décadas”, explicou Conceição. Ele também alertou que países com IDH baixo seguem ficando para trás, o que rompe uma tendência histórica de convergência global no desenvolvimento humano.

Inteligência artificial

O tema do relatório deste ano é o impacto da inteligência artificial no desenvolvimento. O administrador do Pnud, Achim Steiner, destacou a importância de usar a tecnologia como ferramenta para ampliar o potencial humano, e não permitir que ela nos governe.

“Precisamos de cooperação internacional, inclusive dos países mais ricos, para garantir que os mais pobres também participem dessa nova economia baseada em IA”, afirmou Steiner. Para ele, o desenvolvimento no século XXI depende de confiança coletiva, inclusão e criatividade.

Análise: Lula prioriza base social no 1º de Maio

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Brasília (DF), 16/04/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da celebração do Dia do Exército e do jubileu de 80 anos das vitórias da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial, na Itália.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Durante as comemorações no Dia do Trabalho, na última quinta-feira (1º), o presidente Lula (PT) não compareceu aos atos políticos realizados pelas centrais sindicais, que, nos últimos anos, registraram uma tímida participação da base histórica de Lula. Para evitar ser ligado a um evento com baixa presença de público, o presidente optou por um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão.

Lula celebrou a data, prestou contas das realizações de seu governo, principalmente na área social, e acenou aos trabalhadores. Voltou a destacar que enviou ao Congresso o projeto que isenta de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês. E prometeu aprofundar o debate sobre o fim da jornada de trabalho 6×1, que deve enfrentar obstáculos no Congresso. As duas propostas também foram pautas das centrais sindicais nas comemorações.

No pronunciamento, Lula mencionou a investigação da Polícia Federal que descobriu fraudes no INSS e que estão causando grande desgaste na imagem do ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), e na do próprio governo. O presidente afirmou que vai determinar o ressarcimento pelas associações à população afetada.

Em sua fala, Lula priorizou a comunicação com os trabalhadores. Claro que o foco escolhido tinha relação com a data, entretanto, desde os últimos meses, diante do saldo negativo de popularidade que vinha sendo detectado em pesquisas de opinião, o presidente já vinha dando destaque às ações destinadas à sua tradicional base de apoio.

Além do projeto que pretende elevar a faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil, o programa Minha Casa, Minha Vida foi ampliado, bem como a concessão de empréstimos consignados a trabalhadores do setor privado. O governo também tentou debater a regulamentação para a atuação de motoristas e entregadores de aplicativos, o que não avançou no Congresso.

Pelos sinais emitidos por Lula, ele continuará realizando um governo mais à esquerda do que em suas duas gestões anteriores.

Ao desconsiderar as transformações no mundo do trabalho, principalmente o empreendedorismo e a agenda da prosperidade – cada vez mais as pessoas atribuem as transformações sociais a um esforço próprio e não a uma ação do governo –, e ao apostar na comunicação com seu eleitorado tradicional, explorando sua relação com os mais pobres, Lula acaba “falando” para o Brasil do passado e abdicando de uma agenda de futuro. Assim, tende a ter dificuldades em ampliar o diálogo político, ficando isolado à esquerda.