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Projeto de Lei pode causar maior retrocesso ambiental em 40 anos, defende especialista

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Suely Araújo, do Observatório do Clima, ex-presidente do Ibama
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Projeto de Lei (PL) 2159/2021, atualmente em tramitação no Senado, está gerando intensos debates por propor um novo marco para o licenciamento ambiental no Brasil. De acordo com Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, o projeto representa o maior retrocesso ambiental dos últimos 40 anos.

“A proposta implode com o licenciamento ambiental no Brasil. A maior parte dos processos passará a ser feita por Licença por Adesão e Compromisso (LAC), o que, na prática, é um autolicenciamento”, afirma a especialista.

O que é a Licença por Adesão e Compromisso?

A modalidade, conhecida pela abreviatura LAC, permitiria ao empreendedor apenas declarar o que pretende realizar, sem a exigência de apresentar estudos de impacto ambiental ou alternativas técnicas e locacionais. Para Suely Araújo, essa mudança elimina a essência do processo de avaliação ambiental.

“É como apertar um botão e imprimir a licença”, critica.

Ela afirma que 90% dos processos de licenciamento passariam por essa forma simplificada, excluindo apenas grandes empreendimentos – que representam menos de 10% do total.

No Senado

O PL está sendo analisado simultaneamente pelas comissões de Meio Ambiente (CMA) e Agricultura (CRA), sob a relatoria dos senadores Confúcio Moura (MDB-RO) e Tereza Cristina (PP-MS), com apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Confúcio Moura defende o projeto como uma forma de padronizar o licenciamento entre os estados e reduzir a burocracia. “Hoje cada estado tem uma regra diferente. Essa legislação busca pacificação”, declarou.

Redução do papel de órgãos ambientais

Um dos pontos mais criticados pela sociedade civil é a redução da participação de órgãos como ICMBio, Funai e Iphan no processo de licenciamento. De acordo com o texto, a participação dessas instituições deve ocorrer dentro de prazos definidos, mas sua ausência não impedirá a continuidade do processo.

“Com isso, o ICMBio perde seu poder de veto. Ele é apenas ouvido, o que enfraquece o papel dos gestores de áreas protegidas”, afirma Suely Araújo. Ela também destaca o risco para comunidades quilombolas e indígenas, já que só serão consultadas quando os territórios estiverem titulados ou homologados — o que representa uma minoria dos casos.

Isenção para agropecuária

Outro ponto polêmico é a dispensa de licenciamento para atividades agropecuárias extensivas. Para os senadores, as regras já existentes no Código Florestal são suficientes. No entanto, ambientalistas criticam a medida como um incentivo à expansão sem controle ambiental.

“A exigência será só para a pecuária intensiva. A extensiva, que ocupa grandes áreas de pastagem, ficará isenta. Isso é ‘a mãe de todas as boiadas'”, denuncia Suely Araújo.

O senador Confúcio defende que o licenciamento deve variar conforme o porte do empreendimento. “Um que vai confinar 10 bois tem um procedimento, um que vai confinar 50 mil tem outro”, explicou.

Problemas

Senadores favoráveis ao projeto alegam que o atual sistema de licenciamento é lento e caótico, dificultando obras de infraestrutura. “Não tem país que se desenvolva com essa morosidade. Você não pode fazer uma ferrovia, uma hidrovia… é insano”, disse o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA).

Por outro lado, Suely reconhece que há problemas operacionais nos processos atuais, mas afirma que o projeto não resolve esses gargalos. “Em vez de contratar mais pessoal ou melhorar os procedimentos, estão transformando tudo em um sistema automático. Isso é uma distorção”, conclui.

Ela ressalta que os maiores entraves vêm de estudos mal elaborados, tanto por empreendedores públicos quanto privados, que atrasam as análises técnicas.

Economia circular é praticada por 6 em cada 10 indústrias no Brasil, aponta CNI

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economia circular
Foto: Agência de Notícias da Indústria

Um levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que seis em cada dez indústrias brasileiras adotam práticas de economia circular. Os principais benefícios avaliados pelas empresas com a adoção do modelo são a redução de custos, o fortalecimento da imagem corporativa e o estímulo à inovação. 

As práticas circulares mais comuns entre as empresas incluem:

  • Reciclagem de produtos
  • Uso de matéria-prima secundária nos processos produtivos
  • Desenvolvimento de produtos duráveis

O modelo de economia circular está presente em diversos setores. De acordo com o estudo, a indústria de calçados é o principal segmento a adotar medidas circulares, 86% das empresas afirmam que praticam a circularidade.

Outros setores também também aparecem com altas proporções. Biocombustíveis (82%), equipamentos eletrônicos e veículos (ambos com 81%), coque e derivados de petróleo (80%) e celulose e papel (79%).

Barreiras econômicas e tecnológicas

Apesar da alta adesão à economia circular, o modelo enfrenta desafios para o avanço. Do ponto de vista econômico, a taxa de juros de financiamento foi o fator mais citado pelas indústrias para adoção das práticas, apontado por 22% das empresas como principal obstáculo.

No campo tecnológico, 30% das empresas destacam a viabilidade econômica das tecnologias como principal desafio. A simplificação das normas também é um fator a ser considerado. 

Questionadas sobre medidas prioritárias que o governo poderia adotar para a regulamentação, 53% das empresas destacam a necessidade de descomplicar as diretrizes. 

Contexto mundial

A economia circular propõe uma abordagem sistêmica para reduzir o consumo e desperdício de produtos.

O modelo econômico é baseado no retorno saudável dos materiais para o ciclo econômico ou para a natureza. 

No contexto industrial, isso se traduz em práticas voltadas à retenção de valor dos materiais, reaproveitamento de insumos e redesenho dos processos produtivos.

Segundo o estudo do Global Resources Outlook 2024, a extração de recursos naturais triplicou desde 1970, saltando de 30 para 106 bilhões de toneladas.

A projeção é que esse aumente em 60% até 2060, caso práticas sustentáveis não sejam implementadas ao redor do mundo.

Análise: Brasil aproxima-se do eixo Rússia-China em meio à instabilidade global

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Rússia- 08/05/2025 Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante jantar oferecido pelo Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin. Grande Palácio do Kremlin.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

A participação do presidente Lula (PT) na cerimônia de 80 anos da vitória da ex-União Soviética contra a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, no sábado (09), na Rússia, e a viagem à China para participar do IV Fórum China-Celac, nos dia 12 e 13, geram reflexões sobre os movimentos do Brasil no cenário geopolítico. Participaram da cerimônia representantes de países como Azerbaijão, Bielorússia, Burkina Faso, China, Cuba, Egito, República do Congo, Tajiquistão, Venezuela, Vietnã, Zimbábue, Armênia, Eslováquia, Guiné-Bissau, Mongólia, Quirguistão, Sérvia e Palestina. A presença brasileira em Moscou, ao lado dos chefes desses países, que questionam o Ocidente e a ordem liberal, pode ampliar os obstáculos ao já difícil diálogo com os Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca.

Embora Rússia e China sejam mercados importantes para a economia brasileira, a presença de Lula ao lado de chefes de Estado de países não alinhados ao Ocidente cria uma contradição com o princípio de não alinhamento da política externa brasileira. Na Rússia, Lula abordou publicamente temas polêmicos. Criticou o tarifaço de Trump em encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e afirmou que as decisões anunciadas por Trump “jogam por terra” a ideia do livre comércio, o fortalecimento do multilateralismo e, muitas vezes, o respeito à soberania dos países. Lula prometeu “estreitar e refazer com mais força” a parceria estratégica entre Brasil e Rússia.

Lula, ao participar de uma comemoração em que Putin busca enaltecer o patriotismo e reforçar sua posição de liderança alternativa para o Ocidente, em meio à guerra com a Ucrânia, traz também obstáculos à pretensão do Brasil de mediar uma solução para esse conflito. Além disso, as declarações de Lula simpáticas à Rússia podem ser interpretadas como uma posição do país em favor dos russos em um conflito que envolve não apenas a Ucrânia, mas também a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Mesmo que Lula tenha reafirmado sua posição em favor da paz e do fim do conflito, a aproximação com Putin o afasta do presidente da Ucrânia, Voladymyr Zelensky. Como Putin é defensor de uma nova ordem global marcada pela multipolaridade, em contraposição à hegemonia norte-americana, o Brasil pode estar indicando maior afinidade com os questionadores do Ocidente.

A Rússia, por óbvio, tem interesse no diálogo com o Brasil, dentro do objetivo de demonstrar que dialoga com os países do chamado Sul-Global. Em um mundo marcado pela instabilidade, o Brasil realizou um movimento geopolítico em direção ao eixo Rússia-China, alinhando-se na crítica à guerra comercial iniciada por Trump. Nesse cenário geopolítico, marcado por transformações no eixo do poder – com a hegemonia norte-americana sendo questionada, enquanto Rússia e China ganham mais peso global – o movimento do Brasil é, no mínimo, uma aposta arriscada.

PGR pede condenação dos irmãos Brazão por assassinato de Marielle Franco

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Deputado federal Chiquinho Brazão (União-RJ)
Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou nesta terça-feira (13) ao Supremo Tribunal Federal (STF) as alegações finais do processo penal que apura os assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em março de 2018, no Rio de Janeiro.

O órgão pediu a condenação dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, além do delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa. Também foram alvos do pedido o policial militar Ronald Alves Pereira e o ex-assessor do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), Robson Calixto da Fonseca.

Crime foi motivado por atuação política contra milícias, diz PGR

Segundo a Procuradoria, a morte de Marielle Franco foi encomendada pelos irmãos Brazão como retaliação à atuação da vereadora e do PSOL contra esquemas de grilagem de terras ligados a milícias na Zona Oeste do Rio.

Os irmãos — Domingos, conselheiro do TCE-RJ, e Chiquinho, ex-deputado federal — devem ser “integralmente responsabilizados” por ordenar as execuções. O delegado Rivaldo Barbosa, segundo a PGR, colaborou com os mandantes, oferecendo “diretrizes de execução” e agindo para garantir a impunidade dos envolvidos.

Organização criminosa e milícia

A PGR também pediu a condenação dos réus por organização criminosa armada. A acusação sustenta que o grupo liderado pelos Brazão praticava grilagem de terras em diversas regiões do Rio, prejudicando o desenvolvimento urbano e programas habitacionais sociais.

Segundo a Procuradoria, essa estrutura criminosa beneficiava milicianos e impunha à população taxas ilegais e serviços obrigatórios, dominando territórios por meio da força.

O documento, assinado pelo vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand, aponta que o homicídio da vereadora jamais teria ocorrido sem o aval do esquema criminoso enraizado na Polícia Civil, sob liderança do delegado Rivaldo Barbosa.

Executores já foram condenados

O ex-policial militar Ronnie Lessa, responsável pelos disparos que mataram Marielle e Anderson, já foi condenado a 78 anos e 9 meses de prisão. Em delação premiada, ele apontou os irmãos Brazão como mandantes e afirmou que Rivaldo Barbosa teria atuado para encobrir o crime.

O também ex-PM Élcio Queiroz, motorista do carro usado no atentado, foi condenado a 59 anos e 8 meses de prisão.

Próximos passos do processo

Com a manifestação da PGR, as defesas dos réus terão 30 dias para apresentar suas alegações finais. Em seguida, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, deverá preparar o voto e liberar o processo para julgamento na Primeira Turma do STF.

Presidente da COP30 alerta para “efeito dominó” climático

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Brasília, (DF) 10/03/2025 - A secretária Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e Diretora-Executiva (CEO) da COP30, Ana Toni (Fora de quadro), e o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores e Presidente da COP30, Embaixador, André Corrêa do Lago (Fora de quadro), durante coletiva sobre o lançamento da Carta da Presidência da COP30.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Faltando cerca de seis meses para a COP30, o presidente da conferência, André Corrêa do Lago, divulgou uma carta  em que afirma haver uma “perigosa tendência rumo a colapsos sistêmicos sucessivos” no meio ambiente, provocados por um “efeito dominó” das mudanças climáticas.

O documento reforça a necessidade de uma resposta multilateral urgente, conclamando os países a agirem em conjunto para evitar consequências “potencialmente devastadoras” para o planeta.

A COP30 acontecerá em novembro deste ano em Belém (PA) ,e deve reunir representantes de mais de 190 países, especialistas, ONGs, e membros da sociedade civil para avaliar o progresso do Acordo de Paris e definir ações mais eficazes.

Acordo de Paris: foco na implementação e financiamento climático

O Acordo de Paris, assinado em 2015, prevê limitar o aquecimento global a no máximo 2°C até o final do século, com esforços para conter o aumento a 1,5°C. No entanto, poucos países entregaram suas novas metas climáticas (NDCs) no prazo estabelecido (fevereiro de 2025), o que levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a estender o prazo até setembro.

Corrêa do Lago defende a aceleração na implementação do acordo, com estímulo a mudanças estruturais e uma conexão mais clara entre a crise climática e a vida real da população.

Financiamento climático e metas são desafios

Um dos grandes entraves enfrentados é o financiamento climático. Segundo estudo apresentado na COP29, seria necessário um aporte de US$ 1,3 trilhão até 2035 para garantir ações de mitigação, adaptação e prevenção climática. Porém, os países comprometeram-se com apenas US$ 300 bilhões, valor criticado pelo Brasil e especialistas por ser insuficiente.

Outro ponto crítico são as metas de descarbonização. Apenas cerca de 10% dos países signatários apresentaram suas NDCs atualizadas para 2035. A baixa adesão é vista como um risco para o cumprimento dos objetivos climáticos globais.

Lula reforça cobrança por compromissos

O presidente Lula (PT) tem usado fóruns internacionais para denunciar o descumprimento de promessas climáticas feitas por países desenvolvidos. Segundo ele, a COP30 precisa marcar uma nova fase de compromissos efetivos, saindo do discurso para a prática.

Em consonância com essa visão, o negociador-chefe do Brasil no BRICS, Maurício Lyrio, está articulando uma posição conjunta entre os países líderes do bloco (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para apresentar propostas robustas de financiamento na conferência.

Dependência por combustíveis fósseis é entrave para a transição energética

Outro desafio destacado pelo governo brasileiro é a alta dependência mundial dos combustíveis fósseis. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), já declarou ser “inadiável” debater globalmente estratégias para reduzir e eliminar o uso de petróleo, gás e carvão.

Expectativas para a COP30 em Belém

O Brasil, como anfitrião, espera que a COP30 seja um marco para a retomada da ambição climática, com foco em resultados concretos. Além da organização logística — que envolve desafios com infraestrutura, segurança e rede hoteleira —, o país quer liderar o debate climático e cobrar dos demais uma postura mais comprometida.

“É mais que hora de refletirmos sobre como fortalecer a governança global e acelerar exponencialmente a implementação do Acordo de Paris”, concluiu Corrêa do Lago em sua carta.

Brasil abre mercado para carne de pato, peru e subprodutos agrícolas com a China

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Acordo Brasil China
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em viagem para cumprir agenda em Pequim, o governo brasileiro firmou três acordos bilaterais com a China, assinados nesta terça-feira (13). As aberturas são para a exportação de produtos como carne de pato, carne de peru, miúdos de frango (coração, fígado e moela), grãos derivados da indústria do etanol de milho (DDG e DDGS) e farelo de amendoim.

Com isso, o agronegócio brasileiro alcança a 62ª abertura de mercado em 2025, totalizando 362 novas oportunidades de negócio desde o início de 2023.

Segundo dados da aduana chinesa, apenas em 2024 a China importou:

  • US$ 155 milhões em miúdos de frango;

  • US$ 50 milhões em carne de peru;

  • US$ 1,4 milhão em carne de pato;

  • mais de US$ 66 milhões em DDG e DDGS;

  • US$ 18 milhões em farelo de amendoim.

Durante a cerimônia, ocorreu o encontro entre o presidente da República, Lula (PT), e o presidente chinês, Xi Jinping. Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, houve “o maior número de aberturas de mercado para a China de uma única vez. Um reflexo da confiança mútua e da boa relação entre os dois países”, disse Fávaro.

Cooperação sanitária e fitossanitária

A abertura de cinco novos mercados e o avanço nas medidas sanitárias e fitossanitárias foram os temas dos acordos bilaterais firmados entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Administração-Geral de Aduanas da China (GACC).

Também foi assinado o Memorando de Entendimento (MoU) entre o Mapa e a GACC na área de medidas sanitárias e fitossanitárias, com o objetivo de promover a comunicação e a cooperação bilateral nesse setor. A iniciativa busca proteger a saúde humana, animal e vegetal, além de aumentar a segurança dos alimentos comercializados entre Brasil e China.

José Mujica, ex-presidente do Uruguai, morre aos 89 anos

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José Pepe Mujica
Foto: Ricardo Stuckert/PR

José “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai, faleceu nesta terça-feira (13), aos 89 anos. A informação foi confirmada pelo atual presidente uruguaio, Yamandú Orsi, que classificou Mujica como “referência, líder e querido velho”.

A saúde de Mujica vinha se deteriorando desde abril de 2024, quando revelou ter um tumor no esôfago com comprometimento avançado. Ele também sofria de uma doença imunológica crônica, que afetava seus rins há mais de duas décadas. Na véspera de sua morte, sua esposa e ex-vice-presidente, Lucía Topolansky, informou que ele se encontrava em estado terminal sob cuidados paliativos.

Da guerrilha à presidência

Nascido em 20 de maio de 1935, em Montevidéu, Mujica foi membro do Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros, grupo de esquerda que atuava contra as desigualdades sociais e a repressão política nos anos 1960. Participou de ações como assaltos a bancos para redistribuir alimentos e dinheiro aos mais pobres.

Durante a ditadura militar uruguaia, iniciada em 1973, Mujica foi capturado, torturado e mantido em solitárias, passando 14 anos na prisão. Era considerado refém do regime.

Libertado em 1985 com a anistia, ajudou a fundar o Movimento de Participação Popular (MPP), um braço da Frente Ampla, coligação de esquerda. Foi eleito deputado em 1994, senador em 1999 e, em 2005, tornou-se ministro da Agricultura no governo de Tabaré Vázquez.

Presidência: reformas sociais e exemplo de vida modesta

Em 2010, Pepe Mujica foi eleito presidente do Uruguai. Seu mandato ficou marcado por uma agenda progressista e políticas públicas voltadas à redistribuição de renda e fortalecimento dos direitos civis.

Entre seus principais feitos estão:

  • Aumento do salário mínimo em 250%;

  • Expansão dos gastos sociais para 75,5% do orçamento público;

  • Legalização da maconha, tornando o Uruguai pioneiro na regulamentação do mercado da droga.

Ficou mundialmente conhecido por sua vida simples: recusou morar no palácio presidencial, optando por viver em um sítio modesto nos arredores de Montevidéu, de onde ia ao trabalho dirigindo seu próprio Fusca ano 1987. Estima-se que doava 90% de seu salário como presidente e ex-presidente a projetos sociais.

Últimos anos: horta, saúde frágil e coerência até o fim

Após deixar a presidência em 2015, Mujica voltou ao Senado até 2020, quando renunciou por motivos de saúde, durante a pandemia de Covid-19. Nos últimos anos, dedicou-se ao cultivo de sua horta e a reflexões sobre política, humanidade e natureza.

Apesar de se declarar ateu, costumava dizer que era “quase panteísta”, com profunda admiração pela natureza. Em entrevista de 2012, afirmou: “Não tenho religião, mas sou quase panteísta: admiro a natureza”.

Brasil assina acordo com a China para ampliar exportação de etanol

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, assinou nesta terça-feira (13) um acordo entre o Brasil e a Administração Nacional de Energia da República Popular da China (NEA) que visa a abertura do mercado chinês para aumentar a compra do etanol brasileiro. 

Grupo de Trabalho discutirá inovação em etanol e combustíveis sustentáveis

O memorando assinado também cria um Grupo de Trabalho (GT) para discutir o combustível sustentável. O grupo deverá investigar, desenvolver e buscar inovação tecnológica na produção do etanol de primeira e segunda geração, como o uso complementar à gasolina em veículos. 

A atuação do GT deve englobar até outros combustíveis e aplicações avançadas, como a produção de SAF (combustível de aviação sustentável), sua aplicação como substituto do combustível marítimo (bunker fuel) e como insumo para a produção de bioplásticos.

Atualmente, a China está em fase de implementação do E10, mistura de 10% de etanol à gasolina

Parceria também abrange energia renovável e transição energética

Outro acordo firmado entre os países estabelecia o desenvolvimento tecnológico e aporte de investimentos em sistemas de transmissão de energia elétrica, energia nuclear, geração renovável, sistemas isolados e informações energéticas com foco na transição energética.

Brasileiros ainda têm R$ 9,13 bilhões em dinheiro esquecido; veja como consultar

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Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (13) que ainda há R$ 9,13 bilhões em valores esquecidos por clientes nas instituições financeiras. Os dados referem-se ao balanço de março, e mostram que milhões de brasileiros ainda não resgataram valores esquecidos em contas bancárias, consórcios e outras instituições.

Mesmo com o prazo oficial encerrado em 16 de outubro de 2024, o Ministério da Fazenda confirmou recentemente que não há limite de tempo para a solicitação dos valores. Isso significa que os cidadãos ainda podem consultar e resgatar o dinheiro normalmente.

Como consultar o dinheiro esquecido no Banco Central

A consulta e o resgate devem ser feitos exclusivamente pelo site oficial.

Regras para o resgate:

  • O valor será devolvido somente via chave PIX informada pelo usuário no sistema.

  • Quem não tem chave PIX deve contatar a instituição financeira onde o dinheiro está disponível para combinar outra forma de recebimento.

  • No caso de valores esquecidos por pessoas falecidas, só herdeiros legais, inventariantes ou representantes com documentação adequada poderão acessá-los. É necessário preencher um termo de responsabilidade no portal.

Após a consulta, o sistema informa quais instituições detêm os valores. O cliente deve então seguir as orientações específicas para cada uma delas.

Segurança reforçada no acesso ao sistema

Para evitar fraudes, o BC implementou em fevereiro uma nova etapa de segurança no acesso ao sistema Valores a Receber.

Etapas necessárias:

  • É preciso ter uma conta gov.br com nível prata ou ouro.

  • O sistema exige duas etapas de autenticação: login com CPF e senha + código de verificação gerado no aplicativo gov.br.

  • Quem ainda não tem o app gov.br precisa baixá-lo, inserir as informações e realizar validação facial para liberar o acesso completo.

Importância de verificar regularmente

Mesmo que você já tenha consultado anteriormente, novos valores podem ser incluídos no sistema com o tempo, seja por encerramento de contas inativas, devolução de tarifas ou encerramento de consórcios. Por isso, é recomendado verificar periodicamente o site do Banco Central.

Lula: Solução para a crise do multilateralismo não é abandoná-lo, mas sim aperfeiçoá-lo

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva na sessão de abertura do IV Fórum CELAC-China
Foto:Ricardo Stuckert /PR

Em discurso nesta terça-feira (13), durante o IV Fórum da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), realizado na China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que as distorções no comércio internacional, especialmente no intercâmbio de produtos agrícolas, nunca avançou com tratamento de forma satisfatória na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para Lula, a imposição de tarifas arbitrárias só agrava a situação. O presidente se referia às sanções tarifárias impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para diversos países. 

Explicou, ainda, que “a solução para a crise do multilateralismo não é abandoná-lo, mas sim aperfeiçoá-lo”. 

Integração China-América Latina

Durante o evento, Lula ainda destacou que a China é um importante parceiro dos países sul-americanos e caribenhos para o desenvolvimento da região.

“O apoio chinês é decisivo para tirar do papel rodovias, ferrovias, portos e linhas de transmissão. Mas a viabilidade econômica desses projetos depende da capacidade de coordenação de nossos países para conferir a essas iniciativas escala regional”, destacou Lula. 

De acordo com o presidente, a relação entre a CELAC e a China deve resultar em um fortalecimento das indústrias nos países sul-americanos e caribenhos, inclusive no campo das inteligências artificiais.

Lula também lembrou da participação da China no desenvolvimento de vacinas e insumos durante a pandemia do Covid-19. Para ele, reforçar a articulação entre todos esses atores permitirá aproveitar o potencial dessa relação.