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Análise: A reforma ministerial forçada de Lula

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Presidente Lula (PT).
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quando se fala em reformar a casa, grandes mudanças são esperadas. Após as eleições municipais de 2024, a expectativa era de que o presidente Lula (PT) realizasse uma reforma com mudança de nomes e de partidos na Esplanada dos Ministérios, visando garantir apoio para a reeleição em 2026. No entanto, em 2025, as seis trocas ocorridas mantiveram as legendas que já estavam no governo e, além disso, todas foram impulsionadas por polêmicas.

A primeira mudança de 2025 aconteceu em janeiro, com a chegada de Sidônio Palmeira ao cargo de ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. O que motivou a troca foi a dificuldade do governo em comunicar os bons resultados da gestão e a necessidade de reverter a popularidade em queda. Diante dos inúmeros casos de fake news que vinha enfrentando, o presidente Lula confiou ao publicitário a capacidade de melhorar a imagem do governo.

A segunda e a terceira trocas ocorreram no Ministério da Saúde (MS) e na Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Lula queria garantir o apoio da então presidente do PT, Gleisi Hoffmann, ao candidato Edinho Silva para comandar o partido. Por outro lado, também precisava melhorar a articulação com o Congresso. Assim, ofereceu a Gleisi o comando da SRI, e a Alexandre Padilha (PT), que atuava no cargo, o MS.

A quarta mudança foi feita no Ministério das Comunicações, com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) apontando que o então ministro à frente da pasta, Juscelino Filho (União Brasil), estaria envolvido em desvio de emendas. A polêmica levou à queda de Juscelino, e Lula poderia ter usado a oportunidade para fortalecer sua base. No entanto, o escolhido pelo presidente para ocupar o cargo recusou a cadeira e o União Brasil preferiu indicar um nome técnico. Por fim, a situação gerou um mal-estar entre o governo e o União sem que houvesse qualquer ganho político.

Em seguida, com o escândalo da fraude no INSS, o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), foi exonerado do cargo. A situação também gerou mal-estar entre o governo e o partido. Diante da demissão, deputados da sigla anunciaram sua saída da base do governo. Por fim, a última mudança se deu no Ministério das Mulheres, quando a então ministra, Cida Gonçalves, foi substituída por Márcia Lopes, após acusações de assédio e xenofobia.

Diante dessa sequência de fatos, a percepção é de que a “reforma” ministerial de Lula teria visado, sobretudo, reduzir conflitos dentro do próprio partido e tentar desvincular a imagem do governo das polêmicas que envolviam seus ministros. Com as eleições se aproximando, Lula estaria mais focado em cultivar a relação com o partido, o eleitorado e os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, para fazer andar pautas prioritárias no Congresso Nacional.

MPF recomenda transformar antigo prédio do Dops em centro de memória e direitos humanos

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Prédio do antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no Rio de Janeiro
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) que tomem providências, no prazo de 60 dias, para transformar o antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) em um centro de memória em defesa dos direitos humanos e das vítimas da violência de Estado.

O imóvel, localizado no Rio de Janeiro, foi doado ao extinto Estado da Guanabara nos anos 1960, com a condição de uso para fins policiais. No entanto, essa destinação não foi cumprida, e o prédio encontra-se abandonado há mais de 15 anos, em estado de forte deterioração.

Reversão ao patrimônio da União

Segundo o MPF, um parecer técnico do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) apontou que os termos da cessão foram violados, o que justifica a reversão do imóvel ao patrimônio federal.

A partir de representação do coletivo RJ Memória Verdade Justiça e Reparação, um inquérito civil público foi instaurado em março de 2024. Em visita técnica realizada em junho do mesmo ano, foram constatadas não apenas as condições críticas da estrutura, mas também a presença de carceragens e documentos históricos ainda preservados.

“Espaços como o Dops não podem ser apagados”, diz procurador

O procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, declarou que a transformação do prédio “é uma medida de justiça e reparação histórica”. Para ele, a preservação do espaço reforça o compromisso do Estado com a verdade, democracia e os direitos humanos.

“Locais como o antigo Dops não podem ser esquecidos ou apagados. Eles precisam ser ressignificados como espaços de resistência, lembrança e aprendizado para as futuras gerações.”

Acervo documental

O MPF solicitou que o estado do Rio de Janeiro e a Polícia Civil não dificultem o acesso da União ao imóvel. A própria Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol) reconheceu não ter meios de manter a preservação, e mostrou-se aberta ao diálogo. O MDHC também demonstrou interesse em firmar acordo com o governo estadual para a viabilização do projeto, com apoio e financiamento federais.

Valor simbólico e histórico do prédio

O edifício tem profundo valor simbólico e político. Foi sede da Polícia Central desde o início do século XX, e palco de ações repressivas, como a criminalização da população negra após a abolição, e a perseguição de religiões de matriz africana. Durante a ditadura militar, foi um dos principais centros de tortura no país.

Em 2020, graças à campanha “Liberte Nosso Sagrado”, com participação do MPF, foi possível recuperar objetos religiosos apreendidos injustamente pelo Estado.

INSS registra 480 mil pedidos em primeiro dia de contestação de descontos

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Aplicativo Meu INSS
Foto: Divulgação

Em entrevista coletiva, o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Jr., informou que 480 mil pessoas realizaram pedidos de contestação de descontos irregulares do benefício nesta quarta-feira (14). Segundo ele, 96% desse total, cerca de 473 mil pessoas, não reconheceram os descontos, ou seja, confirmaram os desvios. Apenas 6.720 pessoas reconheceram o vínculo com associações que realizaram descontos.

Segundo o presidente, 41 entidades foram notificadas e terão o prazo de 15 dias úteis para comprovar o vínculo com o beneficiário ou realizar o pagamento do dinheiro desviado. O dinheiro será direcionado ao Tesouro Nacional e repassado ao INSS, que ressarcirá o cidadão por meio da folha de pagamento.

O aplicativo que viabiliza essa operação, Meu INSS, teve o primeiro dia de funcionamento nesta quarta. O presidente reforçou que não há pressa e prazo limite de solicitação da constatação pelo cidadão, e garantiu que todas as comunidades serão atendidas. “Todos serão ressarcidos”, reforçou. Além disso, o instituto também está fazendo um monitoramento constante para verificar e assegurar que o aplicativo e as agências presenciais estejam funcionando devidamente.

Recursos da União

Segundo o presidente, primeiro é necessário fazer um levantamento de quanto a União teria que desembolsar financeiramente para ressarcir os danos e isso depende de mapear cada caso. “A ideia inicial é que quem custeia a indenização seja o fraudador. Depois, vamos verificar de onde e como vai sair o dinheiro”, pontuou.

Lula defende solução pacífica em diálogo entre Rússia e Ucrânia

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Lula e Putin. Brasil e Rússia
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) conversou por telefone, nesta quarta-feira (14), com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Durante a ligação, Lula parabenizou o líder russo pela proposta de abertura de negociações com a Ucrânia, em busca de uma solução pacífica para o conflito.

Reunião em Istambul

O chefe do Executivo brasileiro também incentivou Putin a participar da reunião entre representantes da Rússia e da Ucrânia, marcada para esta quinta-feira (15), em Istambul. Lula reconheceu que a definição das delegações negociadoras é uma prerrogativa soberana dos chefes de Estado.

Brasil e China

Na conversa, o presidente brasileiro ainda mencionou o diálogo recente com o presidente chinês, Xi Jinping, que resultou em uma declaração conjunta entre Brasil e China. O documento reafirma o compromisso do Grupo de Amigos da Paz e de países do Sul Global em cooperar para o encerramento da guerra por meios diplomáticos.

Serviços crescem 0,3% em março e seguem acima do nível pré-pandemia

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São Paulo (SP), 08/11/2024 - Trânsito intenso após chuva a tarde em São Paulo. serviços
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O volume de serviços do Brasil variou 0,3% em março de 2025, após crescer 0,9% em fevereiro, acumulando ganho de 1,2% nestes dois meses seguidos de resultados positivos. Assim, o setor opera 0,5% abaixo do ponto mais alto de sua série, alcançado em outubro de 2024. Além disso, o volume total de serviços está 16,9% acima do patamar pré-pandemia, cujo marco é fevereiro de 2020. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada hoje (14) pelo IBGE.

Em relação a março de 2024, na série sem ajuste sazonal, o volume de serviços cresceu 1,9%, décimo segundo resultado positivo consecutivo. O acumulado no primeiro trimestre de 2025 mostrou expansão de 2,4% frente a igual período de 2024 e o acumulado nos últimos doze meses, ao avançar 3,0% em março de 2025, acelera o ritmo de expansão frente aos avanços observados em janeiro e fevereiro (2,8%).

Informação e comunicação impulsiona crescimento

Na comparação com março de 2024, o volume do setor de serviços cresceu 1,9% em março de 2025, décimo segundo resultado positivo seguido. O avanço deste mês foi acompanhado por quatro das cinco atividades de divulgação e por 57,2% dos 166 tipos de serviços investigados.

O setor de informação e comunicação (4,6%) foi o que exerceu o principal impacto positivo, impulsionado, principalmente, pelo aumento da receita em portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet; desenvolvimento e licenciamento de softwares; tratamentos de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na Internet; e consultoria em tecnologia da informação.

Expansão regional

Regionalmente, ainda na comparação com março de 2024, houve expansão em 22 das 27 unidades da federação. A contribuição positiva mais importante ficou com São Paulo (2,0%), seguido por Distrito Federal (14,3%), Santa Catarina (5,4%), Mato Grosso (8,6%) e Goiás (7,7%). Em sentido oposto, Rio Grande do Sul (-9,6%) liderou as perdas do mês, seguido por Pernambuco (-4,7%) e Minas Gerias (-0,9%).

Atividades Turísticas

Em março de 2025, o índice de atividades turísticas apontou variação negativa de 0,2% frente ao mês imediatamente anterior, após ter avançado 2,7% em fevereiro. Com isso, o segmento de turismo se encontra 9,2% acima do patamar de fevereiro de 2020 e 3,9% abaixo do ápice da sua série histórica, alcançado em dezembro de 2024.

Apenas 3 dos 17 locais pesquisados acompanharam este movimento de decréscimo verificado na atividade turística nacional (-0,2%). As únicas influências negativas do mês ficaram com Paraná (-2,8%), Espírito Santo (-7,6%) e Rio Grande do Sul (-2,2%). Em sentido oposto, Rio de Janeiro (3,2%) liderou os ganhos do turismo, seguido por São Paulo (0,5%), Distrito Federal (4,8%) e Minas Gerais (1,0%).

Em relação a março de 2024, o índice de volume de atividades turísticas no Brasil cresceu 5,8%, décimo resultado positivo seguido, sendo impulsionado, principalmente, pelo aumento na receita de empresas que atuam nos ramos de transporte aéreo de passageiros; hotéis; serviços de reservas relacionados a hospedagens; e restaurantes.

Em termos regionais, 14 das 17 unidades da federação onde o indicador é investigado avançaram nos serviços voltados ao turismo, com destaque para:

  • Rio de Janeiro (17,0%)
  • São Paulo (3,6%)
  • Bahia (14,4%)

Exerceram os únicos impactos negativos do mês:

  • Santa Catarina (10,9%)
  • Ceará (14,7%)
  • Rio Grande do Sul (-6,5%)
  • Distrito Federal (-5,0%)
  • Mato Grosso (-7,7%)

Transportes: passageiros e cargas com desempenhos distintos

Em março de 2025, o volume de transporte de passageiros no Brasil cresceu 2,0% frente ao mês imediatamente anterior, segundo resultado positivo seguido, período em que acumulou um ganho de 4,2%. Dessa forma, o segmento se encontra 1,8% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e 21,8% abaixo de fevereiro de 2014 (ponto mais alto da série histórica).

Por sua vez, o volume do transporte de cargas avançou 0,6% em março de 2025, com ganho acumulado de 2,0% nos últimos dois meses. Dessa forma, o segmento se situa 6,6% abaixo do ponto mais alto de sua série (julho de 2023). Com relação ao nível pré-pandemia, o transporte de cargas está 35,6% acima de fevereiro 2020.

No confronto com março de 2024, o transporte de passageiros cresceu 0,8% em março de 2025, sétimo resultado positivo seguido; ao passo que o transporte de cargas decresceu 0,4% no mesmo tipo de confronto, a quinta queda seguida.

Aluguel no Minha Casa, Minha Vida: governo busca recursos para modalidade

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Chave Minha Casa Minha Vida. Foto de AS Photography: https://www.pexels.com/pt-br/foto/chave-com-cabo-preto-no-orificio-da-chave-101808/
Foto: AS Photography/Pexels

Apesar da intenção do governo de que o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) tenha uma modalidade de aluguel social, o projeto passa anda a passos lentos, por falta de recursos próprios. Idealizado há anos, a modalidade de “locação social” consiste na oferta de imóveis para aluguel por famílias de baixa renda. Assim, seria possível evitar a revenda dos imóveis do MCMV, o que, na visão de especialistas, compromete sua função social.

Ao mesmo tempo, a ideia do governo é reaproveitar, por meio de reformas, imóveis abandonados nos centros das metrópoles brasileiras. Diferentemente dos projetos tradicionais do programa MCMV, a locação social ainda deve fornecer moradia barata perto de equipamentos de infraestrutura, escolas, hospitais e comércio.

Porém, segundo o secretário nacional de Habitação, Augusto Henrique Alves Rabelo, o governo enfrenta dois desafios para tirar o projeto do papel em larga escala. O primeiro é o interesse das gestões municipais. O segundo é a limitação orçamentária, já que os recursos do programa estão direcionados para projetos em andamento — o que motivou a escolha pelo modelo de Parcerias Público-Privadas (PPPs), que hoje é estudado pelo governo, mas ainda não está em aplicação.

Em busca de recursos

Para tentar contornar esse entrave, a Câmara discute projetos de lei que direcionam recursos para esse programa de aluguéis mais baratos. Uma forma de se fazer isso seria o governo pagar uma parte do aluguel. Outra, seria o governo comprar imóveis e ele mesmo definir o preço da locação e os critérios de quem pode ser atendido. De qualquer forma, é preciso dinheiro para isso.

Uma das soluções apresentadas pela Câmara está no PL 5.663/2016, que propõe destinar 50% dos recursos do FAR (Fundo de Arrendamento Residencial) para esse tipo de iniciativa. Esse é o fundo que hoje ajuda a custear o Minha Casa, Minha Vida. É de lá que vem o dinheiro para a compra dos lotes em que são construídos os conjuntos habitacionais, por exemplo.

O projeto de lei é iniciativa do deputado Carlos Zaratinni (PT-SP). Ele argumenta que, apesar dos esforços com o MCMV, o déficit habitacional ainda é alto para a população de baixa renda, e muitas dessas famílias precisam de pesados subsídios, pois não conseguem juntar dinheiro para pagar a entrada de um financiamento para comprar um imóvel. Ele também diz que muitas famílias optam por vender os imóveis que compraram com ajuda do governo e acabam novamente sem moradia.

A proposta, no entanto, não foi bem recebida pelo governo, por seu potencial de retirar recursos de outras modalidades do MCMV. “Não é do recurso da produção habitacional que a gente vai viabilizar a locação social”, defendeu o secretário em audiência pública na Câmara nesta quarta-feira (14).

Aluguel no MCMV: o que pensam as construtoras

A audiência pública na Câmara contou com a participação de Clausens Roberto de Almeida Duarte, representando a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Ele defendeu que a locação social deveria ser uma modalidade complementar aos programas existentes — ou seja, que não deveria tirar recursos dos investimentos em novas casas e apartamentos.

Segundo ele, o segredo do sucesso de programas de aluguel social em outros países está na liderança da iniciativa privada, que costuma ser responsável pela gestão e administração dos imóveis, embora com participação ativa do poder público na regulamentação. Ele cita como exemplo, programas de pagamento de voucher para aluguel.

Governo testa aluguel por PPPs

Por enquanto, o modelo que o governo planeja aplicar é justamente em cooperação com a iniciativa privada. Atualmente, dois projetos de aluguel social estão sendo preparados por meio do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). O primeiro, em Recife (PE), teve a fase de audiências públicas encerrada em 2023 e tem edital previsto para o fim do mês que vem.

O projeto em Recife foi batizado de “PPP Morar no Centro” e tem como plano disponibilizar 1128 novas unidades habitacionais. No modelo, o governo vai comprar e reformar apartamentos abandonados, além de construir novos prédios, mas uma empresa privada ficará responsável por gerir os condomínios, podendo, inclusive, alugar espaços para o comércio.

O segundo projeto será feito em Campo Grande (MS), mas ainda está em fase de estudos. A previsão é de abertura de consulta pública na próxima terça-feira (20).

O Ministério das Cidades estabeleceu, inicialmente, um total de 10 municípios para realizar esses pilotos de locação social. O objetivo é buscar ativamente parcerias com entes estaduais e municipais para firmar essas parcerias e espalhar a iniciativa pelo país.

Câmara recorre ao STF de decisão contra Ramagem

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Alexandre Ramagem, Sóstenes Cavalcante e Hugo Motta
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta segunda-feira (13) que ingressou com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é tentar reverter a decisão que restringiu a suspensão da ação penal contra o deputado Delegado Ramagem (PL-RJ), acusado de envolvimento na tentativa de golpe de Estado.

“Esperamos que os votos dos 315 deputados sejam respeitados. A harmonia entre Poderes só ocorre quando todos estão na mesma sintonia”, escreveu Motta nas redes sociais.

A Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, que a suspensão aprovada pela Câmara não pode atingir toda a ação penal, mas apenas os crimes cometidos por Ramagem após a diplomação e durante o mandato.

Câmara aprovou suspensão total da ação penal

A controvérsia começou na semana passada, quando a Câmara aprovou, por 315 votos a favor e 143 contra, um projeto de resolução para suspender completamente o processo penal contra Ramagem. A proposta havia passado antes pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com base no artigo 53 da Constituição, que permite ao Congresso suspender ações contra parlamentares no exercício do mandato.

Contudo, segundo especialistas em direito constitucional, a Câmara teria tentado usar esse dispositivo para proteger o ex-diretor da Abin de todo o processo, inclusive por crimes ocorridos antes da diplomação, como espionagem ilegal e articulação golpista. As brechas no texto também poderiam auxiliar outros acusados, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

STF impõe limites à imunidade parlamentar

Os ministros do STF reafirmaram que a imunidade parlamentar tem caráter individual, e não pode ser usada como instrumento coletivo para barrar processos criminais em bloco. O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, determinou que Ramagem permanece réu pelos crimes de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Apenas os trechos da denúncia relativos a dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado foram suspensos, pois se referem a atos cometidos após o início do mandato parlamentar.

“Não cabe ao Judiciário substituir-se ao juízo político do Parlamento sobre a conveniência da sustação. Mas isso não significa permitir distorções constitucionais”, argumentou a decisão.

Ramagem e o núcleo central do plano golpista

Ramagem integra o chamado “núcleo 1” da trama golpista, o grupo de lideranças mais próximas do ex-presidente Jair Bolsonaro. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que ele teria usado a Abin Paralela para espionar opositores de Bolsonaro.

Além de Ramagem, são réus nesse núcleo:

  1. Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;

  2. Walter Braga Netto – general e ex-vice na chapa de 2022;

  3. Augusto Heleno – general e ex-ministro do GSI;

  4. Anderson Torres – ex-ministro da Justiça;

  5. Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;

  6. Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;

  7. Mauro Cid – ex-ajudante de ordens e delator premiado.

Todos tiveram a denúncia aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF em 26 de março.

O que diz a Constituição

O artigo 53 da Constituição Federal prevê que o Congresso pode suspender o andamento de processos contra seus membros quando os crimes tiverem ocorrido durante o exercício do mandato. No entanto, o STF destacou que essa prerrogativa não permite estender a suspensão para outros acusados nem anular crimes cometidos antes da posse.

O ofício enviado pela Câmara ao Supremo não delimitava quais crimes seriam afetados, o que motivou a correção por parte do STF e, agora, a judicialização por parte da Mesa Diretora da Casa.

Acordo entre China e EUA é sinal de que diálogo funciona, afirma Lula

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, Sessão de abertura do IV Fórum CELAC-China. China National Convention Center II, Pequim - China.


Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elogiou, nesta terça-feira (13), o acordo de trégua comercial entre Estados Unidos e China, alcançado durante uma rodada de negociações em Genebra, na Suíça. Para ele, a medida prova que o diálogo é sempre o caminho mais eficaz para resolver disputas internacionais.

“É uma demonstração de que tudo seria mais fácil se antes de anunciar de forma unilateral as taxações, os EUA tivessem conversado com a China. […] A sabedoria leva a gente sempre à mesa de negociação”, afirmou Lula, durante coletiva em Pequim.

O acordo prevê a redução de tarifas recíprocas impostas no mês anterior, iniciadas pelo presidente Donald Trump: os EUA vão diminuir taxas sobre produtos chineses de 145% para 30%, enquanto a China reduzirá suas tarifas extras de 125% para 10%. A medida trouxe alívio imediato para o mercado global.

Lula defende protagonismo da OMC e da ONU

Lula aproveitou o momento para cobrar o retorno da Organização Mundial do Comércio (OMC) como fórum principal para discutir temas comerciais. Além disso, voltou a defender a revitalização do sistema de governança global, com mais força para a ONU nas decisões sobre mudanças climáticas e conflitos internacionais.

“Não adianta tomar decisão nas COPs, se depois você não tem uma instância que obrigue a execução”, disse. “Chega um dia e desanima.”

Segundo o presidente, apenas com instituições multilaterais fortalecidas será possível enfrentar os desafios do século XXI de forma coordenada.

Regulação das redes sociais

Durante a coletiva, Lula confirmou ter discutido com Xi Jinping os impactos das redes sociais na inflamação da violência política, em especial o TikTok — plataforma controlada por uma empresa chinesa.

Segundo o presidente, ele solicitou a presença de um representante da China no Brasil para debater a questão. A primeira-dama, Janja da Silva, também participou da conversa durante o jantar oficial.

“Minha mulher não é cidadã de segunda classe. Ela entende mais de direito digital do que eu e resolveu falar”, disse Lula, defendendo a participação da esposa.

O presidente se mostrou incomodado com o vazamento da conversa para a imprensa, e criticou a quebra de confidencialidade:

“Alguém teve a pachorra de contar uma conversa de um jantar muito pessoal e confidencial.”

Xi Jinping apoia direito do Brasil de regular redes

Lula relatou que o presidente chinês respondeu positivamente à preocupação brasileira e reconheceu o direito do país de estabelecer regras para as plataformas digitais.

“Não é possível a gente continuar com as redes cometendo os absurdos que cometem, e a gente não ter capacidade de fazer uma regulamentação”, afirmou Lula, que contou com o apoio de Davi Alcolumbre (Senado) e Elmar Nascimento (Câmara) na reunião.

BRICS não quer brigar com o dólar, diz Lula

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante coletiva de imprensa em Pequim. 

Foto: Ricardo Stuckert /PR

Durante o último dia de sua viagem à China, nesta quarta-feira (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o grupo BRICS— liderado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — não pretende “brigar” com o dólar, mas sim encontrar uma alternativa para transações comerciais internacionais.

“Venho batendo nessa tecla há muito tempo. Nós não precisamos, todos os países, ir atrás do dólar para fazer comércio exterior”, declarou o presidente.

Lula mencionou a possibilidade de adoção de uma moeda única ou de uma cesta de moedas, proposta que vem sendo discutida entre os países do bloco, especialmente em um cenário de maior protagonismo geopolítico.

BRICS quer incluir os excluídos no sistema global

O presidente brasileiro destacou a relevância do BRICS no contexto mundial, afirmando que o grupo pode “mudar a história” ao incluir países tradicionalmente excluídos dos sistemas político e econômico globais.

Lula pediu que as potências internacionais não subestimem a força do BRICS, que este ano será presidido pelo Brasil. A próxima cúpula do bloco acontecerá nos dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro.

A discussão sobre uma moeda alternativa ao dólar tem gerado reações no governo dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump, afirmou em fevereiro que poderia impor tarifas de até 100% sobre os países do BRICS, caso avancem com a criação de uma nova moeda.

Lula lamenta morte de Mujica

Na abertura de sua coletiva, Lula prestou homenagem ao ex-presidente uruguaio José Mujica, falecido na última terça (13). O brasileiro anunciou a intenção de comparecer ao funeral.

“Sua grandeza humana ultrapassou as fronteiras do Uruguai e de seu mandato presidencial. A sabedoria de suas palavras formou um verdadeiro canto de unidade e fraternidade para a América Latina”, disse o presidente.

Apelo pela paz entre Rússia e Ucrânia

Sobre a guerra no Leste Europeu, Lula afirmou que pretende conversar com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para que haja diálogo com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, com o objetivo de buscar uma saída diplomática para o conflito.

“Todos nós sabemos os motivos da guerra. Eu estou preocupado é em encontrar o motivo da paz”, declarou.

Fortalecimento da relação Brasil-China

Lula celebrou o fortalecimento da parceria com a China, principal parceiro comercial do Brasil. A viagem resultou em 37 acordos bilaterais assinados entre os dois países, em áreas como agricultura, ciência, meio ambiente e infraestrutura.

Brasil registra a menor taxa de homicídios desde 2014

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São Paulo (SP), 05/12/2024 -ato contra violência policial, concentração em frente ao teatro municipal de são paulo, praça Ramos de Azevedo .segurança
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Brasil atingiu, em 2023, o menor número de homicídios desde 2014, com 45.747 mortes registradas, segundo o Atlas da Violência 2025, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta segunda-feira (12). A taxa nacional foi de 21,2 homicídios por 100 mil habitantes, uma redução de 2,3% em relação a 2022, consolidando uma tendência de queda iniciada há mais de sete anos em 11 estados brasileiros.

Os menores índices de homicídios foram registrados no Sul, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. Em contrapartida, as regiões Norte e Nordeste ainda concentram as maiores taxas.

Fatores que explicam a redução

O relatório aponta uma combinação de fatores que contribuem para a queda da violência letal:

  • Transição demográfica, com envelhecimento populacional, especialmente nas regiões Sudeste e Sul.

  • Redução de conflitos entre facções criminosas, que vinham elevando os índices de violência nos anos anteriores.

  • Uma chamada “revolução invisível” nas políticas de segurança pública, com mais uso de inteligência, planejamento e prevenção social, substituindo práticas baseadas apenas no policiamento ostensivo.

Homicídios ocultos ainda preocupam

Apesar da redução, o Brasil enfrenta um problema grave: a subnotificação dos homicídios. Entre 2013 e 2023, 135.407 mortes por causas externas foram registradas sem definição da intencionalidade (acidente, suicídio ou homicídio). Esses casos são classificados como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI).

Utilizando inteligência artificial, os pesquisadores estimaram que 51.608 dessas mortes foram, na verdade, homicídios ocultos — uma média de 4.692 por ano. Se considerados esses dados, o número real de homicídios na última década pode ter sido de 650.007, e não os 598.399 oficialmente registrados.

Em analogia, os autores comparam essa tragédia à queda de 100 aviões Boeing 747 cheios, sem sobreviventes — uma dimensão dramática da violência invisibilizada no país.

Esforços para melhorar os dados

Em resposta ao alerta do Atlas da Violência 2024, 21 estados brasileiros conseguiram reduzir os homicídios ocultos entre 2022 e 2023, demonstrando esforços em qualificar os dados.

O Espírito Santo é um exemplo positivo: com um grupo de trabalho interinstitucional, o estado reduziu de 205 para apenas 7 homicídios ocultos entre 2022 e 2023 — a menor taxa proporcional do país. A estratégia envolveu a integração de dados entre os sistemas de saúde e segurança pública, o que possibilitou maior precisão na determinação das causas de morte.