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Análise: Comunicação é o maior desafio de Lula em 2026

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Lula diz que Elon Musk tem que obedecer às ordens do STF.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

O governo Lula aposta em uma série de medidas para recuperar popularidade. Uma medida provisória está prestes a ser editada tratando, entre outros pontos, da isenção das contas de luz de 60 milhões de brasileiros, por meio da Tarifa Social de Energia Elétrica. Outra medida de grande alcance social, o Gás para Todos, é uma nova iniciativa para auxiliar as famílias de baixa renda no acesso ao gás de cozinha.

A partir de 1º de janeiro do próximo ano, o salário mínimo sobe dos atuais R$ 1.518 para R$ 1.630. Um aumento expressivo que leva em conta a inflação mais a variação do PIB de 2024, limitada a 2,5% de acordo com o arcabouço fiscal. Outro ponto é que a partir de janeiro quem ganha até R$ 5 mil mensais terá isenção de Imposto de Renda. Isso pode beneficiar cerca de 10 milhões de contribuintes – um contingente expressivo. O governo, conforme pronunciamento do presidente Lula (PT) no Dia do Trabalho (1º/05), tem sinalizado apoio à proposta que trata da revisão da jornada de trabalho 6×1.

Essas medidas, uma vez implementadas, podem fazer com que o presidente Lula (PT) recupere o apoio até mesmo na própria base, que, de acordo com pesquisas recentes, tem sofrido uma redução.

O governo também se prepara contra potenciais adversários em 2026. Há informações de que o Palácio do Planalto já está guardando material para usar na campanha do próximo ano, que tende a ser, mais uma vez, fortemente impactada pelas mídias sociais. Portanto, não basta apenas ter uma agenda com forte apelo popular e informações contra seus aliados. Saber usar e ter condições de propagar tais informações com rapidez é fundamental. E, nessa seara, o governo parece ainda patinhar.

A oposição, em especial o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), tem conseguido gerar bastante incômodo ao Palácio do Planalto. Apenas neste primeiro semestre, vale lembrar dois episódios. O primeiro foi quando o governo alterou a regra do Pix e o deputado lançou um vídeo em que afirmava que o governo poderia taxar essa popular modalidade de transferência de recursos. O vídeo viralizou nas redes e o governo foi obrigado a recuar. Agora, mais um vídeo do deputado Nikolas Ferreira, desta vez tratando do desvio de recursos de aposentados e atribuindo-o à gestão atual, fez o governo sentir o golpe. E, de novo, não conseguiu reagir. O vídeo do deputado teve mais de 100 milhões de visualizações.

O PT foi muito hábil na batalha da comunicação lançada contra Geraldo Alckmin em 2006 (privatização da Eletrobras) e em 2014 contra Marina Silva (autonomia do Banco Central). Mas o partido parece não saber mais lidar com a nova realidade. Ainda age de forma analógica em um mundo digital.

Petrobras volta a atuar na produção de fertilizantes

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Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS).
Foto: Nelson Mendes/Petrobras

Após anos de disputa judicial, a Petrobras vai retomar sua atuação no mercado de fertilizantes. A estatal fechou um acordo com a Unigel para reassumir o controle de duas  fábricas de fertilizantes nitrogenados (Fafen), localizadas em Camaçari (BA) e Laranjeiras (SE).

Segundo a Petrobras, o Conselho de Administração aprovou o encerramento das disputas judiciais e contratuais com a Proquigel, subsidiária da Unigel. Com o acordo, as duas empresas renunciam a litígios anteriores.

A estatal pretende lançar uma licitação para contratar serviços de operação e manutenção das fábricas por cinco anos. A própria Unigel poderá participar do processo. A expectativa é que as unidades voltem a funcionar em outubro.

As fábricas haviam sido arrendadas pela Unigel em 2020, durante o governo Jair Bolsonaro, como parte da estratégia da Petrobras de focar na produção de óleo e gás. No entanto, a produção foi interrompida pelo alto custo do gás natural, principal insumo na fabricação de fertilizantes. A Unigel entrou em recuperação judicial, processo concluído somente em janeiro deste ano.

Menos dependência de importações

A reabertura das unidades marca o retorno da Petrobras ao setor de fertilizantes e pode reduzir a dependência do Brasil das importações. Atualmente, cerca de 85% dos fertilizantes usados pelo agronegócio brasileiro vêm do exterior, principalmente da Rússia e Belarus.

A Fafen-SE tem capacidade para produzir 1,8 mil toneladas de ureia por dia, além de amônia, gás carbônico e sulfato de amônio. Já a Fafen-BA pode produzir até 1,3 mil toneladas diárias de ureia e comercializar também amônia, gás carbônico e Arla 32, produto usado para reduzir a emissão de poluentes por veículos a diesel.

Em agosto de 2023, a Petrobras já havia reativado outra unidade de fertilizantes: a Araucária Nitrogenados (Ansa), no Paraná, que estava parada desde 2020.

Sindicato critica modelo de gestão

A decisão de terceirizar a operação das fábricas é alvo de críticas da Federação Única dos Petroleiros (FUP). O sindicato defende que a Petrobras assuma diretamente a gestão, o que permitiria o retorno dos antigos funcionários às suas unidades de origem e a convocação de aprovados em concursos públicos.

“Defendemos o retorno dos trabalhadores que foram transferidos de forma compulsória da Bahia e Sergipe, a convocação do cadastro de reserva do concurso que está aberto e a realização de novos concursos públicos para recomposição do efetivo da nossa empresa”, argumenta o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

Governo Lula atualiza regras de transição do Bolsa Família

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Bolsa Família
Foto: Lyon Santos/MDS

O governo federal atualizou, nesta quinta-feira (15), as regras de transição do Bolsa Família para famílias que ultrapassarem o limite de renda para entrada no programa. A mudança foi publicada em portaria do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) no Diário Oficial da União e começa a valer em junho de 2025, com impacto nos pagamentos a partir de julho.

Segundo o governo, o objetivo é garantir a sustentabilidade do programa, priorizar famílias em maior vulnerabilidade e evitar fraudes, especialmente em casos de rendas estáveis, como aposentadorias e benefícios assistenciais.

O que muda

A principal mudança está na redução do prazo de permanência no Bolsa Família para famílias que ultrapassarem o limite de renda de R$ 218 por pessoa, mas ainda se mantêm abaixo de R$ 706 per capita:

  • Famílias com renda variável: poderão continuar no programa por 12 meses, recebendo 50% do valor do benefício.

  • Famílias com renda estável (aposentadoria, pensão ou BPC-Idoso): permanência de apenas 2 meses.

  • Famílias com pessoas com deficiência que recebem o BPC: poderão permanecer por até 12 meses, considerando a natureza revisável do benefício.

A fixação do novo teto de R$ 706 segue parâmetros de linha de pobreza internacional, segundo o ministério.

Até então, famílias com renda per capita entre R$ 218 e meio salário mínimo podiam permanecer por até 24 meses no programa, com direito a 50% do valor do Bolsa Família.

Nova regra define três públicos distintos

A partir da folha de pagamento de julho de 2025, as famílias serão classificadas da seguinte forma:

  • Público 1: Famílias que já estavam na regra de proteção até junho de 2025.
    Permanência: até 24 meses. Renda limite: R$ 759 (meio salário mínimo).

  • Público 2: Novas famílias sem renda estável.
    Permanência: até 12 meses. Renda limite: R$ 706 por pessoa.

  • Público 3: Novas famílias com renda estável.
    Permanência: até 2 meses. Renda limite: R$ 706 por pessoa.

O que não muda

Famílias que já estavam na regra de proteção até junho permanecem com as regras anteriores. E caso a renda volte a cair, elas terão o valor integral do Bolsa Família restaurado.

Além disso, qualquer família que deixe o programa poderá retornar com prioridade por meio do mecanismo do “retorno garantido”, válido por até 36 meses.

Justificativa do governo

De acordo com o ministério, a nova regra reconhece que a superação da pobreza é gradual, e que é preciso dar tempo de adaptação às famílias que conseguem emprego ou aumentam sua renda.

A redução do prazo de permanência visa ajustar o programa à realidade econômica, garantindo foco nas famílias que mais precisam e qualificando o gasto público.

“As mudanças representam maior qualificação do gasto público e do atendimento às famílias que mais precisam, garantindo a segurança na transição para o mercado de trabalho”, destacou a nota oficial.

Haddad nega pacote fiscal e diz que governo prepara medidas pontuais para meta de 2025

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Brasília (DF), 12/03/2025 – O ministro da fazenda, Fernando Haddad, durante cerimônia de lançamento do programa “Crédito do Trabalhador”
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que a pasta está elaborando medidas pontuais para ajudar no cumprimento da meta fiscal de 2025 e negou que o governo apresentará algum pacote ao presidente Lula (PT).

Haddad afirmou que a equipe econômica apresentaria as sugestões nesta semana, mas a agenda internacional do presidente Lula (PT) adiou a reunião para a próxima semana. O ministro conversou com jornalistas nesta quinta-feira (15), na saída do Ministério da Fazenda.

Medidas serão focadas em gargalos de receita e despesa

“Em julho do ano passado nós tomamos um série de medidas para cumprimento da meta. Este ano também nós estamos identificando onde estão alguns gargalos, alguns problemas, tanto do ponto de vista da despesa quanto da receita, e vamos apresentar para o presidente. Não dá nem chamar de pacote, pois são medidas pontuais, nenhuma de escala, voltadas exclusivamente para o cumprimento da meta fiscal”, explicou o ministro.

Haddad nega estudo para reajuste do Bolsa Família

Haddad desmentiu ainda informações veiculadas na imprensa de que o governo estuda aumentar o Bolsa Família de R$ 600 para R$ 700 em 2026. Segundo ele, o MDS (Ministério do Desenvolvimento Social) não solicitou estudos nesse sentido, e nem o governo iniciou a elaboração do orçamento de 2026.

“O orçamento vai para o Congresso em agosto, ele nem começou a ser discutido. As pressões, as dificuldades, nem começaram a ser discutidas. Não tem nenhum estudo a respeito. Agora, se querem inventar um problema para ajudar especulador a ganhar dinheiro, o problema não pode ser meu”, finalizou Haddad.

É o momento da Câmara discutir fim da jornada 6×1, diz presidente da CCJC

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Dep. Paulo Azi (UNIÃO - BA).
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Após semanas turbulentas na Câmara, com a análise da cassação de Glauber Braga (Psol-RJ) e a suspensão da ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), a Casa tenta retomar a análise de projetos. E, no que depender do presidente da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC), Paulo Azi (União-BA), o primeiro tema a entrar na pauta deve ser o fim da jornada de trabalho 6×1.

Em entrevista à Arko Advice, o deputado defendeu que “é fundamental avaliar o impacto econômico, a possibilidade de aumento de custos, e se isso virá acompanhado de ganhos de produtividade”.

Confira a entrevista completa:


A pauta da CCJC acabou afetada pela suspensão da ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o recurso apresentado pelo deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). Vencidas essas questões, qual deve ser a prioridade da comissão?

O início da nossa gestão foi conturbado devido a esses dois processos envolvendo deputados. Superada essa fase, nosso foco é dar atenção especial às pautas de iniciativa do governo, que tem legitimidade para propor projetos voltados para a implementação de suas políticas públicas. A PEC da Segurança Pública, por exemplo, terá prioridade, pois segurança é uma das principais preocupações da população. Também consideramos essencial debater os temas econômicos. O país vive um momento delicado, e projetos que tragam previsibilidade aos agentes econômicos e segurança jurídica aos setores produtivos receberão atenção especial, incluindo pautas importantes para a agropecuária.

Daremos atenção também às demandas dos trabalhadores. O governo sinalizou interesse em discutir a redução da jornada de trabalho. Entendo ser o momento de a Câmara se debruçar sobre o tema, com uma discussão ampla, envolvendo empregados, empregadores e toda a sociedade. É fundamental avaliar o impacto econômico, a possibilidade de aumento de custos, e se isso virá acompanhado de ganhos de produtividade. Também é preciso saber até que ponto o governo poderá contribuir para absorver esses custos.

A resistência dos governadores, com receio de perder poderes para a União, pode travar o avanço da PEC da Segurança Pública?

A PEC tem, no âmbito da CCJC, basicamente a avaliação da sua admissibilidade. Então, não vamos tratar das questões de mérito inseridas na PEC. É óbvio que o ponto central é se existe ou não uma invasão de competência que poderia ferir o Pacto Federativo. Por isso é importante a gente ouvir o ministro, autor da proposta, e os governadores. Até para que, se for o caso, possamos avançar em alguma alteração no texto. O próprio governo tem dito que não é do seu interesse usurpar qualquer atribuição que pertença a governadores e prefeitos.

O senhor acredita que a obstrução do Partido Liberal pode impedir a análise desses temas?

Se esse tema continuar na pauta da Câmara sem uma definição, isso pode atrapalhar. O PL é o maior partido da Casa, e é um desafio para toda a classe política buscar uma solução definitiva para que possamos virar essa página. Eu entendo que houve um exagero do Supremo na aplicação das penas [aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro], colocando praticamente todos sob a mesma avaliação. Pessoas que podem ter sido organizadoras e mentoras não podem estar no mesmo patamar de quem participou de uma manifestação de forma, muitas vezes, inocente.

A sociedade claramente não concorda com o rigor das penas. Isso está sendo observado pelos parlamentares nas ruas. Por isso há pressão na Câmara para tratar definitivamente do assunto. O presidente [da Casa], Hugo Motta, tem buscado uma saída que não pareça confronto com ninguém. Mas precisamos, de fato, virar essa página — se for o caso, submeter ao plenário um texto que não trate todos os envolvidos de forma igual e que permita à Casa decidir soberanamente sobre o tema.

A coleta de assinaturas para a CPI do INSS e a urgência da anistia mostram que parte do União Brasil faz oposição, mesmo com ministro no governo. O senhor acha que o partido precisa definir logo sua posição?

Acho que sim. O partido já começou a fazer tratativas internas em busca de uma identidade, para que possamos defender efetivamente um projeto. Claro que, como ocorre em praticamente todos os partidos de centro, há deputados mais próximos e outros mais afastados do governo, muito em função da distribuição regional configurada na última eleição. Pessoalmente, defendo que o partido deve rapidamente tomar uma decisão quanto ao seu projeto futuro, ainda mais após o lançamento da pré-candidatura do governador Ronaldo Caiado [à Presidência]. É preciso que haja cada vez mais uma posição única.

A presença de alguns ministros e de quadros filiados ao partido foi reflexo dessa divisão e da polarização das últimas eleições. Desde o início, ficou claro nas tratativas com o governo que essa presença não representava um apoio incondicional nem inseria o partido na base aliada do presidente Lula. Tratava-se da participação de quadros ligados a uma ala mais próxima do governo, sem autoridade para posicionar o partido como integrante da base governista.

Fraude no INSS: Quero virar a página desse fato, diz ministro

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CTFC promove audiência pública com ministro da Previdência Social, para prestar informações sobre as fraudes relacionadas a descontos não autorizados por aposentados e pensionistas do IINSS. Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), declarou que a intenção ao assumir a pasta era “virar a página” diante dos desvios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que desviou mais de 6,3 bilhões da aposentadoria. A declaração foi durante a ida do ministro à Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC) do Senado nesta quinta-feira (15). 

“Quero virar a página desse fato, ressarcir os aposentados, buscar os culpados e fazer com que nenhum aposentado ou pensionista seja prejudicado”, afirmou. Ainda de acordo com o ministro, uma nova regulamentação do desconto em folha será analisado pelo governo para mitigar outras possíveis fraudes.

Ao ser questionado sobre a celeridade do ressarcimento para os pensionistas e aposentados prejudicados, Wolney disse que a “prioridade absoluta” do governo foi o acolhimento dos segurados desde o começo das investigações. O ministro também alegou que a investigação dos descontos partiu do atual governo, mesmo com indícios das irregularidades desde 2019.

Líder do PT diz que partido deve apoiar a CPMI do INSS

O líder do PT no Senado, senador Rogério Carvalho (SE), afirmou que o partido deve assinar o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas do INSS. Até o momento, a iniciativa contava apenas com o apoio da oposição. Segundo ele, o apoio é acompanhado de um pedido para que a comissão também investigue o governo passado.

“Eu quero dizer, na condição de líder do PT [no Senado], que nós vamos defender que o partido participe dessa CPMI — mas não uma CPMI para disputa política ou palanque eleitoral, e sim para investigar, apontar os responsáveis e prender aqueles que burlaram os pensionistas do INSS”, disse Rogério Carvalho.

O pedido para criação da CPMI foi protocolado na segunda-feira (12) pela deputada Coronel Fernanda (PL-MT) e pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

Hotel Tambaú tem novo dono após decisão do STJ

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Hotel Tambaú, em João Pessoa (PB)
Foto: Reprodução

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) pôs fim a uma longa disputa judicial, que se arrastava há quase cinco anos, ao reconhecer o grupo AG Hotéis e Turismo S/A, do Rio Grande do Norte, como o novo proprietário do Hotel Tambaú, cartão-postal da orla de João Pessoa (PB).

A decisão da 4ª Turma do STJ, proferida na terça-feira (13), revalida o leilão realizado em 2021, no qual o grupo potiguar arrematou o imóvel por R$ 40,6 milhões. A venda, porém, havia sido invalidada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), o que gerou a batalha judicial com o grupo Ampar Hotelaria, da Paraíba, que também havia vencido um leilão anterior, e mantinha a posse do hotel desde 2021.

Reabertura prevista até 2027

Após a decisão, o empresário Ruy Gaspar, da AG Hotéis, anunciou para o portal UOL que o grupo fará um investimento estimado em R$ 100 milhões para recuperar o imóvel. Segundo ele, será necessário refazer toda a parte elétrica, hidráulica e estrutural do hotel, fechado desde 2020, quando a pandemia agravou a crise herdada da falência da Varig, antiga dona da rede Tropical Hotéis.

“Esse hotel é um ícone da hotelaria mundial. A própria Varig o estampava em bilhetes aéreos. Sua reativação vai resgatar o turismo internacional em João Pessoa”, declarou Gaspar.

A expectativa da AG Hotéis é reabrir o Hotel Tambaú até a virada de 2026 para 2027, após a publicação do acórdão da decisão judicial.

Ampar promete recorrer: “Violação ao devido processo”

Apesar da decisão favorável à AG Hotéis, o grupo Ampar Hotelaria informou que vai recorrer, alegando que o STJ contrariou precedentes da própria Corte. Em nota, a empresa destacou que pagou R$ 40 milhões pela arrematação em 2021, além de R$ 1 milhão à Prefeitura de João Pessoa para viabilizar a transferência do imóvel, tendo cumprido todas as obrigações legais, financeiras e administrativas.

“A empresa que pleiteia o reconhecimento não pagou integralmente o valor e tenta se beneficiar de manobras judiciais que desvirtuam o devido processo legal”, diz o comunicado da Ampar.

O advogado da AG Hotéis, Fred Ferreira, rebateu os argumentos e afirmou que a decisão do STJ não tem mais possibilidade de reversão, pois se baseia em legislação federal e não envolve matéria constitucional, o que impede novo recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Entenda a disputa

O Hotel Tambaú, inaugurado em 1971, tornou-se um dos mais conhecidos cartões-postais do litoral nordestino. Após a falência da Varig em 2010, o hotel continuou operando sob administração da massa falida até fechar em 2020, devido à pandemia e à falta de recursos.

Com dívidas trabalhistas da ordem de R$ 4,7 bilhões, a massa falida decidiu leiloar o imóvel. Dois grupos diferentes — AG Hotéis e Ampar — venceram leilões distintos, realizados em momentos diferentes, gerando um impasse judicial que agora, ao menos do ponto de vista do STJ, chegou ao fim.

Petroleiros marcam “greve de advertência” na Petrobras

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Navio-plataforma Anita Garibaldi deixa estaleiro rumo à Bacia de Campos. Foto: Agência Petrobras
Foto: Agência Petrobras

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) anunciaram uma greve de advertência na Petrobras. A paralisação foi marcada para os dias 29 e 30 de maio. Segundo as entidades, a medida é uma resposta direta à ausência de avanços concretos no diálogo com a direção da companhia, especialmente em relação à remuneração variável dos empregados e à política de cortes de custos implementada.

Na próxima semana, assembleias serão realizadas em todas as unidades da Petrobras para formalizar a rejeição da proposta apresentada pela estatal. FUP e FNP preparam uma contraproposta unificada, que será apresentada à direção da empresa.

Não é a primeira paralisação de advertência feita pelos funcionários da Petrobras. Em março, um movimento do tipo resultou em reunião com a diretoria da empresa.

Protesto contra lucros bilionários com cortes internos

As federações criticam o que classificam como “incoerência” da gestão da estatal, que ao mesmo tempo em que anunciou um lucro líquido de R$ 35,2 bilhões no primeiro trimestre de 2025 e a distribuição de R$ 11,72 bilhões em dividendos aos acionistas, tem defendido medidas de austeridade interna.

“Os R$ 11,7 bilhões de dividendos para acionistas anunciados pela empresa representam 33,3% do lucro líquido registrado no trimestre. Mas quando olhamos sua trajetória na gestão Magda Chambriard (entre 2T24 e 1T25), nota-se que o total de dividendos pagos, de R$ 74,1 bilhões, é 1,53 vezes superior ao lucro líquido auferido pela companhia no período, que foi de R$ 48,2 bilhões”, argumentou o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

Segurança e Fafen-PR

Além da demanda salarial, os sindicatos pedem a melhoria das condições de segurança durante a manutenção e operação da fábrica de fertilizantes do Paraná (Fafen-PR). A unidade é uma das apostas do governo brasileiro para diminuir a dependência da importação de fertilizantes.

“Nada vai acontecer até que Putin e eu nos encontremos”, diz Trump sobre acordo de paz na Ucrânia

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Presidente dos Estados Unidos Donald Trump
Foto: White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira (15) que “nada acontecerá” nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia até que ele tenha um encontro com o presidente russo, Vladimir Putin. A declaração foi feita durante sua passagem pela Arábia Saudita, parte de uma visita ao Oriente Médio.

“Nada acontecerá antes de que Putin e eu nos reunamos”, afirmou Trump, ao ser questionado por jornalistas sobre a ausência do líder russo na reunião marcada para hoje em Istambul, na Turquia.

Putin, que havia sugerido um encontro direto com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky no fim de semana, acabou não comparecendo. A ausência foi confirmada pelo Kremlin, que enviou à Turquia uma comitiva formada por vice-ministros e assessores, sem nenhum integrante do alto escalão do governo.

Delegação russa é criticada por Zelensky

O presidente ucraniano, que já está na Turquia, demonstrou frustração com a ausência de Putin e classificou a delegação enviada por Moscou como “decorativa”. Entre os integrantes estão:

  • Vladimir Medinsky – assessor de Putin;

  • Mikhail Galuzin – vice-ministro das Relações Exteriores;

  • Igor Kostyukov – chefe do Estado-Maior russo;

  • Alexander Fomin – vice-ministro da Defesa;

  • Porta-vozes e especialistas da presidência e do Ministério da Defesa.

Apesar disso, os representantes russos disseram estar “prontos para um trabalho sério e profissional”, segundo declarações de Medinsky e da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova.

Ausência de Trump

Convidado para o encontro, Donald Trump também não compareceu, embora tenha dito anteriormente que considerava participar. Segundo a agência Reuters, o Kremlin ainda trabalha com a possibilidade de um encontro bilateral entre Trump e Putin em outro momento.

O vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, afirmou que um possível diálogo entre os presidentes dos EUA e da Rússia não está condicionado ao avanço das negociações com a Ucrânia.

Zelensky acusa Putin de fugir do diálogo

Ao longo da semana, o presidente ucraniano fez diversos apelos públicos para que Vladimir Putin comparecesse à reunião, afirmando que sua ausência provaria que Moscou “não está pronta para a paz”.

“Se Putin se recusar a viajar à Turquia, será o sinal definitivo de que a Rússia não quer acabar com esta guerra”, disse o chefe de gabinete de Zelensky, Andrii Yermak.

Zelensky chegou a pedir ajuda ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teria solicitado a Putin, por telefone, que comparecesse a Istambul.

Tentativas de negociação

Esta seria a primeira negociação direta entre os dois países desde os primeiros meses da guerra, iniciada em fevereiro de 2022. A Turquia, membro da OTAN, tem atuado como mediadora, e sediou as últimas tentativas de conversas diretas.

Desmatamento cai em quase todos os biomas do Brasil em 2024

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Rio de Janeiro (RJ), 27/03/2023 - Garça-branca-grande (Ardea alba) se alimenta na Baía de Guanabara. desmatamento, mata atlântica, meio ambiente, clima
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Cinco dos seis biomas brasileiros tiveram queda no desmatamento em 2024, segundo o Relatório Anual do Desmatamento (RAD) divulgado pelo MapBiomas nesta quarta-feira (14). A única exceção foi a Mata Atlântica, que registrou aumento de 2% em comparação com 2023, devido principalmente a eventos climáticos extremos, mas com número considerado estável.

No total, o país desmatou 1.242.079 hectares no ano, com 60.983 alertas registrados — uma queda de 32,4% na área e 26,9% nos alertas, em relação ao ano de 2023.

Redução por bioma

Veja os percentuais de redução do desmatamento por bioma em 2024:

  • Pantanal: -58,6%

  • Pampa: -42,1%

  • Cerrado: -41,2%

  • Amazônia: -16,8%

  • Caatinga: -13,4%

  • Mata Atlântica: +2%

Apesar da queda, Cerrado e Amazônia continuam sendo os biomas mais atingidos, concentrando 89% da área desmatada. O Cerrado liderou pelo segundo ano consecutivo, com 652 mil hectares perdidos, o que representa 52,4% do total de vegetação suprimida no país.

Motivos para a redução

Segundo os pesquisadores, três fatores principais explicam a queda do desmatamento:

  1. Planos específicos de enfrentamento para todos os biomas.

  2. Maior atuação dos estados na fiscalização e nos embargos ambientais.

  3. Uso crescente dos dados de desmatamento na concessão de crédito rural.

Destaques regionais e estaduais

A região Amacro (Amazonas, Acre e Rondônia) teve queda de 13%, com 89 mil hectares desmatados. Já o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentrou 42% da perda de vegetação nativa no país, com destaque para o Cerrado, onde 75% da destruição ocorreu nessa região.

Entre os estados que mais desmataram, destacam-se:

  • Maranhão: 17,6%

  • Pará: 12,6%

  • Tocantins: 12,3%

Os estados que mais reduziram o desmatamento foram Goiás, Paraná e Espírito Santo, com queda superior a 60%. Por outro lado, Rio de Janeiro, Acre e Rio Grande do Sul tiveram aumento nas perdas — neste último, por conta de eventos extremos na Mata Atlântica.

Municípios e terras indígenas

Mais da metade dos municípios brasileiros tiveram pelo menos um registro de desmatamento em 2024. Os maiores aumentos proporcionais ocorreram nos municípios piauienses de Canto do Buriti, Jerumenha, Currais e Sebastião Leal.

Nas terras indígenas, o desmatamento caiu 24%, totalizando 15.938 hectares. A TI Porquinhos dos Canela-Apãnjekra (MA) liderou as perdas, com aumento de 125% em relação a 2023.

Nas Unidades de Conservação, a perda foi de 57.930 hectares — 42,5% a menos que no ano anterior. A APA Triunfo do Xingu (PA), na Amazônia, foi a mais afetada.

Transparência

Em 2024, 43% do desmatamento no país ocorreu com autorização, sendo o Cerrado o bioma com maior volume autorizado (66%). Já na Amazônia, apenas 14% da área desmatada foi liberada legalmente.

O Maranhão, além de liderar o ranking de desmatamento, foi o estado com menos transparência nos dados ambientais.

Vetores de desmatamento e série histórica

Desde 2019, o Brasil perdeu 9,88 milhões de hectares de vegetação nativa, sendo 67% apenas na Amazônia Legal, área que engloba nove estados do Brasil. A agropecuária é responsável por mais de 97% do desmatamento registrado no país nos últimos seis anos, de acordo com o MapBiomas.