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O Brasil pós 1888: as feridas abertas da abolição

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Escravizados trabalhando em uma fazenda de café brasileira em 1882. Foto: Marc Ferrez

Há 137 anos, no dia 13 de maio, a princesa Isabel assinava a Lei Áurea. Era oficialmente o fim do regime escravocrata no Brasil. Embora esse momento seja frequentemente celebrado como um símbolo de liberdade, para a população negra brasileira ele carrega uma ambiguidade dolorosa.

Sem terra, sem trabalho e sem direitos

Os negros escravizados foram libertos sem qualquer medida de reparação, inclusão social ou garantia de direitos. O fim da escravidão foi formal, mas os resquícios da desigualdade socio-racial perduram há mais de um século.

A ausência de políticas públicas para essa população depois de tantos anos escravizados fez com que fossem jogados forçadamente à marginalidade. Não houve um projeto de país pensado para esse grupo.

Essa negligência histórica explica, em maior parte, as desigualdades raciais que ainda assolam o Brasil.

Para a doutora em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mariana Gino, o contexto do racismo na sociedade brasileira, reflexo do passado, está engendrado dentro da cultura da sociedade brasileira.

“Quando a gente fala na face da abolição, conectada não só com o presente, o qual nós ainda passamos por todos esses processos de violência, mas com um passado que se mostra ainda mais presente. Então hoje a gente tem o contexto não da escravidão, mas tem um contexto racismo, que é forjado no contexto da escravidão”.

“A farsa da abolição”: ausência de cidadania plena

A abolição da escravidão não garantiu a inserção da população negra no Estado brasileiro enquanto cidadãos. Foi um ponto de partida, e não de chegada.

“Mesmo após a abolição, aí contamos nos anos 2000, a população negra ainda é marginalizada, ainda é subalternizada e ainda é a que menos têm acesso a direitos”, declara a especialista.

De acordo com dados do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56% da população brasileira se considera preta ou parda. Quando observados os espaços de poder, a maioria se torna minoria.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas 26% do total de cadeiras da Câmara dos Deputados são ocupadas por negros. Em contrapartida, 73% da população das favelas no Brasil é negra.

“Olhar criticamente para o 13 de maio é pensar esse passado histórico, mas vislumbrando um futuro possível”, completa Mariana.

Goiás aprova ensino de inteligência artificial nas escolas

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Governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União). Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

A Assembleia Legislativa de Goiás aprovou um projeto de lei complementar que institui a Política Estadual de Fomento à Inovação em Inteligência Artificial (IA). A proposta, enviada pelo governador Ronaldo Caiado (União), estabelece diretrizes para o uso e desenvolvimento da tecnologia em diversos setores e inclui o ensino de IA no currículo das escolas públicas estaduais.

A ideia é capacitar alunos da rede pública em inteligência artificial, seja por meio de disciplinas eletivas ou como tema transversal e interdisciplinar, contemplando especialmente áreas como Matemática, Ciências, Informática e Humanidades. O texto também prevê parceria com o Sistema S (SESI, SENAI, SEBRAE, SENAC) para formação técnica.

Assembleia aprova em um dia

O projeto foi aprovado pela assembleia de forma acelerada, em apenas um dia de tramitação e já está de volta na mesa de Caiado para sanção — ultima etapa antes que a regra passe a valer.

O texto também prevê a aplicação de IA em áreas estratégicas como agronegócio, saúde, educação e indústria, com ênfase no uso de soluções abertas (open source).O setor de saúde utilizará IA para gestão hospitalar, vigilância epidemiológica e distribuição de medicamentos. No agronegócio, o programa “IA no Campo – Agro-Tech Aberta Global” visa ampliar a produtividade por meio de tecnologias como visão computacional aplicada.

Segundo o governo estadual, um dos pilares do texto é preparar o estado para integrar o desenvolvimento global da tecnologia, evitando dependência externa. Entre as medidas práticas, está a criação de um Sandbox Estadual Permanente para testes regulatórios de tecnologias emergentes, inclusive agentes autônomos.

Em outra frente, o projeto propõe incentivos à instalação de datacenters no estado, com uso de energias renováveis, como o biometano derivado de resíduos agrícolas. A intenção é atrair investimentos alinhados a práticas sustentáveis.

Outras ações incluem a criação do Centro Estadual de Computação Aberta e Inteligência Artificial, voltado ao fomento técnico, fiscal e financeiro de projetos baseados em IA. Também será criada uma área de relações internacionais dedicada à cooperação global nesse campo.

Lula também quer regular Inteligência Artificial

Ao mesmo tempo, o governo federal também busca regulamentar as inteligências artificiais. Para isso, ele criou um Grupo de Trabalho (GT) para coordenar a execução do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O GT terá duração de quatro anos e será composto por representantes de 15 órgãos e entidades públicas.

Entre os objetivos estão o fortalecimento da infraestrutura tecnológica nacional, o desenvolvimento de processadores de IA de alto desempenho e a modernização do supercomputador do Laboratório Nacional de Computação Científica. A proposta é torná-lo um dos cinco mais potentes do mundo, operando com energia renovável. As ações abrangem áreas como saúde, educação, meio ambiente, inovação e infraestrutura.

Em abril, inflação de alimentos e bebidas registra maior alta desde 2022

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O grupo de alimentos e bebidas teve a maior inflação para um mês de abril desde 2022, sendo registrada em 0,82% em 2025. Há três anos, neste mesmo período, o indicador foi registrado em 2,06%. O índice geral de inflação em abril foi de 0,43%, e alimentação foi o grupo com maior participação neste percentual, responsável por 0,18 p.p.

Esses itens desaceleraram em relação a março, quando registrados em 1,17%. Apesar disso, o indicador acumulado nos primeiros quatro meses deste ano chegou a 3,65%, maior patamar desde o mesmo período também de 2022.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), neste mês de abril, frutas, legumes e outros alimentos foram os principais responsáveis pela alta registrada. Contribuíram para esse resultado as altas da batata-inglesa (18,29%), do tomate (14,32%) e do café moído (4,48%). No lado das quedas destacam-se a cenoura (10,40%), o arroz (4,19%) e as frutas (0,59%).

Inflação pressiona governo

A persistência da pressão inflacionária, especialmente sobre alimentos, segue sendo um dos motivos de desaprovação do governo Lula (PT). Segundo o mais recente boletim Focus, pesquisa realizada com agentes do mercado para captura de projeções de indicadores, a inflação deve encerrar 2025 em 5,51%, acima do centro da meta contínua de 3%. 

Além disso, um outro efeito relevante de reduzir a inflação é a redução da Selic, taxa básica de juros da economia brasileira. Atualmente, o Copom (Comitê de Política Monetária) estima que a inflação vai terminar este ano em 4,8%. Na reunião do Copom  ocorrida neste mês, os diretores do Banco Central decidiram elevar a Selic em 0,5 p.p, chegando a 14,75% ao ano. A convergência do indicador à meta estabelecida pode iniciar um período de cortes na Selic, e destravar o crescimento econômico que se retrai com juros altos.

Em busca de reduzir os preços ao consumidor, o governo chegou a montar um grupo de trabalho para monitorar e sugerir medidas que reduzam o preço dos alimentos. Além disso, no mês de março, o governo zerou o imposto de importação de determinados alimentos. Entretanto, as medidas ainda não surtiram efeito. A aposta do governo é que com a previsão de uma safra positiva neste ano, os preços caiam. Todavia, quanto mais prolongado o período de preços acima da média, pior a avaliação da população sobre o governo.

O governo pode tentar trabalhar em outra frente, por exemplo, com medidas que garantam estabilidade fiscal. Além disso, sinalizações de um ajuste fiscal pelo lado das despesas podem contribuir com a avaliação da política fiscal, e, assim, ancorar as expectativas de investidores. Por fim, o movimento pode ajudar a valorização do real frente ao dólar, e, consequentemente, ajudar com os preços ao consumidor.

Análise: A Operação Guacamaya e seus impactos na diplomacia sul-americana

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Operação do Brasil na embaixada da Argentina na Venezuela
Foto: Reprodução

A madrugada do dia 6 de maio de 2025 marcou o desfecho de um impasse diplomático que durava nove meses. Em uma ação coordenada e envolta em sigilo, cinco opositores do regime de Nicolás Maduro conseguiram deixar a embaixada da Argentina em Caracas, onde estavam asilados desde agosto de 2024. O episódio, batizado de Operação Guacamaya, reacendeu o debate sobre os limites do asilo diplomático, a hostilidade do regime venezuelano com dissidentes e o papel das democracias latino-americanas diante de regimes autoritários.

Os cinco opositores — dirigentes da oposição venezuelana ligados à candidatura de Maria Corina Machado — buscaram refúgio na embaixada argentina após serem perseguidos pelo governo de Maduro sob acusações de conspiração. O pedido de asilo foi reconhecido pelo governo argentino ainda sob a presidência de Alberto Fernández. No entanto, a deterioração das relações entre Caracas e Buenos Aires culminou na expulsão de diplomatas argentinos da Venezuela, deixando os asilados sob risco e sob a proteção simbólica do Estado argentino.

Diante do vácuo diplomático, o Brasil — por meio de sua embaixada — assumiu a custódia temporária da sede argentina em Caracas, de maneira informal, mas reconhecida internacionalmente. Durante meses, o governo brasileiro fez gestões diplomáticas pedindo salvo-conduto para os asilados deixarem o país com segurança, conforme prevê a Convenção de Caracas sobre Asilo Diplomático. Todas as solicitações foram ignoradas pelo regime chavista.

Embora os detalhes logísticos ainda não tenham sido oficialmente confirmados, fontes diplomáticas revelaram que a operação contou com apoio da diplomacia argentina, possivelmente com a colaboração de redes discretas de apoio humanitário e político dentro da Venezuela. Os cinco dissidentes foram retirados da embaixada da Argentina de madrugada e saíram do país em um voo charter para chegar aos Estados Unidos.

Segundo reportagens do Clarín e do New York Times, a operação também teve apoio logístico e de inteligência do governo dos Estados Unidos, que teria fornecido informações cruciais para o deslocamento seguro dos opositores. A ação contou com a participação de agentes de inteligência e diplomatas norte-americanos lotados em Bogotá, que monitoraram os movimentos das forças de segurança venezuelanas e coordenaram contatos no país.

A ação foi planejada com alto grau de discrição para evitar qualquer confronto com forças de segurança venezuelanas, que mantinham vigilância ostensiva nas imediações da embaixada. A operação lembrou estratégias típicas da Guerra Fria, com o uso de rotas alternativas, contatos locais e o respaldo de governos aliados.

O governo de Javier Milei celebrou o sucesso da operação como uma vitória da liberdade sobre o autoritarismo. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina afirmou que “a diplomacia deve proteger vidas e princípios, mesmo diante da omissão de regimes que ignoram os tratados internacionais”.

O Itamaraty também se manifestou, informando que tomou conhecimento da saída dos opositores na noite do dia 6 de maio e reiterando que o governo brasileiro atuou dentro dos limites do direito internacional, sempre com o objetivo de preservar a vida e a dignidade dos asilados. A nota diplomática evitou fazer críticas ao governo Maduro.

Já o regime venezuelano manteve silêncio por dias. Quando finalmente se pronunciou, classificou o episódio como uma “violação da soberania nacional” e acusou Argentina, Brasil e Estados Unidos de “conluio intervencionista”.

A Operação Guacamaya expôs a fragilidade dos mecanismos regionais de proteção aos direitos humanos diante de regimes autoritários. Também evidenciou a complexidade de manter a tradição latino-americana de asilo diplomático quando há recusa sistemática ao salvo-conduto.

Do ponto de vista regional, o episódio sinaliza um reposicionamento do eixo Argentina-EUA diante da crise venezuelana, com efeitos ainda incertos sobre organismos multilaterais como a CELAC e a UNASUL. Além disso, atuação norte-americana confirma o interesse estratégico dos EUA na América Latina para enfraquecer regimes alinhados à Rússia, Irã e China. O pragmatismo da diplomacia brasileira tende a ser cada vez mais desafiado, em um ambiente de desconfiança e incerteza.

Produção de café deve crescer em 2025, mas preços seguem pressionados pela demanda global

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café
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a expectativa é que a produção de café na safra de 2025 cresça cerca de 2,7%, comparada à colheita da temporada passada. Essa estimativa, segundo a companhia, reduz as preocupações geradas pelos estoques reduzidos registrados no início deste ano e pode influenciar a redução das cotações do produto, mas o cenário internacional diz o contrário.

Preço do café acumula alta histórica

Apesar da perspectiva de maior produção, o café moído registra alta de 80,2% nos últimos 12 meses, conforme dados do IBGE — a maior variação desde 1995, quando o produto subiu 85,5%.

Esse aumento é reflexo de fatores como:

  • Crise climática, que afetou diversas safras brasileiras;
  • Alta demanda internacional, com destaque para os mercados europeu e asiático;
  • Estoques globais baixos, que reduzem a oferta no mercado mundial.

De acordo com a Conab, mesmo com maior disponibilidade no mercado interno, os preços podem não cair significativamente.

“Os estoques no exterior estão muito baixos, gerando pressões de alta nas cotações. A tendência é que os embarques para o exterior permaneçam aquecidos”, afirmou a companhia.

Estoques mínimos e exportações aquecidas

O mesmo é confirmado pelo último boletim semanal publicado pelo Escritório Carvalhes: “Em plena entressafra no Brasil, o mercado físico brasileiro apresentou um baixo volume de negócios realizados. Já estamos em maio, com os armazéns esvaziados, e os relatos que recebemos são de que os poucos lotes de café ainda depositados nesses armazéns, estão, quase em sua totalidade, já em mãos de exportadores e comerciantes.”

Ainda segundo o boletim, os baixos estoques globais, seguidos das crises climáticas e da aproximação do inverno no hemisfério sul, complicam o cenário do café. “O que mais se ouve no mercado brasileiro, é que em junho próximo, final deste ano-safra 2024/2025, teremos um dos menores estoques de passagem de nossa longa história de produtores de café”, destaca. Assim, com estoques reduzidos e sendo direcionados para o mercado externo, a tendência é que o preço do café continue em alta.

Fala de Janja reacende debate sobre regulação das redes sociais no Brasil

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Foto: Reprodução/EBC

A fala da primeira-dama Janja Lula da Silva, durante a viagem oficial à China, reacendeu o debate público sobre a regulamentação das plataformas digitais no Brasil. O tema, que estava esquecido no cenário político, voltou à tona após o vazamento de uma conversa durante um jantar oficial em que estavam presentes ministros de Estado, Janja, o presidente Lula (PT) e o presidente chinês, Xi Jinping.

A repercussão da fala foi imediata, e gerou críticas da oposição e até de parte da base de apoio ao governo, que enxergou a fala como um possível pedido de interferência estrangeira. A primeira-dama reagiu às críticas afirmando que sua preocupação está relacionada ao combate ao machismo, à misoginia e à proteção de grupos vulneráveis nas redes.

Durante uma coletiva, Lula relatou ter pedido ao líder chinês o envio de um representante de confiança para discutir a questão digital, especialmente em relação ao TikTok. Em seguida, Janja pediu a palavra para destacar o avanço da extrema-direita na plataforma e denunciar ataques digitais, principalmente contra mulheres e crianças.

“Eu perguntei ao companheiro Xi Jinping se era possível ele enviar para o Brasil uma pessoa da confiança dele para discutirmos a questão digital, sobretudo do TikTok. Aí a Janja pediu a palavra para explicar o que está acontecendo no Brasil, sobretudo contra as mulheres e contra as crianças”, disse lula

Projeto de regulação segue travado no Congresso

A regulamentação das plataformas digitais no Brasil segue sem avanços concretos no Congresso Nacional. O Projeto de Lei 2630/2020, conhecido como PL das Fake News, está parado na Câmara dos Deputados desde maio de 2023, pronto para votação em plenário. O texto cria regras para responsabilizar as big techs pela disseminação de conteúdos ilegais, como fake news, discursos de ódio e ataques a minorias. No entanto, a falta de consenso entre os parlamentares, e a resistência de empresas de tecnologia, têm travado o debate.

Defensores do projeto argumentam que a regulação é essencial para proteger os direitos dos usuários e garantir a segurança no ambiente digital. Já os críticos alegam que o texto pode abrir brechas para censura e comprometer a liberdade de expressão.

Especialistas defendem regulação

O especialista em direito digital Matheus Rocha afirma que uma regulamentação equilibrada é fundamental para combater a radicalização do debate público e garantir transparência no funcionamento das redes. “Hoje, conteúdos radicais se beneficiam da ausência de limites claros, o que torna urgente um marco legal que promova transparência algorítmica e combata à desinformação”, afirma.

Rocha também avalia que a fala recente da primeira-dama, que expressou preocupação com o conteúdo disseminado por plataformas como o TikTok, trouxe à tona um debate jurídico relevante. “Do ponto de vista jurídico, esse tipo de abordagem acende o debate sobre até que ponto uma plataforma estrangeira deve se submeter às normas e interesses de cada país onde atua”, explica.

Ele lembra que, embora o TikTok afirme adotar políticas de moderação e neutralidade política, seus algoritmos têm sido apontados por especialistas como vetores de polarização. “O modelo de engajamento favorece conteúdos extremos justamente por gerarem mais reações e, portanto, mais visualizações.”

Para o especialista, a autorregulação das plataformas não tem sido suficiente. Ele defende um marco legal com regras claras, órgãos fiscalizadores e penalidades proporcionais aos danos causados. “Sem regulação, as redes se tornam terreno fértil para manipulação eleitoral, ataques a instituições e erosão da confiança pública. Isso mina a integridade do debate democrático e enfraquece o Estado de Direito.”

Desemprego cresce em 12 estados no 1º trimestre de 2025, aponta IBGE

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A taxa de desemprego no Brasil subiu para 8,0% no primeiro trimestre de 2025, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa um aumento em relação ao mesmo período do ano passado, com alta da desocupação em 12 das 27 unidades da federação e estabilidade nas demais 15.

As maiores taxas de desocupação foram registradas em:

  • Pernambuco: 11,6%

  • Bahia: 10,9%

  • Piauí: 10,2%

Já os menores índices foram observados em:

  • Santa Catarina: 3,0%

  • Rondônia: 3,1%

  • Mato Grosso: 3,5%

Desemprego afeta mais mulheres, jovens e pessoas negras

A taxa de desocupação nacional (7,0%) foi de 5,7% para os homens e 8,7% para as mulheres no primeiro trimestre de 2025. Por cor ou raça, essa taxa ficou abaixo da média nacional para os brancos (5,6%) e acima para os pretos (8,4%) e pardos (8,0%).

A taxa de desocupação para as pessoas com ensino médio incompleto (11,4%) foi maior que a dos demais níveis de instrução analisados. Para as pessoas com nível superior incompleto, a taxa foi de 7,9%, mais que o dobro da verificada para o nível superior completo (3,9%).

Piauí lidera aumento entre os estados

As maiores altas no desemprego por estado foram registradas entre o fim de 2024 e o início de 2025. Destaques:

  • Piauí: de 7,5% para 10,2%

  • Amazonas: de 8,3% para 10,1%

  • Pará: de 7,2% para 8,7%

  • Ceará: de 6,5% para 8,0%

  • Pernambuco: de 10,2% para 11,6% (a maior taxa do país)

Desemprego de longa duração ainda preocupa

Mesmo com queda de 25,6% no número de pessoas que buscam trabalho há dois anos ou mais, o total ainda é expressivo: 1,4 milhão de brasileiros. O menor nível histórico para um primeiro trimestre foi em 2014, com 1,3 milhão.

União Europeia e China suspendem importação de frango brasileiro

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Foto: Secretaria de Agricultura do Paraná

Com a notícia de um foco de gripe aviária em Montenegro (RS), a China e a União Europeia suspenderam a compra do frango brasileiro. A informação foi confirmada pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), em entrevista à GloboNews. Nesta sexta-feira (16), o Diário Oficial da União (DOU) trouxe a notícia de que o Ministério da Agricultura e Pecuária declarou estado de emergência zoossanitária no município por 60 dias.

Após a detecção, o governo brasileiro passou a comunicar os entes das cadeias produtivas envolvidas, a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), os Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente e os parceiros comerciais do Brasil.

“As medidas de contenção e erradicação do foco previstas no plano nacional de contingência já foram iniciadas e visam não somente debelar a doença, mas também manter a capacidade produtiva do setor, garantindo o abastecimento e, assim, a segurança alimentar da população”, declarou o ministro.

Segundo o governo, a doença não é transmitida pelo consumo de carne de aves nem de ovos. Portanto, não há restrição ao consumo. O risco de infecções em humanos pelo vírus da gripe aviária é baixo e, em sua maioria, ocorre entre tratadores ou profissionais com contato intenso com aves infectadas.

Emergência zoossanitária

O Ministério da Agricultura e Pecuária declarou estado de emergência zoossanitária no município de Montenegro (RS), por 60 dias, ao detectar estabelecimentos de aves comerciais infectados com o vírus da influenza aviária.

A medida é uma forma de prevenção, para evitar que a doença, também conhecida como gripe aviária, chegue na produção de aves de subsistência, bem como para preservar a fauna e a saúde humana.

Geraldo Alckmin participará da missa de posse do papa Leão XIV

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Vice-presidente Geraldo Alckmin
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Vice-Presidente e Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), representará o presidente Lula (PT) na missa que celebra o início do pontificado do Papa Leão XIV, no próximo domingo (18), no Vaticano.

A previsão de embarque do vice-presidente é para esta sexta-feira (16), para Roma, capital da Itália. No mês passado, Lula participou do velório do papa Francisco. Geraldo Alckmin é católico, porém, no funeral ele não estava entre os convidados da comitiva de Lula, e ficou no Brasil.

Líderes mundiais

A missa de posse pode reunir diversos líderes mundiais na Praça de São Pedro, no Vaticano, onde a segurança será novamente reforçada pelas autoridades de Roma.

O papa Leão XIV tem se destacado por um discurso centrado na paz, com ênfase na mediação de conflitos e no estímulo ao diálogo entre as nações como alternativa às guerras.

Nos primeiros dias de seu pontificado, o novo pontífice reforçou pedidos para que líderes globais adotem posturas mais diplomáticas e humanitárias diante das tensões geopolíticas. Sua posse oficial é vista como um momento simbólico de renovação do papel da Igreja Católica no cenário internacional.

Brasil é o país com a maior diversidade genética do mundo, revela estudo da USP

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Movimentação de pessoas nas ruas do centro da cidade.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um estudo inédito liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicado nesta quinta-feira (15) na revista científica Science concluiu que o Brasil é o país com a maior diversidade genética do mundo. A pesquisa analisou o sequenciamento completo do genoma de 2.723 brasileiros de diferentes origens — indígenas, ribeirinhos, urbanos e rurais — abrangendo todas as cinco regiões do país.

Ao todo, foram identificadas 8,7 milhões de variações genéticas nunca antes catalogadas, muitas delas exclusivas da população brasileira. O estudo também revelou que 60% da ancestralidade brasileira é europeia, 27% africana e 13% indígena, com variações regionais marcantes.

Mosaico genético reflete séculos de miscigenação

O estudo faz parte do projeto DNA do Brasil, do Ministério da Saúde, e foi coordenado pelas geneticistas Lygia Pereira e Tábita Hünemeier, da USP. Os pesquisadores destacam que a miscigenação no Brasil, apesar de hoje ser celebrada por sua diversidade, teve início em processos violentos, como demonstra a análise do DNA.

Enquanto 71% das linhagens do cromossomo Y (paterno) são de origem europeia, as linhagens mitocondriais (maternas) são majoritariamente africanas (42%) ou indígenas (35%). Essa discrepância indica que muitas mulheres negras e indígenas foram forçadas a ter filhos com homens europeus, evidenciando um passado de violência sexual sistemática.

“É pouco provável que 80% das mulheres africanas tenham escolhido homens europeus e que os homens indígenas simplesmente tenham desaparecido. Isso conta uma história de violência marcada no DNA”, afirma Tábita Hünemeier.

Genomas únicos e combinações nunca vistas

Entre as descobertas mais impactantes estão perfis genéticos africanos que não existem na África, criados apenas após a chegada forçada de diferentes etnias africanas ao Brasil. Também foram identificadas linhagens indígenas extintas que ainda persistem no DNA da população atual, mesmo após séculos de extermínio.

Ao todo, os cientistas definiram 18 perfis genéticos diferentes no país, com ampla mistura entre eles. Os dados apontam que:

  • A região Norte tem maior ancestralidade indígena.

  • O Nordeste possui forte presença africana.

  • O Sul é majoritariamente europeu.

  • O Sudeste e o Centro-Oeste exibem grande diversidade genética e equilíbrio entre as três origens.

Impacto na saúde pública

Além de compreender a formação do povo brasileiro, o estudo tem implicações diretas para a saúde. Foram identificados centenas de genes associados a doenças como hipertensão, câncer, diabetes e doenças autoimunes.

A pesquisadora Lygia Pereira aponta que, com esse conhecimento, será possível criar políticas de saúde mais eficazes e personalizadas, inclusive reduzir custos com exames preventivos.

“Se eu sei que uma mulher tem alto risco genético para câncer de mama, ela pode começar a fazer mamografia aos 20 anos, e outra que não tem risco pode esperar mais. Isso muda tudo na forma como tratamos a saúde no país”, destaca Lygia.

Sub-representação global

O estudo também critica a baixa representatividade do Brasil e de outros países do Sul Global em bancos de dados genéticos globais, que são dominados por perfis de populações brancas. A inclusão de dados brasileiros no cenário científico internacional é vista como um passo essencial para o avanço da medicina de precisão em escala global.