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Entrevista: Redução da jornada de trabalho pode ser votada até junho

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O senador sergipano Rogério Carvalho deverá ser eleito ainda nesta segunda-feira.
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado.

Em entrevista exclusiva à Arko Advice, o líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), afirmou que pretende pautar o tema da redução da jornada de trabalho na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) até início de junho. Ele levará o assunto para a reunião de bancada desta terça-feira (20). O objetivo, de acordo com o líder, é “fazer um esforço para votar essa matéria”, disse.

No Senado, o líder relatou a proposta de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que propõe uma redução gradual da jornada de trabalho para 36 horas, sem diminuição de salários (PEC 148/2015). Atualmente, o texto demanda mais três audiências públicas na CCJ, mas o relator afirmou que a ideia é pedir vista e levar direto para votação no Plenário da Casa.

Confira a entrevista na íntegra:

Qual o posicionamento e qual a estratégia do governo Lula diante da possibilidade de criação de uma CPMI do INSS no Senado?

Em qualquer momento, uma CPMI tira o foco de questões que são mais importantes para o governo e a sociedade. Por exemplo, projetos que estão tramitando aqui e que mexem com o interesse de uma parcela significativa da população, como a isenção do Imposto de Renda, o crédito consignado e o Fundo de Desenvolvimento Social.

Além disso, a gente tem clareza de que, primeiro, foi nesse governo que as investigações aconteceram e foi uma investigação demandada pela Controladoria-Geral da União. Segundo, quando a investigação chegou a um ponto em que ficou insustentável a situação do presidente do INSS e a do próprio ministro, eles saíram. O terceiro ponto é que o governo vai ressarcir a população dos descontos indevidos.

Seria bom que não tivesse a CPMI, pelo fato de o governo já ter tomado todas as medidas. Mas, se tiver, é preciso enfrentar com força para fazer um debate no nível que o assunto merece, ainda que isso atrapalhe um pouco a agenda do governo.

O que esperar de sua relatoria da MP do Crédito Consignado Privado (MP 1.292/25)?

[Pretendo] fazer um trabalho que possa melhorar e ampliar a oferta de crédito à população que precisa. No mundo atual, todo mundo precisa de crédito. Como esse crédito está sendo disponibilizado

e o custo dele é o que está em debate. Temos a preocupação de não banalizar essa tomada de crédito, por isso existe um limite, que é o limite estabelecido pela margem consignável. Eu acho que este é um objetivo: garantir que as pessoas possam tomar crédito e resolver dívidas com juros menores, em pelo menos, 60%. Uma redução significativa.

O governo vem sinalizando que está disposto a fazer andar a proposta de redução da jornada de trabalho. Qual a sua percepção do andamento dessa pauta no Congresso?

Eu vou pedir para pautar [o tema] na comissão e talvez haja mais uma audiência pública, se for demandado. A gente tinha pedido, inicialmente, quatro audiências, mas elas estão demorando a acontecer. Então, a ideia é que a gente consiga pautar isso na comissão até o início de junho, dar vistas coletivas e marcar o dia de votar. Na reunião de bancada de terça-feira [dia 20], vou tratar desse assunto com o senador Paulo Paim [PT-RS] e com os parlamentares para fazermos um esforço para votar essa matéria.

Empresas chinesas estão de olho no leilão do Túnel Santos-Guarujá

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Porto de Santos.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

Empresas chinesas de grande porte demonstraram interesse em participar do leilão para a construção do Túnel Santos-Guarujá, previsto para agosto deste ano. O anúncio foi feito pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), que cumpriu agenda oficial na China, acompanhando a comitiva do presidente Lula (PT). O edital do túnel foi lançado em fevereiro.

Na última segunda-feira (12), o ministro se reuniu com representantes das companhias China Communications Construction Company (CCCC) e China State Construction Engineering Corporation (CSCEC), duas das maiores empresas de infraestrutura do mundo. Durante o encontro, foram apresentados detalhes do projeto do Túnel Santos-Guarujá, e da carteira de leilões portuários previstos para 2025 e 2026.

“Cada vez mais o mercado asiático está observando o Brasil como uma grande janela de oportunidades. Esperamos atrair R$ 15 bilhões em investimentos nos setores portuário e hidroviário nos próximos dez anos”, afirmou Costa Filho.

As empresas interessadas

A CCCC, responsável por megaprojetos como os túneis subaquáticos da Baía de Dalian, de Shenzhen-Zhongshan e de Hong Kong–Zhuhai–Macau — considerado um dos mais complexos do mundo — já demonstrou interesse formal na obra brasileira. A empresa estuda formar consórcio para disputar o leilão do Túnel Santos-Guarujá, reconhecendo o potencial estratégico da ligação entre os dois municípios.

Já a CSCEC, especialista em construção civil e obras públicas e responsável por parte significativa dos grandes edifícios na China, também participou das discussões com o ministro. A empresa recebeu informações sobre os leilões de infraestrutura planejados pelo governo brasileiro, incluindo o projeto do Túnel Santos-Guarujá, além de cerca de 30 ativos nos setores portuário e hidroviário até 2026.

Túnel Santos-Guarujá será pioneiro no Brasil

O Túnel Santos-Guarujá será o maior investimento em infraestrutura de transportes do Novo PAC e também o primeiro túnel imerso do Brasil. A obra terá 1,5 km de extensão total, sendo 870 metros submersos, a uma profundidade de 21 metros no fundo do canal entre os dois municípios. A estrutura contará com três faixas de rolamento por sentido, uma delas exclusiva para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de acessos dedicados a pedestres e ciclistas.

Atualmente, a travessia entre Santos e Guarujá é feita por balsas, que transportam cerca de 23 mil veículos por dia, ou pela rodovia Cônego Domenico Rangoni. A estimativa é de que 78 mil pessoas utilizem diariamente a ligação entre as duas cidades. Considerando toda a Baixada Santista, são cerca de 2 milhões de pessoas impactadas. A espera para cruzar o canal pode chegar a duas horas. Com o Túnel Santos-Guarujá, a travessia deverá ser feita em menos de dois minutos.

Em razão do crescente porte dos navios que operam no Porto de Santos, o Túnel Santos-Guarujá foi considerado a alternativa mais viável para garantir a ligação entre as margens. Segundo a Presidência da República, será utilizado o método construtivo de túneis imersos pré-moldados, com blocos de concreto afundados. Atualmente, os navios que passam pelo porto têm calado de até 15 metros — fator que inviabiliza a construção de pontes no local.

Governo busca investidores internacionais

As agendas na China fazem parte do esforço do governo para atrair investidores internacionais. Em abril, o ministro realizou um roadshow na Europa, passando por Portugal, Holanda e Dinamarca, onde também apresentou o projeto do Túnel Santos-Guarujá e outros ativos de infraestrutura a investidores e empresas especializadas em obras submersas.

“O Brasil é hoje o país mais procurado por investidores internacionais, não só na Ásia, mas também na Europa. Temos bons projetos, segurança jurídica, crédito e compromisso com a sustentabilidade”, concluiu Costa Filho.

STF inicia fase de depoimentos no processo contra Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe

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Brasília (DF), 26/03/2025 - Ex-presidente Jair Bolsonaro durante declaração a imprensa após virar Réu no STF.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) dá início nesta segunda-feira (19), às 15h, à fase de depoimentos de testemunhas no processo que julga o chamado “núcleo 1” da trama golpista. Este grupo inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus, denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por envolvimento em plano para abolir o Estado Democrático de Direito.

Entre os dias 19 de maio e 2 de junho, serão ouvidas 82 testemunhas, tanto de acusação quanto de defesa. As audiências serão realizadas por videoconferência e simultaneamente, com o objetivo de evitar a combinação de versões entre os depoentes. Os depoimentos serão conduzidos por um juiz auxiliar do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e não poderão ser gravados pela imprensa, nem pelos advogados.

A expectativa é que o julgamento ocorra ainda em 2025. Caso sejam condenados, os réus poderão pegar penas superiores a 30 anos de prisão.

Principais depoimentos previstos

19 de maio

  • Ibaneis Rocha (governador do DF): testemunha de defesa de Anderson Torres, que foi seu secretário de Segurança Pública.

  • General Freire Gomes (ex-comandante do Exército): teria ameaçado prender Bolsonaro após sugestão de golpe.

  • Eder Balbino (empresário): teria colaborado com um estudo contra urnas eletrônicas.

  • Clebson Vieira e Adiel Alcântara: ligados a supostos relatórios para restringir votos no Nordeste.

21 de maio

  • Carlos Baptista Júnior (ex-comandante da FAB): teria ouvido Bolsonaro sugerir golpe.

23 de maio

  • Hamilton Mourão (senador): testemunha de defesa de Bolsonaro e generais, foi vice de Bolsonaro.

  • Marcos Olsen (comandante da Marinha): citado como sucessor de Almir Garnier, favorável ao golpe.

26 de maio

  • Marcelo Queiroga (ex-ministro da Saúde): testemunha de Braga Netto.

29 de maio

  • Paulo Guedes (ex-ministro da Economia) e Adolfo Sachsida (ex-ministro de Minas e Energia): testemunhas de Anderson Torres.

30 de maio

  • Senadores Ciro Nogueira, Espiridião Amin, e Eduardo Girão

  • Deputados Sanderson e Eduardo Pazuello

  • Valdemar Costa Neto (presidente do PL, partido de Bolsonaro)

  • Tarcísio de Freitas (governador de SP): todos testemunhas de Bolsonaro.

2 de junho

  • Senador Rogério Marinho: testemunha de defesa de Braga Netto.

O que acontece depois?

Após a conclusão dos depoimentos, o STF convocará Bolsonaro e os demais réus para o interrogatório. A data ainda será definida. O julgamento deverá ocorrer até o fim de 2025.

Com INSS, governo vai ter que lutar para resgatar popularidade, diz Cristiano Noronha

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Cristiano Noronha comenta sobre crise das fraudes no INSS
Foto: Reprodução/CNN Brasil

O governo enfrenta um cenário desafiador para resgatar sua popularidade após o recente escândalo envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o cientista político Cristiano Noronha, vice-presidente da consultoria Arko Advice, o governo tem cometido erros sucessivos na condução da crise, o que tem dificultado sua capacidade de se descolar do escândalo.

Noronha destaca que o governo tem “corrido atrás do prejuízo” tanto na questão do Pix quanto agora no caso do INSS. “Além de correr atrás do prejuízo, o governo está voltando atrás de determinadas decisões. Primeiro era não apoiar a CPI, agora é apoiar a CPI”, afirma o analista.

De acordo com o cientista político, o escândalo já começa a refletir nas pesquisas de opinião. “A gente teve acesso a tracking de pesquisas de opinião que mostram que novamente a desaprovação de Lula tinha ficado menor do que a aprovação em pesquisas recentes, mas isso já voltou a se inverter novamente”.

Para Noronha, esta inversão nos índices de aprovação representa um retrocesso significativo para o governo, que vinha recuperando sua popularidade, ainda que a um ritmo lento. “Agora, o cenário exige um novo esforço para reconquistar o apoio popular”, alerta.

Consequências políticas além da popularidade

O analista aponta que as consequências do escândalo vão além da queda na popularidade. Há um potencial afastamento dos partidos do chamado “centrão”, o que pode impactar a disposição desses grupos em caminhar com o governo nas eleições do próximo ano.

Além disso, Noronha alerta que a CPI, uma vez em funcionamento, pode neutralizar boas notícias que o governo pretendia dar à população em ano eleitoral. “Isso cria um cenário complexo para a administração, que terá que lidar simultaneamente com a investigação e a necessidade de apresentar resultados positivos à sociedade”, conclui.

Texto originalmente publicado na CNN Brasil

Projeção da inflação cai pela quinta semana seguida, mas segue acima da meta, diz Boletim Focus

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Brasiília, 26/04/2019. Fachada do Banco Central do Brasil.
Foto: Raphael Ribeiro/BCB

O mercado financeiro reduziu pela quinta semana consecutiva a expectativa de inflação para 2025, de acordo com o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central (BC). A estimativa passou de 5,51% para 5,50%, mas permanece acima do teto da meta, que é de 4,5%.

Mesmo com a leve redução, a projeção reforça o cenário de descumprimento da meta inflacionária, o que poderá obrigar o BC a justificar oficialmente o desvio.

Projeções de inflação seguem acima da meta contínua de 3%

Desde janeiro de 2025, está em vigor o regime de meta contínua de inflação, com objetivo central de 3% ao ano, sendo considerado cumprido se a inflação ficar entre 1,5% e 4,5%. A partir desse novo sistema, o Banco Central passou a comparar a inflação acumulada em 12 meses com a meta vigente, mês a mês.

Veja as projeções de inflação mais recentes:

  • 2025: 5,50% (acima do teto)

  • 2026: 4,50% (no limite superior)

  • 2027: 4,00%

  • 2028: 3,80%

Se a inflação ficar fora do intervalo de tolerância por seis meses seguidos, a meta é considerada oficialmente descumprida, o que obriga o BC a enviar uma carta pública ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicando os motivos. Isso já aconteceu em janeiro de 2025, quando o presidente do BC, Gabriel Galípolo, enviou correspondência citando fatores como forte atividade econômica, desvalorização do real e eventos climáticos extremos.

O BC já alertou que a meta poderá ser novamente descumprida em junho, completando seis meses seguidos de inflação acima do limite de 4,5%.

Mercado projeta crescimento modesto e juros elevados

Além da inflação, o Focus também atualizou as previsões para PIB e taxa Selic:

PIB (Produto Interno Bruto)
  • 2025: projeção subiu de 2% para 2,02%

  • 2026: previsão mantida em 1,70%

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve como principal medidor da evolução econômica. Um crescimento tímido pode sinalizar dificuldades para reduzir o desemprego e aumentar a renda média da população.

Selic (taxa básica de juros)
  • 2025: mantida em 14,75% ao ano

  • 2026: mantida em 12,50% ao ano

  • 2027: mantida em 10,50% ao ano

A Selic elevada serve para conter a inflação, mas tem o efeito colateral de encarecer o crédito, frear o consumo e desestimular o investimento produtivo.

Termômetro das expectativas

Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central, e reúne projeções de economistas, analistas e operadores do mercado financeiro. Ele serve como um termômetro das expectativas econômicas, e influencia decisões de empresas, investidores e do próprio governo.

Análise: Sem Bolsonaro, direita tem desafio em busca de unidade

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O presidente da República, Jair Bolsonaro,participa de cerimônia de posse dos desembargadores Messod Azulay Neto e Paulo Sérgio Domingues, como ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Foto: Reprodução

As discussões sobre as eleições gerais de 2026 estão consideravelmente adiantadas, com pré-candidatos anunciados em partidos que compõem a base do governo. O movimento ocorre inclusive com o presidente Lula (PT), indicando que ele irá concorrer à reeleição no próximo ano. Dessa forma, Lula acaba concentrando a maior parte dos votos do eleitorado de esquerda.

Enquanto isso, no campo da direita, alguns dos principais partidos já lançaram pré-candidatos à Presidência para o próximo ano, caso do União Brasil e do PSD. O Republicanos tem no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, um nome forte para concorrer ao cargo. Além da dificuldade de se encontrar um nome de consenso entre todas as siglas, o candidato que poderia uni-los, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), se encontra inelegível e com possibilidade de prisão por conta do julgamento que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Há resistência por parte de Bolsonaro de se retirar da disputa, o que atrasa as discussões nesse campo político sobre quem será o candidato a enfrentar Lula.

Ainda na direita, o grande desafio será chegar a um substituto que absorva o eleitorado de Bolsonaro e consiga também atrair os votos recebidos por Lula em 2022. Como citado, PSD, Republicanos e União Brasil despontam com pré-candidatos e quadros que já têm relevância nacional. Tarcísio seria o nome ideal para unir esses partidos, mas o governador ainda pode concorrer à reeleição por São Paulo, diferentemente dos governadores Ronaldo Caiado (União-GO), Ratinho Júnior (PSD-PR) e Romeu Zema (Novo-MG). Estes, embora sejam relativamente bem avaliados e tenham baixa rejeição em seus estados, teriam ainda de negociar com os outros partidos e unir as siglas.

Caiado, por exemplo, carece de mais apoio dentro do próprio partido, pois sua candidatura não é consenso. Além disso, ele tem sofrido críticas por parte do agronegócio goiano. Já Zema, caso continue no Novo, dependerá de acordo ou federação que o partido faça para conseguir superar as cláusulas de barreira e ter acesso aos recursos do fundo eleitoral. Ratinho, por sua vez, seria um nome possivelmente com menos resistências em diversos setores. Primeiro, no próprio partido, que já o colocou como pré-candidato. Segundo, pela população do Paraná, visto que em fevereiro sua aprovação chegou a superar a casa dos 80%. Por fim, ao mesmo tempo que se posiciona à direita, o governador não tem a figura tão atrelada ao bolsonarismo, o que lhe permitiria captar votos de eleitores de centro e até de esquerda, a depender do cenário.

Logo, não é impossível que a direita consiga chegar a um candidato fortalecido o suficiente para tentar superar Lula, mas há muitas variáveis a serem levadas em consideração. Fora isso, o fator Lula não pode ser desconsiderado, já que caso o presidente mude radicalmente a forma de governar pode conseguir o apoio desses partidos em 2026.

Congresso instala comissões para analisar MPs do Imposto de Renda e benefícios do INSS

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Vista para o Congresso Nacional
Foto: Agência Senado

O Congresso Nacional deve instalar, nesta terça-feira (20), a partir das 14h30, duas comissões mistas para a análise de medidas provisórias. As medidas têm efeito imediato, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso para se tornarem leis. Antes de seguirem para os plenários da Câmara e do Senado, são analisadas em comissões mistas compostas por 12 deputados e 12 senadores. Na ocasião, também serão eleitos os presidentes e vice-presidentes dos colegiados.

Imposto de renda

Uma das comissões é a da MP 1.294/2025, que eleva a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física para contribuintes com renda mensal de até R$ 3.036, o equivalente a dois salários mínimos. O texto já recebeu pelo menos 26 emendas.

A correção da tabela tem como objetivo manter a política de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até dois salários mínimos. Com o reajuste, a tabela anterior, que previa isenção até R$ 2.824, valor correspondente a dois salários mínimos em 2024, isso deixaria de atender integralmente esse grupo de contribuintes.

Benefícios previdenciários

A outra comissão será responsável pela MP 1.296/2025, que institui o Programa de Gerenciamento de Benefícios do INSS e da Perícia Médica Federal. A proposta busca agilizar a reavaliação de benefícios previdenciários e assistenciais, além de prever pagamento extra para servidores do INSS e peritos médicos federais.

Como incentivo, essa medida provisória prevê pagamentos extras tanto para os servidores do INSS quanto para os peritos médicos federais. Os pagamentos não serão incorporados ao salário, não contarão para aposentadorias ou pensões e não poderão ser acumulados com adicionais por serviço extra ou compensação de horas.

Gripe aviária no RS já levou à suspensão de exportações de frango para nove locais

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Foto: Agência Brasil

O primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial no Brasil levou à suspensão das exportações de frango e derivados para ao menos nove destinos internacionais. A ocorrência foi confirmada em uma propriedade no município de Montenegro (RS), localizado a cerca de 60 km de Porto Alegre. A granja é voltada à produção de ovos férteis, e registrou a morte de aproximadamente 17 mil aves, causadas pelo vírus H5N1, variante altamente letal do vírus influenza.

Com a confirmação, o Brasil perdeu o status de único grande produtor mundial livre da gripe aviária em granjas comerciais, o que acionou cláusulas de acordos sanitários internacionais e resultou em embargos totais ou parciais por parte de diversos países.

Exportações suspensas

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), nove destinos suspenderam as importações ou tiveram suas certificações interrompidas:

Países que suspenderam as importações do Brasil inteiro:

  • Chile

  • Argentina

  • Uruguai

  • México

  • Coreia do Sul

Países com certificações suspensas pelo Brasil:

  • China

  • União Europeia

  • Canadá

  • África do Sul

Por outro lado, países como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Japão e Filipinas aplicaram embargo regionalizado, restringindo as compras apenas de produtos oriundos de Montenegro. Demais regiões do Rio Grande do Sul e do país continuam exportando normalmente para esses mercados.

Risco de disseminação

Diante da confirmação do surto, o MAPA decretou emergência zoossanitária por 60 dias no município de Montenegro. Equipes estão conduzindo vistorias em um raio de 10 km ao redor da granja afetada, com medidas de contenção, rastreio e monitoramento. Em paralelo, há investigação de uma suspeita em Aguiarnópolis (TO) — a análise inicial apontou presença de Influenza A, mas com baixa chance de alta patogenicidade.

Em nota, o ministério destacou que o sistema de defesa agropecuária brasileiro está funcionando de forma “eficiente e transparente”, reforçando que o número de investigações tende a crescer após a declaração de emergências sanitárias.

Entenda a gripe aviária H5N1

O vírus H5N1 pertence à família dos vírus influenza, e é comum em aves. Ele apresenta letalidade extremamente alta entre as aves, especialmente em granjas, onde a densidade populacional favorece o contágio rápido.

Principais pontos sobre a doença:

  • É novo? Não. Há registros desde 1996. No Brasil, já foram identificados casos em animais silvestres desde 2023.

  • É seguro comer frango ou ovos? Sim. O consumo de produtos contaminados não transmite o vírus aos humanos.

  • Pode infectar humanos? Sim, mas apenas por contato direto com aves doentes ou locais contaminados. A transmissão ocorre por gotículas de secreções, fezes ou secreções respiratórias.

  • Outros animais podem pegar? Sim. Nos EUA, bovinos já foram infectados e há casos em leões marinhos no Chile.

Como será a semana – 19/5 a 23/5

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Como será a semana, agenda

O governo deve anunciar cortes no Orçamento da União para 2025. A Fazenda deve
apresentar ao presidente Lula medidas pontuais para ajudar no cumprimento da meta fiscal
de 2025.O Senado pode votar projeto que trata do licenciamento ambiental. A oposição
continuará pressionando por conta da CPMI do INSS. Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de audiência pública na Câmara.

AGENDA POLÍTICA DA SEMANA

Próxima semana

  • O governo pode anunciar contingenciamento no Orçamento da União de 2025.
  • O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), deve apresentar ao presidente Lula
    medidas pontuais para ajudar no cumprimento da meta fiscal de 2025.
  • O presidente Lula pode anunciar o deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) para a
    Secretaria-Geral da Presidência, atualmente comandada pelo petista Márcio Macêdo.

Segunda-feira (19/05)

  • O presidente Lula (PT) tem encontro, em Brasília, com os ministros da Agricultura dos
    Países Africanos.
  • O Supremo Tribunal Federal começa a ouvir os depoimentos das testemunhas de
    acusação (Procuradoria-Geral da República – PGR) contra o “núcleo-central” da tentativa
    de golpe, de acordo com a PGR. Além das testemunhas de acusação, serão ouvidos, até o bdia 2 de junho, Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, e
    testemunhas da defesa.

Terça-feira (20/05)

  • O presidente Lula participa, no Rio de Janeiro, da reinauguração do Palácio do Capanema e entrega da Ordem do Mérito Cultural.
  • Início da XXVI Marcha de Prefeitos a Brasília, com encerramento marcado para quinta-
    feira (22).
  • Pode ser votada no Senado a proposta de emenda à Constituição que inclui as guardas
    municipais e os agentes de trânsito entre os órgãos que compõem a segurança pública
    (PEC 37/2022).
  • A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado realiza audiência pública, às 14h, para discutir o PLP nº 108/24 (Comitê Gestor do IBS) com o secretário
    extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, e o
    presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, entre outras
    autoridades.
  • A Comissão de Agricultura do Senado pode votar projeto que trata do licenciamento ambiental.

Quinta-feira (22/05)

  • O presidente Lula participa, em São Paulo, do lançamento do Curso de Medicina do Sírio-
    Libanês.
  • Prevista divulgação do relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias.
  • A Confederação Nacional da Indústria divulga relatório Sondagem Industrial.
    Sexta-feira (23/05)
  • O presidente Lula recebe, em Brasília, a visita de Estado do presidente da Angola, João
    Lourenço.
  • O Supremo Tribunal Federal conclui julgamento, por meio do plenário virtual, que discute se o Brasil poderá ter candidaturas independentes, sem a obrigatoriedade de filiação partidária para que uma pessoa possa concorrer em eleições.

Análise: PSD se fortalece e aumenta indefinições para 2026

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Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite durante entrevista após encontro com presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.
Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite durante entrevista após encontro com presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

A filiação do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ao PSD, na última sexta-feira (09), em São Paulo, eleva as indefinições sobre a configuração do tabuleiro da sucessão presidencial para as eleições de 2026.

Lançado pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, como um dos pré-candidatos do partido ao Palácio do Planalto, juntamente com o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), Leite fez um discurso de presidenciável na ocasião. Defendeu que é o momento de “pensar um projeto para o Brasil que supere a polarização” e colocou-se à disposição para liderá-lo.

Leite também acenou a Ratinho, ao dizer que tem “respeito e admiração” por ele e que não deseja ser o candidato a presidente do Brasil pelo PSD “a qualquer custo”. Leite afirmou que foi para o PSD para “construirmos juntos”, descartando, por exemplo, disputar uma prévia com Ratinho.

Também ganhou destaque a afirmação de Leite de que apoiaria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), caso o PSD achasse melhor não lançar uma candidatura própria. Já se o PSD permanecer na base do governo Lula (PT), Leite admitiu a possibilidade de concorrer ao Senado pelo Rio Grande do Sul.

Chamou atenção ainda o fato de a filiação ter ocorrido em São Paulo e não no Rio Grande do Sul. Mesmo que Leite tivesse uma viagem marcada para Nova York neste domingo (11), o que o obrigaria a passar por São Paulo, quando a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, filiou-se ao PSD, Gilberto Kassab foi até Pernambuco.

Assim, poderia o fato de a filiação de Leite ter ocorrido em São Paulo ser uma indicação de que ele, mesmo sendo pré-candidato ao Planalto, estaria disposto a fortalecer o nome de Tarcísio? Ou a filiação do governador gaúcho em São Paulo, fortalecendo o PSD, seria um recado do próprio Kassab a Tarcísio, já que Kassab tem defendido que o governador paulista concorra à reeleição em seu estado?

Vale mencionar que a filiação de Leite em São Paulo contou com a presença de filiados ao PSD como: o vice-governador paulista, Felício Ramuth; a coordenadora nacional do PSD Mulher, Alda Marco Antonio; o presidente do PSD de Minas Gerais, Cássio Soares; o deputado federal Saulo Pedroso (SP); o coordenador do Conselho Político do PSD paulista, Heráclito Fortes; e o ex-ministro Andrea Matarazzo.

Com a filiação de Eduardo Leite, o partido de Gilberto Kassab aumenta sua força para 2026. Além de contar com dois pré-candidatos ao Planalto, passa a contabilizar quatro governadores: Ratinho Júnior (PR), Eduardo Leite (RS), Fábio Mitidieri (SE) e Raquel Lyra (PE). É a segunda legenda com o maior número de governadores no país, ao lado do PT, ficando atrás apenas da federação União Progressista (PP e União Brasil), que terá seis governadores.

O PSDB, por sua vez, caminha para o fim. Mesmo com a provável fusão com o Podemos, dando origem a uma nova legenda, os tucanos perderam dois de seus três governadores – antes de Leite, a governadora Raquel Lyra também trocara o ninho tucano pelo PSD. Agora, o único governador do PSDB é Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul. Próximo do bolsonarismo, Riedel também deverá deixar o tucanato, migrando para o PL ou o PSD.

Ao filiar-se ao PSD, Leite aumenta sua visibilidade nacional como pré-candidato ao Planalto. Entretanto, terá uma série de obstáculos pela frente. Além de Ratinho Júnior já estar na “fila” no partido, Kassab tem afirmado que o destino do PSD em 2026 está atrelado a Tarcísio. Ou seja, se o governador paulista concorrer ao Planalto, o PSD deverá acompanhá-lo.

Independentemente do futuro do PSD, Leite tem pouco a perder, pois mesmo que não concorra de fato ao Palácio do Planalto, seu nome estará presente no debate nacional. Fora isso, ele tem, como mencionado, a possibilidade de disputar o Senado pelo Rio Grande do Sul, com boas chances de conquistar uma das vagas.

Como novo presidente do PSD gaúcho, Leite terá a missão de estruturar o partido em seu estado. No PSD, o projeto político de Leite no Rio Grande do Sul ficará mais forte. Quem ganha com isso é o vice-governador, Gabriel Souza (MDB), que deverá ser o candidato de Eduardo Leite ao Palácio Piratini em 2026. Além do PSD e do MDB, a aliança governista de Leite e Gabriel no estado deverá manter aliados como PP e União Brasil – hoje União Progressista –, PSDB e Podemos, podendo atrair ainda o PDT e o Republicanos.