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Pejotização: entre a flexibilização do trabalho e a perda bilionária para o país

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Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

A “pejotização” é a prática de empresas contratarem um funcionário como pessoa jurídica (PJ) para reduzir custos e obrigações previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Essa modalidade de contratação vem ganhando cada vez mais espaço no mercado de trabalho. 

Diferentes segmentos utilizam a prática de contratar através da PJ. Entre elas, representação comercial, corretagem imobiliária, advocacia associada, saúde, artes, tecnologia da informação e entregas feitas por motoboys e outros. 

Paralização dos entregadores de aplicativo na praça Charles Miller, Pacaembu.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,8 milhões trabalham no país como pessoa jurídica atualmente.

Para a advogada especialista em direito empresarial, Bruna Zanini, a crescente tendência pela escolha da pejotização se dá pela mudança na maneira de pensar dos jovens colaboradores.

“Se antes a gente tinha colaboradores buscando estabilidade, o emprego sólido e etc, a nova geração vem buscando cada vez mais experiência, flexibilidade e novos horizontes. Para essa nova geração fica um tanto quanto desajustado a ideia de ter um emprego fixo que precisa trabalhar de 8h às 18h”, explica. 

A especialista ainda alerta sobre a necessidade de ser cauteloso ao escolher a modalidade que pode ser uma “faca de dois gumes”.

“Ao mesmo tempo que esse colaborador vai ter acesso a mais recursos  do orçamento despendido pelo tomador de serviço, ao mesmo tempo, ele também tem menos direitos. Então, por exemplo, direito de férias, direito de 13º [salário] e etc, fica meio que incluso dentro desse montante total.”

Impactos econômicos e sociais

De acordo com a pesquisa realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), demonstrou que 93% dos trabalhadores pejotizados ganham até R$ 6 mil e, desses, mais da metade recebe até R$ 2 mil. 

Sob o argumento de fraude à relação trabalhista, profissionais pejotizados ou autônomos têm recorrido à Justiça do Trabalho em busca do reconhecimento de vínculo empregatício.

Segundo o órgão, os processos contra a modalidade de contratação aumentaram 57% entre 2023 e 2024. No ano passado, o tribunal registrou 285 mil processos sobre o tema. Até fevereiro deste ano, foram contabilizados 53,7 mil novos casos. 

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Estudo publicado no ano passado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), estimou que a pejotização teve impacto de R$ 89 bilhões sobre a arrecadação fiscal de 2017. 

A pesquisa ainda avaliou que o impacto pode superar os R$ 380 bilhões caso a pejotização avance e venha a alcançar a metade dos trabalhadores com carteira assinada.

Para o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Augusto César Leite de Carvalho, a pejotização é sinônimo de fraude.

“Não há base jurídica para a pejotização como forma lícita de contratação quando há subordinação, pessoalidade e continuidade. A realidade dos fatos deve prevalecer sobre a formalidade do contrato”, defendeu o ministro durante audiência pública sobre o tema no Senado.

Debate no Congresso

Na última quinta-feira (29), o senador Paulo Paim (PT-RS) realizou uma audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) para discutir a precarização das relações trabalhistas com o avanço da pejotização no país. 

Para o senador, a prática “fragiliza o pacto social brasileiro” ao permitir contratações que mascaram relações empregatícias e negam direitos como férias, 13º, FGTS e licenças. 

“Apesar de frequentemente utilizada para reduzir encargos trabalhistas e tributários, essa prática configura-se como fraude quando oculta uma relação empregatícia tradicional. Em muitos casos, o contratante mantém características típicas do vínculo empregatício, até com jornada definida, subordinação, pessoalidade, salário fixo e trabalho presencial”

Decisão do STF

No mês passado, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão nacional de todos os processos judiciais que discutem a licitude da contratação de trabalhadores pela pejotização.

Segundo o ministro, os inúmeros questionamentos judiciais sobre a validade desse modelo contratual estavam sobrecarregando o STF.

Produtores rurais do RS afetados por estiagem poderão renegociar dívidas do Pronamp

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Foto: Emanuel Cavalcante/Embrapa Amapá

O Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou, nesta quinta-feira (29), a prorrogação de parcelas de crédito de custeio contratadas por produtores rurais do Rio Grande do Sul afetados pela estiagem no início do ano. A medida vale para operações do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), e permite a renegociação das parcelas em até três anos, aliviando a situação financeira dos médios produtores diante das perdas causadas pelo clima.

Como funciona a renegociação

Cada instituição financeira está autorizada a renegociar até 8% do saldo das parcelas das linhas de custeio com vencimento em 2025, desde que tenham sido concedidas com recursos equalizados pelo Tesouro Nacional. Por meio da equalização, o governo cobre a diferença entre os encargos financeiros subsidiados e as taxas de mercado. O produtor interessado deve comprovar a perda de produção e a incapacidade de pagamento nos prazos originais do contrato. A prorrogação não é automática e depende de análise e aprovação do banco.

Se a instituição financeira tiver direcionado mais de 90% dos recursos equalizados para operações de crédito rural no Rio Grande do Sul, os limites para renegociação sobem:

  • De 8% para 17% no crédito de custeio do Pronamp e demais produtores rurais

  • De 8% para 20% no crédito de investimento do Pronaf

  • De 8% para 23% no crédito de investimento do InvestAgro

Condições para cooperativas agropecuárias

O CMN também aprovou condições especiais para cooperativas agropecuárias gaúchas afetadas por enchentes. Cooperativas que não conseguiram acessar linhas especiais de crédito para capital de giro, ou que receberam volume insuficiente, poderão financiar capital de giro por meio do Pronaf Agroindústria e do Procap-Agro até 30 de junho de 2026. O prazo de pagamento é de até dez anos, com até 24 meses de carência, limite de R$ 120 milhões por cooperativa e R$ 90 mil por associado. As taxas de juros são de 8% ao ano para cooperativas do Pronaf e 10% para as demais.

Para acessar as linhas, as cooperativas precisam comprovar ajuste financeiro e validar projetos de reestruturação junto ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Rio Grande do Sul (Sescoop/RS).

Correios passam a atender aposentados do INSS para contestar descontos indevidos

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Correios
Foto: Reprodução/EBC

Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) poderão a partir desta sexta-feira (30), consultar, contestar e acompanhar a análise de descontos indevidos em seus benefícios diretamente nas agências dos Correios. Com mais de 5 mil agências próprias habilitadas em todos os estados, os Correios vão oferecer a estrutura pública para promover a inclusão social e garantir um atendimento seguro e gratuito.

A iniciativa amplia de forma significativa a rede de atendimento presencial para beneficiários do INSS, especialmente em localidades sem unidades próprias do instituto, e fortalece o papel dos Correios como braço do Governo Federal no enfrentamento às fraudes que lesaram milhares de idosos.

Atendimento seguro e com proteção de dados

A parceria prevê protocolos de segurança, com atendimento feito exclusivamente por profissionais treinados em unidades próprias dos Correios. Todos os dados dos beneficiários são tratados com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo confidencialidade e rastreabilidade.

Locais sem agência habilitada

Para regiões ainda não atendidas pelas agências habilitadas, estão sendo planejadas ações itinerantes e mutirões de atendimento, com o objetivo de garantir a universalização do serviço.

A lista completa das unidades habilitadas está disponível no site dos Correios.

Federação Psol-Rede protocola pedido de cassação de Marcos Rogério e Plínio Valério

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Marina Silva e Marcos Rogério
Foto: Reprodução/Agência Senado

Nesta quinta-feira (29), a federação Psol-Rede protocolou no Conselho de Ética do Senado o pedido de cassação dos senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Plínio Valério (PSDB-AM) após as falas dos parlamentares contra a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede).  

Durante a reunião na Comissão de Infraestrutura da Casa na última terça-feira (27), a ministra foi alvo de ataques verbais considerados machistas e ofensivos. Após as ofensas, Marina resolveu se retirar da sessão. 

De acordo com a federação, Rogério e Valério cometeram gravíssimas violações ao Código de Ética do Senado e ao ordenamento jurídico, “de forma machista, misógina, ilegal e abusiva”. 

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

“Marina Silva, Ministra do nosso país, vem sendo submetida a um grau de violência política assustador, denotando um alto nível de racismo e misoginia dentro dos espaços institucionais. A tentativa de intimidar parlamentares mulheres, com vozes ativas na política institucional, como a Ministra Marina, é prova disso”, consta em um dos textos. 

Abaixo-assinado

A ex-deputada Manuela D’Ávila lançou na última quarta-feira (28) um abaixo-assinado virtual pedindo a cassação dos senadores. Segundo a idealizadora, o abaixo-assinado já conta com 110 mil assinaturas. 

“O ataque de Marcos Rogério à ministra Marina Silva é um retrato nítido da violência política de gênero e raça”, defendeu a ex-parlamentar em publicação nas redes sociais.

Pará decreta emergência para prevenir gripe aviária, mesmo sem casos confirmados

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Foto: Kalinovskiy/Getty Images

O governo do Pará decretou, nesta quinta-feira (29), estado de emergência zoossanitária em todo o território estadual como medida preventiva contra a influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1). O decreto, publicado no Diário Oficial do estado, tem validade de 180 dias, e foi adotado mesmo sem nenhum caso confirmado da doença no estado até o momento. A medida segue diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para reforçar a vigilância e a resposta rápida diante do avanço do vírus em outras regiões do Brasil, como o Rio Grande do Sul.

Ações de vigilância e coordenação

A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) será o órgão central responsável por coordenar todas as ações de prevenção, vigilância e controle da gripe aviária, em articulação com o MAPA e demais instâncias federais. O decreto também autoriza a participação de órgãos públicos, instituições privadas e entidades ligadas à avicultura paraense no apoio às ações preventivas e de controle.

Segundo a Adepará, o decreto permite o acionamento imediato do aparato governamental e a mobilização de recursos financeiros para executar o plano de contingência, caso surjam focos da doença. A agência já atua com fiscalização, monitoramento sanitário, educação sanitária e atendimento a notificações, além de manter o Plano de Vigilância de Influenza Aviária e Doença de Newcastle em plantéis comerciais e de subsistência.

Intensificação da vigilância

Durante os 180 dias de vigência do decreto, os municípios paraenses deverão intensificar a vigilância e o monitoramento em estabelecimentos rurais, tanto comerciais quanto de subsistência, seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA). O objetivo é garantir a detecção precoce e o combate eficaz de eventuais focos da doença.

O Pará, que abriga três sítios de aves migratórias vindas de outros países das Américas, é considerado área de risco para a introdução do vírus. Até o momento, todas as amostras analisadas pelo laboratório federal do MAPA apresentaram resultado negativo para influenza aviária.

Notificação obrigatória

A notificação de suspeitas de gripe aviária é obrigatória e pode ser feita por qualquer pessoa. Os canais para comunicação são:

PIB cresce 1,4% no primeiro trimestre de 2025, diz IBGE

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Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Segundo dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (30), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025, frente ao quarto trimestre de 2024. O resultado foi principalmente impulsionado pelo setor agropecuário, com alta de 12,2%. Outras áreas também registraram crescimento, como a de serviços, de 0,3%. O setor industrial, por outro lado, não mostrou variação significativa.

Assim, o valor total do PIB brasileiro de janeiro a março deste ano foi de R$ 3 trilhões. Comparado aos últimos quatro trimestres, a economia brasileira cresceu 3,5%. Em relação ao acumulado no ano, ou seja, desde o primeiro trimestre de 2024, o total aumentou em cerca de 2,9%, com crescimento de 10,2% na agropecuária, de 2,4% na indústria e de 2,1% nos serviços.

PIB cresce 1,4% ante o quarto trimestre de 2024

A agropecuária cresceu 10,2% em relação a igual período de 2024, principalmente, pelo bom desempenho de alguns produtos da lavoura com safra relevante no primeiro trimestre e pela produtividade. O crescimento foi puxado, principalmente, pela soja (13,3%), milho (11,8%), arroz (12,2%) e fumo (25,2%).

Com relação a atividade industrial, a área de indústria de transformação caiu 1,% e construção 0,8%. O crescimento foi impulsionado pela área de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos, com alta de 1,5%, e pelo setor de indústrias extrativas, com crescimento de 2,1%.

Nas atividades de serviços, cresceu informação e comunicação em 3,%, outras atividades de serviços em 0,8%, atividades imobiliárias também em 0,8%. Já administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social cresceram em 0,6% e comércio em 0,3%.  Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados se estabilizaram em 0,1% e transporte, armazenagem e correio registraram queda de 0,6%.

PIB cresce 2,9% frente ao 1º trimestre de 2024

Na mesma comparação, a indústria cresceu 2,4% e a construção 3,4%. Indústria de transformação registrou alta de 2,8%, impulsionada por máquinas e equipamentos, metalurgia, produtos químicos e farmacêuticos. O consumo residencial impulsionou a alta de 1,6% na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos.

O valor adicionado dos serviços cresceu 2,1% comparado ao mesmo período de 2024, com todas as atividades apresentando alta. Informação e comunicação com 6,9%, atividades imobiliárias com 2,8%, outras atividades de serviços com 2,5%, comércio com 2,1%, atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados com 2,1%, transporte, armazenagem e correio com 1,1% e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social com 0,5%.

Análise: As vitórias de Davi Alcolumbre

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Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado Na pauta, o PLP 234/2020, projeto de lei complementar que busca estimular a contratação de micros e pequenas empresas em processos de licitação pública. Mesa: senadora Tereza Cristina (PP-MS); senador Renan Calheiros (MDB-AL); presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A força do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), esteve em evidência na última semana. Ele teve atuação essencial na aprovação de um Licenciamento Ambiental mais flexível (PL nº 2.159/21) e saiu ganhando. Apresentou até mesmo uma emenda para permitir a tramitação acelerada de empreendimentos estratégicos. O texto mira facilitar a exploração de petróleo na chamada Margem Equatorial, na costa do Amapá – terra natal de Alcolumbre – que será o estado mais beneficiado com os royalties. Na mesma semana, a Petrobras obteve aprovação do seu plano de resgate à fauna, o que permite à estatal avançar para a última etapa do licenciamento do poço na Bacia Foz do Amazonas. Segundo servidores do Ibama, a pressão política no Congresso teve papel relevante nesse avanço, já que os pareceres técnicos não previam a liberação imediata.

A aprovação do PL nº 2.159/21 dependeu do recuo do próprio governo. Mesmo se opondo ao texto, o senador Fabiano Contarato (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente, liberou a matéria para votação por saber que Alcolumbre já havia assegurado os votos necessários.

Logo após a votação do projeto, o presidente do Senado anunciou que a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS, tema sensível ao governo, deve ser liberada para instalação em 17 de junho. A instalação já era tida como certa pelo governo, mas o timing faz muita diferença. Com as festas juninas, que tiram os parlamentares de Brasília, e o recesso de julho, a comissão só deve funcionar em agosto. Isso dará mais tempo ao Executivo para se reorganizar, preparar uma defesa e ter mais reações a propagandear.

O episódio mostra a clareza de Alcolumbre em definir suas prioridades e a sua precisão, ao usar as ferramentas que tem disponíveis para atingir seus objetivos – obtendo até mesmo o recuo por parte do governo federal. Se o Planalto projetava ter um aliado incondicional na Presidência do Senado, teve esse desejo frustrado.

Paralelamente, Alcolumbre trava outra disputa, que envolve o impasse em torno das indicações para as agências reguladoras. O presidente do Senado vem retendo em sua mesa os nomes indicados pelo governo para sabatinas no Senado. Isso porque discorda da indicação de Pietro Sampaio Mendes para a Agência Nacional do Petróleo (ANP), feita pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), rival político de Alcolumbre. O senador também condiciona as indicações pendentes para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ao seu aval. Nem mesmo a viagem à China com o presidente Lula (PT) cumpriu o propósito de destravar as sabatinas. Senadores ouvidos pela Arko dizem que Alcolumbre segue firme em seu propósito de emplacar aliados nesses cargos-chave do setor energético.

Lula defende redistribuição de renda durante retomada do Porto de Itajaí

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Itajaí (SC), 29/05/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de retomada das operações do Porto de Itajaí.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) defendeu nesta quinta-feira (29) a importância dos investimentos públicos em programas sociais e no fomento ao crescimento econômico como estratégias centrais para combater a pobreza e melhorar a qualidade de vida da população. A declaração foi feita durante a cerimônia que marcou a retomada das operações do Porto de Itajaí (SC), federalizado no início deste ano, e que receberá R$ 844 milhões em investimentos para modernização e ampliação de sua capacidade.

“Economia não gira com dinheiro na mão de poucos”, diz Lula

Em seu discurso, Lula afirmou que uma nação só é rica quando a maioria da população tem acesso à renda e oportunidades.

“Uma nação que tem pouca gente com muito dinheiro é uma nação pobre. Uma nação que tem muita gente com pouco dinheiro, é uma nação rica. É por isso que nós fazemos política de inclusão social, por isso que aumentamos o salário mínimo”, declarou.

O presidente destacou que, quando a população tem mais dinheiro, ela consome, movimenta o comércio e estimula a economia local. “Quando o povo tem um pouquinho de dinheiro, ele não guarda no banco, ele vai comprar o que comer, vai comprar o que vestir, vai comprar material pro filho na escola. A economia começa a circular e todo mundo começa a melhorar de vida”, afirmou Lula, ressaltando que a economia não pode ficar “atrofiada com dinheiro na mão de poucos”.

Crescimento econômico e confiança empresarial

Lula também enfatizou o momento de recuperação da economia, com aumento da produção industrial, redução do desemprego e retomada da confiança dos empresários. “Os empresários voltaram a acreditar, mesmo aqueles que não gostam de nós. E não precisa gostar, porque ninguém está propondo casamento a ninguém. A gente está propondo que gostem do Brasil, do povo brasileiro, e faça investimento, porque se fizer, aqui vai ganhar”, disse o presidente.

Isenção do Imposto de Renda

Durante o evento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou o compromisso do governo com a justiça tributária e destacou o projeto que prevê isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Segundo Haddad, a proposta também reduz a carga para quem ganha até R$ 7 mil e aumenta a tributação sobre os super-ricos, que hoje pagam proporcionalmente menos imposto.

“É um projeto de justiça tributária, ninguém está sendo punido porque o rico que paga 2% e ganha R$ 1 milhão, vai ser chamado a contribuir com a sua cota justa”, explicou o ministro.

Modernização e ampliação do Porto de Itajaí

O Porto de Itajaí, segundo maior do país em extensão, voltou a operar após dois anos de paralisação e será beneficiado por um pacote de investimentos federais de R$ 844 milhões. Os recursos serão destinados à modernização, dragagem, ampliação do canal, obras de infraestrutura, aquisição de equipamentos e melhorias logísticas.

O porto é responsável por 50% das exportações brasileiras de carne suína e de frango, e atende cerca de mil empresas. O governo também anunciou a criação de uma Companhia Docas para a administração da unidade, que passará a ter status de porto federal.

Brasil recebe status de país livre da febre aftosa sem vacinação

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Foto: Reprodução

A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconheceu oficialmente nesta quinta-feira (29) o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. O anúncio foi feito durante a 92ª Sessão Geral da Assembleia Mundial de Delegados da OMSA, em Paris, e é considerado um marco para a pecuária nacional, resultado de décadas de esforços conjuntos entre governo, produtores rurais e entidades do setor.

O que muda com o novo status

O reconhecimento da OMSA é visto como uma conquista histórica para o agronegócio brasileiro, que já lidera as exportações mundiais de carne bovina. Com o novo status, o país espera ampliar o acesso a mercados mais exigentes, como Japão e Coreia do Sul, que só compram carne de países livres de febre aftosa sem vacinação. Mais de 244 milhões de bovinos e bubalinos em cerca de 3,2 milhões de propriedades deixaram de ser vacinados contra a doença, em um processo iniciado há mais de 50 anos.

A última ocorrência da doença no território nacional foi registrada em 2006. Desde então, o Brasil implementou zonas livres de febre aftosa e, gradualmente, retirou a vacinação, conforme o Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA). O processo foi conduzido de forma segura, com estudos soroepidemiológicos comprovando a ausência de circulação do vírus no país.

Vigilância e responsabilidade compartilhada

Apesar da retirada da vacina, o Brasil continuará investindo em ações de vigilância e controle sanitário do rebanho. O papel dos pecuaristas e colaboradores permanece fundamental, especialmente na notificação ao Serviço Veterinário Oficial (SVO) em caso de suspeita da doença. O setor produtivo e as entidades representativas reforçam que a manutenção do novo status depende do compromisso contínuo com as boas práticas sanitárias.

Para entidades como a CNA e a Famasul, a chancela internacional coloca o Brasil em posição de igualdade com grandes exportadores globais, como Estados Unidos, Austrália e União Europeia.

“Desde o início da profissionalização da produção de carne, a luta contra a doença se intensificou globalmente. No Brasil, o combate começou oficialmente em 1950 e passou por diferentes fases, até a criação do [Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa] PNEFA em 2017, com o objetivo de erradicação completa até 2026”, diz a Famasul

Ex-AGU afirma que Bolsonaro perguntou sobre possibilidade de reverter resultado das eleições de 2022

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Bruno Bianco
Foto: Júlio Nascimento/PR

O ex-advogado-geral da União, Bruno Bianco, confirmou nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o então presidente Jair Bolsonaro (PL) o questionou, em reunião realizada após o segundo turno das eleições de 2022, sobre a existência de algum problema jurídico que pudesse ser usado para reverter o resultado das urnas.

Bianco foi ouvido como testemunha de defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, réu na ação penal que apura uma suposta trama golpista para manter Bolsonaro no poder após a derrota eleitoral.

Detalhes da reunião

Segundo Bianco, o encontro ocorreu após uma coletiva de imprensa sobre a transição de governo. Bolsonaro teria perguntado: “O senhor vislumbra algum problema que possa ser questionado?” O ex-AGU respondeu que, em sua ótica, a eleição havia ocorrido de maneira correta, transparente e sem qualquer problema jurídico.

“Eu disse que não, que foi tudo realizado com transparência. O presidente, pelo menos na minha frente, se deu por satisfeito”, relatou Bianco.

Depoimento

O depoimento de Bianco reforça relatos anteriores de outros militares presentes, como o ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Júnior, que também afirmou ter presenciado Bolsonaro perguntando sobre possíveis alternativas jurídicas para contestar o resultado das eleições. Segundo Bianco, estavam presentes na reunião os três comandantes das Forças Armadas à época — general Freire Gomes (Exército), brigadeiro Baptista Júnior (Aeronáutica) e almirante Almir Garnier (Marinha) — além do então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.

Bianco afirmou ainda que sua participação no encontro foi breve, e que não presenciou discussões de teor golpista ou de ruptura institucional.

“O presidente me perguntou, eu estava de pé e me retirei da reunião. Achei que estaria ali para falar de transição”, afirmou.

Ação penal

Outros ex-ministros ouvidos nesta quinta-feira, como Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) e Adolfo Sachsida (Minas e Energia), negaram que tenham ocorrido discussões golpistas em reuniões ministeriais, afirmando que os debates se restringiram a possíveis fragilidades do sistema eleitoral e à atuação das instituições para garantir a normalidade do processo.

A ação penal 2668, que investiga o chamado “núcleo crucial” da suposta trama golpista, tem como réus Bolsonaro, Anderson Torres e outros ex-ministros e assessores próximos. As audiências das testemunhas continuam até o início de junho, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.