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Desaprovação ao governo Lula atinge 57%, diz pesquisa da Quaest

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Lula
Foto: Ricardo Stuckert/PR

A desaprovação ao governo do presidente Lula (PT) chegou a 57% em junho, o maior patamar desde o início do terceiro mandato, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (4). A aprovação caiu para 40%, também o menor índice já registrado para o presidente.

Ambos os indicadores oscilaram dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, mas consolidam uma tendência de desgaste do governo junto ao eleitorado brasileiro.

Lula perde apoio em segmentos tradicionais do seu eleitorado

O levantamento revela que, pela primeira vez, Lula passou a ser mais desaprovado do que aprovado entre católicos e entre eleitores com ensino fundamental. Entre os mais pobres (renda de até dois salários mínimos), há empate técnico: 50% aprovam e 49% desaprovam o governo. No Nordeste, Lula voltou a ter maioria de aprovação (54% a 44%), mas no Sudeste a desaprovação chegou a 64% e a aprovação caiu para 32%.

Entre os beneficiários do Bolsa Família, 51% aprovam e 44% desaprovam o governo. Já entre quem não recebe o benefício, a desaprovação é de 61% e a aprovação, de 37%.

Foto: Reprodução/Quaest

Escândalo do INSS e aumento do IOF

A pesquisa aponta que 31% dos entrevistados responsabilizam o governo Lula pelo escândalo dos descontos ilegais em benefícios do INSS. 50% acreditam ser necessário que o Legislativo abra uma CPI sobre o assunto, pauta hoje defendida tanto por governo quanto oposição.

Sobre o aumento do IOF, metade dos brasileiros (50%) considera que o governo errou ao manter a alta para compra de dólares, porém, a maioria dos entrevistados (59%) não ficou sabendo sobre o assunto.

Apesar de uma leve melhora na percepção sobre a economia — caiu de 56% para 48% a parcela que acha que a economia piorou —, a maioria ainda vê o poder de compra como menor do que há um ano, e acredita que o Brasil está na direção errada (61%).

Comparação com governos passados

A avaliação negativa do governo Lula também é recorde na comparação com seus dois primeiros mandatos: 56% dos entrevistados consideram o atual governo pior do que os anteriores, enquanto 20% acham igual e 20% melhor. Em relação ao governo Bolsonaro, 44% avaliam que Lula está pior, 40% melhor e 13% igual.

Caso de gripe aviária é confirmado no Zoológico de Brasília

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Brasília (DF), 28/05/2025 - O Zoológico de Brasília precisou fechar as portas por suspeitas de casos de gripe aviária. Segundo informações preliminares, um pombo e um pato foram encontrados mortos e levantaram suspeitas sobre a infecção.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O governo do Distrito Federal confirmou, na noite desta terça-feira (3), o primeiro caso de influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) no Zoológico de Brasília. O parque está fechado desde o dia 28 de maio, após a morte de duas aves silvestres — um irerê (espécie de marreco) e um pombo. Análises laboratoriais identificaram a presença do vírus em amostras coletadas do irerê. Com a confirmação, o zoológico permanecerá interditado até o dia 12 de junho, salvo novos casos no local. É o primeiro caso confirmado fora do Rio Grande do Sul.

Medidas de contenção

A Secretaria de Agricultura do DF informou que a interdição segue protocolos do Programa Nacional de Sanidade Avícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com monitoramento contínuo das aves do parque. O caso não afeta o comércio exterior, já que para exportações só são considerados focos em granjas comerciais.

A pasta reforçou que “a população pode se manter tranquila, não havendo qualquer restrição quanto à alimentação”, pois o consumo de carne de aves e ovos devidamente inspecionados é seguro. “A gripe aviária não é transmitida por meio da ingestão desses alimentos cozidos, mesmo quando provenientes de áreas afetadas. A transmissão do vírus ocorre apenas por contato direto com aves vivas infectadas, sendo o risco de infecção humana considerado baixo”, esclareceu a secretaria.

A orientação é para que as pessoas não manipulem aves mortas e notifiquem imediatamente qualquer suspeita à Secretaria de Agricultura.

Contexto nacional

Este é o terceiro foco confirmado de H5N1 no Brasil em 2025, após registros em uma granja comercial em Montenegro (RS) e no Zoológico de Sapucaia do Sul (RS). O Ministério da Agricultura informa que mantém vigilância reforçada em todo o país para evitar a propagação do vírus.

O caso na cidade de Montenegro foi o primeiro, sendo identificado no dia 16 de maio. No dia 22, o trabalho de desinfecção foi finalizado, iniciando assim os 28 dias de vazio sanitário necessários para considerar a área livre da gripe aviária.

Governo adia anúncio de alternativas ao aumento do IOF para domingo (8)

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Ministro Fernando Haddad (PT).
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O presidente Lula (PT) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), se reuniram na tarde desta terça-feira (3) com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para apresentar alternativas à elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Porém, segundo Haddad, as medidas serão anunciadas somente no domingo (8), quando há previsão de um encontro entre a equipe econômica e os líderes que representam os partidos políticos. “Estamos tendo esse cuidado todo porque dependemos do voto do Congresso Nacional”, justificou.

Aumento segue em vigor até aprovação de novas medidas

Assim, a decisão adia para a próxima semana uma eventual mudança no decreto que elevou o IOF. Segundo o ministro, as regras só serão revistas quando alternativas fiscais forem aprovadas pelo Congresso. “Preciso de aprovação de parte das medidas antes de rever o decreto do IOF, para cumprir as metas deste ano previstas no arcabouço fiscal”, disse. Ele declarou, porém, que, se houver apoio das lideranças partidárias, a questão “pode ser resolvida em poucos dias”.

A decisão de não recuar nesse momento teve a concordância de Alcolumbre. “Não podemos rever o decreto se antes não discutirmos uma agenda estruturante de país. Não dá para tratar isoladamente o problema que estamos vivendo nas contas públicas do Brasil”, defendeu.

No mês passado, o governo elevou as taxas sobre seguros, crédito empresarial e câmbio. A estimativa inicial era que as medidas arrecadassem R$ 20,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026. Porém, após um primeiro recuo, o corte pode ser maior.

Reforma estruturante

Mais cedo nesta terça (4), o ministro da Fazenda havia declarado que as compensações por um eventual recuo em relação ao IOF devem ser enviadas ao Congresso por meio de projeto de lei (PL), medida provisória (MP) e proposta de emenda à Constituição (PEC). Isso porque o governo quer aproveitar a abertura do Congresso em rediscutir os gastos tributários — reduções ou isenções de impostos concedidas a grandes empresas. Outras alternativas também estão na mesa, como a taxação das apostas online, os bets.

Parlamentares do BRICS criticam guerra tarifária dos EUA e defendem multilateralismo

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Brasília (DF) 02/06/2025 A ministra das Comunicações interina, Sônia Faustino, coordena reunião ministerial do Grupo de Trabalho do BRICS sobre Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Durante o 11º Fórum Parlamentar do BRICS, realizado nesta terça-feira (3) em Brasília, parlamentares de 15 países do bloco criticaram duramente a guerra comercial promovida pelos Estados Unidos por meio de tarifas unilaterais, política praticada desde o início do novo mandato de Donald Trump. Sem citar diretamente o governo americano, os representantes do BRICS classificaram as medidas como protecionistas e inconsistentes com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), ressaltando o impacto negativo sobre as cadeias globais de produção e o crescimento das economias emergentes.

“Preocupação com o aumento de medidas protecionistas”

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidiu a reunião e criticou o uso de tarifas e barreiras não tarifárias como instrumentos de pressão econômica.

“É grande nossa preocupação com o aumento de medidas protecionistas unilaterais injustificadas, inconsistentes com as regras da OMC, incluindo o incremento indiscriminado de medidas tarifárias e não tarifárias e o uso abusivo de políticas verdes para fins protecionistas”, afirmou Trad.

A posição foi reforçada por representantes da China, que destacaram que a “mentalidade da Guerra Fria está voltando ao mundo, e que alguns países estão usando a intimidação unilateral para impor seus interesses”, e da Indonésia, que defendeu a ampliação do comércio entre os países do BRICS usando moedas locais para reduzir a dependência do dólar.

Multilateralismo, moedas locais e reforma global

Os debates do fórum destacaram a necessidade de fortalecer o multilateralismo, promover o uso de moedas locais no comércio entre os países do bloco e avançar na reforma das instituições multilaterais, como OMC, FMI e Conselho de Segurança da ONU. Parlamentares da África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Nigéria, Bolívia e Cuba também defenderam a diversificação dos canais de comércio e a redução da dependência dos mercados ocidentais, além de elogiar o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) na promoção de projetos de infraestrutura e financiamento em moedas locais.

Desaprovação ao governo sobe para 56%, aponta o PoderData

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Brasília (DF), 22/04/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente do Chile, Gabriel Boric, em cerimônia oficial, no Palácio do Planalto.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A pesquisa divulgada hoje (3) pelo PoderData mostra que a desaprovação ao governo Lula (PT) cresceu três pontos percentuais em relação a janeiro. O percentual de desaprovação é o maior já registrado desde o início do governo, seguindo a mesma tendência apontada pelo instituto AtlasIntel na última sexta-feira (30/05). A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A aprovação da gestão Lula caiu dois pontos percentuais, atingindo seu índice mais baixo desde o retorno do presidente ao Palácio do Planalto, em janeiro de 2023. A desaprovação está em alta desde maio do ano passado, enquanto a aprovação apresenta tendência de queda.

Avaliação do Governo Lula

Avaliação Jan/24 (%) Mai/24 (%) Jan/25 (%) Mai/Jun/25 (%)
Desaprova 45 51 53 56
Aprova 47 42 41 39

Fonte: PoderData

A mesma tendência aparece na avaliação do desempenho pessoal do presidente Lula (PT). A avaliação negativa (ruim/péssima) cresceu três pontos percentuais em relação a janeiro. A avaliação positiva (ótimo/bom) caiu dois pontos, e o índice regular também oscilou negativamente dois pontos.

Avaliação do Desempenho de Lula

Avaliação Jan/24 (%) Mai/24 (%) Jan/25 (%) Mai/Jun/25 (%)
Ruim/Péssimo 34 37 41 44
Ótimo/Bom 34 28 22 20
Regular 22 33 34 32

Fonte: PoderData

A pesquisa, realizada entre 31 de maio e 2 de junho, captou o impacto do aumento do IOF, que tem gerado desgaste político ao governo, tanto no meio político quanto empresarial e na opinião pública. A perda de capital político de Lula também pode ser explicada pelas denúncias de fraude no INSS e pela persistente inflação, que corrói a renda da população, afetando principalmente os segmentos de classe média e de renda até dois salários mínimos.

Há uma combinação de problemas sobrepostos: desgaste político provocado pelo aumento de impostos, denúncias de corrupção e a perda do poder aquisitivo de segmentos expressivos do eleitorado, o que coloca o governo na defensiva. Nem mesmo as medidas sociais anunciadas desde janeiro e os números positivos do PIB e do emprego conseguem reverter a perda de capital político de Lula.

Os dados das últimas pesquisas reforçam a percepção de que o governo Lula enfrenta um desgaste estrutural. Apesar de o presidente ainda contar com uma base de simpatizantes entre 32% e 40%, os altos índices de desaprovação sugerem um cenário difícil para Lula até 2026, mesmo diante da fragmentação da oposição.

Jordânia e Kuwait reduzem restrições à carne de frango do Brasil

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galinha, frango, gripe aviária
Foto: Divulgação

Os governos da Jordânia e do Kuwait anunciaram, nesta segunda-feira (2), a redução das restrições à carne de frango brasileira. A decisão foi tomada após reuniões técnicas e diplomáticas conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). As restrições haviam sido impostas em razão de um foco de gripe aviária registrado no estado do Rio Grande do Sul.

A missão internacional ocorreu entre os dias 26 de maio e 1º de junho, com passagens por Argélia, Tunísia, Jordânia e Kuwait. O objetivo foi reforçar a cooperação bilateral e ampliar as exportações agropecuárias brasileiras. A comitiva foi liderada pelo secretário adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Marcel Moreira, acompanhado da diretora de Promoção Comercial, Ângela Peres.

Jordânia e Kuwait

Na Jordânia, após a apresentação das medidas adotadas pelo Brasil para conter o surto de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), o governo local anunciou que a restrição à carne de frango brasileira passa a ser limitada apenas ao estado do Rio Grande do Sul. O secretário adjunto propôs ainda a regionalização da medida para um raio de 10 quilômetros em torno do foco da doença, conforme padrões internacionais, e sugeriu a atualização do Certificado Sanitário Internacional (CSI) com esse novo critério. A proposta será analisada pelas autoridades sanitárias jordanianas.

Já no Kuwait, a delegação brasileira recebeu a confirmação de que o governo local também restringirá as importações de carne de frango apenas ao território gaúcho, seguindo a mesma linha adotada pela Jordânia.

“Os avanços obtidos na Jordânia e no Kuwait reforçam o trabalho transparente e eficaz que o Mapa vem realizando no enfrentamento da gripe aviária. As ações rápidas de controle, somadas ao diálogo constante com nossos parceiros, têm permitido reverter restrições às exportações brasileiras com base em critérios técnicos e na confiança mútua”, destacou Marcel Moreira.

Argélia e Tunísia

A missão também incluiu encontros na Argélia e na Tunísia, onde foram discutidas oportunidades de cooperação técnica, ampliação das exportações e novos acordos sanitários. Em Argel, a comitiva participou da Feira Internacional SIPSA-FILAHA 2025 — um dos principais eventos agropecuários da região —, manteve reuniões com autoridades locais e iniciou tratativas para a assinatura de um memorando de entendimento que deve incluir cooperação técnica, intercâmbio de tecnologias e capacitação. Também está prevista a promoção de produtos argelinos no Brasil, como azeite de oliva e tâmaras.

Na Tunísia, o foco esteve na ampliação das licenças de importação de carne bovina e de frango brasileiras, além da possibilidade de autorizar a entrada de carne resfriada no país. Também avançaram as negociações para permitir a exportação de material genético do Brasil ao mercado tunisiano.

Confederação investigada por fraudes no INSS tem laços com frente parlamentar

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Frente Parlamentar em Defesa do Empreendedorismo Rural, Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo Rural
Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

A Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), investigada pela Polícia Federal (PF) por fraudes em descontos associativos pagos pelo INSS, mantém forte ligação com a Frente Parlamentar em Defesa do Empreendedorismo Rural, que reúne 212 deputados e senadores. O presidente da Conafer, Carlos Lopes, foi o único agente privado a compor o palco do lançamento da frente, em abril de 2024, ao lado de parlamentares como Fausto Pinato (PP-SP), Chico Rodrigues (PSB-RR) e outros nomes do setor público e do Ministério da Agricultura.

No evento, Lopes agradeceu o apoio do Congresso, e destacou a convergência de interesses entre a entidade e os parlamentares. O senador Chico Rodrigues, vice-presidente da frente, afirmou que havia uma “grande conexão” entre os trabalhos da frente e a Conafer. O deputado Pinato, presidente da frente, declarou que a entidade nunca financiou as atividades parlamentares, mas reconheceu que a frente “sempre ouviu ideias da comunidade rural brasileira, inclusive da Conafer”.

Crescimento dos descontos

A Conafer é a segunda entidade com maior volume de descontos associativos em benefícios do INSS, atrás apenas da Contag. Entre 2019 e 2024, os descontos realizados pela Conafer saltaram de R$ 400 mil para R$ 277 milhões anuais, segundo dados da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF). Durante a pandemia, a entidade multiplicou o número de associados, chegando a incluir descontos em mais de 73 mil benefícios em apenas quatro meses de 2020.

As investigações apontam que a Conafer realizou descontos não autorizados, muitas vezes sem apresentar documentação de filiação dos aposentados e pensionistas. Relatórios da CGU e do TCU indicam que a maioria dos beneficiários não autorizou os descontos, e há indícios de falsificação de documentos e lavagem de dinheiro. Em alguns casos, os valores descontados eram até 180% maiores do que o autorizado.

Lobby no Congresso

A influência da Conafer se ampliou no Congresso, com presença ativa em reuniões e articulações políticas, inclusive com parlamentares atuando como porta-vozes da entidade em negociações com o INSS. O deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) foi citado como interlocutor da Conafer em reuniões oficiais. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou a abrigar em seu gabinete um diretor da entidade, Jeronimo Arlindo da Silva Junior, em 2020 e 2021, como secretário parlamentar.

O setor de associações rurais exerce forte lobby no Congresso: desde 2019, ao menos 31 parlamentares de 11 partidos defenderam o enfraquecimento de mecanismos de controle sobre os descontos associativos. A abertura do sistema de descontos, antes restrito a poucas entidades tradicionais, permitiu a entrada de dezenas de associações, facilitando a fraude em larga escala.

Operação Sem Desconto

As investigações fazem parte da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), que apura um esquema nacional de descontos de mensalidades associativas não autorizadas em benefícios do INSS. Estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões foram descontados indevidamente de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.

No mês passado, a AGU já havia solicitado o bloqueio de R$ 2,5 bilhões em bens de 12 entidades e 60 dirigentes. Por decisão da Justiça, o caso foi dividido em 15 ações para facilitar a análise. As ações judiciais integram o esforço de um grupo especial montado pela AGU para recuperar o dinheiro desviado dos beneficiários.

A Conafer afirma que apoia a fiscalização, e diz que está colaborando com as investigações.

Alta dos juros e aumento das importações travam indústria brasileira no 1º trimestre de 2025, avalia CNI

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indústria
Foto: Washington Costa/MDIC

Em avaliação feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), os juros altos e o aumento das importações comprometeram o crescimento da indústria brasileira no 1º trimestre do ano de 2025. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor foi o único a encolher em relação ao 4º trimestre de 2024. A indústria recuou 0,1%, enquanto a agropecuária cresceu 12,2% e os serviços subiram 0,3%.

Impacto dos juros e das importações

Para o presidente do órgão, Ricardo Alban, o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a MP do Setor Elétrico podem piorar as condições para a indústria.

“Só o IOF vai representar um peso de R$ 19 bilhões para as empresas em 2025 e R$ 39 bilhões no ano que vem. A pressão da isenção da conta de luz, como prevê a MP do Setor Elétrico, também vai recair sobre nós”, explica.

De acordo com a confederação, a elevação do IOF contribui para o encarecimento do crédito para empreendimentos produtivos, consequentemente aumentando a carga tributária sobre empréstimos para empresas em mais de 110% ao ano.

Há um descasamento entre consumo interno e a produção nacional. Enquanto o consumo das famílias subiu 1% e a demanda por bens industriais subiu 1,2%, a produção industrial nacional aumentou apenas 0,1% no 1º trimestre, avalia a CNI. 

Análise: O custo da popularidade do governo Lula

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Presidente Lula (PT).
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Atualmente, o governo enfrenta problemas para melhorar sua popularidade, que chegou ao pior patamar em abril deste ano. O presidente Lula (PT) vem tentando reverter esse quadro por meio de medidas populistas, tendo em vista as eleições de 2026. No entanto, quanto custa para a máquina pública cada tentativa de recuperar e conquistar eleitorado? A Arko Advice calculou que, até o momento, essa busca de popularidade custará ao governo cerca de R$ 56,2 bilhões, em 2026, e R$ 60,49 bilhões, em 2027.

Tais valores levam em conta três medidas enviadas ao Congresso Nacional. A primeira é a proposta de isenção do Imposto de Renda para os que recebem até R$ 5 mil mensais, que representará uma renúncia fiscal de R$ 25,84 bilhões, em 2026, e de R$ 27,72 bilhões, em 2027. A segunda, assinada pelo presidente na última quarta-feira (21), é a medida provisória do setor elétrico. Entre outras mudanças, o texto garante gratuidade ao consumo de energia de até 80 kWh/mês. A proposta, segundo dados do Ministério de Minas e Energia (MME), custaria cerca de R$ 3,6 bilhões ao ano para o governo. Soma-se a isso o fato de a Câmara dos Deputados ter aprovado reajuste de salário para categorias de servidores públicos do Executivo. Segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, a previsão de impacto financeiro aos cofres públicos é de cerca de R$ 17,99 bilhões, em 2025, R$ 26,76 bilhões, em 2026, e R$ 29,17 bilhões, em 2027, caso o reajuste também seja aprovado no Senado.

Vale lembrar que há outros projetos que o governo estuda colocar em prática. O reajuste do salário mínimo, por exemplo, proposto no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026, ocasionaria um aumento de R$ 44,1 bilhões nas despesas do governo, segundo a Previdência Social. Há também o crédito consignado, já em vigor. E o governo ventila a possibilidade de expansão do Vale-Gás, que, segundo apuração do InfoMoney, custaria R$ 5 bilhões ao ano, além da proposta de isenção para motoristas de aplicativos.

Caso todas essas propostas se consolidem da maneira prevista, o impacto preliminar seria de cerca de R$ 105,2 bilhões em 2026. No entanto, todo esse investimento para reconstruir a popularidade esbarra em outro componente: as polêmicas relacionando o governo à corrupção. Enquanto a máquina pública injeta dinheiro na melhoria da imagem do governo, os casos de desvio de verbas apontam para a direção contrária do que seria uma construção sólida de aprovação de mandato.

A mais recente pesquisa Atlas apontou, porém, que 50,1% dos entrevistados desaprovam o governo, contra os 53,6% registrados no mês anterior. Diante desse cenário, há uma possibilidade, portanto, de que a desaprovação do governo se reverta.

Carla Zambelli deixa o Brasil após condenação

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Carla Zambelli
Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou nesta terça-feira (3) que deixou o Brasil e pretende pedir licença do mandato na Câmara dos Deputados. Em transmissão ao vivo, Zambelli disse:

“Queria anunciar que estou fora do Brasil já faz alguns dias. Eu vim, a princípio, buscando tratamento médico que eu já fazia aqui e, agora, eu vou pedir para que eu possa me afastar do cargo.”

A parlamentar alegou que sua decisão segue o exemplo do colega Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também se licenciou do cargo:

“Tem essa possibilidade da Constituição, acho que as pessoas conhecem um pouco mais essa possibilidade hoje em dia porque foi o que o Eduardo [Bolsonaro] fez também”.

Zambelli foi condenada em 18 de maio a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos.

Em agosto de 2023, a deputada teve o passaporte apreendido. Porém, foi devolvido dias depois.

Condenação e perda de mandato

A condenação de Zambelli foi unânime na Primeira Turma do STF, que também determinou a perda automática do mandato parlamentar, a ser declarada pela Mesa Diretora da Câmara após o trânsito em julgado da ação. A defesa da deputada, porém, recorreu da decisão, e questiona a execução imediata da cassação, alegando que a definição final cabe ao plenário da Casa.

Além da pena de prisão, Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto foram condenados a pagar juntos uma indenização de R$ 2 milhões por danos morais coletivos. O caso envolve ainda acusações de que a deputada foi a autora intelectual do ataque hacker, com o objetivo de desacreditar o Judiciário e incitar atos antidemocráticos.

O hacker confessou ter atuado a mando da deputada, com o objetivo de emitir um mandado de prisão falso contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. A defesa da parlamentar nega qualquer envolvimento, e acusa Delgatti de mentir.

Apesar da controvérsia, Zambelli deve continuar recebendo apoio da bancada do PL na Câmara. O ex-presidente Jair Bolsonaro, no entanto, já atribuiu a ela parte da responsabilidade pelo fracasso eleitoral do grupo em 2022 e, mais recentemente, classificou sua condenação como “injustiça”.

Processos em andamento

A saída do país ocorre antes da análise final de todos os recursos contra sua condenação. Zambelli afirmou que não está “abandonando o país”, mas sim “resistindo” e “buscando manter sua voz ativa”. O afastamento do mandato, se formalizado, permitirá que um suplente assuma a vaga temporariamente.

A deputada também enfrenta outro processo no STF por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, relacionado ao episódio em que perseguiu um jornalista armado na véspera do segundo turno das eleições de 2022.