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Análise: Crise no IOF gera revisão de isenções fiscais

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Fachada do Ministério da Fazenda, atualmente liderado pelo ministro Fernando Haddad. Propag é regulamentado
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Nas últimas semanas, o governo federal se viu em meio a uma nova crise, agora por conta do decreto que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com arrecadação prevista de R$ 61 bilhões em 2025 e 2026. Após a repercussão negativa, o Ministério da Fazenda pode rever alguns pontos da proposta, mas com a criação de novas medidas arrecadatórias em substituição. Ao longo dos próximos dez dias – prazo dado pelos presidentes da Câmara e do Senado para que a Fazenda ofereça uma alternativa –, sugestões serão estudadas pela pasta.

O bloqueio orçamentário, somado à necessidade de aumento de receita, revela a situação frágil das contas públicas em 2025. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), chegou a afirmar que a derrubada do decreto acarretaria contingenciamento adicional, colocando o funcionamento da máquina pública e do Estado brasileiro em um patamar bastante delicado.

A forte reação do Parlamento ao decreto reforçou as críticas constantes dos congressistas ao fato de o governo buscar o equilíbrio fiscal pelo lado das receitas, sem atacar fortemente as despesas estruturais. No fim de 2024, vale lembrar, o Executivo enviou um pacote de ajuste fiscal aprovado pelo Congresso que já se mostrava insuficiente.

Na ocasião, o deputado Mauro Benevides (PDT-CE) apresentou uma emenda que pedia a redução de 10% dos benefícios fiscais de natureza tributária. A ideia seria implementar uma redução gradual a partir de 2026, resultando na queda desses gastos de 0,4% do PIB. Na justificativa, o vice-líder do governo na Câmara afirmou que os déficits primários recorrentes têm uma forte correlação com o aumento dos gastos tributários federais. A emenda foi destacada, mas o governo orientou votação contrária à proposta.

Entretanto, as renúncias podem voltar a ser pauta de corte de gastos permanentes, já que são defendidas por membros do Parlamento e da equipe econômica, o que aumenta as chances de a ideia prosperar. Algumas alternativas discutidas, além da revisão de isenções fiscais, envolvem a sobretaxação de “bets” e a tributação de criptomoedas.

Benefícios fiscais: O projeto é atacar o montante de R$ 800 bilhões em renúncia fiscal do governo, número citado por Haddad. Do total, cerca de R$ 500 bilhões seriam isenções passíveis de reavaliação, e a proposta é cortar cerca de 10% desse valor.

Tributação de “bets” e criptomoedas: Outra alternativa seria a sobretaxação das apostas de cota fixa – as “bets”. A sugestão foi apresentada pelo setor financeiro como forma de compensar a arrecadação perdida com a revisão de alguns pontos do decreto sobre o IOF. Outra sugestão foi a tributação de criptoativos, que atualmente incide apenas sobre ganhos superiores a R$ 35 mil por mês.

Lula cobra Macron por acordo Mercosul-UE e critica protecionismo em Paris

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24.09.2024 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, na Sala da República Francesa, da Sede das Nações Unidas (ONU). Nova York - Estados Unidos.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (5), em Paris, após reunião com o presidente da França, Emmanuel Macron, que não deixará a presidência do Mercosul sem concluir o acordo comercial com a União Europeia. Lula foi recebido com honras de chefe de Estado e destacou a hospitalidade de Macron, mas cobrou publicamente o apoio francês ao tratado, travado por resistências do setor agrícola francês.

“Eu assumirei a presidência do Mercosul no próximo dia 6. Eu quero lhe comunicar que não deixaria a presidência do Mercosul sem concluir o acordo com a União Europeia. Portanto, meu caro, abra o seu coração para a possibilidade de fazer esse acordo com o nosso querido Mercosul”, disse Lula.

O presidente brasileiro reforçou que o acordo é a melhor resposta diante do “cenário de incertezas criado pelo retorno do unilateralismo e protecionismo tarifário”. Lula também criticou o retrocesso no comércio entre Brasil e França, que em 2024 ficou abaixo dos níveis de 2012, e defendeu que os dois países deem “dois passos à frente, como se estivesse dançando um bom bolero latino-americano”.

Macron defende cláusulas ambientais e pede equilíbrio

Em resposta, Macron reconheceu a importância do acordo, mas voltou a expressar preocupação com os impactos sobre os agricultores europeus e as diferenças regulatórias entre Mercosul e União Europeia.

“Este acordo, neste momento estratégico, é bom para muitos setores, mas comporta um risco para os agricultores europeus. […] Por essas razões, proibimos os nossos agricultores de utilizar esses agrotóxicos, por exemplo. Os países no Mercosul não estão no mesmo nível de regulamentação. […] Temos que melhorar, aprimorar o acordo, trabalhar para ter cláusulas-salvaguardas e espelho”, afirmou Macron.

Lula critica protecionismo e exalta parceria ambiental

Lula rebateu, afirmando que o Brasil quer continuar a importar vinhos e queijos franceses, mas que “não pode é um bloqueio”. O presidente defendeu a abertura de diálogo entre cooperativas dos dois países, e disse que “não está difícil fazer o acordo”.

“Pode ter no mundo alguém preocupado com o meio ambiente igual ao meu governo, mas não tem ninguém melhor. Pode ter alguém com uma ministra que apanha todo dia da imprensa por tentar cuidar do nosso país, mas não tem melhor que a nossa Marina”, afirmou Lula, referindo-se à ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

O presidente brasileiro também criticou a volta ao protecionismo e ao unilateralismo, dizendo que “nos anos 1980, me convenceram que era preciso ter livre comércio e globalização, eu era contra. Aí depois que o Brasil entra, os que propuseram não querem mais? Por que nós ficamos competitivos? Isso não vale”.

Lula ainda destacou a importância estratégica da relação Brasil-França, lembrando que a maior fronteira francesa é com o Brasil, na Amazônia, com a Guiana Francesa, e exaltou parcerias em defesa, produção de aeronaves e combate ao crime organizado.

Outros temas da agenda bilateral

Durante o encontro, Lula e Macron também trataram de temas como preservação ambiental, combate ao narcotráfico, produção de helicópteros e submarinos, e a necessidade de maior financiamento internacional para ações climáticas. Lula voltou a pedir reforma da ONU, e criticou o avanço do negacionismo e do radicalismo de extrema-direita no mundo.

A agenda de Lula em Paris inclui ainda reuniões com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, com a comunidade brasileira, participação na Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, na cidade de Nice, e visita à Interpol, atualmente comandada pelo brasileiro Valdecy Urquiza.

Lula empata com Bolsonaro e mais quatro em cenários para 2026, aponta Quaest

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Rio de Janeiro (RJ) 19/06/2024 – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de posse da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, no Cenpes.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece tecnicamente empatado com cinco nomes da direita em simulações de segundo turno para a eleição presidencial de 2026, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (5).

O levantamento mostra que Lula perdeu a vantagem que mantinha em pesquisas anteriores, e agora enfrenta empates técnicos com os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ratinho Junior (PSD-PR), Eduardo Leite (PSD-RS), com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente inelegível até 2030.

A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos, e ouviu 2.004 pessoas entre os dias 29 de maio e 1º de junho. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. O nível de confiança da pesquisa é de 95%.

Cenários de segundo turno

Nos oito cenários testados pela Quaest, Lula empata com Bolsonaro (41% x 41%), Tarcísio (41% x 40%), Michelle Bolsonaro (43% x 39%), Ratinho Jr. (40% x 38%) e Eduardo Leite (40% x 36%). Na última pesquisa, em abril, Lula liderava todos esses confrontos, exceto contra Bolsonaro, com vantagem mais folgada.

Nos demais cenários, Lula segue à frente, mas com vantagem também menor: contra Eduardo Bolsonaro (44% x 34%), Romeu Zema (42% x 33%) e Ronaldo Caiado (43% x 33%).

Rejeição, cansaço da polarização e alternativas da direita

A pesquisa também mostra que Lula e Bolsonaro têm índices de rejeição semelhantes: 57% e 55%, respectivamente. O levantamento revela ainda um “cansaço da polarização”, com 66% dos entrevistados contrários à reeleição de Lula, e 65% defendendo que Bolsonaro abra mão de uma nova candidatura.

Entre os nomes da direita, Tarcísio de Freitas (17%) e Michelle Bolsonaro (16%) aparecem empatados como principais alternativas para substituir Bolsonaro, caso ele permaneça inelegível.

A pesquisa também aponta que 40% dos entrevistados têm medo de Lula continuar na presidência (na última pesquisa, eram 41%). Já com uma volta do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje inelegível, esse número é de 45% (antes 44%).

Petrobras garante exclusividade para negociar nove blocos exploratórios na Costa do Marfim

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Ipojuca (PE) 01/11/2024 – As unidades de hidrotratametno de nafta e de geração de hidrogênio da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), da Petrobras, trabalham para reduzir os teores de enxofre e componentes instáveis no combustível. O Trem 1 da RNEST vai passar por "revamp", processo de revisão e ampliação de capacidade de produção.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Conselho de Ministros do governo da Costa do Marfim aprovou a declaração de interesse da Petrobras em nove blocos exploratórios do país. O documento, apresentado pela estatal brasileira, garante exclusividade à Petrobras na negociação dos contratos dessas áreas, marcando a primeira etapa do processo de aquisição dos blocos. Agora, a negociação dos termos contratuais segue como próxima fase.

A aprovação é a primeira parte do processo de aquisição das áreas. Agora o processo segue para a etapa de negociação. Segundo a Petrobras, o envio do documento observou todos os trâmites internos de governança da companhia, alinhado com a estratégia de longo prazo. 

O objetivo é alcançar a recomposição das reservas de óleo e gás por meio de exploração de novas fronteiras, tanto no Brasil quanto no exterior.

Expansão internacional

Segundo a Petrobras, a decisão de buscar ativos na Costa do Marfim está alinhada à estratégia de longo prazo da empresa para recompor reservas de óleo e gás por meio da exploração de novas fronteiras, tanto no Brasil quanto no exterior. O movimento também visa diversificar o portfólio exploratório da companhia, aproveitando sua experiência em águas profundas e o potencial geológico da região, que apresenta semelhanças com as bacias brasileiras de Campos e Santos.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que a localização da Costa do Marfim é de grande interesse estratégico para a companhia: “Temos muita experiência nessa região, do lado de cá do Atlântico, onde estão as bacias de Campos e de Santos, e acredito que podemos alcançar importantes resultados também do outro lado do oceano”.

A Petrobras já teve presença relevante no continente africano e, nos últimos anos, vem retomando iniciativas internacionais. Em 2023, adquiriu participação em blocos em São Tomé e Príncipe e, em 2024, comprou 10% de um bloco exploratório na África do Sul. A aposta na Costa do Marfim é parte de uma busca por oportunidades diante do declínio esperado da produção do pré-sal brasileiro na próxima década.

Marinha expulsa primeiro militar envolvido no 8 de janeiro

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Rio de Janeiro (RJ) 13/12/2023 - Presidente Lula participa de cerimônias alusivas ao Dia do Marinheiro, no Rio de Janeiro. - Embarcações da Marinha do Brasil na Baía de Guanabara.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Conselho de Disciplina da Marinha decidiu por expulsar o o suboficial da reserva Marco Antônio Braga Caldas da corporação, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos de prisão por seu envolvimento com os atos do dia 8 de janeiro de 2023. É o primeiro membro das Forças Armadas expulso por envolvimento no movimento que buscava causar uma ruptura democrática após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022.

O conselho avaliou que a permanência de Caldas seria incompatível com a disciplina e os valores da carreira militar. “Foi proferida a decisão no referido Conselho de Disciplina, no sentido da exclusão a bem da disciplina do militar da situação de inatividade”, informou a Marinha em nota.

Condenação e consequências

Braga Caldas foi condenado pelo STF em março de 2024 pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada. Ele foi preso dentro do Palácio do Planalto no dia dos ataques e, desde dezembro de 2024, cumpre pena na Escola de Aprendizes de Marinheiros de Santa Catarina, mas deve ser transferido para a Penitenciária Industrial de Joinville.

Com a expulsão, Caldas perde todos os direitos e prerrogativas militares, incluindo a graduação de suboficial e o direito à prisão especial. Sua aposentadoria é revertida à família, em regime conhecido como “morte ficta” para a carreira militar.

Precedente para outros militares

A decisão pode abrir caminho para a exclusão de outros militares réus ou condenados por participação nos atos golpistas. Atualmente, pelo menos 24 militares, incluindo oficiais-generais e ex-comandantes das Forças, respondem a processos no STF relacionados à tentativa de golpe de Estado.

Lula anuncia R$ 825,7 milhões do Fundo Amazônia para fortalecer fiscalização do Ibama

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Brasília (DF), 07/01/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva ao lado da ministra do Meio Ambiente Marina Silva, durante sanção do Projeto de Lei nº 1970/2019, que institui a Política Nacional para o Manejo Sustentável, Plantio, Extração, Consumo, Comercialização e Transformação do Pequi e demais Frutos e Produtos Nativos do Cerrado.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) anunciou nesta terça-feira (3) o maior investimento individual já realizado pelo Fundo Amazônia, onde 825,7 milhões de reais serão destinados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O recurso financiará o projeto FortFisc – Fortalecimento da Fiscalização Ambiental para o Controle do Desmatamento Ilegal na Amazônia, com execução prevista para 60 meses.

O que prevê o FortFisc

O FortFisc tem como objetivo modernizar e ampliar a resposta do Estado ao desmatamento ilegal na Amazônia Legal, alinhando-se ao Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), à Estratégia Nacional para REDD+ (ENREDD+) e à Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC).

Segundo o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, “a assinatura do projeto FortFisc no valor de R$ 825,7 milhões representa o maior aporte individual já realizado pelo Fundo Amazônia. Esse investimento reforça significativamente a capacidade operacional do Ibama no combate aos ilícitos ambientais, consolidando os avanços obtidos nos últimos anos e impulsionando-nos rumo à meta de desmatamento zero até 2030”.

Eixos de atuação do projeto

O FortFisc está estruturado em cinco eixos principais:

  1. Fortalecimento da capacidade aérea (R$ 522,7 milhões): compra de aeronaves, drones, instalação de bases e helipontos.

  2. Fortalecimento dos meios operacionais da fiscalização (R$ 139,6 milhões): centro de treinamento, bases móveis, equipamentos e sistemas de comunicação.

  3. Sistemas informatizados da fiscalização ambiental (R$ 81,6 milhões): digitalização de processos, controle de mercúrio, rastreamento de produtos florestais e monitoramento do desmatamento zero.

  4. Modernização da fiscalização remota (R$ 66,4 milhões): automação de sanções, uso integrado de geotecnologias, IA e sensoriamento remoto.

  5. Gestão do projeto (R$ 15,5 milhões): unidade gestora, capacitação e cooperação com órgãos estaduais e países vizinhos.

Fundo Amazônia

O Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é o principal mecanismo de financiamento de ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de promover o uso sustentável das florestas da Amazônia Legal – região que corresponde a cerca de 60% do território brasileiro, abrangendo nove estados das regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste.

Com 128 projetos apoiados e cerca de R$ 3,3 bilhões já investidos, o fundo apoia desde ações de comando e controle até geração de renda para comunidades tradicionais.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou que o investimento é resultado direto das políticas de redução do desmatamento e da confiança internacional no compromisso ambiental do Brasil:

“O Fundo Amazônia é fruto do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal. É resultado de doações realizadas a partir da redução do desmatamento que obtivemos no bioma”.

Análise: Eduardo Bolsonaro presidenciável?

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Eduardo Bolsonaro
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

A entrevista concedida pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) à revista Veja da última semana, afirmando que tem interesse em disputar a Presidência se essa for “uma missão” dada a ele por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), evidencia uma divisão no bolsonarismo para as eleições de 2026.

Na entrevista, Eduardo, que está morando nos Estados Unidos, emitiu recados importantes. Ao ser questionado sobre a possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concorrer ao Palácio do Planalto, ele disse que vê Tarcísio mais inclinado a buscar a reeleição. Sobre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), Eduardo enalteceu sua baixa rejeição e o seu bom trânsito no eleitorado evangélico, mas afirmou que acredita que seu pai, que está inelegível, conseguirá concorrer.

Capa da Veja, Eduardo Bolsonaro, que na semana passada viu ser aberto contra ele um inquérito pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por supostamente coagir autoridades brasileiras nos Estados Unidos, adotou na entrevista um discurso de pré-candidato. Apesar de a narrativa bolsonarista defender para a opinião pública que o candidato da direita à Presidência em 2026 será Jair Bolsonaro, a possibilidade de isso ocorrer é cada vez menor, o que gera uma disputa dentro da direita.

Atuando nos bastidores da política americana para que o governo Donald Trump implemente sanções contra Moraes, proibindo sua entrada nos Estados Unidos, Eduardo poderá ganhar força no bolsonarismo como pré-candidato se sua atuação internacional contra o STF for politicamente bem-sucedida. Caso Moraes seja punido, Eduardo poderá se transformar no preferido de Jair Bolsonaro, que tem, no confronto com o STF, o mote de sua atuação política.

Eduardo precisa reassumir o posto de deputado até 19 de julho. Caso isso não ocorra, perderá o mandato. No entanto, isso não o impede de, por exemplo, sair candidato a presidente, mesmo estando fora do país. Porém, o desejo de Eduardo de disputar o Planalto poderá dividir ainda mais o campo da direita, já que é improvável que uma eventual candidatura sua a presidente unifique as forças anti-Lula. Mesmo que não concorra ao Planalto, Eduardo, através de uma movimentação internacional contra o STF, fortalece sua pré-candidatura ao Senado por São Paulo.

Hoje, além de Michelle e Tarcísio, os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Jr. (PSD-PR) despontam como alternativas da direita para o Planalto, assim como Eduardo Bolsonaro.

A insistência de Jair Bolsonaro em viabilizar sua candidatura, combinada com a movimentação de Eduardo e Michelle, pode indicar que a família Bolsonaro não abrirá mão de ser protagonista em 2026, o que poderá criar obstáculos a um eventual projeto nacional unificado da centro-direita.

Boulos viajará por 15 estados na tentativa de cativar eleitores para a esquerda

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Guilherme Boulos.
Foto: Leandro Paiva/Divulgação

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), informou, nesta quarta-feira (4), que iniciará uma intensa viagem pelo Brasil, com o objetivo de discutir, de acordo com ele, como o campo progressista pode atuar diante do “cerco” da extrema-direita ao governo Lula e à esquerda no Brasil.

Essa peregrinação é intitulada de “Organizar o Contra-Ataque”. De acordo com o parlamentar, o ato começa nesta quinta-feira (5), com uma série de agendas na cidade de São José do Rio Preto (SP), incluindo encontro com estudantes, militância de esquerda e ativistas culturais da cidade.

“Temos de agir desde já para enfrentar a ofensiva da extrema-direita, sair da defensiva e contra-atacar”, afirmou o deputado.

Ainda em junho, como parte do giro, Boulos passará por outras cidades do estado de São Paulo, são elas: São Carlos, Campinas, Araraquara e Taboão da Serra. Entre julho e agosto, a iniciativa irá percorrer 15 estados por todo o Brasil.

Histórico

Conhecido por sua atuação no Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos se candidatou à Presidência da República em 2018 pelo PSOL, tendo Sônia Guajajara como vice, e recebeu pouco mais de 617 mil votos, ficando em 10º lugar. Em 2020, disputou a Prefeitura de São Paulo ao lado de Luiza Erundina, chegando ao segundo turno e obtendo 40,62% dos votos, mas foi derrotado por Bruno Covas (PSDB).

Em 2022, Boulos foi eleito deputado federal por São Paulo, sendo o mais votado do estado, com mais de 1 milhão de votos. Em 2024, voltou a concorrer à Prefeitura de São Paulo, novamente chegando ao segundo turno, desta vez com Marta Suplicy (PT) como vice. Boulos conseguiu 40,65% dos votos no segundo turno, sendo derrotado então pelo atual prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB).

STF retoma julgamento sobre responsabilidade das redes sociais por conteúdos ilegais

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STF, Supremo Tribunal Federal, Jair Bolsonaro
Foto: Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira (4), às 14h, o julgamento sobre a responsabilização das redes sociais e plataformas digitais por conteúdos ilegais postados por usuários. O tema central é a constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), que atualmente prevê que as plataformas só podem ser responsabilizadas se, após ordem judicial, não retirarem o conteúdo considerado ilícito.

O que está em jogo

O julgamento, suspenso em dezembro após pedido de vista do ministro André Mendonça, será retomado com o voto dele. Até agora, já votaram os ministros Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Luiz Fux.

O artigo 19 da lei estabelece que as redes sociais só respondem civilmente por danos causados por publicações de usuários se descumprirem decisão judicial de remoção do conteúdo. O debate é se as plataformas devem ser responsabilizadas também em caso de notificação extrajudicial, ou se devem monitorar e remover conteúdos graves de forma proativa.

Como votaram os ministros até agora

  • Luís Roberto Barroso: Defende responsabilização parcial das plataformas. Para ele, conteúdos envolvendo pornografia infantil, suicídio, tráfico de pessoas, terrorismo e ataques à democracia devem ser removidos após notificação dos envolvidos. Já crimes contra a honra (calúnia, injúria, difamação) só podem ser removidos após decisão judicial.

  • Dias Toffoli: Votou pela inconstitucionalidade do artigo, defendendo que as plataformas devem agir para remover conteúdos ilegais (como racismo, ataques à democracia, incitação à violência) assim que forem notificadas extrajudicialmente pela vítima ou seu advogado, sem necessidade de ordem judicial. Em casos graves, a remoção deve ser imediata, mesmo sem notificação.

  • Luiz Fux: Também defende que as plataformas sejam responsabilizadas se, ao serem notificadas extrajudicialmente, não removerem conteúdos ilícitos, como discurso de ódio, racismo, pedofilia, incitação à violência e ataques ao Estado democrático de direito.

O que dizem as plataformas

Representantes das redes sociais defendem a manutenção da regra atual, alegando que a responsabilização só deve ocorrer após descumprimento de ordem judicial. Eles argumentam que já retiram conteúdos ilegais de forma extrajudicial, mas que exigir monitoramento prévio ou remoção sem decisão judicial poderia configurar censura e afetar a liberdade de expressão.

A decisão do STF terá repercussão geral, ou seja, valerá para todo o Judiciário brasileiro.

Alexandre de Moraes determina prisão preventiva de Carla Zambelli

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Brasília (DF) 02/08/2023 Deputada Carla Zambelli durente coletiva no salão verde da Câmara dos Deputados.
Foto Lula Marques/EBC

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (4) a prisão preventiva da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão ocorre após a parlamentar, condenada a 10 anos de prisão por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), anunciar que deixou o Brasil para buscar tratamento médico no exterior e pedir licença do mandato.

Além da prisão, Moraes determinou:

  • Bloqueio dos passaportes, incluindo o diplomático;

  • Bloqueio de salários, verbas, bens, ativos, contas bancárias e PIX;

  • Bloqueio de veículos, embarcações e aeronaves em nome da deputada;

  • Bloqueio de canais e perfis em redes sociais como Gettr, Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok e X;

  • Multa diária de R$ 50 mil por postagens que reiterem condutas criminosas;

  • Inclusão do nome de Zambelli na lista vermelha da Interpol.

Segundo Moraes, “é inequívoca a natureza da alegada viagem à Europa, com o objetivo de se furtar à aplicação da lei penal”, destacando que a jurisprudência do STF prevê a prisão em razão da fuga do distrito da culpa.

Justificativas de Zambelli

Zambelli afirmou, em entrevistas e transmissões nas redes sociais, que está nos Estados Unidos e pretende se estabelecer na Europa, onde tem cidadania italiana. Segundo investigações preliminares, ela teria deixado o Brasil por via terrestre, passando por Foz do Iguaçu (PR), cruzando a fronteira com a Argentina e embarcando de Buenos Aires para os EUA.

A deputada justificou a saída alegando perseguição judicial e afirmou:

“Queria anunciar que estou fora do Brasil já faz alguns dias. Eu vim, a princípio, buscando tratamento médico que eu já fazia aqui e, agora, eu vou pedir para que eu possa me afastar do cargo.”

Em entrevista à CNN Brasil, Zambelli declarou:

“Tenho cidadania italiana e nunca escondi. Se tivesse alguma intenção de fugir eu teria escondido esse passaporte. (…) Como cidadã italiana eu sou intocável na Itália, não há o que ele possa fazer para me extraditar de um país onde eu sou cidadã, então eu estou muito tranquila quanto a isso”

Próximos passos

A defesa de Zambelli informou que apenas foi comunicada da decisão e que a parlamentar pretende formalizar o pedido de licença à Câmara dos Deputados. Com a ordem de prisão, o nome da deputada será incluído na lista vermelha da Interpol, o que pode levar a sua detenção em outros países. A Câmara será notificada e deverá decidir sobre a manutenção da prisão, conforme prevê a Constituição.