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Aeroportos ampliam salas multissensoriais dedicadas a pessoas com TEA

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Cerimônia de Início das Obras de Ampliação e Reforma dos Aeroportos do Mato Grosso do Sul e Inauguração da Sala Multissensorial do Aeroporto de Campo Grande
Foto: Jonilton Lima

Os passageiros com Transtorno do Espectro Autista (TEA) poderão contar com mais um espaço de acolhimento nos aeroportos brasileiros. A Sala Multissensorial dedicada a pessoas com TEA foi inaugurada nesta terça-feira (17). Com o intuito de reduzir o estresse provocado pelo ambiente do terminal aéreo, a sala multissensorial funciona como um local controlado, exclusivo e adaptado para receber pessoas neurodivergentes e acompanhantes.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, no Aeroporto de Campo Grande (MS), ao participou, da inauguração do espaço e também para anunciar o início de obras em quatro aeroportos no estado de Mato Grosso do Sul, com investimentos de R$ 658 milhões, para reforma e ampliação dos terminais de Campo Grande, Corumbá, Ponta Porã e Dourados.

“Nosso objetivo é chegar a 20 espaços como este até o fim de 2026 em todo o País, para que os passageiros com TEA encontrem um ambiente de acolhimento”, disse o ministro.

O que são as salas multissensoriais?

As salas multissensoriais são ambientes projetados para minimizar a sobrecarga sensorial, comum entre pessoas com TEA, oferecendo iluminação suave, sons controlados, texturas variadas e outros estímulos que promovem relaxamento e bem-estar. Esses espaços também podem ser utilizados por passageiros com outras neurodivergências e seus familiares, proporcionando um ambiente inclusivo e seguro.

Aeroportos com salas já em funcionamento

Outros sete aeroportos já contam com salas multissensoriais instaladas pelo Programa de Acolhimento ao Passageiro com TEA, do governo federal em parceria com as concessionárias. Além de Campo Grande, esses espaços já estão em funcionamento nos aeroportos:

  • Congonhas (SP)
  • Florianópolis (SC)
  • Galeão (RJ)
  • Natal (RN)
  • Recife (PE)
  • Santos Dumont (RJ)
  • Vitória (ES)

A previsão é que, até 2026, o número de salas chegue a 20, abrangendo os principais aeroportos do país e promovendo mais inclusão e acessibilidade para passageiros neurodivergentes.

Programa de Acolhimento ao Passageiro com TEA

O Programa de Acolhimento ao Passageiro com Transtorno do Espectro Autista faz parte de uma política nacional de acessibilidade e inclusão nos aeroportos brasileiros. Além das salas multissensoriais, o programa prevê capacitação de profissionais do setor, campanhas de conscientização e revisão de procedimentos para garantir uma experiência mais humanizada e confortável para passageiros com TEA e seus familiares.

Governo reserva 8% das vagas em contratações públicas para mulheres vítimas de violência doméstica

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Mostra “Presenças Invisíveis”, no Museu da Justiça do Rio de Janeiro, região central do Rio. violência doméstica, mulher, mulheres, mãe, mães

O governo federal publicou nesta quarta-feira (18) o Decreto nº 12.516, que determina a reserva mínima de 8% das vagas em contratações públicas para mulheres vítimas de violência doméstica, abrangendo mulheres cisgênero, trans, travestis e outras identidades de gênero feminino protegidas pela Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).

A iniciativa busca criar oportunidades de emprego e ampliar a proteção social para mulheres em situação de vulnerabilidade. O decreto altera o Decreto nº 11.430/2023, que regula a Lei de Licitações e Contratos Administrativos, e estabelece que, dentro dos 8% das vagas, a prioridade é para mulheres pretas e pardas, respeitando a proporção populacional de cada estado ou do Distrito Federal, conforme dados do IBGE.

As vagas são destinadas exclusivamente a mulheres indicadas pelas unidades responsáveis pela política pública de apoio às vítimas. Empresas e órgãos públicos não podem exigir documentos para comprovar a situação de violência, garantindo sigilo e evitando constrangimentos.

Regras e exceções

  • Em contratos de serviços contínuos com menos de 25 funcionários, a reserva de 8% pode ser reduzida.

  • Se um mesmo contrato envolver diferentes tipos de serviços, as vagas para vítimas de violência devem ser distribuídas proporcionalmente, salvo indisponibilidade de mão de obra qualificada.

  • Adoção de ações de equidade de gênero pode ser critério de desempate em licitações públicas federais, autarquias e fundações.

Os Ministérios das Mulheres e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) firmarão acordos de adesão com as unidades responsáveis pela política pública, formalizando a cooperação para o desenvolvimento de ações de interesse público, sem transferência de recursos financeiros, e garantindo o sigilo das informações das mulheres atendidas.

Partidos começam a definir membros da CPMI do INSS

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Senador Omar Aziz (PSD-AM) preside CPMI da Covid-19, em 2021.
Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Com a leitura do requerimento de instalação da CPMI do INSS, os partidos começam a definir suas indicações. Até o momento, o PSD da Câmara já antecipou a indicação de Sidney Leite (PSD-AM) para a vaga de membro titular e Carlos Sampaio (PSD-SP) como suplente.

Governo emplaca aliado na presidência

Pelo Senado, o PSD deve indicar Omar Aziz (PSD-AM). Ele é cotado como presidente do colegiado. Assim, o governo emplaca um nome próximo em um dos principais cargos de decisão da CPMI. O presidente consegue ditar o ritmo da comissão, além de decidir pautar ou não requerimentos para convocar investigados.

Não é a primeira vez que o senador deve assumir um cargo do tipo. Omar foi relator da CPI da Covid-19, que investigou a atuação do governo federal no combate à pandemia.

Para a relatoria da CPMI do INSS, responsável por elaborar o parecer final com as indicações de indiciamento, o governo tenta evitar que o cargo fique com a oposição. Uma das cotadas é a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que faz parte da base governista, mas é vista como um nome de maior independência.

Indicações do PT

Preocupado com os caminhos que a CPMI pode tomar, o PT deve indicar seus deputados mais aguerridos. A lista ainda não está fechada, mas a sigla estuda indicar o próprio líder, Lindbergh Farias (PT-RJ). Entre os cotados também estão os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Orlando Silva (PCdoB-SP). Pela Câmara, a federação PT/PCdoB/PV terá direito a 4 vagas, sendo duas de titulares.

Indicações do PL

Pela Câmara, o PL é o partido que terá mais vagas, com 3 titulares e 3 suplentes. O partido avalia indicar Coronel Fernanda (PL-MT), uma das responsáveis pelo requerimento da CPMI, mas a fila também conta com Bia Kicis (PL-DF), Daniela Reinehr (PL-SC), Zé Trovão (PL-SC), Coronel Chrisóstomo (PL-RO), André Fernandes (PL-CE) e Nikolas Ferreira (PL-MG).

Gilmar Mendes é eleito presidente da Segunda Turma do STF

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Ministro Gilmar Mendes durante a Sessão plenária do STF realizada no dia 12 de junho de 2024.
Foto: Andressa Anholete/SCO/STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi eleito, nesta terça-feira (17), presidente da Segunda Turma. O decano — o mais antigo da Casa — assumirá o cargo em agosto e terá mandato de um ano. A escolha foi feita na última sessão do colegiado neste semestre.

Em seu discurso, Gilmar Mendes relembrou julgamentos de grande relevância realizados pelo colegiado sob a presidência de Edson Fachin, como o que definiu a impossibilidade de o Ministério Público (MP) requisitar às autoridades fiscais dados bancários e fiscais protegidos por sigilo constitucional sem autorização judicial. Na área da Saúde, destacou as decisões que confirmaram a vedação administrativa para impedir que a União adquirisse fármacos sem registro na Anvisa em seus procedimentos licitatórios.

“Não tenho dúvida de que, por meio dessas deliberações, a Turma assegurou qualidade e segurança nas políticas públicas voltadas à saúde dos brasileiros”, disse.

Segunda Turma

O Regimento Interno do STF estabelece que a Turma é presidida pelo ministro mais antigo, por um período de um ano, sem recondução, até que todos os integrantes tenham exercido a presidência, observada a ordem decrescente de antiguidade.

A Segunda Turma é composta pelos ministros Gilmar Mendes, Edson Fachin, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça.

Comissão aprova MP do Crédito Consignado tirando prerrogativas do Ministério da Previdência

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Mesa: relator da CMMPV 1292/2025, senador Rogério Carvalho (PT-SE); presidente da CMMPV 1292/2025, deputado Fernando Monteiro (Republicanos- PE); relator-revisor da CMMPV 1292/2025, deputado Giacobo (PL-PR).
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

A Comissão Mista que analisava a medida provisória do Crédito Consignado (MP 1292/25) aprovou o relatório da matéria nesta quarta-feira (18). A MP vence no dia 9 de julho e, portanto, o prazo para votação do texto nos plenários da Câmara e do Senado encerra nesta data.

Entre outras competências, o texto permite que trabalhadores de carteira assinada tenham acesso a crédito consignado mais barato, por meio de plataformas digitais.

Principais mudanças

O relatório final da comissão alterou a forma de fixação do teto de juros do consignado a beneficiários do INSS. Pelo novo texto, o limite será estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e não pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), como é atualmente. Para parlamentares da oposição, a mudança pode reduzir a influência política sobre o teto de juros. Enquanto a presidência do CNPS é do Ministério da Previdência, com participação de entidades sindicais, a do CMN vem do Ministério da Fazenda, com a participação do Banco Central.

O relatório também autoriza a portabilidade das operações de crédito que estejam nos sistemas ou nas plataformas do crédito consignado. Nessas situações, as operações terão taxa de juros inferior à taxa de juros da operação originária. Em caso de descumprimento do acordo por parte do empregador, o texto prevê penalização com pagamento de juros e correções previstos nos contratos.

Além disso, com o novo texto, entes públicos da administração direta e as empresas estatais deverão manter uma solução própria de gestão de crédito consignado com desconto em folha de pagamento, mas também podem oferecer o crédito por meio das plataformas digitais da MP. Já as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs) não aderem a essa modalidade.

Regulamentação

O Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado regulamentará termos, condições do contrato, operacionalização e a execução das operações de crédito consignado. Compõe o comitê membros da Casa Civil, do ministério do Trabalho e Emprego e do ministério da Fazenda. Estes não serão remunerados por suas atividades e, portanto, a MP não tem impacto fiscal nas contas públicas do governo.

No relatório final, a MP recebeu dispositivos adicionais relacionados a ações de educação financeira e fortalecimento dos mecanismos de segurança, por meio da obrigatoriedade da verificação biométrica. Outra mudança prevê a ampliação do público alvo, com a inclusão de motoristas e entregadores de aplicativo.

Governo adia para 2026 nova regra sobre trabalho em feriados no comércio

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comércio
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) adiou para 1º de março de 2026 a vigência da portaria que vincula o trabalho em feriados no comércio. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (18).

Inicialmente publicada em 2023, a portaria começaria a valer a partir do 1º de julho deste ano. O objetivo principal era restabelecer a legalidade quanto ao trabalho em feriados, baseado na Lei nº 10.101/2000, alterada pela Lei nº 11.603/2007.

A legislação estabelece o funcionamento do comércio em feriados depende de autorização prevista em convenção coletiva entre empregadores e trabalhadores.

Medida corrige distorção

De acordo com o MTE, a medida serve como corretivo de uma distorção introduzida durante o governo Bolsonaro, quando outra portaria passou a autorizar unilateralmente o trabalho em feriados, contrariando a legislação vigente.

“Ao reafirmar a exigência de convenção coletiva, o governo reconhece e valoriza a negociação coletiva como pilar das relações de trabalho e instrumento legítimo para o equilíbrio entre os interesses de empregadores e trabalhadores”, diz o ministério.

Embate com o Congresso

Não é a primeira vez que o governo recua e adia a vigência da portaria para evitar a votação pela Câmara de um projeto de decreto legislativo (PDL) que derrubaria a portaria.

Com o início da vigência tão próximo, o Congresso pautou o PDL, trazendo o Executivo novamente para a mesa de negociação.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), compareceu à Câmara dos Deputados na segunda-feira (16) para negociar com os deputados que representam os setores de comércio e turismo.

Bolsonarismo cresce e petismo perde espaço na opinião pública, aponta o Datafolha

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Brasília (DF), 26/03/2025 - Ex-presidente Jair Bolsonaro durante declaração a imprensa após virar Réu no STF.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (18) pelo instituto Datafolha aponta que, pela primeira vez desde 2022, o percentual de brasileiros que se identificam como bolsonaristas (35%) igualou o de petistas (35%). Em relação ao levantamento anterior, realizado em abril, o índice de petistas caiu de 39% para 35%, enquanto o percentual de bolsonaristas cresceu de 31% para 35%. 20% dos entrevistados consideram-se neutros. 7% não se posicionaram em nenhum dos polos.
Apesar dos bolsonaristas não serem um bloco político homogêneo, já que a direita no Brasil é multifacetada, o crescimento da identificação com o bolsonarismo reforça que o país vem realizando uma guinada à direita em termos de comportamento eleitoral.

Direita

Mesmo que o presidente Lula (PT) tenha vencido as eleições de 2022, a direita elegeu o maior número de governadores, deputados e senadores na comparação com a esquerda. O mesmo ocorreu nas eleições municipais do ano passado. Além do bolsonarismo, temos uma direita muito organizada em termos partidários. Isso pode ser observado na estrutura que desfrutam legendas da chamada direita tradicional como o PL, PP, Republicanos, União Brasil, Novo, etc.
Embora o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja o grande líder nacional da direita brasileira, o bolsonarismo é um fenômeno mais amplo. Mesmo com o desgaste de seu grande líder, isso não tem afetado o capital político do ex-presidente, nem impactado a virada à direita na opinião pública.
Outro aspecto importante a ser observado é que hoje 70% dos brasileiros estão localizados no apoio ao bolsonarismo ou ao petismo. Como consequência, a polarização está muito enraizada, sendo improvável uma modificação até 2026. Mesmo que eventualmente Lula e Bolsonaro não sejam candidatos no próximo ano, a política brasileira continuará organizada em torno desses dois polos.

Base Aérea de Anápolis recebe décima aeronave F-39 Gripen

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Foto: Divulgação/FAB

Mais uma aeronave F-39 Gripen desembarcou na Base Aérea de Anápolis (BAAN) na terça-feira (18). É o décimo modelo a chegar ao país. A aeronave saiu às 11h20 do litoral catarinense, e chegou às 12h41 na base aérea, onde deve ser vinculada à frota do Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA) – Esquadrão Jaguar. 

A jornada da aeronave começou há 20 dias, a bordo de um navio partindo da Suécia, terra natal da fabricante Saab. Durante a retirada do caça da embarcação, na última quinta (12), foi executada uma minuciosa operação, seguida do deslocamento por via terrestre até o Aeroporto Internacional de Navegantes, em Santa Catarina.  

De acordo com o Tenente-Coronel Aviador Cristiano de Oliveira Peres, piloto de prova do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV), a aeronave agrega o que há de mais atual em termos de sensores para defesa aérea e emprego ar-solo.

“Para além disso, o que chama atenção é que o F-39 Gripen possui um sistema de comandos de voo que reduz muito a carga de trabalho do piloto, justamente para o foco ficar no cumprimento dessas missões”, explica.

F-39 Gripen: tecnologia, desempenho e versatilidade

O F-39 Gripen é o principal vetor de combate da Força Aérea Brasileira (FAB), capaz de executar missões de defesa aérea, ataque ao solo e reconhecimento. Entre seus diferenciais estão:

  • Sensores avançados e inteligência artificial: Proporcionam consciência situacional superior ao piloto, com fusão de dados e proteção eletrônica 360 graus.

  • Desempenho: Velocidade máxima de até 2.400 km/h, alcance de combate de cerca de 1.500 km e capacidade de reabastecimento em voo.

  • Versatilidade: Pode ser equipado com diversos tipos de mísseis e bombas para missões ar-ar, ar-terra e reconhecimento.

  • Baixo custo operacional: O custo por hora de voo é de aproximadamente US$ 4.500, bem inferior a outros caças de mesma categoria.

  • Manutenção rápida: Em apenas 10 minutos, a aeronave pode ser reabastecida, rearmada e inspecionada para nova missão.

Segundo a FAB, a incorporação da aeronave ao esquadrão de caça amplia significativamente a capacidade de defesa e dissuasão do país, bem como aumenta a transferência de tecnologia e a expansão da indústria nacional de defesa.

Congresso derruba veto e libera produção de bioinsumos sem registro

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Bioinsumo
Foto: CropLife/Divulgação

O Congresso Nacional derrubou, nesta terça-feira (17), o veto presidencial que impedia a dispensa de registro para a produção de bioinsumos destinados ao uso próprio nas propriedades rurais. A medida, considerada uma vitória para a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e entidades do setor, busca fortalecer a segurança jurídica do produtor rural e aumentar a eficiência e competitividade do agronegócio brasileiro.

O projeto havia sido apresentado ainda no governo Bolsonaro em 2021, e sancionado com três vetos ao final do governo, em dezembro de 2022. Dois vetos foram derrubados, apenas um foi mantido.

O que muda com a nova regra para bioinsumos?

A decisão do Congresso restabelece dispositivos da Lei do Autocontrole (Lei 14.515/2022), permitindo que produtores rurais fabriquem insumos biológicos — como fungos e bactérias — para uso próprio, sem necessidade de registro junto aos órgãos competentes, desde que não haja comercialização desses produtos.

Pontos principais da nova legislação

  • Dispensa de registro: Insumos agropecuários produzidos pelo próprio agricultor para uso exclusivo na propriedade ficam isentos de registro.

  • Proibição de comercialização: A isenção vale apenas para uso próprio, sendo vedada a venda desses bioinsumos.

  • Regulamentação para agrotóxicos e veterinários: O Ministério da Agricultura (MAPA) definirá, por ato próprio, quais insumos não poderão ser isentos de registro, especialmente no caso de agrotóxicos e produtos de uso veterinário.

  • Fiscalização mantida: O Estado segue responsável pela auditoria e fiscalização, mesmo com a flexibilização do registro.

Bioinsumos são produtos naturais, como microrganismos e extratos vegetais, utilizados para fertilizar o solo, combater pragas e doenças e melhorar a produtividade agrícola, substituindo ou complementando defensivos químicos tradicionais.

Do veto à derrubada

O projeto original foi apresentado pelo governo Bolsonaro em 2021 e sancionado em dezembro de 2022, com três vetos. Dois deles, que tratavam da dispensa de registro para bioinsumos de uso próprio, foram derrubados agora pelo Congresso.

O veto havia sido justificado pelo governo passado sob o argumento de que a medida contrariava o interesse público e dificultaria a operacionalização do controle, já que exigiria atualizações constantes diante do surgimento de novos ingredientes ativos. Além disso, o processo de registro de agrotóxicos envolve diferentes órgãos federais, como Anvisa, Ibama e o Ministério da Agricultura, o que poderia gerar dúvidas sobre competências e fiscalização.

A então ministra da Agricultura, Tereza Cristina, alegou que a falta de sintonia entre a força do agronegócio e a capacidade estatal de resposta poderia limitar exportações e precarizar a fiscalização agropecuária.

Análise: Aliados tendem a se distanciar do governo

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Brasília (DF), 22/04/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente do Chile, Gabriel Boric, em cerimônia oficial, no Palácio do Planalto.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A relação do governo Lula com o Congresso Nacional nunca foi boa. Sempre foi uma relação de conveniência, para ambos os lados. Era conveniente para o governo ter uma proteção mínima no Congresso. Para os aliados, manter cargos estratégicos no Executivo traz benefícios políticos evidentes.

Com a popularidade do governo em queda, registrando os piores índices dos governos Lula I e II (2003-2010), e à medida que nos aproximamos das eleições de 2026, essa relação vai ficando ainda mais difícil.

Para piorar o quadro, o governo não mantém um canal de diálogo constante com os aliados, atrasa na liberação de cargos e de emendas e insiste em uma pauta que conflita com os setores mais bem articulados no Congresso, como a bancada do agronegócio.

As resistências e as articulações verificadas no Legislativo contra o decreto que aumentou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a Medida Provisória nº 1.300/25, que trata da tributação de aplicações financeiras e de ativos virtuais, são reflexos dessa relação altamente desgastada.

Mesmo aliados que contam com ministérios no governo, como PP e União Brasil, fecharam posição contra as medidas anunciadas pelo governo. E a insatisfação é generalizada entre os demais partidos.

Os aliados, incomodados com promessas não cumpridas por parte do Palácio do Planalto, lançam mão do argumento de combate ao aumento da carga tributária. E usam a bandeira do corte de gastos como justificativa. Mas há vários projetos no Congresso que podem reduzir gastos e os parlamentares não pautam. Já tramitam o projeto sobre combate aos supersalários e o que ajusta a Previdência dos militares, por exemplo. Simplesmente não andam.

O governo, pelo seu lado, não quer cortar na própria carne e comprometer ainda mais sua popularidade. A Fazenda afirma que não aumenta carga tributária, apenas corrige distorções. Na semana passada, o presidente Lula (PT) criticou a discussão sobre desindexar o salário mínimo de programas sociais, tese defendida até mesmo pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB). Em um discurso de olho nas eleições de 2026, Lula disse que está tentando “corrigir este país e é muito difícil”.

A eleição já está interferindo na agenda do governo e na do Congresso. E a relação entre Executivo e Legislativo tende a ficar cada vez mais distanciada.