20.5 C
Brasília
Home Blog Page 153

Senado analisa projeto que endurece punição para venda de cigarros a menores

0
cigarros, cigarro eletrônico, vape
Foto: Reprodução

Avançou no Senado o projeto de lei que aumenta a punição para quem vender, oferecer ou prescrever cigarros, inclusive eletrônicos a crianças e adolescentes. A proposta (PL 6.161/2023) foi aprovada na Comissão de Direitos Humanos (CDH) e agora segue para análise da Comissão de Assuntos Sociais (CAS). O texto altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para agravar as penas aplicadas a quem fornecer esses produtos a menores de 18 anos.

Crescimento entre adolescentes

Dados recentes mostram um crescimento alarmante no uso de cigarros eletrônicos por jovens brasileiros. Segundo o Terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad 3), realizado entre 2022 e 2024, o número de usuários de cigarros eletrônicos nessa faixa etária já é cinco vezes maior que o de fumantes de cigarros tradicionais. É a primeira vez que o uso de dispositivos eletrônicos foi incluído no estudo.

A tendência também foi confirmada por uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divulgada nesta semana. O levantamento, que ouviu cerca de 16 mil pessoas com 14 anos ou mais em todas as regiões do país, revelou que um em cada nove adolescentes já faz uso de cigarro eletrônico.

Pena

Se tornando lei como está, o projeto prevê aumento de pena entre um sexto a dois terços caso o crime envolva violência, grave ameaça ou intimidação. A pena também será agravada se houver contrabando internacional ou se o responsável estiver no exercício de função pública, missão educacional ou do poder familiar, como, por exemplo, pais que ofereçam o produto aos filhos ou professores a seus alunos.

Além da prisão, quem cometer o crime poderá ser condenado ao pagamento de multa entre R$ 1.200 e R$ 2 mil por dia. Bens e valores utilizados na infração também poderão ser confiscados, e os recursos arrecadados serão destinados ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente do estado onde o crime for cometido.

Setor privado será responsável por 72% dos investimentos em infraestrutura em 2025, diz CNI

0
Indústria
Foto: Reprodução/CNI

A Confederação da Indústria (CNI) divulgou estudo estimando que até o fim de 2025, os investimentos privados devem responder por 72,2% do valor total aportado em infraestrutura no país.

A expectativa é que a infraestrutura nacional receba R$ 277,9 bilhões neste ano. Os principais setores beneficiados seriam os de energia, transportes e saneamento.

As projeções para os setores em 2025 são:

  • Energia elétrica: R$ 98,6 bilhões;
  • Transporte: R$ 42,4 bilhões;
  • Saneamento: R$31,2 bilhões.

Apesar dos avanços, setor encontra deficiências

Segundo a CNI, o setor ainda precisa superar deficiências para colocar o país em condições de concorrer internacionalmente e garantir a efetiva inclusão nas cadeias globais de valor. Entre os principais gargalos, estão entraves regulatórios, demora no processo de licenciamento ambiental e investimentos insuficientes.

De acordo com os dados, a iniciativa privada respondeu por 70,5% dos R$ 266,8 bilhões investidos no setor de infraestrutura em 2024. Desde 2019, o capital privado responde por mais de 70% dos recursos destinados à infraestrutura e logística no Brasil.

Comissão retoma análise da MP do Fundo Social com prazo apertado e 49 emendas

0
Dep. José Priante (MDB - PA).
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A apreciação do relatório final da Medida Provisória do Fundo Social (MP 1291/2025) na própria Comissão Mista foi agendada para a próxima terça-feira (24). Com apreciação adiada três vezes nas últimas semanas, a matéria se aproxima do prazo limite de apreciação, previsto para dia 3 de julho, e enfrenta semana de São João, com o Congresso esvaziado.

Assim, de relatoria do deputado José Priante (MDB-PA), a matéria recebeu 49 emendas e é apreciada em Comissão Mista, presidida pela senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO).

Sobre a MP

Segundo a Casa Civil, o Fundo Social do governo federal direciona recursos para programas e projetos de desenvolvimento social e de combate a pobreza. Sendo assim, ele atende áreas da educação, cultura, esporte, saúde pública, ciência, tecnologia, meio ambiente, entre outras. Com a MP, os recursos também atendem a projetos de infraestrutura social, habitação popular e enfrentamento de calamidades públicas. Além disso, a mudança não gera impacto fiscal adicional ao governo, tendo em vista que recursos dos royalties do petróleo abastecem o Fundo Social.

Emendas apresentadas

Os parlamentares apresentaram 49 emendas ao texto, a maioria com o objetivo de ampliar a assistência prestada pelo Fundo. Dessa forma, há pedidos pela inclusão de projetos de pesquisa voltados ao sistema costeiro-marítimo e ao desenvolvimento social e regional no meio rural. Também há demandas para incluir o turismo de visitação em unidades de conservação no Brasil dentro da destinação dos recursos do Fundo. Além da inclusão de meios que mitiguem flutuações de preços na economia nacional.

Outras emendas propõem direcionar os recursos ao desenvolvimento científico e tecnológico, aos setores da agricultura e da segurança pública, além de apoiar a defesa dos povos indígenas e quilombolas. Algumas sugestões incluem a incorporação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima e da Política Nacional de Cuidados.

Além de ampliar a abrangência da assistência do Fundo, algumas emendas exigem que o Poder Executivo preste contas à sociedade e ao Congresso Nacional sobre a aplicação dos recursos.

Prazos apertados

A MP tem validade regimental de 120 dias a partir da data de sua publicação. Durante esse período, os parlamentares apreciam a matéria e a aprovam na Comissão Mista, no Plenário da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Todo esse processo deve ser concluído até o dia 3 de julho. Ou seja, o texto tem cerca de duas semanas para tramitar, sendo que uma delas tem comemorações de São João.

A MP do Crédito Consignado (MP 1292/2025) também segue um trâmite semelhante, mas com certa vantagem. A Comissão Mista aprovou a matéria na última quarta-feira (18) e tem até 7 de julho para passar pelo Plenário das duas Casas.

MP que fixa IR de 17,5% sobre criptoativos enfrenta resistência no Congresso

0
Fachada do Congresso Nacional, a sede das duas Casas do Poder Legislativo brasileiro. As cúpulas abrigam os plenários da Câmara dos Deputados (côncava) e do Senado Federal (convexa), enquanto que nas duas torres - as mais altas de Brasília, com 100 metros - funcionam as áreas administrativas e técnicas que dão suporte ao trabalho legislativo diário das duas instituições.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A Medida Provisória editada pelo governo para compensar a perda de arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) estabeleceu uma alíquota padronizada de 17,5% para o Imposto de Renda (IR) sobre criptoativos. Anteriormente, a tributação sobre ganhos com criptoativos seguia uma tabela progressiva, variando de 15% a 22,5%, com isenção para transações que, no total, não ultrapassassem R$ 35 mil em um único mês.

No entanto, já há movimentação no Congresso contra alguns trechos da proposta. O deputado federal Eros Biondini (PL-MG) apresentou uma emenda com o objetivo de impedir a tributação de criptomoedas no país, especialmente para aqueles que utilizam o Bitcoin como reserva de valor.

Mobilização parlamentar

A emenda protocolada solicita a retirada integral da tributação de ativos virtuais, além de propor a exclusão de um parágrafo responsável por consolidar a cobrança de Imposto de Renda sobre ganhos com criptoativos.

Em sua justificativa, Biondini argumenta que o governo estaria extrapolando seu poder, ao tentar elevar as alíquotas do IOF em diversas operações, como câmbio, crédito e seguros. De acordo com o deputado, a medida desvirtua a função original do IOF, de caráter regulatório, e a transforma em um instrumento puramente arrecadatório, impondo uma nova carga tributária à população em um momento de fragilidade econômica.

Também há outros parlamentares que declararam ser contra a MP. São eles: Julia Zanatta (PL-SC), Eros Biondini (PL-MG), Caroline de Toni (PL-SC), Carlos Jordy (PL-RJ), Sanderson (PL-RS), Marx Beltrão (PP-AL) e Renata Abreu (PODEMOS-SP), Diego Garcia (Republicanos-PR), Gabriel Mota (Republicanos-RR), Dr. Frederico (PRD-MG) e o senador Eduardo Girão (NOVO-CE).

Comissão aprova validade mínima para alimentos da merenda escolar

0
EMEF Espaço de Bitita, escola, merenda escolar, alimentação, criança, crianças, infância
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Comissão de Educação e Cultura (CE) do Senado aprovou, nesta terça-feira (17), um projeto de lei que estabelece prazo mínimo de validade para os alimentos entregues ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O objetivo é evitar o envio de produtos próximos do vencimento para as escolas públicas, reforçando a segurança alimentar dos estudantes.

Regras para validade

Pelo texto aprovado, os alimentos deverão ser entregues com prazo restante de validade igual ou superior à metade do período entre a data de fabricação e a data final de validade. A regra vale apenas para gêneros alimentícios que, por lei, são obrigados a ter data de validade determinada na embalagem.

Alimentos adquiridos diretamente da agricultura familiar ficam isentos dessa exigência, devido às peculiaridades do setor e às dificuldades logísticas enfrentadas pelos pequenos produtores.

Ampliação da compra da agricultura familiar

O parecer da senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB) também propõe aumentar de 30% para 45% o percentual mínimo de recursos do programa destinados à aquisição de alimentos da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural, priorizando assentamentos da reforma agrária, comunidades indígenas, quilombolas e grupos de mulheres. O novo índice, que já é cumprido por muitos estados e municípios, deverá valer a partir de 2026, caso o projeto seja transformado em lei.

A medida busca reforçar a segurança alimentar e nutricional dos estudantes, fortalecer a economia rural e incentivar o desenvolvimento sustentável das comunidades tradicionais e dos pequenos produtores rurais.

O projeto segue agora para análise do Plenário do Senado, em regime de urgência.

Lula: “O mundo ainda não está preparado para viver sem o petróleo”

0
Lula no podcast Mano a Mano
Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula (PT) defendeu, nesta quinta-feira (19), a exploração de petróleo na Margem Equatorial, região marítima que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá e inclui a foz do Rio Amazonas. Em entrevista ao podcast Mano a Mano, Lula afirmou que a iniciativa é estratégica para o desenvolvimento do Brasil, pois pode gerar recursos financeiros e energéticos essenciais para o país, especialmente para financiar a transição energética.

Lula destacou que, apesar de apoiar a transição para fontes renováveis, o mundo ainda não está pronto para abrir mão dos combustíveis fósseis. “Sou favorável a que a gente vá trabalhando a ideia de, um dia, não ter combustível fóssil, mas sou muito realista: o mundo não está preparado para viver sem o petróleo”, disse o presidente.

Petróleo como instrumento para financiar energia limpa

O presidente ressaltou que o petróleo pode ser um instrumento para financiar políticas ambientais e a própria transição energética brasileira. Ele citou como exemplo o uso de etanol e biodiesel nos combustíveis do país, que já reduzem as emissões de gases de efeito estufa.

“Aqui no Brasil, já temos 30% de etanol na gasolina e 15% de biodiesel no diesel. Então, nossa gasolina já emite menos gases de efeito estufa que as outras”, afirmou Lula.

Lula também reforçou que o Brasil não pode abdicar da exploração dessa riqueza, mas garantiu que não haverá ações que causem danos ao meio ambiente. “O que podemos é assumir um compromisso de que nada será feito para causar qualquer dano ao meio ambiente”, declarou, respondendo às críticas de ambientalistas que alertam para os riscos à Amazônia e ao papel do país no combate ao aquecimento global.

Comparação internacional

O presidente lembrou que outros países, como Guiana e Suriname, já exploram petróleo em áreas próximas, e questionou por que o Brasil deixaria de pesquisar e explorar suas reservas.

“O Brasil não vai deixar de explorar riquezas enquanto Estados Unidos, França, Noruega, Catar e outros países as exploram. Precisamos do petróleo para muita coisa, sobretudo para exportar e fazer a transição energética”, concluiu Lula.

A Petrobras aguarda licença do Ibama para iniciar o megaprojeto na Margem Equatorial, que tem reservas estimadas em pelo menos 10 bilhões de barris de petróleo bruto. O tema gera debate às vésperas da COP30, que será realizada em novembro, em Belém.

Análise: Cenários para a oposição nas eleições de 2026

0
Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na ação penal que julga a chamada “trama golpista” surpreendeu pelo tom adotado por ele. Ao invés de radicalizar a narrativa acenando para sua base social mais fiel, como de costume, o ex-presidente optou por um tom amistoso ao responder às perguntas feitas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entretanto, a mudança de tom de Bolsonaro não deve alterar sua situação jurídica – a tendência é que o ex-presidente seja condenado. Há, inclusive, advogados projetando uma eventual prisão do ex-presidente já no mês de outubro, um ano antes da sucessão presidencial de 2026. Ou seja, a alteração de postura por parte de Bolsonaro lhe traz poucos benefícios, tanto jurídica quanto politicamente.

Se no campo jurídico o avanço da ação penal não deve registrar surpresas, no âmbito político a provável condenação de Bolsonaro deve intensificar as articulações e as disputas no bolsonarismo, na direita pragmática e também no centro, principalmente no PSD. Por ora, temos dois cenários possíveis no que diz respeito à configuração do tabuleiro de candidaturas presidenciais na oposição.

Como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), evita assumir uma eventual pré-candidatura ao Palácio do Planalto, mantendo sua lealdade a Jair Bolsonaro e afirmando que o ex-presidente é seu candidato, o primeiro cenário indica uma divisão na oposição. Se Tarcísio, de fato, não concorrer, o bolsonarismo deve lançar um candidato próprio, que pode ser a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ou o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), filho de Jair.

Outra possibilidade nesse primeiro cenário é Jair Bolsonaro, mesmo inelegível e eventualmente preso, tentar registrar sua candidatura, apesar de saber que esta será indeferida, repetindo o que o presidente Lula (PT) fez em 2018 e postergando, assim, a definição no campo da direita.

Nesse hipotético cenário, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), também poderá ir para a disputa. E o PSD lançaria um nome – o do governador do Paraná, Ratinho Júnior, ou o do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Teríamos, portanto, duas alternativas de direita (Michelle ou Eduardo), uma da direita tradicional (Caiado) e uma opção mais ao centro (Ratinho ou Leite). Embora também figure como pré-candidato, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), tem menores possibilidades de oficializar uma candidatura.

O segundo cenário possível seria o mais vantajoso politicamente para a oposição. Nesse hipotético cenário, haveria um acordo entre Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, que concorreria ao Palácio do Planalto. A eventual candidatura de Tarcísio teria elevadas chances de unir a direita. Além do apoio do bolsonarismo, que poderia indicar o candidato a vice de Tarcísio, o PSD também estaria ao lado do governador. Embarcariam ainda nesse projeto o PP e o União Brasil, construindo uma robusta aliança de centro-direita que isolaria Lula no campo da esquerda.

Apesar das indefinições na oposição, com a condenação de Jair Bolsonaro, sobretudo se ele for preso, as articulações no centro e na direita entrarão em outro estágio. Embora Bolsonaro seja um eleitor estratégico em 2026, tendo grande peso na definição do candidato da direita, ele poderá, se estiver preso, “desaparecer” do debate político, já que não poderá participar das articulações, nem estar presente nas ruas, nem tampouco atuar nas mídias digitais, sua principal fortaleza. Como consequência, aumentará a pressão para que ele escolha um sucessor.

Outra questão a ser observada envolve Tarcísio, principalmente se o governador paulista disputar o Palácio do Planalto. Caso seja ungido por Bolsonaro, poderá ocorrer o debate sobre uma possível troca de partido. Como Tarcísio é filiado ao Republicanos, um dos vetores da negociação a defini-lo como candidato poderá envolver uma eventual migração de Tarcísio para o PL, partido do ex-presidente.

Mesmo que a definição do futuro político de Jair Bolsonaro – assim como quem será o candidato da direita – não deva ocorrer antes de 2026, tende a crescer o entendimento no mundo político, e na opinião pública, de que Bolsonaro estará fora do jogo, ainda que ele insista na narrativa de que será novamente candidato.

Comissão aprova isenção de IPI para materiais doados por montadoras ao Senai

0
Ossesio Silva
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4794/24, que prevê a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para materiais doados por montadoras ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) destinados a atividades educacionais.

A medida abrange veículos de passageiros, de carga ou de uso misto, além de partes, motores e acessórios.

Benefício para qualificação técnica

Segundo o relator, deputado Ossesio Silva (Republicanos-PE), a proposta contribui para elevar o padrão de qualificação dos trabalhadores, permitindo que alunos tenham contato prático com equipamentos e tecnologias utilizados na indústria. O autor do projeto, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), destacou que protótipos e veículos descartados pelas montadoras não podem ser vendidos, mas têm grande utilidade para o ensino técnico. Atualmente, a doação não é praticada devido aos custos operacionais, o que a proposta busca solucionar.

O texto também busca alinhar a legislação federal às regras já adotadas por estados, que isentam o ICMS sobre essas doações por meio de convênios.

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação (CFT); e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Para virar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Lula defende aumento do IOF para evitar cortes no orçamento

0
Lula no podcast Mano a Mano
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) defendeu publicamente, nesta quinta-feira (19), a proposta do governo federal de promover mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), incluindo o aumento das alíquotas. Em entrevista ao podcast Mano a Mano, Lula afirmou que a medida é necessária para garantir o equilíbrio fiscal e evitar cortes em áreas essenciais do orçamento público, como saúde, educação e obras públicas.

Segundo Lula, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, busca ampliar a arrecadação tributando setores como bancos, fintechs e apostas esportivas (as chamadas “bets”), com o objetivo de promover justiça tributária e compensar eventuais estouros do arcabouço fiscal.

“O IOF do Haddad não tem nada demais. O Haddad quer que as bets paguem [mais] imposto de renda; que as fintechs paguem; que os bancos paguem. Só um pouquinho, para a gente poder fazer a compensação, porque toda vez que a gente vai ultrapassar o arcabouço fiscal, temos que cortar no Orçamento”, explicou o presidente.

Lula também destacou que a intenção do governo é que pessoas de maior renda contribuam mais, preservando os mais vulneráveis de aumentos de impostos. “Queremos que as pessoas que ganham mais, paguem mais [impostos]. Que quem ganha menos, pague menos. E que as pessoas vulneráveis não paguem impostos”, afirmou.

Congresso reage e acelera tramitação para barrar decreto do IOF

A defesa de Lula ocorre em meio a forte resistência do Congresso Nacional. Na última segunda-feira (16), a Câmara dos Deputados aprovou, por 346 votos a 97, o regime de urgência para o projeto de decreto legislativo (PDL 314/25) que pode suspender os efeitos do recente decreto do governo sobre o IOF. Com isso, a proposta pode ser votada diretamente no plenário, sem passar por comissões, e representa uma resposta à insatisfação de parlamentares, inclusive de partidos da base governista, com a elevação do imposto.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que não há ambiente favorável para aumento de impostos sem que o governo apresente alternativas de corte de gastos e reformas estruturais. O Congresso pressiona o Executivo a buscar soluções que não recaiam apenas sobre o contribuinte e ameaça derrubar o decreto caso não haja diálogo e alternativas fiscais.

Medidas do governo

O governo anunciou as mudanças no IOF junto com uma Medida Provisória, após recuar de uma proposta anterior que previa alta ainda maior do imposto. O objetivo é compensar o contingenciamento de R$ 31,3 bilhões do Orçamento e assegurar o cumprimento da meta fiscal estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Entre as medidas, estão o aumento da taxação sobre apostas eletrônicas, equiparação da tributação de fintechs aos bancos tradicionais, e a taxação de títulos atualmente isentos, como LCI e LCA.

Entrevista: Presidente da CMO critica falta de apoio do governo a cortes no BPC

0
Efraim Filho
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O recado do Congresso ao governo está claro: não vai aceitar aumento de impostos sem que o governo aposte também no corte de gastos. É o que defende o líder do União Brasil, presidente da Comissão Mista do Orçamento (CMO) e da Frente Parlamentar do Comércio e Serviços (FCS), senador Efraim Filho (União-PB). Porém, o corte de benefícios depende de entendimento político entre o governo e o Congresso.

Na avaliação do parlamentar, a elevação dos gastos do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), apontada pelo governo, dificilmente deverá levar a um corte mais amplo. “É muito difícil convencer as bancadas dos outros partidos apoiarem algo que o próprio governo diz que não apoia”, afirma Efraim. O senador projeta que a parte da proposta que tributa as bets deve contar com apoio político, mas avalia que a sobretaxa sobre fundos isentos, fintechs e Juros sobre Capital Próprio (JCP) deve enfrentar resistência.

Como presidente da FCS, qual a sua avaliação sobre a MP com alternativas ao aumento do IOF?

Está claro que o governo está fazendo um esforço arrecadatório, pesando muito a balança para o lado da Receita. É aumento de alíquota, aumento do imposto para arrecadar, arrecadar e arrecadar. E tem se esquecido o lado da despesa, qualificar o gasto público, eliminar o desperdício, reduzir custos. Isso é algo que está presente não apenas no discurso dentro do Congresso Nacional, mas está ecoando daquilo que se escuta da sociedade. Ninguém quer depositar sobre quem produz um peso ainda maior, de uma carga tributária extorsiva. Não há mais condição de se fazer aumento de imposto para bancar gastos do governo que não param de crescer.

Eu acho que há de se elogiar, sim, o gesto do governo de diminuir em dois terços o decreto do IOF, e de trazer uma complementação por medida provisória que permita ao Congresso avaliar. Acredito que temas como corte linear de gastos tributários e taxação de bets são os temas que apresentam um pouco mais de convergência e chance de tramitarem, enquanto outras dessas pautas já têm resistências. Não que sejam intransponíveis, mas elas já largam com dificuldade. É o caso da tributação sobre LCA, LCI, FDIC, Fintechs e JCP.

O governo fala que os gastos com BPC e Fundeb têm crescido anormalmente. Em ano pré-eleitoral, o senhor vê alguma forma de segurar esses gastos com benefícios sociais?

É uma dificuldade que o próprio Haddad admitiu na reunião no domingo, mas também durante as falas da semana: quando se fala em temas como Fundeb e BPC, a primeira resistência vem da bancada do próprio governo, vem da bancada do PT. E é muito difícil convencer as bancadas dos outros partidos apoiarem algo que o próprio governo diz que não apoia. Então, eu vejo a chance do corte de gasto avançar mais em outros temas paralelos, como o corte linear dos gastos tributários e o corte dos supersalários. Esse é um tema que tem voto. É muito mais hoje uma questão de pauta, de decisão política fruto da relação interpoderes. Mas é um tema amadurecido no Congresso. Deve estar na pauta das próximas semanas. A própria medida provisória traz também algumas medidas relevantes, como o combate às fraudes do Seguro Defeso e do BPC. Ao avançar em pente-fino, você já consegue economia sem precisar mexer em direitos das pessoas.

Como presidente da CMO, não vou permitir que esse esforço arrecadatório seja para propiciar mais gastos.

Há a preocupação de que, com o calendário eleitoral, o governo queira aproveitar esse esforço arrecadatório para elevar gastos com o Vale-Gás, com o Pé-de-Meia e com o Bolsa Família. Isso não encontrará respaldo no Congresso. A sociedade e o setor produtivo não podem só estar bancando com impostos os gastos do governo, principalmente para projetos eleitorais. A CMO vai estar muito atenta nas previsões de receita e de despesas para que isso não venha a acontecer.

Na Câmara, há uma pressão para o presidente do Senado devolver a MP, ainda que seja parcialmente, como fez o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com a MP que limita a compensação do PIS/Cofins (MP 1227/24). O senhor vê essa possibilidade?

Não vejo o presidente Davi Alcolumbre chegando ao limite de devolver, não. Até porque, nesse primeiro momento, a MP não gera efeitos imediatos. Tudo que tem ali requer, no mínimo, noventena ou até mesmo anualidade.

Como não constam na MP, as medidas de corte linear de benefícios tributários ficam dependendo de iniciativa do Congresso. Como deve ser isso?

A ideia é pegar carona num projeto que já tem tramitação avançada, o PLP 41/2019, que já foi aprovado no Senado. Teria, claro, um aperfeiçoamento de redação, mas aproveitar esse projeto já adiantaria muito a tramitação. Ele voltaria ao Senado só em forma de emenda da Câmara, para que pudesse ser aprovado e seguir para sanção. Esse é um tema que tem que conquistar convergência. É um momento em que se exige um esforço de todos que têm benefícios ou isenções fiscais. Com um corte linear de 10%, você não está inviabilizando o setor produtivo, nem sendo injusto com um ou outro setor. Então é uma decisão que compatibiliza os olhares aqui do Congresso e tem condição de avançar.

Esse corte não reabriria a disputa pela desoneração da folha de 17 setores?

A desoneração já tem uma reoneração este ano de 25%. Então não acho que vai gerar um impacto maior do que já foi feito. Se esses setores tiverem que contribuir, vão contribuir como os outros setores. Mas como a desoneração já está no processo de reestruturação, não acredito que isso vá alterar muito o rumo do que o setor já está se preparando.