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Durigan: Amplitude de corte de benefícios tributários dependerá da política

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Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda.
Foto: Diogo Zacarias/MF

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou que a pasta pretende apresentar ao Congresso, nesta semana, uma proposta de corte linear de benefícios tributários. Em entrevista à rádio CBN nesta segunda-feira (23), Durigan disse que o corte deve ser linear de 10%, mas que o governo se preocupa em elaborar um texto passível de ser aprovado pelos parlamentares. Assim, ele não cravou qual será a amplitude da medida.

“Do nosso ponto de vista, quanto mais setores e mais beneficiários ficarem nesse corte linear, melhor. Mas, mais importante do que isso é aprovar a medida. Tem uma ponderação política se vamos tratar como PEC ou como PLP. Tratando como lei e não como reforma constitucional você exclui benefícios que estão na Constituição”, justificou.

Corte de benefícios tributários no pacote fiscal

A ideia de cortar benefícios fiscais foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), como parte do pacote pensado para compensar pelo recuo no aumento do IOF. Na apresentação feita aos parlamentares, Haddad defendeu um “corte linear de benefícios tributários às pessoas jurídicas”. Pelo documento, seriam excetuados do corte o Simples Nacional, a cesta básica, imunidades previstas na Constituição e as entidades sem fins lucrativos.

Segundo a Fazenda, o corte seria feito em uma mesma proporção em diversas categorias de benefícios: isenção de alíquota, alíquota zero ou reduzida, redução da base de cálculo, crédito financeiro e tributário, dentre outros. O governo ainda defendeu um projeto de lei para “criar governança para análise, avaliação e recomendações acerca da concessão, prorrogação, ampliação ou alteração dos programas de benefícios fiscais”.

Porém, o corte não foi incluído no texto enviado ao Congresso.

Além do envio de um novo projeto pelo Executivo, há a possibilidade de aproveitamento de textos que há tramitam no Legislativo. Um deles é de autoria deputado Mauro Benevides (PDT-CE). O PLP 128/25 mira benefícios federais de natureza tributária, financeira e creditícia, prevendo redução em, no mínimo, 5% em 2025 e 5% em 2026. Segundo o texto apresentado pelo vice-líder do governo na Câmara, os percentuais podem variar por setor econômico, desde que o percentual mínimo estabelecido seja alcançado.

Petrobras e multinacionais arrematam 19 blocos de exploração na Foz do Amazonas

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stação Ecológica de Maracá-Jipioca, uma das reservas na costa do Amapá. Foz do Amazonas
Foto: Instituto Onça-Pintada/Divulgação

A sessão pública (leilão) do 5º Ciclo da Oferta Permanente de concessão para exploração de petróleo, na terça-feira passada (17), ofertou 172 blocos em cinco bacias petrolíferas em pouco mais de duas horas e meia. Ao todo, 34 áreas foram arrematadas, mais da metade na Bacia da Foz do Amazonas.

O chamado “novo pré-sal” atraiu o interesse da Petrobras e de petroleiras multinacionais, entre as quais empresas dos Estados Unidos e da China. Foram ofertados 47 blocos exploratórios, e arrematados 19.

A americana ExxonMobil (que já atua em área vizinha, no Suriname e na Guiana) e a Petrobras, atuando em consórcio, ficaram com dez blocos na região. Cada uma delas vai operar cinco blocos. A Chevron (EUA) e a chinesa CNPC levaram nove blocos em conjunto, todos operados pela americana.

Segundo a Exxon, com os blocos adquiridos, a empresa passa a deter 17 áreas exploratórias no Brasil e um campo em desenvolvimento (Bacalhau) no pré-sal da Bacia de Santos, operado pela Equinor.

A Chevron afirmou que o resultado reforça o compromisso de mais de 100 anos no Brasil. “Os novos blocos exploratórios no país desempenham parte importante do nosso portfólio na América do Sul”, declarou, em nota.

Em relação aos entraves ao licenciamento ambiental na região, a Chevron afirma que acompanha o caso. “Cumprimos as leis e os processos regulatórios do país. Estamos monitorando as decisões do governo e vamos esperar para prosseguir com nosso plano exploratório”, prosseguiu a empresa na nota.

Blocos na Bacia de Santos

Além dos campos da Margem Equatorial, foram concedidos 11 blocos na Bacia de Santos, em São Paulo, dos 54 ofertados. Integraram a oferta áreas na Bacia de Pelotas, no Sul, com três arrematadas. A Bacia de Parecis, em Mato Grosso e Rondônia, foi a única em área terrestre. Teve um bloco adquirido por empresa entrante, a Dillianz, que já atua no Centro-Oeste com agronegócio.

A Shell levou quatro blocos em Santos. “As novas aquisições estão alinhadas à estratégia de fortalecer nosso atual portfólio de águas profundas no Brasil”, disse, em nota, o presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa.

O resultado do certame foi comemorado pelo governo e pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pontuou, também em nota, que o volume significa uma arrecadação não prevista no Orçamento para este ano. “O resultado nos ajuda na arrecadação e na melhoria das contas públicas”, resumiu.

Para a diretora-geral interina da ANP, Patrícia Baran, o resultado do leilão revela a confiança dos investidores no potencial petrolífero do país: “Foi um resultado extremamente positivo.”

Pelo modelo adotado no leilão, as áreas ofertadas pela ANP ficam constantemente disponíveis para as empresas dentro de um sistema próprio da agência. São levados para sessão pública, como ocorrido na terça-feira, apenas blocos que receberam manifestação de interesse das empresas.

Governo acelera discussão para regulamentar balonismo turístico após tragédia em SC

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Balão, balonismo, aerodesportos
Foto: Pixabay
Após o acidente com um balão de ar quente em Praia Grande (SC), que deixou oito mortos e 13 feridos no último sábado (21), o Ministério do Turismo anunciou que vai intensificar as discussões para regulamentar o balonismo turístico no Brasil. Uma reunião com entidades do setor está marcada para esta semana, com expectativa de avanços significativos já nos próximos dias.
Atualmente, o balonismo é praticado no país como atividade aerodesportiva, sem regulamentação específica para voos turísticos. Não há exigência de habilitação técnica para pilotos nem certificação das aeronaves, e a segurança das operações é de responsabilidade dos próprios envolvidos. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) esclarece que, hoje, os voos são feitos “por conta e risco dos envolvidos”.
O ministério diz que busca atuar para que o setor tenha uma regulamentação clara e específica para a atividade, “visando garantir a segurança dos praticantes e impulsionar o desenvolvimento desse segmento no Brasil”.

Prefeituras e setor pressionam por profissionalização

Prefeituras de cidades como Praia Grande (SC) e Torres (RS), reconhecida como capital nacional do balonismo, cobram há anos uma regulamentação para a atividade turística, que movimenta a economia local e atrai visitantes para voos sobre os cânions dos parques nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral.
Segundo o Ministério do Turismo, a proposta é criar uma regulamentação precisa para a operação de voos de balão em atividades turísticas, com foco na segurança dos passageiros, capacitação dos operadores, registro das empresas e manutenção das aeronaves. O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) também participa das discussões para apoiar o desenvolvimento do segmento e a profissionalização dos serviços.
A Confederação Brasileira de Balonismo (CBB), que representa a prática esportiva, esclareceu que não tem competência para regular ou fiscalizar passeios turísticos em balões de ar quente, reforçando a necessidade de uma legislação específica para o setor.

Análise: Vetos apontam para novas derrotas do governo no horizonte

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Davi Alcolumbre em sessão conjunta de análise de vetos.
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.

Na última semana, o presidente Lula (PT) teve dez de seus vetos derrubados pelo Congresso Nacional. Entre os temas revertidos, há medidas com significativo impacto fiscal, como a dispensa de reavaliação periódica para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), a concessão de pensão vitalícia para vítimas do zika vírus e a isenção do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para fundos de investimento. O número de derrotas poderia ter sido ainda maior, não fosse o adiamento da análise de metade dos 60 vetos presidenciais por falta de consenso. No entanto, considerando a complexidade dos itens pendentes, é certo que novas derrotas virão.

Até agora, o governo Lula 3 acumula 42 matérias com vetos revertidos – o levantamento não contabiliza iniciativas remanescentes da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Trata-se de número expressivo, embora inferior ao registrado durante o mandato de Bolsonaro, que teve vetos derrubados em 108 matérias. De todo modo, a crescente reversão de vetos reflete uma mudança estrutural no equilíbrio entre os Poderes desde 2015, quando o Congresso passou a contar com maior autonomia orçamentária, impulsionada pela criação das emendas impositivas.

Com um Legislativo mais independente e menos subordinado ao Palácio do Planalto, o Executivo tem sido forçado a adotar a estratégia de contenção de danos. Os articuladores do governo negociam a manutenção de vetos considerados cruciais, aceitando ceder em outros casos. Um parlamentar chegou a resumir esse cenário com a frase: “Entregam-se os anéis para se preservarem os dedos.” Além da crescente força do Congresso, houve uma mudança cultural: desde 2013, quando normas foram ajustadas para dar efetividade à Constituição, tornou-se mais comum a votação dos vetos presidenciais, prática rara até então.

Outro aspecto relevante é o distanciamento entre as prioridades do Executivo e as do Legislativo, consequência direta da redução do controle governamental sobre a agenda parlamentar. Esse desalinhamento tende a aumentar a quantidade de vetos, especialmente em propostas que envolvam novos gastos públicos. Quando um projeto inclui despesas não previstas no Orçamento, o presidente é obrigado a vetar o trecho correspondente para não incorrer em crime de responsabilidade fiscal. Como os parlamentares não enfrentam consequências ao reverter esses vetos, as chances de derrota para o governo são elevadas.

Diante desse cenário, é previsível que o Planalto tenha novas perdas. Vetos ainda por analisar tratam de temas sensíveis, como regras do BPC e do Bolsa Família, contingenciamento de emendas parlamentares não impositivas, trechos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025, dispositivos da regulamentação da Reforma Tributária, medidas do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e pontos do novo marco da energia offshore.

Portaria estabelece diretrizes para a digitalização das redes elétricas de baixa tensão

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Energia elétrica, luz, iluminação, infraestrutura
Foto: Tauan Alencar/MME

Foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), desta segunda-feira (23), uma portaria normativa do Ministério de Minas e Energia (MME) que estabelece diretrizes para a digitalização gradual das redes e do serviço de distribuição de energia elétrica de baixa tensão no Brasil. De acordo com governo, o principal objetivo é modernizar o sistema de distribuição, promovendo maior eficiência, transparência, qualidade no serviço, economia para os consumidores, segurança e sustentabilidade.

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A medida também busca reduzir picos de consumo, aumentar a eficiência energética, contribuir para a transição energética e promover o uso mais consciente e seguro da energia elétrica, de acordo com o documento. Também foi informado que um dos principais instrumentos dessa digitalização será a instalação de medidores inteligentes. Isso inclui a garantia de segurança cibernética para evitar invasões e vazamentos de dados, a proteção das informações dos consumidores de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e a comunicação clara sobre interrupções no fornecimento e mudanças nos serviços.

As distribuidoras deverão seguir indicadores de desempenho, que poderão ser monitorados por empresas independentes, desde que sejam imparciais, tecnicamente qualificadas e acreditadas por órgãos como o Inmetro. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) continuará como o órgão responsável pela fiscalização do setor.

Melhorias no serviço

O documento ainda afirma que todo esse processo de digitalização será gradual, com prazo máximo de dez anos para que os objetivos sejam alcançados. A portaria entra em vigor na data de sua publicação, e representa um passo importante rumo à modernização do setor elétrico brasileiro, com foco na eficiência, na inovação e no benefício direto ao consumidor.

A digitalização deverá trazer diversos benefícios aos consumidores, como o estímulo à inovação e à oferta de novos serviços, a ampliação da transparência sobre o consumo de energia, a redução de perdas e fraudes, a melhoria no atendimento e na comunicação com as distribuidoras, bem como o apoio à abertura do mercado de energia para consumidores de baixa tensão.

Diretoria da ANTT aprova concessão rodoviária entre Cuiabá e Vilhena (RO)

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ANTT, transportes
Foto: Reprodução

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou, na quarta-feira passada (18), o relatório da Audiência Pública nº 12/21, que tratou da concessão do trecho rodoviário entre a capital de Mato Grosso, Cuiabá, e Vilhena, em Rondônia, com 880 quilômetros de extensão.

A previsão de investimento pelo futuro concessionário é de R$ 10 bilhões ao longo do contrato de 30 anos. Esse trecho rodoviário desempenha papel estratégico no escoamento da safra colhida em ambos os estados.

As cargas seguem em direção a Porto Velho, capital e município mais populoso de Rondônia, de onde são transportadas por hidrovia no rio Madeira até o porto de Itacoatiara (AM), no rio Amazonas. Ou então são direcionadas para Rondonópolis, no sudeste de Mato Grosso, onde são embarcadas em trem rumo ao porto de Santos (SP).

Denominado Rota Agro Central, o projeto reúne trechos das BRs-070, 174 e 364.  A proposta do plano de outorga segue para o Ministério dos Transportes para aprovação antes de ser submetida à análise e aprovação do TCU, etapa que antecede a publicação do edital, com a data e as regras do certame.

Com a realização dessa concessão, toda a extensão rodoviária entre Cuiabá e Porto Velho, totalizando 1.200 quilômetros, passará para o setor privado. Em fevereiro já houve o certame do trecho da BR-364, entre Vilhena e Porto Velho.

Fernão Dias

O TCU adiou o julgamento sobre a solução consensual do trecho da BR-381 (Fernão Dias) entre Belo Horizonte e São Paulo para a sessão plenária de quarta-feira (25). O pedido de adiamento foi feito pelo presidente do tribunal, ministro Vital do Rêgo.

O relator do processo, ministro Bruno Dantas, havia observado que se trata do primeiro caso em que houve convergência entre as unidades técnicas do TCU e do Ministério Público de Contas. Como se encontrava fora de Brasília na data inicialmente prevista e gostaria de estar presente na sessão, solicitou ao presidente do TCU o adiamento.

O ministro Antonio Anastasia antecipou o seu voto favorável à aprovação do acordo. Após a solução consensual ser  aprovada pelo TCU, a concessionária Arteris teve prorrogado o contrato e vai investir R$ 15 bilhões na rodovia, sendo R$ 3,2 bilhões nos próximos três anos.

Mercado eleva projeção da Selic para 15% ao ano e mantém inflação acima da meta

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Banco Central
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Os economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) elevaram, no Boletim Focus desta segunda-feira (23), a projeção para a taxa Selic de 14,75% para 15% ao final de 2025. O ajuste ocorre após o Comitê de Política Monetária (Copom) decidir aumentar a taxa básica em 0,25 ponto percentual na última sexta-feira (20), surpreendendo parte do mercado.
No comunicado, os diretores do Copom indicaram a interrupção do ciclo de alta dos juros, mas reforçaram que permanecem vigilantes e dispostos a retomar o aperto monetário caso as condições assim solicitem. O mercado aguarda mais detalhes sobre a decisão na Ata do Copom, que será divulgada nesta terça-feira (24).

Expectativas para inflação, PIB e dólar

  • Inflação: A projeção para o IPCA em 2025 foi reduzida pela quarta semana seguida, de 5,25% para 5,24%, permanecendo acima do teto da meta de 4,5%. Para 2026, 2027 e 2028, as expectativas são de 4,50%, 4,00% e 3,83%, respectivamente.
  • Selic: Além do patamar de 15% em 2025, o mercado espera que a taxa básica feche 2026 em 12,50% e 2027 em 10,50%. Para 2028, a expectativa é de Selic a 10%.
  • PIB: O crescimento econômico previsto para 2025 subiu de 2,20% para 2,21%, e para 2026 a projeção avançou de 1,83% para 1,85%. Para 2027 e 2028, o mercado mantém a expectativa de expansão do PIB em 2,00% ao ano.
  • Dólar: A expectativa para o câmbio em 2025 recuou para R$ 5,72. Para 2026 e 2028, a projeção é de R$ 5,80, e para 2027, de R$ 5,75.
O Banco Central segue cauteloso diante da inflação ainda acima da meta e da incerteza global. O Copom reforçou que permanece atento aos riscos para a inflação, e não descarta novos ajustes na política monetária, caso necessário.

Termômetro das expectativas

Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central, e reúne projeções de economistas, analistas e operadores do mercado financeiro. Ele serve como um termômetro das expectativas econômicas, e influencia decisões de empresas, investidores e do próprio governo.

Como será a semana – 24/6 a 27/6

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Como será a semana, agenda

O governo pode apresentar aos líderes partidários proposta de corte linear de 10% nos benefícios tributários. De acordo com o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, Zona Franca de Manaus e deduções do imposto de renda seriam preservadas. Arthur Lira (PP-AL) pode apresentar seu parecer ao projeto de lei que trata da isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais.

AGENDA POLÍTICA DA SEMANA

Próxima semana

  • Equipe econômica apresenta aos líderes partidários proposta de corte linear de 10% nos benefícios tributários.

  • O deputado Arthur Lira (PP-AL) pode apresentar seu parecer ao projeto de lei que trata da isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais.

  • Prevista reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) discute aumento de 27% para 30% na mistura de etanol anidro na gasolina.

Terça-feira (24/06)

  • O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, participa, nesta terça e quarta, da II Reunião do Mecanismo de Diálogo Estratégico Brasil-Nigéria.

  • A Comissão Mista que analisa a Medida Provisória 1291/25, que autoriza o uso de recursos do Fundo Social para financiar projetos de infraestrutura social, habitação popular e enfrentamento a calamidades públicas, pode votar parecer do relator José Priante (MDB-PA).

  • Instalação da Frente Parlamentar em Defesa da Exploração de Petróleo na Margem Equatorial do Brasil, às 13h30.

  • O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), promove audiência de conciliação entre a União, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério Público Federal (MPF) para tratar das indenizações aos aposentados e pensionistas do INSS vítimas de descontos associativos fraudulentos em seus benefícios.

  • O tenente-coronel Mauro Cid e o ex-ministro Walter Braga Netto fazem acareação no Supremo Tribunal Federal no inquérito que investiga tentativa de golpe em 2022.

  • O Banco Central divulga ata da reunião do Comitê de Política Monetária.

Quarta-feira (25/06)

  • O Supremo Tribunal Federal retoma julgamento sobre a responsabilidade das bigtechs diante da publicação de terceiros em mídias sociais à luz do Marco Civil da Internet.

Quinta-feira (26/06)

  • O Supremo Tribunal Federal pode julgar Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7021, que questiona a formação de federações partidárias.

  • O Banco Central divulga Relatório de Política Monetária (RPM).

  • O Tesouro Nacional divulga o resultado das contas do governo central em maio.

  • IBGE divulga IPCA-15 de junho.

Sexta-feira (27/06)

  • O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fala, às 11h30, em evento organizado pela Faculdade de Direito da USP.

  • O Supremo Tribunal Federal realiza audiência pública para discutir constitucionalidade das emendas impositivas com governadores, o Tribunal de Contas da União, quatro ministérios (Planejamento, Secretaria de Relações Institucionais, Advocacia-Geral da União e Controladoria-Geral da União), a Frente Nacional de Prefeitos, Senado, Câmara e a Confederação Nacional de Municípios.

  • A ANEEL decide a bandeira tarifária de julho.

  • O Ministério do Trabalho e Emprego divulga o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de maio.

  • A Confederação Nacional da Indústria divulga Sondagem Indústria da Construção.

Análise: O xadrez do PSD

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Gilberto Kassab, presidente do PSD. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A recente declaração do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de que o partido apoiará uma eventual candidatura presidencial em 2026 do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), embute certo otimismo que pode não se concretizar. Isso porque o sistema que rege o partido é uma espécie de “unidade dentro da divergência”.

Fundado por Kassab em 2011, o PSD é considerado um dos casos de sucesso da política nacional. Hoje, 14 anos após sua criação, tornou-se uma das maiores legendas do país, com o maior número de prefeitos, quatro governadores e expressiva representação no Congresso Nacional e nas demais Casas Legislativas.

O segredo desse crescimento está, justamente, na flexibilidade ideológica e política. Desde o início, Kassab declarou que o partido não se alinharia rigidamente a nenhum espectro político, embora, em geral, seja classificado como de centro. Essa liberdade de posicionamento o transformou em um abrigo preferencial para políticos oriundos de legendas que não sejam de esquerda.

Um dos diferenciais da gestão partidária no PSD é a autonomia concedida aos diretórios regionais. Ao contrário de outras agremiações, nas quais a direção nacional impõe uma linha política verticalizada, no PSD os comandos estaduais têm liberdade para definir os próprios rumos. Desde sua estreia em eleições presidenciais, a sigla participou de duas coligações: em 2014, apoiou a reeleição de Dilma Rousseff (PT); em 2018, integrou a aliança em torno de Geraldo Alckmin (então no PSDB). Já em 2022, diante da polarização, ensaiou lançar candidatura própria com o senador Rodrigo Pacheco (MG), mas acabou sem chapa presidencial e permaneceu “em cima do muro” na disputa.

Essa aparente ausência de coesão política é, paradoxalmente, um dos pilares do sucesso do PSD. Atualmente, o partido compõe a base do governo Lula ao mesmo tempo que abriga quadros na oposição. Nesse contexto, a declaração de Kassab soa dissonante em relação à própria essência da legenda. “Fincar o pé em uma única canoa” não é prática comum entre os pessedistas. Caso insista nesse caminho, Kassab poderá provocar disputas internas e, possivelmente, a saída de filiados.

Há um número relevante de diretórios estaduais do PSD que rejeitam a ideia de apoiar Tarcísio em detrimento do presidente Lula (PT). Lideranças como os ministros Alexandre Silveira (MG) e Carlos Fávaro (MT); os senadores Otto Alencar (BA), Omar Aziz (AM), Zenaide Maia (RN) e Irajá Abreu (TO); e o prefeito Eduardo Paes (RJ), todos comandam o partido em seus respectivos estados. Além deles, outros diretórios locais tendem a marchar com Lula. Some-se a isso o fato de que dois governadores do PSD – Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS) – são apontados como possíveis pré-candidatos à Presidência. Esse labirinto político pode, no final, levar Kassab a rever sua posição.

Cláudio Cajado: “O governo não está preocupado em reduzir gastos”

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Cláudio Cajado
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Em entrevista ao Politica Brasileira, o deputado Claudio Cajado (PP-BA), disse que o ambiente entre os parlamentares já não é favorável a novos aumentos de carga tributária. Ele lembra que, desde a aprovação do novo arcabouço fiscal, o Congresso autorizou diversas medidas que resultaram em maior arrecadação, como a taxação de remessas internacionais, apostas e o retorno do voto de qualidade no Carf, mas o governo, em vez de poupar, tem lançado novos programas sem garantir receitas compatíveis.

Para o deputado, o cenário atual expõe uma contradição entre o discurso fiscalista e a prática expansionista do Executivo, o que pressiona as contas públicas e leva a bloqueios orçamentários, como o recente contingenciamento de R$ 10 bilhões. Pedro Paulo defende que, diante da falta de medidas concretas do governo para conter despesas obrigatórias e revisar isenções fiscais, o Congresso deve assumir protagonismo e criar um grupo de trabalho voltado à revisão dos chamados “gastos tributários”, que podem ultrapassar R$ 1 trilhão. O deputado também propõe auditorias em benefícios sociais e o enfrentamento de fraudes como medidas iniciais para uma agenda de corte de gastos.

Como o Congresso recebeu a medida provisória do governo com elevação dos tributos em alternativa ao Imposto sobre Operações Financeiras?

O ambiente na Câmara não está muito favorável. O aumento de carga tributária, quando votamos o arcabouço, foi que nem um foguete. O governo aumentou em 12% a receita, porque passamos a cobrar de quem não pagava. Foram taxadas as remessas internacionais, as bets, teve o voto de qualidade no Carf (Conselho de Administração de Recursos Fiscais)… O governo ficou confortável nessa situação e, ao invés de fazer uma poupança fiscal, como previa o arcabouço para que tivesse a médio e longo prazos uma trajetória de estabilização e decréscimo da dívida pública, está fazendo novos programas sem previsão de receita. Assim, a despesa sempre estará maior do que a receita. E existe um problema grave: as despesas obrigatórias não estão compatíveis com a previsão orçamentária.

Por isso, o bloqueio de R$ 10 bilhões. É um problema causado principalmente pela Previdência e pelo BPC (Benefício de Prestação Continuada). O governo não está preocupado em reduzir gastos. E a sociedade clama, o Congresso clama por isso. Nós demos, durante quase um ano, um ano e meio, todas as aprovações ao que se referia à elevação de carga tributária. Então, existe um sentimento de “já deu, basta”. Temos que encontrar a neutralidade fiscal.

O que pode ser feito no âmbito do Congresso?

Eu defendo a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para atacarmos os gastos tributários – as chamadas desonerações tributárias, que são absurdas. A própria Receita Federal imaginava ser algo em torno de R\$ 600 bilhões. No ano passado, votamos aqui uma lei que determinava que as empresas declarassem quanto recebem de benefícios tributários, a Dirbi (Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades de Natureza Tributária).

A partir dessa declaração, o governo se surpreendeu com a informação de que as isenções podem chegar de R$ 850 bilhões até R$ 1 trilhão, se você computar também as financeiras. Então, é uma cifra trilionária. Foi outra falha grave do governo. O Ministério do Planejamento deveria estar verificando a necessidade de permanência desses benefícios e a sua efetividade. Está gerando benefício ao país? Segundo: está gerando emprego? A empresa, ao usufruir esses benefícios fiscais, está sendo competitiva? Ela tem um horizonte de poder crescer fora desses benefícios que estão sendo dados? O que está acontecendo hoje é que existe, de certa forma, uma vitaliciedade dos benefícios fiscais. Se o governo não fizer algo, o Congresso precisa fazer.

Há apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para a criação desse GT? O que poderia ser cortado?

O presidente Hugo Motta está bem preocupado com isso e sugeriu que podemos criar esse Grupo de Trabalho para nos debruçarmos sobre a questão. Desde a Reforma Tributária, da qual fui o correlator no ano passado, eu me debrucei sobre essa questão. Então, não falo nem da Zona Franca de Manaus, nem das micro e pequenas empresas, falo da série de isenções tributárias, que vêm crescendo.

E num descontrole muito grande. O que peço é: vamos dar uma lupa para essas desonerações. Uma forma de você fazer isso, como alguns países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) fazem, é dar um corte horizontal ao longo de 10, 15 anos. Assim, as empresas podem se adaptar, em um desmame. Dentro do estudo que o Progressistas fez no Imposto de Renda, em que sugerimos o corte linear de 2,5% nas desonerações, nós preservamos apenas pequenas e microempresas, empregadas domésticas, benefícios a taxistas. São poucas as exceções.

O Congresso tem demandado uma agenda de corte de gastos, mas o governo não consegue fazer uma proposta robusta. O Congresso vai tomar a dianteira nisso?

Acho que o Congresso não deve se furtar a apresentar suas sugestões, mas eu atacaria, inicialmente, as fraudes. Antes de falarmos em corte de gastos, vamos falar em fazer com que os beneficiários de recursos públicos possam ser auditados. No seguro defeso, voltado especificamente para pescadores, o número de beneficiários é absurdo. Não tenho dúvida de que, como no exemplo recente das fraudes do INSS, há, sim, fraude e descaminho nesses recursos.

Então, o governo precisa avaliar firmemente o BPC e o Bolsa Família. Outro item que está sendo avaliado são os supersalários. O ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) falou uma verdade: se o Judiciário, o Executivo e o Legislativo não colaborarem, nós não vamos ter um ambiente saudável para cortar gastos.