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STF mantém decisão que tira mandato de sete deputados federais por causa das sobras eleitorais

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Brasília, (DF) - Projeto de recuperação da Praça dos Três Poderes. Congresso, Câmara, Senado
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votou para rejeitar o recurso da Câmara dos Deputados e manter a decisão que levou à perda de mandato de sete deputados federais, em razão do novo entendimento sobre a distribuição das chamadas “sobras eleitorais”. O julgamento ocorre no plenário virtual e está previsto para ser encerrado nesta terça-feira (24), salvo pedido de vista ou destaque.

O caso é julgado no plenário virtual, restando os votos de Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Gilmar Mendes. Os outros oito ministros votaram por rejeitar o recurso.

Sobras eleitorais e mandatos

As sobras eleitorais surgem das vagas remanescentes após a aplicação do sistema proporcional para a eleição de deputados. Antes, apenas partidos e candidatos que atingissem 80% e 20% do quociente eleitoral, respectivamente, podiam disputar essas vagas. Em 2024, o STF declarou inconstitucional essa restrição, permitindo que todos os partidos participem do rateio das sobras.

O ponto central do recurso da Câmara era pedir que a decisão só valesse para eleições futuras, preservando a atual composição da Casa. O relator, ministro Flávio Dino, rejeitou o pedido, afirmando que os argumentos já haviam sido analisados e refutados no julgamento anterior. A maioria dos ministros acompanhou Dino, entendendo que a decisão do STF não promoveu uma mudança legislativa, mas apenas uma interpretação conforme à Constituição das regras já aprovadas pelo Congresso.

Com isso, o novo critério foi aplicado retroativamente às eleições de 2022, alterando a composição da Câmara e resultando na substituição de sete parlamentares. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já iniciou a retotalização dos votos para definir os novos deputados que assumirão as vagas.

Sucessão 2026: Instituto Paraná mostra disputa acirrada entre Lula e direita

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Urna eletrônica, eleições, título de eleitor
Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

A pesquisa divulgada hoje (24) pelo instituto Paraná sobre a sucessão de 2026 mostra um quadro de polarização entre o presidente Lula (PT) e as alternativas de direita – o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível; a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL); o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL); o senador Flávio Bolsonaro (PL); o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD).

Nas seis simulações de primeiro turno realizadas, apenas Jair Bolsonaro ficaria à frente de Lula. O presidente aparece à frente de Michelle. Nos demais cenários, Lula lidera. Chama atenção o bom desempenho de Ratinho Júnior, que varia de 5% a 13,9% das intenções de voto. Na simulação em que Tarcísio e Michelle não são considerados, Ratinho divide a vice-liderança com o ex-ministro Ciro Gomes (PDT).

Cenários de intenção de voto – 1º turno
Candidatos Cenário 1 (%) Cenário 2 (%) Cenário 3 (%) Cenário 4 (%) Cenário 5 (%) Cenário 6 (%)
Jair Bolsonaro (PL) 37,2
Lula (PT) 32,8 33,5 34,0 33,8 33,8 34,2
Michelle Bolsonaro (PL) 30,2
Tarcísio de Freitas (Republicanos) 24,3
Eduardo Bolsonaro (PL) 21,3
Flávio Bolsonaro (PL) 20,4
Ciro Gomes (PDT) 10,3 11,5 13,5 13,2 13,8 15,0
Ratinho Júnior (PSD) 4,6 5,7 6,9 8,5 9,0 13,9
Ronaldo Caiado (União Brasil) 2,9 4,6 4,3 5,5 5,8 7,1
Rogério Marinho (PL) 6,8
Helder Barbalho (MDB) 0,7 0,9 1,0 1,1 1,1 1,2
Indecisos 4,8 5,4 5,6 5,7 5,9 6,4
Branco/Nulo 6,7 8,0 10,5 10,8 10,3 15,5

*Fonte: Instituto Paraná Pesquisas (18 a 22/06)

Interessante observar que nos dois primeiros cenários, a soma dos candidatos de direita – 44,7% (cenário 1) e 40,5% (cenário 2) – supera a intenção de voto em Lula (32,8% no cenário 1 e 33,5% no cenário 2). Nos cenários 3, 4 e 5, a soma dos candidatos de direita – 35,5%; 35,3%; e 35,2%, respectivamente – é similar ao desempenho de Lula – 34,0% (cenário 3); 33,8% (cenário 4); e 33,8% (cenário 5). Lula está à frente dos candidatos da direita apenas no cenário 6. Nessa simulação, o presidente registra 34,2% contra 27,8% das alternativas de direita. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Mesmo enfrentando desafios importantes na economia, principalmente a inflação, e um ambiente externo complexo, consequência da guerra tarifária, dos conflitos no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia – o que aumenta a imprevisibilidade – Lula se mantém como um candidato competitivo. Claro que a força eleitoral do presidente é inferior à que ele já teve no passado. No entanto, a direita, por ora, ainda não dispõe de um candidato anti-Lula definido. Em um cenário em que os setores econômicos e a direita pragmática se movimentam em busca de um candidato de oposição para enfrentar o presidente, a pressão para que Jair Bolsonaro defina seu candidato tende a aumentar nos próximos meses.

Nesse jogo, aumentará a pressão nos bastidores sobre Tarcísio de Freitas, que embora tenha uma posição similar a Michelle Bolsonaro nas sondagens, é um candidato com maior potencial de crescimento. No entanto, também é importante estar atento a Ratinho Júnior, que vem registrando percentuais de intenção de voto interessantes na pré-campanha.

Independentemente de quem venha a representar a direita, deveremos ter novamente uma eleição acirrada entre o lulismo e a direita, que deverá ser decidida no detalhe. Conforme podemos observar nas simulações de segundo turno, hoje, apenas Jair Bolsonaro venceria Lula. O presidente, embora numericamente atrás, está em situação de empate técnico nos hipotéticos embates com Michelle, Tarcísio, Eduardo e Flávio. Neste momento, Lula venceria apenas Caiado.

Cenários de intenção de voto – 2º turno
Candidatos Cenário 1 (%) Cenário 2 (%) Cenário 3 (%) Cenário 4 (%) Cenário 5 (%) Cenário 6 (%) Cenário 7 (%)
Jair Bolsonaro (PL) 46,5
Lula (PT) 39,7 40,6 40,1 41,6 42,1 41,2 41,4
Michelle Bolsonaro (PL) 44,4
Tarcísio de Freitas (Republicanos) 43,6
Eduardo Bolsonaro (PL) 39,1
Flávio Bolsonaro (PL) 38,4
Ratinho Júnior (PSD) 37,0
Ronaldo Caiado (União Brasil) 33,5
Indecisos 5,8 5,8 5,9 6,5 6,4 6,5 6,8
Branco/Nulo 8,0 9,2 10,3 12,8 13,0 15,3 18,3

*Fonte: Instituto Paraná Pesquisas (18 a 22/06)

Ibama define nova classificação de risco para atividades econômicas

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Ibama
Foto: AGU/Divulgação

O Ibama publicou uma portaria no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (24) que estabelece a classificação de risco das atividades econômicas que dependem de atos públicos de liberação. A norma, de acordo com o governo, esclarece que essa classificação e os atos de liberação relacionados a ela são válidos apenas dentro do escopo de atuação do Ibama.

Vedação à aprovação tácita

Um ponto central da portaria é a vedação expressa à chamada “aprovação tácita”: no Ibama, a ausência de resposta dentro de determinado prazo não implica aprovação automática do pedido, reforçando entendimento já consolidado em normas anteriores da autarquia. Assim, processos de licenciamento e outros atos de liberação ambiental dependem sempre de manifestação formal do órgão.

A Portaria também prevê a possibilidade de reclassificação de uma atividade específica, desde que existam justificativas técnicas que demonstrem a necessidade de rever a avaliação de risco inicial, desde que isso não viole nenhuma norma vigente.

Transparência

Além disso, a portaria informa que a metodologia utilizada para definir os níveis de risco estão disponíveis para consulta pública no site do Ibama, assegurando transparência ao processo.

O texto estabelece ainda que o Ibama fará uma revisão da Portaria no prazo de até três anos, garantindo a sua atualização conforme novas informações, legislações ou necessidades técnicas.

Governo brasileiro lamenta morte de jovem em vulcão na Indonésia

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Monte Rinjani, na Indonésia
Foto: Reprodução/TripAdvisor

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou nesta terça-feira (24) a morte da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, que fazia uma trilha no Monte Rinjani, na ilha de Lombok, Indonésia, quando caiu da borda da cratera do vulcão na madrugada de sábado (21). O corpo da jovem foi localizado por equipes de resgate após quatro dias de buscas em condições meteorológicas e geográficas adversas

Juliana, natural de Niterói (RJ), viajava pelo Sudeste Asiático desde fevereiro e participava de uma expedição guiada ao topo do Monte Rinjani, que tem 3.726 metros de altitude. Durante a trilha, ela tropeçou e escorregou, caindo cerca de 650 metros abaixo do caminho, em uma encosta de difícil acesso. Equipes de resgate enfrentaram chuvas, terreno instável e neblina para tentar alcançá-la, com o apoio de drones, helicópteros e equipamentos especiais.

Resgate enfrentou dificuldades

Imagens de drone localizaram Juliana ainda com sinais vitais na manhã de segunda-feira (23), mas ela permanecia imóvel e debilitada, sem água, comida ou abrigo. O resgate foi dificultado pela profundidade do local e pelas condições climáticas, o que atrasou a chegada dos socorristas até a vítima.

A confirmação da morte foi feita pela família nas redes sociais e pelo Itamaraty, que manifestou “profundo pesar” e informou que a embaixada do Brasil em Jacarta acompanhou as buscas e mobilizou autoridades locais para o resgate.

“A embaixada do Brasil em Jacarta mobilizou as autoridades locais, no mais alto nível, para a tarefa de resgate e vinha acompanhando os trabalhos de busca desde a noite de sexta-feira, quando foi informada da queda no Mount Rinjani”, diz a nota.

Análise: Governo sofre derrotas, mas adia maiores estragos

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Sessão conjunta do Congresso derruba 11 vetos do presidente Lula.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

O governo tem enfrentado dias difíceis na relação com o Congresso Nacional. Apesar da redução no número de dias trabalhados na Câmara e no Senado nesta semana, o Planalto recebeu recados contundentes dos parlamentares, sofreu derrotas significativas e, mesmo quando obteve vitórias, estas se limitaram ao adiamento de prejuízos maiores.

Na sessão conjunta do Congresso destinada à análise de vetos, ocorrida na última terça-feira (17), um impasse que se arrastava havia meses teve desfecho desfavorável para o governo. Foram derrubados os principais trechos dos vetos relacionados aos benefícios tributários concedidos aos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e aos Fundos do Agronegócio (Fiagros), incluídos na regulamentação da Reforma Tributária. O governo, por sua vez, negocia um projeto de lei complementar para evitar uma derrota ainda mais ampla, argumentando que há risco de uso descontrolado desses benefícios e a necessidade de regras mais rigorosas.

Outra derrota significativa se deu com a derrubada de vetos a subsídios destinados a geradoras de energia, o que pode implicar aumento nas tarifas de energia. Embora a análise dos subsídios a termelétricas movidas a combustíveis fósseis tenha sido adiada, o Congresso restabeleceu dispositivos com impacto direto nas contas de luz, justamente em um momento em que o governo tenta reduzir o preço por meio da ampliação da tarifa social. Entre os trechos reinseridos estão a prorrogação, por até 20 anos, de contratos do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) e a obrigação de contratação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). A preocupação com o impacto dessas medidas foi tanta que o governo prepara uma medida provisória para tentar revertê-las.

Na mesma sessão, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), leu o requerimento de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O governo tenta conter os danos políticos influenciando a escolha dos membros pelos partidos da base aliada e atribuindo as fraudes a gestões anteriores. Ainda assim, a CPMI deve desgastar o Planalto, mantendo o tema em evidência entre o eleitorado e desviando o foco de outras pautas relevantes.

Além disso, a aprovação da urgência do projeto de decreto legislativo (PDL) que susta o decreto do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) evidenciou o posicionamento dos deputados perante as últimas decisões do Poder Executivo na área econômica. Nesse sentido, a ocasião deixou mensagens claras ao governo Lula. Apesar de possuírem ministérios, os líderes do PP, MDB, PSD, Republicanos e União Brasil orientaram as bancadas a votar pela aprovação da urgência da proposta que derruba o decreto. Até mesmo o líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE), liberou a base para votar como preferir. A situação se assemelha ao alto número de assinaturas de partidos aliados ao governo na urgência do PL da Anistia, demonstrando que Lula não pode contar com a fidelidade dessas siglas neste momento. A piora da crise na relação entre a Câmara e o governo pode ser a maior da gestão Lula 3, interferindo diretamente em projetos prioritários e no apoio dos partidos à reeleição de Lula em 2026.

A insatisfação também decorre da quantidade de medidas enviadas pelo governo na forma de medida provisória que deve sofrer alterações relevantes na Casa. Há também uma mobilização de cerca de 20 Frentes Parlamentares defendendo a devolução da medida provisória que aumenta impostos (MP 1303/25), o que representaria uma grande derrota para o governo.

Derrotas adiadas

Em contrapartida, o governo conseguiu adiar novos desgastes. Havia forte pressão na Câmara para a votação do projeto de decreto legislativo que anula o decreto que elevou o IOF. Contudo, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautou apenas o requerimento de urgência, sem definir data para a votação do mérito. O governo tem negociado a liberação de emendas parlamentares para evitar o avanço da proposta, apostando ainda no recesso de meio de ano, com feriados e festas juninas, para reduzir a tensão no plenário. Ainda assim, a aprovação da urgência serviu como sinal claro de insatisfação.

Para evitar a derrubada da portaria que criaria novas regras para o trabalho em feriados no comércio, o Ministério do Trabalho e Emprego também cedeu e adiou sua vigência para março de 2026. A norma, que vincula o trabalho em feriados à negociação sindical, já havia sido postergada anteriormente. O governo segue negociando com o Congresso para evitar a queda da portaria.

Ademais, com o prazo apertado, a Comissão Mista aprovou a Medida Provisória do Crédito Consignado (MP nº 1.292/25), que vence em 9 de julho. Para garantir a aprovação, o governo precisou aceitar uma emenda da oposição que transfere a prerrogativa de fixar o teto de juros para beneficiários do INSS do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) para o Conselho Monetário Nacional (CMN), reduzindo a influência política do Ministério da Previdência na questão.

A situação tende a piorar

Com a aproximação das eleições, em 2026, o governo pode passar a sofrer derrotas ainda mais contundentes. Isso porque partidos da base mais alinhados com a direita, ainda que já não estejam entregando a totalidade dos votos contratados pelo Planalto, tendem a se distanciar ainda mais do governo.

STF retoma julgamento sobre responsabilidade das redes sociais por conteúdos ilegais

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Redes sociais, aplicativo, celular
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira (25) o julgamento que pode mudar o regime de responsabilidade das redes sociais por publicações ilegais feitas por usuários em suas plataformas. Em sessão anterior, o plenário já formou maioria de 7 a 1 pela possibilidade de responsabilização civil das empresas, mesmo sem ordem judicial prévia, caso permitam a veiculação de conteúdos ilícitos, como racismo, homofobia, misoginia, discursos de ódio, ataques à honra e antidemocráticos.

Divergências sobre aplicação e tipos de conteúdo

Apesar da maioria, os ministros ainda discutem o alcance e a aplicação prática da decisão, já que cada voto propôs nuances diferentes. Os relatores, Dias Toffoli e Luiz Fux, consideraram o artigo 19 do Marco Civil da Internet inconstitucional, defendendo que basta uma notificação extrajudicial da vítima para obrigar as plataformas a removerem conteúdos ilícitos, sem necessidade de ordem judicial prévia. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e o ministro Flávio Dino apresentaram posições intermediárias: para eles, crimes contra a honra (como calúnia e difamação) ainda exigiriam decisão judicial, enquanto para outros ilícitos graves bastaria a notificação extrajudicial.

Gilmar Mendes sugeriu diferentes regimes de aplicação, prevendo responsabilização presumida em anúncios e impulsionamentos ilegais, além de aplicação diferenciada para crimes contra a honra. Alexandre de Moraes equiparou as big techs a empresas de mídia, defendendo responsabilidade direta pelo conteúdo publicado.

O único voto contrário até agora é de André Mendonça, que defende a manutenção do modelo atual: as plataformas só poderiam ser responsabilizadas se descumprissem ordem judicial para remoção de conteúdo.

Marco Civil da Internet

O julgamento discute dois recursos que questionam o artigo 19 do Marco Civil da Internet, que hoje protege as plataformas de responsabilização civil por conteúdos de terceiros, salvo descumprimento de ordem judicial. Como o tema tem repercussão geral, a decisão do STF será vinculante para todos os tribunais do país.

O setor de tecnologia acompanha de perto, defendendo a manutenção do modelo atual e alertando para o risco de censura e insegurança jurídica caso as plataformas sejam obrigadas a monitorar e remover conteúdos sem ordem judicial.

BB firma acordo de US$ 700 mi para financiar energia limpa e exportações de MPMEs

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Foto: Reprodução

Micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) brasileiras terão até US$ 700 milhões disponíveis nos próximos três anos para financiar projetos de energia limpa e operações de comércio exterior, graças a um acordo firmado entre o Banco do Brasil (BB) e a Agência de Garantia de Investimentos Multilaterais (MIGA), do Banco Mundial. O anúncio foi feito em Londres e integra o programa Garantia de Finanças Comerciais (TFG) da MIGA.

Linhas de crédito para energia renovável e exportação

O objetivo é apoiar a produção sustentável e facilitar o acesso das MPMEs ao mercado internacional, especialmente em setores como energia renovável, onde os recursos poderão ser usados para aquisição de equipamentos e insumos para biocombustíveis, energia solar, eólica e biomassa. O financiamento também cobre operações de exportação, ampliando a competitividade das empresas brasileiras no exterior.

O programa oferece garantias contra risco de inadimplência de até 95%, o que permite ao Banco do Brasil captar recursos a custos menores e oferecer crédito com juros mais baixos. O primeiro desembolso, de US$ 350 milhões, será imediato, com participação de instituições como BBVA e HSBC. Os demais aportes ocorrerão ao longo de três anos, com até um ano para cada desembolso.

Segundo o Banco do Brasil, a iniciativa faz parte do Plano de Transformação Ecológica, que busca promover investimentos em energias limpas e reduzir o impacto ambiental da produção nacional.

O segmento de MPMEs representa 99% das empresas brasileiras, e é fundamental para o desenvolvimento sustentável e a inserção do país no mercado global.

Leilão de saneamento no Espírito Santo teve concorrência e dois vencedores

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Foto: Agência Pará

O consórcio GS Inima-Forte Ambiental e a empresa espanhola Acciona foram os vencedores do leilão, realizado na terça-feira passada (17), na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), para tratamento de esgoto em 43 municípios do Espírito Santo. O evento foi promovido pelo governo estadual e pela Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan).

O investimento previsto é de quase R$ 7 bilhões ao longo do contrato, para atender a um universo de 1,18 milhão de clientes. A GS Inima venceu, no modelo de parceria público-privada (PPP), o Lote A, oferecendo desconto de 25,32% sobre a contraprestação que a estatal vai pagar à concessionária.

Compõem esse grupo a capital do estado, Vitória, e mais 34 municípios. A previsão é de aporte de R$ 1,08 bilhão em investimentos e de R$ 3,85 bilhões em custos operacionais ao longo de 25 anos.

A Acciona ficou com o Lote B, propondo desconto de 13,88% sobre a contraprestação. Nesse bloco incluem-se os municípios de Anchieta, Afonso Cláudio, Castelo, Guarapari, Ibatiba, Itapemirim, Iúna e Viana. Os investimentos previstos são de R$ 399,6 milhões e os custos operacionais, de R$ 1,39 bilhão, com contrato de 23 anos.

“Ganhamos a PPP da Sanepar e estudamos muito para fazer uma proposta competitiva no Espírito Santo”, disse André de Angelo, CEO da Acciona Brasil. “Sabemos o valor necessário de investimento em saneamento para se chegar à meta de universalização no país. Existem muitas oportunidades e a Acciona pode contribuir como empresa que aposta na infraestrutura.”

No Lote A, o valor máximo de pagamento pela Cesan à concessionária é calculado em R$ 4,9 bilhões. No Lote B, é estimado em R$ 2,1 bilhões ao longo de todo o contrato. A Aegea, que já atua no estado, participou do leilão, mas teve o lance superado pelas concorrentes.

O leilão busca ampliar a cobertura dos serviços de esgotamento sanitário, mas sem impacto na atual tarifa de água e esgoto. A concessionária vencedora terá de construir 39 Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) e 219 Estações Elevatórias de Esgoto (EEE), além de ampliar 1.200 quilômetros de redes coletoras.

Segundo o governador do estado, Renato Casagrande (PSB), existem PPPs em andamento nos municípios de Serra, Cariacica e Vila Velha. “Vamos expandir esse modelo de sucesso. Universalizar o saneamento é garantir saúde, dignidade e qualidade de vida a todos os capixabas.”

Concorrência internacional

O governo do Pará publicou edital de concorrência pública internacional para a concessão regionalizada dos serviços de saneamento nas áreas urbanas de 27 municípios, englobando as regiões do Baixo Amazonas e do Sudoeste Paraense (identificado como Bloco C).

O modelo de concessão, estruturado com apoio do BNDES, prevê investimentos de R$ 3,6 bilhões para a universalização dos serviços até 2039, além de despesas operacionais de R$ 6 bilhões com a operação do sistema ao longo dos 40 anos de concessão. Esse bloco não recebeu propostas no leilão realizado em 11 de abril de 2025, quando a Aegea foi a vencedora dos Blocos A, B e D.

Após a revisão de premissas de modelagem da concessão, o projeto está sendo republicado com o parcelamento do valor de outorga de R$ 400,6 milhões, distribuído ao longo de 20 anos e em parcelas de menor valor no período de maior demanda de investimentos por parte da concessão. O leilão será realizado no dia 5 de agosto, na B3.

Comissão da Câmara quer debater leilão do terminal de contêineres em Santos

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Porto de Santos
Foto: Porto de Santos/Divulgação

A Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara aprovou, na reunião ordinária de terça-feira passada (17), requerimento para a realização de audiência pública sobre o leilão do terminal de contêineres Tecon10, no porto de Santos, no estado de São Paulo.

A comissão quer debater a “garantia da legalidade e a transparência quanto ao procedimento de licitação” do arrendamento da área destinada ao terminal. O autor do requerimento, deputado Paulo Alexandre Barbosa (PSD-SP), alega que a decisão da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) de impedir que empresas já atuantes no porto participem da primeira etapa do certame (apenas se não houver propostas nessa fase outras companhias poderiam disputar o ativo) pode levar a um “possível colapso” no porto.

O deputado acrescenta que a decisão da agência “viola o princípio constitucional da livre concorrência, com consequências devastadoras, especialmente para o comércio exterior”. O requerimento aprovado propõe que sejam convidados para a audiência representantes de órgãos do governo e do setor privado que tenham relação com o caso, além de especialistas.

A comissão ainda não definiu a data da audiência. A decisão envolvendo o certame do Tecon10 está em análise no Tribunal de Contas da União (TCU), sob a relatoria do ministro Antonio Anastasia.

Confiança no certame

A secretária-executiva do Ministério de Portos e Aeroportos, Mariana Pescatori, disse estar otimista com a realização do leilão de arrendamento do novo terminal de contêineres em Santos.

Ao participar, na quarta-feira passada (18), de evento sobre portos promovido em Brasília pela Embaixada dos Países Baixos, a secretária afirmou que, apesar das “diversas pressões”, o arrendamento é um projeto que foi muito estudado.

Empresas que atuam no porto e armadores, donos de companhias de navegação, falam em levar a licitação à Justiça, caso a decisão de restringir a participação de grupos interessados no leilão seja mantida.

Câmara aprova prioridade na 1ª fila de aviões para idosos 80+ e PCDs

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Foto: Rawpixel

A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (CIdoso) da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que obriga companhias aéreas a reservarem, sem custo adicional, assentos na primeira fila de aeronaves para pessoas com deficiência, mobilidade reduzida ou com 80 anos ou mais. O benefício poderá ser estendido também a acompanhantes, quando necessário.

Se os assentos da primeira fileira já estiverem ocupados por passageiros que atendam aos critérios, a reserva deverá ser feita nos lugares mais próximos da primeira fila, respeitando a prioridade de acessibilidade e conforto.

Mudanças no texto original

A proposta aprovada é uma versão ajustada pela relatora, deputada Katia Dias (Republicanos-MG), ao Projeto de Lei 630/2025, de autoria do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). O texto original previa o benefício para pessoas a partir dos 75 anos e não incluía explicitamente aquelas com mobilidade reduzida.

Katia explicou que as alterações alinham o projeto ao Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003) e ao Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015). De acordo com a legislação, a prioridade especial deve ser garantida a partir dos 80 anos. Já o estatuto das pessoas com deficiência inclui também quem tem mobilidade reduzida, mesmo sem deficiência permanente.

Regulamentação da Anac

A relatora destacou que a proposta corrige uma lacuna na atual regulamentação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Embora a Anac reconheça o direito à assistência especial, não há hoje previsão expressa para a reserva de assentos na primeira fila, que oferece melhores condições de acesso e conforto.

“Pessoas com 75 anos, assim como de qualquer outra idade, que tenham mobilidade reduzida, não deixarão de estar protegidas”, afirmou a deputada.

O projeto será analisado ainda, em caráter conclusivo, pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Viação e Transportes; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.