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Desemprego cai para 6,2% e emprego com carteira assinada bate recorde

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O mercado de trabalho brasileiro atingiu novos recordes no trimestre encerrado em maio, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada nesta sexta-feira (27) pelo IBGE. A taxa de desemprego caiu para 6,2%, o menor patamar para o mês em 14 anos e próximo ao nível mais baixo já registrado no país. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegou a 39,8 milhões, também recorde histórico.

A massa salarial real atingiu R$ 354,6 bilhões, o maior valor já apurado, impulsionada pelo crescimento do número de pessoas ocupadas — agora 103,9 milhões — e pelo rendimento médio real estável em R$ 3.457. A queda do desemprego foi acompanhada por uma redução expressiva no número de desalentados (quem desistiu de procurar emprego), que caiu mais de 10% em relação ao trimestre anterior.

Segundo especialistas, o cenário de emprego formal aquecido e aumento da renda tende a estimular o consumo e pressionar a inflação, o que pode adiar o início do ciclo de corte de juros pelo Banco Central (BC). Por outro lado, analistas alertam que o avanço do emprego tem ocorrido principalmente em setores informais e de baixa complexidade, o que limita ganhos de produtividade e compromete o crescimento sustentável do país.

Destaques dos dados do mercado de trabalho

  • Taxa de desemprego: 6,2% (queda de 0,6 p.p. em relação ao trimestre anterior e de 1 p.p. em 12 meses)

  • Número de desempregados: 6,8 milhões (menor para o mês desde 2012)

  • Trabalhadores com carteira assinada: 39,8 milhões (recorde)

  • População ocupada: 103,9 milhões (alta de 1,2% no trimestre)

  • Rendimento médio real: R$ 3.457 (estável no trimestre, alta de 3,1% em 12 meses)

  • Massa salarial real: R$ 354,6 bilhões (recorde, alta de 1,8% no trimestre e 5,8% em 12 meses)

  • Número de contribuintes da previdência: 68,3 milhões (maior da série histórica)

O IBGE destaca que o mercado de trabalho está no melhor patamar dos últimos dez anos, impulsionado pelo aumento do contingente de ocupados e pela queda nas taxas de subutilização da força de trabalho. A expectativa de economistas é que o consumo siga forte, mas o baixo avanço da produtividade pode limitar o crescimento econômico de longo prazo.

Juros médio de consignado privado registra queda de 3,5% em maio

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Foto: José Cruz/Agência Brasil

A taxa média de juros do empréstimo consignado para trabalhadores privados apresentou queda de 3,5% no mês de maio, na comparação com o mês anterior. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (27), na nota de “Estatísticas Monetárias e Crédito”, do Banco Central (BC).

A medida provisória que regulamentou a modalidade, editada em março, fez com que a taxa média de juros registrasse apenas elevações desde então. Apesar desta primeira queda registrada, o valor é mais que o dobro da taxa média de juros para servidores e beneficiários do INSS, no mesmo período.

No acumulado em 2025, a taxa média do consignado privado apresentou alta de 14,8%. Enquanto isso, os juros do consignado para servidores públicos cresceu apenas 1% neste ano.

Concessões de consignado

A concessão de empréstimos consignado, incluindo contratos antigos, apresentou uma queda de 44,9% nas em maio. Apesar da retração, o volume de R$ 3 bilhões permanece acima do patamar registrado antes da implementação do novo programa. Em abril, as concessões haviam somado R$ 5,5 bilhões.

Vale destacar que abril marcou o primeiro mês completo de vigência do novo consignado privado, com a eliminação da necessidade de acordos individuais entre instituições financeiras e empresas. Enquanto isso, o saldo da modalidade subiu de R$ 44,7 bilhões em abril para R$ 46,6 bilhões em maio, um aumento de 4,1%. Em 12 meses, o crescimento acumulado foi de 14,9%.

AGU sugere a STF demarcar terras indígenas usando precatórios como indenização

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Yanomamis aguardam por familiares nos arredores do Hospital de Campanha que presta atendimento aos indígenas em situação de emergência em Boa Vista
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A Advocacia-Geral da União (AGU) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o Plano Transitório para Regularização das Terras Indígenas em Litígio Judicial. Entre outras medidas, o órgão propõe que, em 12 meses, a indenização de cerca de 752 ocupantes de oito terras indígenas – situadas em Mato Grosso do Sul e Santa Catarina – ocorra via precatórios.

Segundo o plano, haverá um procedimento específico de conciliação para cada terra indígena, firmado entre a União e os envolvidos. Nesse sentido, a Comissão Nacional de Soluções Fundiárias será responsável por coordenar os acordos, e caberá a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) fazer o levantamento das sobreposições de terras.

Portanto, a compensação pela demarcação das terras não seria imediata, e o ocupante ainda teria 30 dias, contados após a expedição do precatório, para desocupar o espaço. Além disso, as execuções do plano dependem da disponibilidade orçamentária da União, e tem vigência durante o período de 1 ano, contado a partir da data de instauração do respectivo grupo de trabalho pela comissão.

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Validação da indenização

Para que haja a indenização, alguns requisitos são apontados, como a existência de ação judicial ajuizada até 27 de setembro de 2023, e a apresentação de título de propriedade do espaço sobreposto à terra indígena formalmente declarada. Vale lembrar que o plano não se aplica a imóveis submetidos a algum regime próprio de indenização, como no caso das Unidades de Conservação de Proteção Integral.

Além disso, o ministro Gilmar Mendes analisará o plano e remeterá o texto à análise do plenário do STF. Se aprovado, este substituirá a Lei do Marco Temporal, considerada inconstitucional pela Corte.

Governo abre consulta pública para Política Nacional de Segurança Viária e Patrimonial

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Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

O Ministério dos Transportes abriu consulta pública para receber sugestões sobre a criação da Política Nacional de Segurança Viária e Patrimonial nas rodovias federais. A consulta pública ficará disponível por 30 dias. Os documentos que necessitam ser submetidos estarão disponíveis na plataforma Participa + Brasil, permitindo que cidadãos, especialistas e entidades do setor contribuam para a formulação das diretrizes que vão nortear a segurança viária e patrimonial em toda a malha rodoviária federal.

Segundo a pasta, a política é estratégica para modernizar e ampliar a infraestrutura rodoviária, com previsão de R$ 161 bilhões em investimentos e 8.449 quilômetros de novas concessões, distribuídos em 15 leilões rodoviários ainda este ano. O objetivo é garantir maior segurança para motoristas e cargas, além de aprimorar a gestão patrimonial das estradas federais.

A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo do governo para modernizar o setor de transportes, ampliar a conectividade, incorporar inovação tecnológica e tornar os contratos de concessão mais eficientes e seguros para investidores e usuários. A participação da sociedade e do mercado é considerada fundamental para construir modelos de concessão e políticas públicas que atendam às demandas de segurança, eficiência e transparência nas rodovias federais.

Motta e Alcolumbre não comparecem à audiência pública sobre emendas no STF

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Hugo Motta e Davi Alcolumbre
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O Supremo Tribunal Federal (STF) promove nesta sexta-feira (27) uma audiência pública para debater a execução obrigatória das emendas parlamentares impositivas. Convidados, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceram ao encontro.

A audiência segue nesta tarde e foi convocada pelo ministro Flávio Dino, relator de três ações diretas de inconstitucionalidade que questionam se a obrigatoriedade de execução dessas emendas (individuais, de bancada e as chamadas “emendas Pix”) é compatível com a Constituição.

Congresso defende autonomia; STF cobra limites e transparência

O Congresso teme que o Supremo imponha limites à execução dessas verbas, que hoje representam quase R$ 50 bilhões do orçamento federal anual, e afirme que a obrigatoriedade impede barganhas políticas e amplia a participação dos parlamentares na definição dos gastos públicos.

Por outro lado, as ações em análise no STF, apresentadas pelo PSOL, pela Procuradoria-Geral da República e pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), apontam que a obrigatoriedade das emendas pode ferir a separação de Poderes, dificultar o planejamento estatal e favorecer o uso arbitrário de recursos, especialmente nas transferências especiais sem vinculação (“emendas Pix”).

O ministro Flávio Dino já suspendeu parte das emendas até que sejam criados novos mecanismos de transparência, rastreabilidade e eficiência, ressaltando que a execução não pode ter caráter absoluto e deve respeitar critérios técnicos e constitucionais.

Análise: PT, maior partido de esquerda, gravita ao redor de Lula

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Seminário do PT em 2024.
Foto: Divulgação/PT

Enquanto a direita precisa peneirar diversos pré-candidatos para definir quem vai disputar a Presidência em 2026, a esquerda vive uma realidade oposta: o único nome colocado no páreo até agora é o do presidente Lula (PT). Isso pode ser visto na perspectiva de uma busca de unidade em um campo político que receia que uma divisão leve à derrota, mas também pelo viés da falta de lideranças populares de esquerda com o potencial de Lula de reunir votos.

Dentro do PT, principal partido da esquerda brasileira, há unanimidade: parlamentares e ministros ouvidos pela Arko Advice deixam claro que, se a eleição fosse hoje, o candidato seria Lula, desde que sua saúde permitisse. O presidente é visto como o maior beneficiário dos votos leais ao PT e dos votos antibolsonaristas, mas fato é que ele é, antes de tudo, detentor de uma parcela própria de eleitores – o lulismo.

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Pesquisa do Datafolha realizada no início de abril mostra Lula como o candidato mais bem posicionado, com cerca de 35% das intenções de voto. Ele lidera em todos os cenários de primeiro turno em que é incluído e ainda nos confrontos de segundo turno testados contra adversários diversos. Também é o mais lembrado na menção espontânea de intenção de voto (20%). O levantamento abrange simulações com Fernando Haddad (PT), atual ministro da Fazenda, como alternativa a Lula. Nessas situações, Haddad apresenta índices que variam de 15% a 17% das intenções de voto, a depender dos nomes dos adversários testados.

A tendência é antiga. Desde a primeira vez que o partido pisou no Palácio do Planalto, em 2003, o sucesso eleitoral do PT tem sido sustentado pelo carisma de Lula – o lulismo sempre foi mais forte do que o próprio petismo. O lulismo, por sua vez, é sustentado pela memória da criação dos programas sociais nos governos Lula 1 e 2, memória que, naturalmente, vai esmaecendo à medida que a população normaliza a existência desses benefícios. Para aliados, sem o elemento do lulismo há o risco de o antipetismo ganhar as eleições.

Tal movimento dificulta ao partido formar lideranças fortes e independentes, desvinculadas da imagem de Lula. E isso se reflete na hora da escolha de um sucessor ao cargo de presidente da República que seja capaz de construir um estilo próprio e sólido. Ao analisarmos a história, percebemos que todos os indicados por Lula surgiram em contextos em que ele estava impedido de concorrer. Foi assim com Dilma Rousseff em 2010, escolhida por Lula após ele cumprir dois mandatos, e também com Haddad em 2018, quando Lula estava inelegível devido às investigações da Lava Jato (aliás, Haddad é considerado por muitos seu sucessor para 2026). Essas escolhas não são feitas pelo partido como um coletivo, mas por uma liderança específica.

Mudanças na lei enfraqueceram a esquerda

O cenário se deve, em grande parte, à falha do PT em formar lideranças carismáticas que possam ocupar o lugar de Lula. Não é para menos. As bases sociais da esquerda foram abaladas por mudanças institucionais recentes. Com a reforma trabalhista do governo Temer, que acabou com a cobrança sindical, o movimento organizado de trabalhadores, elemento de mobilização social que levou Lula à Presidência, enfraqueceu, junto com as lideranças já existentes. Além disso, o sindicalismo também perdeu força como mecanismo de formação de novos políticos.

Há, ainda, o desafio imposto por mudanças na própria formação do mercado de trabalho brasileiro e pelas novas aspirações do trabalhador, o que tem sido pouco compreendido pela esquerda, como a falha na tentativa de regulamentar o trabalho por aplicativos mostrou. Se, no caso de ser eleito para um quarto mandato, Lula não dirigir suas forças para a formação de novas lideranças, a esquerda brasileira poderá passar um período relegada ao segundo plano.

Nomes fora do PT

A falta de renovação política não é um problema somente do PT. Com poucas exceções, os principais nomes da esquerda atual são os mesmos de décadas atrás. Nomes que ganharam destaque recentemente – como o do prefeito de Recife, João Campos (PSB), cotado para governador – e que navegam bem na realidade digital podem surgir como promessas, mas não para um futuro imediato, já que esbarra na idade mínima para ser candidato à Presidência. O PSOL, mais à esquerda do que o PT, teve crescimento, contudo falta muito para se posicionar com força equiparável à do PT, conforme revelou a disputa de Guilherme Boulos pela prefeitura de São Paulo em 2024.

A citada pesquisa Datafolha trouxe um dado, porém, que pode devolver uma peça ao xadrez político: em cenários que não contam com a presença de Lula entre os possíveis candidatos, Ciro Gomes (PDT) surge com um percentual de intenção de voto superior ao de Haddad. Nessas projeções sem Lula, Ciro obtém entre 19% e 20%, enquanto Haddad fica com 15% a 17%. Ainda que a ideia de alçar o ex-governador do Ceará novamente como candidato já circule entre membros do partido, ele tem afirmado que não pretende disputar nova eleição.

Lula veta exigência de exame toxicológico para CNH nas categorias A e B

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Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O presidente Lula (PT) vetou nesta sexta-feira (27) a exigência de exame toxicológico para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A (motos) e B (carros de passeio). O veto foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) e atinge trecho incluído por parlamentares em projeto que destina recursos de multas de trânsito para custear a CNH de pessoas de baixa renda inscritas no CadÚnico.

Veto visa evitar aumento de custos e exclusão social

Segundo a justificativa do governo, a obrigatoriedade do exame para novos motoristas nessas categorias “contraria o interesse público, pois importaria em aumento de custos para a sociedade e poderia influenciar que mais pessoas optassem por dirigir sem a devida habilitação, o que comprometeria, por consequência, a segurança viária”. Lula seguiu pareceres técnicos dos ministérios dos Transportes, Saúde, Justiça e Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

A exigência do exame toxicológico permanece obrigatória apenas para as categorias C, D e E, destinadas ao transporte profissional de cargas e passageiros, conforme já prevê o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

O veto presidencial ainda será analisado pelo Congresso Nacional, que poderá mantê-lo ou derrubá-lo. Se o veto for derrubado, o exame passa a ser obrigatório também para motos e carros de passeio.

CNH Social

Além do veto, Lula sancionou a lei que permite o uso de recursos de multas para financiar a CNH de pessoas de baixa renda, e moderniza procedimentos para transferência e vistoria de veículos, que agora poderão ser feitos de forma digital.

A nova legislação permite que recursos arrecadados com multas de trânsito financiem o processo de obtenção da CNH a pessoas que não têm condições financeiras.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), podem ser registradas no CadÚnico famílias que possuem renda mensal de até meio salário-mínimo por pessoa.

Análise: PSD mais próximo do bolsonarismo?

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Gilberto Kassab, presidente do PSD. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O encontro ocorrido na terça-feira passada (17) em Presidente Prudente (SP), durante a Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte), entre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, pode indicar uma aproximação entre o bolsonarismo e um dos partidos mais cobiçados do país para a sucessão presidencial de 2026 — o PSD. Também participou do encontro o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em um gesto a Kassab, Bolsonaro afirmou que Tarcísio “já aprendeu 95% da política. Os 5% que faltam poderiam ser ensinados em aulas particulares, se é que já não pegou com Kassab”.

Mesmo que a presença de Bolsonaro, Tarcísio e Kassab em um evento do agronegócio possa ser considerada natural, em função da aliança do PSD com Tarcísio em São Paulo e da proximidade deles com o agro, chama atenção o flerte entre o PSD e o bolsonarismo. Recentemente, o PSD publicou inserções no rádio e na TV em São Paulo reforçando a aliança do partido com o governador paulista. Os vídeos mostram Tarcísio participando de inaugurações de obras públicas.

Secretário estadual de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, Kassab possui uma sólida aliança com o governador. Embora defenda que Tarcísio concorra à reeleição em 2026, Kassab tem sido enfático ao atrelar o destino do PSD a Tarcísio, ainda que o partido tenha em seus quadros os governadores Ratinho Júnior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS) como presidenciáveis.

Considerando que o presidente Lula (PT) será candidato à reeleição, os acenos entre PSD e Bolsonaro devem ser observados mais de perto, pois sinalizam uma aproximação de Kassab não apenas com Tarcísio, mas também com o bolsonarismo, o que pode trazer importantes consequências para a sucessão de 2026.

Mais do que aumentar a possibilidade de uma aliança de centro-direita em direção ao Planalto, pode estar em curso a construção de uma aliança que une o maior do partido do país (o PSD foi a legenda que mais elegeu prefeitos nas eleições municipais de 2024), o bolsonarismo (uma das maiores forças sociais do país, junto com o lulismo) e um dos setores mais poderosos do país economicamente (o agro).

Essa construção política teria São Paulo como o seu principal reduto. Se considerarmos que o Nordeste pende para Lula, o Norte deve dividir-se e o Centro-Oeste e o Sul têm votado com a direita, o Sudeste tenderá a ser decisivo nas eleições.

Além de ser o maior colégio eleitoral do país e um reduto antipetista, São Paulo é comandado por Tarcísio, hoje o único governador em condições de atrair o PSD e o bolsonarismo e unir o agro e o mercado em torno de um projeto de centro-direita liberal na economia e conservador nos costumes.

STF realiza audiência pública sobre emendas com presença de Motta e Alcolumbre

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Hugo Motta, Davi Alcolumbre, Legislativo, Congresso
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O Supremo Tribunal Federal (STF) promove nesta sexta-feira (27) uma audiência pública para debater a execução obrigatória das emendas parlamentares impositivas, reunindo os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além de representantes do governo, Tribunal de Contas da União, Procuradoria-Geral da República e entidades da sociedade civil.

A audiência foi convocada pelo ministro Flávio Dino, relator de três ações diretas de inconstitucionalidade que questionam se a obrigatoriedade de execução dessas emendas — individuais, de bancada e as chamadas “emendas Pix” — é compatível com a Constituição. Entre os pontos centrais do debate estão o princípio da separação dos Poderes, a transparência, a rastreabilidade dos recursos e o impacto das emendas no planejamento e execução das políticas públicas federais.

O evento é transmitido ao vivo pela TV Justiça, Rádio Justiça e canal do STF no YouTube.

Congresso defende autonomia; STF cobra limites e transparência

Os presidentes da Câmara e do Senado vão ao STF para defender a manutenção das emendas impositivas como instrumento de autonomia parlamentar e descentralização de recursos, argumentando que elas garantem investimentos em regiões frequentemente esquecidas pelo Executivo.

O Congresso teme que o Supremo imponha limites à execução dessas verbas, que hoje representam quase R$ 50 bilhões do orçamento federal anual, e afirme que a obrigatoriedade impede barganhas políticas e amplia a participação dos parlamentares na definição dos gastos públicos.

Por outro lado, as ações em análise no STF, apresentadas pelo PSOL, pela Procuradoria-Geral da República e pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), apontam que a obrigatoriedade das emendas pode ferir a separação de Poderes, dificultar o planejamento estatal e favorecer o uso arbitrário de recursos, especialmente nas transferências especiais sem vinculação (“emendas Pix”).

O ministro Flávio Dino já suspendeu parte das emendas até que sejam criados novos mecanismos de transparência, rastreabilidade e eficiência, ressaltando que a execução não pode ter caráter absoluto e deve respeitar critérios técnicos e constitucionais.

Café segue pressionando inflação ao consumidor, mas queda no campo deve chegar às prateleiras só em 2026

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Plantação de café
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O café moído foi o segundo item que mais pressionou a inflação de junho, atrás apenas da energia elétrica, segundo o IPCA-15 divulgado pelo IBGE na última quinta-feira (26). O preço subiu 2,86% em relação a maio e acumula alta de 81,6% nos últimos 12 meses, refletindo uma sequência de recordes históricos desde o início de 2024.

No entanto, no campo, o cenário já começou a mudar: a cotação média mensal do café arábica caiu 17% em junho em relação a fevereiro, acompanhando o avanço da colheita no Brasil e a expectativa de melhora nas safras do Vietnã e Indonésia. O movimento de queda, porém, ainda não chegou ao consumidor final, pois o repasse costuma ser lento devido ao tempo de processamento, estocagem e comercialização do grão.

Repasse ao consumidor só deve ganhar força em 2026

Analistas apontam que a queda de preços no campo deve começar a ser sentida no varejo de forma lenta e gradual no segundo semestre de 2025, mas só ganhará intensidade em 2026, caso não haja novos problemas climáticos ou geopolíticos. O repasse é demorado porque envolve etapas como secagem, beneficiamento, torrefação e distribuição, além de estoques formados pela indústria em períodos de preços mais altos.

A disparada dos preços do café desde 2024 foi causada por uma combinação de fatores: seca severa no Brasil, queda de produção no Vietnã, estoques baixos, especulação financeira e antecipação de importações pela Europa diante de novas regras ambientais. Mesmo com o início do alívio nas cotações do campo, a oferta global segue restrita e os custos estruturais da cadeia permanecem elevados, o que deve manter o café caro para o consumidor até o próximo ano.

Segundo especialistas, só uma safra abundante no Brasil e no Vietnã em 2026 poderá trazer uma redução mais significativa nos preços ao consumidor, mas dificilmente os valores voltarão aos patamares anteriores à crise.