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Governo prepara projeto para tipificar crime de ecocídio

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Brasília (DF), 29/04/2025 - A Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado da Câmara realiza audiência para ouvir o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. .
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, elabora um projeto de lei que cria o crime de “ecocídio” no Brasil, com penas que podem chegar a até 40 anos de prisão em regime fechado para pessoas e empresas que provocarem destruição em massa de ecossistemas ou danos ambientais irreversíveis. A declaração foi feita na segunda passada (23), após a divulgação dos dados de que, no ano passado, aumentou em quase 80% o tamanho da área devastada por queimadas, resultando em mortes de animais, destruição de biomas e forte poluição do ar, que chegou a grandes centros urbanos.

O texto, que ainda aguarda avaliação da Casa Civil antes de ser enviado ao Congresso Nacional, é considerado uma das iniciativas mais duras já propostas pelo governo federal para combater crimes ambientais de grande escala.

A proposta prevê responsabilização criminal para quem causar “danos graves, amplos ou duradouros ao meio ambiente, com impacto significativo em ecossistemas, recursos naturais, biodiversidade, clima ou nas condições de vida de populações humanas e não-humanas”. Entre as condutas tipificadas como ecocídio estão o desmatamento ilegal de áreas de preservação, grandes incêndios florestais, lançamento de resíduos perigosos, poluição que comprometa a saúde pública e atividades econômicas que causem danos ambientais irreversíveis.

Penas podem chegar a 40 anos

As penas variam de cinco a quarenta anos de prisão, além de multa, a depender da gravidade do dano e de fatores como morte de pessoas ou benefício a organizações criminosas. O texto prevê ainda que as multas arrecadadas sejam destinadas ao Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, para financiar ações de recuperação ambiental.

O projeto de Lewandowski se soma a outras iniciativas recentes do governo Lula para endurecer o combate a crimes ambientais, como o envio ao Congresso de propostas que aumentam penas para incêndios florestais, desmatamento e mineração ilegal. A expectativa é que a nova tipificação do ecocídio amplie a responsabilização de grandes poluidores e pressione setores econômicos, incluindo parte do agronegócio, a adotar práticas mais sustentáveis.

A proposta é inspirada em discussões internacionais e em projetos já em tramitação na Câmara dos Deputados, mas amplia o escopo das condutas puníveis e eleva significativamente as penas previstas para crimes ambientais.

Nova regra para CACs endurece controle de armas no Brasil

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Brasília (DF), 26/04/2023 - Fachada da sede da Polícia Federal.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) publicou a Instrução Normativa nº 311, que passa a valer a partir de 1º de julho de 2025, estabelecendo um novo marco regulatório para colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) no Brasil. O texto detalha conceitos, requisitos, limites e procedimentos para o registro, aquisição, transporte, segurança e fiscalização de armas de fogo e munições.

Quem pode ser CAC

Para obter o Certificado de Registro (CR), o interessado deve cumprir uma série de requisitos: idade mínima de 25 anos para colecionadores e caçadores, e de 18 anos para atiradores (com exceção para menores de 18 a 14 anos, apenas com autorização judicial e acompanhamento de responsável). É obrigatório apresentar documentos de idoneidade, comprovação de ocupação lícita, residência fixa, laudo de aptidão psicológica e capacidade técnica para manuseio de arma de fogo.

Atiradores precisam comprovar filiação a clube de tiro, e participação regular em treinamentos e competições.

O CR tem validade de três anos, sendo a revalidação condicionada à comprovação de habitualidade (número mínimo de treinos ou autorizações do Ibama, no caso de caçadores).

Limites para armas e munições

A nova regra limita o número de armas por categoria:

  • Colecionador: uma de cada tipo, marca, modelo, variante, calibre e procedência (exceto museus).

  • Atirador desportivo: até 4 armas (nível 1), 8 (nível 2), 16 (nível 3, sendo 4 de uso restrito) e até 16 (alto rendimento, sendo 8 de uso restrito).

  • Caçador excepcional: até 6 armas, sendo 2 de uso restrito.

Colecionadores não podem realizar disparos com armas de coleção, salvo para testes de manutenção, e é proibida a alteração das características originais do armamento.

Segurança, fiscalização e transporte

A segurança do acervo é de responsabilidade do proprietário, que deve garantir cofres, trancas reforçadas e, em caso de exposição, armas inertes e fixadas. A Polícia Federal pode fiscalizar acervos presencialmente ou à distância, e o não franqueamento de acesso pode resultar em suspensão ou cancelamento do CR.

O transporte de armas exige Guia de Tráfego Especial (GTE), válida por até seis meses para treinamentos e competições, e por um mês para exposições ou colecionamento. O porte de trânsito só permite armas desmuniciadas e com itinerário preestabelecido.

Proibições e penalidades

É vedado o colecionamento de armas automáticas recentes, químicas, biológicas, nucleares, munições explosivas ativas e silenciadores. O extravio, furto ou roubo de armas deve ser comunicado imediatamente ao Sistema Nacional de Armas (Sinarm-CAC), com envio do boletim de ocorrência em até 10 dias úteis.

O cancelamento do CR pode ocorrer por solicitação, término de validade, decisão administrativa ou descumprimento de requisitos, com prazo de até 90 dias para destinação das armas após o cancelamento.

Clubes de tiro, airsoft e paintball

Clubes e entidades de tiro que oferecem airsoft ou paintball devem apostilar a atividade junto ao Exército, mas praticantes maiores de 14 anos ficam dispensados de CR. A prática de tiro desportivo com armas de fogo por menores de 25 anos tem regras específicas e restritivas.

Análise: Bolsonaro avalia opções para 2026

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Presidente da República, Jair Bolsonaro cumprimenta populares da Rampa do Palácio do Planalto.
Foto: Isac Nóbrega/PR

Apesar de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), principal antagonista do presidente Lula (PT), estar inelegível para concorrer ao Palácio do Planalto em 2026, ele sinaliza que continuará tentando viabilizar sua candidatura.

Além da pressão internacional sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), sobretudo contra o ministro Alexandre de Moraes, através de uma possível sanção por parte dos Estados Unidos, Jair Bolsonaro insistirá na narrativa da anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, bem como em eventuais mobilizações de seus simpatizantes nas ruas para pressionar o Judiciário.

No entanto, é improvável que Bolsonaro consiga reverter sua inelegibilidade. A partir da confirmação de que estará fora do jogo, ele buscará manter o controle da escolha do candidato da direita. Na família, há duas opções: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), seu filho.

Com elevada rejeição e alvo de um inquérito aberto por Moraes no STF por supostamente coagir autoridades brasileiras nos Estados Unidos, onde hoje se encontra hoje, Eduardo Bolsonaro tem obstáculos importantes pela frente. Ainda que agrade à base mais fiel do bolsonarismo, ele dificilmente obterá o apoio da direita pragmática. Michelle é uma alternativa mais competitiva. No entanto, por ora, é mais provável que a ex-primeira-dama saia candidata ao Senado pelo Distrito Federal.

Fora do âmbito da família Bolsonaro, o campo da direita apresenta uma pulverização de pré-candidatos: os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). O PSD, por sua vez, embora o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, sinalize que apoiará Tarcísio caso ele dispute o Palácio do Planalto, a legenda já conta com dois pré-candidatos: os governadores Eduardo Leite e Ratinho Jr.

Nesse complexo jogo, temos o surgimento da federação União Progressista, que une PP e União Brasil. A aliança, embora tenha Caiado como pré-candidato, ainda aguarda a evolução da conjuntura para se posicionar nacionalmente. Apesar de União e PP integrarem a base do governo Lula (PT), não devem apoiar o presidente. A tendência é que estejam ao lado da oposição em 2026.

O nome com mais potencial eleitoral para a sucessão presidencial em 2026 é o de Tarcísio de Freitas. Além de comandar o maior estado do país, Tarcísio teria condições de atrair o PSD e o MDB, e também o União Progressista. Ou seja, se o candidato for Tarcísio, a centro-direita deverá ir unida para o pleito, com uma robusta aliança anti-Lula. Entretanto, para Tarcísio ser ungido candidato, ele precisa do aval de Bolsonaro, que ainda mantém seu projeto presidencial ativo. Sem um acordo com Bolsonaro, Tarcísio deve permanecer no cargo, concorrendo à reeleição em São Paulo. Essa definição precisará se dar até abril de 2026, prazo-limite da desincompatibilização.

Dos governadores posicionados como presidenciáveis, apenas Tarcísio pode disputar um novo mandato em seu estado. Já Leite, Ratinho, Caiado e Zema, caso não disputem o Planalto, deverão buscar o Senado. E mais: caso Tarcísio não dispute a Presidência, cresce a possibilidade de a direita se dividir em 2026, o que poderia beneficiar Lula. Não por acaso, o ex-presidente Michel Temer (MDB) tem participado de articulações em favor da união da centro-direita. Essa construção será desafiadora para a oposição a Lula, pois necessita do aval de Bolsonaro. Por outro lado, quem representar o anti-Lula terá o desafio de atrair os eleitores bolsonaristas sem ser afetado pela rejeição ao ex-presidente.

Definição será no último momento

A definição do(s) candidatos(s) de oposição não deverá ocorrer antes de 2026. O primeiro aspecto a ser destacado é que Jair Bolsonaro, pelos sinais que tem emitido, insistirá em ser candidato. Como consequência, as articulações no campo da centro-direita e direita devem ficar travadas. Mesmo que Bolsonaro eventualmente seja condenado pelo STF – e até mesmo preso – ele ainda poderá tentar registrar sua candidatura.

Vale recordar que Lula, em 2018, mesmo preso, tentou viabilizar sua candidatura naquele ano. Em 2018, Lula, mesmo tendo sido preso em abril, fez o pedido de registro da candidatura em 15 de agosto daquele ano. O indeferimento da candidatura ocorreu em 1º de setembro de 2018, quando foi escolhido o hoje ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).

Jair Bolsonaro, independentemente de sua situação jurídica, poderá seguir o mesmo roteiro. A eventual insistência de Bolsonaro prejudicaria Tarcísio de Freitas, que para concorrer a presidente, além de deixar o cargo em abril de 2026, necessita construir um arco de alianças que lhe dê sustentação política. Além disso, Tarcísio, para disputar a eleição nacional, necessita manter sua base unida na sucessão em São Paulo.

Entretanto, o desejo de Jair Bolsonaro em disputar novamente o Planalto tende a enfrentar obstáculos importantes. Se eventualmente estiver preso, Bolsonaro ficaria ausente das ruas e também do meio digital, o que faria com que o ex-presidente perdesse tração.

Mesmo com esses eventuais obstáculos, Jair Bolsonaro será o grande eleitor da direita. O ex-presidente será decisivo na definição do candidato da direita. No entanto, mesmo sem Bolsonaro no jogo, o desafio de unir a oposição seguirá, sobretudo se Jair Bolsonaro optar em lançar como sucessor uma das opções do seu núcleo familiar, o que dividiria a direita. Caso opte, por exemplo, por Eduardo ou Michelle Bolsonaro, a oposição tende a se dividir.
Por outro lado, caso Jair Bolsonaro seja convencido de que o pragmatismo deve prevalecer em nome do objetivo de derrotar Lula, a união da direita passará a ser viável, sobretudo se o candidato escolhido foi Tarcísio de Freitas, nome que possui vínculos com o bolsonarismo e transita com na centro-direita.

Mercado reduz projeção de inflação para 2025 pela quinta semana seguida

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Brasília (DF), 26/10/2023, Prédio do Banco Central em Brasília. Boletim Focus, mercado
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A projeção do mercado financeiro para a inflação oficial (IPCA) de 2025 caiu de 5,24% para 5,20%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Banco Central (BC). É a quinta semana consecutiva de corte na estimativa, que já soma dez reduções em 11 semanas, refletindo o alívio nos preços dos alimentos e a estabilização do petróleo e do dólar após o pico de tensão no Oriente Médio.

Alimentos e petróleo aliviam pressão inflacionária

Apesar do recuo, a expectativa para a inflação segue acima do teto da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para os anos seguintes, as projeções foram mantidas: 4,50% em 2026, 4,00% em 2027 e 3,83% em 2028.

O cenário mais benigno para os preços foi reforçado pela prévia da inflação de junho (IPCA-15), que mostrou desaceleração puxada pela queda dos alimentos, e pela deflação do IGP-M em 2,53% no mês, indicando espaço para novas quedas à frente.

Dólar e PIB estáveis

No câmbio, o mercado ajustou para baixo a expectativa para o dólar: de R$ 5,72 para R$ 5,70 em 2025 e de R$ 5,80 para R$ 5,79 em 2026. Para 2027, a projeção ficou em R$ 5,75.

A previsão para o crescimento do PIB foi mantida em 2,21% para 2025 e elevada para 1,87% em 2026. Para 2027, a expectativa é de 2,00%.

Juros devem seguir altos até 2026

As taxas de juros previstas seguem estáveis, com a Selic encerrando 2025 em 15%, 2026 em 12,50%, 2027 em 10,50% e 2028 em 10% ao ano. O Banco Central sinalizou que deve manter os juros elevados até que haja maior confiança no controle da inflação, diante de fatores externos e do cenário fiscal doméstico.

Termômetro das expectativas

Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central, e reúne projeções de economistas, analistas e operadores do mercado financeiro. Ele serve como um termômetro das expectativas econômicas, e influencia decisões de empresas, investidores e do próprio governo.

Como será a semana – 29/6 a 06/7

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Como será a semana, agenda

A derrubada do decreto do IOF pelo Congresso continua repercutindo. Governo procura uma solução para recompor a receita perdida. Parlamentares fazem ato contra a MP 1303/25, que tributa aplicações financeiras e aumenta imposto para bets e fintechs. O governo lança o Plano Safra 2025/2026. Na quinta, Lula participa de reunião cúpula do Mercosul, em Buenos Aires.

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AGENDA POLÍTICA DA SEMANA

Próxima semana

  • O governo lança programa Carro Sustentável, com redução de IPI de veículos mais baratos produzidos no país.

Domingo (29/06)

  • Manifestação convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, na Avenida Paulista, a favor da anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

Segunda-feira (30/06)

  • O governo anuncia o Plano Safra 2025/26 da agricultura familiar, às 10h, no Palácio do Planalto.

  • O Banco Central divulga o resultado das contas do Setor Público Consolidado de maio.

  • O Ministério do Trabalho e Emprego divulga os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de maio, às 14h30.

Terça-feira (01/07)

  • O governo lança o Plano Safra 2025/26 da agricultura empresarial, às 11h no Palácio do Planalto.

  • A Câmara pode votar urgência para o PLP 41/2019, que define mecanismos de avaliação e revisão dos incentivos e benefícios fiscais concedidos a empresas pela União e que resultem em diminuição da arrecadação ou aumento de despesas.

  • Frentes parlamentares do Congresso Nacional podem fazer mobilização a favor da devolução da Medida Provisória nº 1.303/25, que trata da tributação de aplicações financeiras e de ativos virtuais.

  • O Grupo de Trabalho da Câmara que discute reforma administrativa realiza, às 10h, audiência pública com especialistas acadêmicos.

  • O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, viaja para a Argentina para participar, hoje e amanhã, da Reunião de Ministros da Economia e Presidentes de Bancos Centrais do Mercosul.

  • A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado realiza audiência pública, às 10h, sobre o segmento de minerais críticos e estratégicos no Brasil com Rodrigo Toledo Cabral Cota, diretor do Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral da Secretaria Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, e outros. Às 14h, a Comissão ouve Mauro Henrique Moreira Sousa, Diretor-Geral da Agência Nacional de Mineração – ANM, e outros.

  • O ministro de Estado do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França, participa, em Portugal, até o próximo dia 8, do XIII Fórum de Lisboa, bem como de encontros bilaterais com autoridades governamentais e empresariais portuguesas.

Quarta-feira (02/07)

  • A Comissão de Agricultura ouve a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, às 10h30, sobre projeto do licenciamento ambiental.

  • O IBGE divulga produção industrial em maio.

Quinta-feira (03/07)

  • O presidente Lula participa da 66ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Buenos Aires.

Sexta-feira (04/07)

  • A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulga o resultado da balança comercial de junho.

Domingo (06/07)

  • Eleição, em 1º turno, para a presidência do PT

Congresso tem três meses para mudar regras eleitorais

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Brasília - 22.05.2023 - Foto da Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. Senado adia discussão do fim da reeleição no Executivo
Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

Se quiser uma eleição com regras diferentes das atuais, o Congresso Nacional vai precisar correr. Isso porque qualquer mudança no regramento eleitoral precisa ser publicada a, no máximo, um ano antes do pleito. É o chamado “princípio da anualidade eleitoral”, que garante a estabilidade das regras. E não são poucas as alterações analisadas no Congresso Nacional. Veja os principais temas em discussão.

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Quarentena para militares (PLP nº 112/21)

Como parte de um longo projeto que consolida um Código Eleitoral (Projeto de Lei Complementar – PLP nº 112/21), o Senado avalia criar uma quarentena a ser cumprida antes da eleição para militares, policiais (militares ou civis), juízes, membros do Ministério Público e das Guardas Municipais que estejam na ativa. Pelo PLP, da forma aprovado na Câmara, os membros dessas carreiras precisam estar afastados do serviço quatro anos antes da candidatura. Na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, onde o tema está em debate atualmente, o texto foi alterado para que esse período seja de dois anos — uma forma de reduzir a resistência ao projeto.

A ideia da regra é coibir o uso político das carreiras de segurança pública e da Justiça. Sem poderem se candidatar, esses servidores teriam menos incentivo para ações controversas com o intuito de obterem visibilidade e mídia. Esse projeto, porém, tem encontrado muita resistência no mundo político. No atual Congresso, pelo menos 45 deputados e 11 senadores declararam provir de uma dessas carreiras. Em sua percepção, a regra seria uma restrição de direitos políticos, o que violaria a Constituição Federal. Além disso, a quarentena poderia fazer com que especialistas em segurança pública e outros profissionais com experiência no serviço público fossem afastados do debate político. Um dos principais opositores ao dispositivo é o senador e ex-juiz Sérgio Moro (União-PR).

Reserva de vagas para mulheres (PLP nº 112/21)

O projeto também altera a legislação eleitoral no caso da paridade de gênero. A principal novidade é a substituição da atual regra de mínimo de candidaturas por uma reserva de vagas (cotas) para mulheres no Legislativo. O texto prevê que, nos próximos 20 anos, 20% das cadeiras da Câmara e do Senado e nos Legislativos estaduais e municipais sejam ocupadas por mulheres. Apesar do percentual ainda baixo, o objetivo é alcançar a paridade de gênero.

O maior impacto da regra seria nas Câmaras Municipais e nas Assembleias Estaduais, muitas totalmente ocupadas por homens. “Todas as políticas públicas que possam nos dar voz são muito importantes. [Com a cota,] o que vai acontecer é que não vão se criar candidatas laranjas”, disse a deputada Renata Abreu, presidente nacional do Podemos.

Gera polêmica, porém, a ideia de que a nova exigência viria não como um acréscimo à anterior, que define um mínimo de candidaturas, mas como uma substituição pelo período de 20 anos. Isso é visto por alguns parlamentares como uma forma de autorizar aos partidos que lancem menos candidatas. Elas destacam que a reserva de candidaturas é a base da regra que define uma separação de recursos para as campanhas políticas de mulheres, o que efetivamente fez aumentar a participação feminina.

Parte das deputadas e senadoras argumenta ainda que a separação de 20% das cadeiras é pequena em comparação com a realidade de outros países que já atingiram a paridade de gênero em seus Parlamentos. O cálculo político também tem gerado apreensão, visto que a criação da cota já foi incluída em outros projetos anteriormente, mas acabou não avançando.

A reforma prevê a obrigatoriedade de os partidos aplicarem 30% dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) em candidaturas femininas. E a proposta mantém a regra que exige que 30% do tempo de propaganda eleitoral seja dedicado à promoção da participação política das mulheres.

Unificação do prazo de inelegibilidade (PLP nº 112/21)

Também chama atenção do mundo político o trecho do projeto de Código Eleitoral que aborda o período de inelegibilidade de condenados pela Justiça. Pelo projeto de lei, em nenhuma hipótese a inelegibilidade passará de oito anos, e o prazo começará a ser contado a partir da publicação da decisão que definiu a inelegibilidade.

Hoje existem duas regras distintas para essa contagem de prazo. Quando se trata de crimes comuns, contra a vida, lavagem de dinheiro, organização criminosa e tráfico de drogas, o prazo conta a partir do fim do cumprimento da pena. Já se o político tiver cometido delitos eleitorais ou improbidade administrativa, a inelegibilidade vale pelo período do cargo ocupado e por mais oito anos após o término do mandato.

Segundo o relator, senador Marcelo Castro (MDB-PI), o resultado dessa falta de unidade na norma pode ter como consequência um período de inelegibilidade muito maior. Se um senador, por exemplo, que tem mandato de oito anos, for declarado inelegível em seu primeiro ano no Senado, terá como resultado uma inelegibilidade de quase 16 anos.

A mudança desses prazos, conta com a oposição da bancada de segurança pública, que quer manter a possibilidade de maior inelegibilidade para autores de crimes violentos.

Inteligência Artificial (PLP nº 112/21)

A crescente presença da Inteligência Artificial (IA) nas campanhas eleitorais leva o Congresso a discutir formas de regulamentar o seu uso, a fim de proteger o processo das próximas eleições. Aliás, o projeto do Novo Código Eleitoral tende a regulamentar todas as novas práticas de engajamento digital. Um exemplo de prática é o chamado “campeonato de cortes”, técnica que utiliza trechos curtos e impactantes de vídeos para gerar compartilhamentos nas redes sociais. Embora inovadoras, essas estratégias podem causar distorções no debate e manipular emoções, exigindo atenção por parte do Legislativo.

Diante disso, parlamentares têm apresentado propostas variadas. A senadora Augusta de Brito (PT-CE) quer restringir o uso de IA na propaganda eleitoral, enquanto a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) defende proibir concursos e sorteios usados para atrair eleitores. Já o senador Rogério Marinho (PL-RN) enfatiza a necessidade de garantir segurança jurídica no direito de resposta e de evitar que mecanismos de controle de desinformação resultem em censura política.

Parlamentares pretendem incorporar resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que estabelecem orientações e proibições para o uso dessa tecnologia por candidatos. Há expectativa de que seja incorporada no projeto do Novo Código Eleitoral a exigência de rotulagem obrigatória de conteúdos manipulados ou gerados por IA, bem como a identificação do uso de robôs em comunicações de campanha. Essas exigências visam garantir transparência e impedir que eleitores sejam enganados por materiais artificiais sem saber sua origem.

Fim da reeleição (PEC nº 12/22)

Em outra frente, o Senado analisa uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para acabar com a possibilidade de reeleição do Executivo. Pelo relatório do senador Marcelo Castro (MDB-PI), a possibilidade de reeleição deixaria de existir a partir de 2034 para os cargos de presidente, governador e prefeito. A partir dessa data, o mandato passaria a ser de cinco anos e a possibilidade de reeleição deixaria de existir.

A PEC propõe a coincidência das datas das eleições gerais (presidente, governadores, deputados e senadores) e municipais (prefeitos e vereadores). A principal vantagem seria a economia de recursos públicos com as campanhas eleitorais. O relator explica que haveria maior estabilidade política e produtividade no Parlamento, que, atualmente, acaba paralisado a cada dois anos.

Na CCJ, o relator alterou o texto no último momento para reduzir de oito para cinco anos o mandato de senadores. A proposta original de Marcelo Castro previa alongar o mandato para dez anos, mantendo a ideia de que seja o dobro do mandato dos deputados. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) apresentou um destaque em que propõe um mandato menor, com cinco anos, o que acabou incluído no relatório. Fora essa mudança, a PEC será alterada para prever que o Senado possa ser renovado de uma só vez, e não em duas rodadas, de 2/3 e 1/3.

Como esse projeto mira o longo prazo e como o direito de reeleição nas próximas eleições não está em risco, não há necessidade de aprovação da PEC até outubro deste ano.

Kajuru: deputados têm bons motivos para aprovarem PEC do fim da reeleição

 

Leitura do relatório da MP que reajusta salário dos militares está prevista para terça (1°)

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Deputado general Pazuello (PL-RJ).
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na próxima terça-feira (1°), a Comissão Mista da Medida Provisória que reajusta o salário dos militares das Forças Armadas (MP 1293/25) realiza a leitura do relatório da matéria. Dentro do prazo regimental, os parlamentares apresentarem 23 emendas ao texto. Cabe ao relator, deputado General Pazuello (PL-RJ), antigo ministro da Saúde no governo Bolsonaro, avaliar se aceita ou rejeita cada uma delas.

Em linhas gerais, a MP propõe um reajuste salarial em duas etapas, sendo a primeira relativa a aumento de 4,5% em abril de 2025, e a segunda, de mesma alíquota, em janeiro de 2026. Segundo o Ministério da Defesa e o Ministério de Planejamento e Orçamento, e estimativa do impacto orçamentário da medida é de R$ 3 bilhões no primeiro ano e de R$ 5,3 bilhões no segundo.

Além disso, a medida abrange 740 mil pessoas, inclusos militares da ativa, da reserva e pensionistas. A justificativa do reajuste, segundo os ministérios citados acima, se deve a necessidade de corrigir os salários de acordo com o aumento da inflação dos últimos anos, como também, valorizar a carreira dos profissionais da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

Emendas apresentadas

Entre as 23 emendas apresentadas, os parlamentares sugeriram inclusão de benefícios tributários para os militares, como também, reajuste dos já vigentes. Há propostas que defendem a isenção do Imposto de Renda de policiais militares e bombeiros militares, além do fim da obrigatoriedade da Declaração Anual.

Por outro lado, há indicações pelo aumento do Adicional de Habilitação, da Gratificação de Localidade Especial e à indenização de transporte de bagagem para militares. Com relação ao adicional de tempo de serviço, há sugestões pelo aumento de 5% do salário a cada cinco anos. Esta medida, segundo as emendas, incentiva a continuidade dos profissionais na carreira militar.

Prazo regimentais e tramitação

Prorrogada, a Medida Provisória encerra o prazo de vigência no dia 8 de agosto. Ou seja, até esta dada, os parlamentares precisam aprovar o texto em Comissão Mista, Plenário da Câmara dos Deputados e, por fim, do Senado Federal. Vale lembrar que, entre 17 de julho e 1º de agosto, ocorre o recesso parlamentar.

Projeto que revisa isenções fiscais volta a andar na Câmara

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Congresso Nacional, Câmara dos Deputados
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Na próxima terça-feira (1º), a Câmara dos Deputados deve pautar a urgência de um projeto que revisa isenções fiscais (PLP 41/2019). A informação constava em pauta prévia de deliberações da próxima semana, a qual a reportagem do Política Brasileira teve acesso, e foi confirmada na noite desta sexta-feira (27). O requerimento a ser discutido foi apresentado na última quinta-feira (26), pelo líder do PP na Casa, deputado Doutor Luizinho (PP-RJ).

O PLP 41/19 voltou às mesas de discussões na esteira das sugestões de cortes em benefícios fiscais. O movimento de votar a urgência de um projeto nesse sentido funciona também como forma de pressionar o governo a apresentar uma alternativa a esse debate.

Nas últimas semanas, entre as negociações por alternativas ao aumento do IOF, o governo defendeu um corte linear de 10% em isenções infraconstitucionais. Entretanto, ainda não apresentou nenhuma proposta para essa medida.

O projeto de lei complementar já em tramitação na Casa, porém, não trata especificamente de cortes em isenções. O PLP define a avaliação periódica dos benefícios fiscais e limita a 5 anos, com possibilidade de renovação, a validade do benefício. Além disso, obriga a publicação de um detalhamento anual dessas isenções, com metas, resultados, investimento, etc.

Se a urgência for aprovada, o projeto pode ser votado diretamente pelo plenário da Câmara.

Entrevista: Presidente do PT avalia que Lula é a única opção do partido para 2026

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Humberto Costa
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O presidente interino do PT, senador Humberto Costa (PT-PE), disse em entrevista exclusiva à Arko, que a única opção do partido para 2026 é lançar o atual presidente Lula (PT) à reeleição.

Veja a entrevista completa:

Pensando em 2026, o presidente Lula (PT) continuará como candidato? Que nomes são considerados para a vice-presidência?

Costumo dizer que o PT não tem plano B. Nosso plano é o plano L: L de Lula. Sobre a vaga de vice, essa é uma discussão para outro momento, outro contexto. Para mim, [Geraldo] Alckmin tem sido um grande vice, um grande aliado, e poderia seguir na vaga. Mas, claro, isso depende ainda de muitas discussões sobre os cenários futuros.

O senhor será candidato à reeleição no Senado? Como enxerga a movimentação da oposição para conquistar a maioria das cadeiras na Casa em 2026?

Sim, serei candidato à reeleição. A oposição joga o jogo dela, mas nós também jogamos o nosso. O PT segue trabalhando para construir um amplo e sustentado leque de alianças com partidos do nosso campo, do centro e da centro-direita que não se alinhem com as nefastas pautas da extrema direita. Temos uma gama de legendas que integram a base do governo e com as quais dialogamos bem. Vejo as conversas como muito promissoras, com perspectivas de bons resultados eleitorais em 2026, seja para a Câmara, seja para o Senado, seja em relação à reeleição do presidente Lula.

Como o senhor avalia seu período à frente do PT e quais as expectativas para a próxima presidência do partido? Quais os nomes favoritos?

Minha missão à frente do PT tem sido a de garantir uma transição tranquila entre a saída da ministra Gleisi [Hoffmann] e a chegada de um novo presidente eleito. Para isso, tenho trabalhado vivamente na condução do nosso Processo de Eleição Direta [PED], que é um expoente da democracia interna do nosso partido. E estamos indo muito bem. Temos quatro candidatos – Edinho Silva, Rui Falcão, Romênio Pereira e Valter Pomar –, cujas agendas têm mais convergências do que divergências. Então, o PT continuará na sua intransigente defesa do governo, dos programas sociais revolucionários que implantou, do meio ambiente, de um desenvolvimento sustentado, com responsabilidade fiscal e compromisso com a economia, mas sem descuidar, jamais, das nossas políticas inclusivas.

Sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): qual a percepção no Congresso em relação às medidas alternativas? Há disposição para cortar subsídios? E quanto às apostas?

Vejo o presidente Lula e, particularmente, o ministro Fernando Haddad [da Fazenda] extremamente empenhados em entregar ao país medidas sérias para cumprirmos todas as nossas metas fiscais. No entanto, parte do Congresso, maquinada por parte de uma elite empresarial tacanha, não trata o tema com a seriedade e o rigor devidos. O Congresso dispõe, atualmente, de R$ 50 bilhões sob o seu controle por meio de emendas parlamentares. Quanto se dispõe a cortar? Nada. E os supersalários? E a taxação dos mais ricos, das grandes fortunas? E a Reforma da Previdência dos militares? E o corte em isenções, subsídios e renúncias fiscais bilionários dados a grandes grupos econômicos? Nada. Quando se fala em corte, é corte no Bolsa Família, no BPC, no Pé-de-Meia, na desvinculação das aposentadorias e pensões. Esse sistema atual perpetua o maior roubo da história, o de tirar dos pobres para dar aos ricos. Somos absolutamente contra esse modelo. O PT seguirá lutando por pautas que tornem o Brasil um país mais justo. E nossas políticas – que têm eliminado a pobreza e tirado milhões da fome, feito a renda do trabalho crescer a níveis históricos e mais elevados que a inflação – são a prova de que estamos no caminho certo. Não cederemos.

O senhor tem uma posição clara sobre a necessidade de limites na atuação das plataformas no país. Quais seriam esses limites e como funcionariam?

Temos projetos de lei tramitando no Congresso Nacional que, se tivessem sido mais debatidos e amadurecidos, poderiam dar boas respostas à questão. Mas a oposição tomou o partido das big techs e impediu o avanço da matéria. Penso que o Supremo está seguindo um bom caminho. Não é possível que corporações se coloquem acima do Estado de Direito, isentas à regulação, sob o falso manto da liberdade de expressão, para seguir ganhando dinheiro indiscriminadamente a partir de discursos de ódio, de fake news e, como temos visto, até de criminosos desafios que levam à morte de crianças e adolescentes. Essa tecnocracia é algo que não podemos admitir no Brasil.

Análise: O simbolismo do vice de Lula em 2026

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Vice de Lula: José Alencar e Geraldo Alckmin
Foto: Reprodução

Principal candidato de uma esquerda vista pelo mercado como mais distante do setor privado, Lula (PT) sempre usou seu candidato a vice-presidente como um sinal aos eleitores – uma espécie de “carta ao povo brasileiro” em carne e osso. Nas eleições de 2022, ele escolheu Geraldo Alckmin (PSB) para vice. O movimento sintetizou a frente ampla que Lula buscava, já que Alckmin foi um tradicional adversário do PT na época em que governou o estado de São Paulo. A dobradinha Lula-Alckmin, guardadas as devidas proporções, foi uma reprodução da aliança entre Lula e o empresário José Alencar nas campanhas vitoriosas de 2002 e 2006.

Para 2026, a vice de Lula não está definida. Embora o mais provável seja a manutenção de Alckmin no posto, ainda haverá um debate interno no governo sobre a questão. O terceiro governo de Lula está mais à esquerda do que nas gestões anteriores. Por isso, como é improvável que ele consiga ampliar o leque de alianças para além de seus tradicionais parceiros – PSB, PCdoB, PSOL, PV, Rede e PDT –, a manutenção de Alckmin como parceiro de chapa ainda não está garantida.

Possibilidades

Um nome que recentemente surgiu como opção seria o do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB). No entanto, tudo indica que Renan deixará o cargo em abril para concorrer novamente ao governo de Alagoas. Com o governador Paulo Dantas (MDB) sem poder disputar um novo mandato e com a possibilidade de o prefeito de Maceió, JHC (PL), concorrer a governador com o apoio do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), Renan Filho deverá concorrer ao governo do estado. Como seu pai, o senador Renan Calheiros (MDB), tentará renovar o mandato em 2026, ele precisa de um nome forte na chapa como candidato a governador. E o único nome com esse perfil é o de Renan Filho.

Apesar da necessidade da família Calheiros de ter Renan Filho concorrendo em Alagoas para manter seu projeto político local, Lula não desistiu totalmente de ter o ministro dos Transportes como vice. Diante das dificuldades encontradas pelo presidente para atrair aliados ao centro, ter Renan Filho como vice poderia abrir a possibilidade de conquista do apoio formal do MDB. Contudo, o mais provável é que o MDB opte pela neutralidade no plano nacional, já que os diretórios das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste pendem para a direita.

Outro nome ventilado para vice é o do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD). Paes, porém, tem pouco a ganhar concorrendo como vice de Lula na atual conjuntura. Além de ter de renunciar ao comando da capital fluminense, poderá ficar sem mandato se o presidente perder a reeleição em 2026. E mais: liderando as pesquisas ao governo do Rio de Janeiro para 2026, tudo indica que Paes deixará a prefeitura para disputar o Palácio Guanabara.

Outro aspecto a ser considerado é que dificilmente o PSD apoiará Lula formalmente. Caso o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concorra à Presidência, o PSD irá apoiá-lo. Caso Tarcísio opte pela reeleição em São Paulo, o PSD já tem dois pré-candidatos ao Palácio do Planalto: o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o do Paraná, Ratinho Jr.

Assim, diante da falta de alternativas, tudo indica que Geraldo Alckmin será mantido como vice de Lula. Isso só não ocorrerá se Alckmin decidir concorrer a governador ou a senador por São Paulo. Se assim for, Lula ficaria com uma chapa ainda mais à esquerda, já que dificilmente conseguiria algum nome fora desse campo. Por tudo isso, a chapa Lula-Alckmin, por ora, deverá ser reeditada.


Alencar e o apoio da indústria

Alckmin e a frente ampla

Em 2002, José Alencar era o presidente da Coteminas. Sua escolha como vice de Lula simbolizou a união entre o capital e o trabalho. Além disso, Alencar era filiado ao PL, um partido de direita, o que marcou uma inflexão de Lula e o PT ao centro, já que até então, os petistas escolhiam opções de esquerda como vices nas eleições presidenciais anteriores. Em 2022, Geraldo Alckmin, embora tenha trocado o PSDB pelo PSB para ser o vice de Lula, ele era um tradicional adversário do PT em São Paulo. Soma-se a isso o fato de Alckmin ter um bom trânsito junto ao empresariado e o mercado. Embora tenha sido uma escolha com um peso simbólico menor que o representado por José Alencar, a presença de Alckmin reforçou a narrativa da frente ampla contra o bolsonarismo.