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Governo aciona STF para validar decreto do IOF e diferencia ação de defesa institucional da ofensiva do PSOL

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Brasília (DF), 25/10/2024 - O advogado-geral da União, Jorge Messias, participa de cerimônia de assinatura do novo acordo de repactuação da reparação dos danos da tragédia de Mariana (MG).
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou nesta terça-feira (1º) uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para restaurar os efeitos do decreto presidencial que aumentava as alíquotas do IOF, derrubado pelo Congresso na semana passada. Segundo o AGU, Jorge Messias, a ação do governo tem objetivo distinto da apresentada pelo PSOL:

“A ação do PSOL busca atacar o Congresso. A ação do governo é em favor do ato adotado pelo presidente da República”, afirmou Messias.

O governo sustenta que o decreto do presidente Lula é constitucional, válido e não poderia ter sido sustado por decreto legislativo, pois não houve exorbitância do poder regulamentar. Para a AGU, a decisão do Congresso viola o princípio da separação de Poderes, e interfere indevidamente nas prerrogativas do Executivo.

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Lula quer preservar atribuições da Presidência

Messias destacou que o presidente Lula não abrirá mão de preservar as atribuições da Presidência da República, e que a medida não configura confronto político, mas sim uma defesa institucional do sistema presidencialista brasileiro.

“O órgão responsável pela solução de conflitos é o STF. Então, que o Supremo possa decidir com tranquilidade sobre a questão”, afirmou o ministro.

A ação do governo foi precedida de estudo técnico e jurídico, solicitado por Lula, e comunicada previamente aos presidentes da Câmara e do Senado. A AGU argumenta ainda que a anulação do decreto do IOF gera insegurança jurídica e pode provocar graves impactos fiscais, já que a arrecadação prevista era essencial para o equilíbrio das contas públicas em 2025.

Já a ação do PSOL, sob relatoria de Alexandre de Moraes, pede que o STF declare a inconstitucionalidade do decreto legislativo que derrubou o aumento do IOF, alegando que o Congresso só poderia sustar atos do Executivo em caso de abuso do poder regulamentar, o que, segundo o partido, não ocorreu.

Ambas as ações serão analisadas pelo STF, que terá de decidir sobre os limites de atuação do Executivo e do Legislativo em matéria tributária e sobre a separação de poderes.

Governo lança programa para reduzir uso de agrotóxicos e ampliar produção sustentável

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Brazlândia (DF) - O paulista João Fukushi aprendeu com o pai os segredos da plantação do morango e se aventurou no Centro-Oeste a produzir a fruta. agricultura, plantação, morango, produção sustentável, familiar
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O governo federal instituiu, por meio de decreto presidencial, o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), como parte da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO). O texto foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (1).

A iniciativa tem como objetivo principal promover ações coordenadas para reduzir o uso de agrotóxicos no país, especialmente os considerados altamente perigosos ao meio ambiente e à saúde humana.

Entre as diretrizes do programa estão o incentivo à redução e ao uso racional de agrotóxicos, a promoção de sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis, além da valorização da soberania e segurança alimentar. O Pronara também pretende fortalecer a vigilância em saúde e garantir o direito da população a um meio ambiente equilibrado e a uma alimentação adequada.

Metas incluem pesquisa, inovação e qualificação de profissionais

O programa estabelece metas, como a ampliação do uso de bioinsumos, o fortalecimento da fiscalização e do controle intersetorial de agrotóxicos, além da disseminação de informações sobre os riscos associados a essas substâncias. Também estão previstas ações educativas voltadas a trabalhadores rurais e populações expostas, bem como a qualificação de profissionais do setor agropecuário.

Outro ponto relevante do Pronara é o fomento à pesquisa e inovação em tecnologias agroecológicas e orgânicas.

Haddad inicia agenda internacional com reuniões no Mercosul e BRICS

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, inicia nesta terça-feira (1º) uma semana de intensa agenda internacional, marcada por reuniões com ministros da Economia da Argentina, da Rússia e da China, além de encontros com representantes do Egito e dos Emirados Árabes Unidos.

Haddad embarca para Buenos Aires às 14h, integrando a comitiva do presidente Lula para a cúpula do Mercosul. Na quarta-feira (2), participa de encontro com ministros de Economia e presidentes de bancos centrais do bloco, em um momento decisivo para as negociações do acordo Mercosul-União Europeia e para a transição da presidência rotativa do bloco, que passa da Argentina para o Brasil até 31 de dezembro.

Ainda na quarta-feira, Haddad realiza reunião bilateral com o ministro da Economia argentino, Luis Caputo, para discutir temas políticos e econômicos de interesse dos dois países.

BRICS, NDB e COP30 em pauta no Rio

Na tarde de quarta-feira, Haddad segue para o Rio de Janeiro, onde participa de uma série de compromissos ligados ao BRICS. Na quinta-feira (3), estão previstas reuniões bilaterais com o ministro das Finanças da China, Lan Fo’an, e com o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov. Entre os principais temas estão as políticas do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) — o Banco dos BRICS — e a preparação para a Conferência do Clima da ONU (COP30), que será realizada em novembro, em Belém.

Na sexta-feira (4), Haddad participa de seminário do NDB e de almoço com representantes dos países governadores do banco. No sábado (5), o ministro se reúne com os ministros das Finanças do Egito e dos Emirados Árabes Unidos, com foco na ampliação das relações comerciais do Brasil com esses países.

No domingo (6) e na segunda-feira (7), Haddad integra a comitiva oficial do presidente Lula na Cúpula de Líderes do BRICS, encerrando a agenda internacional antes de retornar a Brasília na terça-feira (8).

Análise: O avanço epidêmico das emendas impositivas

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Brasília - 22.05.2023 - Foto da Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. Senado adia discussão do fim da reeleição no Executivo
Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

A introdução das emendas impositivas no orçamento da União é, sem dúvida, um dos principais fatores por trás do “parlamentarismo informal” em vigor no Brasil. Já se tornou lugar-comum afirmar que o domínio crescente do orçamento pelo Legislativo conferiu maior independência aos parlamentares, enfraqueceu o conceito tradicional de base aliada e comprometeu as condições de governabilidade, independentemente do presidente em exercício. Tampouco é necessário relembrar as mudanças legais que permitiram essa transformação.

Neste ano, o orçamento da União reservou R$ 50 bilhões para indicações dos congressistas, distribuídos em três tipos de emendas parlamentar: individual, de bancada estadual e de comissão. Trata-se de um montante superior às receitas de vários estados, a ser gasto sob elevada desconfiança da opinião pública. As críticas a esse mecanismo são múltiplas. Destacam-se entre elas a ineficiência na aplicação dos recursos, a ausência de transparência, a desvinculação das emendas de projetos estruturantes, a pulverização dos investimentos e o enfraquecimento da capacidade de planejamento estatal. Órgãos de controle e fiscalização têm identificado irregularidades em sua execução, e o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa atualmente a constitucionalidade desse modelo de distribuição de recursos públicos.

Além dos impactos no plano federal, esse arranjo tem provocado distorções também nos níveis estadual e municipal. A prática de tornar obrigatória a execução das emendas parlamentares orçamentárias tem sido adotada por diversos governos estaduais e prefeituras, gerando resistência por parte dos chefes do Executivo. Um relatório da Transparência Internacional divulgado no ano passado indicava que 23 das 27 unidades federativas já incluíram emendas impositivas em seus orçamentos, com tendência de ampliação dos recursos alocados a essa finalidade.

Na semana passada, em audiência pública no STF conduzida pelo ministro Flávio Dino, que discute a legalidade das emendas impositivas, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), expressou a insatisfação dos gestores estaduais com esse mecanismo. Em nome do Fórum de Governadores, ele afirmou que as emendas ferem o princípio constitucional da eficiência administrativa e servem majoritariamente a interesses eleitorais.

A declaração de Mendes chamou atenção de observadores políticos, já que, ao ser filiado ao União Brasil, uma das siglas do chamado Centrão, destoou da posição de seus correligionários, que defendem abertamente esse tipo de emenda, tendo nelas um dos eixos centrais de sua atuação parlamentar. O fortalecimento das emendas impositivas, aliás, foi determinante para o bom desempenho eleitoral dos partidos do Centrão nas últimas eleições municipais.

No âmbito municipal, ainda não há dados consolidados sobre a presença de emendas impositivas nos orçamentos das mais de 5 mil cidades brasileiras. Contudo, sabe-se que esse movimento já alcança várias capitais. Em São Paulo, recentemente causou repercussão a tentativa da Câmara Municipal de aprovar a obrigatoriedade da execução das emendas dos vereadores, bem como a reação contrária do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A capital paulista, dona do terceiro maior orçamento do país, até agora manteve a prerrogativa do Executivo quanto à execução dessas emendas. Especialistas em finanças públicas temem que a prática se espalhe para municípios menores, cujos orçamentos fragilizados já dificultam a manutenção de serviços básicos. No entanto, como essa tendência reflete a busca por simetria com as esferas superiores, dificilmente será contida. A expectativa é que o STF intervenha para corrigir as distorções, já que não há sinais de que o Legislativo tomará essa iniciativa.

Ministério do Trabalho convoca II Conferência Nacional do Trabalho para março de 2026

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Brasília (DF), 11/10/2023, Prédio do Ministério do Trabalho e Emprego e também do ministério da Previdência Social, na Esplanada dos MInistérios em Brasília.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou a Portaria nº 1.110, convocando a II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT). O evento, de caráter tripartite e paritário, conforme recomendações da Organização Internacional do Trabalho (OIT), acontecerá em março de 2026, em São Paulo, com o objetivo de debater e formular políticas públicas para a promoção do emprego e do trabalho decente diante das transformações tecnológicas, digitais, ambientais e demográficas.

A II CNT será coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, hoje comandado pelo ministro Luiz Marinho, e contará com etapas preparatórias estaduais e distrital, que poderão ser realizadas já a partir da publicação da portaria. As etapas locais serão organizadas pelos superintendentes regionais do trabalho, em parceria com as secretarias estaduais do trabalho ou órgãos equivalentes.

Eixos temáticos e organização

A conferência terá dois grandes eixos temáticos:

  1. Transformações do mundo do trabalho diante das transições tecnológica, digital, ecológica/ambiental e demográfica

  2. Políticas públicas para a promoção do emprego e trabalho decente e da transição justa

O ministro designará uma Comissão Organizadora Nacional (CON), composta de forma paritária por representantes do governo, trabalhadores e empregadores, cada bancada com seis titulares e suplentes. A CON será responsável por elaborar o regimento interno, organizar, acompanhar e avaliar todo o processo da II CNT.

Para garantir o apoio técnico e operacional, o secretário-executivo do Ministério do Trabalho designará servidores para uma Comissão Executiva Nacional (CEN), que também contará com representação das entidades de trabalhadores e empregadores.

A realização do evento contará com recursos orçamentários do Ministério do Trabalho e Emprego, além de parcerias e patrocínios. Os resultados e propostas aprovados na II CNT serão amplamente divulgados pelo ministério.

Moraes será o relator de ação do PSOL contra derrubada do decreto do IOF

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Brasília (DF), 10/06/2025 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes começa a ouvir os réus do núcleo 1 na ação da trama golpista, os interrogatórios ocorrerão presencialmente na sala de julgamentos da primeira turma da corte
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes será o relator da ação (ADI 7839) do PSOL no STF para reverter a derrubada pelo Congresso Nacional do decreto do governo Lula que elevava as alíquotas do Imposto sobe Operações Financeiras (IOF).

A redistribuição da relatoria foi determinada pelo presidente do STF, Luís Roberto Barroso, após o ministro Gilmar Mendes — sorteado inicialmente — apontar conexão direta entre essa ação e outra já sob relatoria de Moraes, movida pelo PL, que questiona a constitucionalidade dos decretos do Executivo sobre o IOF.

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Um trecho do documento assinado por Barroso diz que “os Decretos presidenciais sustados pelo Decreto Legislativo ora impugnado foram questionados em ação direta de inconstitucionalidade distribuída a Sua Excelência, sendo certo que existe um ‘mesmo complexo fático e normativo'”.

Partido solicita inconstitucionalidade

Na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), com medida cautelar, o partido solicita que seja declarada a inconstitucionalidade do Decreto Legislativo nº 176/2025, alegando desconformidade com a Constituição Federal, “uma vez que sustou os efeitos do Decreto nº 12.499/2025 sem que houvesse qualquer exorbitância do poder regulamentar por parte do Chefe do Poder Executivo”.

Ou seja, para o PSOL, ao derrubar o decreto sem comprovar abuso, o Congresso teria extrapolado sua competência e violado o princípio da separação dos Poderes.

A defesa do PSOL pediu ainda que a ação seja distribuída por prevenção ao ministro Alexandre de Moraes, que é relator de uma outra ação do Partido Liberal (PL) que pedia a derrubada do decreto do IOF.

Novo Plano Safra destina R$ 78,2 bilhões ao Pronaf e mantém juros em 3%

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Plano Safra 25/26.
Foto: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar

Nesta segunda-feira (30), o governo federal lançou o Plano Safra da Agricultura Familiar para 2025 e 2026. Dos R$ 89 bilhões totais, R$ 78,2 bilhões são do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Esse valor corresponde a um aumento de 2,89% comparado aos recursos do plano anterior.

A taxa de juros está mantida em 3% para o financiamento do Pronaf Custeio, ou seja, para a produção de alimentos da cesta básica, sendo de 2% para cultivos orgânicos ou agroecológicos. A taxa também permanece em 3% para o Pronaf Investimento nas linhas de crédito: Floresta, Jovem, Agroecologia, Bioeconomia, Convivência com o Semiárido e Crédito Produtivo Orientado.

Programa Valores
PRONAF
R$ 78,2 bilhões
GARANTIA-SAFRA: R$ 1,1 bilhão
PROAGRO MAIS:
R$ 5,7 bilhões
COMPRAS PÚBLICAS:
R$ 3,7 bilhões
ATER:
R$ 240 milhões
PGPM-BIO:
R$ 42,2 milhões
Total: R$ 89 bilhões
Fonte: Dados do Planalto.

Novos programas e incentivos para sustentabilidade

O governo também lançou um novo programa que pretende reduzir o uso de agrotóxicos e ampliar a produção sustentável na agricultura familiar. Segundo o Planalto, há uma articulação de iniciativas envolvendo a Presidência da República e os ministérios da Agricultura, da Saúde, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento e Assistência Social.

Além disso, outros programas novos integram o Plano. O SocioBio Mais garante o pagamento fixo para três produtos: babaçu, pirarucu e borracha. Por outro lado, o Programa Nacional de Irrigação Sustentável promove irrigação eficiente e energia limpa aos agricultores. Por fim, o Programa de Transferência de Embriões estimula inovação na cadeia leiteira e busca qualidade genética, maior produtividade e aumento na geração de renda.

O lançamento do Plano ocorreu no Planalto e contou com a presença do Presidente da República, Lula (PT), e ministros do governo. Compareceram o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT), da Fazenda, Fernando Haddad (PT), da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede), como também, o vice-presidente, Geraldo Alckimin (PSB).

Análise: Manifestação pró-anistia

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Jair Bolsonaro
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Organizado pelo pastor Silas Malafaia sob o slogan “Justiça Já”, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) participou, na tarde de domingo (29), de um novo ato político em favor da anistia para os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. A manifestação, realizada na Avenida Paulista, foi marcada por críticas ao governo do presidente Lula (PT) tendo como alvos o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e as denúncias de fraude no INSS.

Além de Jair Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, estiveram presentes os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Cláudio Castro (PL-RJ) e Jorginho Mello (PL-SC), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e deputados e senadores do PL.

O público presente foi tímido, o que indica uma perda de fôlego da repetitiva narrativa contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Nos últimos atos promovidos pelo entorno de Bolsonaro, a adesão popular tem sido cada vez menor.

A redução do público também tem relação com o agravamento da situação jurídica de Jair Bolsonaro. Mesmo entre os fiéis apoiadores, aumenta o sentimento de que ele dificilmente conseguirá tornar-se candidato à Presidência em 2026.

Como consequência, deve crescer nos bastidores a pressão para que Bolsonaro decida, ainda este ano, que candidato apoiará ao Palácio do Planalto. No entanto, a tendência é que, mesmo mais desgastado, ele postergue a decisão para o ano que vem.

A escolha da capital paulista para sediar a manifestação não foi casual. Além de ser um dos principais redutos antipetistas do país – desde 1989, só em 2002 o PT venceu a eleição presidencial no estado –, São Paulo é o maior colégio eleitoral do Brasil e o grande reduto do establishment econômico, que vem adotando, desde o final do ano passado, uma  postura mais antagônica ao presidente Lula.

Além disso, o estado é governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que desponta como o presidenciável com maior capacidade de atrair, ao mesmo tempo, os eleitores bolsonaristas, setores estratégicos do Centrão, o PSD e o apoio de parcela expressiva do PIB nacional.

Tarcísio continuará dizendo, porém, que é candidato à reeleição em São Paulo, enquanto aguarda os movimentos de Bolsonaro. Em seu discurso, Tarcísio defendeu o ex-presidente, pediu a pacificação, poupou o STF de ataques e dirigiu suas críticas ao PT e ao governo Lula.

Mesmo inelegível e cada vez mais desgastado, Jair Bolsonaro será um cabo eleitoral estratégico para o pleito de 2026, já que seu apoio é fundamental para a direita definir seu futuro. Pelo seu lado, a direita, além do desafio de conseguir unidade, necessita construir uma agenda que supere os limites da pauta bolsonarista raiz.

Governo regulamenta porte de arma para guardas municipais

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guarda municipal
Foto: Arquivo/Agência Brasil

Uma nova Instrução Normativa da Polícia Federal (PF) estabelece regras detalhadas para a concessão do porte de arma de fogo funcional aos guardas municipais em todo o país. O porte será permitido tanto durante o serviço quanto fora dele, mas limitado ao território do estado em que o município está localizado. A autorização terá validade de dez anos, condicionada à vigência de um Termo de Adesão e Compromisso (TAD) entre a prefeitura e a Polícia Federal. A normativa foi publicada nesta segunda-feira (30) no Diário Oficial da União (DOU).

A medida visa padronizar os critérios para que integrantes das guardas municipais possam portar armas, aumentando o controle e a segurança institucional. Para aderir ao TAD, o prefeito deve encaminhar ofício à Superintendência Regional da Polícia Federal, manifestando formalmente o interesse e informando os dados de uma testemunha. A adesão está condicionada ao cumprimento de diversos requisitos legais, como a existência de corregedoria e ouvidoria independentes, limite de efetivo conforme a legislação, e infraestrutura adequada para o armazenamento e controle de armas.

No documento também é exigido que psicólogos e instrutores de tiro envolvidos nas avaliações estejam devidamente credenciados pela Polícia Federal, além da apresentação de normas municipais sobre o uso de armas, inclusive fora do serviço, e da indicação de um coordenador pedagógico responsável pela formação dos guardas.

Exigências para porte e fiscalização

Após a formalização do termo, o dirigente da guarda municipal poderá solicitar os portes individuais. Os guardas interessados devem apresentar documentos como certidões negativas de antecedentes criminais, declarações de que não respondem a processos, certificados de formação profissional e laudos de aptidão psicológica e técnica, com validade máxima de um ano. A Polícia Federal fará a verificação das informações, podendo realizar fiscalizações presenciais ou virtuais, inclusive antes da assinatura do TAD.

Caso haja descumprimento das normas, o porte pode ser suspenso ou cancelado. A própria guarda municipal pode suspender a autorização de seus membros, com comunicação obrigatória à Polícia Federal. Também está prevista a possibilidade de recolhimento de armas particulares em casos de impedimento legal.

Qualificação e renovação

Outro ponto importante da regulamentação é a exigência do Estágio de Qualificação Profissional (EQP), que deverá ser realizado anualmente pelos guardas armados. O curso deve ter carga mínima de 80 horas, com predominância de atividades práticas. A não realização ou reprovação no EQP acarreta o cancelamento do porte, salvo em casos excepcionais e devidamente justificados.

A Polícia Federal reforça que, durante a vigência do TAD, todos os dados dos guardas com porte autorizado serão registrados no Sistema Nacional de Armas (SINARM), e que a fiscalização continuará constante, podendo resultar em sanções imediatas em caso de descumprimento.

Licenciamento: Câmara tende a manter novas regras para projetos estratégicos, diz relator

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Dep. Zé Vitor (PL-MG).
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Com expectativa de votação antes do recesso parlamentar, as alterações do Senado no PL do Licenciamento Ambiental (PL nº 2.159/21) foram bem avaliadas pelo relator na Câmara, Zé Vitor (PL-MG). Em entrevista à Arko Advice, o deputado considerou como positiva a criação de um processo licenciatório resumido para projetos considerados estratégicos – inclusão feita por sugestão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Pela proposta, seria criada a figura da Licença Ambiental Especial (LAE), o que, segundo o senador, permitiria superar a lentidão e a burocracia do processo atual, descritas como entraves ao desenvolvimento econômico e à atração de investimentos. Alcolumbre é um dos principais defensores da exploração de petróleo na Margem Equatorial, na foz do Rio Amazonas. Ele pressiona o Ibama a liberar o licenciamento da perfuração, mas o órgão tem resistido, apresentando questionamentos e exigindo estudos de impacto. O Amapá, estado do senador, seria o principal beneficiário dos royalties do petróleo, em caso de exploração do bem mineral.

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Por outro lado, a inclusão da mineração de grande porte ou de alto risco nas novas regras de licenciamento pode enfrentar dificuldades. Na primeira fase de tramitação do projeto, a Câmara havia aprovado a exclusão desses empreendimentos das novas regras.

Na entrevista, Zé Vitor ainda criticou a tentativa do governo de adiar a discussão na Câmara. “Esse assunto não interessa só aos ruralistas, interessa ao Brasil. Frequentemente, há uma tentativa de colocar ruralistas contra ambientalistas, o que acaba danificando o debate”, avaliou.

Veja a entrevista completa:


Qual a importância da aprovação das novas regras de licenciamento ambiental?

Esse assunto não interessa só aos ruralistas, interessa ao Brasil. Frequentemente, há uma tentativa de colocar ruralistas contra ambientalistas, o que acaba danificando o debate. O licenciamento não é para desmatar. Pelo contrário, o que nós estamos propondo é que a pena seja dobrada para aqueles que causam algum tipo de degradação ou poluição ambiental. O empreendedor passa a ter um papel de ainda mais vigilância, porque, em alguns casos, é ele que assume o compromisso. Se não cumprir as normas, será punido duplamente.

A gente entende que o processo de licenciamento ambiental hoje é burocrático e incerto, sobretudo porque não tem regras nem prazos claros. Independentemente se o licenciamento for liberado ou não, mas ele precisa ser analisado. Buscamos racionalizar o processo, não flexibilizar. Hoje a regra permite que, subjetivamente, estratégias sejam utilizadas para, conforme a ideologia e não a técnica, impedir que um empreendimento se instale e opere. Esse debate tem mais de 20 anos no Congresso. Eu vejo que está maduro o suficiente para poder ser discutido e levado ao plenário.

A ministra Marina Silva (Rede) pediu mais tempo para analisar o projeto. Como deve ser a tramitação?

Marina está procurando secretários de Estado, entidades e ONGs para fazer um movimento contrário. Percebo que ela não quer discutir o projeto, não quer votar. E o Congresso não pode pactuar com isso. Temos legitimidade e responsabilidade para decidir. O projeto deve estar pronto para votação em três semanas. A partir daí, sua votação, ou não, dependerá de uma decisão política do presidente da Câmara e dos líderes. Nesse prazo, temos condição de ter um grande debate, tirar todas as dúvidas, até porque esse texto já passou pela Câmara. Agora é simplesmente uma avaliação do que mudou. Faremos um seminário no dia 8 de julho com a participação de várias entidades e de ministérios. Simultaneamente, faremos uma sequência de reuniões, com secretários estaduais, com entidades. Ninguém deixará de ser ouvido, mas o debate tem de ter objetividade, não pode ser simplesmente para ganhar tempo. Essa estratégia não é aceitável.

Qual a sua avaliação sobre as mudanças promovidas pelo Senado, particularmente para a simplificação do processo para projetos estratégicos, com a Licença Ambiental Especial (LAE)?

O meu sentimento inicial é de que o texto do Senado, com a relatoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS), aprimorou o que fizemos na Câmara. Há uma tendência de seguir naquela linha, com alguns temas necessitando de aprofundamento, como a mineração. [O Senado incluiu a mineração de grande porte ou de alto risco nas novas regras de licenciamento.] Como no texto da Câmara não havia essa previsão, precisamos ter um entendimento melhor sobre o tema para analisar.

Eu tenho simpatia pelo tema da LAE, porque há necessidade de definição de projetos prioritários para análise. Não significa que esses projetos não vão seguir regras ou que vão atropelar a legislação. Mas eles devem ter um rito especial, conforme o porte e o potencial poluidor. Então, aqueles de maior porte e com maior potencial poluidor, obviamente não se enquadram em regimes simplificados. Eles têm que cumprir as etapas rigorosamente, sem pular nenhuma delas. Mas aqueles que têm um impacto já conhecido, que contam com tecnologias conhecidas, que são estratégicos, desde que aprovados por um conselho estratégico de governo, eu acho que eles podem, sim, ter um regime diferenciado de tramitação.

O Senado também aprovou uma emenda que dispensa de licenciamento as obras de saneamento até que as metas de universalização de cobertura sejam atingidas. Isso deve ser mantido?

Há, sim, uma tendência de que seja mantido. É preciso, inclusive, detalhar o que é saneamento, porque o saneamento não é apenas água e esgoto. Há uma discussão sobre se, com o marco legal do saneamento, os resíduos também estariam incluídos. Há uma pressão enorme para se dar fim aos lixões. Mas hoje temos dificuldade de garantir isso, não só pela falta de recursos, como também pela morosidade nos licenciamentos. Esse tipo de empreendimento, ou seja, alguns deles têm possibilidade de ter um rito simplificado, considerando que a tecnologia avançou muito, as técnicas e as boas práticas estão muito mais disseminadas, os impactos já são mais conhecidos, as mitigações e compensações também são possíveis. Obviamente que em áreas prioritárias para preservação ou que têm algum valor ecológico maior, não pode haver autorização simplificada. Mas, se for numa área já consolidada, não vejo dificuldade de o saneamento ter esse rito diferenciado também. Investimentos em saneamento são positivos para o meio ambiente.