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AGU avalia processar Eduardo Bolsonaro por tarifaço de Trump

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Brasília (DF), 01/07/2025 - o ministro da AGU, Jorge Messias, informou que a ação declaratória de constitucionalidade foi apresentada após solicitação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com base em estudo técnico e jurídico solicitado ao órgão na semana passada.
Foto: José Cruz/Agência Brasil

O advogado-geral da União, Jorge Messias, declarou nesta quarta-feira (16), em entrevista à CNN, que estuda responsabilizar judicialmente o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelos prejuízos econômicos decorrentes da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Messias afirmou que “nada pode ser descartado”, e que Eduardo poderá responder inclusive por dano moral coletivo, caso fique comprovado que suas ações contribuíram diretamente para a imposição das sanções contra o país.

Segundo Messias, Eduardo Bolsonaro foi à Casa Branca “conspirar contra o seu país para livrar o pai da cadeia”, ignorando os impactos sobre empregos, empresas e interesses nacionais. O advogado-geral definiu o episódio como “guerra comercial contra o próprio país”, classificando como lamentável a postura de um parlamentar atuando no exterior em prejuízo do Brasil.

Ações judiciais

Messias enfatizou que a AGU avalia sanções que vão além da esfera criminal e alerta que qualquer dano econômico causado pelas tarifas — prejuízos às empresas nacionais e perda de empregos — pode resultar em ações judiciais contra Eduardo e eventuais colaboradores. A Procuradoria-Geral da República já conduz um inquérito para apurar a atuação do deputado nos Estados Unidos.

Para Messias, qualquer centavo adicional pago pelo setor produtivo ou emprego perdido “tem que ser cobrado dele”, indicando medidas futuras de responsabilização judicial.

“Nada pode ser descartado. Se estiver configurado a participação direta, como parece estar, dele estar causando danos potenciais ao país, ele pode ser processado inclusive com pedido de dano moral coletivo, contra ele e contra todas as pessoas que estiverem atentando contra o país”, afirmou Messias.

Deputado licenciado está nos Estados Unidos

Morando nos Estados Unidos desde o início do ano, após se licenciar do mandato na Câmara, Eduardo Bolsonaro busca alianças políticas com o presidente Donald Trump, defendendo interesses que, em suas próprias declarações, são ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai. Segundo membros do governo, parte dessas estratégias envolveu lobby por sanções, e críticas contra autoridades do Judiciário brasileiro.

Em resposta, Eduardo Bolsonaro rejeita ligação com o tarifaço, argumentando que a decisão de Trump é reação ao governo Lula, não à sua atuação. Porém, na semana passada, Trump mencionou o processo contra Jair Bolsonaro entre as justificativas para a nova tarifa.

Eduardo também vem declarando que as tarifas norte-americanas são “consequência” das ações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)

Crítica à Tarcísio de Freitas

O advogado-geral da União também criticou a estratégia do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de buscar por conta própria uma solução junto à embaixada norte-americana para minimizar os impactos das tarifas. Messias qualificou a tentativa de diplomacia subnacional como ineficaz e perigosa, afirmando que a responsabilidade constitucional para negociar cabe ao governo federal.

“Acredito que [Tarcísio] esteja bem intencionado. Mas a verdade é que o método que ele está utilizando, de procurar uma diplomacia subnacional, além de ineficaz, é perigoso porque confunde a opinião pública e os esforços que devem ser dirigidos nesse momento por todos os representantes do Estado”, afirmou.

Messias alertou Tarcídio de que, embora sua colaboração seja bem-vinda, o canal correto é com o presidente Lula ou o vice-presidente Geraldo Alckmin — os únicos com competência constitucional para tratar do tema em nome do país.

“Tarcísio tem direito de defender os interesses paulistas. Ele foi eleito para isso. Mas acredito que ele está batendo na porta errada. Ele precisa bater na porta do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin, que são as pessoas que têm a competência constitucional para tratar dessa questão. Ele pode colaborar, é bem-vindo que colabore”, pontuou.

Haddad espera decisão rápida do STF sobre aumento do IOF

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Fernando Haddad
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Em afirmação feita nessa terça-feira (15), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT),  espera, ainda esta semana, uma decisão rápida do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao impasse entre o Governo Federal e o Legislativo a respeito das medidas que aumentavam alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que realizou audiência nesta semana, mas não obteve consenso entre as partes.

Haddad destacou que 90% do decreto do governo que previa o aumento do IOF é considerado incontroverso. O principal ponto de divergência envolve as operações de risco sacado — modalidade em que o fornecedor recebe do banco o valor a ser pago pelo comprador. Segundo Haddad, esse segmento representa 10% do volume estimado de arrecadação adicional, projetada em R$ 12 bilhões para reforçar o caixa e atender às metas do arcabouço fiscal.

Questão do risco sacado

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, relator do caso, promoveu ontem uma audiência sobre os decretos do IOF; No entanto, não houve acordo. Segundo o ministro da Fazenda, a questão pendente envolve as operações de risco sacado, quando o fornecedor recebe do banco o valor que deveria receber do comprador.

De acordo com o ministro, Moraes está seguindo todo o rito, tendo conversado com ele e os presidentes da Câmara e do Senado: “Ele está bem apropriado da situação, tirou todas as dúvidas a respeito, tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista jurídico, formal”, disse Haddad.

O ministro defendeu que o risco sacado deve ser tributado como qualquer outra operação de crédito. Ele ressaltou que, ao isentar apenas as grandes empresas dessa cobrança, cria-se uma situação desigual, já que as pequenas continuam pagando o tributo sobre a mesma operação. De acordo com Haddad, garantir a igualdade tributária é fundamental para a justiça fiscal.

Tramitação do IOF

Com o objetivo de reforçar as receitas do governo e atender às metas do arcabouço fiscal, o Ministério da Fazenda elaborou, em maio, um decreto que aumentou o IOF para operações de crédito, seguros e de câmbio. A estimativa era de um aumento de arrecadação de R$ 12 bilhões.

Em junho, a maioria dos parlamentares não concordou com a elevação das alíquotas e derrubou o decreto presidencial.

Em resposta, a Advocacia-Geral da União (AGU) ingressou com uma ação declaratória de constitucionalidade no STF, levando o tema ao Judiciário. Desde então, os decretos sobre a cobrança do imposto estão suspensos por decisão de Alexandre de Moraes.

Governo envia carta aos EUA manifestando indignação sobre tarifaço

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Brasília (DF), 10/04/2023 - Fachada do ministério de Relações Exteriores. Itamaraty
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) enviaram, na terça-feira (15), uma carta ao governo dos Estados Unidos manifestando “indignação” com a imposição de tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelo país a partir de 1º de agosto. O documento, assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo chanceler Mauro Vieira, foi endereçado ao secretário de Comércio norte-americano, Howard Lutnick, e ao representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.

“O governo brasileiro manifesta sua indignação com o anúncio, feito em 9 de julho, da imposição de tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, a partir de 1° de agosto”, inicia a carta.

Impactos negativos

Na carta, o governo brasileiro alerta que as tarifas terão impacto “muito negativo em setores importantes de ambas as economias”, colocando em risco a histórica parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos.

“Nos dois séculos de relacionamento bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos, o comércio provou ser um dos alicerces mais importantes da cooperação e da prosperidade entre as duas maiores economias das Américas”, ressalta o texto.

Busca por diálogo

O Brasil reiterou o compromisso com o diálogo e lembrou que o país mantém grandes déficits comerciais com os EUA — cerca de US$ 410 bilhões em bens e serviços nos últimos 15 anos, segundo dados oficiais americanos. As autoridades brasileiras destacaram que, em diversas ocasiões, solicitaram que os EUA apresentassem suas preocupações específicas para avançar nas negociações, buscando solucionar pontos sensíveis do comércio bilateral.

Minuta confidencial

A carta também cita o envio de uma minuta confidencial de proposta, encaminhada pelo governo brasileiro aos EUA em 16 de maio de 2025, detalhando áreas de negociação para um possível acordo mútuo. Até o momento, os Estados Unidos não responderam à sugestão. O Brasil reforçou, no documento, seu interesse em receber retorno “à luz da urgência do tema” e reiterou plena disposição para dialogar e buscar uma solução negociada para a crise comercial.

“O Brasil permanece pronto para dialogar com as autoridades americanas e negociar uma solução mutuamente aceitável sobre os aspectos comerciais da agenda bilateral, com o objetivo de preservar e aprofundar o relacionamento histórico entre os dois países e mitigar os impactos negativos da elevação de tarifas em nosso comércio bilateral”, encerra a carta.

TCU fará dois painéis sobre concessões, um deles é sobre o Tecon-10, em Santos

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porto, exportação, importação
Foto: Divulgação/Porto de Santos

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai realizar no fim deste mês dois painéis de referência sobre concessões no setor de infraestrutura. No dia 31, o foco será o terminal de contêineres (Tecon-10) do porto de Santos (SP), entre 13h30 e 18h. O leilão desse terminal está programado para este semestre e o tribunal dará a palavra final sobre como será o certame.

Na quarta-feira (9), após participar de evento em Brasília, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, defendeu o modelo de licitação proposto para o Tecon-10. Ele reagiu às críticas de parte do mercado, afirmando que há um debate enviesado sobre o assunto.

O modelo do certame, proposto pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), prevê que a disputa seja realizada em duas fases. Na primeira, armadores que já possuem terminal em operação no porto de Santos não poderiam participar, regra geradora das críticas.

O primeiro dos dois painéis previstos ocorrerá no próximo dia 29. O TCU vai apresentar as negociações referentes ao contrato da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e da Estrada de Ferro Carajás (EFC), exploradas pela Vale. O evento ocorrerá entre 8h30 e 18h. As negociações vêm sendo conduzidas desde abril no âmbito da SecexConsenso, câmara de solução consensual do TCU.

Novas qualificações

A Infra S.A, estatal vinculada ao Ministério dos Transportes, deverá apresentar à pasta, em até 60 dias, proposta para que o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) qualifique pátios ferroviários, terminais logísticos e demais instalações de armazenagem e movimentação de produtos que se encontram sob sua administração.

Portaria publicada na edição do Diário Oficial da segunda-feira passada (7) institui as diretrizes referentes à gestão e exploração desses empreendimentos administrados pela Infra. Após qualificação no PPI, a empresa terá de enviar ao ministério estudos técnicos de modelagem da licitação para a transferência desses ativos ao setor privado.

De acordo com a portaria, contratos geridos pela estatal poderão ser prorrogados, desde que assegurada sua vantajosidade para a empresa. Caso a nova licitação ou a prorrogação não tenha se efetivado em até um ano antes do término da vigência do contrato original em vigor, a portaria recomenda que a Infra realize a prorrogação por dois anos para evitar descontinuidade na prestação do serviço.

Alckmin destaca esforço do governo para reverter tarifas antes de 1° de agosto

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Geraldo Alckmin
Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), conduziu encontros ao lado de ministros e secretários, buscando entender o panorama e buscar uma solução sobre os impactos da decisão do presidente estadunidense Donald Trump em aumentar em 50% as tarifas de importação para produtos brasileiros. As reuniões, realizadas nesta terça-feira (15), contaram com a presença de empresários dos setores industrial e agropecuário. A produção industrial e agropecuária já registram uma série de prejuízos. Ainda assim, empresários demonstraram confiança nas negociações conduzidas pelo governo, e defenderam um pedido para a não-adoção de medidas de retaliação.

Alckmin destacou que o governo pretende alcançar um acordo antes que o tarifaço se concretize, previsto para iniciar no próximo dia 1º de agosto.

“A reunião [com o setor produtivo] foi muito proveitosa. Ouvimos todos os setores com maior fluxo de comércio com os Estados Unidos — desde aviação, aço, alumínio, máquinas, têxteis, calçados, papel e celulose. O que vimos foi um alinhamento em torno da negociação. Eu trouxe a mensagem do presidente Lula de empenho para rever esta situação”, afirmou o vice-presidente.

Segundo o vice-presidente, o setor produtivo se comprometeu a negociar o prejuízo bilateral causado pelas tarifas com seus parceiros nos Estados Unidos, como compradores, fornecedores e empresas congêneres. Alckmin também destacou que essa situação representa uma oportunidade para novos acordos comerciais.

“De janeiro a junho deste ano, as exportações do Brasil para os Estados Unidos aumentaram 4,37% e dos Estados Unidos para o Brasil aumentaram 11,48%. Momento em que é recorde a exportação dos Estados Unidos para o Brasil, quase três vezes mais do que a nossa exportação, estaremos unidos para reverter essa decisão”, destaca.

Novos mercados para a agropecuária

Presente na reunião com as lideranças do setor agropecuário, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), ressaltou que, desde o primeiro dia do governo do presidente Lula, uma das prioridades tem sido a ampliação dos mercados para a agropecuária brasileira. Como resultado, o ministro informou a abertura de 393 novos mercados.

Até o anúncio do tarifaço, a expectativa do setor pecuário era de que, neste ano, as exportações de carne dobrassem.

“O diálogo está aberto na parte brasileira, mas com respeito à soberania e muita altivez.” concluiu Fávaro.

Análise: Futuro político de Fernando Haddad

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Brasília (DF), 01/07/2025 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participam do lançamento do Plano Safra 2025/26, no Palácio do Planalto.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Após o desgaste político provocado pelo impasse com o Congresso em torno do aumento proposto ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), teve uma notícia positiva na semana passada. A pesquisa divulgada pelo instituto AltasIntel apontou que a avaliação positiva de Haddad cresceu três pontos percentuais, atingindo 45%. A avaliação negativa do ministro, por outro lado, caiu cinco pontos, chegando a 51%. Mesmo que a desaprovação de Haddad supere a aprovação, esse foi o melhor resultado obtido pelo ministro desde janeiro.

A melhora na avaliação positiva de Fernando Haddad tende a influenciar a decisão sobre seu futuro político. Embora exista a possibilidade de Haddad permanecer no cargo até dezembro de 2026, especulações envolvendo uma possível candidatura sua nas eleições do próximo ano vêm surgindo. Caso Haddad opte por concorrer, terá de deixar o cargo até abril de 2026.

Na semana passada, em entrevista concedida ao portal Metrópoles, Haddad admitiu a possibilidade de deixar o Ministério da Fazenda para assumir a coordenação da campanha ou do programa de governo da provável candidatura do presidente Lula à reeleição em 2026.

Embora na mesma entrevista Haddad tenha dito que Lula não pediu que ele fosse candidato em São Paulo no próximo ano, o nome do ministro é especulado no maior colégio eleitoral do país. A mais recente pesquisa divulgada pelo instituto Paraná apontou que, caso Haddad concorra a governador, teria 17,2% das intenções de voto, ficando em segundo lugar, atrás do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que, caso dispute a reeleição, teria 46,8%.

Diante da alta aprovação registrada por Tarcísio, uma eventual candidatura do ministro a governador não é o cenário mais provável. Vale lembrar que, nas eleições de 2022, Haddad disputou o Palácio dos Bandeirantes com Tarcísio e foi derrotado por 55,27% a 44,73% dos votos válidos no segundo turno.

Já para o Senado, Fernando Haddad demonstra maior competitividade. De acordo com o instituto Paraná, Haddad registra 32,8% das intenções de voto, dividindo a liderança com Eduardo Bolsonaro (36,7%). Como em 2026 haverá duas vagas em disputa, não devemos desconsiderar a possibilidade de Haddad concorrer a senador, principalmente se levarmos em conta que um dos objetivos de Lula é evitar que o bolsonarismo conquiste maioria no Senado.

Outro motivo que poderá levar Fernando Haddad a se desincompatibilizar do cargo de ministro em abril do próximo ano é a necessidade de o PT contar com um plano B, na eventualidade de Lula não disputar a reeleição em 2026.

Rejeição a tarifaço melhora aprovação de Lula e acirra polarização

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Brasília (DF), 10/07/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista no Palácio da Alvorada.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

A nova rodada da pesquisa Latam Pulse Brasil, divulgada na terça-feira (15), aponta um cenário de empate técnico entre a aprovação e a desaprovação do presidente Lula (ver tabela abaixo). Nos últimos dois meses, a popularidade de Lula melhorou, como consequência da melhora da percepção em relação à economia, da eficiência da campanha “ricos contra pobres” no debate em torno do aumento do IOF, e do impacto negativo do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a oposição, principalmente em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Apesar de a desaprovação ser 0,6 ponto percentual maior que a aprovação, há um quadro de empate técnico em função da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Outro aspecto a ser observado é que, nos úlmos dois meses, a desaprovação caiu 3,4 pontos. Nesse mesmo período, a aprovação subiu 4,3 pontos. Neste momento, Lula tem a maior aprovação registrada no ano.

A avaliação negativa (ruim/péssima) do governo Lula, embora ainda seja majoritária na opinião pública, também está em queda. O índice negativo caiu 2,7 pontos percentuais em relação a maio. A avaliação positiva (ótimo/bom), por sua vez, oscilou positivamente 1,5 ponto. Assim como ocorre com a aprovação de Lula, a avaliação positiva do governo atingiu o maior índice do ano. No entanto, o percentual é 6 pontos mais baixo que a avaliação negava.

Segundo o instituto AtlasIntel, 60,2% dos entrevistados aprovam a política externa do governo Lula, enquanto 38,9% a desaprovam. Para 61,1%, Lula representa melhor o Brasil do que Jair Bolsonaro; já 38,8% acreditam que Bolsonaro representa melhor o país.

No entanto, 48% avaliam que o Brasil está menos próximo dos Estados Unidos do que deveria, enquanto 39% entendem que o país está tão próximo dos norte-americanos quanto seria adequado.

Em relação às tarifas impostas por Donald Trump, 62,2% dos entrevistados as consideram injustificadas, e 36,8% avaliam que são justificadas. Ainda sobre as tarifas, 50,3% acreditam que elas configuram uma ameaça à soberania brasileira, enquanto 47,8% entendem que não representam tal ameaça.

Quanto à reação do governo brasileiro, 44,8% consideram que foi adequada. Para 27,5%, a resposta foi agressiva; já 25,2% avaliam que foi fraca.

Sobre o impacto das tarifas na economia brasileira, 48,6% acreditam que ele será muito alto, e 30,8% dizem que será baixo. Por fim, 51,2% defendem que o Brasil deveria retaliar os Estados Unidos, enquanto 40,9% são contrários à retaliação.

De acordo com a pesquisa, 75,7% dos entrevistados entendem que as relações entre Brasil e Estados Unidos tendem a se enfraquecer após o aumento das tarifas. Outros 18,2% consideram que elas permanecerão iguais, e apenas 1,5% avaliam que o relacionamento entre os dois países será fortalecido.

A imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Brasil foi afetada. Segundo o Atlas, 63,2% dos brasileiros têm uma imagem negava de Trump, enquanto 31,9% possuem uma imagem positiva. Quanto à imagem dos Estados Unidos, 50,5% dos brasileiros a consideram negava; para 45,9%, a imagem é positiva.

Tarifas beneficiam Lula

Os números da pesquisa AtlasIntel indicam que as tarifas impostas por Trump criaram um fato político novo que beneficia Lula. Embora o impacto seja negativo para a economia brasileira, caso as tarifas sejam confirmadas pelo governo norte-americano a partir de 1º de agosto, o presidente ganhará uma narrava a ser explorada. Com o discurso de defesa da soberania, Lula tem conseguido apropriar-se de uma bandeira que, até então, era associada ao bolsonarismo.

Além disso, o episódio abre espaço para uma reaproximação com setores que haviam se afastado do governo, como, por exemplo, parte do empresariado. Também joga a favor do Planalto a repercussão negava do tarifaço de Trump sobre a imagem do próprio presidente norteamericano e de Jair Bolsonaro. No caso de Bolsonaro, pesa ainda o pedido de condenação apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O impacto negativo das tarifas também colocou a direita na defensiva.

Apesar da vantagem momentânea do governo no clima político, o Palácio do Planalto enfrenta agora desafios importantes. A responsabilidade pela busca de uma solução para a questão das tarifas está nas mãos de Lula e da diplomacia brasileira.

Caso o presidente não tenha sucesso, o custo econômico das tarifas poderá gerar novos atritos com o setor produtivo e afetar negativamente os indicadores econômicos e sociais. Por outro lado, se Lula for bem-sucedido, tende a se fortalecer para 2026: encontrou uma nova narrava, Bolsonaro está desgastado e a oposição permanece dividida, sem um candidato natural à sucessão.

Independentemente do desfecho da negociação envolvendo as tarifas, o país seguirá polarizado. Mesmo que o tema não permaneça no centro da agenda política até 2026, seu impacto sobre os principais atores será inevitável.

Turismo no Brasil cresce 48%, sendo o segundo país que mais recebeu turistas internacionais

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São Paulo (SP), 05/03/2025 - Movimentação de passageiros no Aeroporto de Congonhas, em Campo Belo, zona sul da capital. turismo, viagem, viagens
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A entrada de turistas internacionais no Brasil cresceu 48% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas (ONU Turismo). Só entre janeiro e junho, mais de 5,3 milhões de estrangeiros visitaram o país, consolidando o melhor resultado da série histórica para o primeiro semestre. Com isso, o Brasil ficou em segunda posição global no ranking de crescimento de turismo internacional, atrás apenas do Paraguai, e empatado com o Chile em desempenho.

Brasil pode ultrapassar meta de turismo

O crescimento de 48% no primeiro semestre deste ano já representa 77,3% da meta prevista no Plano Nacional de Turismo (PNT) 2024-2027 para todo o ano de 2025, que é de 6,9 milhões de visitantes. Se o ritmo for mantido, a expectativa é que o Brasil ultrapasse, ainda em 2025, a previsão de 8,1 milhões de turistas internacionais originalmente projetada só para 2027. O ministro do Turismo, Celso Sabino, celebrou o desempenho, destacando que “o trabalho qualificado em todas as regiões do país está trazendo o resultado esperado”, com geração de empregos e renda.

“A posição do Brasil no ranking da ONU Turismo só reforça o excelente momento que estamos vivendo no turismo no nosso país. O crescimento apresentado é expressivo e mostra que o trabalho qualificado que estamos realizando em todas as regiões do país está trazendo o resultado esperado”, ressalta Sabino.

O ano de 2024 já havia sido histórico, com 6.773.619 turistas estrangeiros visitando o Brasil, ultrapassando a maior marca até então, de 2018. Segundo Marcelo Freixo, presidente da Embratur, o setor cresce “muito além da média mundial”, resultado da promoção internacional dos destinos brasileiros e da boa imagem do país no exterior.

“Estamos na moda, quebrando recorde atrás de recorde, e promovendo desenvolvimento social através do turismo, que gera emprego e renda em nosso país. É bom para quem nos visita e também para quem vive aqui”, destaca Freixo.

Estratégia de promoção internacional

O desempenho, de acordo com o governo, reforça a estratégia do “Plano Brasis”, o Plano Internacional de Marketing do Turismo do Brasil, criado para posicionar o país entre os principais destinos globais, valorizando a diversidade, a cultura e a sustentabilidade. O plano tem como objetivos centrais ampliar o número de visitantes estrangeiros, aumentar a receita do turismo e promover maior distribuição do fluxo turístico pelo território nacional.

Ranking global de crescimento do turismo internacional

Posição País Crescimento (%)
Paraguai 53%
Brasil 48%
Chile 48%
Gâmbia 46%
Israel 31%
Vietnã 30%
Japão 23%
Macedônia do N. 22%
Marrocos 22%
10º Egito 21%

(ONU Turismo, 2025)

Comissão aprova PEC da Segurança Pública com mudanças em competências federativas

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São Paulo (SP), 05/12/2024 -ato contra violência policial, concentração em frente ao teatro municipal de são paulo, praça Ramos de Azevedo .segurança
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Nesta terça-feira (15), a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou a PEC da Segurança Pública (PEC 18/25). O texto enviado pelo governo recebeu alterações nas competências da União e das polícias federal e civil. Agora, a proposta segue para a comissão especial e, depois, será votada no Plenário da Casa.

Demandas dos entes federativos

O relator, deputado Mendonça Filho (União-PE), retirou o trecho que atribuía à União a competência privativa para legislar sobre “normas gerais de segurança pública, defesa social e sistema penitenciário”. A mudança era uma demanda de governadores e prefeitos e foi acatada pelo relator, com a justificativa de que a disposição era incompatível com a Constituição, que estabelece competência conjunta da União, Estados e Distrito Federal para legislar sobre o tema.

Além disso, o texto original do governo definia que a apuração de infrações penais – função da polícia judiciária – seria de competência exclusiva da Polícia Federal (PF) e das polícias civis. O termo “exclusiva” foi retirado pelo relator, que considerou que se configurava uma violação à separação de poderes e ao sistema de direitos fundamentais. Ele explicou que a atribuição de competência exclusiva restringiria as prerrogativas constitucionais do Ministério Público e das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) de conduzir diligências investigatórias e de requisitar documentos.

Aprovada com alterações pela CCJC, a PEC 18/25 agora passará pelo crivo de uma comissão especial e, posteriormente, será submetida ao Plenário da Câmara dos Deputados. Para ser promulgada, precisará ainda ser analisada em dois turnos pelo Senado.

Chile reconhece Paraná como livre de febre aftosa

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Paris, 06/06/2025 - Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, durante cerimônia de certificação do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo federal anunciou, nesta terça-feira (15), que os frigoríficos do Paraná poderão exportar carne bovina e suína para o Chile. A ação acontece após os chilenos reconhecerem o estado como livre de febre aftosa sem vacinação e de peste suína clássica, viabilizando.

O anuncio foi publicado no Diário Oficial Chileno e, de acordo com o Ministério da Agricultura, o avanço é resultado de um trabalho para estreitar as relações entre os países e da eficiência da defesa agropecuária brasileira.

“Isso é oportunidade. É determinação do presidente Lula estreitar laços e trazer oportunidades para nosso país, para nossos produtores. Essa demanda vai se converter em empregos aqui dentro. É uma conquista que valoriza o trabalho dos nossos produtores e técnicos e que reforça a posição do Brasil como referência mundial em segurança agropecuária”, destacou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

Segundo o acordo entre Brasil e Chile, as habilitações para exportação seguirão o sistema de pré-listing: os frigoríficos paranaenses poderão obter autorização diretamente pelo Ministério da Agricultura, sem necessidade de inspeção prévia pelas autoridades chilenas, o que acelera o processo e possibilita o início dos embarques já nos próximos dias.

Certificação Eletrônica

O Brasil ainda destacou a importância da assinatura do Acordo de Cooperação entre o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil e o Ministério da Agricultura do Chile para o uso da Certificação Eletrônica para o Comércio de Produtos de Origem Animal (e-Cert Veterinário).

O acordo define padrões para a troca digital de certificados sanitários entre os dois países e tem como meta agilizar as operações, garantir segurança alimentar e fortalecer a transparência nas trocas comerciais.