20.5 C
Brasília
Home Blog Page 132

Live da Arko Advice discute impacto do tarifaço dos EUA sobre o agronegócio brasileiro

0
Deputado Pedro Lupion (PP-PR).
Foto: João Paulo Véras/AgênciaFPA

A Arko Advice realizou uma live na manhã desta sexta-feira (18) para analisar os desdobramentos das medidas econômicas norte-americanas no agronegócio brasileiro. Participaram o presidente Murillo de Aragão, o CEO internacional Thiago de Aragão, o diretor Lucas de Aragão e o presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), o deputado federal Pedro Lupion (PP-PR). 

O presidente da FPA demonstrou preocupação com os impactos do tarifaço de 50% sobre exportações brasileiras na área do etanol, carne bovina, café, suco de laranja, frutas frescas, cacau, pescados e fertilizantes. Segundo ele, as importações ficam inviáveis com as novas tarifas e devem gerar um acúmulo dos produtos no Brasil, com a necessidade urgente de estudar novos mercados de escoamento. 

Busca por solução diplomática

Representantes das mais diversas culturas agrícolas brasileiras estão em contato com parlamentares americanos para evidenciar os impactos do tarifaço na economia local dos condados que recebem produtos do Brasil. Lupion defendeu que, no momento, o melhor caminho é a diplomacia, com minimização de ruídos políticos internos. Em última instância, valeria uma ação judicial na justiça americana, mas não agora. 

No entanto, assim como a Arko analisou mais cedo, o deputado também acredita que a decisão do STF e a operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) devem inflar a temperatura da crise política e econômica entre Brasil e Estados Unidos. “Precisa afastar o barulho político para conseguir fazer uma negociação comercial agora”, defendeu. 

Demais temas

Além disso, Lupion disse que, após a decisão do ministro Alexandre de Moraes de manter o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras, pediu ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que instale a Comissão Especial para análise da PEC que limita decisões monocráticas do STF (PEC 6/2020). Atualmente, a matéria aguarda designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC).

O presidente também defendeu que a figura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é mais viável e congrega mais nomes no Congresso Nacional, tendo em vista o cenário das eleições presidenciais de 2026. Segundo o deputado, nesta semana, houve uma movimentação para preservar a imagem do candidato, diante do envolvimento do governador com o tarifaço americano.

Mauro Vieira classifica ameaça de sanção da Otan como “totalmente descabida”

0
Rio de Janeiro (RJ), 29/04/2025 – O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, faz pronunciamento após a Reunião de Chanceleres da presidência brasileira do BRICS.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em entrevista à GloboNews nesta quinta-feira (17), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, falou sobre a ameaça feita pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, de impor sanções secundárias a países como Brasil, China e Índia, caso mantenham relações comerciais com a Rússia. Vieira classificou a fala como “totalmente descabida”, e afirmou que o Brasil não pretende dialogar com a Otan nesse contexto, destacando que a organização é uma aliança militar à qual o Brasil não pertence.

O chanceler enfatizou que a Otan não tem competência para tratar de temas comerciais e ironizou: “Talvez ele [Rutte] esteja mal-informado, não saiba que é uma organização militar, não tem alcance comercial. Sobretudo porque, se for assim, países membros da Otan e da União Europeia que continuam comprando petróleo e gás da Rússia também deveriam ser sancionados”.

Tradição diplomática

Vieira reiterou que o Brasil só adere a sanções aprovadas no âmbito do Conselho de Segurança da ONU, e não a medidas unilaterais ou decisões de alianças militares como a Otan. Diplomatas brasileiros classificaram, nos bastidores, a ameaça como fora de propósito, e avaliaram que não cabe à Otan determinar as relações comerciais do Brasil.

A declaração de Mark Rutte ocorre em meio à escalada de tensões comerciais, como a tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Questionado se a ameaça teria sido articulada juntamente com o governo Trump, Mauro Vieira opinou que se trata de uma iniciativa exclusiva do secretário-geral da Otan, tamanha a sua inadequação ao tema e à competência da entidade.

O ministro também sublinhou que disputas comerciais do Brasil são resolvidas bilateralmente ou nos fóruns apropriados, como a OMC, e não cabe à Otan se manifestar sobre negociações entre países que não são signatários do tratado atlântico.

“As questões comerciais, cada país – e o Brasil faz assim – trata bilateralmente ou na OMC. Depois, esse tipo de ameaça, não acho que corresponda a uma ameaça comercial dentro de uma organização militar”, declarou.

Embraer compara tarifaço à pandemia da covid-19

0
Embraer
Foto: Divulgação

A Embraer estima que o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderá causar um impacto semelhante ao da pandemia de covid-19. Naquele período, a companhia teve uma queda de 30% na receita e precisou reduzir o quadro de funcionários em torno de 20%.

Atrás apenas da Boeing e da Airbus, a Embraer ocupa a terceira posição entre os maiores fabricante de aeronaves no mundo.

Impacto bilionário para a Embraer

A empresa calcula que o preço de cada avião vendido aos EUA aumente em cerca de R$50 milhões. Até 2030, o impacto poderá significar R$ 20 bilhões. Francisco Gomes Neto, diretor executivo da companhia, afirma que a alteração dos preços deverá provocar cancelamento de pedidos, adiamento de entregas, revisão do plano de produção, queda na geração de caixa e redução de investimentos.

“Não há como remanejar encomendas de clientes dos Estados Unidos para outros mercados. Não tem como remanejar essas encomendas. Avião não é commodity. O maior mercado de avião executivo é nos Estados Unidos. Não tem como reposicionar isso para outros mercados”, destacou Gomes em entrevista na terça-feira (15).

As exportações para clientes estadunidenses representam 45% da produção de jatos comerciais e 70% de jatos executivos da empresa. Segundo o CEO, a tarifa de 50% poderá dificultar significativamente a venda de aviões para os Estados Unidos. “Cinquenta por cento de alíquota é quase um embargo. É um valor muito elevado. E, para avião, é mais impactante ainda devido ao alto valor agregado do produto”, destacou Gomes.

Possibilidade de negociação

O tarifaço também atinge os produtores norte-americanos, e, segundo o Gomes, esse impacto pode favorecer as negociações. O CEO da Embraer afirmou que, até 2030, a empresa pretende comprar até US$ 21 bilhões em equipamentos de origem norte-americana, para equipar aeronaves produzidas pela empresa brasileira.

Após o recente acordo entre os EUA e o Reino Unido, que restabeleceu a tarifa zero para o setor aeronáutico, Gomes demonstrou otimismo quanto a possiblidade de um acordo semelhante entre Brasil e EUA.

“Houve concessões de ambas as partes e, no caso do do setor aeroespacial, a alíquota era de 10%. A gente está otimista com a situação, e esse exemplo aí do acordo entre o Reino Unido e os Estados Unidos fica como uma boa base para o Brasil também”, acrescentou.

TCU já constatou “declínio” nas atividades de quatro agências reguladoras federais

0
Anatel
Foto: APC/Anatel

Auditoria em curso no Tribunal de Contas da União (TCU) constatou “declínio” no andamento de atividades de quatro agências reguladoras federais devido a restrições orçamentárias e de pessoal: de energia elétrica (Aneel); de petróleo e gás (ANP); de mineração (ANM); e de telecomunicações (Anatel).

A revelação foi feita pelo secretário da SecexEnergia do TCU, Alexandre Figueiredo, na terça-feira da semana passada (8), em audiência pública na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, convocada para discutir a situação orçamentária das agências. O objetivo é identificar os reflexos dessa situação na capacidade regulatória do Estado e na prestação de serviços.

A informação consta da auditoria-piloto solicitada pelo presidente do tribunal, Vital do Rêgo. A iniciativa será estendida às demais agências. O secretário do TCU afirmou que as agências arrecadam para o seu custeio um valor cerca de seis vezes maior do que o disponibilizado pelo Orçamento da União. No entanto, esses recursos não permanecem nessas autarquias, sendo canalizados para o caixa do Tesouro.

O presidente da Comissão, senador Marcos Rogério (PL-RO), disse que se reunirá com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para tratar do andamento do Projeto de Lei Complementar nº 73/25, que recompõe o orçamento das agências. De autoria do senador Laércio Oliveira (PP-SE), o projeto foi protocolado em 1º de abril, mas ainda não foi encaminhado às comissões para tramitação.

Marcos Rogério disse que o projeto permite a construção de saída mediada pela comissão, “ouvindo, obviamente, aquele que faz a gestão do Orçamento, que é o governo, para dar solução para as agências, que, neste momento, estão expostas a uma situação de dificuldade”.

Lula diz ser “chantagem inaceitável” tarifa imposta pelos EUA

0
Lula
Foto: Reprodução/Canal Gov

Em pronunciamento realizado em cadeia nacional de rádio e televisão na noite desta quinta-feira (17), o presidente Lula (PT) classificou a tarifa de 50% a produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos, como “chantagem inaceitável”. O chefe do governo afirmou que responderá com diplomacia às ameaças do governo de Donald Trump, e ressaltou que ninguém está acima da lei.

Lula afirmou que as instituições atuam para proteger a sociedade dos riscos representados pelos discursos de ódio e anti-ciência disseminados nas redes digitais. Durante seu pronunciamento, o presidente enfatizou a importância de utilizar as redes de forma consciente, e combater práticas criminosas.

“É preciso proteger as famílias brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a violência contra as mulheres e atacar a democracia, além de alimentar o ódio, violência e bullying entre crianças e adolescentes, em alguns casos levando à morte, e desacreditar as vacinas, trazendo de volta doenças há muito tempo erradicadas”, declarou o presidente.

Ao destacar a independência do Judiciário, o presidente afirmou que o país respeita o devido processo legal. “Tentar interferir na justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional”, disse.

“Chantagem inaceitável”

O presidente ressaltou que o Brasil sempre esteve disposto a negociar com os Estados Unidos desde maio, quando o governo norte-americano impôs uma tarifa de 10%. Lula classificou de “chantagem” o uso de informações econômicas falsas para justificar as ameaças realizadas.

“Fizemos mais de dez reuniões com o governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos”, declarou.

O governo brasileiro tem se reunido com representantes dos setores produtivos, da sociedade civil e dos sindicatos para tentar negociar com o Estados Unidos. A iniciativa reúne diferentes áreas da economia, como a indústria, o comércio, serviços e o setor agrícola.

“Estamos juntos na defesa do Brasil. E faremos isso de cabeça erguida, seguindo o exemplo de cada brasileiro e cada brasileira que acorda cedo, e vai à luta para trabalhar, cuidar da família e ajudar o Brasil a crescer. Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo”, acrescentou.

Lula reafirmou que o governo pode usar todos os instrumentos legais para defender a economia, desde recursos na Organização Mundial de Comércio (OMC) até a Lei da Reciprocidade, aprovada apelo Congresso. Ele também destacou que, em dois anos e meio, o Brasil abriu 379 novos mercados para seus produtos no exterior.

“Traidores da pátria”

O presidente classificou os apoiadores desses ataques como “traidores da pátria”, e manifestou sua indignação afirmando que os mesmos não se importam com a economia do país e os danos causados ao povo brasileiro.

“Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor”, declarou.

Big techs

O presidente ressaltou que todas as empresas que atuam no Brasil devem cumprir a legislação brasileira e acrescentou que a fiscalização das plataformas digitais estrangeiras, citadas por Trump para justificar a imposição da tarifa, visa defender a soberania nacional.

“Para operar no nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras são obrigadas a cumprir as regras”, destacou.

Pix

Em relação ao Pix, Lula declarou que o governo não aceitará ataques à ferramanta, que classificou como o sistema de pagamento mais avançado do país.

“O Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo, e vamos protegê-lo”, comentou.

Dados comerciais e ambientais

Ao ser acusado pelo governo norte-americano de práticas comerciais desleais, o presidente apresentou números para desmentir essas alegações.

“Os Estados Unidos acumulam, há mais de 15 anos, um robusto superávit comercial de US$ 410 bilhões [com o Brasil]”, declarou.

Em relação ao desmatamento, o presidente ressalta que o Brasil é referência mundial na defesa do meio ambiente.

“Em dois anos, já reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia. E estamos trabalhando para zerar o desmatamento até 2030”, afirmou.

Ao final do pronunciamento, o presidente reforçou o compromisso do país com o diálogo e a cooperação internacional:

“Não há vencedores em guerras tarifárias. Somos um país de paz, sem inimigos. Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações. Mas que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”, concluiu Lula.

Análise: Operação da PF contra Bolsonaro e troca de acusações entre os governos do Brasil e EUA elevam temperatura da crise

0
Brasília (DF), 07/05/2025 - O ex presidente, Jair Bolsonaro (e) e pastor, Silas Malafaia (d), participam da manifestação em defesa da anistia aos condenados nos atos golpistas de 8 de Janeiro
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A operação de busca e apreensão realizada hoje (18) pela Polícia Federal (PF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) eleva a temperatura da crise política e comercial desencadeada pela decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em aplicar um tarifaço de 50% contra produtos brasileiros.

A partir de agora, Bolsonaro terá que utilizar tornozeleira eletrônica e está proibido de utilizar as redes sociais. Além disso, a apuração da PF sobre o ex-presidente teria, segundo a PF, identificado um risco de fuga dele do país. Jair Bolsonaro também não poderá se aproximar de embaixadas e está proibido de se comunicar com embaixadores.

Esta matéria foi publicada primeiro no Arko Alerta, exclusivo para clientes Arko Advice. Para saber como receber, CLIQUE AQUI.

A operação contra Jair Bolsonaro ocorre no dia seguinte a uma sucessiva troca de acusações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos. Em um discurso realizado na última quinta-feira (18), o presidente Lula (PT) ameaçou taxar as big techs norte-americanas.

Ainda ontem, em entrevista à CNN americana, Lula criticou o tarifaço de Trump, afirmou que o Brasil foi pego de surpresa e declarou que “Trump não deve esquecer que foi eleito presidente ser presidente dos Estados Unidos e não imperador do mundo”. Reagindo a Lula, a Casa Branca defendeu a postura de Donald Trump, disse que o norte-americano é um dos presidentes mais fortes da América e líder do mundo livre.

Também ontem, Donald Trump divulgou uma carta afirmando que “o julgamento contra Bolsonaro precisa parar imediatamente”. E cobrou que o governo brasileiro “mude sua rota”. Trump falou ainda na suposta existência de “ataques a oponentes políticos” e “regime de censura” no Brasil.

Paralelamente a essa troca de acusações, uma matéria de jornal americano The Washington Post mostrou a atuação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em favor de sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, nos Estados Unidos. Na noite de ontem, em meio a toda essa tensão, foi ao ar um pronunciamento de Lula contra o tarifaço e em defesa da soberania nacional.

A operação de busca e apreensão da PF contra Jair Bolsonaro, além de acirrar o clima político interno no Brasil, deve ter consequências sobre a busca do governo Lula em tentar uma negociação com Donald Trump. Como o presidente dos Estados Unidos está atuando em favor de Bolsonaro, a negociação comercial deve ficar mais difícil. Além disso, novas sanções contra o Brasil podem ser anunciadas. O governo Lula, por sua vez, poderá responder taxando empresas norte-americanas.

Jair Bolsonaro, embora possa reforçar a narrativa de combate ao establishment, animando sua base social mais radical, fica com sua difícil situação jurídica ainda mais agravada. É possível que esta operação aumente a pressão para que Bolsonaro anuncie apoio à candidatura de Tarcísio de Freitas ao Palácio do Planalto.

Lula, por sua vez, a partir do embate com Trump, ganha, do ponto de vista de sua narrativa, a bandeira de defesa da soberania. Apostando em um discurso nacionalista, a aprovação de Lula, a partir da identificação de um “adversário externo”, poderá crescer.

No entanto, como efeito colateral, a relação com os Estados Unidos deve piorar, atingindo negativamente a economia. Outro aspecto a ser observado é que caso o tarifaço seja confirmado em 1º de agosto e o diálogo com o governo norte-americano não avance, os esforços de Lula em favor de uma aproximação com o setor produtivo poderá enfrentar ruídos e ficar comprometida.

O risco jurídico de Eduardo Bolsonaro, também cotado como alternativa para 2026, aumentou. Não à toa, Alexandre de Moraes proibiu Jair Bolsonaro de falar com seu filho. Sua atuação nos EUA pode ser vista como obstrução de Justiça.

Receita Federal informa que não cobrará IOF retroativo

0
Receita Federal, imposto de renda, leão,
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Receita Federal anunciou nesta quinta-feira (17) que não fará a cobrança retroativa do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) referente ao período em que as novas alíquotas estavam suspensas por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A medida beneficia principalmente instituições financeiras e responsáveis tributários que não recolheram o imposto até 16 de julho, data em que Moraes decidiu restabelecer quase todo o decreto do governo. O órgão esclareceu que ainda avalia o caso dos contribuintes, prometendo uma definição que evite surpresas e insegurança jurídica.

Decisão sobre IOF

Na quarta-feira (16), Moraes determinou que a maior parte do decreto presidencial que elevou as alíquotas do IOF voltasse a vigorar, com exceção da cobrança sobre operações do tipo “risco sacado”, que envolve antecipação de recebíveis. Para o ministro, essa operação não caracteriza operação de crédito e, portanto, não pode ser tributada como tal.

O restante do decreto, incluindo aumentos para operações de câmbio, empréstimos empresariais, compras internacionais com cartão e aplicações para alta renda em previdência privada, foi considerado constitucional e permanece em vigor.

Segundo o Ministério da Fazenda, a exclusão do risco sacado deve provocar perda de receita estimada em R$ 450 milhões em 2025 e R$ 3,5 bilhões em 2026, mas o restante da arrecadação extra esperada com o aumento do IOF está mantido.

Jair Bolsonaro é alvo de operação da PF e deverá usar tornozeleira eletrônica

0
Jair Bolsonaro
Foto: Evaristo Sá/AFP

Na manhã desta sexta-feira (18), a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em Brasília, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Endereços ligados ao Partido Liberal (PL), legenda de Bolsonaro, também foram alvo da operação, em informações confirmadas pelos advogados de defesa do ex-presidente.

Medidas restritivas

Além das buscas, o STF determinou uma série de restrições a Bolsonaro, que passam a valer imediatamente:

  • Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, para monitoramento em tempo real de sua movimentação e prevenção de fuga do país.

  • Proibição de acessar redes sociais, impedindo que Bolsonaro utilize qualquer plataforma digital durante o período das restrições.

  • Toque de recolher: o ex-presidente deverá permanecer em casa entre 19h e 7h da manhã, diariamente.

  • Proibição de qualquer comunicação com embaixadores e diplomatas estrangeiros, o que inclui aproximação de embaixadas.

  • Impedimento de contato com outros réus e investigados pelo Supremo Tribunal Federal, medida que abrange inclusive o filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos.

Justificativa

De acordo com fontes do STF, as medidas visam garantir o regular andamento das investigações, impedir possível destruição de provas, articulações com investigados e preservar a ordem pública durante os desdobramentos judiciais do caso.

Bolsonaro vinha declarando que não teria desejo de fugir do Brasil, antes do encerramento da ação no STF que avalia seu papel em plano de tentativa de golpe de Estado. Porém, as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a fuga de sua antes apoiadora, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), podem ter impactado a decisão.

Governo qualifica quatro terminais portuários para investimentos privados pelo PPI

0
Porto de Maceió
Foto: Ascom/Porto de Maceió

O governo federal publicou, no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (17), um decreto que qualifica quatro empreendimentos do setor portuário para inclusão no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). A medida visa atrair investimentos privados para modernização e ampliação da infraestrutura portuária nacional.

Esta matéria foi publicada primeiro no Arko Alerta, exclusivo para clientes Arko Advice. Para saber como receber, CLIQUE AQUI.

Quais são os terminais contemplados

  • Terminal NAT01, no Porto de Natal (RN): dedicado à movimentação e armazenagem de granéis sólidos minerais, especialmente minério de ferro.

  • Terminal TMP Maceió, no Porto de Maceió (AL): voltado ao embarque e desembarque de passageiros.

  • Terminal PAR25, no Porto de Paranaguá (PR): destinado ao escoamento de granéis sólidos vegetais, como soja, farelo de soja e milho.

  • Terminal MAC16, também no Porto de Maceió (AL): para movimentação e armazenagem de granéis sólidos.

Com a qualificação no PPI, esses empreendimentos passam a ter prioridade para a realização de estudos e processos de concessão à iniciativa privada. A expectativa do governo é atrair investimentos que vão garantir não só maior eficiência operacional e capacidade de atendimento, mas também alavancar o comércio exterior ao reduzir gargalos e ampliar a competitividade logística brasileira.

Objetivo estratégico do governo

A iniciativa integra a estratégia nacional de modernização dos portos, alinhada ao objetivo de ampliar o fluxo de mercadorias, trazer novas tecnologias e práticas de gestão, e criar empregos diretos e indiretos nas regiões contempladas. O PPI é considerado fundamental para destravar investimentos no setor e acelerar a execução de projetos relevantes para a economia.

Chefes de finanças do G20 se reúnem em meio a tarifaço de Trump

0
Durban, África do Sul
Foto: Wikimedia Commons

O G20 iniciou nesta quinta-feira (17), em Durban, na África do Sul, uma rodada de discussões marcada pela crescente pressão das barreiras tarifárias dos Estados Unidos, e por preocupações com a eficácia do grupo diante dos atuais desafios globais.

No discurso de abertura, o ministro das Finanças sul-africano, Enoch Godongwana, enfatizou a necessidade de liderança estratégica e cooperação global, destacando problemas como o alto endividamento e o elevado custo de capital em países africanos, fatores que limitam a capacidade de investimento e desenvolvimento nas economias emergentes.

“Muitos países em desenvolvimento, especialmente na África, continuam sobrecarregados pelas vulnerabilidades de dívidas altas e crescentes, espaço fiscal restrito e alto custo de capital que limita sua capacidade de investir em seu povo e em seu futuro”, pontuou Godongwana.

No centro do debate está o apelo por uma postura cooperativa dos maiores países desenvolvidos, especialmente num momento em que políticas protecionistas, como as tarifas anunciadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, têm ameaçado as bases do comércio internacional. Godongwana defendeu que o G20 desempenhe papel de vanguarda para enfrentar tais desafios, promovendo uma agenda que combine solidariedade, igualdade e sustentabilidade, lema da presidência sul-africana do grupo nesta edição.

“A necessidade de uma liderança cooperativa ousada nunca foi tão grande”, completou.

Ausências marcam encontro

O G20 foi concebido como um fórum para a cooperação econômica global e coordenação de políticas, desempenhando papel central na superação da crise financeira de 2008. Contudo, desde então, o grupo tem enfrentado dificuldade para consolidar consensos duradouros, sobretudo em temas como a guerra da Rússia na Ucrânia e sanções ao governo de Moscou. A atual cúpula reflete essa fragmentação, marcada por ausências de alto nível: o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, não compareceu, repetindo ausência ocorrida em fevereiro, assim como ministros de Índia, França e Rússia.

Diplomatas ressaltam que, embora todos os países estejam representados, a falta de lideranças-chave limita a capacidade do fórum de tomar decisões robustas e de impacto.

A presidência norte-americana, prevista para o fim do ano, já sinalizou intenção de enxugar os grupos de trabalho não prioritários e simplificar a agenda da próxima cúpula, numa tentativa de ganhar eficiência.

Tarifas de Trump tensionam cenário global

As ameaças tarifárias vindas dos EUA dominaram o clima do encontro. Trump instituiu uma tarifa-base de 10% sobre todas as importações, taxas de até 50% sobre aço e alumínio, 25% em automóveis e acenou com novos encargos para farmacêuticos, com ameaça de elevar as taxas contra países do BRICS, aumentando o temor de uma guerra comercial de larga escala.

O Brasil, a China e outros países têm alertado para o risco de o movimento acentuar uma fragmentação internacional e enfraquecer as bases da Organização Mundial do Comércio (OMC), ameaçando os próprios mecanismos de cooperação econômica desenvolvidos nas últimas décadas.

Por causa dessas disputas, desde julho de 2024 o G20 não consegue emitir comunicados finais que mencionem de forma aberta temas sensíveis como a guerra na Ucrânia, optando por focar em consensos mínimos, como o combate ao protecionismo — mas sem ações ou compromissos vinculativos.

Agenda africana cobra protagonismo

Além das tensões comerciais e geopolíticas, a África do Sul usa a presidência do G20 para destacar o alto custo do capital enfrentado por países africanos e a urgência de aportes para o combate às mudanças climáticas. O país defende que o grupo assuma compromissos para facilitar o financiamento do desenvolvimento e de infraestrutura no continente africano.