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AGU pede investigação de uso de informações privilegiadas em tarifaço

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Brasília (DF), 03/11/2023, Prédio da AGU. Fachada da Advocacia Geral da União.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de investigação para apurar o suposto uso de informações privilegiadas que teriam gerado lucro anormal no mercado cambial brasileiro nas datas próximas ao anúncio, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras.

O pedido foi protocolado neste sábado (19) dentro do inquérito que já apura as ações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e demais envolvidos na articulação de medidas consideradas hostis contra o governo brasileiro e ministros do STF, supostamente em busca de barrar processos judiciais relacionados à tentativa de golpe de Estado em 2022.

Segundo a AGU, há indicativos de que movimentações atípicas em operações de câmbio possam ter ocorrido antes e depois do anúncio da taxação por Trump, o que levantaria suspeitas sobre ganhos financeiros ilícitos baseados em informações não públicas. A ação pretende investigar a origem dessas operações e o eventual vínculo dos fatos com investigações já em curso sobre obstrução da Justiça.

Investigação cresce em meio à crise diplomática

A apuração chega num momento de extrema tensão entre Brasil e Estados Unidos, após a imposição do tarifaço e medidas restritivas da Justiça brasileira contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados. Eduardo Bolsonaro permaneceu nos EUA após licença parlamentar que venceu neste domingo (20), e é apontado como articulador de pressões externas que teriam potencializado a crise.

Na última sexta-feira (18), Jair Bolsonaro foi alvo de operação de busca e apreensão da Polícia Federal (PF), e teve medidas cautelares impostas pelo STF, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e restrições de circulação e comunicação. Moraes justificou a necessidade das medidas pelo risco de fuga e possível embaraço das investigações envolvendo a trama golpista. A decisão foi apoiada pela maioria dos ministros da Primeira Turma da Corte.

Desaprovação do Congresso supera a do STF; atuação de Moraes divide o país, aponta Quaest

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Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS - PB).
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.

Segundo pesquisa Quaest, 48% dos entrevistados desaprovam a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Outros 41% aprovam. Quanto ao ministro do STF Alexandre de Moraes, 41% dos entrevistados concordam com quem o critica. Outros 41% estão de acordo com quem defende Moraes. 18% não sabem responder. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Em relação à atuação do Congresso Nacional, 51% desaprovam. Outros 42% aprovam. Para efeito de comparação, na semana passada, a Quaest apontou que a desaprovação do presidente Lula (PT) é de 52%. Sua aprovação atingiu 43%.

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Conforme podemos observar, as aprovações de Lula (43%), do STF (41%) e do Congresso (42%) são similares. O Congresso tem a mesma desaprovação de Lula (53%). A do STF, por sua vez, é um pouco mais baixa (48%).

A pesquisa Quaest também apontou que 72% dos entrevistados não sabem que deputados e senadores têm R$ 50 bilhões em emendas, enquanto 27% responderam que sim. Para 46% dos entrevistados, os deputados e senadores não devem ter emendas, e 38% acreditam que sim. 82% consideram que as emendas “são desviadas/alvo de corrupção”. Apenas 9% acreditam que os recursos chegam às cidades.

Quanto à jornada de trabalho 6×1, 71% dos entrevistados são favoráveis ao seu fim. 26% são contrários a sua mudança.

Eduardo Bolsonaro diz que não renunciará após fim de licença na Câmara

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Eduardo Bolsonaro
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou neste domingo (20) que não pretende renunciar ao cargo, mesmo com o término de sua licença de 120 dias, obtida em março ao alegar perseguição política e se mudar para os Estados Unidos. Segundo o Regimento Interno da Câmara dos Deputados, o parlamentar deve retornar ao país e reassumir o mandato ao fim desse período, sob pena de abertura de processo de cassação por faltas.

Em transmissão nas redes sociais, Eduardo declarou: “Eu não vou fazer nenhum tipo de renúncia. Se eu quiser, eu consigo levar meu mandato, pelo menos, até os próximos três meses”.

Investigação no STF

Eduardo Bolsonaro é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por supostamente atuar junto ao governo norte-americano para instigar retaliações contra o Brasil e ministros do próprio STF, além de buscar barrar o andamento da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado de 2022.

O parlamentar voltou a criticar publicamente o ministro Alexandre de Moraes durante a transmissão, e ironizou recentes decisões do governo dos Estados Unidos, como a suspensão do visto de ministros da Corte brasileira. Moraes havia apontado intensificação das condutas ilícitas de Eduardo, e determinou a inclusão de entrevistas e postagens recentes dele nas redes sociais na investigação.

Na transmissão, Eduardo também reforçou o discurso de enfrentamento contra Moraes, fez provocações à Polícia Federal e afirmou estar disposto a “ir às últimas consequências” em defesa da anistia para seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Cassação de mandato

Dentro da Câmara, há o receio de que decisões contra Eduardo, como a cassação de seu mandato, possam ser retaliadas pelos Estados Unidos. Na última semana, o governo Donald Trump suspendeu os vistos de Alexandre de Moraes e mais outros sete ministros do STF.

Caso o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) não atue para retirar o mandato de Eduardo, espera-se que o mandato possa se estender até o final do ano, levando em consideração o máximo de faltas permitidas, sessões não deliberativas da Casa e até reuniões em que Eduardo possa votar de maneira remota.

Até lá, o Partido Liberal (PL) espera que seja encontrada alguma solução, ou que o deputado volte ao Brasil. Caso Eduardo venha a perder seu mandato, por exemplo, por excesso de faltas, ele poderia disputar as próximas eleições.

Tarifaço ameaça laranja, café e carne brasileiros

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Brasília-DF, 10.11.2023, A Centrais de Abastecimento do Distrito Federal, a CEASA-DF, tem movimento intenso de pessoas que buscam as melhores frutas, legumes e verduras.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), alertou que a tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros que são exportados para os Estados Unidos pode provocar desequilíbrios de mercado, comprometer receitas do agronegócio brasileiro e pressionar os valores pagos ao produtos.

Os mercados de suco de laranja, o setor cafeeiro, a pecuária de corte e o de frutas frescas, são os itens mais expostos ao tarifaço, de acordo com o Cepea.

Suco de laranja

Segundo os pesquisadores, o suco de laranja é o produto mais sensível a essa política tarifária. “Isso porque já incide atualmente uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada sobre o produto, e a aplicação de uma sobretaxa de até 50% elevaria significativamente o custo de entrada nos Estados Unidos, comprometendo sua competitividade no segundo maior destino dos embarques brasileiros”, dizem, em nota.

Os norte-americanos importam cerca de 90% do suco que consomem, sendo o Brasil responsável por aproximadamente 80% desse total. “Essa instabilidade ocorre justamente em um momento de boa safra no estado de São Paulo e Triângulo Mineiro: 314,6 milhões de caixas projetadas para 2025/26, crescimento de 36,2% frente ao ciclo anterior”, analisa Margarete Boteon, pesquisadora da área de citros do Cepea e professora da Esalq/USP.

Café

No caso do café, os Estados Unidos são os maiores consumidores do produto, e importam cerca de 25% do que utilizam do Brasil, especificamente da variedade arábica, usada para a indústria de torrefação. Como os EUA não produzem café, o aumento do custo de importação pode comprometer toda a cadeia interna, que abrange torrefadoras, cafeterias, indústrias de bebidas e redes de varejo.

Nesse sentido, Renato Ribeiro, pesquisador de café do Cepea, destaca que a exclusão do café, “não é apenas desejável, mas é estratégica, tanto para a sustentabilidade da cafeicultura brasileira quanto para a estabilidade da cadeia de abastecimento norte-americana”, disse.

Os produtores têm vendido volumes mínimos para manter o fluxo de caixa, adiando as grandes negociações para esperar por definições sobre o cenário tarifário.

Carne bovina

Sendo responsáveis por 12% das exportações de carne bovina, os Estados Unidos são o segundo maior comprador do produto brasileiro, atrás apenas da China. Foram registrados volumes recordes de carne bovina, acima de 40 mil toneladas por mês, entre março e abril deste ano, podendo indicar uma movimentação de estoque, diante do receio de que Trump viesse a aumentar as taxas.

São Paulo, Goiás e Mato Grosso são os estados brasileiros que mais têm exportado carne para os EUA.

Por outro lado, enquanto os embarques para a China vêm crescendo, nos últimos meses houve uma redução no produtos exportados para os Estados Unidos. Em junho, vários outros parceiros também aumentaram sua compras, comparado a maio. Segundo o Cepea, isso sinaliza que os frigoríficos brasileiros têm possibilidade de ampliar suas vendas para outros mercados.

Frutas frescas

Em relação ao mercado de frutas frescas, segundo os pesquisadores da USP, a manga sofre o maior impacto imediato. Isso ocorre porque a maior exportação desse produto começa em agosto, data em que as tarifas de Donald Trump entram em vigor. De acordo com o Cepea, já existem relatos de adiamento de embarques, diante a indefinição tarifária. A uva brasileira também passa a integrar o grupo em alerta, cuja safra é relevante para os EUA a partir da segunda quinzena de setembro.

Antes do tarifaço, a expectativa era de crescimento de exportações de frutas frescas, impulsionado pela valorização cambial e pela recomposição produtiva das culturas.

“A projeção otimista foi substituída por dúvidas. Além da retração esperada nas vendas aos EUA, há o risco de desequilíbrio entre oferta e demanda nos principais destinos, pressionando as cotações ao produtor”, disse Lucas de Mora Bezerra, do Cepea.

De acordo com os pesquisadores, as frutas que seriam destinadas aos Estados Unidos podem ser redirecionadas a outros mercados, ou até mesmo concentradas no mercado interno, o que tende a pressionar os preços ao produtor.

Diante desse contexto geral, o Cepea informa que é urgente “uma articulação diplomática coordenada, com vistas à revisão ou exclusão das tarifas sobre produtos agroalimentares brasileiros”.

“Tal medida é estratégica não apenas para o Brasil, mas também para os próprios Estados Unidos, cuja segurança alimentar e competitividade da agroindústria dependem de forma substancial do fornecimento brasileiro”, diz a nota.

Análise: Crise entre Brasil e EUA tende a piorar antes de melhorar

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Donald Trump delivers remarks at Fort Bragg, North Carolina
Foto: The White House

A última semana se encerrou com a maior crise diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos de nossa história como nação. O quadro é grave, pois o passivo que o Brasil acumulou com os Estados Unidos não pode ser eliminado com rapidez. A imprudência de nossa diplomacia provocou a reação americana, na qual a questão Jair Bolsonaro funciona como um aditivo à crise — mas não é a razão principal.

Nos últimos dias, em resposta às ameaças americanas, o Brasil reagiu com bravatas e com a decisão de impor tornozeleira eletrônica a Bolsonaro. A medida, apoiada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), endossou de forma subliminar a acusação de Alexandre de Moraes de que os Estados Unidos seriam “inimigos estrangeiros”. O gesto acabou por colocar Bolsonaro no centro da crise.

Em resposta, o presidente Lula escalou o vice-presidente Geraldo Alckmin para liderar os esforços de pacificação. No entanto, desconsiderou-se o fato de que Alckmin foi fotografado ao lado de terroristas — posteriormente mortos — durante uma cerimônia em Teerã. Tal fato cria resistências à sua figura como negociador.

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A prateleira de reclamações dos Estados Unidos em relação ao Brasil vai muito além da questão Bolsonaro. Contudo, ela está sendo instrumentalizada para justificar retaliações não tarifárias — como a anunciada suspensão de visto americano para Alexandre de Moraes e, sem confirmação oficial, para outros ministros do STF.

Neste momento, o governo americano avalia novas sanções, com o objetivo de fazer do Brasil um exemplo dissuasivo para os demais países do BRICS. Entre as medidas em análise estão: aumento do tarifaço para até 100%, suspensão da concessão de vistos para brasileiros que desejem visitar os EUA e a abertura de investigações no sistema financeiro americano sobre transações que possam envolver políticos e ministros brasileiros, inclusive do STF. As redes sociais bolsonaristas alimentam especulações divulgando que as sanções poderiam atingir a suspensão do uso de satélites americanos para o sistema GPS, investigar redes de televisão consideradas aliadas de Alexandre de Moraes ou mesmo suspender o sistema financeiro do sistema SWIFT de validação internacional de transações financeiras.

Obviamente com muitos incendiários na cena, tais aspectos podem ser consideradas hipóteses. Mas antes de chegar a esse nível de sanção ao Brasil, outros temas – como os mencionados no parágrafo anterior – podem vir à pauta.

O Brasil avalia como retaliar os Estados Unidos. Caminhar para um tarifaço é uma das hipóteses. Mas muitos setores econômicos importantes do país dependem das importações norte-americanas. O que recomendaria elevada prudência por parte do Brasil. Impor impostos às bigtechs está na pauta, mas também é um tema complexo. Suspender vistos de autoridades norte-americanas seria um gesto simbólico, mas inócuo, pois ninguém em Washington está interessado em vir para o Brasil. Suspender a entrada de americanos no pais seria um tiro no pé do turismo brasileiro que, no ano passado, recebeu mais de 600 mil turistas.

Em busca de um negociador

O Brasil precisa, com urgência, de um negociador. A diplomacia está paralisada por sua ineficiência no caso norte-americano e pelo antiamericanismo que permeia declarações e atitudes oficiais. Os caminhos para a negociação são estreitos e tortuosos. Devem passar, em nossa opinião, pelas autoridades econômicas e financeiras do Brasil, bem como pelo setor privado — que ainda se encontra atônito com os últimos acontecimentos. São poucos os negociadores no governo que estão efetivamente disponíveis, sobretudo por se tratar de uma administração provinciana e ideologicamente preconceituosa.

Do lado norte-americano, há pouca disposição para negociar com o Brasil. Os EUA encontraram um alvo ideal para demonstrar ao mundo seu poder. Afinal, o Brasil mantém profunda dependência das relações tecnológicas, financeiras e comerciais com os Estados Unidos. Em suma, os EUA estão com a faca e o queijo na mão, e o Brasil tem pouco a oferecer.

O que não entra (e não deve entrar) em discussão

Anistiar Jair Bolsonaro está fora de cogitação e representaria uma humilhação para o STF e para o país — especialmente após as declarações de Eduardo Bolsonaro, de que não haverá eleições sem a participação de seu pai. A consequência de prosseguir com o julgamento será o aumento da pressão sobre os ministros do Supremo.

No campo tarifário, poderá haver espaço de negociação se os setores americanos prejudicados pelas importações brasileiras atuarem junto ao governo dos EUA. Isso pode resultar em exceções às penalizações. O Brasil, por sua vez, poderá fazer concessões em áreas comerciais e de serviços.

Na esfera geopolítica, o impasse é maior. O governo norte-americano busca desmontar o BRICS, e vem negociando diretamente com Índia e China. O Brasil, isolado, terá que rever suas narrativas — como a proposta de moeda única, entre outras. Além disso, há outras pautas sensíveis: a situação da tríplice fronteira, a leniência com grupos terroristas, a recusa em classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas e o histórico apoio à Venezuela — agravado pela suspeita de que o Brasil estaria facilitando a exportação de petróleo venezuelano.

Portanto, diante de uma pauta extensa e da baixa capacidade de negociação brasileira, a situação tende a se agravar. Para, ao menos, estabilizar o quadro, será imprescindível contar com negociadores competentes e com acesso real ao núcleo duro do governo americano.

STF encerra nesta segunda julgamento sobre cautelares de Bolsonaro

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Brasília (DF), 18/07 /2025 - Bolsonaro fala a imprensa após colocar tornozeleira na Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal.
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) encerra às 23h59 desta segunda-feira (21) o julgamento virtual que analisa a decisão do ministro Alexandre de Moraes de impor medidas restritivas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de uso de redes sociais e recolhimento domiciliar noturno entre 19h e 6h em dias úteis e em tempo integral nos finais de semana e feriados.

Até o momento, já há maioria formada para manter as restrições, com votos favoráveis de Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e do próprio Moraes; apenas o ministro Luiz Fux ainda não se manifestou.

Investigações

A análise ocorre logo após a Polícia Federal (PF) cumprir, na última sexta-feira (18), mandados de busca e apreensão na residência de Bolsonaro e na sede do Partido Liberal (PL), autorizados por Moraes. Os agentes apreenderam cerca de US$ 14 mil em espécie, além de outros materiais. As medidas foram adotadas no contexto das investigações que apuram supostos crimes de coação no curso do processo, obstrução à Justiça e ataque à soberania nacional.

Segundo a decisão de Moraes, Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teriam atuado para instigar e auxiliar “o governo estrangeiro à prática de atos hostis ao Brasil e à tentativa de submeter o STF aos Estados Unidos”.

Medidas restritivas

Além das buscas, o STF determinou uma série de restrições a Bolsonaro:

  • Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, para monitoramento em tempo real de sua movimentação e prevenção de fuga do país.

  • Proibição de acessar redes sociais, impedindo que Bolsonaro utilize qualquer plataforma digital durante o período das restrições.

  • Toque de recolher: o ex-presidente deverá permanecer em casa entre 19h e 7h da manhã, diariamente.

  • Proibição de qualquer comunicação com embaixadores e diplomatas estrangeiros, o que inclui aproximação de embaixadas.

  • Impedimento de contato com outros réus e investigados pelo Supremo Tribunal Federal, medida que abrange inclusive o filho Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos.

Caso as determinações sejam descumpridas, Bolsonaro pode ter a prisão decretada. As restrições também dificultam, inclusive, o acesso do ex-presidente a hospitais em Brasília, dada a localização de representações diplomáticas na cidade.

Defesa reagiu com surpresa

A defesa de Jair Bolsonaro declarou ter recebido “com surpresa e indignação” a imposição das medidas cautelares, ressaltando que o ex-presidente sempre cumpriu todas as determinações judiciais e prometendo recorrer das restrições.

Ao colocar a tornozeleira eletrônica, Bolsonaro afirmou à imprensa que vivia uma “suprema humilhação”.

Consumidor de energia terá encargo de R$ 49,2 bilhões nas contas este ano

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A diretoria da Aneel definiu, na reunião colegiada de terça-feira passada (15), o orçamento deste ano para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE): R$ 49,2 bilhões. Este é um dos principais encargos cobrados na tarifa de energia elétrica que é repassado para os consumidores. O cálculo final superou em R$ 8,6 bilhões a previsão apresentada em consulta pública realizada no ano passado.

O valor representa um aumento de 32,4% em relação ao orçamento da CDE em 2024, que foi de R$ 37,2 bilhões. O aumento tem gerado críticas recorrentes entre os agentes do setor elétrico, que questionam a permanência de benefícios para alguns segmentos. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, referiu-se à estrutura de subsídios como uma “colcha de retalhos”.

A elevação da cota da CDE estimada pela agência é diferenciada por região territorial e por nível de tensão. Para os consumidores cativos, aqueles atendidos pelas distribuidoras de energia elétrica, o efeito médio da CDE nas tarifas de energia em 2025 representará um acréscimo de 3,85%, no Norte e Nordeste, e de 5,76% no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Esse efeito foi parcialmente observado em revisões e reajustes realizados no primeiro semestre, mas as tarifas calculadas no período devem ser recalibradas para corresponder ao valor final do encargo. Segundo a Aneel, os principais fatores que provocaram o aumento da CDE foram:

  • Fontes incentivadas: remunera os descontos bancados pelas tarifas. O aumento é superior a R$ 3 bilhões e essa destinação já supera R$ 15 bilhões no orçamento anual.
  • Micro e minigeração distribuída (geração própria e venda do excedente): a CDE-GD compensa o desconto pelo uso da rede de energia elétrica oferecido a consumidores com sistemas de micro e minigeração de energia. O aumento foi de R$ 1,97 bilhão.
  • Restos a pagar: no fim do ano passado, a conta CDE, administrada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), apresentou déficit de R$ 612 milhões. Dos restos a pagar transferidos para este ano, mais de 70% se referem a custos do programa Luz Para Todos ainda não executados.
  • Tarifa Social: refere-se a descontos oferecidos a consumidores de energia elétrica beneficiados por programas do governo federal. Apresenta aumento de R$ 1,6 bilhão, sendo R$ 1,1 bilhão decorrente da MP n° 1.300/25, que promoveu mudanças no setor.
  • Conta de Consumo de Combustíveis (CCC): foi impactada, em especial, pela flexibilização dos custos operacionais da Amazonas Energia. Houve aumento de R$ 1,8 bilhão em relação a 2024.
  • Programa Luz Para Todos: remuneração pelas iniciativas de universalização do serviço de energia elétrica. O aumento é de R$ 1,4 bilhão.

Em 2025, deixaram de ser considerados os aportes decorrentes da privatização da Eletrobras. Os valores relativos a 2025, 2026 e 2027 já foram utilizados para a quitação das Conta Covid e Conta Escassez Hídrica, nos termos da MP nº 1.212/24.

Mercado reduz previsão de inflação para 2025 pela oitava semana seguida

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Banco Central, boletim focus
Foto: Enildo Amaral/BCB

O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (21) pelo Banco Central (BC), mostra que o mercado financeiro voltou a revisar para baixo, pela oitava semana consecutiva, a projeção para o IPCA de 2025. O índice caiu de 5,17% para 5,10%, reforçando uma tendência de acomodação – ainda que em patamar superior ao teto da meta estipulada para o período.

Para os anos seguintes, as expectativas de inflação também recuaram ou foram mantidas:

  • IPCA de 2026: 4,45% (era 4,50% na semana passada)

  • IPCA de 2027: 4,00% (estável)

  • IPCA de 2028: 3,80% (era 3,81%)

No caso do IGP-M, principal referência para reajustes de contratos de aluguel:

  • 2025: 1,72% (era 2,18%)

  • 2026: 4,45% (era 4,50%)

  • 2027: 4,00% (mantida)

  • 2028: 3,98% (de 3,96%)

PIB e dólar

As expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto permanecem moderadas:

  • 2025: 2,23% (estável)

  • 2026: 1,88% (ante 1,89%)

  • 2027 e 2028: 2,00% (ambas estáveis há 71 semanas)

Dólar:

  • 2025: R$ 5,65

  • 2026: R$ 5,70 (estável)

  • 2027: R$ 5,70

  • 2028: R$ 5,70 (de R$ 5,76)

Taxa Selic

A projeção para a taxa básica de juros permanece inalterada há semanas, refletindo consenso sobre estabilidade no cenário de política monetária:

  • 2025: 15%

  • 2026: 12,50%

  • 2027: 10,50%

  • 2028: 10,00% (mesmo valor há 30 semanas)

O consenso do mercado, então, indica um cenário de desaceleração inflacionária gradual ao longo dos próximos anos, com PIB estável em patamares moderados, câmbio sem grandes volatilidades e política monetária ainda restritiva no curto e médio prazo.

Termômetro das expectativas

Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central, e reúne projeções de economistas, analistas e operadores do mercado financeiro. Ele serve como um termômetro das expectativas econômicas, e influencia decisões de empresas, investidores e do próprio governo.

Como será a semana – 21/7 a 25/7

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Como será a semana, agenda

Continuam as reuniões entre governo e empresários para tratar da tarifa impostas pelos EUA ao Brasil. Os pagamentos aos aposentados e pensionistas do INSS vítimas de fraudes começam na próxima semana. A equipe econômica divulga o relatório bimestral de receita e despesa.

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AGENDA POLÍTICA DA SEMANA

Próxima semana

  • O governo federal continua diálogo com o setor privado para discutir a imposição de tarifa de 50% ao Brasil por parte do governo americano.

Segunda-feira (21/07)

  • Prazo final para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que tiveram descontos indevidos por entidades associativas aderirem ao acordo de devolução dos recursos oferecido pelo governo federal.

Quarta-feira (23/07)

  • Divulgação do relatório bimestral de receita e despesa.

  • A Confederação Nacional da Indústria divulga dados setoriais do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI).

Quinta-feira (24/07)

  • Governo federal inicia pagamento de aposentados e pensionistas do INSS que tiveram descontos indevidos em seus benefícios.

  • O Supremo Tribunal Federal promove interrogatório dos réus da Ação Penal (AP) 2694, que integram o Núcleo 4 da tentativa de golpe de Estado, acusadas de espalhar notícias falsas e atacar instituições e autoridades.

Sexta-feira (25/07)

  • Prazo limite para o presidente Lula sancionar lei oriunda da medida provisória (MPV 1291/2025) que autoriza o uso de recursos do Fundo Social para financiar projetos de infraestrutura social, habitação popular e enfrentamento a calamidades públicas.

  • Prazo limite para o presidente Lula sancionar lei oriunda da medida provisória (MPV 1292/2025) que atualiza as regras sobre crédito consignado para trabalhadores do setor produtivo, incluindo profissionais que atuam por meio de aplicativos de transporte de passageiro e entrega de produtos.

  • IBGE divulga IPCA-15 de julho.

CNI aponta queda nas finanças no segundo trismestre de 2025

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Foto: Divulgação/Governo do Espírito Santo

Nesta sexta-feira (18), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou a Sondagem Industrial, que aponta uma deterioração nas condições financeiras da indústria no segundo trismestre do ano. O índice de satisfação com as finanças dos negócios caiu de 48,8 pontos para 48,4, indicando uma leve queda de 0,4 pontos. Em relação ao primeiro trimestre, os dados mostram aumento na insatisfação das indústrias.

O índice de satisfação com o lucro operacional também recuou, passando de 43,8 para 42,8 pontos, refletindo a insatisfação dos empresários. Em cenário semelhante, o índice de facilidade de acesso ao crédito diminuiu 0,5 ponto, atingindo 39,9 pontos. Dificultando a obtenção de financiamento da indústria.

Por outro lado, o índice de evolução do preço médio das matérias-primas caiu 5,4 pontos, chegando a 57 pontos. Apesar da queda, o indicador permanece acima da linha divisória de 50 pontos, sinalizando que os preços dos insumos e matéria-prima seguem em alta.

Carga tributária, juros e demanda foram os principais problemas

Segundo a pesquisa, os três principais problemas enfrentadas pela indústria foram a alta carga tributária, por 36,7%; as taxas de juros, por 29,5%; e a demanda interna insuficiente, por 28,3%

No primeiro trimestre, a demanda interna insuficiente era apontada como o segundo maior problema, ficando à frente das taxas de juros elevadas. No entanto, no segundo trimestre, as ordens se inverteram.

A taxa de câmbio perdeu relevância entre os principais problemas, caindo da 6° para 12° no ranking. O fator foi apontado por 9,4% dos entrevistados, uma queda de sete pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

Desempenho da atividade industrial segue negativo

As atividades industriais tiveram um desempenho negativo em junho. O índice de evolução da produção foi de 47,2 pontos, indicando queda em relação a maio, mês em que o indicador registrou 52 pontos. O índice de evolução do número de empregados foi de 49,1 pontos, também uma retração frente ao mês anterior, quando chegou a 49,6 pontos.

Em relação ao planejado, o índice de estoque recuou de 50,5 pontos para 49,7 pontos, Com essa queda, o índice ficou abaixo da linha de 50 pontos, sendo inferior ao planejado pelos empresários industriais.

Por outro lado, a Utilização da Capacidade Instalada segue avançamdo. Subiu de 70%, em maio, para 71%, em junho. O índice supera em um ponto a UCI registrada no mesmo periodo em 2024.

Expectativas recuam, mas continuam positivas

Todos os índices de expectativa da indústria caíram em julho. O de exportação, 0,8 ponto; o de demanda e o de compras de insumos e matérias-primas, 0,2 ponto; e o de empregados, 0,1 ponto. No entanto, os indicadores continuam positivos, sugerindo que os empresários ainda acreditam em alta nos próximos seis meses.

O índice de intenção de investimento apresentou estabilidade, ao variar de 56,1 pontos para 56,2 pontos. Entre dezembro de 2024 e junho de 2025, o indicador acumula queda de 2,6 pontos.

A pesquisa foi realizada entre 1º e 10 de julho de 2025 e ouviu 1.486 empresas: 607 de pequeno porte; 529 de médio porte; e 350 de grande porte.