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Congresso mantém recesso parlamentar e impede apoio formal a Bolsonaro

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A cúpula menor, voltada para baixo, abriga o Plenário do Senado Federal. A cúpula maior, voltada para cima, abriga o Plenário da Câmara dos Deputados. Congresso Nacional
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), proibiu, por meio de ato oficial publicado nesta terça-feira (22), a realização de reuniões de qualquer comissão da Casa até 1º de agosto, data em que se encerra oficialmente o recesso. A medida ocorre no momento em que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inclusive integrantes de comissões presididas por seu partido, planejavam manifestações de apoio após as restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão foi tomada enquanto a Comissão de Segurança Pública, presidida pelo deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), se preparava para votar uma moção de apoio a Bolsonaro. Reuniões similares também estavam previstas na Comissão de Relações Exteriores, também liderada por um deputado do PL.

No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) já havia reforçado, por meio de nota, que a Casa manteria o recesso parlamentar até o primeiro dia de agosto.

Reação do PL

Impedida de se reunir oficialmente, a bancada do Partido Liberal (PL) promoveu uma coletiva de imprensa para criticar a atuação do Judiciário e reforçar o apoio ao ex-presidente. Os parlamentares classificaram as investigações como perseguição política, em resposta às medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes.

Bolsonaro foi obrigado, desde a última sexta-feira (18), a usar tornozeleira eletrônica, além de estar proibido de usar redes sociais, direta ou indiretamente.

STF enquadra Bolsonaro e Eduardo

As medidas cautelares integram o inquérito em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente que havia se licenciado para permanecer nos Estados Unidos, é investigado por suposta atuação junto ao presidente norte-americano Donald Trump em tentativa de interferência nas instituições brasileiras. Moraes afirmou haver indícios de obstrução de justiça, coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Segundo o ministro, Eduardo Bolsonaro teria feito “flagrante confissão” em entrevista feita nos Estados Unidos.

Transporte marítimo terá cobrança global de carbono a partir de 2027

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A partir de 2027, o transporte marítimo internacional passará a ser regulado por uma taxa de carbono – mecanismo definido pela Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) e cujos pagamentos começarão em 2028. O objetivo é ambicioso: cortar pela metade as emissões de gases de efeito estufa (GEE) do setor até 2035 e alcançar emissão líquida zero até 2050. A nova política atinge navios acima de 5.000 toneladas, responsáveis por aproximadamente 85% de todo o CO₂ emitido no transporte marítimo global.

A regulamentação detalhada será finalizada em outubro deste ano, em reunião extraordinária da IMO.

Transporte marítimo

Segundo dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês), mais de 80% do comércio mundial ocorre por meio do transporte marítimo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera essa uma etapa importante para acelerar a transição energética global. A IMO estima que 3% das emissões globais de CO₂ correspondam a essa modalidade de transporte. Esta medida pode estimular a substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis na frota naval, embora também traga desafios à indústria.

“Por um lado, a mudança pode representar uma janela de oportunidade para o Brasil. Por outro, é preciso definir detalhes de como as medidas serão aplicadas para que não agrave desigualdades econômicas e comerciais entre países ricos e em desenvolvimento”, avalia o diretor de desenvolvimento da CNI, Jefferson Gomes.

Impactos regionais

Por abrigar portos importantes e estar próxima de grandes centros de movimentação de carga, a Europa tem investido fortemente em rotas tecnológicas mais sustentáveis, incluindo o uso de navios com baixa emissão de carbono. Por isso, o impacto de eventuais cobranças tende a ser menor.

Em contrapartida, países como o Brasil, que enfrentam longas rotas de exportação e operam com cargas de menor valor agregado, devem sentir um aumento significativo nos custos logísticos.

“Sem mecanismos de compensação ou apoio à adaptação, corremos o risco de aprofundar ainda mais as desigualdades econômicas e sociais no comércio internacional”, afirma Gomes.

Segundo ele, essas medidas também atendem a interesses geopolíticos de potências industriais historicamente consolidadas. Países desenvolvidos, como os da União Europeia, recorrem ao argumento da sustentabilidade para impor barreiras não tarifárias a produtos de nações emergentes, como Brasil e China.

Oportunidade com os biocombustíveis

Com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo e um histórico de inovação em biocombustíveis, o Brasil tem potencial para se tornar um fornecedor estratégico de alternativas sustentáveis, como etanol, biodiesel, combustível sustentável de aviação (SAF) e combustível renovável marítimo, ainda em desenvolvimento, mas já visto como promissor na redução das emissões da navegação.

No entanto, um dos obstáculos é a persistência de mitos sobre uma suporta disputa por território para a produção de biocombustíveis e a de alimentos, mesmo que essa ideia já tenha sido refutada por estudos técnicos de entidades como a Agência Internacional de Energia (AIE) e pela própria experiência brasileira

“Além disso, há avanços expressivos no uso de resíduos agrícolas e industriais para a produção de biocombustíveis de segunda geração, o que reduz ainda mais qualquer impacto sobre terras aptas ao cultivo”, complementa Gomes.

Com a taxação climática se aproximando, ele reforça a importância de o Brasil coordenar políticas industriais e comerciais para evitar penalizações desiguais e, ao mesmo tempo, aproveitar a oportunidade para se consolidar como uma potência verde no novo cenário logístico global.

“Essa transição tem potencial de contribuir com o clima enquanto promove desenvolvimento econômico, aumento de renda e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis no Brasil”, conclui.

Governo quer reverter pontos de projeto que flexibiliza licenciamento ambiental

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A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o então ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, e o então ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal avalia editar uma medida provisória para reverter trechos do projeto de lei que flexibiliza as regras de licenciamento ambiental (PL 2159/2021). A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados na última quinta-feira (17) e aguarda sanção presidencial.

Segundo o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), o tema será debatido com o Congresso ainda nesta semana. “Assim como fizemos recentemente com os chamados jabutis do setor elétrico, vamos sentar com o Congresso e buscar uma solução mediadora. Tem pontos que vamos ter que reverter em negociação ou em uma medida provisória”, afirmou.

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O que diz o projeto aprovado

O projeto cria a modalidade de licenciamento simplificado para empreendedores de pequeno e médio porte e potencial poluidor reduzido, desde que firmem compromisso com a autoridade ambiental. Também prevê a dispensa de licenciamento para obras militares, cultivo agrícola e pecuária extensiva sob condições de regularidade, bem como obras e serviços de manutenção de infraestrutura e ações emergenciais ou de calamidade pública. Também não será necessário o licenciamento para obras de saneamento até o cumprimento das metas do Marco Legal do Saneamento, com exigência de outorga para o lançamento de efluentes.

Durante a votação final na Câmara, o relator, deputado Zé Vitor (PL-MG), acatou 27 das 32 emendas do Senado e promoveu alterações significativas no texto. Um dos principais pontos é a inclusão de empreendimentos minerários de grande porte ou alto risco no regime de licenciamento simplificado, o que, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), poderia destravar investimentos e dinamizar o setor.

Também foi acolhida emenda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que cria a Licença Ambiental Especial (LAE), um procedimento acelerado para projetos considerados estratégicos. A definição desses empreendimentos ficará a cargo do Conselho de Governo, composto por ministros e secretários do Executivo. Alcolumbre é defensor da exploração de petróleo na Margem Equatorial, uma das motivações da emenda.

Em contrapartida, foi retirado o dispositivo que autorizava ações emergenciais sem licenciamento em casos de calamidade pública — ponto considerado problemático por ambientalistas e órgãos de controle.

Confiança da indústria recua em julho e atinge menor nível desde 2020, aponta CNI

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Foto: Isac Nóbrega/PR

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, nesta terça-feira (22), que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) manteve-se em queda e chegou a 47,3 pontos em julho de 2025. Este é o menor patamar desde junho de 2020, indicando falta de confiança pelo sétimo mês consecutivo no setor industrial brasileiro

Em julho, a confiança da indústria caiu em 21 de 29 setores da indústria pesquisados, entre todos os portes de empresa industrial (pequeno, médio e grande) e de todas as regiões do Brasil.

Os dados ainda não refletem os efeitos do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos. Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a queda na confiança está relacionada ao recente aumento da taxa Selic.

“Foi um grande recuo generalizado, mas ainda não reflete completamente a opinião dos empresários industriais sobre o anúncio de aumento das tarifas de importação do governo americano, pois a pesquisa foi realizada nos primeiros dias de julho”, explica.

Desempenho na indústria

A região Norte registrou a maior queda, com o índice caindo de 53 pontos em junho para 50 pontos em julho. No momento, apenas as indústrias do Nordeste mantém a confiança. Nas demais regiões, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, os empresários seguem com falta de confiança no cenário econômico.

Ainda, três setores – perfumaria, limpeza/higiene pessoal, produtos diversos e borracha – migraram de confiança para falta de confiança, enquanto apenas manutenção e reparação passou ao campo positivo. Em total, 23 setores estão sem confiança, apenas seis seguem otimistas.

O índice caiu em empresas de todos os portes: médias lideraram a redução (-1,3 ponto), seguidas por grandes (-1,1 ponto) e pequenas (-0,7 ponto). Entre as 1.788 empresas participantes, estavam 724 pequenas, 652 médias e 412 grandes

Possível manifestação de caminhoneiros em apoio a Bolsonaro é isolada e não tem apoio de entidades

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Foto: Reprodução/EBC

As possíveis manifestações de caminhoneiros em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não contam com apoio institucional de entidades. Apesar de rumores sobre possíveis paralisações,organizações do setor afirmam que qualquer movimento neste sentido seria isolado e sem vinculação oficial com a categoria.

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A Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo (FETRABENS) emitiu nota oficial nesta terça-feira (22) reafirmando que não endossa qualquer paralisação relacionada a questões políticas. A entidade prioriza a ordem econômica e o transporte contínuo, defendendo caminhoneiros via diálogo institucional.

No Rio de Janeiro, a Federação de Caminhoneiros (FECAM-RJ) também se posicionou contra greves políticas, afirmando que sua luta é por melhores condições de trabalho, frete justo e segurança nas estradas, e não por bandeiras partidárias. “Não toleramos pessoas ou entidades que não nos representam e que buscam usar a categoria para fins políticos”, declarou o presidente Antônio Vitaliano.

Preocupação com impacto econômico

Entidades focam nos impactos das tarifas dos EUA, que podem reduzir cargas e afetar a renda dos caminhoneiros. FETRABENS levará as demandas ao Fórum TRC em 29/07 para negociar apoio federal ao setor.

Wallace Landim, o Chorão, presidente da Abrava, reforçou a necessidade de cautela: “Não podemos deixar o segmento do transporte ser usado como massa de manobra política”. Ele admitiu que, como cidadão, compreende manifestações populares, mas como líder da categoria, defende que os caminhoneiros não sejam instrumentalizados em meio a crises políticas.

Movimentos isolados em Santa Catarina

Apesar da posição das entidades, há relatos de articulações pontuais em regiões com forte base bolsonarista, como Santa Catarina. O deputado Zé Trovão (PL-SC), aliado do ex-presidente, chegou a mencionar pressões por uma paralisação, mas não há indícios de adesão em larga escala.

Câmara retoma debate sobre regras dos trabalhadores de aplicativos em agosto

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Usuário pedindo carro em aplicativo.
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Câmara dos Deputados deve retomar em agosto as discussões sobre a regulamentação do trabalho de motoristas de aplicativo, como Uber, e entregadores, como do iFood. O tema, que enfrentou dificuldades para avançar no primeiro semestre, volta ao debate com a criação de uma comissão especial, oficializada na última semana antes do recesso legislativo pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

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Em vez do texto original do governo (PLP 12/2024), que não inclui entregadores por aplicativo nem motociclistas, Motta deu preferência a um texto alternativo, apresentado pelo deputado Luiz Gastão (PSD-CE), o PLP 152/2025. O novo projeto, além de incluir os motociclistas, amplia o escopo da proposta e tem uma abordagem diferente para as regras de remuneração. Em vez de um valor fixo, define porcentagens máximas do quanto as plataformas, como Uber e iFood, podem cobrar sobre o valor de cada corrida ou entrega.

A expectativa é de que os trabalhos do colegiado comecem na primeira semana de agosto. O deputado Joaquim Passarinho (PL-PA) foi indicado para presidir a comissão, enquanto a relatoria ficará a cargo de Augusto Coutinho (Republicanos-PE), que também relatou a proposta original enviada pelo governo.

Governo propôs remuneração mínima, contribuição previdenciária e representação sindical

O projeto do governo (PLP 12/2024), que serviu como ponto de partida para o debate, previa uma remuneração mínima de R$ 32,10 por hora trabalhada, contada a partir da aceitação da corrida até a chegada ao destino. Desse valor, R$ 8,03 seriam destinados como retribuição pelos serviços prestados e R$ 24,07 como ressarcimento de custos operacionais, como combustível, manutenção do veículo, seguro, impostos e depreciação. Isso gerou dúvidas entre os trabalhadores sobre quanto realmente ganha um motorista ou entregador, após o abatimento de todos os custos.

Na proposta, o trabalhador seria enquadrado como contribuinte individual para fins previdenciários, com alíquota de 7,5% sobre 25% do valor bruto mensal. Já as plataformas contribuiriam com 20% sobre a mesma base. O objetivo, segundo o governo, seria garantir benefícios como aposentadoria, licença-maternidade, auxílio-doença e até auxílio-refeição, dependendo de regulamentação complementar.

O texto também prevê a representação da categoria por meio de sindicatos, que ficariam responsáveis pela negociação coletiva com as empresas. No entanto, esse ponto gerou controvérsia. Há divisão entre os próprios motoristas: enquanto alguns consideram a sindicalização essencial para garantir direitos e fortalecer o poder de negociação, outros demonstram desconfiança, temendo a imposição de contribuições obrigatórias e questionando a real representatividade dos sindicatos indicados.

Motoristas criticam modelo de autonomia e temem perdas na renda

Apesar das intenções declaradas, o texto enfrentou críticas tanto das empresas, que se opõem à imposição de um piso remuneratório, quanto de parte expressiva dos motoristas. Um dos principais pontos de insatisfação entre os trabalhadores é a percepção de que a proposta não assegura uma verdadeira autonomia. Embora o texto assegure liberdade para escolher horários e dias de trabalho, muitos motoristas consideram que, na prática, não têm poder real para negociar tarifas ou condições. Alguns descrevem essa autonomia como “ilusória” e relatam que se sentem pressionados por metas e exigências crescentes, com todos os custos e riscos da atividade recaindo sobre eles.

Outro ponto de tensão é a própria remuneração mínima. Motoristas temem que o valor de R$ 32,10 por hora, apesar de apresentado como piso, acabe se consolidando como um teto, principalmente em regiões onde os ganhos atualmente são mais altos. Também há críticas ao fato de que esse valor inclui os custos da operação, o que, segundo a categoria, pode torná-lo insuficiente para manter a atividade de forma sustentável. Movimentos organizados, como o “Breque dos Aplicativos”, defendem valores alternativos: pelo menos R$ 10 por corrida e R$ 2,50 por quilômetro rodado, o que ajudaria a esclarecer quanto ganha efetivamente um motorista ou entregador por hora de trabalho.

Texto alternativo amplia categorias e flexibiliza regras de cobrança

Diante das dificuldades de tramitação, Motta decidiu priorizar uma proposta alternativa: o PLP 152/2025, de autoria do deputado Luiz Gastão (PSD-CE). O novo texto inclui motociclistas e entregadores, deixados de fora pela proposta original, e adota uma abordagem distinta sobre remuneração e encargos.

A remuneração bruta (incluindo gorjetas) passaria a ser fracionada entre “serviços prestados” e “indenização por custos da atividade”, com percentuais variáveis conforme a modalidade:

  • Automóveis (transporte de passageiros): 25% para serviços, 75% para custos;

  • Motocicletas (transporte de passageiros): 35% para serviços, 65% para custos;

  • Coleta e entrega de bens: 50% para cada componente.

Pelo texto, as obrigações fiscais e previdenciárias incidiriam apenas sobre a fração correspondente aos “serviços prestados”, o que reduz a base de cálculo dos encargos. Já as plataformas poderão cobrar uma taxa única de até 30% do valor pago pelo usuário ou, alternativamente, adotar um modelo de cobrança mensal fixa.

72% consideram que conflitos com os Estados Unidos podem afetar muito a economia brasileira, aponta a Ipsos-Ipec

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Donald Trump, Estados Unidos, EUA
Foto: Divulgação/The White House

A pesquisa Ipsos-Ipec divulgada hoje (22) aponta que 72% dos entrevistados consideram que os recentes conflitos com os Estados Unidos podem afetar muito a economia brasileira. 20% entendem que a economia pode ser um pouco afetada. Apenas 4% acreditam que a economia não será afetada. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O Ipsos-Ipec também avaliou o apoio dos países no Brasil. O Irã e a Rússia possuem uma imagem negativa de 70%. Apenas 14% das respostas foram favoráveis a esses dois países. Em relação aos Estados Unidos, 49% têm uma imagem negativa dos norte-americanos. Para 37%. A imagem dos Estados Unidos é positiva.

A Ucrânia, que está em guerra com a Rússia, tem uma imagem negativa de 53% e positiva de 32%. Israel é avaliado negativamente por 52%. 35% têm uma imagem positiva do país. Quanto à Palestina, a avaliação negativa é de 61%. O índice positivo é de 21%.

Apesar do conflito com os Estados Unidos ter fornecido para o presidente Lula a narrativa da defesa da soberania, o fato da maioria dos entrevistados considerarem que o conflito com os norte-americanos irá afetar muito a economia pode prejudicar a imagem do governo de médio a longo prazo, principalmente se o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros não for revertido.

Outro aspecto a ser considerado é que mesmo com a imagem dos Estados Unidos ser mais desfavorável que favorável, a imagem positiva do país no Brasil ainda é muito superior à registrada, por exemplo, pela Rússia e Irã, países que integram os BRICS, grupo do qual o Brasil participa e está fortalecendo seus laços durante o atual governo.

Comissão do Senado aprova auditoria contábil pelo TCU em sete agências reguladoras

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Fachada Tribunal de Contas da União - TCU
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Comissão do Senado Federal aprovou, na quarta-feira passada (16), requerimento que pede ao Tribunal de Contas da União (TCU) a realização de auditoria contábil, financeira e orçamentária em sete agências reguladoras. De autoria do senador Marcos Rogério (PL-RO), o requerimento foi aprovado na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor.

A auditoria deve incluir os setores de telecomunicações, transportes, energia e mineração, nas agências Anatel, ANTT, Antaq, Anac, Aneel, ANM e ANP. Os senadores querem que o TCU avalie informações sobre arrecadação, gestão e aplicação dos recursos provenientes dos fundos e das taxas sob a responsabilidade das agências.

O tribunal tem apresentado diagnósticos sobre a situação das agências ao longo dos últimos anos, comprovando as informações que motivam o alerta sobre a situação atual dessas autarquias. E tem fiscalização em andamento em quatro das 11 agências: de Telecomunicações (Anatel); de Energia Elétrica (Aneel); de Mineração (ANM); e de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A ideia é que a ação de controle seja estendida a todas as agências que atuam em setores regulados, conforme manifestação feita pelo presidente do tribunal, ministro Vital do Rêgo, no fim do ano passado.

Nomes indicados

O governo encaminhou ao Senado, na semana passada, mensagem com a indicação do auditor do TCU, Frederico Dias, para a vaga de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), em substituição a Eduardo Nery, cujo mandato encerrou-se em fevereiro.

Também foram enviados os nomes de Gentil Nogueira, secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, e de Willamy Frota, ex-presidente da Amazonas Energia, para as duas vagas existentes na diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

As sabatinas na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado devem ocorrer entre os dias 11 e 15 de agosto, após o recesso parlamentar.

Análise: Saldo do semestre é melhor para governo que para oposição

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Lula
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O recesso do Congresso Nacional, iniciado no último dia 18, marca o encerramento do primeiro semestre da cena política no país. Até aqui, governo e oposição têm pouco a comemorar. Ainda assim, a gestão do presidente Lula (PT) fecha o período em situação mais confortável que seus adversários.

A oposição, liderada pelo bolsonarismo, embora tenha iniciado o ano dominando o debate digital com as narrativas sobre uma suposta taxação do Pix e a alta da inflação, conseguiu avançar apenas parcialmente em sua agenda prioritária. A principal vitória foi a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, para investigar cobranças indevidas a aposentados e pensionistas. A exploração midiática do escândalo contribuiu para a forte queda nos índices de aprovação do governo, podendo provocar novos estragos quando a CPMI começar a trabalhar, em agosto. Já a derrubada do decreto presidencial do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) representou um êxito momentâneo, pois foi revertida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e ainda serviu de mote para a reação governista, com o discurso da “taxação dos super-ricos”.

Por outro lado, não avançaram as propostas centrais da oposição, como a anistia aos presos pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e a reabilitação penal e eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Somem-se a isso recentes reveses, com a apresentação das alegações finais da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao STF, que recomendou a condenação do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado, a operação da Polícia Federal com imposição de medidas restritivas a ele e, ainda, a repercussão altamente negativa provocada pelas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil, justificadas pelo processo contra Bolsonaro. Esse episódio ainda gerou desavenças internas no clã bolsonarista e expôs as dificuldades do grupo em criar um discurso convincente para defender a ação de Trump.

O governo, por seu turno, beneficiou-se desse contexto. As narrativas sobre a disputa tributária entre ricos e pobres e sobre a interferência norte-americana em assuntos internos, com retaliação comercial, vêm ajudando a melhorar sensivelmente a avaliação da gestão. Na pauta legislativa, houve progressos em matérias cruciais, como o projeto que isenta de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês e tributa grandes rendimentos e a PEC que reestrutura a segurança pública no país. Foi instalada também a Comissão Mista que analisará a Medida Provisória nº 1.303, sobre regras fiscais. Embora ainda faltem várias etapas para a conclusão dessas propostas, é inegável o avanço, diante da complexidade e das divergências nessa pauta. De quebra, aproveitando a onda favorável, Lula vetou o projeto que aumentava o número de deputados federais, medida amplamente rejeitada pela população. Portanto, apesar das pendências para o restante do ano, o governo encerra o semestre em situação nitidamente melhor que nos meses anteriores.

Alckmin reúne big techs para debater tarifaço dos EUA e nega retaliação

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Brasília (DF), 14/07/2025 - Vice presidente, Geraldo Alckmin, durante entrevista após assinatura de medida provisória que concede isenção da taxa de serviço metrológico para verificação de taxímetros.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), comandou nesta segunda-feira (21) uma reunião com representantes de grandes empresas de tecnologia no Palácio do Planalto, com foco nas consequências do tarifaço de 50% anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

O encontro faz parte de um esforço do comitê interministerial do governo brasileiro para ouvir setores da economia afetados pela medida e buscar alternativas de atuação diplomática e comercial. Participaram da reunião representantes da Apple, Meta, Google, Visa, Expedia e da Câmara Brasileira da Economia Digital, além de membros dos ministérios das Relações Exteriores, Fazenda, Indústria e da Vice-Presidência.

Governo nega taxação de big techs

Ao deixar o Palácio do Planalto, o presidente em exercício afirmou que a reunião foi produtiva e abriu espaço para um diálogo. Alckmin, no entanto, negou a possível taxação nas big techs como resposta a um aumento de tarifas pelos Estados Unidos.

“Elas são investidoras no Brasil. Demonstraram que o Brasil é relevante no trabalho delas para crescerem no país e ficaram de nos encaminhar na sequência algumas questões que para eles são mais relevantes. Abrimos um bom diálogo”, declarou.

Apesar de o Pix representar um ponto de atrito entre o Brasil e as big Techs, Alckmin afirmou que, ainda assim, as empresas de tecnologia defenderam a ampliação do sistema para todos.

“O Pix é um sucesso absoluto, facilitou a vida das pessoas. Nada impede que outras empresas participem da forma de pagamento. Elas falaram que defendem o Pix para todos. O que é importante? É que tem que ser de graça. É um sucesso, um exemplo para o mundo. Muita gente vem para o Brasil para ver como fazer”, afirmou.

Na semana passada, o governo Trump anunciou o início de uma investigação comercial contra o Brasil, alegando práticas desleais. O documento aponta a corrupção, o desmatamento, decisões que limitam o trabalho de big techs no país e o Pix, que, segundo os Estados Unidos, afetaria empresas financeiras estadunidenses.

O governo brasileiro reforçou que o Pix, universal e gratuito, é uma referência internacional no sistema de pagamentos.