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Força Nacional do SUS: Senado deve analisar e oficializar projeto após recesso

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Após o recesso parlamentar, o Senado deve analisar o projeto de lei PL 351/2019, que cria a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS). A proposta busca transformar em lei a estrutura que hoje funciona por decreto, estabelecendo normas permanentes para a sua gestão, atuação, composição e integração com estados e municípios.

O projeto de lei, de autoria do deputado licenciado e atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT-SP), foi aprovado com modificações propostas pela relatora, deputada Ana Pimentel (PT-MG).

A relatora destacou que a proposta estabelece uma política voltada à resposta a emergência sanitária do país. Segundo ela, o texto traz ações conectadas com outros programas da saúde, “com significativos ganhos para a rede básica de atenção à saúde”.

A FN-SUS atua em ações de prevenção, assistência e repressão a situações epidemiológicas, de desastres ou casos de desassistência à população. A participação dos entes federativos interessados é voluntária.

O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 14 de julho e encaminhado à Secretaria Legislativa do Senado, onde aguarda o encaminhamento para as comissões temáticas.

Histórico do programa

A Força Nacional do Sistema Único de Saúde, foi criada como resposta a desastres, instituída em novembro de 2011, durante o governo da presidenta Dilma Rousseff, por meio do Decreto 7.616, de 2011. Desde já, realizou mais de 40 missões de apoio em situações de desastres naturais, desassistência e outras tragédias, e é acionada mediante solicitação de estados ou municípios, quando a capacidade local é insuficiente.

A FN-SUS esteve presente em calamidades públicas, como no rompimento de barragens em Mariana (MG) e Brumadinho (MG), na pandemia de Covid-19 e na crise de desassistência no território Yanomami; e também em eventos com grande concentração de pessoas de forma preventiva, como a Rio+20, a Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas 2016. O sucesso desse programa ao longo dos anos, demonstra a importância de torna-ló em uma política de Estado, garantida em lei.

Criação de um órgão

O projeto determina a criação de um órgão gestor da FN-SUS, encarregado de estabelecer critérios e mecanismos para avaliar as solicitações; manter o cadastro dos profissionais aptos à convocação e mobilização; além de pesquisadores e especialistas em saúde, instituições e serviços que integrão as respostas coordenadas as situações de emergências em saúde pública.

Durante emergências sanitárias e de saúde, o órgão poderá solicitar apoio de outras entidades federais e órgãos, especialmente em situações desastres, epidemias e eventos de massa. Também deverá firmar contrato, convênios e parcerias para assegurar a força do trabalho, logística e matériais necessários.

Além disso, a FN-SUS contará com uma equipe de resposta rápida, composta por profissionais de saúde treinados para atuação imediata em surtos, epidemias, desastres e acidentes com múltiplas vítimas.

Composição da FN-SUS

Poderão integrar a Força Nacional do SUS os servidores e empregados públicos de hospitais sob gestão federal e hospitais universitários federais. Além dos servidores federais ou empregados públicos do Ministério da Saúde e entidades vinculadas.

Também poderão participar profissionais contratados temporariamente, integrantes de hospitais filantrópicos vinculados ao SUS, servidores estaduais e municipais, além de voluntários com formação adequada às demandas das emergências.

Todos os profissionais serão coordenados pelo órgão gestor da FN-SUS durante o período da designação, sem prejuízo da remuneração ou do vínculo funcional com o órgão ou entidade de origem.

Os profissionais de saúde mobilizados em missão pela FN-SUS estarão dispensados de compensar as horas não trabalhadas em sua instituição empregadora, salvo se houver cláusula contratual específica prevendo condição para compensação.

Apoio das forças armadas

Por determinação do presidente Lula, as Forças Armadas poderão apoiar as atividades da FN-SUS, fornecendo instalações, recursos humanos, transporte, logística e treinamento. Nesses casos, as despesas serão custeadas com recursos do Ministério da Saúde.

A FN-SUS também poderá ser convocada para atuar em ações humanitárias e em respostas internacionais quando solicitado.

Redução da jornada de trabalho esfria na Câmara e depende de impulso do governo

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carteira de trabalho, desemprego
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As discussões sobre a redução da jornada de trabalho perderam força na Câmara dos Deputados neste primeiro semestre. Fontes consultadas pela Arko Advice informaram que o presidente da Comissão de Trabalho, Leo Prates (PDT-BA), tentou dar andamento no debate, mas não teve apoio.

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A última decisão tomada sobre o assunto ocorreu em maio deste ano, com a criação da subcomissão para debater o tema do fim da escala 6×1 (PEC 8/25). A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora da proposta, assumiu a presidência, e o deputado Luiz Gastão (PSD-CE), a relatoria. No entanto, até o momento, não há previsão de apresentação do plano de trabalho.

Por hora, o tema depende de um impulso do governo no pós-recesso parlamentar para ter andamento neste segundo semestre. Com a aproximação das eleições de 2026, o governo vê a pauta como uma forma de reunir maior apoio popular. Além disso, na Esplanada, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), sinalizou que apoia a proposta e quer dar andamento na discussão.

Parlamentares ouvidos pela Arko também avaliam que, diante das atuais propostas, a que tem mais chance de avançar é limitação da jornada a 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho.

Outras propostas

Além da PEC 6×1, há outras em tramitação na Casa. O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) é autor de um texto que reduz para 36 horas semanais a carga horária de trabalho em um período de 10 anos (PL 221/19). Ele também cogita apresentar um PLP com o mesmo conteúdo nos próximos meses. Há também o projeto que delimita 40 horas máximas por semana, com ao menos dois dias de repouso (PL 67/25).

Governos estaduais tentam blindar exportadores de tarifaço com pacotes emergenciais de crédito

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Brasília (DF) 10/08/2023 - O governador de Goiás, Ronaldo Caiado fala com jornalista na saída do ministério da Fazenda, após encontro com ministro, Fernando Haddad.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Tentando mitigar os efeitos da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros prometida por Donald Trump para 1º de agosto, os governos de Goiás e de São Paulo anunciaram pacotes emergenciais de crédito para socorrer empresas exportadoras. Tanto o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), como o de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), são cotados à Presidência em 2026. Enquanto isso, o governo federal ainda estuda possíveis medidas.

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Goiás

Ronaldo Caiado anunciou uma linha de crédito emergencial com juros inferiores a 10% ao ano, voltada a empresas com alta exposição ao mercado norte-americano. Os recursos são lastreados no crédito de ICMS sobre exportações, sem necessidade de aporte direto do Tesouro estadual. Como contrapartida, as empresas deverão manter os empregos durante o período de financiamento. Em tom de embate eleitoral, Caiado afirmou que age com “firmeza e responsabilidade” diante da “ausência de medidas concretas” por parte do governo federal.

São Paulo

Já em São Paulo, Tarcísio de Freitas anunciou a Linha Giro Exportador, com R$ 200 milhões em crédito e taxas a partir de 0,27% ao mês mais IPCA. A linha, viabilizada pela agência Desenvolve SP, oferece até R$ 20 milhões por cliente, com prazo de até 60 meses e carência de 12 meses. O pacote inclui ainda a liberação de créditos de ICMS acumulados e a ampliação do Fundo Garantidor estadual. “Nosso objetivo é preservar empregos e garantir fôlego financeiro às empresas afetadas”, disse Tarcísio.

Fazenda prepara medidas

No plano federal, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disse nesta semana que o governo poderá adotar medidas de crédito para apoiar os setores prejudicados, e que isso “não necessariamente implicará gasto primário”. Até o momento, contudo, nenhuma ação foi formalmente anunciada.

Medida provisória alternativa ao IOF é prorrogada até outubro

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Congresso Nacional
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A Medida Provisória 1.303/2025, publicada em junho para compensar a revogação do aumento do IOF, segue em análise no Congresso Nacional e teve seu prazo prorrogado até 8 de outubro. Mesmo com a validade original até 9 de agosto, as regras continuam em vigor enquanto o Legislativo não conclui a votação.

Imposto de Renda

O medida prevê a incidência de Imposto de Renda para novas emissões títulos como letras de crédito (LCA e LCI), certificados de recebíveis (CRA e CRI) e debêntures incentivadas. A alíquota é de 5%. Para outros títulos já tributados com IR, a alíquota é fixada em 17,5%. O mesmo percentual valerá para criptoativos, que não terão mais isenção nas operações até R$ 35 mil.

Bets

Outro ponto da medida eleva a carga sobre as apostas espotivas. A tributação sobre o faturamento das apostas de quota fixa (bets) sobe de 12% para 18%. A alíquota incide sobre o Gross Gaming Revenue (GGR, na sigla em inglê), que corresponde a diferença entre o total apostado e o valor pago em prêmios e impostos.

Votação

Presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) com relatoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), a MP está sendo analisada pela comissão mista de deputados e senadores. Estão previstas quatro audiências públicas antes da votação, programada para 26 de agosto. Os plenários da Câmara dos Deputados e do Senado ainda analisarão a medida em seguida.

A ausência de recesso parlamentar oficila neste ano reduziu em 14 dias o prazo prorrogado da MP, que inicialmente iria até 22 de outubro.

Análise: A política Seinfeldiana de Donald Trump

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Donald Trump, Seinfeld
Foto: Reprodução

O presidente americano parece tocar seu governo em duas frentes. A que mais nos chama atenção aqui no Brasil, por razões óbvias, é a do comércio exterior. Trump acredita que tarifas são o instrumento geopolítico mais eficaz à sua disposição. Em seu segundo mandato dobrou a aposta nesta estratégia e já atingiu mais de 180 países com tarifas genéricas, tarifas recíprocas e tarifas inexplicáveis.

A segunda frente de atuação é voltada à política doméstica e busca manter sua base engajada. É a política da cultura pop, uma estratégia que considero Seinfeldiana.

Em 1989 o canal de televisão americano NBC estreou o seriado Seinfeld. Escrito e produzido pelos comediantes Larry David e Jerry Seinfeld, o conceito do seriado era fazer um programa sobre “nada”, um programa que focaria nas pequenas minúcias do nosso dia-a-dia. O foco nos pequenos detalhes da vida cotidiana permitiu que milhares de telespectadores pudessem se identificar com os temas apresentados nos roteiros, fazendo Seinfeld se tornar um dos seriados mais bem sucedidos de todos os tempos.

Transformando o cotidiano em política

Trump, similarmente ao seriado, usa o cotidiano para manter sua base engajada. Por exemplo, no dia 16 de julho de 2025, Trump publicou em sua rede social que havia conversado com a Coca-Cola e que a empresa teria concordado em substituir o xarope de milho, usado para adoçar o refrigerante nos Estados Unidos, pela cana-de-açúcar, utilizada em outros países (incluindo o México e o Brasil) onde o xarope de milho é proibido. Na cultura popular americana, é consenso que a Coca-Cola mexicana é mais saborosa que a americana. Tanto é que muitas lojas de conveniência vendem Coca-Cola mexicana importada, mesmo sendo consideravelmente mais cara que a americana. É o tipo de assunto que poderia ser mencionado em um episódio de Seinfeld.

Outro exemplo da atuação de Trump no âmbito da cultura pop literalmente já apareceu em um episódio do programa. Em “The Shower Head”, episódio da sétima temporada, os moradores do prédio de Jerry Seinfeld, includindo o seu vizinho Cosmo Kramer, sofrem após a instalação de chuveiros de baixa pressão. Kramer e Seinfeld ficam furiosos com estas duchas ecológicas e Kramer acaba comprando chuveiros contrabandeados da Iugoslávia para solucionar o problema.

Possivelmente após rever este episódio, Trump, no dia 10 de abril de 2025, ordenou que o Secretário de Energia rescindisse medidas implementadas pelo governo Obama que restringiam chuveiros que liberassem mais de 2,5 galões de água por minuto. Referindo-se a esta medida, a Casa Branca afirmou que Trump queria “Make America’s Showers Great Again”.

Trump foca em temas que podem, com facilidade, ser discutidos em uma mesa de jantar de qualquer família americana. Guerras tarifárias e sanções geopolíticas são temas mais desafiadores do que o nível de pressão da água do chuveiro. Existem outros exemplos. Trump anunciou que vai erradicar a moeda de um centavo, o penny. Ele liberou os arquivos confidenciais sobre os assassinatos de John F. Kennedy e Martin Luther King. Ele anunciou que reabriria a prisão de Alcatraz, fechada desde 1963, e cenário do filme de 1996 A Rocha, com Sean Connery e Nicolas Cage.

Os temas citados acima são os chamados temas do cidadão comum. Qualquer pessoa pode compreender e ter interesse em discuti-los. Não há qualquer reticência em discutir se canudos de plástico são melhores que canudos de papel (Trump baniu o uso federal de canudos de papel em fevereiro). Há, porém, um tema sobre o qual a base de Trump, a base MAGA, continua manifestando interesse não correspondido pelo presidente-eleito: Epstein.

Durante a campanha, Trump prometeu publicar a lista de clientes de Jeffrey Epstein e documentos relacionados e desde então seus apoiadores aguardam a exposição da rede internacional criminosa liderada por Jeffrey Epstein. Mas Trump e a Casa Branca se distanciam do tema e tentam redirecionar a atenção da base MAGA para temas já explorados na campanha, como os e-mails da Hillary. Os temas Seinfeldianos são, claramente, parte desta estratégia. Trump espera que os eleitores conversem sobre a pressão da água do chuveiro e a nomenclatura utilizada pelo time de futebol americano de Washington (Redskins vs. Commanders) e deixem de falar sobre Epstein, a condução do governo e a economia.

Governo trabalha para aprovar que precatórios da União voltem ao arcabouço aos poucos

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Foto: Reprodução

Apesar da discussão em 2º turno da PEC que trata dos precatórios municipais (PEC 66/23) ter sido adiada, o governo já trabalha durante o recesso para obter os votos necessários para manter no texto o dispositivo que libera espaço para gastos da União. Apesar da PEC tratar originalmente das dívidas municipais, um trecho, incluído pela Câmara, prorroga a retirada dos precatórios da União do arcabouço fiscal. A regra estabelece a incorporação gradual dessas despesas na apuração do resultado primário a partir de 2027, em, no mínimo, 10% por ano.

A oposição criticou a alteração e apresentou um destaque supressivo para o trecho. No dia da votação, prevendo uma derrota, a base governista pediu o adiamento da discussão dos destaques e do segundo turno. Segundo apuração da Arko Advice, o governo avalia que, após a articulação feita durante o recesso, o cenário deve se reverter. Assim, o Planalto está confiante de que terá uma vitória, ainda que apertada. A maioria dos líderes partidários do Senado consultados pela Arko dizem que devem orientar pela manutenção do texto aprovado pela Câmara, reforçando o sentimento governista.

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Alívio nas contas públicas

Apesar da obrigação de que os precatórios sejam contabilizados no teto de gastos a partir de 2027, a forma gradual a ser adotada dará um pouco mais de fôlego para o governo poder acertar as contas públicas. Entretanto, a própria ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB) sinaliza que o dever de casa tem de continuar sendo feito, já que a medida não vai surtir efeito se houver um aumento robusto e contínuo de despesas.

Assim, as medidas de contenção de aumento das despesas com precatórios devem persistir, a fim de se evitar uma nova bomba fiscal nos próximos anos.

Aeroportos brasileiros batem recorde de passageiros no primeiro semestre

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Aeroporto de Congonhas
Foto: Divulgação

Mais de 61,8 milhões de passageiros utilizaram voos domésticos e internacionais no Brasil entre janeiro e junho deste ano, segundo levantamento divulgado pelo Ministério de Portos e Aeroportos na terça-feira (22). O salto representa uma alta de 10% em relação ao mesmo período de 2024 e confirma o país em trajetória ascendente no setor aéreo.

O mercado internacional foi o principal destaque. Nos seis primeiros meses do ano, o Brasil movimentou 13,8 milhões de passageiros em voos para o exterior — 15,3% a mais que em 2024. Os voos domésticos também cresceram: mais de 40 milhões de embarques e desembarques, incremento de 8,6% sobre o ano passado.

Principais aeroportos

Todos os grandes terminais do país registraram ampliação de movimento, com destaque para:

  • Aeroporto do Galeão (RJ): passou de 6,5 milhões para 8,2 milhões de passageiros, alta superior a 26%;

  • Aeroporto de Confins (MG): movimentou 6,2 milhões de passageiros, avanço de quase 15%;

  • Aeroporto de Guarulhos (SP): manteve a liderança nacional, com quase 22 milhões de viajantes e alta de 8%;

  • Aeroporto de Brasília (DF): teve o melhor desempenho desde 2019, com crescimento de 7,6% e mais de 7,5 milhões de pessoas embarcando ou desembarcando.

Perspectiva positiva para o restante do ano

Segundo o ministro Silvio Costa Filho, a aviação civil brasileira atravessa seu momento mais próspero.

“Estamos vivendo o melhor período da nossa aviação civil e os números comprovam isso. Se mantivermos esse ritmo no segundo semestre deste ano, vamos fechar 2025 com o melhor resultado da história. Isso significa um ganho expressivo não apenas para o nosso setor, mas para todos”, disse.

Itaipu avalia ampliar turbinas com alta na demanda do Paraguai

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Foz do Iguaçu (PR), 02/01/2025 – Vista dos condutores da hidrelétrica de Itaipu Binacional, a hidrelétrica foi criada em 26 de abril de 1973 e regida em igualdade entre Brasil e Paraguai. A usina está localizada no Rio Paraná, no trecho de fronteira entre o Brasil e o Paraguai, 14 km ao Norte da Ponte da Amizade, nos municípios de Foz do Iguaçu, no Brasil, e Hernandarias, no Paraguai.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A crescente demanda de energia no Paraguai levou a direção da Itaipu Binacional a reabrir os estudos sobre a possível instalação de duas novas turbinas geradoras na usina hidrelétrica — o que representaria aumento de até 10% na estrutura atual.

Segundo o diretor-geral brasileiro, Enio Verri, a ampliação é “inevitável”, embora ainda não viável no curto prazo. “Estamos discutindo apenas a data em que estaremos maduros para esse investimento”, afirmou, em encontro com jornalistas.

Crescimento do consumo paraguaio

O projeto responde à constante elevação do consumo energético do Paraguai, impulsionado por atividades de alta demanda, como mineração de criptomoedas, data centers e inteligência artificial. Em 1985, o Brasil absorvia 95% da energia gerada por Itaipu. Atualmente, essa participação caiu para 69%, com os paraguaios consumindo os 31% restantes — proporção que, segundo projeções oficiais, deve alcançar os 50% até 2035.

Brasil e Paraguai dividem a posse da hidrelétrica, assim como o consumo de energia, cargos e decisões a se tomar. Um exemplo é o cargo de diretor-geral: Existe um brasileiro (Enio Verri) e um paraguaio (Justo Zacarias).

Ampliação exige estudos amplos e acordo bilateral

Embora exista, na estrutura da usina, espaço físico para duas unidades adicionais, a decisão depende de uma série de condicionalidades: viabilidade técnico-econômica, avaliação ambiental e social, e entendimento entre os governos e parlamentos de Brasil e Paraguai.

Enio Verri destacou que a construção de novas turbinas hoje seria muito diferente da realizada na época de fundação de Itaipu, durante a ditadura militar. “Nós temos comunidades, tem os efeitos sobre a população. Uma coisa é você construir uma usina na ditadura militar. Outra coisa é você construir uma usina agora”, pontuou.

“Isso envolve um grande estudo estratégico porque envolve políticas ambientais, políticas sociais, as comunidades que serão atingidas versus a relação e benefícios que isso pode trazer à sociedade”, diz Verri.

Sem perspectiva de retorno financeiro imediato, a expansão ainda não pode ser executada. A direção da usina considera viável buscar recursos por meio de bancos multilaterais de fomento, como o Banco Mundial ou o BNDES, com pagamento via tarifa de energia. O impacto seria diluído ao longo dos anos e, segundo analisa o diretor, com “valor pequeno” para o consumidor final.

Paraguai e Brasil

Hoje, a energia excedente do Paraguai deve ser vendida ao Brasil a preço de custo. Mas, a partir de 2027, o país poderá comercializar sua cota livremente — inclusive com terceiros países ou no mercado livre brasileiro. Isso diminuiria, significativamente, a quantidade de energia barata contratada anteriormente de forma praticamente automática pelo Brasil.

Enio Verri relativiza o possível impacto da perda parcial de energia paraguaia. Segundo ele, o Brasil tem avançado em fontes renováveis alternativas como a solar e a eólica — especialmente no Nordeste, região em que já há sobras ocasionais de geração intermitente. Mesmo assim, considera que o momento exige planejamento estratégico e cooperação regional para garantir segurança energética futura.

“Estamos crescendo a oferta de intermitente [solar e eólica, por exemplo] também. Aliás, no Nordeste temos excesso de oferta intermitente. Então, não me parece que seja um grande problema”, avalia.

Análise: O que ficou para o segundo semestre

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Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

Na última semana antes do recesso legislativo, Câmara e Senado avançaram na aprovação de parte da pauta mais relevante em tramitação no Congresso. Com apoio de diversos setores da economia, o projeto que estabelece novas regras para o licenciamento ambiental (PL nº 2.159/21) seguiu para a sanção presidencial, após 20 anos de discussão.

No entanto, outros temas de grande importância política e econômica avançaram apenas parcialmente e devem ter sua análise retomada no segundo semestre. O andamento dessas pautas pode ser impactado, porém, pelo agravamento das tensões entre os Poderes. Em julho, dois episódios provocaram incômodo no Parlamento: a decisão do Judiciário contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que inflamou a oposição, e a disputa em torno do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que contrariou deliberação do Legislativo.

Entre os projetos que ficaram pendentes está a Reforma do Imposto de Renda (PL nº 1.087/25), aprovada na Comissão Especial e agora à espera de votação no plenário. Parte dos parlamentares já articula destaques para alterar o texto. Outro tema que avançou apenas parcialmente foi a PEC dos Precatórios Municipais (PEC nº 66/25). Após a Câmara aprovar a inclusão de um dispositivo que prorroga por mais dez anos a exclusão dos precatórios da União do arcabouço fiscal, a oposição conseguiu adiar para agosto a votação em segundo turno no Senado.

Também com relevância eleitoral para o governo, a PEC da Segurança Pública (PEC nº 18/25) foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara e agora segue para uma Comissão Especial.

Além disso, diversas medidas provisórias aguardam votação. Ainda não há definição sobre o destino da MP nº 1.303/25, que propõe novas taxações como alternativa ao IOF, tema que se tornou foco de embate entre os Poderes. A Comissão Mista foi instalada em 13 de julho e deve realizar audiências públicas em agosto. Também estão pendentes duas MPs relacionadas ao setor elétrico: a MP nº 1.300, que amplia a tarifa social, e a MP nº 1.304, enviada pelo governo para reagir à derrubada dos vetos a incentivos a fontes específicas de geração de energia.

Marco do Saneamento completa cinco anos com forte atuação do setor privado

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Parque da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - Sabesp, no Butantã, zona oeste.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Marco Legal do Saneamento completou cinco anos na terça-feira passada (15), período em que a participação do setor privado registrou expressiva expansão. O número de municípios atendidos pelos serviços de abastecimento de água e de tratamento de esgoto passou de 291 (em 2019) para 1.793 (até junho deste ano).

O crescimento, superior a 516%, ocorreu devido a privatizações, parcerias público-privadas (PPPs) e concessões. Segundo dados da Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon-Sindicon), entidade que representa o setor, uma em cada três cidades brasileiras possui serviços de saneamento sob a administração de uma empresa privada.

Com o Marco Legal, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) ganhou novas atribuições, como o papel de ditar normas de referência para as agências regionais e locais. A agência produziu 12 Normas de Referência com regras para o saneamento básico.

Foram contratados R$ 178 bilhões em investimentos e realizadas 59 leilões. O BNDES passou a cuidar da modelagem de leilões de concessão das companhias estaduais, além de financiar novos empreendimentos.

Para 2026 estão programadas concessões: em Rondônia, com previsão de R$ 4,4 bilhões de obras; em Goiás, com R$ 5,5 bilhões; e no Rio Grande do Norte, com R$ 4,6 bilhões. Minas Gerais busca aprovar, na Assembleia Legislativa, dois intentos relativos à privatização da Companhia de Saneamento do estado (Copasa), empresa de capital aberto com ações na Bolsa de Valores (B3).

O cronograma prevê que, até outubro, o governo mineiro consiga aprovar o fim da exigência de referendo popular para a desestatização e, em seguida, o projeto para a venda da empresa. O plano é realizar o leilão até março para que o assunto não se transforme em tema da campanha eleitoral no segundo semestre. Ainda se discute o formato da operação.

No ano passado, a Copasa investiu R$ 2 bilhões em obras de saneamento. No primeiro trimestre deste ano foram R$ 543,2 milhões, um aumento de quase 46% no mesmo período de 2024.

Dentro do Marco Legal, houve concessões no modelo PPP das empresas do Rio de Janeiro (Cedae), do Paraná (Sanepar) e de São Paulo (Sabesp). Para 2015, há expectativa de que o governo federal licite mais quatro PPPs, que devem movimentar em torno de R$ 30 bilhões.

No entanto, o setor enfrenta desafios, como a manutenção elevada da taxa de juros (Selic), que atinge novos projetos e aqueles em execução. Além disso, persistem os lixões em mais de 2,2 mil municípios do país, acumulando resíduos sólidos. Pouco se avançou nesse sentido.

No mês passado, houve colapso no depósito de lixo de Padre Bernardo, município próximo a Brasília, contaminando cursos de água na região. O fato expôs os perigos desses depósitos.