Em edições passadas, avaliamos que a oposição teria duas pautas principais este ano: tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) elegível novamente e desgastar o governo do presidente Lula (PT). Como a segunda tarefa vem sendo executada sem necessidade de esforço dos opositores, a partir da aceitação da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a chamada “trama golpista” essa perspectiva se alterou.
Após Bolsonaro e outros sete aliados se tornarem réus, a convicção que se instalou dentro do grupo é a de que a condenação de todos é iminente. Com isso, a prioridade da oposição passou a ser a difusão da ideia de perseguição política pelo “sistema”. Contudo, a estratégia de descredibilizar o STF e outras instituições não é nova e dificilmente deve ecoar para além do bolsonarismo. As alternativas complementares também não são animadoras para o bolsonarismo.
No Legislativo, apesar da pressão crescente pela anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, é pouco provável que a proposta tenha andamento no curto prazo e possa causar algum efeito positivo no julgamento de Bolsonaro. Ainda menos plausível é a possibilidade de alteração na Lei da Ficha Limpa para reduzir o prazo de inelegibilidade de oito anos para dois. Esse cenário reforça a projeção de que o ex-presidente não será candidato na eleição do próximo ano.
O autoexílio nos Estados Unidos do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, pode produzir algum barulho no plano internacional, mas sem efeitos concretos no ambiente doméstico. E, para completar a quadra de más notícias para o bolsonarismo, o STF formou maioria para condenar a deputada Carla Zambelli (PL-SP) pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma. O julgamento foi suspenso e, tão logo seja concluído e publicado o acórdão, a deputada deverá perder o mandato.
Apesar das dificuldades no campo bolsonarista, o governo não se beneficia eleitoralmente dessa situação. Com a aprovação dos eleitores cada vez mais em baixa, as pesquisas apontam quadro eleitoral favorável aos opositores de Lula. O mais recente levantamento do Instituto Futura, divulgado dia 26/03, indica que o presidente seria derrotado num segundo turno por todos os candidatos de direita apresentados (Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e Tarcísio de Freitas). A atual gestão espera reverter esse panorama até o ano que vem com medidas voltadas para a classe média: isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil; expansão da oferta de crédito com empréstimos consignados na rede privada; e ampliação do Minha Casa, Minha Vida. Outra aposta é o alcance do programa Pé-de-Meia entre estudantes de famílias pobres.










